O GRANDE CONFLITO
ndice
Introduo / 7
I. O Destino do Mundo
 1 Predito o Destino do Mundo / 17
 2 O Valor dos Mrtires / 39
 3 Como Comearam as Trevas Morais / 49
 4 Um Povo que Difunde Luz / 61
 5 Arautos de uma Era Melhor / 79
 6 Dois Heris da Idade Mdia / 97
 7 A Influncia de um Bom Lar / 120
 8 O Poder Triunfante da Verdade / 145
II. Despertam as Naes
 9 A Luz na Sua / 171
10 A Europa Desperta / 185
11 Os Prncipes Amparam a Verdade / 197
12 Os Nobres da Frana / 211
13 A Liberdade nos Pases Baixos / 237
14 Progressos na Inglaterra / 245
15 A Escritura Sagrada e a Revoluo Francesa / 265
16 O Mais Sagrado Direito do Homem / 289
III. Esperana Triunfante
17 A Esperana que Infunde Alegria / 299
18 Uma Profecia Muito Significativa / 317
19 Luz Para os Nossos Dias / 343
20 Um Grande Movimento Mundial / 355
21 A Causa da Degradao Atual / 375
22 Profecias Alentadoras / 391
23 O Santurio Celestial, Centro de Nossa Esperana / 409
24 Quando Comea o Julgamento Divino / 423
25 A Imutvel Lei de Deus / 433
26 Restaurao da Verdade / 451
27 A Vida que Satisfaz  Como Alcanar Paz de Alma / 461
IV. A nica Salvaguarda
28 O Grande Juzo Investigativo / 479
29 Por que Existe o Sofrimento / 492
30 O Pior Inimigo do Homem, e Como Venc-lo / 505
31 Invisveis Defensores do Homem / 511
32 Os Ardis de Satans / 518
33  o Homem Imortal? / 531
34 Oferece o Espiritismo Alguma Esperana? / 551
35 Ameaa  Conscincia /563
36 O Maior Perigo Para o Lar e a Vida / 582
37 Nossa nica Salvaguarda / 593
38 O ltimo Convite Divino / 603
39 Aproxima-se o Tempo de Angstia / 613
40 O Livramento dos Justos / 635
41 Ser Desolada a Terra / 653
42 O Final e Glorioso Triunfo / 662
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Introduo
Pg. 7
Antes que o pecado entrasse no mundo, Ado gozava plena comunho com seu 
Criador. Desde, porm, que o homem se separou de Deus pela transgresso, a 
raa humana ficou privada desse alto privilgio. Pelo plano da redeno, 
entretanto, abriu-se um caminho mediante o qual os habitantes da Terra podem 
ainda ter ligao com o Cu. Deus Se tem comunicado com os homens mediante o 
Seu Esprito; e a luz divina tem sido comunicada ao mundo pelas revelaes feitas 
a Seus servos escolhidos. Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Esprito 
Santo. II Ped. 1:21.
Durante os primeiros vinte e cinco sculos da histria humana no houve 
nenhuma revelao escrita. Aqueles dentre os homens que haviam sido feitos 
receptculos das revelaes divinas comunicavam estas verbalmente aos seus 
descendentes, passando assim o seu conhecimento para geraes sucessivas. A 
revelao escrita data de Moiss, que foi o primeiro compilador dos fatos at ento 
revelados, os quais enfeixou em volume. Esse trabalho prosseguiu por espao de 
mil e seiscentos anos  desde Moiss, o autor do Gnesis, at Joo o evangelista, 
que nos transmitiu por escrito os mais sublimes fatos do evangelho.
A Escritura Sagrada aponta a Deus como seu autor; no entanto, foi escrita por 
mos humanas, e no variado estilo de seus diferentes livros apresenta os 
caractersticos dos diversos escritores. As verdades reveladas so dadas por 
inspirao de Deus (II Tim. 3:16); acham-se, contudo, expressas em palavras de 
homens. O Ser infinito, por meio de Seu Santo Esprito, derramou luz no 
entendimento e corao de Seus servos. Deu sonhos e vises, smbolos e figuras; 
e aqueles a quem a verdade foi assim revelada, concretizaram os pensamentos em 
linguagem humana.
Os Dez Mandamentos foram pronunciados pelo prprio Deus, e por Sua prpria 
mo foram escritos. So de redao divina e no humana. Mas a Escritura 
Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, 
apresenta uma unio do divino com o humano. Unio semelhante existiu na 
natureza de Cristo, que era o Filho de Deus e Filho do homem. Assim,  verdade 
com relao  Escritura, como o foi em relao a Cristo, que o Verbo Se fez carne 
e habitou entre ns. Joo 1:14.
Escritos em pocas diferentes, por homens de origem e posio diversas, e 
variando entre si quanto  sua capacidade intelectual e espiritual, os livros da 
Bblia oferecem um singular contraste de estilos e uma variedade de formas dos 
assuntos expostos. A fraseologia dos diferentes escritos diverge, expondo uns os 
mesmos fatos com maior clareza do que outros. E como sucede, s vezes, 
tratarem um mesmo assunto sob aspectos e relaes diferentes, pode parecer ao 
leitor de ocasio e imbudo de algum preconceito, que os seus conceitos divergem, 
quando um meditado estudo deixa transparecer claramente o seu fundo 
harmnico.
Sendo tratada por individualidades distintas, a verdade nos  assim apresentada 
nos seus diferentes aspectos. Um escritor se impressiona mais com uma face da 
questo e se especializa naqueles pontos que tm relao mais direta com as suas 
experincias pessoais o que ele melhor percebe e aprecia, ao passo que outro 
prefere encar-la por outro prisma; cada qual, porm, sob a direo de um mesmo 
Esprito apresenta aquilo que mais particular impresso exerce sobre o seu 
esprito, resultando da uma variedade de aspectos da mesma verdade, mas 
perfeitamente harmnicos entre si. As verdades assim reveladas formam um 
conjunto perfeito que admiravelmente se adapta s necessidades do homem em 
todas as condies e experincias da vida.
 assim que Deus Se agradou comunicar Sua verdade ao mundo por meio de 
agncias humanas que Ele prprio, pelo Seu Esprito, faz idneas para essa 
misso, dirigindo-lhes a mente no tocante ao que devem falar ou escrever. Os 
tesouros divinos so deste modo confiados a vasos terrestres sem contudo nada 
perderem de sua origem celestial. O testemunho nos  transmitido nas expresses 
imperfeitas de nossa linguagem, conservando todavia o seu carter de testemunho 
de Deus, no qual o crente submisso descobre a virtude divina, superabundante em 
graa e verdade.
Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessrio  salvao. 
As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalvel revelao de 
Sua vontade. Elas so a norma do carter, o revelador das doutrinas, a pedra de 
toque da experincia religiosa. Toda Escritura  inspirada por Deus e til para o 
ensino, para a repreenso, para a correo, para a educao na justia, a fim de 
que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa 
obra. II Tim. 3:16 e 17.
Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua 
Palavra, no tornou desnecessria a contnua presena e direo do Esprito Santo. 
Ao contrrio, o Esprito foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a 
Seus servos, para iluminar e aplicar os seus ensinos. E visto ter sido o Esprito de 
Deus que inspirou a Escritura Sagrada,  impossvel que o ensino do Esprito seja 
contrrio ao da Palavra.
O Esprito no foi dado  nem nunca o poderia ser  a fim de sobrepor-Se  
Escritura; pois esta explicitamente declara ser ela mesma a norma pela qual todo 
ensino e experincia devem ser aferidos. Diz o apstolo Joo: No creiais a todo o 
esprito, mas provai se os espritos so de Deus; porque j muitos falsos profetas 
se tm levantado no mundo. I Joo 4:1. E Isaas declara:  lei e ao Testemunho! 
se eles no falarem segundo esta palavra, no haver manh para eles. Isa. 
8:20.
Muito descrdito tem acarretado  obra do Esprito Santo o erro de certa gente 
que, presumindo-se iluminada por Ele, declara no mais necessitar das instrues 
da palavra divina. Tais pessoas agem sob impulsos que reputam como a voz de 
Deus s suas almas. Entretanto o esprito que as rege no  de Deus. Essa 
docilidade s impresses de momento, com desprezo manifesto do que ensina a 
Bblia, s pode resultar em confuso e runa, favorecendo os desgnios do maligno. 
Como o ministrio do Esprito tem importncia vital para a igreja de Cristo,  o 
decidido empenho de Satans, por meio dessas excentricidades de gente 
desequilibrada e fantica, cobrir de oprbrio a obra do Esprito Santo e induzir o 
povo a negligenciar a fonte de virtude que Deus proveu para o Seu povo.
Em harmonia com a Palavra de Deus, deveria Seu Esprito continuar Sua obra 
durante todo o perodo da dispensao evanglica. Durante os sculos em que as 
Escrituras do Antigo Testamento bem como as do Novo estavam sendo dadas, o 
Esprito Santo no cessou de comunicar luz a mentes individuais, 
independentemente das revelaes a serem incorporadas no cnon sagrado. A 
Bblia mesma relata como, mediante o Esprito Santo, os homens receberam 
advertncias, reprovaes, conselhos e instrues, em assuntos de nenhum modo 
relativos  outorga das Escrituras. E faz-se meno de profetas de pocas vrias, 
de cujos discursos nada h registrado. Semelhantemente, aps a concluso do 
cnon das Escrituras, o Esprito Santo deveria ainda continuar a Sua obra, 
esclarecendo, advertindo e confortando os filhos de Deus.
Jesus Cristo prometeu a Seus discpulos: O Consolador, o Esprito Santo, que o 
Pai enviar em Meu nome, Esse vos ensinar todas as coisas, e vos far lembrar 
de tudo quanto vos tenho dito. Joo 14:26. Quando vier aquele Esprito de 
verdade, Ele vos guiar em toda a verdade; ... e vos anunciar o que h de vir. 
Joo 16:13. As Escrituras claramente ensinam que estas promessas, longe de se 
limitarem aos dias apostlicos, se estendem  igreja de Cristo em todos os 
sculos. O Salvador afirma a Seus seguidores: Estou convosco todos os dias, at 
 consumao dos sculos. Mat. 28:20. E Paulo declara que os dons e 
manifestaes do Esprito foram postos na igreja para o aperfeioamento dos 
santos, para a obra do ministrio, para edificao do corpo de Cristo; at que 
todos cheguemos  unidade da f, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varo 
perfeito,  medida da estatura completa de Cristo. Efs. 4:12 e 13.
A favor dos crentes da igreja de feso o apstolo Paulo orava para que o Deus de 
nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glria, vos conceda esprito de sabedoria e de 
revelao no pleno conhecimento dEle, iluminados os olhos do vosso corao, para 
saberdes qual  a esperana do seu chamamento. . . e qual a suprema grandeza 
do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficcia da fora do seu poder. 
Efs. 1:17-19. Era a ministrao do Esprito na iluminao do entendimento e 
desvendao dos olhos do esprito humano para penetrao das coisas profundas 
da Palavra de Deus, que o apstolo suplicava para a igreja de feso.
Depois da maravilhosa manifestao do Esprito Santo no dia de Pentecoste, Pedro 
exortou o povo a arrepender-se e batizar-se em nome de Cristo, para a remisso 
de seus pecados; e disse ele: E recebereis o dom do Esprito Santo; porque a 
promessa vos diz respeito a vs, a vossos filhos, e a todos os que esto longe: a 
tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. Atos 2:38 e 39.
Em imediata relao com as cenas do grande dia de Deus, o Senhor, pelo profeta 
Joel, prometeu uma manifestao especial de Seu Esprito (Joel 2:28). Esta 
profecia recebeu cumprimento parcial no derramamento do Esprito, no dia de 
Pentecoste. Mas atingir seu pleno cumprimento na manifestao da graa divina 
que acompanhar a obra final do Evangelho.
A grande controvrsia entre o bem e o mal h de assumir propores cada vez 
maiores at o seu final desenlace. Em todas as pocas a ira de Satans esteve 
voltada contra a igreja de Cristo, motivo pelo qual Deus a dotou do Seu Esprito e 
de Sua graa para que pudesse enfrentar todas as oposies do mal. Ao 
receberem os apstolos a incumbncia de levar o evangelho at os confins da 
Terra e escrev-lo para as geraes futuras, Deus lhes deu a iluminao do Seu 
Esprito.  medida, porm, que a igreja se aproxima da hora de sua libertao 
definitiva, Satans h de agir com redobrada energia. Ele desceu a vs, e tem 
grande ira, sabendo que j tem pouco tempo. Apoc. 12:12. Ele operar com todo 
o poder, e sinais e prodgios de mentira. II Tess. 2:9. Durante seis mil anos esse 
esprito superior, que ocupou outrora lugar preeminente entre os anjos de Deus, 
tem estado devotado a uma obra de destruio e engano. E toda habilidade e 
astcia satnicas adquiridas, toda a crueldade desenvolvida nessa luta de longos 
sculos, sero empregadas contra o povo de Deus no conflito final.  nesse tempo 
cheio de perigos que os seguidores de Cristo tero de anunciar ao mundo a 
mensagem do segundo advento de Cristo, a fim de preparar um povo imaculado e 
irrepreensvel para a volta do Senhor. II Ped. 3:14. Ento, como nos dias dos 
apstolos, a igreja ter necessidade de uma dotao especial da graa e poder 
divinos.
Mediante a iluminao do Esprito Santo, as cenas do prolongado conflito entre o 
bem e o mal foram patenteadas  autora destas pginas. De quando em quando 
me foi permitido contemplar a operao, nas diversas pocas, do grande conflito 
entre Cristo, o Prncipe da vida, o Autor de nossa salvao, e Satans, o prncipe 
do mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da santa lei de Deus. A 
inimizade de Satans para com Cristo manifestou-se contra os Seus seguidores. O 
mesmo dio aos princpios da lei de Deus, o mesmo expediente de engano, em 
virtude do qual se faz o erro parecer verdade, pelo qual a lei divina  substituda 
pelas leis humanas, e os homens so levados a adorar a criatura em lugar do 
Criador, podem ser divisados em toda a histria do passado. Os esforos de 
Satans para representar de maneira falsa o carter de Deus, para fazer com que 
os homens nutram um conceito errneo do Criador, e assim O considerem com 
temor e dio em vez de amor; seu empenho para pr de parte a lei divina, levando 
o povo a julgar-se livre de suas reivindicaes e sua perseguio aos que ousam 
resistir a seus enganos, tm sido prosseguidos com persistncia em todos os 
sculos. Podem ser observados na histria dos patriarcas, profetas e apstolos, 
mrtires e reformadores.
No grande conflito final, como em todas as eras anteriores, Satans empregar os 
mesmos expedientes, manifestar o mesmo esprito, e trabalhar para o mesmo 
fim. Aquilo que foi, ser, com a exceo de que a luta vindoura se assinalar por 
uma intensidade terrvel, tal como o mundo jamais testemunhou. Os enganos de 
Satans sero mais sutis, seus assaltos mais decididos. Se possvel fora, 
transviaria os escolhidos (Mar. 13:22).
A medida que o Esprito de Deus me ia revelando  mente as grandes verdades de 
Sua Palavra, e as cenas do passado e do futuro, era-me ordenado tornar conhecido 
a outros o que assim fora revelado  delineando a histria do conflito nas eras 
passadas, e especialmente apresentando-a de tal maneira a lanar luz sobre a luta 
do futuro, em rpida aproximao. Para alcanar esse propsito, esforcei-me por 
selecionar e agrupar fatos da histria da igreja de tal maneira a esboar o 
desdobramento das grandes verdades probantes que em diferentes perodos foram 
dadas ao mundo, as quais excitaram a ira de Satans e a inimizade de uma igreja 
que ama o mundo, verdades que tm sido mantidas pelo testemunho dos que no 
amaram suas vidas at  morte.
Nestes relatos podemos ver uma prefigurao do conflito perante ns. Olhando-os 
 luz da Palavra de Deus, e pela iluminao de Seu Esprito, podemos ver a 
descoberto os ardis do maligno e os perigos que devero evitar os que sero 
achados irrepreensveis diante do Senhor em Sua vinda. 
Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso da Reforma nas pocas 
passadas, constituem assunto da Histria, bastante conhecidos e universalmente 
reconhecidos pelo mundo protestante; so fatos que ningum pode negar. Esta 
histria apresentei-a de maneira breve, de acordo com o escopo deste livro e com 
a brevidade que necessariamente deveria ser observada, havendo os fatos sido 
condensados no menor espao compatvel com sua devida compreenso. Em 
alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a 
proporcionar, em breve, uma viso compreensiva do assunto, ou resumiu 
convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; 
nalguns outros casos, porm, no se nomeou o autor, visto como as transcries 
no so feitas com o propsito de citar aquele escritor como autoridade, mas 
porque sua declarao prov uma apresentao do assunto, pronta e positiva. 
Narrando a experincia e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma 
em nosso prprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publicadas.
O objetivo deste livro no consiste tanto em apresentar novas verdades 
concernentes s lutas dos tempos anteriores, como em aduzir fatos e princpios 
que tm sua relao com os acontecimentos vindouros. Contudo, encarados como 
uma parte do conflito entre as foras da luz e das trevas, v-se que todos esses 
relatos do passado tm nova significao; e por meio deles projeta-se uma luz no 
futuro, iluminando a senda daqueles que, semelhantes aos reformadores dos 
sculos passados, sero chamados, mesmo com perigo de todos os bens 
terrestres, para testificar da Palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo.
Desdobrar as cenas do grande conflito entre a verdade e o erro; revelar os ardis 
de Satans e os meios por que lhe podemos opor eficaz resistncia; apresentar 
uma soluo satisfatria do grande problema do mal, derramando luz sobre a 
origem e a disposio final do pecado, de tal maneira a manifestar-se plenamente 
a justia e benevolncia de Deus em todo o Seu trato com Suas criaturas; e 
mostrar a natureza santa, imutvel de Sua lei  eis o objetivo deste livro. Que 
mediante sua influncia almas se possam libertar do poder das trevas, e tornar-se 
participantes da herana dos santos na luz, para louvor dAquele que nos amou e 
Se deu a Si mesmo por ns,  a fervorosa orao da autora.
E.G.W.
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I. O Destino do Mundo
1
Predito o Destino do Mundo
Pg. 17
Ah! se tu conhecesses tambm, ao menos neste teu dia, o que  tua paz 
pertence! mas agora isto est encoberto aos teus olhos. Porque dias viro sobre ti, 
em que os teus inimigos te cercaro de trincheiras, e te sitiaro, e te estreitaro 
de todas as bandas; e te derribaro, a ti e aos teus filhos que dentro de ti 
estiverem; e no deixaro em ti pedra sobre pedra, pois que no conheceste o 
tempo da tua visitao. Luc. 19:42-44.
Do cimo do Monte das Oliveiras, Jesus olhava sobre Jerusalm. Lindo e calmo era 
o cenrio que diante dEle se desdobrava. Era o tempo da Pscoa, e de todas as 
terras os filhos de Jac se haviam ali reunido para celebrar a grande festa 
nacional. Em meio de hortos e vinhedos, e declives verdejantes juncados das 
tendas dos peregrinos, erguiam-se as colinas terraplenadas, os majestosos 
palcios e os macios baluartes da capital de Israel. A filha de Sio parecia dizer 
em seu orgulho: Estou assentada como rainha, e no  verei o pranto, sendo ela 
to formosa ento e julgando-se to segura do favor do Cu como quando, sculos 
antes, o trovador real cantara: Formoso de stio, e alegria de toda a terra  o 
monte de Sio  a cidade do grande Rei. Sal. 48:2. Bem  vista estavam os 
magnificentes edifcios do templo. Os raios do Sol poente iluminavam a brancura 
de neve de suas paredes de mrmore e punham reflexos no portal de ouro, na 
torre e pinculo. Qual perfeio da
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Pg. 18
formosura, levantava-se ele como o orgulho da nao judaica. Que filho de Israel 
poderia contemplar aquele cenrio sem um estremecimento de alegria e 
admirao?! Entretanto, pensamentos muito diversos ocupavam a mente de Jesus. 
Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela. Luc. 19:41. Por entre o 
universal regozijo de Sua entrada triunfal, enquanto se agitavam ramos de 
palmeiras, enquanto alegres hosanas despertavam ecos nas colinas, e milhares de 
vozes O aclamavam Rei, o Redentor do mundo achava-Se oprimido por sbita e 
misteriosa tristeza. Ele, o Filho de Deus, o Prometido de Israel, cujo poder vencera 
a morte e do tmulo chamara a seus cativos, estava em pranto, no em 
conseqncia de uma mgoa comum, seno de agonia intensa, irreprimvel.
Suas lgrimas no eram por Si mesmo, posto que bem soubesse para onde Seus 
passos O levariam. Diante dEle jazia o Getsmani, cenrio de Sua prxima agonia. 
Estava tambm  vista a porta das ovelhas, atravs da qual durante sculos 
tinham sido conduzidas as vtimas para o sacrifcio, e que se Lhe deveria abrir 
quando fosse como um cordeiro levado ao matadouro. Isa. 53:7. No muito 
distante estava o Calvrio, o local da crucifixo. Sobre o caminho que Cristo logo 
deveria trilhar, cairia o terror de grandes trevas ao fazer Ele de Sua alma uma 
oferta pelo pecado. Todavia, no era a contemplao destas cenas que lanava 
sobre Ele aquela sombra, em tal hora de alegria. Nenhum sinal de Sua prpria 
angstia sobre-humana nublava aquele esprito abnegado. Chorava pela sorte dos 
milhares de Jerusalm  por causa da cegueira e impenitncia daqueles que Ele 
viera abenoar e salvar.
A histria de mais de mil anos do favor especial de Deus e de Seu cuidado protetor 
manifestos ao povo escolhido, estava patente aos olhos de Jesus. Ali estava o 
Monte Mori, onde o filho da promessa, como vtima submissa, havia sido ligado 
ao altar  emblema da oferenda do Filho de Deus (Gn. 22:9). Ali, o concerto de 
bnos e a gloriosa promessa messinica tinham sido confirmados ao pai dos 
crentes (Gn. 22:16-18). Ali as chamas do sacrifcio, ascendendo da eira de Orn 
para o
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Pg. 19
cu, haviam desviado a espada do anjo destruidor (I Crn. 21)  smbolo 
apropriado do sacrifcio e mediao do Salvador em prol do homem culpado. 
Jerusalm fora honrada por Deus acima de toda a Terra. Sio fora eleita pelo 
Senhor, que a desejara para Sua habitao (Sal. 132:13). Ali, durante sculos, 
santos profetas haviam proferido mensagens de advertncia. Sacerdotes ali 
haviam agitado os turbulos, e a nuvem de incenso, com as oraes dos 
adoradores, subira perante Deus. Ali, diariamente, se oferecera o sangue dos 
cordeiros mortos, apontando para o vindouro Cordeiro de Deus. Ali, Jeov revelara 
Sua presena na nuvem de glria, sobre o propiciatrio. Repousara ali a base 
daquela escada mstica, ligando a Terra ao Cu (Gn. 28:12; Joo 1:51)  escada 
pela qual os anjos de Deus desciam e subiam, e que abria ao mundo o caminho 
para o lugar santssimo. Houvesse Israel, como nao, preservado a aliana com o 
Cu, Jerusalm teria permanecido para sempre como eleita de Deus (Jer. 17:21-
25). Mas a histria daquele povo favorecido foi um registro de apostasias e 
rebelio. Haviam resistido  graa do Cu, abusado de seus privilgios e 
menosprezado as oportunidades.
Posto que Israel tivesse zombado dos mensageiros de Deus, desprezado Suas 
palavras e perseguido Seus profetas (II Crn. 36:16), Ele ainda Se lhes 
manifestara como o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e 
grande em beneficncia e verdade (xo. 34:6); apesar das repetidas rejeies, 
Sua misericrdia continuou a interceder. Com mais enternecido amor que o de pai 
pelo filho de seus cuidados, Deus lhes havia enviado Sua palavra pelos Seus 
mensageiros, madrugando, e enviando-lhos; porque Se compadeceu de Seu povo 
e da Sua habitao. II Crn. 36:15. Quando admoestaes, rogos e censuras 
haviam falhado, enviou-lhes o melhor dom do Cu, mais ainda, derramou todo o 
Cu naquele nico dom.
O prprio Filho de Deus foi enviado para instar com a cidade impenitente. Foi 
Cristo que trouxe Israel, como uma boa vinha, do Egito (Sal. 80:8). Sua prpria 
mo havia lanado fora
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Pg. 20
os gentios de diante deles. Plantou-a em um outeiro frtil. Seu protetor cuidado 
cercara-a em redor. Enviou Seus servos para cultiv-la. Que mais se podia fazer  
Minha vinha, exclama Ele, que Eu lhe no tenha feito? Posto que quando Ele 
esperou que desse uvas, veio a produzir uvas bravas (Isa. 5:1-4), ainda com 
esperana compassiva de encontrar frutos, veio em pessoa  Sua vinha, para que 
porventura pudesse ser salva da destruio. Cavou em redor dela, podou-a e 
protegeu-a. Foi incansvel em Seus esforos para salvar esta vinha que Ele prprio 
plantara.
Durante trs anos o Senhor da luz e glria entrara e sara por entre o Seu povo. 
Ele andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo (Atos 10:38), 
aliviando os quebrantados de corao, pondo em liberdade os que se achavam 
presos, restaurando a vista aos cegos, fazendo andar aos coxos e ouvir aos surdos, 
purificando os leprosos, ressuscitando os mortos e pregando o evangelho aos 
pobres (Luc. 4:18; Mat. 11:5). A todas estas classes igualmente foi dirigido o 
gracioso convite: Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu 
vos aliviarei. Mat. 11:28.
Conquanto Lhe fosse recompensado o bem com o mal e o Seu amor com o dio 
(Sal. 109:5), Ele prosseguiu firmemente em Sua misso de misericrdia. Jamais 
eram repelidos os que buscavam a Sua graa. Como viajante sem lar, tendo a 
ignomnia e a penria como poro diria, viveu Ele para ministrar s 
necessidades e abrandar as desgraas humanas, para insistir com os homens a 
aceitarem o dom da vida. As ondas de misericrdia, rebatidas por aqueles coraes 
obstinados, retornavam em uma vaga mais forte de terno e inexprimvel amor. 
Mas Israel se desviara de seu melhor Amigo e nico Auxiliador. Os rogos de Seu 
amor haviam sido desprezados, Seus conselhos repelidos, ridicularizadas Suas 
advertncias.
A hora de esperana e perdo passava-se rapidamente; a taa da ira de Deus, por 
tanto tempo adiada, estava quase cheia. As nuvens que haviam estado a 
acumular-se durante sculos de apostasia e rebelio, ora enegrecidas de 
calamidades, estavam prestes a desabar sobre um povo criminoso; e Aquele
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Pg. 21
que unicamente os poderia salvar da condenao iminente, fora menosprezado, 
injuriado, rejeitado e seria logo crucificado. Quando Cristo estivesse suspenso da 
cruz do Calvrio, teria terminado o tempo de Israel como nao favorecida e 
abenoada por Deus. A perda de uma alma que seja  calamidade infinitamente 
maior que os proveitos e tesouros de todo um mundo; entretanto, quando Cristo 
olhava sobre Jerusalm, achava-se perante Ele a condenao de uma cidade 
inteira, de toda uma nao  sim, aquela cidade e nao que foram as escolhidas 
de Deus, Seu tesouro peculiar.
Profetas haviam chorado a apostasia de Israel, e as terrveis desolaes que seus 
pecados atraram. Jeremias desejava que seus olhos fossem uma fonte de 
lgrimas, para que pudesse chorar dia e noite pelos mortos da filha de seu povo, 
pelo rebanho do Senhor que fora levado em cativeiro (Jer. 9:1; 13:17). Qual no 
era, pois, a dor dAquele cujo olhar proftico abrangia no os anos mas os sculos! 
Contemplava Ele o anjo destruidor com a espada levantada contra a cidade que 
durante tanto tempo fora a morada de Jeov. Do cume do Monte das Oliveiras, no 
mesmo ponto mais tarde ocupado por Tito e seu exrcito, olhava Ele atravs do 
vale para os ptios e prticos sagrados, e, com a vista obscurecida pelas lgrimas, 
via em terrvel perspectiva, os muros rodeados de hostes estrangeiras. Ouvia o 
tropel de exrcitos dispondo-se para a guerra. Distinguia as vozes de mes e 
crianas que, na cidade sitiada, bradavam pedindo po. Via entregues s chamas o 
santo e belo templo, os palcios e torres, e no lugar em que eles se erigiam, 
apenas um monte de runas fumegantes.
Olhando atravs dos sculos futuros, via o povo do concerto espalhado em todos 
os pases, semelhantes aos destroos de um naufrgio em praia deserta. Nos 
castigos prestes a cair sobre Seus filhos, no via Ele seno o primeiro gole daquela 
taa de ira que no juzo final deveriam esgotar at s fezes. A piedade divina, o 
terno amor encontraram expresso nestas melanclicas palavras: Jerusalm, 
Jerusalm, que matas os profetas, e apedrejas os que te so enviados! quantas 
vezes
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Pg. 22
quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das 
asas, e tu no quiseste! Mat. 23:37. Oh! se houveras conhecido, como nao 
favorecida acima de todas as outras, o tempo de tua visitao e as coisas que 
pertencem  tua paz! Tenho contido o anjo da justia, tenho-te convidado ao 
arrependimento, mas em vo. No  meramente a servos, enviados e profetas que 
tens repelido e rejeitado, mas ao Santo de Israel, teu Redentor. Se s destruda, 
tu unicamente s a responsvel. E no quereis vir a Mim para terdes vida. Joo 
5:40.
Cristo viu em Jerusalm um smbolo do mundo endurecido na incredulidade e 
rebelio, e apressando-se ao encontro dos juzos retribuidores de Deus. As 
desgraas de uma raa decada, oprimindo-Lhe a alma, arrancavam de Seus lbios 
aquele clamor extremamente amargurado. Viu a histria do pecado traada pelas 
misrias, lgrimas e sangue humanos; o corao moveu-se-Lhe de infinita 
compaixo pelos aflitos e sofredores da Terra; angustiava-Se por aliviar a todos. 
Contudo, mesmo a Sua mo no poderia demover a onda das desgraas humanas; 
poucos procurariam a nica fonte de auxlio. Ele estava disposto a derramar a 
alma na morte, a fim de colocar a salvao ao seu alcance; poucos, porm, viriam 
a Ele para que pudessem ter vida.
A Majestade dos Cus em pranto! O Filho do infinito Deus perturbado em esprito, 
curvado em angstia! Esta cena encheu de espanto o Cu inteiro. Revela-nos a 
imensa malignidade do pecado; mostra quo rdua tarefa , mesmo para o poder 
infinito, salvar ao culpado das conseqncias da transgresso da lei de Deus. 
Jesus, olhando para a ltima gerao, viu o mundo envolto em engano semelhante 
ao que causou a destruio de Jerusalm. O grande pecado dos judeus foi 
rejeitarem a Cristo; o grande pecado do mundo cristo seria rejeitarem a lei de 
Deus, fundamento de Seu governo no Cu e na Terra. Os preceitos de Jeov 
seriam desprezados e anulados. Milhes na servido do pecado, escravos de 
Satans, condenados a sofrer a segunda morte, recusar-se-iam a escutar as 
palavras
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Pg. 23
de verdade no dia de sua visitao. Terrvel cegueira! estranha presuno!
Dois dias antes da Pscoa, quando Cristo pela ltima vez Se havia afastado do 
templo, depois de denunciar a hipocrisia dos prncipes judeus, novamente sai com 
os discpulos para o Monte das Oliveiras, e assenta-Se com eles no declive relvoso, 
sobranceiro  cidade. Mais uma vez contempla seus muros, torres e palcios. Mais 
uma vez se Lhe depara o templo em seu deslumbrante esplendor, qual diadema de 
beleza a coroar o monte sagrado.
Mil anos antes, o salmista engrandecera o favor de Deus para com Israel fazendo 
da casa sagrada deste a Sua morada: Em Salm est o Seu tabernculo, e a Sua 
morada em Sio. Sal. 76:2. Ele elegeu a tribo de Jud; o monte de Sio, que Ele 
amava. E edificou o Seu santurio como aos lugares elevados. Sal. 78:68 e 69. O 
primeiro templo fora erigido durante o perodo mais prspero da histria de Israel. 
Grandes armazenamentos de tesouros para este fim haviam sido acumulados pelo 
rei Davi e a planta para a sua construo fora feita por inspirao divina (I Crn. 
28:12 e 19). Salomo, o mais sbio dos monarcas de Israel, completara a obra. 
Este templo foi o edifcio mais magnificente que o mundo j viu. Contudo o Senhor 
declarou pelo profeta Ageu, relativamente ao segundo templo: A glria desta 
ltima casa ser maior do que a da primeira. Farei tremer todas as naes, e 
vir o Desejado de todas as naes, e encherei esta casa de glria, diz o Senhor 
dos exrcitos. Ageu 2:9 e 7.
Depois da destruio do templo por Nabucodonosor, foi reconstrudo 
aproximadamente quinhentos anos antes do nascimento de Cristo, por um povo 
que, de um longo cativeiro, voltara a um pas devastado e quase deserto. Havia 
ento entre eles homens idosos que tinham visto a glria do templo de Salomo e 
que choraram junto aos alicerces do novo edifcio porque devesse ser to inferior 
ao antecedente. O sentimento que prevalecia  vividamente descrito pelo profeta: 
Quem h entre
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Pg. 24
vs que, tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glria? e como a vedes agora? 
no  esta como nada em vossos olhos, comparada com aquela? Ageu 2:3; Esd. 
3:12. Ento foi feita a promessa de que a glria desta ltima casa seria maior do 
que a da anterior.
Mas o segundo templo no igualou o primeiro em esplendor; tampouco foi 
consagrado pelos visveis sinais da presena divina que o primeiro tivera. No 
houve manifestao de poder sobrenatural para assinalar sua dedicao. Nenhuma 
nuvem de glria foi vista a encher o santurio recm-erigido. Nenhum fogo do Cu 
desceu para consumir o sacrifcio sobre o altar. O shekinah no mais habitava 
entre os querubins no lugar santssimo; a arca, o propiciatrio, as tbuas do 
testemunho no mais deviam encontrar-se ali. Nenhuma voz ecoava do Cu para 
tornar conhecida ao sacerdote inquiridor a vontade de Jeov.
Durante sculos os judeus em vo se haviam esforado por mostrar que a 
promessa de Deus feita por Ageu se cumprira; entretanto, o orgulho e a 
incredulidade lhes cegavam a mente ao verdadeiro sentido das palavras do 
profeta. O segundo templo no foi honrado com a nuvem de glria de Jeov, mas 
com a presena viva dAquele em quem habita corporalmente a plenitude da 
divindade  que foi o prprio Deus manifesto em carne. O Desejado de todas as 
naes havia em verdade chegado a Seu templo quando o Homem de Nazar 
ensinava e curava nos ptios sagrados. Com a presena de Cristo, e com ela 
somente, o segundo templo excedeu o primeiro em glria. Mas Israel afastara de 
si o Dom do Cu, que lhe era oferecido. Com o humilde Mestre que naquele dia 
sara de seu portal de ouro, a glria para sempre se retirara do templo. J eram 
cumpridas as palavras do Salvador: Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta. 
Mat. 23:38.
Os discpulos ficaram cheios de espanto e admirao ante a profecia de Cristo 
acerca da subverso do templo, e desejavam compreender melhor o significado de 
Suas palavras. Riquezas, trabalhos e percia arquitetnica haviam durante mais de 
quarenta anos sido liberalmente expedidos para salientar os seus
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esplendores. Herodes, o Grande, nele empregara prodigamente tanto riquezas 
romanas como tesouros judeus, e mesmo o imperador do mundo o tinha 
enriquecido com seus dons. Blocos macios de mrmore branco, de tamanho 
quase fabuloso, proveniente de Roma para este fim, formavam parte de sua 
estrutura; e para eles chamaram os discpulos a ateno do Mestre, dizendo: Olha 
que pedras, e que edifcios! Mar. 13:1.
A estas palavras deu Jesus a solene e surpreendente resposta: Em verdade vos 
digo que no ficar aqui pedra sobre pedra que no seja derribada. Mat. 24:2.
Com a subverso de Jerusalm os discpulos associaram os fatos da vinda pessoal 
de Cristo em glria temporal a fim de assumir o trono do imprio do Universo, 
castigar os judeus impenitentes e libertar a nao do jugo romano. O Senhor lhes 
dissera que viria a segunda vez. Da, com a meno dos juzos sobre Jerusalm, 
volveram o pensamento para aquela vinda; e, como estivessem reunidos em torno 
do Salvador sobre o Monte das Oliveiras, perguntaram: Quando sero essas 
coisas, e que sinal haver da Tua vinda e do fim do mundo? Mat. 24:3.
O futuro estava misericordiosamente velado aos discpulos. Houvessem eles 
naquela ocasio compreendido perfeitamente os dois terrveis fatos  os 
sofrimentos e morte do Redentor, e a destruio de sua cidade e templo  teriam 
sido dominados pelo terror. Cristo apresentou diante deles um esboo dos 
importantes acontecimentos a ocorrerem antes do final do tempo. Suas palavras 
no foram ento completamente entendidas; mas a significao ser-lhes-ia 
revelada quando Seu povo necessitasse da instruo nelas dada. A profecia que 
Ele proferiu era dupla em seu sentido: ao mesmo tempo em que prefigurava a 
destruio de Jerusalm, representava igualmente os terrores do ltimo grande 
dia.
Jesus declarou aos discpulos que O escutavam, os juzos que deveriam cair sobre 
o apstata Israel, e especialmente o castigo retribuidor que lhe sobreviria por sua 
rejeio e crucifixo do Messias. Sinais inequvocos precederiam a terrvel 
culminao.
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Pg. 26
A hora temida viria sbita e celeremente. E o Salvador advertiu a Seus 
seguidores: Quando pois virdes que a abominao da desolao, de que falou o 
profeta Daniel, est no lugar santo (quem l, atenda), ento os que estiverem na 
Judia fujam para os montes. Mat. 24:15 e 16; Luc. 21:20. Quando os smbolos 
idoltricos dos romanos fossem erguidos em terra santa, a qual ia um pouco alm 
dos muros da cidade, ento os seguidores de Cristo deveriam achar segurana na 
fuga. Quando fosse visto o sinal de aviso, os que desejavam escapar no deveriam 
demorar-se. Por toda a terra da Judia, bem como em Jerusalm mesmo, o sinal 
para a fuga deveria ser imediatamente obedecido. Aquele que acaso estivesse no 
telhado, no deveria descer  casa, mesmo para salvar os tesouros mais valiosos. 
Os que estivessem trabalhando nos campos ou nos vinhedos, no deveriam tomar 
tempo para voltar a fim de apanhar a roupa exterior, posta de lado enquanto 
estavam a labutar no calor do dia. No deveriam hesitar um instante, para que 
no fossem apanhados pela destruio geral.
No reinado de Herodes, Jerusalm no s havia sido grandemente embelezada, 
mas, pela ereo de torres, muralhas e fortalezas, em acrscimo  fora natural de 
sua posio, tornara-se aparentemente inexpugnvel. Aquele que nesse tempo 
houvesse publicamente predito sua destruio, teria sido chamado, como No em 
sua poca, doido alarmista. Mas Cristo dissera: O cu e a Terra passaro, mas as 
Minhas palavras no ho de passar. Mat. 24:35. Por causa de seus pecados, foi 
anunciada a ira contra Jerusalm, e sua pertinaz incredulidade selou-lhe a sorte.
O Senhor tinha declarado pelo profeta Miquias: Ouvi agora isto, vs, chefes da 
casa de Jac, e vs, maiorais da casa de Israel, que abominais o juzo e perverteis 
tudo o que  direito, edificando a Sio com sangue, e a Jerusalm com injustia. 
Os seus chefes do as sentenas por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por 
interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao 
Senhor, dizendo: No est o Senhor no meio de ns? nenhum mal nos sobrevir. 
Miq. 3:9-11. 
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Pg. 27
Estas palavras descreviam fielmente os habitantes de Jerusalm, corruptos e 
possudos de justia prpria. Pretendendo embora observar rigidamente os 
preceitos da lei de Deus, estavam transgredindo todos os seus princpios. Odiavam 
a Cristo porque a Sua pureza e santidade lhes revelavam a iniqidade prpria; e 
acusavam-nO de ser a causa de todas as angstias que lhes tinham sobrevindo 
em conseqncia de seus pecados. Posto que soubessem no ter Ele pecado, 
declararam que Sua morte era necessria para a segurana deles como nao. Se 
O deixarmos assim, disseram os chefes dos judeus, todos crero nEle, e viro os 
romanos, e tirar-nos-o o nosso lugar e a nao. Joo 11:48. Se Cristo fosse 
sacrificado, eles poderiam uma vez mais se tornar um povo forte, unido. Assim 
raciocinavam, e concordavam com a deciso de seu sumo sacerdote de que seria 
melhor morrer um homem do que perecer toda a nao.
Assim os dirigentes judeus edificaram a Sio com sangue, e a Jerusalm com 
injustia. E alm disso, ao mesmo tempo em que mataram seu Salvador porque 
lhes reprovava os pecados, tal era a sua justia prpria que se consideravam como 
o povo favorecido de Deus, e esperavam que o Senhor os livrasse dos inimigos. 
Portanto, continuou o profeta, por causa de vs, Sio ser lavrada como um 
campo, e Jerusalm se tornar em montes de pedras, e o monte desta casa em 
lugares altos dum bosque. Miq. 3:12.
Durante quase quarenta anos depois que a condenao de Jerusalm fora 
pronunciada por Cristo mesmo, retardou o Senhor os Seus juzos sobre a cidade e 
nao. Maravilhosa foi a longanimidade de Deus para com os que Lhe rejeitaram o 
evangelho e assassinaram o Filho. A parbola da rvore infrutfera representava o 
trato de Deus para com a nao judaica. Fora dada a ordem: Corta-a; por que 
ocupa ainda a terra inutilmente? Luc. 13:7. Mas a misericrdia divina poupara-a 
ainda um pouco de tempo. Muitos havia ainda entre os judeus que eram 
ignorantes quanto ao carter e obra de Cristo. E os filhos no haviam gozado das 
oportunidades nem
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recebido a luz que seus pais tinham desprezado. Mediante a pregao dos 
apstolos e de seus cooperadores, Deus faria com que a luz resplandecesse sobre 
eles; ser-lhes-ia permitido ver como a profecia se cumprira, no somente no 
nascimento e vida de Cristo, mas tambm em Sua morte e ressurreio. Os filhos 
no foram condenados pelos pecados dos pais; quando, porm, conhecedores de 
toda a luz dada a seus pais, os filhos rejeitaram mesmo a que lhes fora concedida 
a mais, tornaram-se participantes dos pecados daqueles e encheram a medida de 
sua iniqidade.
A longanimidade de Deus para com Jerusalm apenas confirmou os judeus em sua 
obstinada impenitncia. Em seu dio e crueldade para com os discpulos de Jesus, 
rejeitaram o ltimo oferecimento de misericrdia. Afastou Deus ento deles a 
proteo, retirando o poder com que restringia a Satans e seus anjos, de maneira 
que a nao ficou sob o controle do chefe que haviam escolhido. Seus filhos 
tinham desdenhado a graa de Cristo, que os teria habilitado a subjugar seus 
maus impulsos, e agora estes se tornaram os vencedores. Satans suscitou as 
mais violentas e vis paixes da alma. Os homens no raciocinavam; achavam-se 
fora da razo, dirigidos pelo impulso e cega raiva. Tornaram-se satnicos em sua 
crueldade. Na famlia e na sociedade, entre as mais altas como entre as mais 
baixas classes, havia suspeita, inveja, dio, contenda, rebelio, assassnio. No 
havia segurana em parte alguma. Amigos e parentes traam-se mutuamente. Pais 
matavam aos filhos, e filhos aos pais. Os prncipes do povo no tinham poder para 
governar-se. Desenfreadas paixes faziam-nos tiranos. Os judeus haviam aceitado 
falso testemunho para condenar o inocente Filho de Deus. Agora as falsas 
acusaes tornavam insegura sua prpria vida. Pelas suas aes durante muito 
tempo tinham estado a dizer: Fazei que deixe de estar o Santo de Israel perante 
ns. Isa. 30:11. Agora seu desejo foi satisfeito. O temor de Deus no mais os 
perturbaria. Satans estava 
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Pg. 29
frente da nao e as mais altas autoridades civis e religiosas estavam sob o seu 
domnio.
Os chefes das faces oponentes por vezes se uniam para saquear e torturar suas 
desgraadas vtimas, e novamente caam sobre as foras uns dos outros, fazendo 
impiedosa matana. Mesmo a santidade do templo no lhes refreava a horrvel 
ferocidade. Os adoradores eram assassinados diante do altar, e o santurio 
contaminava-se com corpos de mortos. No entanto, em sua cega e blasfema 
presuno, os instigadores desta obra infernal publicamente declaravam que no 
tinham receio de que Jerusalm fosse destruda, pois era a prpria cidade de Deus. 
A fim de estabelecer mais firmemente seu poder, subornaram profetas falsos para 
proclamar, mesmo enquanto as legies romanas estavam sitiando o templo, que o 
povo devia aguardar o livramento de Deus. Afinal, as multides apegaram-se 
firmemente  crena de que o Altssimo interviria para a derrota de seus 
adversrios. Israel, porm, havia desdenhado a proteo divina, e agora no tinha 
defesa. Infeliz Jerusalm! despedaada por dissenses internas, com o sangue de 
seus filhos, mortos pelas mos uns dos outros, a tingir de carmesim suas ruas, 
enquanto hostis exrcitos estrangeiros derribavam suas fortificaes e lhes 
matavam os homens de guerra!
Todas as predies feitas por Cristo relativas  destruio de Jerusalm 
cumpriram-se  letra. Os judeus experimentaram a verdade de Suas palavras de 
advertncia: Com a medida com que tiverdes medido, vos ho de medir a vs. 
Mat. 7:2.
Apareceram sinais e prodgios, prenunciando desastre e condenao. Ao meio da 
noite, uma luz sobrenatural resplandeceu sobre o templo e o altar. Sobre as 
nuvens, ao pr-do-sol, desenhavam-se carros e homens de guerra reunindo-se 
para a batalha. Os sacerdotes que ministravam  noite no santurio, 
aterrorizavam-se com sons misteriosos; a terra tremia e ouvia-se multido de 
vozes a clamar: Partamos daqui! A grande porta oriental, to pesada que 
dificilmente podia ser fechada por uns vinte homens, e que se achava segura por 
imensas
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barras de ferro fixas profundamente no pavimento de pedra slida, abriu-se  
meia-noite, independente de qualquer agente visvel.  Histria dos Judeus, de 
Milman, livro 13.
Durante sete anos um homem esteve a subir e descer as ruas de Jerusalm, 
declarando as desgraas que deveriam sobrevir  cidade. De dia e de noite 
cantava ele funebremente: Uma voz do Oriente, uma voz do Ocidente, uma voz 
dos quatro ventos! uma voz contra Jerusalm e contra o templo! uma voz contra 
os noivos e as noivas! uma voz contra o povo!  Ibidem. Este ser estranho foi 
preso e aoitado, mas nenhuma queixa lhe escapou dos lbios. Aos insultos e 
maus-tratos respondia somente: Ai! ai de Jerusalm! Ai! ai dos habitantes 
dela! Seu clamor de aviso no cessou seno quando foi morto no cerco que havia 
predito.
Nenhum cristo pereceu na destruio de Jerusalm. Cristo fizera a Seus 
discpulos o aviso, e todos os que creram em Suas palavras aguardaram o sinal 
prometido. Quando virdes Jerusalm cercada de exrcitos, disse Jesus, sabei 
que  chegada a sua desolao. Ento, os que estiverem na Judia, fujam para os 
montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam. Luc. 21:20 e 21. Depois que 
os romanos, sob Cstio, cercaram a cidade, inesperadamente abandonaram o 
cerco quando tudo parecia favorvel a um ataque imediato. Os sitiados, perdendo 
a esperana de poder resistir, estavam a ponto de se entregar, quando o general 
romano retirou suas foras sem a mnima razo aparente. Entretanto, a 
misericordiosa providncia de Deus estava dirigindo os acontecimentos para o bem 
de Seu prprio povo. O sinal prometido fora dado aos cristos expectantes, e 
agora se proporcionou a todos oportunidade para obedecer ao aviso do Salvador. 
Os acontecimentos foram encaminhados de tal maneira que nem judeus nem 
romanos impediriam a fuga dos cristos. Com a retirada de Cstio, os judeus, 
fazendo uma surtida de Jerusalm, foram ao encalo de seu exrcito que se 
afastava; e, enquanto ambas as foras estavam assim completamente 
empenhadas em luta, os cristos tiveram ensejo de deixar a cidade. Nesta ocasio 
o
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territrio tambm se havia desembaraado de inimigos que poderiam ter-se 
esforado para lhes interceptar a passagem. Na ocasio do cerco os judeus 
estavam reunidos em Jerusalm para celebrar a festa dos Tabernculos, e assim 
os cristos em todo o pas puderam escapar sem ser molestados. Imediatamente 
fugiram para um lugar de segurana  a cidade de Pela, na terra de Peria, alm 
do Jordo.
As foras judaicas, perseguindo a Cstio e seu exrcito, caram sobre sua 
retaguarda com tal ferocidade que o ameaaram de destruio total. Foi com 
grande dificuldade que os romanos conseguiram efetuar a retirada. Os judeus 
escaparam quase sem perdas, e com seus despojos voltaram em triunfo para 
Jerusalm. No entanto este xito aparente apenas lhes acarretou males. Inspirou-
lhes aquele esprito de pertinaz resistncia aos romanos, que celeremente trouxe 
indescritvel desgraa sobre a cidade sentenciada.
Terrveis foram as calamidades que caram sobre Jerusalm quando o cerco foi 
reassumido por Tito. A cidade foi assaltada na ocasio da Pscoa, quando milhes 
de judeus estavam reunidos dentro de seus muros. Suas provises de vveres, que 
a serem cuidadosamente preservadas teriam suprido os habitantes durante anos, 
tinham sido previamente destrudas pela rivalidade e vingana das faces 
contendoras, e agora experimentaram todos os horrores da morte  fome. Uma 
medida de trigo era vendida por um talento. To atrozes eram os transes da fome 
que homens roam o couro de seus cintures e sandlias, e a cobertura de seus 
escudos. Numerosas pessoas saam da cidade  noite, furtivamente, para apanhar 
plantas silvestres que cresciam fora dos muros da cidade, se bem que muitos 
fossem agarrados e mortos com severas torturas; e muitas vezes os que voltavam 
em segurana eram roubados naquilo que haviam rebuscado com to grande 
perigo. As mais desumanas torturas eram infligidas pelos que se achavam no 
poder, a fim de extorquir do povo atingido pela necessidade os ltimos e escassos 
suprimentos que poderiam ter escondido. E tais crueldades eram freqentemente 
praticadas por homens que se achavam, alis, bem alimentados, e que 
simplesmente estavam desejosos de acumular um depsito de provises para o 
futuro.
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Milhares pereceram pela fome e pela peste. A afeio natural parecia ter 
desaparecido. Maridos roubavam de sua esposa, e esposas de seu marido. Viam-se 
filhos arrebatar o alimento da boca de seus pais idosos. A pergunta do profeta: 
Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria? (Isa. 49:15) recebeu 
dentro dos muros da cidade condenada, a resposta: As mos das mulheres 
piedosas cozeram os prprios filhos; serviram-lhes de alimento na destruio da 
filha de Meu povo. Lam. 4:10. Novamente se cumpriu a profecia de aviso, dada 
catorze sculos antes: E quanto  mulher mais mimosa e delicada entre ti, que de 
mimo e delicadeza nunca tentou pr a planta de seu p sobre a terra, ser 
maligno o seu olho contra o homem de seu regao, e contra seu filho, e contra sua 
filha;  e por causa de seus filhos que tiver; porque os comer s escondidas pela 
falta de tudo, no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertar nas tuas 
portas. Deut. 28:56 e 57.
Os chefes romanos esforaram-se por infundir terror aos judeus, e assim faz-los 
render-se. Os prisioneiros que resistiam ao cair presos, eram aoitados, torturados 
e crucificados diante do muro da cidade. Centenas eram diariamente mortos desta 
maneira, e essa horrvel obra prolongou-se at que ao longo do vale de Josaf e no 
Calvrio se erigiram cruzes em to grande nmero que mal havia espao para 
mover-se entre elas. De to terrvel maneira foi castigada aquela espantosa 
maldio proferida perante o tribunal de Pilatos: O Seu sangue caia sobre ns e 
sobre nossos filhos. Mat. 27:25.
Tito, de boa vontade, teria posto termo  terrvel cena, poupando assim a 
Jerusalm da medida completa de sua condenao. Ele se enchia de terror ao ver 
os corpos jazendo aos montes nos vales. Como algum que estivesse em xtase, 
olhava ele do cimo do Monte das Oliveiras ao templo magnificente, e deu ordem 
para que nenhuma de suas pedras fosse tocada. Antes de tentar ganhar posse 
desta fortaleza, fez ardente apelo
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aos chefes judeus para no o forarem a profanar com sangue o lugar sagrado. Se 
sassem e combatessem em outro local, nenhum romano violaria a santidade do 
templo. O prprio Josefo, com apelo eloqentssimo, suplicou que se rendessem, 
para se salvarem a si, a sua cidade e seu lugar de culto. Suas palavras, porm, 
foram respondidas com pragas amargas. Lanaram-se dardos contra ele, que era 
seu ltimo mediador humano, enquanto persistia em instar com eles. Os judeus 
haviam rejeitado os rogos do Filho de Deus e agora as advertncias e rogos 
apenas os tornavam mais decididos a resistir at o ltimo ponto. Nulos foram os 
esforos de Tito para salvar o templo; Algum, maior do que ele, declarara que 
no ficaria pedra sobre pedra.
A cega obstinao dos chefes dos judeus e os abominveis crimes perpetrados 
dentro da cidade sitiada, excitaram o horror e a indignao dos romanos, e Tito 
finalmente se decidiu a tomar o templo de assalto. Resolveu, contudo, que, sendo 
possvel, deveria o mesmo ser salvo da destruio. Mas suas ordens foram 
desatendidas. Depois que ele se retirara para a sua tenda  noite, os judeus, 
saindo repentinamente do templo, atacaram fora os soldados. Na luta, um soldado 
arremessou um facho atravs de uma abertura no prtico, e imediatamente as 
salas revestidas de cedro, em redor da casa sagrada, se acharam em chamas.
Tito precipitou-se para o local, seguido de seus generais e legionrios, e ordenou 
aos soldados que apagassem as labaredas. Suas palavras no foram atendidas. Em 
sua fria, os soldados lanaram tochas ardentes nas salas contguas ao templo, e 
com a espada assassinavam em grande nmero os que ali tinham procurado 
refgio. O sangue corria como gua pelas escadas do templo abaixo. Milhares e 
milhares de judeus pereceram. Acima do rudo da batalha, ouviam-se vozes 
bradando: Icabode!  foi-se a glria.
Tito achou impossvel sustar a fria da soldadesca; entrou com seus oficiais e 
examinou o interior do edifcio sagrado. O esplendor encheu-os de admirao; e, 
como as chamas no houvessem ainda penetrado no lugar santo, fez um ltimo
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esforo para salv-lo; e, apresentando-se-lhes repentinamente, de novo exortou 
os soldados a deterem a marcha da conflagrao. O centurio Liberalis esforou-se 
por impor obedincia a seu estado maior; mas o prprio respeito para com o 
imperador cedeu lugar  furiosa animosidade contra os judeus, ao excitamento 
feroz da batalha, e  esperana insacivel do saque. Os soldados viam tudo em 
redor deles resplandecendo de ouro, que fulgurava deslumbrantemente  luz 
sinistra das chamas; supunham que incalculveis tesouros estivessem acumulados 
no santurio. Um soldado, sem ser percebido, arrojou uma tocha acesa por entre 
os gonzos da porta: o edifcio todo em um momento ficou em chamas. O denso 
fumo e o fogo obrigaram os oficiais a retirar-se, e o nobre edifcio foi abandonado 
 sua sorte.
Era um espetculo pavoroso aos romanos; e que seria ele para os judeus? Todo o 
cimo da colina que dominava a cidade, chamejava como um vulco. Um aps outro 
caram os edifcios, com tremendo fragor, e foram absorvidos pelo gneo abismo. 
Os tetos de cedro assemelhavam-se a lenis de fogo; os pinculos dourados 
resplandeciam como pontas de luz vermelha; as torres dos portais enviavam para 
cima altas colunas de chama e fumo. As colinas vizinhas se iluminavam; e grupos 
obscuros de pessoas foram vistas a observar com horrvel ansiedade a marcha da 
destruio; os muros e pontos elevados da cidade alta ficaram repletos de rostos, 
alguns plidos, com a agonia do desespero, outros com expresso irada, a 
ameaar uma vingana intil. As aclamaes da soldadesca romana, enquanto 
corriam de uma para outra parte, e o gemido dos rebeldes que estavam perecendo 
nas chamas, misturavam-se com o rugido da conflagrao e o rumor trovejante do 
madeiramento que caa. Os ecos das montanhas respondiam ou traziam de volta 
os gritos do povo nos pontos elevados; ao longo de todo o muro ressoavam 
alaridos e prantos; homens que estavam a expirar pela fome reuniam sua fora 
restante para proferir um grito de angstia e desolao.
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Pg. 35
O morticnio, do lado de dentro, era at mais terrvel do que o espetculo visto 
fora. Homens e mulheres, velhos e moos, rebeldes e sacerdotes, os que 
combatiam e os que imploravam misericrdia, eram retalhados em indiscriminada 
carnificina. O nmero de mortos excedeu ao dos matadores. Os legionrios 
tiveram de trepar sobre os montes de cadveres para prosseguir na obra de 
extermnio.  Histria dos Judeus, de Milman, livro 16.
Depois da destruio do templo, a cidade inteira logo caiu nas mos dos romanos. 
Os chefes dos judeus abandonaram as torres inexpugnveis, e Tito as achou 
desertas. Contemplou-as com espanto e declarou que Deus lhas havia entregue 
em suas mos; pois engenho algum, ainda que poderoso, poderia ter prevalecido 
contra aquelas estupendas ameias. Tanto a cidade como o templo foram arrasados 
at aos fundamentos, e o terreno em que se erguia a casa sagrada foi lavrado 
como um campo (Jer. 26:18). No cerco e morticnio que se seguiram, pereceram 
mais de um milho de pessoas; os sobreviventes foram levados como escravos, 
como tais vendidos, arrastados a Roma para abrilhantar a vitria do vencedor, 
lanados s feras nos anfiteatros, ou dispersos por toda a Terra como vagabundos 
sem lar.
Os judeus haviam forjado seus prprios grilhes; eles mesmos encheram a taa da 
vingana. Na destruio completa que lhes sobreveio como nao, e em todas as 
desgraas que os acompanharam depois de dispersos, no estavam seno 
recolhendo a colheita que suas prprias mos semearam. Diz o profeta: Para tua 
perda,  Israel, te rebelaste contra Mim, pelos teus pecados tens cado. Os. 
13:9; 14:1. Seus sofrimentos so muitas vezes representados como sendo castigo 
a eles infligido por decreto direto da parte de Deus.  assim que o grande 
enganador procura esconder sua prpria obra. Pela obstinada rejeio do amor e 
misericrdia divina, os judeus fizeram com que a proteo de Deus fosse deles 
retirada, e permitiu-se a Satans dirigi-los segundo a sua vontade. As horrveis 
crueldades executadas na destruio de Jerusalm so
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Pg. 36
uma demonstrao do poder vingador de Satans sobre os que se rendem ao seu 
controle.
No podemos saber quanto devemos a Cristo pela paz e proteo de que gozamos. 
 o poder de Deus que impede que a humanidade passe completamente para o 
domnio de Satans. Os desobedientes e ingratos tm grande motivo de gratido 
pela misericrdia e longanimidade de Deus, que contm o cruel e pernicioso poder 
do maligno. Quando, porm, os homens passam os limites da clemncia divina, a 
restrio  removida. Deus no fica em relao ao pecador como executor da 
sentena contra a transgresso; mas deixa entregues a si mesmos os que rejeitam 
Sua misericrdia, para colherem aquilo que semearam. Cada raio de luz rejeitado, 
cada advertncia desprezada ou desatendida, cada paixo contemporizada, cada 
transgresso da lei de Deus,  uma semente lanada, a qual produz infalvel 
colheita. O Esprito de Deus, persistentemente resistido,  afinal retirado do 
pecador, e ento poder algum permanece para dominar as ms paixes da alma, e 
nenhuma proteo contra a maldade e inimizade de Satans. A destruio de 
Jerusalm constitui tremenda e solene advertncia a todos os que esto tratando 
levianamente com os oferecimentos da graa divina e resistindo aos rogos da 
misericrdia de Deus. Jamais foi dado um testemunho mais decisivo do dio ao 
pecado por parte de Deus, e do castigo certo que recair sobre o culpado.
A profecia do Salvador relativa aos juzos que deveriam cair sobre Jerusalm h de 
ter outro cumprimento, do qual aquela terrvel desolao no foi seno tnue 
sombra. Na sorte da cidade escolhida podemos contemplar a condenao de um 
mundo que rejeitou a misericrdia de Deus e calcou a ps a Sua lei. Tenebrosos 
so os registros da misria humana que a Terra tem testemunhado durante seus 
longos sculos de crime. Ao contempl-los confrange-se o corao e o esprito 
desfalece. Terrveis tm sido os resultados da rejeio da autoridade do Cu. 
Entretanto, cena ainda mais tenebrosa se apresenta nas revelaes do futuro. Os 
registros do passado  o longo cortejo de tumultos,
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Pg. 37
conflitos e revolues, a armadura daqueles que pelejavam com rudo, e os 
vestidos que rolavam no sangue (Isa. 9:5)  que so, em contraste com os 
terrores daquele dia em que o Esprito de Deus ser totalmente retirado dos 
mpios, no mais contendo a exploso das paixes humanas e ira satnica! O 
mundo contemplar ento, como nunca dantes, os resultados do governo de 
Satans.
Mas naquele dia, bem como na ocasio da destruio de Jerusalm, livrar-se- o 
povo de Deus, todo aquele que estiver inscrito entre os vivos. Isa. 4:3. Cristo 
declarou que vir a segunda vez para reunir a Si os Seus fiis: E todas as tribos 
da Terra se lamentaro, e vero o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do cu, 
com poder e grande glria. E Ele enviar os Seus anjos com rijo clamor de 
trombeta, os quais ajuntaro os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a 
outra extremidade dos cus. Mat. 24:30 e 31. Ento os que no obedecem ao 
evangelho sero consumidos pelo esprito de Sua boca, e sero destrudos com o 
resplandor de Sua vinda (II Tess. 2:8). Como o antigo Israel, os mpios destroem-
se a si mesmos; caem pela sua iniqidade. Em conseqncia de uma vida de 
pecados, colocaram-se to fora de harmonia com Deus, sua natureza se tornou to 
aviltada com o mal, que a manifestao da glria divina  para eles um fogo 
consumidor.
Acautelem-se os homens para que no acontea negligenciarem a lio que lhes  
comunicada pelas palavras de Cristo. Assim como Ele preveniu Seus discpulos 
quanto  destruio de Jerusalm, dando-lhes um sinal da runa que se 
aproximava para que pudessem escapar, tambm advertiu o mundo quanto ao dia 
da destruio final, e lhes deu sinais de sua aproximao para que todos os que 
queiram, possam fugir da ira vindoura. Declara Jesus: E haver sinais no Sol, na 
Lua e nas estrelas; e na Terra angstia das naes. Luc. 21:25; Mat. 24:29; Mar. 
13:24-26; Apoc. 6:12-17. Os que contemplam estes prenncios de Sua vinda, 
devem saber que est prximo,
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Pg. 38
s portas. Mat. 24:33. Vigiai, pois (Mar. 13:35), so Suas palavras de 
advertncia. Os que atendem ao aviso no sero deixados em trevas, para que 
aquele dia os apanhe desprevenidos. Mas aos que no vigiarem, o dia do Senhor 
vir como o ladro de noite. I Tess. 5:2.
O mundo no est mais preparado para dar crdito  mensagem para este tempo 
do que estiveram os judeus para receber o aviso do Salvador, relativo a 
Jerusalm. Venha quando vier, o dia do Senhor vir de improviso aos mpios. 
Correndo a vida sua rotina invarivel; encontrando-se os homens absortos nos 
prazeres, negcios, comrcio e ambio de ganho; estando os dirigentes do mundo 
religioso a engrandecer o progresso e ilustrao do mundo, e achando-se o povo 
embalado em uma falsa segurana, ento, como o ladro  meia-noite rouba na 
casa que no  guardada, sobrevir repentina destruio aos descuidados e 
mpios, e de nenhum modo escaparo (I Tess. 5:3-5).
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2
O Valor dos Mrtires
Pg. 39
Quando Jesus revelou a Seus discpulos a sorte de Jerusalm e as cenas do 
segundo advento, predisse tambm a experincia de Seu povo desde o tempo em 
que deveria ser tirado dentre eles at a Sua volta em poder e glria para o seu 
libertamento. Do Monte das Oliveiras o Salvador contemplou as tempestades 
prestes a desabar sobre a igreja apostlica; e penetrando mais profundamente no 
futuro, Seus olhos divisaram os terrveis e devastadores vendavais que deveriam 
aoitar Seus seguidores nos vindouros sculos de trevas e perseguio. Em poucas 
e breves declaraes de tremendo significado, predisse o que os governadores 
deste mundo haveriam de impor  igreja de Deus (Mat. 24:9, 21 e 22). Os 
seguidores de Cristo deveriam trilhar a mesma senda de humilhao, ignomnia e 
sofrimento que seu Mestre palmilhara. A inimizade que irrompera contra o 
Redentor do mundo, manifestar-se-ia contra todos os que cressem em Seu nome.
A histria da igreja primitiva testificou do cumprimento das palavras do Salvador. 
Os poderes da Terra e do inferno arregimentaram-se contra Cristo na pessoa de 
Seus seguidores. O paganismo previa que se o evangelho triunfasse, seus templos 
e altares desapareciam; portanto convocou suas foras para destruir o 
cristianismo. Acenderam-se as fogueiras da perseguio. Os cristos eram 
despojados de suas posses e expulsos de suas casas. Suportaram grande 
combate de aflies. Heb. 10:32. Experimentaram escrnios e aoites,
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Pg. 40
e at cadeias e prises. Heb. 11:36. Grande nmero deles selaram seu 
testemunho com o prprio sangue. Nobres e escravos, ricos e pobres, doutos e 
ignorantes, foram de igual modo mortos sem misericrdia.
Estas perseguies, iniciadas sob o governo de Nero, aproximadamente ao tempo 
do martrio de Paulo, continuaram com maior ou menor fria durante sculos. Os 
cristos eram falsamente acusados dos mais hediondos crimes e tidos como a 
causa das grandes calamidades  fomes, pestes e terremotos. Tornando-se eles 
objeto do dio e suspeita popular, prontificaram-se denunciantes, por amor ao 
ganho, a trair os inocentes. Eram condenados como rebeldes ao imprio, como 
inimigos da religio e peste da sociedade. Grande nmero deles eram lanados s 
feras ou queimados vivos nos anfiteatros. Alguns eram crucificados, outros 
cobertos com peles de animais bravios e lanados  arena para serem 
despedaados pelos ces. De seu sofrimento muitas vezes se fazia a principal 
diverso nas festas pblicas. Vastas multides reuniam-se para gozar do 
espetculo e saudavam os transes de sua agonia com riso e aplauso.
Onde quer que procurassem refgio, os seguidores de Cristo eram caados como 
animais. Eram forados a procurar esconderijo nos lugares desolados e solitrios. 
Desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo no era digno), 
errantes, pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. Heb. 11:37 
e 38. As catacumbas proporcionavam abrigo a milhares. Por sob as colinas, fora da 
cidade de Roma, longas galerias tinham sido feitas atravs da terra e da rocha; o 
escuro e complicado trama das comunicaes estendia-se quilmetros alm dos 
muros da cidade. Nestes retiros subterrneos, os seguidores de Cristo sepultavam 
os seus mortos; e ali tambm, quando suspeitos e proscritos, encontravam lar. 
Quando o Doador da vida despertar os que pelejaram o bom combate, muitos que 
foram mrtires por amor de Cristo sairo dessas sombrias cavernas.
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Pg. 41
Sob a mais atroz perseguio, estas testemunhas de Jesus conservaram 
incontaminada a sua f. Posto que privados de todo conforto, excludos da luz do 
Sol, tendo o lar no seio da terra, obscuro mas amigo, no proferiam queixa 
alguma. Com palavras de f, pacincia e esperana, animavam-se uns aos outros 
a suportar a privao e angstia. A perda de toda a bno terrestre no os 
poderia forar a renunciar sua crena em Cristo. Provaes e perseguio no 
eram seno passos que os levavam para mais perto de seu descanso e 
recompensa.
Como aconteceu aos servos de Deus de outrora, muitos foram torturados, no 
aceitando o seu livramento, para alcanarem uma melhor ressurreio. Heb. 
11:35. Estes se recordavam das palavras do Mestre, de que, quando perseguidos 
por amor de Cristo, ficassem muito alegres, pois que grande seria seu galardo no 
Cu, porque assim tinham sido perseguidos os profetas antes deles. Regozijavam-
se de que fossem considerados dignos de sofrer pela verdade, e cnticos de triunfo 
ascendiam dentre as chamas crepitantes. Pela f, olhando para cima, viam Cristo e 
os anjos apoiados sobre as ameias do Cu, contemplando-os com o mais profundo 
interesse, com aprovao considerando a sua firmeza. Uma voz lhes vinha do 
trono de Deus: S fiel at  morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apoc. 2:10.
Nulos foram os esforos de Satans para destruir pela violncia a igreja de Cristo. 
O grande conflito em que os discpulos de Jesus rendiam a vida, no cessava 
quando estes fiis porta-estandartes tombavam em seus postos. Com a derrota, 
venciam. Os obreiros de Deus eram mortos, mas a Sua obra ia avante com 
firmeza. O evangelho continuava a espalhar-se, e o nmero de seus aderentes a 
aumentar. Penetrou em regies que eram inacessveis, mesmo s guias romanas. 
Disse um cristo, contendendo com os governadores pagos que estavam a 
impulsionar a perseguio: Podeis matar-nos, torturar-nos condenar-nos.  Vossa 
injustia  prova de que somos
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Pg. 42
inocentes.  Tampouco vossa crueldade vos aproveitar. No era seno um 
convite mais forte para se levarem outros  mesma persuaso. Quanto mais 
somos ceifados por vs, tanto mais crescemos em nmero; o sangue dos cristos 
 semente.  Apologia, de Tertuliano, pargrafo 50.
Milhares eram aprisionados e mortos, mas outros surgiam para ocupar as vagas. E 
os que eram martirizados por sua f tornavam-se aquisio de Cristo, por Ele tidos 
na conta de vencedores. Haviam pelejado o bom combate, e deveriam receber a 
coroa de glria quando Cristo viesse. Os sofrimentos que suportavam, levavam os 
cristos mais perto uns dos outros e de seu Redentor. Seu exemplo em vida, e seu 
testemunho ao morrerem, eram constante atestado  verdade; e, onde menos se 
esperava, os sditos de Satans estavam deixando o seu servio e alistando-se 
sob a bandeira de Cristo.
Satans, portanto, formulou seus planos para guerrear com mais xito contra o 
governo de Deus, hasteando sua bandeira na igreja crist. Se os seguidores de 
Cristo pudessem ser enganados e levados a desagradar a Deus, falhariam ento 
sua fora, poder e firmeza, e eles cairiam como presa fcil.
O grande adversrio se esforou ento por obter pelo artifcio aquilo que no 
lograra alcanar pela fora. Cessou a perseguio, e em seu lugar foi posta a 
perigosa seduo da prosperidade temporal e honra mundana. Levavam-se 
idlatras a receber parte da f crist, enquanto rejeitavam outras verdades 
essenciais. Professavam aceitar a Jesus como o Filho de Deus e crer em Sua morte 
e ressurreio; mas no tinham a convico do pecado e no sentiam necessidade 
de arrependimento ou de uma mudana de corao. Com algumas concesses de 
sua parte, propuseram que os cristos fizessem outras tambm, para que todos 
pudessem unir-se sob a plataforma da crena em Cristo.
A igreja naquele tempo encontrava-se em terrvel perigo. Priso, tortura, fogo e 
espada eram bnos em comparao com isto. Alguns dos cristos 
permaneceram firmes, declarando que no transigiriam. Outros eram favorveis a 
que
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Pg. 43
cedessem, ou modificassem alguns caractersticos de sua f, e se unissem aos que 
haviam aceito parte do cristianismo, insistindo em que este poderia ser o meio 
para a completa converso. Foi um tempo de profunda angstia para os fiis 
seguidores de Cristo. Sob a capa de pretenso cristianismo, Satans se estava 
insinuando na igreja a fim de corromper-lhe a f e desviar-lhe a mente da Palavra 
da verdade.
A maioria dos cristos finalmente consentiu em baixar a norma, formando-se uma 
unio entre o cristianismo e o paganismo. Posto que os adoradores de dolos 
professassem estar convertidos e unidos  igreja, apegavam-se ainda  idolatria, 
mudando apenas os objetos de culto pelas imagens de Jesus, e mesmo de Maria e 
dos santos. O fermento vil da idolatria, assim trazido para a igreja, continuou a 
obra funesta. Doutrinas errneas, ritos supersticiosos e cerimnias idoltricas 
foram incorporados em sua f e culto. Unindo-se os seguidores de Cristo aos 
idlatras, a religio crist se tornou corrupta e a igreja perdeu sua pureza e poder. 
Alguns houve, entretanto, que no foram transviados por esses enganos. 
Mantinham-se ainda fiis ao Autor da verdade, e adoravam a Deus somente.
Sempre tem havido duas classes entre os que professam ser seguidores de Cristo. 
Enquanto uma dessas classes estuda a vida do Salvador e fervorosamente procura 
corrigir seus defeitos e conformar-se com o Modelo, a outra evita as claras e 
prticas verdades que lhes expem os erros. Mesmo em sua melhor condio a 
igreja no se comps unicamente dos verdadeiros, puros e sinceros. Nosso 
Salvador ensinou que os que voluntariamente condescendem com o pecado no 
devem ser recebidos na igreja; todavia ligou a Si homens que eram falhos de 
carter e concedeu-lhes os benefcios de Seus ensinos e exemplos, para que 
tivessem oportunidade de ver seus erros e corrigi-los. Entre os doze apstolos 
havia um traidor. Judas foi aceito, no por causa de seus defeitos de carter mas 
apesar
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Pg. 44
deles. Foi ligado aos discpulos para que, pela instruo e exemplo de Cristo, 
pudesse aprender o que constitui o carter cristo e assim ser levado a ver seus 
erros, para arrepender-se e, pelo auxlio da graa divina, purificar a alma na 
obedincia  verdade. Mas Judas no andou na luz que to misericordiosamente 
foi permitido brilhasse sobre ele. Pela condescendncia com o pecado, atraiu as 
tentaes de Satans. Seus maus traos de carter se tornaram predominantes. 
Rendeu a mente  direo dos poderes das trevas, irava-se quando suas faltas 
eram reprovadas, sendo assim levado a cometer o terrvel crime de trair o Mestre. 
Assim todos os que acariciam o mal sob profisso de piedade, odeiam os que lhes 
perturbam a paz condenando seu caminho de pecado. Quando se apresenta 
oportunidade favorvel, eles, semelhantes a Judas, traem aos que para seu bem 
procuram reprov-los.
Os apstolos encontraram na igreja os que professavam piedade, ao mesmo 
tempo em que secretamente acariciavam a iniqidade. Ananias e Safira 
desempenharam o papel de enganadores pretendendo fazer sacrifcio total a Deus, 
quando cobiosamente estavam retendo uma parte para si. O Esprito da verdade 
revelou aos apstolos o carter real desses impostores, e os juzos de Deus 
livraram a igreja dessa detestvel mancha em sua pureza. Esta assinalada 
evidncia do discernidor Esprito de Cristo na igreja foi um terror para os hipcritas 
e malfeitores. No mais poderiam permanecer em ligao com aqueles que eram, 
em hbitos e disposio, invariveis representantes de Cristo; e, quando as 
provaes e perseguies sobrevieram a Seus seguidores, apenas os que estavam 
dispostos a abandonar tudo por amor  verdade desejaram tornar-se Seus 
discpulos. Assim, enquanto durou a perseguio, a igreja permaneceu 
comparativamente pura. Mas, cessando aquela, acrescentaram-se conversos que 
eram menos sinceros e devotados, e abriu-se o caminho para Satans tomar p.
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Pg. 45
No h, porm, unio entre o Prncipe da luz e o prncipe das trevas, e nenhuma 
conivncia poder haver entre os seus seguidores. Quando os cristos consentiram 
em unir-se queles que no eram seno semiconversos do paganismo, 
enveredaram por caminho que levaria mais e mais longe da verdade. Satans 
exultou em haver conseguido enganar to grande nmero dos seguidores de 
Cristo. Levou ento seu poder a agir de modo mais completo sobre eles, e os 
inspirou a perseguir aqueles que permaneceram fiis a Deus. Ningum 
compreendeu to bem como se opor  verdadeira f crist como os que haviam 
sido seus defensores; e estes cristos apstatas, unindo-se aos companheiros 
semipagos, dirigiram seus ataques contra os caractersticos mais importantes das 
doutrinas de Cristo.
Foi necessria uma luta desesperada por parte daqueles que desejavam ser fiis, 
permanecendo firmes contra os enganos e abominaes que se disfaravam sob as 
vestes sacerdotais e se introduziram na igreja. A Escritura Sagrada no era aceita 
como a norma de f. A doutrina da liberdade religiosa era chamada heresia, sendo 
odiados e proscritos seus mantenedores.
Depois de longo e tenaz conflito, os poucos fiis decidiram-se a dissolver toda 
unio com a igreja apstata, caso ela ainda recusasse libertar-se da falsidade e 
idolatria. Viram que a separao era uma necessidade absoluta se desejavam 
obedecer  Palavra de Deus. No ousavam tolerar erros fatais a sua prpria alma, 
e dar exemplo que pusesse em perigo a f de seus filhos e netos. Para assegurar a 
paz e a unidade, estavam prontos a fazer qualquer concesso coerente com a 
fidelidade para com Deus, mas acharam que mesmo a paz seria comprada 
demasiado caro com sacrifcio dos princpios. Se a unidade s se pudesse 
conseguir comprometendo a verdade e a justia, seria prefervel que 
prevalecessem as diferenas e as conseqentes lutas.
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Pg. 46
Bom seria  igreja e ao mundo se os princpios que atuavam naquelas almas 
inabalveis revivessem no corao do professo povo de Deus. H alarmante 
indiferena em relao s doutrinas que so as colunas da f crist. Ganha terreno 
a opinio de que, em ltima anlise, no so de importncia vital. Esta 
degenerescncia est fortalecendo as mos dos agentes de Satans, de modo que 
falsas teorias e enganos fatais, que os fiis dos sculos passados expunham e 
combatiam com riscos da prpria vida, so hoje considerados com favor por 
milhares que pretendem ser seguidores de Cristo.
Os primitivos cristos eram na verdade um povo peculiar. Sua conduta 
irrepreensvel e f invarivel eram contnua reprovao a perturbar a paz dos 
pecadores. Se bem que poucos, sem riqueza, posio ou ttulos honorficos, 
constituam um terror para os malfeitores onde quer que seu carter e doutrina 
fossem conhecidos. Eram, portanto, odiados pelos mpios, assim como Abel o foi 
pelo mpio Caim. Pela mesma razo por que Caim matou Abel, os que procuravam 
repelir a restrio do Esprito Santo mataram o povo de Deus. Pelo mesmo motivo 
foi que os judeus rejeitaram e crucificaram o Salvador: porque a pureza e 
santidade de Seu carter eram repreenso constante ao egosmo e corrupo 
deles. Desde os dias de Cristo at hoje, os fiis discpulos tm suscitado dio e 
oposio dos que amam e seguem os caminhos do pecado.
Como, pois, pode o evangelho ser chamado mensagem de paz? Quando Isaas 
predisse o nascimento do Messias, conferiu-Lhe o ttulo de Prncipe da Paz. 
Quando os anjos anunciaram aos pastores que Cristo nascera, cantaram sobre as 
plancies de Belm: Glria a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para 
com os homens. Luc. 2:14. H uma aparente contradio entre estas declaraes 
profticas e as palavras de Cristo: No vim trazer paz, mas espada. Mat. 10:34. 
Mas, entendidas corretamente, ambas esto em
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Pg. 47
perfeita harmonia. O evangelho  uma mensagem de paz. O cristianismo  um 
sistema religioso que, recebido e obedecido, espalharia paz, harmonia e felicidade 
por toda a Terra. A religio de Cristo ligar em ntima fraternidade todos os que 
lhe aceitarem os ensinos. Foi misso de Jesus reconciliar os homens com Deus, e 
assim uns com os outros. Mas o mundo em grande parte se acha sob o domnio de 
Satans, o acrrimo adversrio de Cristo. O evangelho apresenta-lhes princpios 
de vida que se acham totalmente em desacordo com seus hbitos e desejos, e eles 
se erguem em rebelio contra ele. Odeiam a pureza que lhes revela e condena os 
pecados, e perseguem e destroem os que com eles insistem em suas justas e 
santas reivindicaes.  neste sentido que o evangelho  chamado uma espada, 
visto que as elevadas verdades que traz ocasionam o dio e a contenda.
A misteriosa providncia que permite sofrerem os justos perseguio s mos dos 
mpios, tem sido causa de grande perplexidade a muitos que so fracos na f. 
Alguns se dispem mesmo a lanar de si a confiana em Deus, por permitir Ele 
que os mais vis dos homens prosperem, enquanto os melhores e mais puros so 
afligidos e atormentados pelo cruel poder daqueles. Como, pergunta-se, pode 
Aquele que  justo e misericordioso, e que tambm  de poder infinito, tolerar tal 
injustia e opresso?  esta uma questo com que nada temos que ver. Deus deu 
suficientes evidncias de Seu amor, e no devemos duvidar de Sua bondade por 
no podermos compreender a operao de Sua providncia. Disse o Salvador a 
Seus discpulos, prevendo as dvidas que lhes oprimiriam a alma nos dias de 
provao e trevas: Lembrai-vos da palavra que vos disse: No  o servo maior do 
que o seu Senhor. Se a Mim Me perseguiram, tambm vos perseguiro a vs. 
Joo 15:20. Jesus sofreu por ns mais do que qualquer de Seus seguidores poder 
sofrer pela crueldade de homens mpios. Os que so chamados a suportar a 
tortura e o martrio no esto seno seguindo as pegadas do dileto Filho de Deus.
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Pg. 48
O Senhor no retarda a Sua promessa. II Ped. 3:9. Ele no Se esquece de Seus 
filhos, nem os negligencia; mas permite que os mpios revelem seu verdadeiro 
carter, para que ningum que deseje fazer a Sua vontade possa ser iludido com 
relao a eles. Outrossim, os justos so postos na fornalha da aflio para que eles 
prprios possam ser purificados, para que seu exemplo possa convencer a outros 
da realidade da f e piedade, e tambm para que sua coerente conduta possa 
condenar os mpios e incrdulos.
Deus permite que os mpios prosperem e revelem inimizade para com Ele, a fim de 
que, quando encherem a medida de sua iniqidade, todos possam, em sua 
completa destruio, ver a justia e misericrdia divinas. Apressa-se o dia de Sua 
vingana, no qual todos os que transgrediram a lei divina e oprimiram o povo de 
Deus recebero a justa recompensa de suas aes; em que todo ato de crueldade 
e injustia para com os fiis ser punido como se fosse feito ao prprio Cristo.
H outra questo mais importante que deveria ocupar a ateno das igrejas de 
hoje. O apstolo Paulo declara que todos os que piamente querem viver em Cristo 
Jesus padecero perseguies. II Tim. 3:12. Por que , pois, que a perseguio, 
em grande parte, parece adormentada? A nica razo  que a igreja se conformou 
com a norma do mundo, e portanto no suscita oposio. A religio que em nosso 
tempo prevalece no  do carter puro e santo que assinalou a f crist nos dias 
de Cristo e Seus apstolos.  unicamente por causa do esprito de transigncia 
com o pecado, por serem as grandes verdades da Palavra de Deus to 
indiferentemente consideradas, por haver to pouca piedade vital na igreja, que o 
cristianismo,  aparentemente to popular no mundo. Haja um reavivamento da f 
e poder da igreja primitiva, e o esprito de opresso reviver, reacendendo-se as 
fogueiras da perseguio.
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3
Como Comearam
as Trevas Morais
Pg. 49
O apstolo Paulo, em sua segunda carta aos tessalonicenses, predisse a grande 
apostasia que teria como resultado o estabelecimento do poder papal. Declarou 
que o dia de Cristo no viria sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o 
homem do pecado, o filho da perdio; o qual se ope e se levanta contra tudo o 
que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentar, como Deus, no 
templo de Deus, querendo parecer Deus. II Tess. 2:3 e 4. E, ainda mais, o 
apstolo adverte os irmos de que j o mistrio da injustia opera. II Tess. 2:7. 
Mesmo naqueles primeiros tempos viu ele, insinuando-se na igreja, erros que 
preparariam o caminho para o desenvolvimento do papado.
Pouco a pouco, a princpio furtiva e silenciosamente, e depois mais s claras,  
medida em que crescia em fora e conquistava o domnio da mente das pessoas, o 
mistrio da iniqidade levou avante sua obra de engano e blasfmia. Quase 
imperceptivelmente os costumes do paganismo tiveram ingresso na igreja crist. 
O esprito de transigncia e conformidade fora restringido durante algum tempo 
pelas terrveis perseguies que a igreja suportou sob o paganismo. Mas, em 
cessando a perseguio e entrando o cristianismo nas cortes e palcios dos reis, 
ps ela de lado a humilde simplicidade de Cristo e Seus apstolos, em troca da 
pompa e orgulho dos sacerdotes e governadores pagos; e em lugar das 
ordenanas de Deus colocou teorias e tradies humanas. A converso nominal de
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Constantino, na primeira parte do sculo IV, causou grande regozijo; e o mundo, 
sob o manto de justia aparente, introduziu-se na igreja. Progredia rapidamente a 
obra de corrupo. O paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o 
vencedor. Seu esprito dominava a igreja. Suas doutrinas, cerimnias e 
supersties incorporaram-se  f e culto dos professos seguidores de Cristo.
Esta mtua transigncia entre o paganismo e o cristianismo resultou no 
desenvolvimento do homem do pecado, predito na profecia como se opondo a 
Deus e exaltando-se sobre Ele. Aquele gigantesco sistema de religio falsa  a 
obra-prima do poder de Satans  monumento de seus esforos para sentar-se 
sobre o trono e governar a Terra segundo a sua vontade.
Uma vez Satans se esforou por estabelecer um compromisso mtuo com Cristo. 
Chegando-se ao Filho de Deus no deserto da tentao, e mostrando-Lhe todos os 
reinos do mundo e a glria dos mesmos, ofereceu-se a entregar tudo em Suas 
mos se to-somente reconhecesse a supremacia do prncipe das trevas. Cristo 
repreendeu o pretensioso tentador e obrigou-o a retirar-se. Mas Satans obtm 
maior xito em apresentar ao homem as mesmas tentaes. Para conseguir 
proveitos e honras humanas, a igreja foi levada a buscar o favor e apoio dos 
grandes homens da Terra; e, havendo assim rejeitado a Cristo, foi induzida a 
prestar obedincia ao representante de Satans  o bispo de Roma.
Uma das principais doutrinas do romanismo  que o papa  a cabea visvel da 
igreja universal de Cristo, investido de autoridade suprema sobre os bispos e 
pastores em todas as partes do mundo. Mais do que isto, tem-se dado ao papa os 
prprios ttulos da Divindade. Tem sido intitulado: Senhor Deus, o Papa, e foi 
declarado infalvel. Exige ele a homenagem de todos os homens. A mesma 
pretenso em que insistia Satans no deserto da tentao, ele ainda a encarece 
mediante a igreja de Roma, e enorme nmero de pessoas esto prontas para 
render-lhe homenagem. 
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Mas os que temem e reverenciam a Deus enfrentam esta audaciosa presuno do 
mesmo modo porque Cristo enfrentou as solicitaes do insidioso adversrio: 
Adorars ao Senhor teu Deus, e a Ele somente servirs. Luc. 4:8. Deus jamais 
deu em Sua Palavra a mnima sugesto de que tivesse designado a algum homem 
para ser a cabea da igreja. A doutrina da supremacia papal ope-se diretamente 
aos ensinos das Escrituras Sagradas. O papa no pode ter poder algum sobre a 
igreja de Cristo, seno por usurpao.
Os romanistas tm persistido em acusar os protestantes de heresia e voluntria 
separao da verdadeira igreja. Semelhantes acusaes, porm, aplicam-se antes 
a eles prprios. So eles os que depuseram a bandeira de Cristo, e se afastaram 
da f que uma vez foi dada aos santos. Jud. 3.
Satans bem sabia que as Escrituras Sagradas habilitariam os homens a discernir 
seus enganos e resistir a seu poder. Foi pela Palavra que mesmo o Salvador do 
mundo resistiu a seus ataques. Em cada assalto Cristo apresentou o escudo da 
verdade eterna, dizendo: Est escrito. A cada sugesto do adversrio, opunha a 
sabedoria e poder da Palavra. A fim de Satans manter o seu domnio sobre os 
homens e estabelecer a autoridade humana, deveria conserv-los na ignorncia 
das Escrituras. A Bblia exaltaria a Deus e colocaria o homem finito em sua 
verdadeira posio; portanto, suas sagradas verdades deveriam ser ocultadas e 
suprimidas. Esta lgica foi adotada pela Igreja de Roma. Durante sculos a 
circulao da Escritura foi proibida. Ao povo era vedado l-la ou t-la em casa, e 
sacerdotes e prelados sem escrpulos interpretavam-lhe os ensinos de modo a 
favorecerem suas pretenses. Assim o chefe da igreja veio a ser quase 
universalmente reconhecido como o vigrio de Deus na Terra, dotado de 
autoridade sobre a igreja e o Estado.
Suprimido o revelador do erro, agiu Satans  vontade. A profecia declarara que o 
papado havia de cuidar em mudar os tempos e a lei. Dan. 7:25. Para cumprir 
esta obra
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no foi vagaroso. A fim de proporcionar aos conversos do paganismo uma 
substituio  adorao de dolos, e promover assim sua aceitao nominal do 
cristianismo, foi gradualmente introduzida no culto cristo a adorao das imagens 
e relquias. O decreto de um conclio geral estabeleceu, por fim, este sistema de 
idolatria. Para completar a obra sacrlega, Roma pretendeu eliminar da lei de Deus, 
o segundo mandamento, que probe o culto das imagens, e dividir o dcimo 
mandamento a fim de conservar o nmero deles.
Este esprito de concesso ao paganismo abriu caminho para desrespeito ainda 
maior da autoridade do Cu. Satans, operando por meio de no consagrados 
dirigentes da igreja, intrometeu-se tambm com o quarto mandamento e tentou 
pr de lado o antigo sbado, o dia que Deus tinha abenoado e santificado (Gn. 
2:2 e 3), exaltando em seu lugar a festa observada pelos pagos como o 
venervel dia do Sol. Esta mudana no foi a princpio tentada abertamente. Nos 
primeiros sculos o verdadeiro sbado foi guardado por todos os cristos. Eram 
estes ciosos da honra de Deus, e, crendo que Sua lei  imutvel, zelosamente 
preservavam a santidade de seus preceitos. Mas com grande argcia, Satans 
operava mediante seus agentes para efetuar seu objetivo. Para que a ateno do 
povo pudesse ser chamada para o domingo, foi feito deste uma festividade em 
honra da ressurreio de Cristo. Atos religiosos eram nele realizados; era, porm, 
considerado como dia de recreio, sendo o sbado ainda observado como dia 
santificado.
A fim de preparar o caminho para a obra que intentava cumprir, Satans induzira 
os judeus, antes do advento de Cristo, a sobrecarregarem o sbado com as mais 
rigorosas imposies, tornando sua observncia um fardo. Agora, tirando 
vantagem da falsa luz sob a qual ele assim fizera com que fosse considerado, 
lanou o desdm sobre o sbado como instituio judaica. Enquanto os cristos 
geralmente continuavam a observar o domingo como festividade prazenteira, ele 
os levou, a fim de
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mostrarem seu dio ao judasmo, a fazer do sbado dia de jejum, de tristeza e 
pesar.
Na primeira parte do sculo IV, o imperador Constantino promulgou um decreto 
fazendo do domingo uma festividade pblica em todo o Imprio Romano. O dia do 
Sol era venerado por seus sditos pagos e honrado pelos cristos; era poltica do 
imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo. Com ele se 
empenharam para fazer isto os bispos da igreja, os quais, inspirados pela ambio 
e sede do poder, perceberam que, se o mesmo dia fosse observado tanto por 
cristos como pagos, promoveria a aceitao nominal do cristianismo pelos 
pagos, e assim adiantaria o poderio e glria da igreja. Mas, conquanto muitos 
cristos tementes a Deus fossem gradualmente levados a considerar o domingo 
como possuindo certo grau de santidade, ainda mantinham o verdadeiro sbado 
como o dia santo do Senhor, e observavam-no em obedincia ao quarto 
mandamento.
O arquienganador no havia terminado a sua obra. Estava decidido a congregar o 
mundo cristo sob sua bandeira, e exercer o poder por intermdio de seu vigrio, 
o orgulhoso pontfice que pretendia ser o representante de Cristo. Por meio de 
pagos semiconversos, ambiciosos prelados e eclesisticos amantes do mundo, 
realizou ele seu propsito. Celebravam-se de tempos em tempos vastos conclios 
aos quais do mundo todo concorriam os dignitrios da igreja. Em quase todos os 
conclios o sbado que Deus havia institudo era rebaixado um pouco mais, 
enquanto o domingo era em idntica proporo exaltado. Destarte a festividade 
pag veio finalmente a ser honrada como instituio divina, ao mesmo tempo em 
que se declarava ser o sbado bblico relquia do judasmo, amaldioando-se seus 
observadores.
O grande apstata conseguira exaltar-se contra tudo o que se chama Deus, ou se 
adora. II Tess. 2:4. Ousara mudar o nico preceito da lei divina que 
inequivocamente indica a toda a humanidade o Deus verdadeiro e vivo. No quarto
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mandamento Deus  revelado como o Criador do cu e da Terra, e por isso Se 
distingue de todos os falsos deuses. Foi para memria da obra da criao que o 
stimo dia foi santificado como dia de repouso para o homem. Destinava-se a 
conservar o Deus vivo sempre diante da mente humana como a fonte de todo ser 
e objeto de reverncia e culto. Satans esfora-se por desviar os homens de sua 
aliana para com Deus e de prestarem obedincia  Sua lei; dirige Seus esforos, 
portanto, especialmente contra o mandamento que aponta a Deus como o Criador.
Os protestantes hoje insistem em que a ressurreio de Cristo no domingo f-lo o 
sbado cristo. No existe, porm, evidncia escriturstica para isto. Nenhuma 
honra semelhante foi conferida ao dia por Cristo ou Seus apstolos. A observncia 
do domingo como instituio crist teve origem no mistrio da injustia (II Tess. 
2:7) que, j no tempo de Paulo, comeara a sua obra. Onde e quando adotou o 
Senhor este filho do papado? Que razo poderosa se poder dar para uma 
mudana que as Escrituras no sancionam?
No sculo VI tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu 
poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabea de toda a 
igreja. O paganismo cedera lugar ao papado. O drago dera  besta o seu poder, 
e o seu trono, e grande poderio. Apoc. 13:2. E comearam ento os 1.260 anos 
da opresso papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse (Dan. 7:25; Apoc. 
13:5-7). Os cristos foram obrigados a optar entre renunciar sua integridade e 
aceitar as cerimnias e culto papais, ou passar a vida nas masmorras, sofrer a 
morte pelo instrumento de tortura, pela fogueira, ou pela machadinha do verdugo. 
Cumpriam-se as palavras de Jesus: E at pelos pais, e irmos, e parentes, e 
amigos sereis entregues, e mataro alguns de vs. E de todos sereis odiados por 
causa de Meu nome. Luc. 21:16 e 17.
Desencadeou-se a perseguio sobre os fiis com maior
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fria do que nunca, e o mundo se tornou um vasto campo de batalha. Durante 
sculos a igreja de Cristo encontrou refgio no isolamento e obscuridade. Assim 
diz o profeta: A mulher fugiu para o deserto, onde j tinha lugar preparado por 
Deus, para que ali fosse alimentada durante mil e duzentos e sessenta dias. 
Apoc. 12:6.
O acesso da Igreja de Roma ao poder assinalou o incio da escura Idade Mdia. 
Aumentando o seu poderio, mais se adensavam as trevas. De Cristo, o verdadeiro 
fundamento, transferiu-se a f para o papa de Roma. Em vez de confiar no Filho 
de Deus para o perdo dos pecados e para a salvao eterna, o povo olhava para o 
papa e para os sacerdotes e prelados a quem delegava autoridade. Ensinava-se-
lhe ser o papa seu mediador terrestre, e que ningum poderia aproximar-se de 
Deus seno por seu intermdio; e mais ainda, que ele ficava para eles em lugar de 
Deus e deveria, portanto, ser implicitamente obedecido. Esquivar-se de suas 
disposies era motivo suficiente para se infligir a mais severa punio ao corpo e 
alma dos delinqentes. Assim, a mente do povo desviava-se de Deus para homens 
falveis e cruis, e mais ainda, para o prprio prncipe das trevas que por meio 
deles exercia o seu poder. O pecado se disfarava sob o manto de santidade. 
Quando as Escrituras so suprimidas e o homem vem a considerar-se supremo, s 
podemos esperar fraudes, engano e aviltante iniqidade. Com a elevao das leis 
e tradies humanas, tornou-se manifesta a corrupo que sempre resulta de se 
pr de lado a lei de Deus.
Dias de perigo foram aqueles para a igreja de Cristo. Os fiis porta-estandartes 
eram na verdade poucos. Posto que a verdade no fosse deixada sem 
testemunhas, parecia, por vezes, que o erro e a superstio prevaleceriam 
completamente, e a verdadeira religio seria banida da Terra. Perdeu-se de vista o 
evangelho, mas multiplicaram-se as formas de religio, e o povo foi 
sobrecarregado de severas exigncias.
Ensinava-se-lhes no somente a considerar o papa como seu mediador, mas a 
confiar em suas prprias obras para expiao do pecado. Longas peregrinaes, 
atos de penitncia,
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adorao de relquias, ereo de igrejas, relicrios e altares, bem como pagamento 
de grandes somas  igreja, tudo isto e muitos atos semelhantes eram ordenados 
para aplacar a ira de Deus ou assegurar o Seu favor, como se Deus fosse idntico 
aos homens, encolerizando-Se por ninharias, ou apaziguando-Se com donativos ou 
atos de penitncia!
Apesar de que prevalecesse o vcio, mesmo entre os chefes da Igreja de Roma, 
sua influncia parecia aumentar constantemente. Mais ou menos ao findar o 
sculo VIII, os romanistas comearam a sustentar que nas primeiras pocas da 
igreja os bispos de Roma tinham possudo o mesmo poder espiritual que 
assumiam agora. Para confirmar essa pretenso, era preciso empregar alguns 
meios com o fito de lhe dar aparncia de autoridade; e isto foi prontamente 
sugerido pelo pai da mentira. Antigos escritos foram forjados pelos monges. 
Decretos de conclios de que antes nada se ouvira foram descobertos, 
estabelecendo a supremacia universal do papa desde os primeiros tempos. E a 
igreja que rejeitara a verdade, avidamente aceitou estes enganos.
Os poucos fiis que construram sobre o verdadeiro fundamento (I Cor. 3:10 e 
11), ficaram perplexos e entravados quando o entulho das falsas doutrinas 
obstruiu a obra. Como os edificadores sobre o muro de Jerusalm no tempo de 
Neemias, alguns se prontificaram a dizer: J desfaleceram as foras dos 
acarretadores, e o p  muito e ns no podemos edificar o muro. Nee. 4:10. 
Cansados da constante luta contra a perseguio, fraude, iniqidade e todos os 
outros obstculos que Satans pudera engendrar para deter-lhes o progresso, 
alguns que haviam sido fiis edificadores, desanimaram; e por amor da paz e 
segurana de sua propriedade e vida, desviaram-se do verdadeiro fundamento. 
Outros, sem se intimidarem com a oposio de seus inimigos, intrepidamente 
declaravam: No os temais: lembrai-vos do Senhor grande e terrvel (Nee. 
4:14); e prosseguiam com a obra, cada qual com a espada cingida ao lado (Efs. 
1:17).
O mesmo esprito de dio e oposio  verdade tem inspirado os inimigos de Deus 
em todos os tempos, e a mesma
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vigilncia e fidelidade tm sido exigidas de Seus servos. As palavras de Cristo aos 
primeiros discpulos aplicam-se aos Seus seguidores at ao final do tempo: E as 
coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai. Mar. 13:37.
As trevas pareciam tornar-se mais densas. Generalizou-se a adorao das 
imagens. Acendiam-se velas perante imagens e oraes se lhes dirigiam. 
Prevaleciam os costumes mais absurdos e supersticiosos. O esprito dos homens 
era a tal ponto dirigido pela superstio que a razo mesma parecia haver perdido 
o domnio. Enquanto os prprios sacerdotes e bispos eram amantes do prazer, 
sensuais e corruptos, s se poderia esperar que o povo que os tinha como guias se 
submergisse na ignorncia e vcio.
Outro passo ainda deu a presuno papal quando, no sculo XI, o Papa Gregrio 
VII proclamou a perfeio da Igreja de Roma. Entre as proposies por ele 
apresentadas uma havia declarando que a igreja nunca tinha errado, nem jamais 
erraria, segundo as Escrituras. Mas as provas escritursticas no acompanhavam a 
afirmao. O altivo pontfice tambm pretendia o poder de depor imperadores; e 
declarou que sentena alguma que pronunciasse poderia ser revogada por quem 
quer que fosse, mas era prerrogativa sua revogar as decises de todos os outros.
Uma flagrante ilustrao do carter tirnico do Papa Gregrio VII se nos apresenta 
no modo por que tratou o imperador alemo Henrique IV. Por haver intentado 
desprezar a autoridade do papa, declarou-o este excomungado e destronado. 
Aterrorizado pela desero e ameaas de seus prprios prncipes, que por 
mandado do papa eram incentivados na rebelio contra ele, Henrique pressentiu a 
necessidade de fazer as pazes com Roma. Em companhia da esposa e de um servo 
fiel, atravessou os Alpes em pleno inverno, a fim de humilhar-se perante o papa. 
Chegando ao castelo para onde Gregrio se retirara, foi conduzido, sem seus 
guardas, a um ptio externo, e ali, no rigoroso frio do inverno, com a cabea 
descoberta,
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descalo e miseravelmente vestido, esperou a permisso do papa a fim de ir  sua 
presena. O pontfice no se dignou de conceder-lhe perdo seno depois de haver 
ele permanecido trs dias jejuando e fazendo confisso. Isso mesmo, apenas com 
a condio de que o imperador esperasse a sano do papa antes de reassumir as 
insgnias ou exercer o poder da realeza. E Gregrio, envaidecido com seu triunfo, 
jactava-se de que era seu dever abater o orgulho dos reis.
Quo notvel  o contraste entre o orgulho deste altivo pontfice e a mansido e a 
suavidade de Cristo, que representa a Si mesmo  porta do corao a rogar que 
seja ali admitido, a fim de poder entrar para levar perdo e paz, e que ensinou a 
Seus discpulos: Qualquer que entre vs quiser ser o primeiro seja vosso servo. 
Mat. 20:27.
Os sculos que se seguiram testemunharam aumento constante de erros nas 
doutrinas emanadas de Roma. Mesmo antes do estabelecimento do papado, os 
ensinos dos filsofos pagos haviam recebido ateno e exercido influncia na 
igreja. Muitos que se diziam conversos ainda se apegavam aos dogmas de sua 
filosofia pag, e no somente continuaram no estudo desta, mas encareciam-no a 
outros como meio de estenderem sua influncia entre os pagos. Erros graves 
foram assim introduzidos na f crist. Destaca-se entre outros o da crena na 
imortalidade natural do homem e sua conscincia na morte. Esta doutrina lanou o 
fundamento sobre o qual Roma estabeleceu a invocao dos santos e a adorao 
da Virgem Maria. Disto tambm proveio a heresia do tormento eterno para os que 
morrem impenitentes, a qual logo de incio se incorporara  f papal.
Achava-se ento preparado o caminho para a introduo de ainda outra inveno 
do paganismo, a que Roma intitulou purgatrio e empregou para amedrontar as 
multides crdulas e supersticiosas. Com esta heresia afirma-se a existncia de 
um lugar de tormento, no qual as almas dos que no mereceram condenao 
eterna devem sofrer castigo por seus pecados,
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e do qual, quando libertas da impureza, so admitidas no Cu.
Ainda uma outra invencionice era necessria para habilitar Roma a aproveitar-se 
dos temores e vcios de seus adeptos. Esta foi suprida pela doutrina das 
indulgncias. Completa remisso dos pecados, passados, presentes e futuros, e 
livramento de todas as dores e penas em que os pecados importam, eram 
prometidos a todos os que se alistassem nas guerras do pontfice para estender 
seu domnio temporal, castigar seus inimigos e exterminar os que ousassem 
negar-lhe a supremacia espiritual. Ensinava-se tambm ao povo que, pelo 
pagamento de dinheiro  igreja, poderia livrar-se do pecado e igualmente libertar 
as almas de seus amigos falecidos que estivessem condenados s chamas 
atormentadoras. Por esses meios Roma abarrotou os cofres e sustentou a 
magnificncia, o luxo e os vcios dos pretensos representantes dAquele que no 
tinha onde reclinar a cabea.
A ordenana escriturstica da ceia do Senhor fora suplantada pelo idoltrico 
sacrifcio da missa. Sacerdotes papais pretendiam, mediante esse disfarce 
destitudo de sentido, converter o simples po e vinho no verdadeiro corpo e 
sangue de Cristo.  Conferncias Sobre a Presena Real, do Cardeal Wiseman. 
Com blasfema presuno pretendiam abertamente o poder de criarem Deus, o 
Criador de todas as coisas. Aos cristos exigia-se, sob pena de morte, confessar 
sua f nesta heresia horrvel, que insulta ao Cu. Multides que a isto se 
recusaram foram entregues s chamas.
No sculo XIII foi estabelecido a mais terrvel de todas as armadilhas do papado  
a inquisio. O prncipe das trevas trabalhava com os dirigentes da hierarquia 
papal. Em seus conclios secretos, Satans e seus anjos dirigiam a mente de 
homens maus, enquanto, invisvel entre eles, estava um anjo de Deus, fazendo o 
tremendo relatrio de seus inquos decretos e escrevendo a histria de aes por 
demais horrorosas para serem desvendadas ao olhar humano. A grande 
Babilnia estava embriagada do sangue dos santos. Os corpos mutilados de
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milhes de mrtires pediam vingana a Deus contra o poder apstata.
O papado se tornou o dspota do mundo. Reis e imperadores curvavam-se aos 
decretos do pontfice romano. O destino dos homens, tanto temporal como eterno, 
parecia estar sob seu domnio. Durante sculos as doutrinas de Roma tinham sido 
extensa e implicitamente recebidas, seus ritos reverentemente praticados, suas 
festas geralmente observadas. Seu clero era honrado e liberalmente mantido. 
Nunca a Igreja de Roma atingiu maior dignidade, magnificncia ou poder.
Mas o meio-dia do papado foi a meia-noite do mundo.  Histria do 
Protestantismo, de Wylie. As Sagradas Escrituras eram quase desconhecidas, no 
somente pelo povo mas pelos sacerdotes. Como os fariseus de outrora, os 
dirigentes papais odiavam a luz que revelaria os seus pecados. Removida a lei de 
Deus  a norma de justia  exerciam eles poder sem limites e praticavam os 
vcios sem restries. Prevaleciam a fraude, a avareza, a libertinagem. Os homens 
no recuavam de crime algum pelo qual pudessem adquirir riqueza ou posio. Os 
palcios dos papas e prelados eram cenrios da mais vil devassido. Alguns dos 
pontfices reinantes eram acusados de crimes to revoltantes que os governadores 
seculares se esforavam por depor esses dignitrios da igreja como monstros 
demasiado vis para serem tolerados. Durante sculos a Europa no fez progresso 
no saber, nas artes ou na civilizao. Uma paralisia moral e intelectual cara sobre 
a cristandade.
A condio do mundo sob o poder romano apresentava o cumprimento terrvel e 
surpreendente das palavras do profeta Osias: O Meu povo foi destrudo, porque 
lhe faltou o conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento, tambm Eu te 
rejeitarei,  visto que te esqueceste da lei do teu Deus, tambm Eu Me esquecerei 
de teus filhos. Os. 4:6. No h verdade, nem benignidade, nem conhecimento 
de Deus na Terra. S prevalecem o perjurar, e o mentir, e o matar, e o furtar, e o 
adulterar, e h homicdios sobre homicdios. Os. 4:1 e 2. Foram estes os 
resultados do banimento da Palavra de Deus.
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Um Povo que Difunde Luz
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Por entre as trevas que baixaram  Terra durante o longo perodo da supremacia 
papal, a luz da verdade no poderia ficar inteiramente extinta. Em cada poca 
houve testemunhas de Deus  homens que acalentavam f em Cristo como nico 
mediador entre Deus e o homem, que mantinham a Escritura Sagrada como a 
nica regra de vida, e santificavam o verdadeiro sbado. Quanto o mundo deve a 
estes homens, a posteridade jamais saber. Foram estigmatizados como hereges, 
impugnados os seus motivos, criticado o seu carter, e suprimidos, difamados ou 
mutilados os seus escritos. No entanto, permaneceram firmes, e de sculo em 
sculo mantiveram a f em sua pureza como sagrado legado s geraes 
vindouras.
A histria do povo de Deus durante os sculos de trevas que se seguiram  
supremacia de Roma, est escrita no Cu, mas pouco espao ocupa nos registros 
humanos. Poucos traos de sua existncia se podem encontrar, a no ser nas 
acusaes de seus perseguidores. Foi ttica de Roma obliterar todo vestgio de 
dissidncia de suas doutrinas ou decretos. Tudo que fosse hertico, quer pessoas 
quer escritos, procurava ela destruir. Expresses de dvida ou questes quanto  
autoridade dos dogmas papais eram suficientes para tirar a vida do rico ou pobre, 
elevado ou humilde. Roma se esforava tambm por destruir todo registro de sua 
crueldade para com os que discordavam dela. Os conclios papais decretavam que 
livros ou escritos contendo relatos desta
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natureza deviam ser lanados s chamas. Antes da inveno da imprensa, os 
livros eram pouco numerosos, e de forma desfavorvel  preservao; portanto, 
pouco havia a impedir que os romanistas levassem a efeito o seu desgnio.
Nenhuma igreja dentro dos limites da jurisdio romana ficou muito tempo sem 
ser perturbada no gozo da liberdade de conscincia. Mal o papado obtivera poder, 
estendeu os braos para esmagar a todos os que se recusassem a reconhecer-lhe 
o domnio; e, uma aps outra, submeteram-se as igrejas ao seu governo.
Na Gr-Bretanha o primitivo cristianismo muito cedo deitou razes. O evangelho, 
recebido pelos bretes nos primeiros sculos, no se achava ento corrompido 
pela apostasia romana. A perseguio dos imperadores pagos, que se estendeu 
mesmo at quelas praias distantes, foi a nica ddiva que a primeira igreja da 
Bretanha recebeu de Roma. Muitos dos cristos, fugindo da perseguio na 
Inglaterra, encontraram refgio na Esccia; da a verdade foi levada  Irlanda, 
sendo em todos estes pases recebida com alegria.
Quando os saxes invadiram a Bretanha, o paganismo conseguiu predomnio. Os 
conquistadores desdenharam ser instrudos por seus escravos, e os cristos foram 
obrigados a retirar-se para as montanhas e os pntanos. No obstante, a luz por 
algum tempo oculta continuou a arder. Na Esccia, um sculo mais tarde, brilhou 
ela com um fulgor que se estendeu a mui longnquas terras. Da Irlanda vieram o 
piedoso Columba e seus colaboradores, os quais, reunindo em torno de si os 
crentes dispersos da solitria ilha de Iona, fizeram desta o centro de seus 
trabalhos missionrios. Entre estes evangelistas encontrava-se um observador do 
sbado bblico, e assim esta verdade foi introduzida entre o povo. Estabeleceu-se 
uma escola em Iona, da qual saram missionrios, no somente para a Esccia e 
Inglaterra, mas para a Alemanha, Sua e mesmo para a Itlia.
Roma, porm, fixara os olhos na Bretanha e resolvera p-la sob sua supremacia. 
No sculo VI seus missionrios empreenderam
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a converso dos pagos saxes. Foram recebidos com favor pelos orgulhosos 
brbaros, e induziram muitos milhares a professar a f romana. O trabalho 
progredia e os dirigentes papais e seus conversos encontraram os cristos 
primitivos. Eloqente contraste se apresentou. Os ltimos eram simples, humildes 
e de carter, doutrina e maneiras segundo as Escrituras, ao passo que os 
primeiros manifestavam a superstio, a pompa e a arrogncia do papado. O 
emissrio de Roma exigiu que estas igrejas crists reconhecessem a supremacia 
do soberano pontfice. Os bretes mansamente replicaram que desejavam amar a 
todos os homens, mas que o papa no tinha direito  supremacia na igreja, e que 
eles poderiam prestar-lhe somente a submisso devida a todo seguidor de Cristo. 
Repetidas tentativas foram feitas para se conseguir sua adeso a Roma; mas 
esses humildes cristos, espantados com o orgulho ostentado por seus emissrios, 
firmemente replicavam que no conheciam outro mestre seno a Cristo. Revelou-
se, ento, o verdadeiro esprito do papado. Disse o chefe romano: Se no 
receberdes irmos que vos trazem paz, recebereis inimigos que vos traro guerra. 
Se vos no unirdes conosco para mostrar aos saxes o caminho da vida, 
recebereis deles o golpe de morte.  Histria da Reforma do Sculo XVI, 
DAubign. No era isto simples ameaa. Guerra, intriga e engano foram 
empregados contra as testemunhas de uma f bblica, at que as igrejas da 
Bretanha foram destrudas ou obrigadas a submeter-se  autoridade do papa.
Em terras que ficavam alm da jurisdio de Roma, existiram por muitos sculos 
corporaes de cristos que permaneceram quase inteiramente livres da corrupo 
papal. Estavam rodeados de pagos e, no transcorrer dos sculos, foram afetados 
por seus erros; mas continuaram a considerar a Escritura Sagrada como a nica 
regra de f, aceitando muitas de suas verdades. Estes cristos acreditavam na 
perpetuidade da lei de Deus e observavam o sbado do quarto mandamento. 
Igrejas que se mantinham nesta f e prtica, existiram na frica Central e entre 
os armnios, na sia.
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Mas dentre os que resistiram ao cerco cada vez mais apertado do poder papal, os 
valdenses ocuparam posio preeminente. A falsidade e corrupo papal 
encontraram a mais decidida resistncia na prpria terra em que o papa fixara a 
sede. Durante sculos as igrejas do Piemonte mantiveram-se independentes; mas 
afinal chegou o tempo em que Roma insistiu em submet-las. Depois de lutas 
inteis contra a tirania, os dirigentes destas igrejas reconheceram relutantemente 
a supremacia do poder a que o mundo todo parecia render homenagem. Alguns 
houve, entretanto, que se recusaram a ceder  autoridade do papa ou do prelado. 
Estavam decididos a manter sua fidelidade a Deus, e preservar a pureza e 
simplicidade de f. Houve separao. Os que se apegaram  antiga f, retiraram-
se; alguns, abandonando os Alpes nativos, alaram a bandeira da verdade em 
terras estrangeiras; outros se retraram para os vales afastados e fortalezas das 
montanhas, e ali preservaram a liberdade de culto a Deus.
A f que durante muitos sculos fora mantida e ensinada pelos cristos valdenses, 
estava em assinalado contraste com as falsas doutrinas que Roma apresentava. 
Sua crena religiosa baseava-se na Palavra escrita de Deus  o verdadeiro 
documento religioso do cristianismo. Mas aqueles humildes camponeses, em seu 
obscuro retiro, excludos do mundo e presos  labuta diria entre seus rebanhos e 
vinhedos, no haviam por si ss chegado  verdade em oposio aos dogmas e 
heresias da igreja apstata. A f que professavam no era nova. Sua crena 
religiosa era a herana de seus pais. Lutavam pela f da igreja apostlica  a f 
que uma vez foi dada aos santos. Jud. 3. A igreja no deserto e no a orgulhosa 
hierarquia entronizada na grande capital do mundo, era a verdadeira igreja de 
Cristo, a depositria dos tesouros da verdade que Deus confiara a Seu povo para 
ser dada ao mundo.
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Entre as principais causas que levaram a igreja verdadeira a separar-se da de 
Roma, estava o dio desta ao sbado bblico. Conforme fora predito pela profecia, 
o poder papal lanou a verdade por terra. A lei de Deus foi lanada ao p, 
enquanto se exaltavam as tradies e costumes dos homens. As igrejas que 
estavam sob o governo do papado, foram logo compelidas a honrar o domingo 
como dia santo. No meio do erro e superstio que prevaleciam, muitos, mesmo 
dentre o verdadeiro povo de Deus, ficaram to desorientados que ao mesmo 
tempo em que observavam o sbado, abstinham-se do trabalho tambm no 
domingo. Isto, porm, no satisfazia aos chefes papais. Exigiam no somente que 
fosse santificado o domingo, mas que o sbado fosse profanado; e com a mais 
violenta linguagem denunciavam os que ousavam honr-lo. Era unicamente 
fugindo ao poder de Roma que algum poderia em paz obedecer  lei de Deus.
Os valdenses foram os primeiros dentre os povos da Europa a obter a traduo das 
Sagradas Escrituras. Centenas de anos antes da Reforma, possuam a Bblia em 
manuscrito, na lngua materna. Tinham a verdade incontaminada, e isto os 
tornava objeto especial do dio e perseguio. Declaravam ser a Igreja de Roma a 
Babilnia apstata do Apocalipse, e com perigo de vida erguiam-se para resistir a 
suas corrupes. Opressos pela prolongada perseguio, alguns comprometeram 
sua f, cedendo pouco a pouco em seus princpios distintivos, enquanto outros 
sustentavam firme a verdade. Durante sculos de trevas e apostasia, houve 
alguns dentre os valdenses que negavam a supremacia de Roma, rejeitavam o 
culto s imagens como idolatria e guardavam o verdadeiro sbado. Sob as mais 
atrozes tempestades da oposio conservaram a f. Perseguidos embora pela 
espada dos saboianos (Frana) e queimados pela fogueira romana, mantiveram-se 
sem hesitao ao lado da Palavra de Deus e de Sua honra.
Por trs dos elevados baluartes das montanhas  em todos os tempos refgio dos 
perseguidos e oprimidos  os valdenses
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encontraram esconderijo. Ali, conservou-se a luz da verdade a arder por entre as 
trevas da Idade Mdia. Ali, durante mil anos, testemunhas da verdade mantiveram 
a antiga f.
Deus providenciara para Seu povo um santurio de majestosa grandeza, de acordo 
com as extraordinrias verdades confiadas  sua guarda. Para os fiis exilados, 
eram as montanhas um emblema da imutvel justia de Jeov. Apontavam eles a 
seus filhos as alturas sobranceiras, em sua imutvel majestade, e falavam-lhes 
dAquele em quem no h mudana nem sombra de variao, cuja Palavra  to 
perdurvel como os montes eternos. Deus estabelecera firmemente as montanhas 
e as cingira de fortaleza; brao algum, a no ser o do Poder infinito, poderia mov-
las do lugar. De igual maneira estabelecera Ele a Sua lei  fundamento de Seu 
governo no Cu e na Terra. O brao do homem poderia atingir a seus semelhantes 
e destruir-lhes a vida; mas esse brao seria to impotente para desarraigar as 
montanhas de seu fundamento e precipit-las no mar, como para mudar um 
preceito da lei de Jeov ou anular qualquer de Suas promessas aos que Lhe fazem 
a vontade. Na fidelidade para com a Sua lei, os servos de Deus deviam ser to 
firmes como os outeiros imutveis.
As montanhas que cingiam os fundos vales eram testemunhas constantes do 
poder criador de Deus e afirmao sempre infalvel de Seu cuidado protetor. Esses 
peregrinos aprenderam a amar os smbolos silenciosos da presena de Jeov. No 
condescendiam com murmuraes por causa das agruras da sorte; nunca se 
sentiam abandonados na solido das montanhas. Agradeciam a Deus por haver-
lhes provido refgio da ira e crueldade dos homens. Regozijavam-se diante dEle na 
liberdade de prestar culto. Muitas vezes, quando perseguidos pelos inimigos, a 
fortaleza das montanhas se provara ser defesa segura. De muitos rochedos 
elevados entoavam eles louvores a Deus e os exrcitos de Roma no podiam fazer 
silenciar seus cnticos de aes de graas.
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Pura, singela e fervorosa era a piedade desses seguidores de Cristo. Os princpios 
da verdade, avaliavam-nos eles acima de casas e terras, amigos, parentes e 
mesmo da prpria vida. Semelhantes princpios ardorosamente procuravam eles 
gravar no corao dos jovens. Desde a mais tenra infncia os jovens eram 
instrudos nas Escrituras, e ensinava-se-lhes a considerar santos os requisitos da 
lei de Deus. Sendo raros os exemplares das Escrituras Sagradas, eram suas 
preciosas palavras confiadas  memria. Muitos eram capazes de repetir longas 
pores tanto do Antigo como do Novo Testamento. Os pensamentos de Deus 
associavam-se ao sublime cenrio da Natureza e s humildes bnos da vida 
diria. Criancinhas aprendiam a olhar com gratido a Deus como o Doador de toda 
merc e conforto.
Os pais, ternos e afetuosos como eram, to sabiamente amavam os filhos que no 
permitiam que se habituassem  condescendncia prpria. Esboava-se diante 
deles uma vida de provaes e agruras, talvez a morte de mrtir. Eram ensinados 
desde a infncia a suportar rudezas, a sujeitar-se ao domnio, e contudo a pensar 
e agir por si mesmos. Muito cedo eram ensinados a encarar responsabilidades, a 
serem precavidos no falar e a compreenderem a sabedoria do silncio. Uma 
palavra indiscreta que deixassem cair no ouvido dos inimigos, poderia pr em 
perigo no somente a vida do que falava, mas a de centenas de seus irmos; pois, 
semelhantes a lobos  caa da presa, os inimigos da verdade perseguiam os que 
ousavam reclamar liberdade para a f religiosa.
Os valdenses haviam sacrificado a prosperidade temporal por amor  verdade, e 
com pacincia perseverante labutavam para ganhar o po. Cada recanto de terra 
cultivvel entre as montanhas era cuidadosamente aproveitado; fazia-se com que 
os vales e as encostas menos frteis das colinas tambm produzissem. A economia 
e a severa renncia de si prprio formavam parte da educao que os filhos 
recebiam como seu nico legado. Ensinava-se-lhes que Deus determinara fosse a 
vida uma disciplina e que suas necessidades poderiam ser supridas apenas 
mediante o trabalho pessoal, previdncia, cuidado e f. O processo era laborioso e
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fatigante, mas salutar, precisamente o de que o homem necessita em seu estado 
decado  escola que Deus proveu para o seu ensino e desenvolvimento. Enquanto 
os jovens se habituavam ao trabalho e asperezas, a cultura do intelecto no era 
negligenciada. Ensinava-se-lhes que todas as suas capacidades pertenciam a 
Deus, e que deveriam todas ser aperfeioadas e desenvolvidas para o Seu servio.
As igrejas valdenses, em sua pureza e simplicidade, assemelhavam-se  igreja dos 
tempos apostlicos. Rejeitando a supremacia do papa e prelados, mantinham a 
Escritura Sagrada como a nica autoridade suprema, infalvel. Seus pastores, 
diferentes dos altivos sacerdotes de Roma, seguiam o exemplo de seu Mestre que 
veio no para ser servido, mas para servir. Alimentavam o rebanho de Deus, 
guiando-os s verdes pastagens e fontes vivas de Sua santa Palavra. Longe dos 
monumentos da pompa e orgulho humano, o povo congregava-se, no em igrejas 
suntuosas ou grandes catedrais, mas  sombra das montanhas nos vales alpinos, 
ou, em tempo de perigo, em alguma fortaleza rochosa, a fim de escutar as 
palavras da verdade proferidas pelos servos de Cristo. Os pastores no somente 
pregavam o evangelho, mas visitavam os doentes, doutrinavam as crianas, 
admoestavam aos que erravam e trabalhavam para resolver as questes e 
promover harmonia e amor fraternal. Em tempos de paz eram sustentados por 
ofertas voluntrias do povo; mas, como Paulo, o fabricante de tendas, cada qual 
aprendia um ofcio ou profisso, mediante a qual, sendo necessrio, proveria o 
sustento prprio.
De seus pastores recebiam os jovens instruo. Conquanto se desse ateno aos 
ramos dos conhecimentos gerais, fazia-se da Escritura Sagrada o estudo principal. 
Os evangelhos de Mateus e Joo eram confiados  memria, juntamente com 
muitas das epstolas. Tambm se ocupavam em copiar as Escrituras. Alguns 
manuscritos continham a Bblia toda, outros apenas breves pores, a que 
algumas simples explicaes do texto eram acrescentadas por aqueles que eram 
capazes de comentar as Escrituras. Assim se apresentavam os tesouros da
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verdade durante tanto tempo ocultos pelos que procuravam exaltar-se acima de 
Deus.
Mediante pacientes e incansveis labores, por vezes nas profundas e escuras 
cavernas da Terra,  luz de archotes, eram copiadas as Escrituras Sagradas, 
versculo por versculo, captulo por captulo. Assim a obra prosseguia, 
resplandecendo, qual ouro puro, a vontade revelada de Deus; e quanto mais 
brilhante, clara e poderosa era por causa das provaes que passavam por seu 
amor, apenas o poderiam compreender os que se achavam empenhados em obra 
semelhante. Anjos celestiais circundavam os fiis obreiros.
Satans incitara sacerdotes e prelados a enterrarem a Palavra da verdade sob a 
escria do erro, heresia e superstio; mas de modo maravilhosssimo foi ela 
conservada incontaminada atravs de todos os sculos de trevas. No trazia o 
cunho do homem, mas a impresso divina. Os homens se tm demonstrado 
incansveis em seus esforos para obscurecer o claro e simples sentido das 
Escrituras, e faz-las contradizerem seu prprio testemunho; porm, semelhante  
arca sobre as profundas guas encapeladas, a Palavra de Deus leva de vencida as 
borrascas que a ameaam de destruio. Assim como tem a mina ricos veios de 
ouro e prata ocultos por sob a superfcie, de maneira que todos os que desejam 
descobrir os preciosos depsitos devem cavar, assim as Sagradas Escrituras tm 
tesouros de verdade que so revelados unicamente ao ardoroso, humilde e devoto 
pesquisador. Deus destinara a Bblia a ser um compndio para toda a humanidade, 
na infncia, juventude e idade madura, devendo ser estudada atravs de todos os 
tempos. Deu Sua Palavra aos homens como revelao de Si mesmo. Cada nova 
verdade que se divisa  uma nova revelao do carter de seu Autor. O estudo das 
Escrituras  o meio divinamente ordenado para levar o homem a mais ntima 
comunho com seu Criador e dar-lhe mais claro conhecimento de Sua vontade.  o 
meio de comunicao entre Deus e o homem.
Conquanto os valdenses considerassem o temor do Senhor como o princpio da 
sabedoria, no eram cegos no tocante  importncia do contato com o mundo, do 
conhecimento dos
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homens e da vida ativa, para expandir o esprito e avivar as percepes. De suas 
escolas nas montanhas alguns dos jovens foram enviados a instituies de ensino 
nas cidades da Frana ou Itlia, onde havia campo mais vasto para o estudo, 
pensamento e observao, do que nos Alpes nativos. Os jovens assim enviados 
estavam expostos  tentao, testemunhavam o vcio, defrontavam-se com os 
astuciosos agentes de Satans, que lhes queriam impor as mais sutis heresias e os 
mais perigosos enganos. Mas sua educao desde a meninice fora de molde a 
prepar-los para tudo isto.
Nas escolas aonde iam, no deveriam fazer confidentes a quem quer que fosse. 
Suas vestes eram preparadas de maneira a ocultar seu mximo tesouro  os 
preciosos manuscritos das Escrituras. A estes, fruto de meses e anos de labuta, 
levavam consigo e, sempre que o podiam fazer sem despertar suspeita, 
cautelosamente punham uma poro ao alcance daqueles cujo corao parecia 
aberto para receber a verdade. Desde os joelhos da me a juventude valdense 
havia sido educada com este propsito em vista; compreendiam o trabalho, e 
fielmente o executavam. Ganhavam-se conversos  verdadeira f nessas 
instituies de ensino, e freqentemente se encontravam seus princpios a 
penetrar a escola toda; contudo os chefes papais no podiam pelo mais minucioso 
inqurito descobrir a fonte da chamada heresia corruptora.
O esprito de Cristo  esprito missionrio. O primeiro impulso do corao 
regenerado  levar outros tambm ao Salvador. Tal foi o esprito dos cristos 
valdenses. Compreendiam que Deus exigia mais deles do que simplesmente 
preservar a verdade em sua pureza, nas suas prprias igrejas; e que sobre eles 
repousava a solene responsabilidade de deixarem sua luz resplandecer aos que se 
achavam em trevas. Pelo forte poder da Palavra de Deus procuravam romper o 
cativeiro que Roma havia imposto.
Os ministros valdenses eram educados como missionrios, exigindo-se 
primeiramente de cada um que tivesse a expectativa de entrar para o ministrio, 
aquisio de experincia como
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evangelista. Cada um deveria servir trs anos em algum campo missionrio antes 
de assumir o encargo de uma igreja em seu pas. Este servio, exigindo logo de 
comeo renncia e sacrifcio, era introduo apropriada  vida pastoral naqueles 
tempos que punham  prova a alma. Os jovens que recebiam a ordenao para o 
sagrado mister, viam diante de si, no a perspectiva de riquezas e glria terrestre, 
mas uma vida de trabalhos e perigo, e possivelmente o destino de mrtir. Os 
missionrios iam de dois em dois, como Jesus enviara Seus discpulos. Cada jovem 
tinha usualmente por companhia um homem de idade e experincia, achando-se 
aquele sob a orientao do companheiro, que ficava responsvel por seu ensino, e 
a cuja instruo se esperava que seguisse. Estes coobreiros no estavam sempre 
juntos, mas muitas vezes se reuniam para orar e aconselhar-se, fortalecendo-se 
assim mutuamente na f.
Tornar conhecido o objetivo de sua misso seria assegurar a derrota; ocultavam, 
portanto, cautelosamente seu verdadeiro carter. Cada ministro possua 
conhecimento de algum ofcio ou profisso e os missionrios prosseguiam na obra 
sob a aparncia de vocao secular. Usualmente escolhiam a de mercador ou 
vendedor ambulante. Levavam sedas, jias e outros artigos, que naquele tempo 
no se compravam facilmente, a no ser em mercados distantes; e eram bem 
recebidos como negociantes onde teriam sido repelidos como missionrios.  
Wylie. Em todo o tempo seu corao se levantava a Deus rogando sabedoria a fim 
de apresentar um tesouro mais precioso do que o ouro ou jias. Levavam 
secretamente consigo exemplares da Escritura Sagrada, no todo ou em parte; 
quando quer que se apresentasse oportunidade, chamavam a ateno dos 
fregueses para os manuscritos. Muitas vezes assim se despertava o interesse de 
ler a Palavra de Deus, e alguma poro era de bom grado deixada com os que a 
desejavam receber.
A obra destes missionrios comeava nas plancies e vales ao p de suas prprias 
montanhas, mas estendia-se muito alm destes limites. Descalos e com vestes 
singelas e poentas da
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jornada como eram as de seu Mestre, passavam por grande cidades e penetravam 
em longnquas terras. Por toda parte espalhavam a preciosa verdade. Surgiam 
igrejas em seu caminho e o sangue dos mrtires testemunhava da verdade. O dia 
de Deus revelar rica colheita de almas enceleiradas pelos labores destes homens 
fiis. Velada e silenciosa, a Palavra de Deus rompia caminho atravs da 
cristandade e tinha alegre acolhida nos lares e coraes.
Para os valdenses no eram as Escrituras simplesmente o registro do trato de 
Deus para com os homens no passado e a revelao das responsabilidades e 
deveres do presente, mas o desvendar dos perigos e glrias do futuro. 
Acreditavam que o fim de todas as coisas no estava muito distante; e, estudando 
a Bblia com orao e lgrimas, mais profundamente se impressionavam com suas 
preciosas declaraes e com o dever de tornar conhecidas a outros as suas 
verdades salvadoras. Viam o plano da salvao claramente revelado nas pginas 
sagradas e encontravam conforto, esperana e paz crendo em Jesus. Ao iluminar-
lhes a luz o entendimento e ao alegrar-lhes ela o corao, anelavam derramar 
seus raios sobre os que se achavam nas trevas do erro papal.
Viam que sob a direo do papa e sacerdotes, multides em vo se esforavam 
por obter perdo afligindo o corpo por causa do pecado da alma. Ensinados a 
confiar nas boas obras para se salvarem, estavam sempre a olhar para si mesmos, 
ocupando a mente com a sua condio pecaminosa, vendo-se expostos  ira de 
Deus, afligindo alma e corpo, no achando, contudo, alvio. Almas conscienciosas 
eram, assim, enredadas pelas doutrinas de Roma. Milhares abandonavam amigos 
e parentes, passando a vida nas celas dos conventos. Por meio de freqentes 
jejuns e cruis aoitamentos, por viglias  meia-noite, prostrando-se durante 
horas cansativas sobre as lajes frias e midas de sua sombria habitao, por 
longas peregrinaes, penitncias humilhantes e terrvel tortura, milhares 
procuravam inutilmente obter paz de conscincia. Oprimidos por uma intuio de 
pecado e perseguidos pelo temor da ira vingadora de
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Deus, muitos continuavam a sofrer at que a natureza exausta se rendia e, sem 
um resqucio de luz ou esperana, baixavam  sepultura.
Os valdenses ansiavam por partir a estas almas famintas o po da vida, revelar-
lhes as mensagens de paz das promessas de Deus e apontar-lhes a Cristo como a 
nica esperana de salvao. Tinham por falsa a doutrina de que as boas obras 
podem expiar a transgresso da lei de Deus. A confiana nos mritos humanos faz 
perder de vista o amor infinito de Cristo. Jesus morreu como sacrifcio pelo homem 
porque a raa cada nada pode fazer para se recomendar a Deus. Os mritos de 
um Salvador crucificado e ressurgido so o fundamento da f crist. A 
dependncia da alma para com Cristo  to real, e sua unio com Ele deve ser to 
ntima como a do membro para com o corpo, ou da vara para com a videira.
Os ensinos dos papas e sacerdotes haviam levado os homens a considerar o 
carter de Deus, e mesmo o de Cristo, como severo, sombrio e repelente. 
Representava-se o Salvador to destitudo de simpatia para com o homem em seu 
estado decado, que devia ser invocada a mediao de sacerdotes e santos. 
Aqueles cuja mente fora iluminada pela Palavra de Deus, anelavam guiar estas 
almas a Jesus, como seu compassivo e amante Salvador que permanece de braos 
estendidos a convidar todos a irem a Ele com seu fardo de pecados, seus cuidados 
e fadigas. Almejavam remover os obstculos que Satans havia acumulado para 
que os homens no pudessem ver as promessas, e ir diretamente a Deus, 
confessando os pecados e obtendo perdo e paz.
Ardorosamente desvendava o missionrio valdense as preciosas verdades do 
evangelho ao esprito inquiridor. Citava com precauo as pores cuidadosamente 
copiadas da Sagrada Escritura. Era a sua mxima alegria infundir esperana  
alma conscienciosa, ferida pelo pecado, e que to-somente podia ver um Deus de 
vingana, esperando para executar justia. Com lbios trmulos e olhos 
lacrimosos, muitas vezes com os joelhos curvados, expunha a seus irmos as 
preciosas promessas
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que revelam a nica esperana do pecador. Assim a luz da verdade penetrava 
muitas almas obscurecidas, fazendo recuar a nuvem sombria at que o Sol da 
Justia resplandecesse no corao, trazendo sade em seus raios. Dava-se amide 
o caso de alguma poro das Escrituras ser lida vrias vezes, desejando o ouvinte 
que fosse repetida, como se quisesse assegurar-se de que tinha ouvido bem. Em 
especial se desejava, de maneira vida, a repetio destas palavras: O sangue de 
Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado. I Joo 1:7. Como Moiss 
levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja 
levantado; para que todo aquele que nEle cr no perea, mas tenha a vida 
eterna. Joo 3:14 e 15.
Muitos no se iludiam em relao s pretenses de Roma. Viam quo v  a 
mediao de homens ou anjos em favor do pecador. Raiando-lhes na mente a 
verdadeira luz, exclamavam com regozijo: Cristo  meu Sacerdote; Seu sangue  
meu sacrifcio; Seu altar  meu confessionrio. Confiavam-se inteiramente aos 
mritos de Jesus, repetindo as palavras: Sem f  impossvel agradar-Lhe. Heb. 
11:6. Nenhum outro nome h, dado entre os homens, pelo qual devamos ser 
salvos. Atos 4:12.
A certeza do amor de um Salvador parecia, a algumas destas pobres almas 
agitadas pela tempestade, coisa por demais vasta para ser abrangida. To grande 
era o alvio que sentiam, tal a inundao de luz que lhes sobrevinha, que pareciam 
transportadas ao Cu. Punham confiantemente suas mos na de Cristo; firmavam 
os ps sobre a Rocha dos sculos. Bania-se todo o temor da morte. Podiam agora 
ambicionar a priso e a fogueira se desse modo honrassem o nome de seu 
Redentor.
Em lugares ocultos era a Palavra de Deus apresentada e lida, algumas vezes a 
uma nica alma, outras, a um pequeno grupo que anelava a luz e a verdade. 
Amide a noite toda era passada desta maneira. To grande era o assombro e 
admirao dos ouvintes que o mensageiro da misericrdia freqentemente se via 
obrigado a cessar a leitura at que o entendimento
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pudesse apreender as boas novas da salvao. Era comum proferirem-se palavras 
como estas: Aceitar Deus em verdade a minha oferta? Olhar-me- 
benignamente? Perdoar-me- Ele? Lia-se a resposta: Vinde a Mim, todos os que 
estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Mat. 11:28.
A f se apegava  promessa, ouvia-se a alegre resposta: Nada mais de longas 
peregrinaes; nada de penosas jornadas aos relicrios sagrados. Posso ir a Jesus 
tal como estou, pecador e mpio, e Ele no desprezar a orao de 
arrependimento. Perdoados te so os teus pecados. Os meus pecados, 
efetivamente os meus, podem ser perdoados!
Enchia o corao uma onda de sagrada alegria, e o nome de Jesus era 
engrandecido em louvores e aes de graas. Estas almas felizes voltavam para 
casa a fim de difundir a luz, repetir a outros, to bem quanto podiam, a nova 
experincia, de que acharam o Caminho verdadeiro e vivo. Havia um estranho e 
solene poder nas palavras das Escrituras, que falava diretamente ao corao dos 
que se achavam anelantes pela verdade. Era a voz de Deus e levava a convico 
aos que ouviam.
O mensageiro da verdade continuava o seu caminho; mas seu aspecto de 
humildade, sua sinceridade, ardor e profundo fervor, eram assuntos de observao 
freqente. Em muitos casos os ouvintes no lhe perguntavam donde viera ou para 
onde ia. Ficavam to dominados, a princpio pela surpresa e depois pela gratido e 
alegria, que no pensavam em interrog-lo. Quando insistiam com ele para os 
acompanhar a suas casas, respondia-lhes que devia visitar as ovelhas perdidas do 
rebanho. No seria ele um anjo do Cu? indagavam.
Em muitos casos no mais se via o mensageiro da verdade. Seguira para outros 
pases, ou a vida se lhe consumia em algum calabouo desconhecido, ou talvez 
seus ossos estivessem alvejando no local em que testificara da verdade. Mas
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as palavras que deixara aps si, no poderiam ser destrudas. Estavam a fazer sua 
obra no corao dos homens; os benditos resultados s no dia do juzo se 
revelaro plenamente.
Os missionrios valdenses estavam invadindo o reino de Satans, e os poderes das 
trevas despertaram para maior vigilncia. Todo esforo para avano da verdade 
era observado pelo prncipe do mal, e ele excitava os temores de seus agentes. Os 
chefes papais viram grande perigo para a sua causa no trabalho destes humildes 
itinerantes. Se fosse permitido  luz da verdade resplandecer sem impedimento, 
varreria as pesadas nuvens de erro que envolviam o povo; haveria de dirigir o 
esprito dos homens a Deus unicamente, talvez destruindo, afinal, a supremacia de 
Roma.
A prpria existncia deste povo, mantendo a f da antiga igreja, era testemunho 
constante da apostasia de Roma, e portanto excitava o dio e perseguio mais 
atrozes. Sua recusa de renunciar s Escrituras era tambm ofensa que Roma no 
podia tolerar. Decidiu-se ela a extermin-los da Terra. Comearam ento as mais 
terrveis cruzadas contra o povo de Deus em seus lares montesinos. Puseram-se 
inquisidores em suas pegadas, e a cena do inocente Abel tombando ante o 
assassino Caim repetia-se freqentemente.
Reiteradas vezes foram devastadas as suas frteis terras, destrudas as habitaes 
e capelas, de maneira que onde houvera campos florescentes e lares de um povo 
simples e laborioso, restava apenas um deserto. Assim como o animal de rapina se 
torna mais feroz provando sangue, a ira dos sectrios do papa acendia-se com 
maior intensidade com o sofrimento de suas vtimas. Muitas destas testemunhas 
da f pura foram perseguidas atravs das montanhas e caadas nos vales em que 
se achavam escondidas, encerradas por enormes florestas e cumes rochosos.
Nenhuma acusao se poderia fazer contra o carter moral da classe proscrita. 
Mesmo seus inimigos declaravam serem eles um povo pacfico, sossegado e 
piedoso. Seu grande crime era no quererem adorar a Deus segundo a vontade do 
papa.
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Por tal crime, toda humilhao, insulto e tortura que homens ou diabos podiam 
inventar, amontoaram-se sobre eles.
Determinando-se Roma a exterminar a odiada seita, uma bula foi promulgada pelo 
papa, condenando-os como hereges e entregando-os ao morticnio. No eram 
acusados como ociosos, desonestos ou desordeiros; mas declarava-se que tinham 
uma aparncia de piedade e santidade que seduzia as ovelhas do verdadeiro 
aprisco. Portanto ordenava o papa que aquela maligna e abominvel seita de 
perversos, caso se recusasse a renunciar, fosse esmagada como serpentes 
venenosas.  Wylie. Esperava o altivo potentado ter de responder por estas 
palavras? Sabia que estavam registradas nos livros do Cu, para lhe serem 
apresentadas no juzo? Quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmos, 
disse Jesus, a Mim o fizestes. Mat. 25:40.
Essa bula convocava a todos os membros da igreja para se unirem  cruzada 
contra os hereges. Como incentivo para se empenharem na obra cruel, absolvia 
de todas as penas e castigos eclesisticos, gerais e particulares; desobrigava a 
todos os que se unissem  cruzada, de qualquer juramento que pudessem ter 
feito; legitimava-lhes o direito a qualquer propriedade que pudessem ter 
ilegalmente adquirido; e prometia remisso de todos os pecados aos que 
matassem algum herege. Anulava todos os contratos feitos em favor dos 
valdenses, ordenava que seus criados os abandonassem, proibia a toda pessoa 
dar-lhes qualquer auxlio que fosse e a todos permitia tomar posse de sua 
propriedade.  Wylie. Este documento revela claramente o esprito que o ditou.  
o bramido do drago, e no a voz de Cristo, que nele se ouve.
Os dirigentes papais no queriam conformar seu carter com a grande norma da 
lei de Deus, mas erigiram uma norma que lhes fosse conveniente, e decidiram 
obrigar todos a se conformarem com a mesma porque Roma assim o desejava. As 
mais horrveis tragdias foram encenadas. Sacerdotes e papas corruptos e 
blasfemos estavam a fazer a obra que Satans lhes designava. A misericrdia no 
encontrava guarida em sua
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natureza. O mesmo esprito que crucificou Cristo e matou os apstolos, o mesmo 
que impulsionou o sanguinrio Nero contra os fiis de seu tempo, estava em 
operao a fim de exterminar da Terra os que eram amados de Deus.
As perseguies desencadeadas durante muitos sculos sobre este povo temente a 
Deus, foram por ele suportadas com uma pacincia e constncia que honravam 
seu Redentor. Apesar das cruzadas contra eles e da desumana carnificina a que 
foram sujeitos, continuavam a mandar seus missionrios a espalhar a preciosa 
verdade. Eram perseguidos at  morte; contudo, seu sangue regava a semente 
lanada, e esta no deixou de produzir fruto. Assim os valdenses testemunharam 
de Deus, sculos antes do nascimento de Lutero. Dispersos em muitos pases, 
plantaram a semente da Reforma que se iniciou no tempo de Wycliffe, cresceu 
larga e profundamente nos dias de Lutero, e deve ser levada avante at ao final do 
tempo por aqueles que tambm esto dispostos a sofrer todas as coisas pela 
Palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo. Apoc. 1:9.
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Arautos de uma Era Melhor
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Antes da Reforma, houve por vezes pouqussimos exemplares da Escritura 
Sagrada; mas Deus no consentira que Sua Palavra fosse totalmente destruda. 
Suas verdades no deveriam estar ocultas para sempre. To facilmente poderia 
Ele desacorrentar as palavras da vida como abrir portas de prises e desaferrolhar 
portais de ferro para pr em liberdade a Seus servos. Nos vrios pases da Europa 
homens eram movidos pelo Esprito de Deus a buscar a verdade como a tesouros 
escondidos. Providencialmente guiados s Santas Escrituras, estudavam as 
pginas sagradas com interesse profundo. Estavam dispostos a aceitar a luz, a 
qualquer custo. Posto que no vissem todas as coisas claramente, puderam divisar 
muitas verdades havia muito sepultadas. Como mensageiros enviados pelo Cu, 
saam, rompendo as cadeias do erro e superstio e chamando aos que haviam 
estado durante tanto tempo escravizados, a levantar-se e assegurar sua liberdade.
Com exceo do que se passava entre os valdenses, a Palavra de Deus estivera 
durante sculos encerrada em lnguas apenas conhecidas pelos eruditos; chegara, 
porm, o tempo para que as Escrituras fossem traduzidas e entregues ao povo dos 
vrios pases em sua lngua materna. Passara para o mundo a meia-noite. As 
horas de trevas estavam a esvair-se, e em muitas terras apareciam indcios da 
aurora a despontar.
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No sculo XIV surgiu na Inglaterra um homem que devia ser considerado a 
estrela da manh da Reforma. Joo Wycliffe foi o arauto da Reforma, no 
somente para a Inglaterra mas para toda a cristandade. O grande protesto contra 
Roma, que lhe foi dado proferir, jamais deveria silenciar. Aquele protesto abriu a 
luta de que deveria resultar a emancipao de indivduos, igrejas e naes.
Wycliffe recebeu educao liberal, e para ele o temor do Senhor era o princpio da 
sabedoria. No colgio se distinguira pela fervorosa piedade bem como por seus 
notveis talentos e perfeito preparo escolar. Em sua sede de saber procurava 
familiarizar-se com todo ramo de conhecimento. Foi educado na filosofia 
escolstica, nos cnones da igreja e na lei civil, especialmente a de seu prprio 
pas. Em seus trabalhos subseqentes evidenciou-se o valor destes primeiros 
estudos. Um conhecimento proficiente da filosofia especulativa de seu tempo, 
habilitou-o a expor os erros dela; e, mediante o estudo das leis civis e 
eclesisticas, preparou-se para entrar na grande luta pela liberdade civil e 
religiosa. No s sabia manejar as armas tiradas da Palavra de Deus, mas tambm 
havia adquirido a disciplina intelectual das escolas e compreendia a ttica dos 
telogos escolsticos. O poder de seu gnio e a extenso e proficincia de seus 
conhecimentos impunham o respeito de amigos bem como de inimigos. Seus 
adeptos viam com satisfao que seu heri ocupava lugar preeminente entre os 
espritos dirigentes da nao; e seus inimigos eram impedidos de lanar o 
desprezo  causa da Reforma, exprobrando a ignorncia ou fraqueza do que a 
mantinha.
Quando ainda no colgio, Wycliffe passou a estudar as Escrituras Sagradas. 
Naqueles primitivos tempos em que a Bblia existia apenas nas lnguas antigas, os 
eruditos estavam habilitados a encontrar o caminho para a fonte da verdade, o 
qual se achava fechado s classes incultas. Assim, j fora preparado o caminho 
para o trabalho futuro de Wycliffe como Reformador.
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Homens de saber haviam estudado a Palavra de Deus e encontrado a grande 
verdade de Sua livre graa, ali revelada. Em seus ensinos tinham disseminado o 
conhecimento desta verdade e levado outros a volver s Sagradas Escrituras.
Quando a ateno de Wycliffe se volveu s Escrituras, passou a pesquis-las com 
a mesma proficincia que o havia habilitado a assenhorear-se da instruo das 
escolas. At ali tinha ele sentido grande necessidade que nem seus estudos 
escolsticos nem o ensino da igreja puderam satisfazer. Na Palavra de Deus 
encontrou o que antes em vo procurara. Ali viu revelado o plano da salvao, e 
Cristo apresentado como nico advogado do homem. Entregou-se ao servio de 
Cristo e decidiu-se a proclamar as verdades que havia descoberto.
Semelhante aos reformadores posteriores, Wycliffe no previu, ao iniciar a sua 
obra, at onde ela o levaria. No se ops deliberadamente a Roma. A dedicao  
verdade, porm, no poderia seno lev-lo a conflito com a falsidade. Quanto mais 
claramente discernia os erros do papado, mais fervorosamente apresentava os 
ensinos da Escritura Sagrada. Via que Roma abandonara a Palavra de Deus pela 
tradio humana; destemidamente acusava o sacerdcio de haver banido as 
Escrituras, e exigia que a Bblia fosse devolvida ao povo e de novo estabelecida 
sua autoridade na igreja. Wycliffe era ensinador hbil e ardoroso, eloqente 
pregador, e sua vida diria era uma demonstrao das verdades que pregava. O 
conhecimento das Escrituras, a fora de seu raciocnio, a pureza de sua vida e sua 
coragem e integridade inflexveis conquistaram-lhe geral estima e confiana. 
Muitas pessoas se tinham tornado descontentes com sua f anterior, ao verem a 
iniqidade que prevalecia na Igreja de Roma, e saudaram com incontida alegria as 
verdades expostas por Wycliffe; mas os dirigentes papais encheram-se de raiva 
quando perceberam que este reformador conquistava maior influncia que a deles 
mesmos.
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Wycliffe era perspicaz descobridor de erros e atacou destemidamente muitos dos 
abusos sancionados pela autoridade de Roma. Quando agia como capelo do rei, 
assumiu ousada atitude contra o pagamento do tributo que o papa pretendia do 
monarca ingls e mostrou que a pretenso papal de autoridade sobre os 
governantes seculares era contrria tanto  razo como  revelao. As exigncias 
do papa tinham excitado grande indignao e os ensinos de Wycliffe exerceram 
influncia sobre o esprito dos dirigentes do pas. O rei e os nobres uniram-se em 
negar as pretenses do pontfice  autoridade temporal, e na recusa do pagamento 
do tributo. Destarte, um golpe eficaz foi desferido contra a supremacia papal na 
Inglaterra.
Outro mal contra que o reformador sustentou longa e resoluta batalha, foi a 
instituio das ordens dos frades mendicantes. Estes frades enxameavam na 
Inglaterra, lanando uma ndoa  grandeza e prosperidade da nao. A indstria, 
a educao, a moral, tudo sentia a influncia debilitante. A vida de ociosidade e 
mendicidade dos monges no s era grande escoadouro dos recursos do povo, mas 
lanava o desdm ao trabalho til. A juventude se desmoralizava e corrompia. Pela 
influncia dos frades muitos eram induzidos a entrar para o claustro e dedicar-se  
vida monstica, e isto no s sem o consentimento dos pais, mas mesmo sem seu 
conhecimento e contra as suas ordens. Um dos primitivos padres da Igreja de 
Roma, insistindo sobre as exigncias do monasticismo acima das obrigaes do 
amor e dever filial, declarou: Ainda que teu pai se encontrasse deitado diante de 
tua porta, chorando e lamentando, e a tua me te mostrasse o corpo que te 
carregou e os seios que te nutriram, t-los-s de pisar a ps e ir avante 
diretamente a Cristo. Por esta monstruosa desumanidade, como mais tarde 
Lutero a denominou, que cheira mais a lobo e a tirano do que a cristo ou 
homem, empedernia-se o corao dos filhos contra os pais.  Vida de Lutero, de 
Barnas Sears.
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Assim, os dirigentes papais, como os fariseus de outrora, tornavam sem efeito o 
mandamento de Deus, com a sua tradio. Assim se desolavam lares, e pais 
ficavam privados da companhia dos filhos e filhas.
Mesmo os estudantes das universidades eram enganados pelas falsas 
representaes dos monges, e induzidos a unir-se s suas ordens. Muitos mais 
tarde se arrependiam deste passo, vendo que haviam prejudicado sua prpria vida 
e causado tristeza aos pais; mas, uma vez presos na armadilha, era-lhes 
impossvel obter liberdade. Muitos pais, temendo a influncia dos monges, 
recusavam-se a enviar os filhos s universidades. Houve assinalada reduo no 
nmero de estudantes que freqentavam os grandes centros de ensino. As escolas 
feneciam e prevalecia a ignorncia.
O papa conferira a esses monges a faculdade de ouvir confisses e conceder 
perdo. Isto se tornou fonte de grandes males. Inclinados a aumentar seus lucros, 
os frades estavam to dispostos a conceder absolvio que criminosos de todas as 
espcies a eles recorriam e, como resultado, aumentaram rapidamente os vcios 
mais detestveis. Os doentes e os pobres eram deixados a sofrer, enquanto os 
donativos que lhes deveriam suavizar as necessidades, iam para os monges que 
com ameaas exigiam esmolas do povo, denunciando a impiedade dos que 
retivessem os donativos de suas ordens. Apesar de sua profisso de pobreza, a 
riqueza dos frades aumentava constantemente e seus suntuosos edifcios e lautas 
mesas tornavam mais notria a pobreza crescente da nao. E enquanto 
despendiam o tempo em luxo e prazeres, enviavam em seu lugar homens 
ignorantes que apenas podiam narrar histrias maravilhosas, lendas, pilhrias para 
divertir o povo e torn-lo ainda mais completamente iludido pelos monges. 
Contudo, os frades continuavam a manter o domnio sobre as multides 
supersticiosas, e a lev-las a crer que todo dever religioso se resumia em 
reconhecer a supremacia do papa, adorar os santos e fazer donativos aos monges, 
e que isto era suficiente para lhes garantir lugar no Cu.
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Homens de saber e piedade haviam trabalhado em vo para efetuar uma reforma 
nessas ordens monsticas; Wycliffe, porm, com intuio mais clara, feriu o mal 
pela raiz, declarando que a prpria organizao era falsa e que deveria ser abolida. 
Despertavam-se discusses e indagaes. Atravessando os monges o pas, 
vendendo perdes do papa, muitos foram levados a duvidar da possibilidade de 
comprar perdo com dinheiro e suscitaram a questo se no deveriam antes 
buscar de Deus o perdo em vez de busc-lo do pontfice de Roma. No poucos se 
alarmavam com a capacidade dos frades, cuja avidez parecia nunca se satisfazer. 
Os monges e sacerdotes de Roma, diziam eles, esto-nos comendo como um 
cncer. Deus nos deve livrar, ou o povo perecer.  DAubign. Para encobrir sua 
avareza, pretendiam os monges mendicantes seguir o exemplo do Salvador, 
declarando que Jesus e Seus discpulos haviam sido sustentados pela caridade do 
povo. Esta pretenso resultou em prejuzo de sua causa, pois levou muitos  
Escritura Sagrada, a fim de saberem por si mesmos a verdade  resultado que de 
todos os outros era o menos desejado de Roma. A mente dos homens foi dirigida  
Fonte da verdade, que era o objetivo de Roma ocultar.
Wycliffe comeou a escrever e publicar folhetos contra os frades, porm no tanto 
procurando entrar em discusso com eles como despertando o esprito do povo aos 
ensinos da Bblia e seu Autor. Ele declarava que o poder do perdo ou 
excomunho no o possua o papa em maior grau do que os sacerdotes comuns, e 
que ningum pode ser verdadeiramente excomungado a menos que primeiro haja 
trazido sobre si a condenao de Deus. De nenhuma outra maneira mais eficaz 
poderia ele ter empreendido a demolio da gigantesca estrutura de domnio 
espiritual e temporal que o papa erigira, e em que alma e corpo de milhes se 
achavam retidos em cativeiro.
De novo foi Wycliffe chamado para defender os direitos da coroa inglesa contra as 
usurpaes de Roma; e, sendo designado embaixador real, passou dois anos na 
Holanda, em conferncia com os emissrios do papa. Ali entrou em contato com
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eclesisticos da Frana, Itlia e Espanha, e teve oportunidade de devassar os 
bastidores e informar-se de muitos fatos que lhe teriam permanecido ocultos na 
Inglaterra. Aprendeu muita coisa que o orientaria em seus trabalhos posteriores. 
Naqueles representantes da corte papal lia ele o verdadeiro carter e objetivos da 
hierarquia. Voltou para a Inglaterra a fim de repetir mais abertamente e com 
maior zelo seus ensinos anteriores, declarando que a cobia, o orgulho e o engano 
eram os deuses de Roma.
Num de seus folhetos disse ele, falando do papa e seus coletores: Retiram de 
nosso pas os meios de subsistncia dos pobres, e muitos milhares de marcos, 
anualmente, do dinheiro do rei, para sacramentos e coisas espirituais, o que  
amaldioada heresia de simonia, e fazem com que toda a cristandade consinta 
nesta heresia e a mantenha. E, na verdade, ainda que nosso reino tivesse uma 
gigantesca montanha de ouro, e nunca homem algum dali tirasse a no ser 
somente o coletor deste orgulhoso e mundano sacerdote, com o tempo ela se 
esgotaria; pois sempre ele tira dinheiro de nosso pas e nada devolve a no ser a 
maldio de Deus pela sua simonia.  Histria da Vida e Sofrimentos de J. 
Wycliffe, do Rev. Joo Lewis.
Logo depois de sua volta  Inglaterra, Wycliffe recebeu do rei nomeao para a 
reitoria de Lutterworth. Isto correspondia a uma prova de que o monarca ao 
menos no se desagradara de sua maneira franca no falar. A influncia de Wycliffe 
foi sentida no moldar a ao da corte, bem como a crena da nao.
Os troves papais logo se desencadearam contra ele. Trs bulas foram expedidas 
para a Inglaterra: para a universidade, para o rei e para os prelados, ordenando 
todas as medidas imediatas e decisivas para fazer silenciar o ensinador de 
heresias. Antes da chegada das bulas, porm, os bispos, em seu zelo, intimaram 
Wycliffe a comparecer perante eles para julgamento. Entretanto, dois dos mais 
poderosos prncipes do reino o acompanharam ao tribunal; e o povo, rodeando o 
edifcio e invadindo-o, intimidou de tal maneira os juzes que
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o processo foi temporariamente suspenso, sendo-lhe permitido ir-se em paz. Um 
pouco mais tarde faleceu Eduardo III, a quem em sua idade avanada os prelados 
estavam procurando influenciar contra o reformador, e o anterior protetor de 
Wycliffe tornou-se regente do reino.
Mas a chegada das bulas papais trazia para toda a Inglaterra a ordem peremptria 
de priso e encarceramento do herege. Estas medidas indicavam de maneira 
direta a fogueira. Parecia certo que Wycliffe logo deveria cair vtima da vingana 
de Roma. Mas Aquele que declarou outrora a algum: No temas,  Eu sou teu 
escudo (Gn. 15:1), de novo estendeu a mo para proteger Seu servo. A morte 
veio, no para o reformador, mas para o pontfice que lhe decretara destruio. 
Gregrio XI morreu, e dispersaram-se os eclesisticos que se haviam reunido para 
o processo de Wycliffe.
A providncia de Deus encaminhou ainda mais os acontecimentos para dar 
oportunidade ao desenvolvimento da Reforma. A morte de Gregrio foi seguida da 
eleio de dois papas rivais. Dois poderes em conflito, cada um se dizendo 
infalvel, exigiam agora obedincia. Cada qual apelava para os fiis a fim de o 
ajudarem a fazer guerra contra o outro, encarecendo suas exigncias com terrveis 
antemas contra os adversrios e promessas de recompensas no Cu aos que o 
apoiavam. Esta ocorrncia enfraqueceu grandemente o poderio do papado. As 
faces rivais fizeram tudo que podiam para atacar uma a outra, e durante algum 
tempo Wycliffe teve repouso. Antemas e recriminaes voavam de um papa a 
outro, e derramavam-se torrentes de sangue para sustentar suas pretenses em 
conflito. Crimes e escndalos inundavam a igreja. Nesse nterim, o reformador, no 
silencioso retiro de sua parquia de Lutterworth, estava trabalhando 
diligentemente para, dos papas contendores, dirigir os homens a Jesus, o Prncipe 
da paz.
O cisma, com toda a contenda e corrupo que produziu, preparou o caminho para 
a Reforma, habilitando o povo a ver o que o papado realmente era. Num folheto 
que publicou  Sobre o
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Cisma dos Papas  Wycliffe apelou para o povo a fim de que considerasse se esses 
dois sacerdotes estavam a falar a verdade ao condenarem um ao outro como o 
anticristo. Deus, disse ele, no mais quis consentir que o demnio reinasse em 
um nico sacerdote tal, mas fez diviso entre dois, de modo que os homens, em 
nome de Cristo, possam mais facilmente venc-los a ambos.  Vida e Opinies de 
Joo Wycliffe, de Vaughan.
Wycliffe, a exemplo de seu Mestre, pregou o evangelho aos pobres. No contente 
com espalhar a luz nos lares humildes em sua prpria parquia de Lutterworth, 
concluiu que ela deveria ser levada a todas as partes da Inglaterra. Para realizar 
isto organizou um corpo de pregadores, homens simples e dedicados, que amavam 
a verdade e nada desejavam tanto como o propag-la. Estes homens iam por toda 
parte, ensinando nas praas, nas ruas das grandes cidades e nos atalhos do 
interior. Procuravam os idosos, os doentes e os pobres, e desvendavam-lhes as 
alegres novas da graa de Deus.
Como professor de teologia em Oxford, Wycliffe pregou a Palavra de Deus nos 
sales da universidade. To fielmente apresentava ele a verdade aos estudantes 
sob sua instruo, que recebeu o ttulo de Doutor do Evangelho.
Mas a maior obra da vida de Wycliffe deveria ser a traduo das Escrituras para a 
lngua inglesa. Num livro  Sobre a Verdade e Sentido das Escrituras  exprimiu a 
inteno de traduzir a Bblia, de maneira que todos na Inglaterra pudessem ler, na 
lngua materna, as maravilhosas obras de Deus.
Subitamente, porm, interromperam-se as suas atividades. Posto que no tivesse 
ainda sessenta anos de idade, o trabalho incessante, o estudo e os assaltos dos 
inimigos haviam posto  prova suas foras, tornando-o prematuramente velho. Foi 
atacado de perigosa enfermidade. A notcia disto proporcionou grande alegria aos 
frades. Pensavam ento que se arrependeria amargamente do mal que tinha feito 
 igreja e precipitaram-se ao seu quarto para ouvir-lhe a confisso. 
Representantes das quatro ordens religiosas, com quatro oficiais civis, reuniram-se
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em redor do suposto moribundo. Tendes a morte em vossos lbios, diziam; 
comovei-vos com as vossas faltas, e retratai em nossa presena tudo que 
dissestes para ofensa nossa. O reformador ouviu em silncio; mandou ento seu 
assistente levant-lo no leito e, olhando fixamente para eles enquanto 
permaneciam esperando a retratao, naquela voz firme e forte que tantas vezes 
os havia feito tremer, disse: No hei de morrer, mas viver, e novamente 
denunciar as ms aes dos frades.  DAubign. Espantados e confundidos, 
saram os monges apressadamente do quarto.
Cumpriram-se as palavras de Wycliffe. Viveu a fim de colocar nas mos de seus 
compatriotas a mais poderosa de todas as armas contra Roma, isto , dar-lhes a 
Escritura Sagrada, o meio indicado pelo Cu para libertar, esclarecer e evangelizar 
o povo. Muitos e grandes obstculos havia a vencer na realizao dessa obra. 
Wycliffe achava-se sobrecarregado de enfermidades; sabia que apenas poucos 
anos lhe restavam para o trabalho; via a oposio que teria de enfrentar; mas, 
animado pelas promessas da Palavra de Deus, foi avante sem intimidar-se de coisa 
alguma. Quando em pleno vigor de suas capacidades intelectuais, rico em 
experincias, foi ele preservado e preparado por especial providncia de Deus para 
esse trabalho  o maior por ele realizado. Enquanto a cristandade se envolvia em 
tumultos, o reformador em sua reitoria de Lutterworth, alheio  tempestade que 
fora esbravejava, dedicava-se  tarefa que escolhera.
Concluiu-se, por fim, o trabalho: a primeira traduo inglesa que j se fizera da 
Escritura Sagrada. A Palavra de Deus estava aberta para a Inglaterra. O 
reformador no temia agora priso ou fogueira. Colocara nas mos do povo ingls 
uma luz que jamais se extinguiria. Dando a Bblia aos seus compatriotas, fizera 
mais no sentido de quebrar os grilhes da ignorncia e do vcio, mais para libertar 
e enobrecer seu pas, do que j se conseguira pelas mais brilhantes vitrias nos 
campos de batalha.
Sendo ainda desconhecida a arte de imprimir, era unicamente por trabalho moroso 
e fatigante que se podiam multiplicar os exemplares da Escritura Sagrada. To 
grande era o interesse por
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se obter o Livro, que muitos voluntariamente se empenharam na obra de o 
transcrever; mas era com dificuldade que os copistas podiam atender aos pedidos. 
Alguns dos mais ricos compradores desejavam a Bblia toda. Outros compravam 
apenas parte. Em muitos casos vrias famlias se uniam para comprar um 
exemplar. Assim, a Bblia de Wycliffe logo teve acesso aos lares do povo.
O apelo para a razo despertou os homens de sua submisso passiva aos dogmas 
papais. Wycliffe ensinava agora doutrinas distintivas do protestantismo: salvao 
pela f em Cristo, e a infalibilidade das Escrituras unicamente. Os pregadores que 
enviara disseminaram a Bblia, juntamente com os escritos do reformador, e com 
xito tal que a nova f foi aceita por quase metade do povo da Inglaterra.
O aparecimento das Escrituras produziu estupefao s autoridades da igreja. 
Tinham agora de enfrentar um fator mais poderoso do que Wycliffe, fator contra o 
qual suas armas pouco valeriam. No havia nesta ocasio na Inglaterra lei alguma 
proibindo a Bblia, pois nunca dantes fora ela publicada na lngua do povo. 
Semelhantes leis foram depois feitas e rigorosamente executadas. Entretanto, 
apesar dos esforos dos padres, houve durante algum tempo oportunidade para a 
circulao da Palavra de Deus.
Novamente os chefes papais conspiraram para fazer silenciar a voz do reformador. 
Perante trs tribunais foi ele sucessivamente chamado a juzo, mas sem proveito. 
Primeiramente um snodo de bispos declarou herticos os seus escritos e, 
ganhando o jovem rei Ricardo II para o seu lado, obtiveram um decreto real 
sentenciando  priso todos os que professassem as doutrinas condenadas.
Wycliffe apelou do snodo para o Parlamento; destemidamente acusou a hierarquia 
perante o conselho nacional e pediu uma reforma dos enormes abusos 
sancionados pela igreja. Com poder convincente, descreveu as usurpaes e 
corrupes da s papal. Seus inimigos ficaram confusos. Os que eram amigos de 
Wycliffe e o apoiavam, tinham sido obrigados
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a ceder, e houvera a confiante expectativa de que o prprio reformador, em sua 
avanada idade, s e sem amigos, curvar-se-ia ante a autoridade combinada da 
coroa e da tiara. Mas, em vez disso, os adeptos de Roma viram-se derrotados. O 
Parlamento, despertado pelos estimuladores apelos de Wycliffe, repeliu o edito 
perseguidor e o reformador foi novamente posto em liberdade.
Pela terceira vez foi ele chamado a julgamento, e agora perante o mais elevado 
tribunal eclesistico do reino. Ali no se mostraria favor algum para com a heresia. 
Ali, finalmente, Roma triunfaria e a obra do reformador seria detida. Assim 
pensavam os romanistas. Se to-somente cumprissem seu propsito, Wycliffe 
seria obrigado a renunciar suas doutrinas, ou sairia da corte diretamente para as 
chamas.
Wycliffe, porm, no se retratou; no usou de dissimulao. Destemidamente 
sustentou seus ensinos e repeliu as acusaes de seus perseguidores. Perdendo de 
vista a si prprio, sua posio e o momento, citou os ouvintes perante o tribunal 
divino, e pesou seus sofismas e enganos na balana da verdade eterna. Sentiu-se 
o poder do Esprito Santo na sala do conclio. Os ouvintes ficaram como que 
fascinados. Pareciam no ter foras para deixar o local. Como setas da aljava do 
Senhor, as palavras do reformador penetravam-lhes a alma. A acusao da heresia 
que contra ele haviam formulado, com poder convincente reverteu contra eles 
mesmos. Por que, perguntava ele, ousavam espalhar seus erros? Por amor do 
lucro, para da graa de Deus fazerem mercadoria?
Com quem, disse finalmente, julgais estar a contender? com um ancio s 
bordas da sepultura? No! com a Verdade  Verdade que  mais forte do que vs, 
e vos vencer.  Wylie. Assim dizendo, retirou-se da assemblia e nenhum de 
seus adversrios tentou impedi-lo.
A obra de Wycliffe estava quase terminada; a bandeira da verdade que durante 
tanto tempo empunhara, logo lhe deveria cair da mo; mas, uma vez mais, 
deveria ele dar testemunho do
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evangelho. A verdade devia ser proclamada do prprio reduto do reino do erro. 
Wycliffe foi chamado a julgamento perante o tribunal papal em Roma, o qual 
tantas vezes derramara o sangue dos santos. No ignorava o perigo que o 
ameaava; contudo, teria atendido  chamada se um ataque de paralisia lhe no 
houvesse tornado impossvel efetuar a viagem. Mas, se bem que sua voz no 
devesse ser ouvida em Roma, poderia falar por carta, e isto se decidiu a fazer. De 
sua reitoria o reformador escreveu ao papa uma carta que, conquanto respeitosa 
nas expresses e crist no esprito, era incisiva censura  pompa e orgulho da s 
papal.
Em verdade me regozijo, disse, por manifestar e declarar a todo homem a f 
que mantenho, e especialmente ao bispo de Roma, o qual, como suponho ser 
ntegro e verdadeiro, de mui boa vontade confirmar minha dita f, ou, se  ela 
errnea, corrigi-la-.
Em primeiro lugar, creio que o evangelho de Cristo  o corpo todo da lei de Deus. 
 Declaro e sustento que o bispo de Roma, desde que se considera o vigrio de 
Cristo aqui na Terra, est obrigado, mais do que todos os outros homens,  lei do 
evangelho. Pois a grandeza entre os discpulos de Cristo no consistia na dignidade 
e honras mundanas, mas em seguir rigorosamente, e de perto, a Cristo em Sua 
vida e maneiras.  Jesus, durante o tempo de Sua peregrinao na Terra, foi 
homem pauprrimo, desdenhando e lanando de Si todo o domnio e honra 
mundanos. 
Nenhum homem fiel deveria seguir quer ao prprio papa, quer a qualquer dos 
santos, a no ser nos pontos em que seguirem ao Senhor Jesus Cristo; pois Pedro 
e os filhos de Zebedeu, desejando honras mundanas, contrrias ao seguimento 
dos passos de Cristo, erraram, e portanto nestes erros no devem ser seguidos. 
O papa deve deixar ao poder secular todo o domnio e governo temporal, e neste 
sentido exortar e persuadir eficazmente todo o clero; pois assim fez Cristo, e 
especialmente por Seus apstolos. Por conseguinte, se errei em qualquer destes 
pontos,
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submeter-me-ei muito humildemente  correo, mesmo pela morte, se assim for 
necessrio; e se eu pudesse agir segundo minha vontade ou desejo, certamente 
me apresentaria em pessoa perante o bispo de Roma; mas o Senhor determinou o 
contrrio, e ensinou-me a obedecer antes a Deus do que aos homens.
Finalizando, disse: Oremos a nosso Deus para que Ele de tal maneira influencie 
nosso papa Urbano VI, conforme j comeou a fazer, que juntamente com o clero 
possa seguir ao Senhor Jesus Cristo na vida e nos costumes, e com eficcia 
ensinar o povo, e que eles de igual maneira, fielmente os sigam nisso.  Atos e 
Monumentos, de Foxe.
Assim Wycliffe apresentou ao papa e aos cardeais a mansido e humildade de 
Cristo, mostrando no somente a eles mesmos, mas a toda a cristandade, o 
contraste entre eles e o Mestre, a quem professavam representar.
Wycliffe esperava plenamente que sua vida seria o preo de sua fidelidade. O rei, 
o papa e os bispos estavam unidos para lev-lo a runa, e parecia certo que, 
quando muito, em poucos meses o levariam  fogueira. Mas sua coragem no se 
abalou. Por que falais em procurar longe a coroa do martrio? dizia. Pregai o 
evangelho de Cristo aos altivos prelados e o martrio no vos faltar. Qu! viveria 
eu e estaria silencioso?  Nunca! Venha o golpe, eu o estou aguardando.  
DAubign.
Mas Deus, em Sua providncia, ainda escudou a Seu servo. O homem que durante 
toda a vida permanecera ousadamente na defesa da verdade, diariamente em 
perigo de vida, no deveria cair vtima do dio de seus adversrios. Wycliffe nunca 
procurara escudar-se a si mesmo, mas o Senhor lhe fora o protetor; e agora, 
quando seus inimigos julgavam segura a presa, a mo de Deus o removeu para 
alm de seu alcance. Em sua igreja, em Lutterworth, na ocasio em que ia 
ministrar a comunho, caiu atacado de paralisia, e em pouco tempo rendeu a vida.
Deus designara a Wycliffe a sua obra. Pusera-lhe na boca a
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Palavra da verdade e dispusera uma guarda a seu redor para que esta Palavra 
pudesse ir ao povo. A vida fora-lhe protegida e seus trabalhos se prolongaram, at 
ser lanado o fundamento para a grande obra da Reforma.
Wycliffe sara das trevas da Idade Mdia. Ningum havia que tivesse vivido antes 
dele, por meio de cuja obra pudesse modelar seu sistema de reforma. Suscitado 
como Joo Batista para cumprir uma misso especial, foi ele o arauto de uma nova 
era. Contudo, no sistema de verdades que apresentava, havia uma unidade e 
perfeio que os reformadores que o seguiram no excederam e que alguns no 
atingiram, mesmo cem anos mais tarde. To amplo e profundo foi posto o 
fundamento, to firme e verdadeiro o arcabouo, que no foi necessrio serem 
reconstrudos pelos que depois dele vieram.
O grande movimento inaugurado por Wycliffe, o qual deveria libertar a conscincia 
e o intelecto e deixar livres as naes, durante tanto tempo jungidas ao carro 
triunfal de Roma, teve sua fonte na Escritura Sagrada. Ali se encontrava a origem 
da corrente de bem-aventurana, que, como a gua da vida, tem manado durante 
geraes desde o sculo XIV. Wycliffe aceitava as Sagradas Escrituras com 
implcita f, como a inspirada revelao da vontade de Deus, como suficiente regra 
de f e prtica. Fora educado de modo a considerar a Igreja de Roma como 
autoridade divina, infalvel, e aceitar com indiscutvel reverncia os ensinos e 
costumes estabelecidos havia um milnio; mas de tudo isto se desviou para ouvir 
a santa Palavra de Deus. Esta era a autoridade que ele insistia com o povo para 
que reconhecesse. Em vez da igreja falando pelo papa, declarou ser a nica 
verdadeira autoridade a voz de Deus falando por Sua Palavra. E no somente 
ensinava que a Bblia  a perfeita revelao da vontade de Deus, mas que o 
Esprito Santo  o seu nico intrprete, e que todo homem, pelo estudo de seus 
ensinos, deve aprender por si prprio o dever. Desta maneira fazia volver o 
esprito, do papa e da igreja de Roma, para a Palavra de Deus.
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Pg. 94
Wycliffe foi um dos maiores reformadores. Na amplido de seu intelecto, clareza 
de pensamentos, firmeza em manter a verdade e ousadia para defend-la, por 
poucos dos que aps ele vieram foi igualado. Pureza de vida, incansvel diligncia 
no estudo e trabalho, incorruptvel integridade, amor e fidelidade crist no 
ministrio caracterizaram o primeiro dos reformadores. E isto apesar das trevas 
intelectuais e corrupo moral da poca de que ele emergiu.
O carter de Wycliffe  testemunho do poder educador e transformador das 
Sagradas Escrituras. Foram estas que dele fizeram o que foi. O esforo para 
aprender as grandes verdades da revelao, comunica frescor e vigor a todas as 
faculdades. Expande a mente, agua a percepo, amadurece o juzo. O estudo da 
Bblia enobrece a todo pensamento, sentimento e aspirao, como nenhum outro 
estudo o pode fazer. D estabilidade de propsitos, pacincia, coragem e fortaleza; 
aperfeioa o carter e santifica a alma. O esquadrinhar fervoroso e reverente das 
Escrituras, pondo o esprito do estudante em contato direto com a mente infinita, 
daria ao mundo homens de intelecto mais forte e mais ativo, bem como de 
princpios mais nobres, do que os que j existiram como resultado do mais hbil 
ensino que proporciona a filosofia humana. A exposio das Tuas palavras d luz, 
diz o salmista; d entendimento aos smplices. Sal. 119:130.
As doutrinas ensinadas por Wycliffe continuaram durante algum tempo a espalhar-
se; seus seguidores, conhecidos como wyclifitas e lolardos, no somente encheram 
a Inglaterra, mas espalharam-se em outros pases, levando o conhecimento do 
evangelho. Agora que seu guia fora tomado dentre os vivos, os pregadores 
trabalhavam com zelo maior do que antes, e multides se congregavam para ouvi-
los. Alguns da nobreza e mesmo a esposa do rei se encontravam entre os 
conversos. Em muitos lugares houve assinalada reforma nos costumes do povo, e 
os smbolos do romanismo foram removidos das igrejas. Logo, porm, a impiedosa 
tempestade da perseguio irrompeu sobre os que haviam ousado aceitar a 
Escritura Sagrada
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como guia. Os monarcas ingleses, vidos de aumentar seu poder mediante o apoio 
de Roma, no hesitaram em sacrificar os reformadores. Pela primeira vez na 
histria da Inglaterra a fogueira foi decretada contra os discpulos do evangelho. 
Martrios sucederam a martrios. Os defensores da verdade, proscritos e 
torturados, podiam to-somente elevar seus clamores ao ouvido do Senhor dos 
exrcitos. Perseguidos como inimigos da igreja e traidores do reino, continuaram a 
pregar em lugares secretos, encontrando abrigo o melhor que podiam nos 
humildes lares dos pobres, e muitas vezes refugiando-se mesmo em brenhas e 
cavernas.
Apesar da fria da perseguio, durante sculos continuou a ser proferido um 
protesto calmo, devoto, fervoroso, paciente, contra as dominantes corrupes da 
f religiosa. Os crentes daqueles primitivos tempos tinham apenas conhecimento 
parcial da verdade, mas haviam aprendido a amar e obedecer  Palavra de Deus, e 
pacientemente sofriam por sua causa. Como os discpulos dos dias apostlicos, 
muitos sacrificavam suas posses deste mundo pela causa de Cristo. Aqueles a 
quem era permitido permanecer em casa, abrigavam alegremente os irmos 
banidos; e, quando eles tambm eram expulsos, animosamente aceitavam a sorte 
dos proscritos. Milhares,  verdade, aterrorizados pela fria dos perseguidores, 
compravam a liberdade com sacrifcio da f, e saam das prises vestidos com a 
roupa dos penitentes, a fim de publicar sua abjurao. Mas no foi pequeno o 
nmero  e entre estes havia homens de nascimento nobre bem como humildes e 
obscuros  dos que deram destemido testemunho da verdade nos cubculos dos 
crceres, nas Torres dos Lolardos, e em meio de tortura e chamas, regozijando-
se de que tivessem sido considerados dignos de conhecer a comunicao de Suas 
aflies.
Os romanistas no haviam conseguido executar sua vontade em relao a Wycliffe 
durante a vida deste, e seu dio no se satisfez enquanto o corpo do reformador 
repousasse em sossego na sepultura. Por decreto do conclio de Constana, mais 
de quarenta anos depois de sua morte, seus ossos foram exumados e 
publicamente queimados, e as cinzas lanadas em um riacho vizinho.
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Esse riacho, diz antigo escritor, levou suas cinzas para o Avon, o Avon para o 
Severn, o Severn para os pequenos mares, e estes para o grande oceano. E assim 
as cinzas de Wycliffe so o emblema de sua doutrina, que hoje est espalhada 
pelo mundo inteiro.  Histria Eclesistica da Bretanha, de T. Fuller. Pouco 
imaginaram os inimigos a significao de seu ato perverso.
Foi mediante os escritos de Wycliffe que Joo Huss, da Bomia, foi levado a 
renunciar a muitos erros do romanismo e entrar na obra da Reforma. E assim  
que nesses dois pases to grandemente separados, foi lanada a semente da 
verdade. Da Bomia a obra estendeu-se para outras terras. O esprito dos homens 
foi dirigido para a Palavra de Deus, havia tanto esquecida. A mo divina estava a 
preparar o caminho para a Grande Reforma.
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Dois Heris da Idade Mdia
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O Evangelho fora implantado na Bomia j no sculo IX. A Bblia achava-se 
traduzida, e o culto pblico era celebrado na lngua do povo. Mas,  medida que 
aumentava o poderio do papa, a Palavra de Deus se obscurecia. Gregrio VII, que 
tomara a si o abater o orgulho dos reis, no tinha menos intenes de escravizar o 
povo, e de acordo com isto expediu uma bula proibindo que o culto pblico fosse 
dirigido na lngua bomia. O papa declarava ser agradvel ao Onipotente que Seu 
culto fosse celebrado em lngua desconhecida, e que muitos males e heresias 
haviam surgido por no se observar esta regra.  Wylie. Assim Roma decretava 
que a luz da Palavra de Deus se extinguisse e o povo fosse encerrado em trevas. O 
Cu havia provido outros fatores para a preservao da igreja. Muitos dos 
valdenses e albigenses, pela perseguio expulsos de seus lares na Frana, e 
Itlia, foram  Bomia. Posto que no ousassem ensinar abertamente, zelosos 
trabalhavam em segredo. Assim se preservou a verdadeira f de sculo em sculo.
Antes dos dias de Huss, houve na Bomia homens que se levantaram para 
condenar abertamente a corrupo na igreja e a dissoluo do povo. Seus 
trabalhos despertaram interesse que se estendeu largamente. Suscitaram-se os 
temores da hierarquia e iniciou-se a perseguio contra os discpulos do 
evangelho.
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Compelidos a fazer seu culto nas florestas e montanhas, davam-lhes caa os 
soldados, e muitos foram mortos. Depois de algum tempo se decretou que todos 
os que se afastassem do culto romano deviam ser queimados. Mas, enquanto os 
cristos rendiam a vida, olhavam  frente para a vitria de sua causa. Um dos que 
ensinavam que a salvao s se encontra pela f no Salvador crucificado, 
declarou ao morrer: A fria dos inimigos da verdade agora prevalece contra ns, 
mas no ser para sempre; levantar-se- um dentre o povo comum, sem espada 
nem autoridade, e contra ele no podero prevalecer.  Wylie. O tempo de Lutero 
estava ainda muito distante; mas j se erguia algum, cujo testemunho contra 
Roma abalaria as naes.
Joo Huss era de humilde nascimento e cedo ficou rfo pela morte do pai. Sua 
piedosa me, considerando a educao e o temor de Deus como a mais valiosa das 
posses, procurou assegurar esta herana para o filho. Huss estudou na escola da 
provncia, passando depois para a Universidade de Praga, onde teve admisso 
gratuita como estudante pobre. Foi acompanhado na viagem por sua me; viva e 
pobre, no possua ddivas nem riquezas mundanas para conferir ao filho; mas, 
aproximando-se eles da grande cidade, ajoelhou-se ela ao lado do jovem sem pai, 
e invocou-lhe a bno do Pai celestial. Pouco imaginara aquela me como deveria 
sua orao ser atendida.
Na Universidade, Huss logo se distinguiu pela sua incansvel aplicao e rpidos 
progressos, enquanto a vida irrepreensvel e modos afveis e simpticos lhe 
conquistaram estima geral. Era sincero adepto da igreja de Roma, e 
fervorosamente buscava as bnos espirituais que ela professa conferir. Na 
ocasio de um jubileu, foi  confisso, pagou as ltimas poucas moedas de seus 
minguados recursos, e tomou parte nas procisses, a fim de poder participar da 
absolvio prometida. Depois de completar o curso colegial, entrou para o 
sacerdcio e, atingindo rapidamente  eminncia, foi logo chamado  corte
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do rei. Tornou-se tambm professor e mais tarde reitor da Universidade em que 
recebera educao. Em poucos anos o humilde estudante, que de favor se 
educara, tornou-se o orgulho de seu pas e seu nome teve fama em toda a Europa.
Foi, porm, em outro campo que Huss comeou a obra da reforma. Vrios anos 
aps haver recebido a ordenao sacerdotal, foi nomeado pregador da capela de 
Belm. O fundador desta capela defendera, como assunto de grande importncia, 
a pregao das Escrituras na lngua do povo. Apesar da oposio de Roma a esta 
prtica, ela no se interrompeu completamente na Bomia. Havia, porm, grande 
ignorncia das Escrituras, e os piores vcios prevaleciam entre o povo de todas as 
classes. Estes males Huss denunciou largamente, apelando para a Palavra de Deus 
a fim de encarecer os princpios da verdade e pureza por ele pregados.
Um cidado de Praga, Jernimo, que depois se tornou intimamente ligado a Huss, 
trouxera consigo, ao voltar da Inglaterra, os escritos de Wycliffe. A rainha da 
Inglaterra, que se convertera aos ensinos de Wycliffe, era uma princesa bomia, e 
por sua influncia as obras do reformador foram tambm amplamente divulgadas 
em seu pas natal. Estas obras lera-as Huss com interesse; cria que seu autor era 
cristo sincero e inclinava-se a considerar favoravelmente as reformas que 
advogava. Huss, conquanto no o soubesse, entrara j em caminho que o levaria 
longe de Roma.
Por esse tempo chegaram a Praga dois estrangeiros da Inglaterra, homens de 
saber, que tinham recebido a luz, e haviam chegado para espalh-la naquela terra 
distante. Comeando com um ataque aberto  supremacia do papa, foram logo 
pelas autoridades levados a silenciar; mas, no estando dispostos a abandonar seu 
propsito, recorreram a outras medidas. Sendo artistas, bem como pregadores, 
prosseguiam pondo em prtica a sua habilidade. Em local franqueado ao pblico 
pintaram dois quadros. Um representava a entrada de
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Cristo em Jerusalm, manso, e assentado sobre uma jumenta (Mat. 21:5), e 
seguido de Seus discpulos, descalos e com trajes gastos pelas viagens. O outro 
estampava uma procisso pontifical: o papa adornado com ricas vestes e trplice 
coroa, montando cavalo, magnificamente adornado, precedido de trombeteiros, e 
seguido pelos cardeais e prelados em deslumbrante pompa.
Ali estava um sermo que prendeu a ateno de todas as classes. Multides 
vieram contemplar os desenhos. Ningum deixara de compreender a moral, e 
muitos ficaram profundamente impressionados pelo contraste entre a mansido e 
humildade de Cristo, o Mestre, e o orgulho e arrogncia do papa, Seu servo 
professo. Houve grande comoo em Praga, e os estrangeiros, depois de algum 
tempo, acharam necessrio partir, para sua prpria segurana. Mas a lio que 
haviam ensinado no ficou esquecida. Os quadros causaram profunda impresso 
no esprito de Huss, levando-o a um estudo mais acurado da Bblia e dos escritos 
de Wycliffe. Embora ainda no estivesse preparado para aceitar todas as reformas 
defendidas por Wycliffe, via mais claramente o verdadeiro carter do papado, e 
com maior zelo denunciava o orgulho, a ambio e corrupo da hierarquia.
Da Bomia a luz estendeu-se  Alemanha, pois perturbaes havidas na 
Universidade de Praga determinaram a retirada de centenas de estudantes 
alemes. Muitos deles tinham recebido de Huss seu primeiro conhecimento da 
Escritura Sagrada e, ao voltarem, espalharam o evangelho em sua ptria.
Notcias da obra em Praga foram levadas a Roma, e Huss foi logo chamado a 
comparecer perante o papa. Obedecer seria expor-se  morte certa. O rei e a 
rainha da Bomia, a Universidade, membros da nobreza e oficiais do governo, 
uniram-se num apelo ao pontfice para que fosse permitido a Huss permanecer em 
Praga e responder a Roma por meio de delegao. Em vez de atender a este 
pedido, o papa procedeu ao processo e condenao de Huss, declarando ento 
achar-se interditada a cidade de Praga.
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Naquela poca, esta sentena, quando quer que fosse pronunciada, despertava 
geral alarma. As cerimnias que a acompanhavam, eram de molde a encher de 
terror ao povo que considerava o papa como representante do prprio Deus, tendo 
as chaves do Cu e do inferno, e possuindo poder para invocar juzos temporais 
bem como espirituais. Acreditava-se que as portas do Cu se fechavam contra a 
regio atingida pelo interdito; que, at que o papa fosse servido remover a 
excomunho, os mortos eram excludos das moradas da bem-aventurana. Como 
sinal desta terrvel calamidade, suspendiam-se todos os cultos. As igrejas foram 
fechadas. Celebravam-se os casamentos no ptio da igreja. Os mortos, negando-
se-lhes sepultamento em terreno consagrado, eram, sem os ritos fnebres, 
inumados em fossos ou no campo. Assim, por meio de medidas que apelavam para 
a imaginao, Roma buscava dirigir a conscincia dos homens.
A cidade de Praga encheu-se de tumulto. Uma classe numerosa denunciou Huss 
como a causa de todas as suas calamidades, e rogaram fosse ele entregue  
vingana de Roma. Para acalmar a tempestade, o reformador retirou-se por algum 
tempo  sua aldeia natal. Escrevendo aos amigos que deixara em Praga, disse: Se 
me retirei do meio de vs, foi para seguir o preceito e exemplo de Jesus Cristo, a 
fim de no dar lugar aos mal-intencionados para atrarem sobre si a condenao 
eterna, e a fim de no ser para os piedosos causa de aflio e perseguio. Retirei-
me tambm pelo receio de que os sacerdotes mpios pudessem continuar por mais 
tempo a proibir a pregao da Palavra de Deus entre vs; mas no vos deixei para 
negar a verdade divina, pela qual, com o auxlio de Deus, estou disposto a 
morrer.  Os Reformadores Antes da Reforma, de Bonnechose. Huss no cessou 
seus labores, mas viajou pelo territrio circunjacente, pregando a vidas 
multides. Destarte, as medidas a que o papa recorrera a fim de suprimir o 
evangelho, estavam fazendo com que este mais largamente se estendesse. Nada 
podemos contra a verdade, seno pela verdade. II Cor. 13:8.
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O esprito de Huss, nesta fase de sua carreira, parece ter sido cenrio de doloroso 
conflito. Embora a igreja estivesse procurando fulmin-lo com seus raios, no 
havia ele renegado a autoridade dela. A igreja de Roma era ainda para ele a 
esposa de Cristo, e o papa o representante e vigrio de Deus. O que Huss estava a 
guerrear era o abuso da autoridade, no o princpio em si mesmo. Isto acarretou 
terrvel conflito entre as convices de seu entendimento e os ditames de sua 
conscincia. Se a autoridade era justa e infalvel, como cria que fosse, como 
poderia acontecer achar-se obrigado a desobedecer-lhe? Obedecer, compreendia-o 
ele, significava pecar; mas por que a obedincia a uma igreja infalvel levaria a tal 
situao? Era este o problema que no podia resolver; esta a dvida que o 
torturava sempre e sempre. A soluo que mais justa se lhe afigurava, era que 
havia acontecido novamente, como j antes, nos dias do Salvador, que os 
sacerdotes da igreja se tinham tornado pessoas mpias e estavam usando da 
autoridade lcita para fins ilcitos. Isto o levou a adotar para sua prpria orientao 
e para guia daqueles a quem pregava, a mxima de que os preceitos das 
Escrituras, comunicados por meio do entendimento, devem reger a conscincia; 
em outras palavras, de que Deus, falando na Bblia, e no a igreja falando pelo 
sacerdcio,  o nico guia infalvel.  Wylie.
Quando, depois de algum tempo, serenou a excitao em Praga, Huss voltou para 
a sua capela de Belm, a fim de continuar com maior zelo e nimo a pregao da 
Palavra de Deus. Seus inimigos eram ativos e poderosos, mas a rainha e muitos 
dos nobres eram seus amigos, e o povo em grande parte o apoiava. Comparando 
seus ensinos puros e elevados e sua vida santa com os dogmas degradantes 
pregados pelos romanistas e a avareza e devassido que praticavam, muitos 
consideravam uma honra estar a seu lado.
At aqui Huss estivera s em seus trabalhos; agora, porm, se uniu na obra da 
reforma Jernimo que, durante sua estada na Inglaterra, aceitara os ensinos de 
Wycliffe. Da em diante os
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dois estiveram ligados durante toda a vida, e na morte no deveriam ser 
separados. Gnio brilhante, eloqncia e saber  dotes que conquistaram o favor 
popular  possua-os Jernimo em alto grau; mas quanto s qualidades que 
constituem a verdadeira fora de carter, Huss era maior. Seu discernimento 
calmo servia como restrio ao esprito impulsivo de Jernimo, que, com 
verdadeira humildade, se apercebia de seu valor e cedia aos seus conselhos. Sob o 
trabalho de ambos a Reforma estendeu-se mais rapidamente.
Deus permitiu que grande luz resplandecesse no esprito daqueles homens 
escolhidos, revelando-lhes muitos dos erros de Roma; mas eles no receberam 
toda a luz que devia ser dada ao mundo. Por meio destes Seus servos, Deus 
estava guiando o povo para fora das trevas do romanismo; havia, porm, muitos e 
grandes obstculos a serem por eles enfrentados, e Ele os guiou, passo a passo, 
conforme o podiam suportar. No estavam preparados para receber toda a luz de 
uma vez. Como o completo fulgor do Sol do meio-dia para os que durante muito 
tempo permaneceram em trevas, fosse ela apresentada, t-los-ia feito desviarem-
se. Portanto Ele a revelou aos dirigentes pouco a pouco,  medida que podia ser 
recebida pelo povo. De sculo em sculo, outros fiis obreiros deveriam seguir-se 
para guiar o povo cada vez mais longe no caminho da Reforma.
Persistia o cisma na igreja. Trs papas contendiam pela supremacia, e sua luta 
encheu a cristandade de crime e tumulto. No contentes de lanarem antemas, 
recorriam s armas temporais. Cada qual se props obter armas e recrutar 
soldados.  claro que necessitavam dinheiro; e para arranj-lo, os dons, ofcios e 
bnos da igreja eram oferecidos  venda. Os padres tambm, imitando os 
superiores, recorriam  simonia (Trfico de coisas sagradas ou espirituais, tais 
como sacramentos, dignidades, benefcios eclesiticos, etc.) e  guerra para 
humilhar seus rivais e fortalecer seu prprio poder. Com uma audcia que 
aumentava dia a dia, Huss fulminava as abominaes que eram toleradas em 
nome da religio; e o povo acusava abertamente os chefes romanistas como causa 
das misrias que oprimiam a cristandade.
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Novamente a cidade de Praga parecia  borda de um conflito sangrento. Como nas 
eras anteriores, o servo de Deus foi acusado de ser o perturbador de Israel. I 
Reis 18:17. A cidade fora de novo posta sob interdito, e Huss retirou-se para a sua 
aldeia natal. Finalizara-se o testemunho to fielmente dado, de sua amada capela 
de Belm. Deveria falar de um cenrio mais amplo,  cristandade toda, antes de 
depor a vida como testemunha da verdade.
Para sanar os males que estavam perturbando a Europa, convocou-se um conclio 
geral, a reunir-se em Constana. Esse conclio fora convocado a pedido do 
imperador Sigismundo, por um dos trs papas rivais, Joo XXIII.  convocao de 
um conclio longe esteve de ser bem recebida pelo papa Joo, cujo carter e 
poltica mal poderiam suportar exame, mesmo por prelados to frouxos na moral 
como eram os eclesisticos daqueles tempos. No ousou, contudo, opor-se  
vontade de Sigismundo.
O principal objetivo a ser cumprido pelo conclio era apaziguar o cisma da igreja e 
desarraigar a heresia. Conseguintemente os dois antipapas foram chamados a 
comparecer perante ele, bem como o principal propagador das novas opinies, 
Joo Huss. Os primeiros, tomando em considerao sua prpria segurana, no 
estiveram presentes em pessoa, mas fizeram-se representar por seus delegados. 
O Papa Joo, conquanto ostensivamente o convocador do conclio, compareceu 
com muitos pressentimentos, suspeitando do propsito secreto do imperador para 
dep-lo, receoso de ser chamado a contas pelos vcios que haviam infelicitado a 
tiara, bem como pelos crimes que a haviam garantido. No obstante, fez sua 
entrada na cidade de Constana com grande pompa, acompanhado de eclesisticos 
da mais alta ordem e seguido por um squito de cortesos. Todo o clero e 
dignitrios da cidade, com imensa multido de cidados, foram dar-lhe as boas-
vindas. Vinha sob um plio de ouro, carregado por quatro dos principais 
magistrados. A hstia era levada diante dele, e as ricas vestes dos cardeais e 
nobres ofereciam um aspecto imponente.
Enquanto isto outro viajante se aproximava de Constana. Huss era sabedor dos 
perigos que o ameaavam. Despediu-se
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de seus amigos como se jamais devesse encontr-los de novo, e seguiu viagem 
pressentindo que esta o levava para a fogueira. Apesar de haver obtido salvo-
conduto do rei da Bomia, e igualmente recebido outro do imperador Sigismundo 
durante a viagem, disps os planos encarando a probabilidade de sua morte.
Numa carta dirigida a seus amigos em Praga, disse: Meus irmos,  parto com 
um salvo-conduto do rei, ao encontro de numerosos e figadais inimigos.  Confio 
inteiramente no Deus todo-poderoso, em meu Salvador; confio em que Ele ouvir 
vossas fervorosas oraes; que comunicar Sua prudncia e sabedoria  minha 
boca, a fim de que eu possa resistir a eles; e que me outorgar Seu Esprito Santo 
a fim de fortificar-me em Sua verdade, de maneira que eu possa defrontar com 
coragem tentaes, priso e, sendo necessrio, uma morte cruel. Jesus Cristo 
sofreu por Seus bem-amados; deveramos, pois, estranhar que Ele nos haja 
deixado Seu exemplo, para que ns mesmos possamos suportar com pacincia 
todas as coisas para a nossa prpria salvao? Ele  Deus, e ns Suas criaturas; 
Ele  o Senhor, e ns Seus servos; Ele  o Dominador do mundo e ns somos 
desprezveis mortais: no entanto Ele sofreu! Por que, pois, no deveramos ns 
tambm sofrer, particularmente quando o sofrimento  para a nossa purificao? 
Portanto, amados, se minha morte deve contribuir para a Sua glria, orai para que 
ela venha rapidamente, e para que Ele possa habilitar-me a suportar com 
constncia todas as minhas calamidades. Mas se for melhor que eu volte para o 
meio de vs, oremos a Deus para que o possa fazer sem mancha, isto , para que 
eu no suprima um til da verdade do evangelho, a fim de deixar a meus irmos 
um excelente exemplo a seguir. Provavelmente, pois, nunca mais contemplareis 
meu rosto em Praga; mas, se a vontade do Deus todo-poderoso dignar-se de 
restituir-me a vs, avancemos ento com corao mais firme no conhecimento e 
no amor de Sua lei.  Bonnechose.
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Em outra carta, a um padre que se tornara discpulo do evangelho, Huss falava 
com profunda humildade de seus prprios erros, acusando-se de ter sentido 
prazer em usar ricas decoraes e haver despendido horas em ocupaes frvolas. 
Acrescentou ento estes tocantes conselhos: Que a glria de Deus e a salvao 
das almas ocupem tua mente, e no a posse de benefcios e bens. Acautela-te de 
adornar tua casa mais do que tua alma; e, acima de tudo, d teu cuidado ao 
edifcio espiritual. S piedoso e humilde para com os pobres; e no consumas teus 
haveres em festas. Se no corrigires tua vida e te refreares das superfluidades, 
temo que sejas severamente castigado, como eu prprio o sou.  Conheces minha 
doutrina, pois recebeste minhas instrues desde tua meninice; -me, portanto, 
desnecessrio escrever-te mais a respeito. Mas conjuro-te, pela misericrdia de 
nosso Senhor, a no me imitares em nenhuma das vaidades em que me viste 
cair. No invlucro da carta acrescentou: Conjuro-te, meu amigo, a no abrires 
esta carta antes que tenhas a certeza de que estou morto.  Bonnechose.
Em sua viagem, Huss por toda parte observou indcios da disseminao de suas 
doutrinas e o favor com que era considerada sua causa. O povo aglomerava-se ao 
seu encontro, e em algumas cidades os magistrados o escoltavam pelas ruas.
Chegado a Constana, concedeu-se a Huss plena liberdade. Ao salvo-conduto do 
imperador acrescentou-se uma garantia pessoal de proteo por parte do papa. 
Mas, com violao destas solenes e repetidas declaraes, em pouco tempo o 
reformador foi preso, por ordem do papa e dos cardeais, e lanado em asquerosa 
masmorra. Mais tarde foi transferido para um castelo forte alm do Reno e ali 
conservado prisioneiro. O papa, pouco lucrando com sua perfdia, foi logo depois 
entregue  mesma priso.  Bonnechose. Provara-se perante o conclio ser ele ru 
dos mais baixos crimes, alm de assassnio, simonia e adultrio  pecados que 
no convm mencionar. Assim o prprio conclio declarou; e finalmente foi ele 
despojado da tiara e lanado na priso. Os antipapas tambm foram depostos, 
sendo escolhido novo pontfice.
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Pg. 107
Se bem que o prprio papa tivesse sido acusado de maiores crimes que os de que 
Huss denunciara os padres, e contra os quais exigira reforma, o mesmo conclio 
que rebaixou o pontfice tratou tambm de esmagar o reformador. O 
aprisionamento de Huss despertou grande indignao na Bomia. Nobres 
poderosos dirigiram ao conclio protestos veementes contra o ultraje. O imperador, 
a quem repugnava permitir a violao de um salvo-conduto, ops-se ao processo 
que lhe era movido. Mas os inimigos do reformador eram maus e decididos. 
Apelaram para os preconceitos do imperador, para os seus temores, seu zelo para 
com a igreja. Aduziram argumentos de grande extenso para provar que no se 
deve dispensar f aos hereges, tampouco a pessoas suspeitas de heresia, ainda 
que estejam munidas de salvo-conduto do imperador e reis.  Histria do Conclio 
de Constana, de Lenfant. Assim, prevaleceram eles.
Enfraquecido pela enfermidade e recluso, pois que o ar mido e impuro do 
calabouo lhe acarretara uma febre que quase o levara  sepultura, Huss foi 
finalmente conduzido perante o conclio. Carregado de cadeias, ficou em p na 
presena do imperador, cuja honra e boa f tinham sido empenhadas em defend-
lo. Durante o longo processo manteve firmemente a verdade, e na presena dos 
dignitrios da Igreja e Estado, em assemblia, proferiu solene e fiel protesto 
contra as corrupes da hierarquia. Quando se lhe exigiu optar entre o renunciar 
suas doutrinas ou sofrer a morte, aceitou a sorte de mrtir.
Susteve-o a graa de Deus. Durante as semanas de sofrimento por que passou 
antes de sua sentena final, a paz do Cu encheu-lhe a alma. Escrevo esta carta, 
dizia a um amigo, na priso e com as mos algemadas, esperando a sentena de 
morte amanh.  Quando com o auxlio de Jesus Cristo, de novo nos 
encontrarmos na deliciosa paz da vida futura, sabereis quo misericordioso Deus 
Se mostrou para comigo, quo eficazmente me sustentou em meio de tentaes e 
provas.  Bonnechose.
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Na escurido da masmorra previa o triunfo que teria a verdadeira f. Volvendo em 
sonhos  capela de Praga, onde pregara o evangelho, viu o papa e seus bispos 
apagando as pinturas de Cristo que desenhara nas paredes. Esta viso angustiou-
o; mas no dia seguinte viu muitos pintores ocupados na restaurao dessas 
figuras em maior nmero e cores mais vivas. Concluda que foi a tarefa dos 
pintores, que estavam rodeados de imensa multido, exclamaram: Venham agora 
os papas e os bispos; nunca mais as apagaro! Disse o reformador ao relatar o 
sonho: Tenho isto como certo, que a imagem de Cristo nunca se apagar. 
Quiseram destru-la, mas ser pintada de novo em todos os coraes por 
pregadores muito melhores do que eu.  DAubign.
Pela ltima vez Huss foi levado perante o conclio. Era uma vasta e brilhante 
assemblia: o imperador, os prncipes do imprio, os delegados reais, os cardeais, 
bispos e padres, e uma vasta multido que acorrera para presenciar os 
acontecimentos do dia. De todas as partes da cristandade se reuniram 
testemunhas deste primeiro grande sacrifcio na prolongada luta pela qual se 
deveria conseguir a liberdade de conscincia.
Chamado  deciso final, Huss declarou recusar-se a renunciar e, fixando o olhar 
penetrante no imperador, cuja palavra empenhada fora to vergonhosamente 
violada, declarou: Decidi-me, de minha espontnea vontade, a comparecer 
perante este conclio, sob a pblica proteo e f do imperador aqui presente.  
Bonnechose. Intenso rubor avermelhou o rosto de Sigismundo quando o olhar de 
todos na assemblia para ele convergiu.
Pronunciada a sentena, iniciou-se a cerimnia de degradao. Os bispos vestiram 
o preso em hbito sacerdotal, e, enquanto recebia as vestes de padre, disse: 
Nosso Senhor Jesus Cristo estava, por escrnio, coberto com um manto branco,
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quando Herodes o mandou conduzir perante Pilatos.  Bonnechose. Sendo de 
novo exortado a retratar-se, replicou, voltando-se para o povo: Com que cara, 
pois, contemplaria eu os Cus? Como olharia para as multides de homens a quem 
preguei o evangelho puro? No! aprecio sua salvao mais do que este pobre 
corpo, ora destinado  morte. As vestes foram removidas uma a uma, 
pronunciando cada bispo uma maldio ao realizar sua parte na cerimnia. 
Finalmente puseram-lhe sobre a cabea uma carapua, ou mitra de papel em 
forma piramidal, em que estavam desenhadas horrendas figuras de demnios, 
com a palavra Arqui-herege bem visvel na frente. Com muito prazer, disse 
Huss, levarei sobre a cabea esta coroa de ignomnia por Teu amor,  Jesus, que 
por mim levaste uma coroa de espinhos.
Quando ficou assim trajado, os prelados disseram: Agora votamos tua alma ao 
diabo. E eu, disse Joo Huss, erguendo os olhos ao Cu, entrego meu esprito 
em Tuas mos,  Senhor Jesus, pois Tu me remiste.  Wylie.
Foi ento entregue s autoridades seculares, e levado fora ao lugar de execuo. 
Imenso squito o acompanhou: centenas de homens em armas, padres e bispos 
em seus custosos trajes e os habitantes de Constana. Quando estava atado ao 
poste, e tudo pronto para acender-se o fogo, o mrtir uma vez mais foi exortado a 
salvar-se renunciando aos seus erros. A que erros, diz Huss, renunciarei eu? 
No me julgo culpado de nenhum. Invoco a Deus para testemunhar que tudo que 
escrevi e preguei assim foi feito com o fim de livrar almas do pecado e perdio; e, 
portanto muito alegremente confirmarei com meu sangue a verdade que escrevi e 
preguei.  Wylie. Quando as chamas comearam a envolv-lo, ps-se a cantar: 
Jesus, Filho de Davi, tem misericrdia de mim, e assim continuou at que sua 
voz silenciou para sempre.
Mesmo os inimigos ficaram tocados com seu procedimento herico. Um zeloso 
adepto de Roma, descrevendo o martrio de Huss, e de Jernimo que morreu logo 
depois, disse: Ambos
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se portaram com firmeza de nimo quando se lhes aproximou a ltima hora. 
Prepararam-se para o fogo como se fosse a uma festa de casamento. No soltaram 
nenhum grito de dor. Ao levantarem-se as chamas, comearam a cantar hinos, e 
mal podia a veemncia do fogo fazer silenciar o seu canto.  Wylie.
Depois de completamente consumido o corpo de Huss, suas cinzas, e a terra em 
que repousavam, foram ajuntadas e lanadas no Reno, e assim levadas para alm 
do oceano. Seus perseguidores em vo imaginavam ter desarraigado as verdades 
que pregara. Dificilmente se dariam conta de que as cinzas naquele dia levadas 
para o mar deveriam ser qual semente espalhada em todos os pases da Terra; de 
que em terras ainda desconhecidas produziriam fruto abundante em testemunho 
da verdade. A voz que falara no recinto do conclio em Constana, despertara ecos 
que seriam ouvidos atravs de todas as eras vindouras. Huss j no mais existia, 
mas as verdades por que morrera, no pereceriam jamais. Seu exemplo de f e 
constncia animaria multides a permanecerem firmes pela verdade, em face da 
tortura e da morte. Sua execuo patenteou ao mundo inteiro a prfida crueldade 
de Roma. Os inimigos da verdade, posto no o soubessem, haviam estado a 
adiantar a causa que eles em vo procuraram destruir.
Contudo, outra fogueira deveria acender-se em Constana. O sangue de mais uma 
testemunha deveria testificar da verdade. Jernimo, ao dizer adeus a Huss  
partida para o conclio, exortou-o a que tivesse coragem e firmeza, declarando 
que, se casse em algum perigo, ele prprio acudiria em seu auxlio. Ouvindo 
acerca da priso do reformador, o fiel discpulo imediatamente se preparou para 
cumprir a promessa. Sem salvo-conduto, com um nico companheiro, partiu para 
Constana. Ali chegando, convenceu-se de que apenas se havia exposto ao perigo, 
sem a possibilidade de fazer qualquer coisa para o livramento de Huss. Fugiu da 
cidade, mas foi preso em viagem para casa e conduzido de volta em ferros, sob a 
guarda de um grupo de soldados. Ao seu primeiro aparecimento perante o
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Pg. 111
conclio, as tentativas de Jernimo para responder s acusaes apresentadas 
contra ele eram defrontadas com clamores: s chamas! Que v s chamas!  
Bonnechose. Foi lanado numa masmorra, acorrentado em posio que lhe 
causava grande sofrimento e alimentado a po e gua. Depois de alguns meses, 
as crueldades da priso causaram-lhe uma enfermidade que lhe ps em perigo a 
vida, e seus inimigos, receosos de que ele se lhes pudesse escapar, trataram-no 
com menos severidade, posto que permanecesse na priso durante um ano.
A morte de Huss no deu os resultados que os sectrios de Roma haviam 
esperado. A violao do salvo-conduto suscitara uma tempestade de indignao, e 
como meio mais seguro de agir, o conclio decidiu, em vez de queimar a Jernimo, 
obrig-lo, sendo possvel, a retratar-se. Foi levado perante a assemblia e 
ofereceu-se-lhe a alternativa de renunciar, ou morrer na fogueira. A morte, no 
incio de sua priso, teria sido uma misericrdia,  vista dos terrveis sofrimentos 
por que passara; mas agora, enfraquecido pela molstia, pelos rigores do crcere 
e pela tortura da ansiedade e apreenso, separado dos amigos e desanimado pela 
morte de Huss, a fortaleza de Jernimo cedeu, e ele consentiu em submeter-se ao 
conclio. Comprometeu-se a aderir  f catlica, e aceitou a ao do conclio ao 
condenar as doutrinas de Wycliffe e Huss, exceo feita, contudo, das santas 
verdades que tinham ensinado.  Bonnechose.
Por este expediente Jernimo se esforou por fazer silenciar a voz da conscincia e 
escapar da condenao. Mas, na solido do calabouo, viu mais claramente o que 
havia feito. Pensou na coragem e fidelidade de Huss, e em contraste refletiu em 
sua prpria negao da verdade. Pensou no divino Mestre a quem se 
comprometera a servir, e que por amor dele suportara a morte de cruz. Antes de 
sua retratao encontrara conforto, em todos os sofrimentos, na certeza do favor 
de Deus; mas agora o remorso e a dvida lhe torturavam a alma. Sabia que ainda 
outras retrataes haveria a fazer antes que pudesse estar em paz com Roma. O 
caminho em que estava entrando
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apenas poderia terminar em completa apostasia. Sua resoluo estava tomada: 
no negaria ao Senhor para escapar de um breve perodo de sofrimento.
Logo foi ele novamente levado perante o conclio. Sua submisso no satisfizera 
aos juzes. Sua sede de sangue, aguada pela morte de Huss, clamava por novas 
vtimas. Apenas renunciando  verdade, sem reservas, poderia Jernimo preservar 
a vida. Decidira-se, porm, a confessar sua f e seguir s chamas seu irmo 
mrtir.
Renunciou  abjurao anterior e, como moribundo, exigiu solenemente 
oportunidade para fazer sua defesa. Temendo o efeito de suas palavras, os 
prelados insistiram em que ele meramente afirmasse ou negasse a verdade das 
acusaes apresentadas contra ele. Jernimo protestou contra tal crueldade e 
injustia. Conservastes-me encerrado durante trezentos e quarenta dias, numa 
priso horrvel, disse ele, em meio de imundcie, repugnante mau cheiro e da 
maior carncia de tudo; trazeis-me depois diante de vs e, dando ouvidos a meus 
inimigos mortais, recusais-vos a ouvir-me.  Se sois na verdade homens 
prudentes, e a luz do mundo, tende cuidado em no pecar contra a justia. Quanto 
a mim, sou apenas um fraco mortal; minha vida no tem seno pouca 
importncia; e, quando vos exorto a no lavrar uma sentena injusta, falo menos 
por mim do que por vs.  Bonnechose.
Seu pedido foi, finalmente, atendido. Na presena dos juzes, Jernimo ajoelhou-se 
e orou para que o Esprito divino lhe dirigisse os pensamentos e palavras, de modo 
que nada falasse contrrio  verdade ou indigno de seu Mestre. Para ele naquele 
dia se cumpriu a promessa de Deus aos primeiros discpulos: Sereis at 
conduzidos  presena dos governadores e dos reis por causa de Mim.  Mas, 
quando vos entregarem, no vos d cuidado como, ou o que haveis de falar, 
porque naquela mesma hora vos ser ministrado o que haveis de dizer. Porque 
no sois vs quem falar, mas o Esprito de vosso Pai  que fala em vs. Mat. 
10:18-20.
As palavras de Jernimo excitaram espanto e admirao, mesmo a seus inimigos. 
Durante um ano inteiro, havia ele
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Pg. 113
estado emparedado numa masmorra, impossibilitado de ler ou mesmo ver, com 
grande sofrimento fsico e ansiedade mental. No entanto, seus argumentos eram 
apresentados com tanta clareza e fora como se houvesse tido oportunidade 
tranqila para o estudo. Indicou aos ouvintes a longa srie de homens santos que 
haviam sido condenados por juzes injustos. Em quase cada gerao houve os que, 
enquanto procuravam enobrecer o povo de seu tempo, foram censurados e 
rejeitados, mas que em tempos posteriores mostraram ser dignos de honra. O 
prprio Cristo foi, por um tribunal injusto, condenado como malfeitor.
Em sua retratao, Jernimo consentira na justia da sentena que condenara 
Huss; declarou ele agora o seu arrependimento, e deu testemunho da inocncia e 
santidade do mrtir. Conheci-o desde a meninice, disse ele. Foi um timo 
homem, justo e santo; foi condenado apesar de sua inocncia.  Eu, eu tambm 
estou pronto para morrer; no recuarei diante dos tormentos que esto 
preparados para mim por meus inimigos e falsas testemunhas, que um dia tero 
de prestar contas de suas imposturas perante o grande Deus, a quem nada pode 
enganar.  Bonnechose.
Reprovando-se a si mesmo por sua negao da verdade, Jernimo continuou: De 
todos os pecados que tenho cometido desde minha juventude, nenhum pesa to 
gravemente em meu esprito e me causa to pungente remorso, como aquele que 
cometi neste lugar fatdico, quando aprovei a inqua sentena dada contra 
Wycliffe, e contra o santo mrtir, Joo Huss, meu mestre e amigo. Sim, confesso-o 
de corao, e declaro com horror que desgraadamente fraquejei quando, por 
medo da morte, condenei suas doutrinas. Portanto suplico a Deus todo-poderoso, 
Se digne de perdoar meus pecados, e em particular este, o mais hediondo de 
todos. Apontando para os juzes, disse com firmeza: Condenastes Wycliffe e Joo 
Huss, no por terem abalado a doutrina da igreja, mas simplesmente porque 
estigmatizaram com a reprovao os escndalos do clero: a pompa, o orgulho e 
todos os vcios dos prelados e padres. As
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coisas que eles afirmaram, e que so irrefutveis, eu tambm as entendo e 
declaro como eles.
Suas palavras foram interrompidas. Os prelados, trmulos de clera, exclamaram: 
Que necessidade h de mais prova? Contemplamos com nossos prprios olhos o 
mais obstinado dos hereges!
Sem se abalar com a tempestade, Jernimo exclamou: Ora! supondes que receio 
morrer? Conservastes-me durante um ano inteiro em horrvel masmorra, mais 
horrenda que a prpria morte. Tratastes-me mais cruelmente do que a um turco, 
judeu ou pago, e minha carne, em vida, literalmente apodreceu sobre os ossos, e 
contudo no me queixo, pois a lamentao no vai bem a um homem de corao e 
esprito; mas no posso seno exprimir meu espanto com to grande barbaridade 
para com um cristo.  Bonnechose.
De novo irrompeu a tempestade de clera, e Jernimo foi levado precipitadamente 
 priso. Havia, contudo, na assemblia, alguns nos quais suas palavras 
produziram profunda impresso, e que desejavam salvar-lhe a vida. Foi visitado 
por dignitrios da igreja, e instado a submeter-se ao conclio. As mais brilhantes 
perspectivas lhe foram apresentadas como recompensa de renunciar a sua 
oposio a Roma. Mas, semelhante a seu Mestre, quando se Lhe ofereceu a glria 
do mundo, Jernimo permaneceu firme.
Provai-me pelas Sagradas Escrituras que estou em erro, disse ele, e o 
renunciarei.
As Sagradas Escrituras! exclamou um de seus tentadores; ento tudo deve ser 
julgado por elas? Quem as pode entender antes que a igreja as haja interpretado?
So as tradies dos homens mais dignas de f do que o evangelho de nosso 
Salvador? replicou Jernimo. Paulo no exortou aqueles a quem escreveu, a 
escutarem as tradies dos homens, mas disse: Esquadrinhai as Escrituras.
Herege! foi a resposta; arrependo-me de ter-me empenhado tanto tempo 
contigo. Vejo que s impulsionado pelo diabo.  Wylie.
Sem demora se proferiu sentena de morte contra ele. Foi levado ao mesmo local 
em que Huss rendera a vida. Cantando
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fez ele esse trajeto, tendo iluminado o semblante de alegria e paz. Seu olhar 
fixava-se em Cristo, e a morte para ele havia perdido o terror. Quando o carrasco, 
estando para acender a fogueira, passou por trs dele, o mrtir exclamou: Venha 
com ousadia para a frente; ponha fogo  minha vista. Se eu tivesse medo, no 
estaria aqui. Suas ltimas palavras, proferidas quando as chamas se levantavam 
em redor dele, foram uma orao. Senhor, Pai todo-poderoso, exclamou, tem 
piedade de mim e perdoa meus pecados; pois sabes que sempre amei Tua 
verdade.  Bonnechose. Sua voz cessou, mas os lbios continuaram a mover-se 
em orao. Tendo o fogo efetuado a sua obra, as cinzas do mrtir, com a terra 
sobre a qual repousavam, foram reunidas e, como as de Huss, lanadas no Reno.
Assim pereceram os fiis porta-luzes de Deus. Mas a luz das verdades que 
proclamaram  luz de seu exemplo herico  no se havia de extinguir. Tanto 
poderiam os homens tentar desviar o Sol de seu curso como impedir o raiar 
daquele dia que mesmo ento despontava sobre o mundo.
A execuo de Huss acendera uma chama de indignao e horror na Bomia. A 
nao inteira compreendia haver ele tombado vtima da perfdia dos padres e 
traio do imperador. Declarou-se ter sido ele um fiel ensinador da verdade, e o 
conclio que decretou sua morte foi acusado de crime de assassnio. Suas 
doutrinas atraam agora maior ateno do que nunca dantes. Pelos editos papais, 
os escritos de Wycliffe tinham sido condenados s chamas. Aqueles, porm, que 
haviam escapado da destruio, foram agora tirados dos esconderijos e estudados 
em conexo com a Bblia, ou partes dela que o povo podia adquirir; e muitos 
assim foram levados a aceitar a f reformada.
Os assassinos de Huss no permaneceram silenciosos a testemunhar o triunfo que 
alcanava a causa do reformador. O papa e o imperador uniram-se para aniquilar o 
movimento, e os exrcitos de Sigismundo foram lanados contra a Bomia.
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Surgiu, porm, um libertador. Zisca, que logo depois do incio da guerra ficou 
completamente cego, e que no entanto era um dos mais hbeis generais de seu 
tempo, foi o chefe dos bomios. Confiando no auxlio de Deus e na justia de sua 
causa, aquele povo resistiu aos mais poderosos exrcitos que contra eles se 
poderiam levar. Reiteradas vezes, o imperador, organizando novos exrcitos, 
invadiu a Bomia, apenas para ser vergonhosamente repelido. Os hussitas 
ergueram-se acima do temor da morte, e nada poderia resistir a eles. Poucos anos 
depois do incio da guerra, o bravo Zisca morreu; mas seu lugar foi preenchido por 
Procpio, que era um general igualmente bravo e hbil, e nalguns sentidos 
dirigente mais destro.
Os inimigos dos bomios, sabendo que morrera o guerreiro cego, conjeturaram ser 
favorvel a oportunidade para recuperar tudo que haviam perdido. O papa 
proclama, ento, uma cruzada contra os hussitas, e novamente uma imensa fora 
se precipitou sobre a Bomia, mas apenas para sofrer terrvel desbarato. Segue-se 
outra cruzada. Em todos os pases papais da Europa, reuniram-se homens, 
dinheiro e munies de guerra. Congregavam-se multides sob o estandarte papal, 
seguras de que afinal se poria termo aos hereges hussitas. Confiante na vitria, a 
numerosa fora entrou na Bomia. O povo arregimentou-se para repeli-la. Os dois 
exrcitos se aproximaram um do outro, at que apenas um rio se lhes interpunha. 
Os cruzados constituam fora grandemente superior, mas em vez de se 
arremessarem atravs da torrente e travar batalha com os hussitas a quem de 
longe haviam vindo a combater, ficaram a olhar em silncio para aqueles 
guerreiros.  Wylie. Ento, subitamente, misterioso terror caiu sobre os soldados. 
Sem desferir um golpe, aquela poderosa fora debandou e espalhou-se, como se 
fosse dispersa por um poder invisvel. Muitos foram mortos pelo exrcito hussita, 
que perseguiu os fugitivos, e imenso despojo caiu nas mos dos vitoriosos, de 
maneira que a guerra, em vez de empobrecer os bomios, os enriqueceu.
Poucos anos mais tarde, sob um novo papa, promoveu-se ainda outra cruzada. 
Como antes, homens e meios foram
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trazidos de todos os pases papais da Europa. Grande foi o engodo apresentado 
aos que se deveriam empenhar nesta perigosa empresa. Assegurava-se a cada 
cruzado perdo completo dos mais hediondos crimes. A todos os que morressem 
na guerra era prometida preciosa recompensa no Cu, e os que sobrevivessem 
haveriam de colher honras e riquezas no campo de batalha. De novo se reuniu um 
vasto exrcito e, atravessando a fronteira, entraram na Bomia. As foras hussitas 
recuaram diante deles, arrastando assim os invasores cada vez mais longe para o 
interior do pas, e levando-os a contar com a vitria j alcanada. Finalmente o 
exrcito de Procpio fez alto e, voltando-se para o inimigo, avanou para lhe dar 
batalha. Os cruzados, descobrindo ento o seu erro, ficaram no acampamento 
esperando o assalto. Quando se ouviu o rudo da fora que se aproximava, mesmo 
antes que os hussitas estivessem  vista, um pnico de novo caiu sobre os 
cruzados. Prncipes, generais e soldados rasos, arrojando as armaduras, fugiram 
em todas as direes. Em vo o nncio papal, que era o dirigente da invaso, se 
esforou para reunir suas foras possudas de terror e j desorganizadas. Apesar 
de seus enormes esforos, ele prprio foi levado na onda dos fugitivos. A derrota 
foi completa, e novamente um imenso despojo caiu nas mos dos vitoriosos.
Assim pela segunda vez, vasto exrcito, enviado pelas mais poderosas naes da 
Europa, uma hoste de homens bravos e aguerridos, treinados e equipados para a 
batalha, fugiu, sem dar um golpe, de diante dos defensores de uma nao 
pequena e, at ali, fraca. Havia nisso uma manifestao do poder divino. Os 
invasores foram tomados de pavor sobrenatural. Aquele que derrotou os exrcitos 
de Fara no Mar Vermelho, que ps em fuga os exrcitos de Midi diante de 
Gideo e seus trezentos, que numa noite derribou as foras do orgulhoso assrio, 
de novo estendera a mo para debilitar o poder do opressor. Eis que se acharam 
em grande temor, onde temor no havia, porque Deus espalhou os ossos daquele 
que te cercava; tu os confundiste, porque Deus os rejeitou. Sal. 53:5.
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Os lderes papais, perdendo a esperana de vencer pela fora, recorreram 
finalmente  diplomacia. Adotou-se um compromisso mtuo que, se bem que 
pretendesse conceder liberdade de conscincia aos bomios, realmente, traindo-
os, entregava-os ao poder de Roma. Os bomios tinham especificado quatro 
pontos como condies de paz com Roma: pregao livre da Bblia; o direito da 
igreja toda, tanto ao po como ao vinho na comunho, e o uso da lngua materna 
no culto divino; a excluso do clero de todos os ofcios e autoridades seculares; e 
nos casos de crime, a jurisdio das cortes civis tanto para o clero como para os 
leigos. As autoridades papais finalmente concordaram em que os quatro artigos 
dos hussitas deveriam ser aceitos, mas que o direito de os explicar, isto , de 
determinar sua significao exata, deveria pertencer ao conclio ou, em outras 
palavras, ao papa e ao imperador.  Wylie. Nesta base, fez-se um tratado, e 
Roma ganhou, pela dissimulao e fraude, o que no tinha conseguido pelo 
conflito; pois, dando sua prpria interpretao aos artigos hussitas, como  
Escritura Sagrada, ela poderia perverter-lhes o sentido de modo a convir a seus 
propsitos.
Uma classe numerosa na Bomia, vendo que isto traa sua liberdade, no se 
conformou com o tratado. Surgiram dissenses e divises, que levaram  contenda 
e derramamento de sangue entre eles mesmos. Nesta luta o nobre Procpio 
sucumbiu, e pereceu a liberdade da Bomia.
Sigismundo, traidor de Huss e Jernimo, tornou-se agora rei da Bomia, e sem 
considerao para com o seu juramento de apoiar os direitos dos bomios, 
prosseguiu com o estabelecimento do papado. Ele, porm, pouco ganhara com sua 
subservincia a Roma. Durante vinte anos sua vida estivera repleta de trabalhos e 
perigos. Seus exrcitos tinham sido arruinados, e esgotados os seus tesouros por 
uma longa e infrutfera luta, e agora, depois de reinar um ano, morreu, deixando 
seu reino s bordas da guerra civil e legando  posteridade um nome 
estigmatizado com a infmia.
Seguiram-se tumultos, contendas e carnificina. Exrcitos estrangeiros invadiram 
de novo a Bomia, e dissenses
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internas continuaram a perturbar a nao. Aqueles que permaneceram fiis ao 
evangelho, foram sujeitos a uma perseguio sanguinolenta.
Como seus irmos de outrora, entrando em pacto com Roma, houvessem aceito 
seus erros, os que permaneciam na antiga f formaram-se em igreja distinta, 
tomando o nome de Irmos Unidos. Este ato acarretou sobre eles as maldies 
de todas as classes. Contudo sua firmeza era inabalvel. Obrigados a buscar 
refgio nos bosques e cavernas, congregavam-se ainda para ler a Palavra de Deus, 
e unir-se em Seu culto.
Por meio de mensageiros enviados secretamente a diversos pases, souberam que 
aqui e acol havia os que isoladamente confessavam a verdade, alguns numa 
cidade, outros noutra, como eles prprios, objeto de perseguio; e que entre as 
montanhas dos Alpes havia uma antiga igreja, apoiada no fundamento das 
Escrituras e protestando contra as corrupes idoltricas de Roma.  Wylie. Esta 
informao foi recebida com grande alegria, e iniciou-se correspondncia com os 
cristos valdenses.
Firmes no evangelho, os bomios esperaram atravs da noite de sua perseguio, 
ainda volvendo os olhos para o horizonte, na hora mais tenebrosa, semelhantes 
aos homens que esperam a manh. Sua sorte fora lanada em dias maus mas 
lembravam-se das palavras primeiramente proferidas por Huss e repetidas por 
Jernimo, de que um sculo deveria passar antes que raiasse o dia. Estas foram 
para os taboritas [hussitas] o que, para as tribos na casa da servido, foram as 
palavras de Jos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitar, e vos far subir 
desta terra.  Wylie. O perodo final do sculo XV testemunhou o aumento 
vagaroso mas certo das igrejas dos Irmos. Se bem que longe de no serem 
incomodados, gozavam de relativo descanso. No princpio do sculo XVI, suas 
igrejas eram em nmero de duzentas na Bomia e na Morvia.  Vida e Tempos 
de Joo Huss, de Gillet. Assim, numerosos foram os restantes que, escapando da 
fria destruidora do fogo e da espada, tiveram o privilgio de ver o raiar daquele 
dia que Huss predissera.  Wylie.
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7
A Influncia de um Bom Lar
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Preeminente entre os que foram chamados para dirigir a igreja das trevas do 
papado  luz de uma f mais pura, acha-se Martinho Lutero. Zeloso, ardente e 
dedicado, no conhecendo outro temor seno o de Deus, e no reconhecendo 
outro fundamento para a f religiosa alm das Escrituras Sagradas, Lutero foi o 
homem para o seu tempo; por meio dele Deus efetuou uma grande obra para a 
reforma da igreja e esclarecimento do mundo.
Como os primeiros arautos do evangelho, Lutero proveio das classes pobres. Seus 
primeiros anos se passaram no humilde lar de um campons alemo. Pelo trabalho 
dirio de mineiro que era, seu pai ganhava os meios para a sua educao. Ele o 
destinava a ser advogado; mas Deus tencionava fazer dele um construtor no 
grande templo que to vagarosamente se vinha erigindo, atravs dos sculos. 
Agruras, privaes e severa disciplina foram a escola na qual a Sabedoria infinita 
preparou Lutero para a importante misso de sua vida.
O pai de Lutero era homem de esprito forte e ativo, e de grande fora de carter, 
honesto, resoluto e correto. Era fiel s suas convices de dever, fossem quais 
fossem as conseqncias. Seu genuno bom senso levava-o a considerar com 
desconfiana a organizao monstica. Ficou muito desgostoso quando Lutero, 
sem seu consentimento, entrou para o convento, s se reconciliando com o filho 
passados dois anos, e mesmo ento suas opinies permaneceram as mesmas.
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Os pais de Lutero dispensavam grande cuidado  educao e ensino dos filhos. 
Esforavam-se por instru-los no conhecimento de Deus e prtica das virtudes 
crists. Ouvida por seu filho, muitas vezes ascendia ao Cu a orao do pai, a fim 
de que o filho pudesse lembrar-se do nome do Senhor, e um dia auxiliar no 
avanamento de Sua verdade. Todas as vantagens para a cultura moral ou 
intelectual que sua vida de trabalhos lhes permitia gozar, aproveitavam-nas 
avidamente aqueles pais. Ardorosos e perseverantes eram seus esforos por 
preparar os filhos para uma vida piedosa e til. Com sua firmeza e fora de 
carter, muitas vezes exerciam severidade excessiva; mas o prprio reformador, 
embora consciente de que em alguns respeitos haviam errado, encontrava em sua 
disciplina mais para aprovar do que condenar.
Na escola, para onde foi mandado com pouca idade, Lutero foi tratado com 
aspereza e mesmo violncia. To grande era a pobreza de seus pais que, ao ir de 
casa para a escola noutra cidade, foi por algum tempo obrigado a ganhar o po 
cantando de porta em porta, e muitas vezes passava fome. As tristes e 
supersticiosas idias sobre religio, que ento prevaleciam, enchiam-no de temor. 
 noite deitava-se com corao triste, olhando a tremer para o tenebroso futuro, e 
com um contnuo terror ao pensar em Deus como juiz severo e implacvel, tirano 
cruel, em vez de bondoso Pai celestial.
No obstante, sob tantos e to grandes desalentos, Lutero avanou resolutamente 
para a elevada norma de excelncia moral e intelectual que lhe atraa a alma. 
Tinha sede de saber, e seu feitio de esprito ardoroso e prtico, levou-o a desejar o 
que  slido e til em vez do que  vistoso e superficial.
Quando,  idade de dezoito anos, entrou na Universidade de Erfurt, sua situao 
foi mais favorvel e suas perspectivas mais brilhantes do que nos primeiros anos. 
Os pais, havendo pela economia e trabalho conseguido certo bem-estar, puderam 
prestar-lhe todo o auxlio necessrio. E a influncia de
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Pg. 122
amigos judiciosos, diminuiu at certo ponto os efeitos sombrios de seu ensino 
anterior. Aplicou-se ao estudo dos melhores autores, entesourando diligentemente 
seus mais ponderados conceitos e fazendo sua prpria a sabedoria dos sbios. 
Mesmo sob a rspida disciplina dos mestres anteriores, cedo apresentara ele 
promessa de distino; e sob influncias favorveis, seu esprito logo se 
desenvolveu. Memria retentiva, vvida imaginao, poderosa faculdade de 
raciocinar e aplicao incansvel, colocaram-no logo em primeiro lugar entre seus 
companheiros. A disciplina intelectual amadureceu-lhe o entendimento, 
despertando uma atividade de esprito e agudeza de percepo que o estavam 
preparando para os embates da vida.
O temor do Senhor habitava no corao de Lutero, habilitando-o a manter sua 
firmeza de propsito e levando-o a profunda humildade perante Deus. Ele tinha 
uma constante intuio de sua dependncia do auxlio divino, e no deixava de 
iniciar cada dia com orao, enquanto o ntimo estava continuamente a respirar 
uma splica de guia e apoio. Orar bem, dizia ele muitas vezes,  a melhor 
metade do estudo.
Enquanto um dia examinava os livros da Biblioteca da Universidade, Lutero 
descobriu uma Bblia latina. Nunca dantes vira tal Livro. Ignorava mesmo sua 
existncia. Tinha ouvido pores dos evangelhos e epstolas, que se liam ao povo 
no culto pblico, e supunha que isso fosse a Escritura toda. Agora, pela primeira 
vez, olhava para o todo da Palavra de Deus. Com um misto de reverncia e 
admirao, folheava as pginas sagradas. Pulso acelerado e corao palpitante, lia 
por si mesmo as palavras de vida, detendo-se aqui e acol para exclamar: Oh! 
quem dera Deus me desse tal livro!  Histria da Reforma do Sculo XVI, 
DAubign. Anjos celestiais estavam a seu lado, e raios de luz procedentes do 
trono de Deus traziam-lhe  compreenso os tesouros da verdade. Sempre temera 
ofender a Deus, mas agora a profunda convico de seu estado pecaminoso 
apoderou-se dele como nunca dantes.
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Um desejo ardente de se achar livre do pecado e encontrar paz com Deus, levou-o 
afinal a entrar para um mosteiro e dedicar-se  vida monstica. Exigiu-se-lhe, ali, 
efetuar os mais humildes trabalhos e mendigar de porta em porta. Estava na idade 
em que o respeito e a apreciao so mais avidamente desejados, e essas 
ocupaes servis eram profundamente mortificadoras para os seus sentimentos 
naturais; pacientemente, porm, suportou a humilhao, crendo ser necessria 
por causa de seus pecados.
Todo momento que podia poupar de seus deveres dirios empregava-o no estudo, 
furtando-se ao sono e cedendo mesmo a contragosto o tempo empregado em suas 
escassas refeies. Acima de tudo se deleitava no estudo da Palavra de Deus. 
Achara uma Bblia acorrentada  parede do convento, e a ela muitas vezes 
recorria. Aprofundando-se suas convices de pecado, procurou pelas prprias 
obras obter perdo e paz. Levava vida austera, esforando-se por meio de jejuns, 
viglias e penitncias para subjugar os males de sua natureza, dos quais a vida 
monstica no o libertava. No recuava ante sacrifcio algum pelo qual pudesse 
atingir a pureza de corao que o habilitaria a ficar aprovado perante Deus. Eu 
era na verdade um monge piedoso, disse, mais tarde, e seguia as regras de 
minha ordem mais estritamente do que possa exprimir. Se fora possvel a um 
monge obter o Cu por suas obras monsticas, eu teria certamente direito a ele.  
Se eu tivesse continuado por mais tempo, teria levado minhas mortificaes at  
prpria morte.  DAubign. Como resultado desta dolorosa disciplina, perdeu as 
foras e sofreu de desmaios, de cujos efeitos nunca se restabeleceu por completo. 
Mas com todos os seus esforos, a alma sobrecarregada no encontrou alvio. 
Finalmente foi arrojado s bordas do desespero.
Quando pareceu a Lutero que tudo estava perdido, Deus lhe suscitou um amigo e 
auxiliador. O piedoso Staupitz abriu a Palavra de Deus ao esprito de Lutero, 
mandando-lhe que no mais olhasse para si mesmo, que cessasse a contemplao 
do castigo infinito pela violao da lei de Deus, e olhasse a Jesus, seu Salvador 
que perdoa os pecados. Em vez de torturar-te
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por causa de teus pecados, lana-te nos braos do Redentor. Confia nEle, na 
justia de Sua vida, na expiao de Sua morte.  Escuta ao Filho de Deus. Ele Se 
fez homem para te dar a certeza do favor divino. Ama Aquele que primeiro te 
amou.  DAubign. Assim falava aquele mensageiro da misericrdia. Suas 
palavras produziram profunda impresso no esprito de Lutero. Depois de muita 
luta contra erros, longamente acalentados, pde ele aprender a verdade e lhe veio 
paz  alma perturbada.
Lutero foi ordenado sacerdote, sendo chamado do claustro para o cargo de 
professor da Universidade de Wittenberg. Ali se aplicou ao estudo das Escrituras 
nas lnguas originais. Comeou a fazer conferncias sobre a Bblia; e o livro dos 
Salmos, os Evangelhos e as Epstolas abriram-se  compreenso de multides que 
se deleitavam em ouvi-lo. Staupitz, seu amigo e superior, insistia com ele para 
que subisse ao plpito e pregasse a Palavra de Deus. Lutero hesitava, sentindo-se 
indigno de falar ao povo em lugar de Cristo. Foi apenas depois de longa luta que 
cedeu s solicitaes dos amigos. Era j poderoso nas Escrituras, e sobre ele 
repousava a graa de Deus. Sua eloqncia cativava os ouvintes, a clareza e poder 
com que apresentava a verdade levavam-nos  convico, e seu fervor tocava os 
coraes.
Lutero ainda era um verdadeiro filho da igreja papal, e no tinha idia alguma de 
que houvesse de ser alguma outra coisa. Na providncia de Deus foi levado a 
visitar Roma. Seguiu viagem a p, hospedando-se nos mosteiros, pelo caminho. 
Em um convento na Itlia, encheu-se de admirao ante a riqueza, magnificncia 
e luxo que testemunhou. Dotados de uma receita principesca, os monges 
habitavam em esplndidos compartimentos, ornamentavam-se com as mais ricas 
e custosas vestes, e banqueteavam-se em suntuosas mesas. Com dolorosos 
pressentimentos Lutero contrastou esta cena com a renncia e rigores de sua 
prpria vida. O esprito estava-se-lhe tornando perplexo.
Afinal, contemplou a distncia a cidade das sete colinas.
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Pg. 125
Com profunda emoo prostrou-se ao solo, exclamando: Santa Roma, eu te 
sado!  DAubign. Entrou na cidade, visitou as igrejas, ouviu as histrias 
maravilhosas repetidas pelos padres e monges, e cumpriu todas as cerimnias 
exigidas. Por toda parte via cenas que o enchiam de espanto e horror. Observava 
a iniqidade que existia entre todas as classes do clero. Ouviu gracejos imorais 
dos prelados, e horrorizou-se com sua espantosa profanidade, mesmo durante a 
missa. Ao associar-se aos monges e cidados, deparou com desregramento, 
libertinagem. Para onde quer que se volvesse, encontrava sacrilgio em lugar de 
santidade. Ningum pode imaginar, escreveu ele, que pecados e aes infames 
se cometem em Roma; precisam ser vistos e ouvidos para serem cridos. Por isso 
costumam dizer: Se h inferno, Roma est construda sobre ele:  um abismo 
donde procede toda espcie de pecado.  DAubign.
Por um decreto recente, fora prometida pelo papa certa indulgncia a todos os que 
subissem de joelhos a escada de Pilatos, que se diz ter sido descida por nosso 
Salvador ao sair do tribunal romano, e miraculosamente transportada de 
Jerusalm para Roma. Lutero estava certo dia subindo devotamente esses 
degraus, quando de sbito uma voz semelhante a trovo pareceu dizer-lhe: O 
justo viver da f. Rom. 1:17. Ergueu-se de um salto e saiu apressadamente do 
lugar, envergonhado e horrorizado. Esse texto nunca perdeu a fora sobre sua 
alma. Desde aquele tempo, viu mais claramente do que nunca dantes a falcia de 
se confiar nas obras humanas para a salvao, e a necessidade de f constante 
nos mritos de Cristo. Tinham-se-lhe aberto os olhos, e nunca mais se deveriam 
fechar aos enganos do papado. Quando ele deu as costas a Roma, tambm dela 
volveu o corao, e desde aquele tempo o afastamento se tornou cada vez maior, 
at romper todo contato com a igreja papal.
Depois de voltar de Roma, Lutero recebeu na Universidade de Wittenberg o grau 
de doutor em teologia. Estava agora na liberdade de se dedicar, como nunca 
dantes, s Escrituras que
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Pg. 126
ele amava. Fizera solene voto de estudar cuidadosamente a Palavra de Deus e 
todos os dias de sua vida preg-la com fidelidade, e no os dizeres e doutrinas dos 
papas. No mais era o simples monge ou professor, mas o autorizado arauto da 
Bblia. Fora chamado para pastor a fim de alimentar o rebanho de Deus, que tinha 
fome e sede da verdade. Declarava firmemente que os cristos no deveriam 
receber outras doutrinas seno as que se apiam na autoridade das Sagradas 
Escrituras. Estas palavras feriram o prprio fundamento da supremacia papal. 
Continham o princpio vital da Reforma.
Lutero via o perigo de exaltar teorias humanas sobre a Palavra de Deus. 
Corajosamente atacava a incredulidade especulativa dos escolsticos, e opunha-se 
 filosofia e teologia que durante tanto tempo mantiveram sobre o povo a 
influncia dominante. Denunciou tais estudos no somente como indignos mas 
perniciosos, e procurava desviar o esprito de seus ouvintes dos sofismas dos 
filsofos e telogos para as verdades eternas apresentadas pelos profetas e 
apstolos.
Preciosa era a mensagem que levava s vidas multides, que ficavam 
embevecidas ante suas palavras. Nunca dantes tais ensinos lhes haviam cado aos 
ouvidos. As alegres novas do amante Salvador, a certeza de perdo e paz 
mediante Seu sangue expiatrio, alegravam-lhes o corao, inspirando-lhes 
imorredoura esperana. Acendeu-se em Wittenberg uma luz cujos raios deveriam 
estender-se s regies mais remotas da Terra, aumentando em brilho at ao final 
do tempo.
Mas a luz e as trevas no podem combinar. Entre a verdade e o erro h um 
conflito irreprimvel. Apoiar e defender um  atacar e subverter o outro. Nosso 
Salvador mesmo declarou: No vim trazer paz, mas espada. Mat. 10:34. Disse 
Lutero, alguns anos depois do incio da Reforma: Deus no me guia, Ele me 
impele avante, arrebata-me. No sou senhor de mim mesmo. Desejo viver em 
repouso; mas sou arrojado
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ao meio de tumultos e revolues.  DAubign. Ele estava ento a ponto de ser 
compelido  disputa.
A igreja de Roma mercadejava com a graa de Deus. As mesas dos cambistas 
(Mat. 21:12) foram postas ao lado de seus altares, e o ar ressoava com o clamor 
dos compradores e vendedores. Com a alegao de levantar fundos para a ereo 
da igreja de So Pedro, em Roma, publicamente se ofereciam  venda 
indulgncias, por autorizao do papa. Pelo preo do crime deveria construir-se 
um templo para o culto de Deus  a pedra fundamental assentada com o salrio 
da iniqidade! Mas os prprios meios adotados para o engrandecimento de Roma, 
provocaram o mais mortal dos golpes ao seu poderio e grandeza. Foi isto que 
suscitou o mais resoluto e eficaz dos inimigos do papado, determinando a batalha 
que abalou o trono papal e fez tremer na cabea do pontfice a trplice coroa.
Tetzel, o oficial designado para dirigir a venda das indulgncias na Alemanha, era 
culpado das mais vis ofensas  sociedade e  lei de Deus; havendo, porm, 
escapado dos castigos devidos aos seus crimes, foi empregado para promover os 
projetos mercenrios e nada escrupulos do papa. Com grande desfaatez repetia 
as mais deslumbrantes falsidades, e relatava histrias maravilhosas para enganar 
um povo ignorante, crdulo e supersticioso. Tivesse este a Palavra de Deus, e no 
teria sido enganado dessa mneira. Foi para conserv-lo sob o domnio do papado, 
a fim de aumentar o poderio e riqueza de seus ambiciosos dirigentes, que a Bblia 
fora dele retirada. (Ver Histria Eclesistica, de Gieseler.)
Ao entrar Tetzel numa cidade, um mensageiro ia adiante dele, anunciando: A 
graa de Deus e do santo padre est s vossas portas!  DAubign. E o povo 
recebia o pretensioso blasfemo como se fosse o prprio Deus a eles descido do 
Cu.
O infame trfico era estabelecido na igreja, e Tetzel, subindo
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ao plpito, exaltava as indulgncias como o mais precioso dom de Deus. Declarava 
que em virtude de seus certificados de perdo, todos os pecados que o comprador 
mais tarde quisesse cometer ser-lhe-iam perdoados, e que mesmo o 
arrependimento no  necessrio.  DAubign. Mais do que isto, assegurava aos 
ouvintes que as indulgncias tinham poder para salvar no somente os vivos mas 
tambm os mortos; que, no mesmo instante em que o dinheiro tinia de encontro 
ao fundo de sua caixa, a alma em cujo favor era pago escaparia do purgatrio, 
ingressando no Cu.  Histria da Reforma, de Hagenbach.
Quando Simo, o mago, props comprar dos apstolos o poder de operar milagres, 
Pedro lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdio, pois cuidaste que 
o dom de Deus se alcana por dinheiro. Atos 8:20. A oferta de Tetzel, porm, foi 
aceita por vidos milhares. Ouro e prata eram canalizados para o seu tesouro. 
Uma salvao que se poderia comprar com dinheiro obtinha-se mais facilmente do 
que a que exige o arrependimento, f e esforo diligente para resistir ao pecado e 
venc-lo.
 doutrina das indulgncias tinham-se oposto homens de saber e piedade da 
Igreja Romana, e muitos havia que no tinham f em pretenses to contrrias 
tanto  razo como  revelao. Nenhum prelado ousou erguer a voz contra este 
inquo comrcio; mas o esprito dos homens estava-se tornando perturbado e 
desassossegado, e muitos com avidez inquiriam se Deus no operaria mediante 
algum instrumento a purificao de Sua igreja.
Lutero, conquanto ainda catlico romano da mais estrita classe, encheu-se de 
horror ante as blasfemas declaraes dos traficantes das indulgncias. Muitos de 
sua prpria congregao haviam comprado certides de perdo, e logo comearam 
a dirigir-se a seu pastor, confessando seus vrios pecados e esperando absolvio, 
no porque estivessem arrependidos e desejassem corrigir-se, mas sob o 
fundamento da indulgncia. Lutero recusou-lhes a absolvio, advertindo-os de 
que, a
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menos que se arrependessem e reformassem a vida, haveriam de perecer em seus 
pecados. Com grande perplexidade voltaram a Tetzel, queixando-se de que seu 
confessor recusara-lhes o certificado; e alguns ousadamente exigiram que se lhes 
restitusse o dinheiro. O frade encheu-se de clera. Proferiu as mais terrveis 
maldies, fez com que se ascendessem fogos nas praas pblicas, e declarou 
haver recebido ordem do papa para queimar todos os hereges que pretendessem 
opor-se s suas santssimas indulgncias.  DAubign.
Entra Lutero, ento, ousadamente, em sua obra como campeo da verdade. Sua 
voz era ouvida do plpito em advertncia ardorosa e solene. Exps ao povo o 
carter ofensivo do pecado, ensinando-lhes ser impossvel ao homem, por suas 
prprias obras, diminuir as culpas ou fugir ao castigo. Nada, a no ser o 
arrependimento para com Deus e a f em Cristo, pode salvar o pecador. A graa 
de Cristo no pode ser comprada;  dom gratuito. Aconselhava o povo a no 
comprar indulgncias, mas a olhar com f para um Redentor crucificado. Relatou 
sua prpria e penosa experincia ao procurar em vo pela humilhao e penitncia 
conseguir salvao, e afirmou a seus ouvintes que foi olhando fora de si mesmo e 
crendo em Cristo que encontrara paz e alegria.
Prosseguindo Tetzel com seu comrcio e mpias pretenses, Lutero decidiu-se a 
um protesto mais eficaz contra esses clamorosos abusos. Logo se lhe apresentou 
uma ocasio. A igreja do castelo de Wittenberg possua muitas relquias, que em 
certos dias santos eram expostas ao pblico, e concedia-se completa remisso de 
pecados a todos os que ento visitassem a igreja e se confessassem. Em 
conformidade com isto, o povo naqueles dias para ali acudia em grande nmero. 
Uma das mais importantes destas ocasies, a festa de Todos os Santos, estava-
se aproximando.
Na vspera, Lutero, reunindo-se s multides que j seguiam para a igreja, afixou 
na porta desta um papel contendo noventa e cinco proposies contra a doutrina 
das indulgncias. Declarou sua disposio de defender essas teses no dia
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seguinte na Universidade, contra todos os que achassem conveniente atac-las.
Suas proposies atraram a ateno geral. Eram lidas e relidas, e repetidas de 
todos os lados. Estabeleceu-se grande excitao na Universidade e na cidade 
inteira. Mostravam essas teses que o poder de conferir o perdo do pecado e remir 
de sua pena, jamais fora confiado ao papa ou a qualquer outro homem. Todo esse 
plano era uma farsa, um artifcio para extorquir dinheiro, valendo-se das 
supersties do povo  expediente de Satans para destruir a alma de todos os 
que confiassem em suas pretenses mentirosas. Mostrou-se tambm claramente 
que o evangelho de Cristo  o mais valioso tesouro da igreja, e que a graa de 
Deus, nele revelada,  livremente concedida a todos os que a buscam com 
arrependimento e f.
As teses de Lutero desafiavam discusso; mas ningum ousou aceitar o repto. As 
questes por ele propostas, em poucos dias se espalharam por toda a Alemanha, e 
em breves semanas repercutiram pela cristandade toda. Muitos dedicados 
romanistas que tinham visto e lamentado a terrvel iniqidade que prevalecia na 
igreja, mas no sabiam como deter seus progressos, leram as proposies com 
grande alegria, reconhecendo nelas a voz de Deus. Pressentiam que o Senhor 
graciosamente estendera a mo para deter a mar de corrupo que crescia 
rapidamente e que promanava da S de Roma. Prncipes e magistrados 
secretamente se regozijavam de que estava para ser posto um paradeiro ao 
arrogante poder que negava o direito de apelar contra suas decises.
As multides, supersticiosas e amantes do pecado, ficaram aterrorizadas quando 
se varreram os sofismas que lhes acalmavam os temores. Ardilosos eclesisticos, 
interrompidos em sua obra de sancionar o crime, e vendo perigar seus lucros, 
encolerizaram-se e se arregimentaram para sustentar suas pretenses. O 
reformador teve atrozes acusadores a defrontar. Alguns o acusavam de agir 
precipitadamente e por impulso. Outros, de ser presunoso, declarando mais que 
ele no era dirigido por Deus, mas que atuava por orgulho e ardor. Quem 
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que no sabe, respondia ele, que raramente um homem apresenta uma idia 
nova, sem que tenha alguma aparncia de orgulho, e seja acusado de excitar 
rixas?  Por que foram mortos Cristo e todos os mrtires? Porque pareciam ser 
orgulhosos desprezadores da sabedoria de seu tempo, e porque apresentavam 
idias novas sem ter primeiro humildemente tomado conselho com os orculos das 
antigas opinies.
Declarou mais: O que quer que eu faa, no ser feito pela prudncia do homem, 
mas pelo conselho de Deus. Se a obra for de Deus, quem a poder deter? se no, 
quem a poder promover? Nem minha vontade, nem a deles, nem a nossa; mas a 
Tua vontade,  santo Pai, que ests no Cu.  DAubign.
Posto que Lutero tivesse sido movido pelo Esprito de Deus para iniciar sua obra, 
no a deveria ele levar avante sem severos conflitos. As acusaes dos inimigos, a 
difamao de seus propsitos e os injustos e maldosos reparos acerca de seu 
carter e intuitos, sobrevieram-lhe como um dilvio avassalador; e no ficaram 
sem efeito. Ele confiara em que os dirigentes do povo, tanto na igreja como nas 
escolas, se lhe uniriam alegremente nos esforos em favor da Reforma. Palavras 
de animao por parte dos que se achavam em elevadas posies, haviam-lhe 
inspirado alegria e esperana. J, em antecipao, vira ele um dia mais radiante 
despontar para a igreja. Mas a animao tinha-se transformado em censuras e 
condenaes. Muitos dignitrios, tanto da Igreja como do Estado, estavam 
convictos da verdade de suas teses; mas logo viram que a aceitao dessas 
verdades implicaria grandes mudanas. Esclarecer e reformar o povo 
corresponderia virtualmente a minar a autoridade de Roma, sustar milhares de 
torrentes que ora fluam para o seu tesouro e, assim, grandemente cercear a 
extravagncia e luxo dos chefes papais. Demais, ensinar o povo a pensar e agir 
como seres responsveis, buscando apenas de Cristo a salvao, subverteria o 
trono do pontfice, destruindo finalmente sua prpria autoridade. Por esta razo 
recusaram o conhecimento a eles oferecido por Deus, e se dispuseram
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contra Cristo e a verdade pela sua oposio ao homem que Ele enviara para os 
esclarecer.
Lutero tremia quando olhava para si mesmo  um s homem opor-se s mais 
poderosas foras da Terra. Algumas vezes duvidava se havia sido, na verdade, 
levado por Deus a colocar-se contra a autoridade da igreja. Quem era eu, 
escreveu ele, para opor-me  majestade do papa, perante quem os reis da Terra 
e o mundo inteiro tremiam?  Ningum poder saber o que meu corao sofreu 
durante estes primeiros dois anos, e em que desnimo, poderia dizer em que 
desespero, me submergi.  DAubign. Mas ele no foi abandonado ao desnimo. 
Quando faltou o apoio humano, olhou para Deus somente, e aprendeu que poderia 
arrimar-se em perfeita segurana quele todo-poderoso brao.
A um amigo da Reforma, Lutero escreveu: No podemos atingir a compreenso 
das Escrituras, quer pelo estudo quer pelo intelecto. Teu primeiro dever  comear 
pela orao. Roga ao Senhor que te conceda, por Sua grande misericrdia, o 
verdadeiro entendimento de Sua Palavra. No h nenhum intrprete da Palavra de 
Deus seno o Autor dessa Palavra, como Ele mesmo diz: E sero todos ensinados 
por Deus. Nada esperes de teus prprios trabalhos, de tua prpria compreenso: 
confia somente em Deus, e na influncia de Seu Esprito. Cr isto pela palavra de 
um homem que tem tido experincia.  DAubign. Eis aqui uma lio de 
importncia vital para os que sentem que Deus os chamou a fim de apresentar a 
outrem as verdades solenes para este tempo. Estas verdades suscitaro a 
inimizade de Satans e dos homens que amam as fbulas que ele imaginou. No 
conflito com os poderes do mal, h necessidade de algo mais do que fora de 
intelecto e sabedoria humana.
Quando inimigos apelavam para os costumes e tradies, ou para as afirmaes e 
autoridade do papa, Lutero os enfrentava com a Bblia, e com a Bblia unicamente. 
Ali estavam argumentos que no podiam refutar; portanto os escravos do 
formalismo e superstio clamavam por seu sangue, como o fizeram os judeus 
pelo sangue de Cristo. Ele  um herege,
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bradavam os zelosos romanos.  alta traio  igreja permitir que to horrvel 
herege viva uma hora mais. Arme-se imediatamente para ele a forca!  
DAubign.
Lutero, porm, no caiu vtima da fria deles. Deus tinha uma obra para ele fazer, 
e a fim de o proteger foram enviados anjos do Cu. Entretanto, muitos que de 
Lutero tinham recebido a preciosa luz, tornaram-se objeto da ira de Satans, e por 
amor  verdade sofreram corajosamente tortura e morte.
Os ensinos de Lutero atraram a ateno dos espritos pensantes de toda a 
Alemanha. De seus sermes e escritos procediam raios de luz que despertavam e 
iluminavam a milhares. Uma f viva estava tomando o lugar do morto formalismo 
em que a igreja se mantivera durante tanto tempo. O povo estava diariamente 
perdendo a confiana nas supersties do romanismo. As barreiras do preconceito 
iam cedendo. A Palavra de Deus, pela qual Lutero provava toda a doutrina e 
qualquer reclamo, era semelhante a uma espada de dois gumes, abrindo caminho 
ao corao do povo. Por toda parte se despertava o desejo de progresso espiritual. 
Fazia sculos que no se via, to generalizada, a fome e sede de justia. Os olhos 
do povo, havia tanto voltados para ritos humanos e mediadores terrestres, 
volviam-se agora em arrependimento e f para Cristo, e Este crucificado.
Esse interesse generalizado, mais ainda despertou os temores das autoridades 
papais. Lutero recebeu intimao para comparecer a Roma, a fim de responder 
pela acusao de heresia. A ordem encheu de terror a seus amigos. Sabiam 
perfeitamente bem o perigo que o ameaava naquela corrupta cidade, j 
embriagada com o sangue dos mrtires de Jesus. Protestaram contra sua ida a 
Roma, e requereram fosse ele interrogado na Alemanha.
Assim se fez por fim e foi designado o nncio papal para ouvir o caso. Nas 
instrues comunicadas pelo pontfice a esse legado, referiu-se que Lutero fora j 
declarado herege. O nncio foi, portanto, encarregado, de o processar e 
constranger
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sem demora. Se ele permanecesse firme, e o legado no conseguisse apoderar-se 
de sua pessoa, tinha poderes para proscrev-lo em todas as partes da Alemanha; 
banir, amaldioar e excomungar todos os que estivessem ligados a ele.  
DAubign. E, alm disso, determinou a seu legado, a fim de desarraigar 
inteiramente a pestfera heresia, que, exceto o imperador, excomungasse de 
qualquer dignidade na Igreja ou Estado, a todos os que negligenciassem prender 
Lutero e seus adeptos, entregando-os  vingana de Roma.
Aqui se patenteia o verdadeiro esprito do papado. Nenhum indcio de princpios 
cristos, ou mesmo de justia comum, se pode notar no documento todo. Lutero 
estava a grande distncia de Roma; no tivera oportunidade de explicar ou 
defender sua atitude; no entanto, antes que seu caso fosse investigado, era 
sumariamente declarado herege, e no mesmo dia exortado, acusado, julgado e 
condenado; e tudo isto por aquele que se intitulava santo pai, a nica autoridade 
suprema, infalvel na Igreja ou no Estado!
Nessa ocasio, em que Lutero tanto necessitava da simpatia e conselho de um 
verdadeiro amigo, a providncia de Deus enviou Melncton a Wittenberg. Jovem, 
modesto e tmido nas maneiras, o so discernimento de Melncton, seu extenso 
saber e convincente eloqncia, combinados com a pureza e retido de carter, 
conquistaram admirao e estima gerais. O brilho de seus talentos no era mais 
assinalado do que a gentileza de suas maneiras. Logo se tornou um fervoroso 
discpulo do evangelho, o amigo de mais confiana e valioso apoio para Lutero, 
servindo sua brandura, prudncia e exatido de complemento  coragem e energia 
daquele. Sua cooperao na obra acrescentou fora  Reforma, e foi uma fonte de 
grande animao para Lutero.
Augsburgo fora designada como o lugar para o processo, e o reformador partiu a 
p para fazer a viagem at l. Alimentavam-se srios temores a seu respeito. 
Fizeram-se abertamente ameaas de que ele seria agarrado e assassinado no 
caminho, e seus amigos rogaram-lhe que se no
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aventurasse. Solicitaram-lhe mesmo que durante algum tempo sasse de 
Wittenberg e procurasse segurana com os que de bom grado o protegeriam. Ele, 
porm, no queria deixar a posio em que Deus o colocara. Deveria continuar 
fielmente a manter a verdade, apesar das procelas que sobre ele se abatiam. Sua 
expresso era: Sou como Jeremias, homem de lutas e contendas; mas, quanto 
mais aumentam suas ameaas, mais cresce a minha alegria.  J destruram 
minha honra e reputao. Uma nica coisa permanece: meu desprezvel corpo; 
que o tomem, abreviaro assim, por algumas horas, a minha vida. Mas, quanta a 
minha alma, no a podem tomar. Aquele que deseja proclamar a verdade de Cristo 
ao mundo, deve esperar a morte a cada momento.  DAubign.
As notcias da chegada de Lutero a Augsburgo deram grande satisfao ao legado 
papal. O perturbador herege que despertava a ateno do mundo inteiro, parecia 
agora em poder de Roma, e o legado decidiu que ele no escapasse. O reformador 
deixara de munir-se de salvo-conduto. Seus amigos insistiam em que sem ele no 
aparecesse perante o legado, e eles prprios se empenharam em consegui-lo do 
imperador. O nncio tencionava obrigar a Lutero, sendo possvel, a retratar-se, ou, 
no conseguindo isto, fazer com que fosse levado a Roma, para participar da sorte 
de Huss e Jernimo. Por conseguinte, mediante seus agentes esforou-se por 
induzir Lutero a aparecer sem salvo-conduto, confiante em sua misericrdia. Isto o 
reformador se recusou firmemente a fazer. Antes que recebesse o documento 
hipotecando-lhe a proteo do imperador, no compareceu  presena do 
embaixador papal.
Haviam decidido os romanistas, como ardiloso expediente, tentar ganhar a Lutero 
com aparncia de amabilidade. O legado, em suas entrevistas com ele, mostrava 
grande amizade; mas exigia que Lutero se submetesse implicitamente  
autoridade da igreja, e cedesse em todos os pontos sem argumentao ou 
questes. No avaliara devidamente o carter do homem com quem devia tratar. 
Lutero, em resposta, exprimiu sua considerao pela igreja, seu desejo de 
verdade, sua
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prontido em responder a todas as objees ao que ele havia ensinado, e em 
submeter suas doutrinas  deciso de algumas das principais universidades. Mas 
ao mesmo tempo protestava contra a maneira de agir do cardeal, exigindo-lhe 
retratar-se sem ter provado estar ele em erro.
A nica resposta foi: Retrate-se, retrate-se! O reformador mostrou que sua 
atitude era apoiada pelas Escrituras, e declarou com firmeza que no poderia 
renunciar  verdade. O legado, incapaz de responder ao argumento de Lutero, 
cumulou-o com uma tempestade de acusaes, zombarias, escrnios e lisonjas, 
entremeados de citaes da tradio e dos dizeres dos pais da igreja, sem 
proporcionar ao reformador oportunidade de falar. Vendo que a conferncia, assim 
continuando, seria completamente v, Lutero obteve, por fim, relutante permisso 
para apresentar sua resposta por escrito.
Assim fazendo, disse ele, escrevendo a um amigo, os oprimidos encontram 
duplo proveito; primeiro, aquilo que escrevi pode ser submetido ao juzo de 
outrem; segundo, tem-se melhor oportunidade de trabalhar com os temores, se  
que no com a conscincia, de um dspota arrogante e palrador, que do contrrio 
dominaria pela sua linguagem imperiosa.  Vida e Tempos de Lutero, de Martyn.
Na prxima entrevista, Lutero apresentou uma exposio clara, concisa e 
poderosa, de suas opinies, amplamente apoiadas por muitas citaes das 
Escrituras. Este documento, depois de o ter lido em voz alta, entregou ao cardeal 
que, entretanto, o lanou desdenhosamente ao lado, declarando ser ele um acervo 
de palavras ociosas e citaes que nada provavam. Lutero, assim estimulado, 
defronta ento o altivo prelado em seu prprio terreno  as tradies e ensinos da 
igreja  e literalmente derrota suas afirmaes.
Quando o prelado viu que o raciocnio de Lutero era irrespondvel, perdeu todo o 
domnio de si mesmo e, colrico, exclamou: Retrate-se! ou mand-lo-ei a Roma, 
para ali comparecer perante os juzes comissionados para tomarem conhecimento 
de sua causa. Excomung-lo-ei e a todos os seus
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partidrios, e a todos os que em qualquer ocasio o favorecerem, e os lanarei 
fora da igreja. E finalmente declarou, em tom altivo e irado: Retrate-se, ou no 
volte mais!  DAubign.
O reformador de pronto se retirou com os amigos, declarando assim plenamente 
que nenhuma retratao se deveria esperar dele. Isto no era o que o cardeal se 
propusera. Ele se havia lisonjeado de poder pela violncia forar Lutero a 
submeter-se. Agora, deixado s com os que o apoiavam, olhava para um e para 
outro, em completo desgosto pelo inesperado fracasso de seus planos.
Os esforos de Lutero nesta ocasio no ficaram sem bons resultados. A grande 
assemblia presente tivera oportunidade de comparar os dois homens, e julgar por 
si do esprito manifestado por eles, bem como da fora e verdade de suas 
posies. Quo assinalado era o contraste! O reformador, simples, humilde, firme, 
permanecia na fora de Deus, tendo ao seu lado a verdade; o representante do 
papa, importante a seus prprios olhos, desptico, altivo e desarrazoado, achava-
se sem um nico argumento das Escrituras, exclamando, no entanto, 
veementemente: Retrate-se, ou ser enviado a Roma para o castigo!
Se bem que Lutero se houvesse munido de salvo-conduto, os romanistas estavam 
conspirando para apanh-lo e aprision-lo. Seus amigos insistiam em que, como 
lhe era intil prolongar sua permanncia, deveria sem demora voltar a Wittenberg, 
e que a mxima cautela se deveria ter no sentido de ocultar suas intenes. De 
acordo com isto, ele deixou Augsburgo antes do raiar do dia, a cavalo, 
acompanhado apenas de um guia a ele fornecido pelo magistrado. Com muitos 
pressentimentos atravessou sem ser percebido as ruas escuras e silenciosas da 
cidade. Inimigos, vigilantes e cruis, estavam a conspirar para a sua destruio. 
Escaparia das ciladas que lhe preparavam? Eram momentos de ansiedade e 
fervorosas oraes. Atingiu uma pequena porta no muro da cidade. Abriu-se-lhe e, 
com o guia, por ela passou sem impedimento. Uma vez livres do lado de fora, os 
fugitivos apressaram a fuga e, antes que o
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legado soubesse da partida de Lutero, achava-se ele alm do alcance de seus 
perseguidores. Satans e seus emissrios estavam derrotados. O homem que 
haviam pensado estar em seu poder, tinha-se ido, escapara-se, como um pssaro 
da armadilha do caador.
Com as notcias da fuga de Lutero, o legado ficou opresso de surpresa e clera. 
Esperara ele receber grande honra por seu tino e firmeza ao tratar com o 
perturbador da igreja; mas frustrara-se-lhe a esperana. Deu expresso  sua 
raiva em carta a Frederico, o eleitor da Saxnia, denunciando com amargura a 
Lutero, e reclamando que Frederico enviasse o reformador a Roma ou que o 
banisse da Saxnia.
Em sua defesa, Lutero insistia em que o legado do papa lhe mostrasse seus erros 
pelas Escrituras, e comprometia-se da maneira mais solene a renunciar a suas 
doutrinas se se pudesse mostrar estarem em desacordo com a Palavra divina. E 
exprimia sua gratido a Deus por haver sido considerado digno de sofrer por uma 
causa to santa.
O eleitor possua ainda pouco conhecimento das doutrinas reformadas, mas estava 
fundamente impressionado pela sinceridade, fora e clareza das palavras de 
Lutero; e, at que se provasse estar o reformador em erro, resolveu Frederico 
permanecer como seu protetor. Em resposta ao pedido do legado, escreveu: 
Visto que o Dr. Martinho compareceu perante vs, em Augsburgo, devereis estar 
satisfeito. No espervamos que vos esforsseis por faz-lo retratar-se sem o 
haver convencido de seus erros. Nenhum dos homens doutos de nosso principado 
me informou de que a doutrina de Martinho seja mpia, anticrist ou hertica. O 
prncipe recusou-se, alm disso, a enviar Lutero a Roma, ou expuls-lo de seus 
domnios.  DAubign.
O eleitor notara uma runa geral das restries morais na sociedade. Era 
indispensvel grande obra de reforma. As complicadas e dispendiosas medidas 
para restringir e punir o crime seriam desnecessrias se os homens to-somente 
reconhecessem e obedecessem  lei de Deus e aos ditames de uma
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conscincia esclarecida. O eleitor via que Lutero trabalhava para conseguir este 
objetivo, e secretamente se regozijava de que uma influncia melhor se estivesse 
fazendo sentir na igreja.
Via tambm que, como professor na Universidade, Lutero tivera extraordinrio 
xito. Um ano apenas se passara desde que o reformador afixara as teses na 
igreja do castelo, e no entanto, j havia grande baixa no nmero de peregrinos 
que visitavam a igreja na festa de Todos os Santos. Roma fora privada de 
adoradores e ofertas, mas seu lugar se preenchera por outra classe que agora 
vinha a Wittenberg, no como peregrinos para adorar suas relquias, mas como 
estudantes para encher as suas salas de estudo. Os escritos de Lutero haviam 
suscitado por toda parte novo interesse nas Escrituras Sagradas, e no somente 
de todos os recantos da Alemanha, mas de outros pases, que congregavam 
estudantes na Universidade. Moos, chegando  vista de Wittenberg pela primeira 
vez, erguiam as mos ao Cu e louvavam a Deus por ter feito com que desta 
cidade a luz da verdade resplandecesse como de Sio, nos tempos antigos, e dali 
se espalhasse mesmo aos mais longnquos pases.  DAubign.
Lutero ainda no estava de todo convertido dos erros do romanismo. Enquanto, 
porm, comparava as Santas Escrituras com os decretos e constituies papais, 
enchia-se de espanto. Estou lendo, escreveu ele, os decretos dos pontfices, e  
no sei se o papa  o prprio anticristo, ou seu apstolo, em to grande maneira 
Cristo  neles representado falsamente e crucificado.  DAubign. No entanto, 
Lutero nessa ocasio era ainda adepto da Igreja de Roma, e no tinha o 
pensamento de que em algum tempo se separaria de sua comunho.
Os escritos e doutrinas do reformador estendiam-se a todas as naes da 
cristandade. A obra espalhou-se  Sua e Holanda. Exemplares de seus escritos 
tiveram ingresso na Frana e Espanha. Na Inglaterra, seus ensinos eram recebidos 
como palavras de vida.  Blgica e Itlia tambm se estendeu a verdade. Milhares 
estavam a despertar do torpor mortal para a alegria e esperana de uma vida de 
f.
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Roma exasperou-se cada vez mais com os ataques de Lutero, e por alguns de seus 
fanticos oponentes foi declarado, mesmo por doutores das universidades 
catlicas, que aquele que matasse o monge rebelde estaria sem pecado. Certo dia, 
um estranho, com uma arma de fogo escondida sob a capa, aproximou-se do 
reformador, e perguntou porque ia assim sozinho. Estou nas mos de Deus, 
respondeu. Ele  minha fora e meu escudo. Que me poder fazer o homem?  
DAubign. Ouvindo estas palavras o estranho empalideceu, e fugiu como se fosse 
da presena de anjos do Cu.
Roma estava empenhada na destruio de Lutero, mas Deus era a sua defesa. 
Suas doutrinas eram ouvidas em toda parte, nas cabanas e nos conventos,  nos 
castelos dos nobres, nas universidades e nos palcios dos reis; e homens nobres 
surgiram por toda parte para amparar-lhe os esforos.  DAubign.
Foi aproximadamente por esse tempo que Lutero, lendo as obras de Huss, achou 
que a grande verdade da justificao pela f, que ele prprio procurava sustentar 
e ensinar, tinha sido mantida pelo reformador bomio. Ns todos, disse Lutero, 
Paulo, Santo Agostinho, e eu mesmo, temos sido hussitas, sem o saber! Deus 
certamente disso tomar contas ao mundo, continuou ele, de que a verdade a 
ele pregada h um sculo tenha sido queimada!  Wylie.
Num apelo ao imperador e  nobreza da Alemanha, em favor da Reforma do 
cristianismo, Lutero escreveu relativamente ao papa:  horrvel contemplar o 
homem que se intitula vigrio de Cristo, a ostentar uma magnificncia que 
nenhum imperador pode igualar.  isso ser semelhante ao pobre Jesus, ou ao 
humilde Pedro? Ele , dizem, o senhor do mundo! Mas Cristo, cujo vigrio ele se 
jacta de ser, disse: Meu reino no  deste mundo. Podem os domnios de um 
vigrio estender-se alm dos de seu superior?  DAubign.
Assim escreveu ele acerca das universidades: Receio muito que as universidades 
se revelem grandes portas do inferno,
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a menos que diligentemente trabalhem para explicar as Santas Escrituras, e 
grav-las no corao dos jovens. No aconselho ningum a pr seu filho onde as 
Escrituras no reinem supremas. Toda instituio em que os homens no se 
achem incessantemente ocupados com a Palavra de Deus, tem de tornar-se 
corrupta.  DAubign.
Esse apelo circulou rapidamente por toda a Alemanha e exerceu poderosa 
influncia sobre o povo. A nao toda foi abalada, e multides se animaram a 
arregimentar-se em redor do estandarte da Reforma. Os oponentes de Lutero, 
ardentes no desejo de vingana, insistiam em que o papa tomasse medidas 
decisivas contra ele. Decretou-se que suas doutrinas fossem imediatamente 
condenadas. Sessenta dias foram concedidos ao reformador e a seus adeptos, 
findos os quais, se no abjurassem, deveriam todos ser excomungados.
Foi uma crise terrvel para a Reforma. Durante sculos, a sentena de 
excomunho, de Roma, ferira de terror a poderosos monarcas; enchera fortes 
imprios de desgraa e desolao. Aqueles sobre quem caa sua condenao, eram 
universalmente considerados com espanto e horror; cortavam-se-lhes as relaes 
com seus semelhantes, e eram tratados como proscritos que se deveriam 
perseguir at  exterminao. Lutero no tinha os olhos fechados  tempestade 
prestes a irromper sobre ele, mas permaneceu firme, confiando em que Cristo lhe 
seria apoio e escudo. Com f e coragem de mrtir escreveu: O que est para 
acontecer no sei, nem cuido em sab-lo.  Caia onde cair o golpe, no tenho 
receio. Nem ao menos uma folha tomba ao solo sem a vontade de nosso Pai. 
Quanto mais no cuidar Ele de ns! Coisa fcil  morrer pela Palavra, visto que a 
prpria Palavra ou o Verbo, que Se fez carne, morreu. Se morrermos com Ele, com 
Ele viveremos; e passando por aquilo por que Ele passou antes de ns, estaremos 
onde Ele est, e com Ele habitaremos para sempre.  DAubign.
Quando a bula papal chegou a Lutero, disse ele: Desprezo-a e ataco-a como 
mpia, falsa.   o prprio Cristo que
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nela  condenado.  Regozijo-me por ter de suportar tais males pela melhor das 
causas. Sinto j maior liberdade em meu corao; pois finalmente sei que o papa 
 o anticristo, e que o seu trono  o do prprio Satans.  DAubign.
Todavia a ordem de Roma no foi sem efeito. A priso, tortura e espada eram 
armas potentes para forar  obedincia. Os fracos e supersticiosos tremiam 
perante o decreto do papa; e, conquanto houvesse simpatia geral por Lutero, 
muitos sentiam que a vida era por demais preciosa para que fosse arriscada na 
causa da Reforma. Tudo parecia indicar que a obra do reformador estava a ponto 
de terminar.
Mas Lutero ainda era destemido. Roma tinha arremessado seus antemas contra 
ele, e o mundo olhava, nada duvidando de que perecesse ou fosse obrigado a 
render-se. Mas com poder terrvel ele rebateu contra ela a sentena de 
condenao, e publicamente declarou sua deciso de abandon-la para sempre. Na 
presena de uma multido de estudantes, doutores e cidados de todas as classes, 
Lutero queimou a bula papal, com as leis cannicas, decretos e certos escritos que 
sustentavam o poder papal. Meus inimigos, queimando meus livros, foram 
capazes, disse ele, de prejudicar a causa da verdade no esprito do povo comum, 
e destruir-lhes a alma; por esse motivo consumo seus livros, em retribuio. Uma 
luta sria acaba de comear. At aqui tenho estado apenas a brincar com o papa. 
Iniciei esta obra no nome de Deus; ela se concluir sem mim, e pelo Seu poder.  
DAubign.
s acusaes dos inimigos, que dele zombavam pela fraqueza de sua causa, 
Lutero respondia: Quem sabe se Deus no me escolheu e chamou, e se eles no 
devero temer que, ao desprezar-me, desprezem ao prprio Deus? Moiss esteve 
s, na partida do Egito; Elias esteve s, no reino do rei Acabe; Isaas s, em 
Jerusalm; Ezequiel s, em Babilnia.  Deus nunca escolheu como profeta nem o 
sumo sacerdote, nem qualquer outra grande personagem; mas comumente 
escolhia homens humildes e desprezados, e uma vez mesmo o pastor
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Ams. Em todas as pocas, os santos tiveram que reprovar os grandes, reis, 
prncipes, sacerdotes e sbios, com perigo de vida.  No me considero profeta; 
mas digo que eles devem temer precisamente porque estou s e eles so muitos. 
Disto estou certo: que a Palavra de Deus est comigo, e no com eles.  
DAubign.
Entretanto, no foi sem terrvel luta consigo mesmo que Lutero se decidiu a uma 
separao definitiva da igreja. Foi aproximadamente por esse tempo que escreveu: 
Sinto cada dia mais e mais quo difcil  pr de parte os escrpulos que a gente 
absorveu na meninice. Oh! quanta dor me causou, posto que eu tivesse as 
Escrituras a meu lado, o justificar a mim mesmo que eu ousaria assumir atitude 
contra o papa, e t-lo na conta de anticristo! Quais no foram as tribulaes de 
meu corao! Quantas vezes no fiz a mim mesmo, com amargura, a pergunta 
que era to freqente nos lbios dos adeptos do papa: S tu s sbio? Podero 
todos os mais estar errados? Como ser se afinal de contas, s tu que te achas 
errado, e ests a envolver em teu erro tantas almas, que ento sero eternamente 
condenadas? Era assim que eu lutava comigo mesmo e com Satans, at que 
Cristo, por Sua prpria e infalvel Palavra, me fortaleceu o corao contra estas 
dvidas.  Vida e Tempos de Lutero, de Martyn.
O papa ameaara Lutero de excomunho se ele no se retratasse, e a ameaa 
agora se cumprira. Apareceu nova bula, declarando a separao final do 
reformador, da Igreja de Roma, denunciando-o como amaldioado do Cu e 
incluindo na mesma condenao todos os que recebessem suas doutrinas. Tinha-
se entrado completamente na grande contenda.
A oposio  o quinho de todos aqueles a quem Deus emprega para apresentar 
verdades especialmente aplicveis a seu tempo. Havia uma verdade presente nos 
dias de Lutero  verdade de especial importncia naquele tempo; h uma verdade 
presente para a igreja hoje. Aquele que todas as
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coisas faz segundo o conselho de Sua vontade, foi servido colocar os homens em 
circunstncias vrias, e ordenar-lhes deveres peculiares aos tempos em que vivem 
e s condies sob as quais so postos. Se prezassem a luz a eles concedida, 
patentear-se-iam diante deles mais amplas perspectivas da verdade. Esta, porm, 
no  hoje desejada pela maioria, mais do que o foi pelos romanistas que se 
opunham a Lutero. H, para aceitar teorias e tradies de homens em vez de a 
Palavra de Deus, a mesma disposio das eras passadas. Os que apresentam a 
verdade para este tempo no devem esperar ser recebidos com mais favor do que 
o foram os primeiros reformadores. O grande conflito entre a verdade e o erro, 
entre Cristo e Satans, h de aumentar em intensidade at ao final da histria 
deste mundo.
Disse Jesus a Seus discpulos: Se vs fosseis do mundo, o mundo amaria o que 
era seu, mas porque no sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso 
 que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que vos disse: No  o servo 
maior do que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, tambm vos perseguiro a 
vs; se guardaram a Minha palavra, tambm guardaro a vossa. Joo 15:19 e 20. 
E, por outro lado, declarou nosso Senhor explicitamente: Ai de vs quando todos 
os homens de vs disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos 
profetas. Luc. 6:26. O esprito do mundo no est hoje mais em harmonia com o 
esprito de Cristo do que nos primitivos tempos; e os que pregam a Palavra de 
Deus em sua pureza no sero recebidos agora com maior favor do que o foram 
naquele tempo. As maneiras de oposio  verdade podem mudar, a inimizade 
pode ser menos manifesta porque  mais arguta; mas o mesmo antagonismo 
ainda existe, e se manifestar at ao fim do tempo.
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O Poder Triunfante da Verdade
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Um novo imperador, Carlos V, subira ao trono da Alemanha, e os emissrios de 
Roma se apressaram a apresentar suas congratulaes e induzir o monarca a 
empregar seu poder contra a Reforma. De um lado, o eleitor da Saxnia, a quem 
Carlos em grande parte devia a coroa, rogava-lhe no dar passo algum contra 
Lutero antes de lhe conceder oportunidade de se fazer ouvir. O imperador ficou 
assim colocado em posio de grande perplexidade e embarao. Os adeptos do 
papa no ficariam satisfeitos com coisa alguma a no ser um edito imperial 
sentenciando Lutero  morte. O eleitor declarava firmemente que nem sua 
majestade imperial, nem outra pessoa qualquer tinha demonstrado haverem sido 
refutados os escritos de Lutero; portanto, pedia que o Dr. Lutero fosse provido 
de salvo-conduto, de maneira que pudesse comparecer perante um tribunal de 
juzes sbios, piedosos e imparciais.  DAubign.
A ateno de todos os partidos dirigia-se agora para a assemblia dos Estados 
alemes que se reuniu em Worms logo depois da ascenso de Carlos ao poder 
imperial. Havia importantes questes e interesses polticos a serem considerados 
por esse conclio nacional. Pela primeira vez os prncipes da Alemanha deveriam 
encontrar-se com seu jovem monarca numa assemblia deliberativa. De todas as 
partes da ptria haviam chegado os dignitrios da Igreja e do Estado. Fidalgos 
seculares, de elevada linhagem, poderosos e ciosos de seus direitos hereditrios; 
eclesisticos principescos, afetados de sua
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consciente superioridade em ordem social e poderio; cavalheiros da corte e seus 
partidrios armados; e embaixadores de pases estrangeiros e longnquos  todos 
se achavam reunidos em Worms. Contudo, naquela vasta assemblia, o assunto 
que despertava o mais profundo interesse era a causa do reformador saxnio.
Carlos previamente encarregara o eleitor de levar consigo Lutero  Dieta, 
assegurando-lhe proteo e prometendo franco estudo das questes em contenda, 
com pessoas competentes. Lutero estava ansioso por comparecer perante o 
imperador. Sua sade achava-se naquela ocasio muito alquebrada; no obstante 
escreveu ao eleitor: Se eu no puder ir a Worms com boa sade, serei levado 
para l, doente como estou. Pois se o imperador me chama, no posso duvidar de 
que  o chamado do prprio Deus. Se desejarem usar de violncia para comigo (e 
isto  muito provvel, pois no  para a instruo deles que me ordenam 
comparecer), ponho o caso nas mos do Senhor. Ainda vive e reina Aquele que 
preservou os trs jovens na fornalha ardente. Se Ele me no salvar, minha vida  
de pouca importncia. To-somente evitemos que o evangelho seja exposto ao 
escrnio dos mpios; e por ele derramemos nosso sangue, de preferncia a deixar 
que eles triunfem. No me compete decidir se minha vida ou minha morte 
contribuir mais para a salvao de todos.  Podeis esperar tudo de mim exceto 
fuga e abjurao. Fugir no posso, e menos ainda me retratar.  DAubign.
Quando em Worms circularam as notcias de que Lutero deveria comparecer 
perante a Dieta, houve geral excitao. Aleandro, o delegado papal a quem fora 
especialmente confiado o caso, estava alarmado e enraivecido. Via que o resultado 
seria desastroso para a causa papal. Instituir inqurito sobre um caso em que o 
papa j havia pronunciado sentena de morte, seria lanar o desdm sobre a 
autoridade do soberano pontfice. Alm disso, tinha apreenses de que os 
eloqentes e poderosos argumentos daquele homem pudessem desviar da causa 
do papa muitos dos prncipes.
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Com muita insistncia, pois, advertiu Carlos contra o aparecimento de Lutero em 
Worms. Por este tempo foi publicada a bula que declarava a excomunho de 
Lutero. Este fato, em acrscimo s representaes do legado, induziu o imperador 
a ceder. Escreveu ao eleitor que, se Lutero no se retratasse, deveria permanecer 
em Wittenberg.
No contente com esta vitria, Aleandro trabalhou com toda a fora e astcia que 
possua, para conseguir a condenao de Lutero. Com uma persistncia digna de 
melhor causa, insistiu em que o caso chegasse  ateno dos prncipes, prelados e 
outros membros da assemblia, acusando o reformador de sedio, rebelio e 
blasfmia. Mas a veemncia e paixo manifestadas pelo legado revelaram 
demasiadamente claro o esprito que o impulsionava. Ele  movido pelo dio e 
vingana, foi a observao geral, muito mais do que pelo zelo e piedade.  
DAubign. A maior parte da Dieta estava mais do que nunca inclinada a 
considerar favoravelmente a causa de Lutero.
Com redobrado zelo insistia Aleandro com o imperador sobre o dever de executar 
os editos papais. Mas, pelas leis da Alemanha, no se poderia fazer isto sem o 
apoio dos prncipes; e vencido finalmente pela importunao do legado, Carlos 
ordenou-lhe apresentar seu caso  Dieta.
Foi um dia pomposo para o nncio. A assemblia era grandiosa; a causa ainda 
maior. Aleandro deveria pleitear em favor de Roma,  me e senhora de todas as 
igrejas. Deveria reivindicar a soberania de Pedro perante os principados da 
cristandade, reunidos em assemblia. Possua o dom da eloqncia e ergueu-se  
altura da ocasio. Determinava a Providncia que Roma aparecesse e pleiteasse 
pelo mais hbil de seus oradores, na presena do mais augusto tribunal, antes que 
fosse condenada.  Wylie. Com alguns receios, os que favoreciam o reformador 
anteviam o efeito dos discursos de Aleandro. O eleitor da Saxnia no estava 
presente, mas por sua ordem alguns de seus conselheiros ali se achavam para 
tomar notas do discurso do nncio.
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Com todo o prestgio do saber e da eloqncia, Aleandro se ps a derribar a 
verdade. Acusao sobre acusao lanou ele contra Lutero, como inimigo da 
Igreja e do Estado, dos vivos e dos mortos, do clero e dos leigos, dos conclios e 
dos cristos em geral. Nos erros de Lutero h o suficiente, declarou ele, para 
assegurar a queima de cem mil hereges.
Em concluso esforou-se por atirar o desprezo aos adeptos da f reformada: O 
que so estes luteranos? Uma quadrilha de insolentes pedantes, padres corruptos, 
devassos monges, advogados ignorantes e nobres degradados, juntamente com o 
povo comum a que transviaram e perverteram. Quanto lhes  superior o partido 
catlico em nmero, competncia e poder! Um decreto unnime desta ilustre 
assemblia esclarecer os simples, advertir os imprudentes, firmar os versteis 
e dar fora aos fracos.  DAubign.
Com tais armas tm sido, em todos os tempos, atacados os defensores da 
verdade. Os mesmos argumentos ainda se apresentam contra todos os que ousam 
mostrar, em oposio a erros estabelecidos, os simples e diretos ensinos da 
Palavra de Deus. Quem so estes pregadores de novas doutrinas? exclamam os 
que desejam uma religio popular. So indoutos, pouco numerosos, e das classes 
pobres. Contudo pretendem ter a verdade e ser o povo escolhido de Deus. So 
ignorantes e esto enganados. Quo superior em nmero e influncia  a nossa 
igreja! Quantos grandes e ilustres homens existem entre ns! Quanto mais poder 
h de nosso lado! Tais so os argumentos que tm influncia decisiva sobre o 
mundo; mas no so mais conclusivos hoje do que o foram nos dias do 
reformador.
A Reforma no terminou com Lutero, como muitos supem. Continuar at ao fim 
da histria deste mundo. Lutero teve grande obra a fazer, transmitindo a outros a 
luz que Deus permitira brilhar sobre ele; contudo, no recebeu toda a luz que 
deveria ser dada ao mundo. Desde aquele tempo at hoje, nova luz tem estado 
continuamente a resplandecer sobre as
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Escrituras, e novas verdades se tm desvendado constantemente.
O discurso do legado produziu profunda impresso na Dieta. No havia presente 
nenhum Lutero, com as claras e convincentes verdades da Palavra de Deus, para 
superar o defensor papal. Nenhuma tentativa se fez para defender o reformador. 
Era manifesta a disposio geral de no somente conden-lo e as doutrinas que 
ele ensinava mas, sendo possvel, desarraigar a heresia. Roma frura da mais 
favorvel oportunidade para defender sua causa. Tudo que ela poderia dizer em 
sua prpria reivindicao, fora dito. Mas a aparente vitria foi o sinal da derrota. 
Dali em diante o contraste entre a verdade e o erro seria visto mais claramente, 
ao entrarem para a luta em campo aberto. Nunca mais desde aquele dia Roma se 
havia de sentir to segura como estivera.
Conquanto a maior parte dos membros da Dieta no tivesse hesitado em entregar 
Lutero  vingana de Roma, muitos deles viam e deploravam a depravao 
existente na igreja, desejosos da supresso dos abusos de que sofria o povo 
alemo em conseqncia da corrupo e cobia da hierarquia. O legado 
apresentara sob a luz mais favorvel o dogma papal. O Senhor ento constrangeu 
um membro da Dieta a dar uma descrio verdadeira dos efeitos da tirania papal. 
Com nobre firmeza, o Duque Jorge da Saxnia se levantou naquela assemblia 
principesca e especificou com terrvel preciso os enganos e abominaes do 
papado e seus horrendos resultados. Disse ao concluir:
Tais so alguns dos abusos que clamam contra Roma. Toda vergonha foi posta  
parte, e seu nico objetivo  dinheiro, dinheiro, dinheiro,  de maneira que os 
pregadores que deveriam ensinar a verdade, nada proferem seno falsidade, e so 
no somente tolerados mas recompensados, porque quanto maiores forem suas 
mentiras, tanto maior seu ganho.  dessa fonte impura que fluem tais guas 
contaminadas. A devassido estende a mo  avareza.  Ai!  o escndalo 
causado pelo clero que arremessa tantas pobres almas  condenao eterna. 
Deve-se efetuar uma reforma geral.  DAubign.
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Uma denncia mais hbil e convincente contra os abusos papais no poderia ter 
sido apresentada pelo prprio Lutero; e o fato de ser o orador inimigo decidido do 
reformador, deu maior influncia s suas palavras.
Se se abrissem os olhos dos que constituam a assemblia, teriam visto anjos de 
Deus no meio deles, derramando raios de luz atravs das trevas do erro e abrindo 
mentes e coraes  recepo da verdade. Era o poder do Deus da verdade e 
sabedoria que dirigia at os adversrios da Reforma, preparando assim o caminho 
para a grande obra prestes a realizar-se. Martinho Lutero no estava presente; 
mas a voz de Algum, maior do que Lutero, fora ouvida naquela assemblia.
Uma comisso foi logo designada pela Dieta para apresentar um relatrio das 
opresses papais que to esmagadoramente pesavam sobre o povo alemo. Esta 
lista, contendo cento e uma especificaes, foi apresentada ao imperador, com o 
pedido de que ele tomasse imediatas medidas para a correo de tais abusos. 
Que perda de almas crists, diziam os suplicantes, que depredaes, que 
extorses, por causa dos escndalos de que se acha rodeada a cabea espiritual da 
cristandade!  nosso dever evitar a runa e desonra de nosso povo. Por esta razo, 
ns, de maneira humlina, mas com muita insistncia rogamo-vos ordeneis uma 
reforma geral, e empreendais a sua realizao.  DAubign.
O conclio pediu ento o comparecimento do reformador a sua presena. Apesar 
dos rogos, protestos e ameaas de Aleandro, o imperador finalmente consentiu, e 
Lutero foi intimado a comparecer perante a Dieta. Com a intimao foi expedido 
um salvo-conduto, assegurando sua volta a um lugar de segurana. Ambos foram 
levados a Wittenberg por um arauto que estava incumbido de conduzir o 
reformador a Worms.
Os amigos de Lutero estavam aterrorizados, angustiados. Sabendo do preconceito 
e inimizade contra ele, temiam que mesmo seu salvo-conduto no fosse 
respeitado, e rogavam-lhe no expusesse a vida ao perigo. Ele replicou: Os 
sectrios do papa no desejam minha ida a Worms, mas minha condenao
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e morte. No importa. No orem por mim, mas pela Palavra de Deus.  Cristo me 
dar Seu Esprito para vencer esses ministros do erro. Desprezo-os em minha 
vida; triunfarei sobre eles pela minha morte. Esto atarefados em Worms com 
intuito de me obrigarem a renunciar; e esta ser a minha abjurao: 
anteriormente eu dizia que o papa  o vigrio de Cristo; hoje assevero ser ele o 
adversrio de nosso Senhor e o apstolo do diabo.  DAubign.
Lutero no deveria fazer sozinho sua perigosa viagem. Alm do mensageiro 
imperial, trs de seus amigos mais certos se decidiram a acompanh-lo. Melncton 
ardorosamente quis unir-se a eles. Seu corao estava ligado ao de Lutero, e 
anelava segui-lo, sendo necessrio,  priso ou  morte. Seus rogos, porm, no 
foram atendidos. Se Lutero perecesse, as esperanas da Reforma deveriam 
centralizar-se neste jovem colaborador. Disse o reformador quando se despediu de 
Melncton: Se eu no voltar e meus inimigos me matarem, continua a ensinar e 
permanece firme na verdade. Trabalha em meu lugar.  Se sobreviveres, minha 
morte ter pouca conseqncia.  DAubign. Estudantes e cidados que se 
haviam reunido para testemunharem a partida de Lutero ficaram profundamente 
comovidos. Uma multido, cujo corao havia sido tocado pelo evangelho, deu-lhe 
as despedidas, em pranto. Assim, o reformador e seus companheiros partiram de 
Wittenberg.
Viram em viagem que o esprito do povo se achava oprimido por tristes 
pressentimentos. Nalgumas cidades honras nenhumas lhes eram tributadas. Ao 
pararem para o pouso, um padre amigo exprimiu seus temores, segurando diante 
de Lutero o retrato de um reformador italiano que sofrera o martrio. No dia 
seguinte souberam que os escritos de Lutero haviam sido condenados em Worms. 
Mensageiros imperiais estavam proclamando o decreto do imperador, e apelando 
ao povo para trazerem aos magistrados as obras proscritas. O arauto, temendo 
pela segurana de Lutero no conclio e julgando que sua resoluo j pudesse 
estar abalada, perguntou se ele ainda desejava ir avante. Respondeu: Posto que 
interdito em todas as cidades, irei.  DAubign.
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Em Erfurt, Lutero foi recebido com honras. Cercado de multides que o 
admiravam, passou pelas ruas que ele muitas vezes atravessara com a sacola de 
pedinte. Visitou sua capela no convento e pensou nas lutas pelas quais a luz que 
agora inundava a Alemanha se derramara em sua alma. Insistiu-se com ele a que 
pregasse. Isto lhe havia sido vedado, mas o arauto concedeu-lhe permisso, e o 
frade que fora outrora o servial do convento, subiu agora ao plpito.
A uma multido que ali se reunira, falou ele sobre as palavras de Cristo: Paz seja 
convosco. Filsofos, doutores e escritores, disse ele, tm-se esforado por 
ensinar aos homens o meio para se obter a vida eterna, e no o tm conseguido. 
Contar-vos-ei agora:  Deus ressuscitou dos mortos um Homem, o Senhor Jesus 
Cristo, para que pudesse destruir a morte, extirpar o pecado e fechar as portas do 
inferno. Esta  a obra da salvao.  Cristo venceu! estas so as alegres novas; e 
somos salvos por Sua obra, e no pela nossa prpria.  Disse nosso Senhor Jesus 
Cristo: Paz seja convosco; olhai Minhas mos; isto quer dizer: Olha,  homem! fui 
Eu, Eu s, que tirei teu pecado e te resgatei; e agora tens paz, diz o Senhor.
Continuou, mostrando que a verdadeira f se manifestar por uma vida santa. 
Visto que Deus nos salvou, ordenemos nossos trabalhos de tal maneira que 
possam ser aceitveis perante Ele. s rico? administra teus bens s necessidades 
dos pobres. Se teu trabalho  til apenas para ti, o servio que pretendes prestar 
a Deus  uma mentira.  DAubign.
O povo ouvia como que extasiado. O po da vida fora partido quelas almas 
famintas. Perante elas Cristo foi levantado acima de papas, legados, imperadores e 
reis. Lutero no fez referncia alguma  sua posio perigosa. No procurou fazer-
se objeto dos pensamentos e simpatias. Na contemplao de Cristo perdera de 
vista o eu. Escondera-se por trs do Homem do Calvrio, procurando apenas 
apresentar a Jesus como o Redentor do pecador.
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Prosseguindo viagem, o reformador era em toda parte olhado com grande 
interesse. Uma vida multido acotovelava-se em redor dele, e vozes amigas 
advertiam-no dos propsitos dos romanistas. Eles vos queimaro, diziam alguns, 
e reduziro vosso corpo a cinzas, como fizeram com Joo Huss. Lutero 
respondia: Ainda que acendessem por todo o caminho de Worms a Wittenberg 
uma fogueira cujas chamas atingissem o cu, em nome do Senhor eu caminharia 
pelo meio delas; compareceria perante eles; entraria pelas mandbulas desse 
hipoptamo e lhe quebraria os dentes, confessando o Senhor Jesus Cristo.  
DAubign.
A notcia de sua aproximao de Worms estabeleceu grande comoo. Os amigos 
tremiam de receio pela sua segurana; os inimigos temiam pelo xito de sua 
causa. Fizeram-se acrrimos esforos para dissuadi-lo de entrar na cidade. Por 
instigao dos adeptos do papa, insistiu-se com ele para que se retirasse para o 
castelo de um cavalheiro amigo, onde, declarava-se, todas as dificuldades 
poderiam ser amigavelmente resolvidas. Os amigos esforavam-se por excitar-lhe 
os temores, descrevendo os perigos que o ameaavam. Todos os seus esforos 
falharam. Lutero, ainda inabalvel, declarou: Mesmo que houvesse tantos 
demnios em Worms como telhas nos telhados, eu ali entraria.  DAubign.
 sua chegada em Worms, vasta multido se congregou s portas para lhe dar as 
boas-vindas. Concorrncia to grande no houvera para saudar o prprio 
imperador. A excitao foi intensa, e do meio da multido, uma voz penetrante e 
lamentosa entoava um canto fnebre como aviso a Lutero quanto  sorte que o 
esperava. Deus ser a minha defesa, disse ele, ao descer da carruagem.
Os chefes papais no tinham acreditado que Lutero realmente se aventurasse a 
aparecer em Worms, e sua chegada encheu-os de consternao. O imperador 
imediatamente convocou seus conselheiros para considerarem como deveriam 
agir. Um dos bispos, romanista rgido, declarou: Temo-nos consultado durante 
muito tempo acerca deste assunto. Livre-se vossa majestade imperial, de uma 
vez, deste homem. No fez Sigismundo com que Joo Huss fosse queimado? No 
somos obrigados a dar nem a observar o salvo-conduto de um
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herege. No, disse o imperador; devemos cumprir nossa promessa.  
DAubign. Decidiu-se, portanto, que o reformador fosse ouvido.
A cidade toda se achava sfrega por ver este homem notvel, e uma multido de 
visitantes logo encheu suas estalagens. Lutero havia-se apenas restabelecido de 
enfermidade recente; estava cansado da jornada, que levara duas semanas 
inteiras; deveria preparar-se para enfrentar os momentosos acontecimentos do dia 
seguinte, e necessitava de sossego e repouso. To grande, porm, era o desejo de 
o ver, que havia ele gozado apenas o descanso de algumas horas quando ao seu 
redor se reuniram avidamente nobres, cavalheiros, sacerdotes e cidados. Entre 
estes se encontravam muitos dos nobres que to ousadamente haviam pedido ao 
imperador uma reforma contra os abusos eclesisticos e que, diz Lutero, se 
tinham todos libertado por meu evangelho.  Vida e Tempos de Lutero, de 
Martyn. Inimigos, bem como amigos foram ver o intrpido monge. Ele, porm, os 
recebeu com calma inabalvel, respondendo a todos com dignidade e sabedoria. 
Seu porte era firme e corajoso. O rosto, plido e magro, assinalado com traos de 
trabalhos e enfermidade, apresentava uma expresso amvel e mesmo alegre. A 
solenidade e ardor profundo de suas palavras conferiam-lhe um poder a que 
mesmo seus inimigos no podiam resistir completamente. Tanto amigos como 
adversrios estavam cheios de admirao. Alguns estavam convictos de que uma 
influncia divina o acompanhava; outros declaravam, como fizeram os fariseus em 
relao a Cristo: Ele tem demnio.
No dia seguinte, Lutero foi chamado para estar presente  Dieta. Designou-se um 
oficial imperial para conduzi-lo at ao salo de audincia; foi, contudo, com 
dificuldade que ele atingiu o local. Todas as ruas estavam cheias de espectadores, 
vidos de ver o monge que ousara resistir  autoridade do papa.
Quando estava para entrar  presena de seus juzes, um velho general, heri de 
muitas batalhas, disse-lhe amavelmente: Pobre monge, pobre monge, vais agora 
assumir posio mais nobre do que eu ou quaisquer outros capites j assumimos 
nas mais sanguinolentas de nossas batalhas! Mas, se tua
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causa  justa, e ests certo disto, vai avante em nome de Deus e nada temas. 
Deus no te abandonar.  DAubign.
Finalmente Lutero se achou perante o conclio. O imperador ocupava o trono. 
Estava rodeado das mais ilustres personagens do imprio. Nunca homem algum 
comparecera  presena de uma assemblia mais importante do que aquela diante 
da qual Martinho Lutero deveria responder por sua f. Aquela cena era por si 
mesma uma assinalada vitria sobre o papado. O papa condenara o homem, e 
agora estava ele em p, diante de um tribunal que, por esse mesmo ato, se 
colocava acima do papa. Este o havia posto sob interdito, separando-o de toda a 
sociedade humana; e no entanto era ele chamado em linguagem respeitosa, e 
recebido perante a mais augusta assemblia do mundo. O papa condenara-o ao 
silncio perptuo, e agora estava ele prestes a falar perante milhares de ouvintes 
atentos, reunidos das mais longnquas partes da cristandade. Imensa revoluo 
assim se efetuara por intermdio de Lutero. Roma descia j do trono, e era a voz 
de um monge que determinava esta humilhao.  DAubign.
Na presena daquela poderosa assemblia de titulares, o reformador de humilde 
nascimento parecia intimidado e embaraado. Vrios dos prncipes, observando 
sua emoo, aproximaram-se dele, e um lhe segredou: No temais os que matam 
o corpo, mas no podem matar a alma. Outro disse: Quando fordes levados 
perante os governadores e reis por Minha causa, ser-vos- ministrado, pelo 
Esprito de vosso Pai, o que devereis dizer. Assim, as palavras de Cristo foram 
empregadas pelos grandes homens do mundo para fortalecerem Seu servo na hora 
de prova.
Lutero foi conduzido a um lugar bem em frente do trono do imperador. Profundo 
silncio caiu sobre a assemblia ali congregada. Ento um oficial imperial se 
levantou e, apontando para uma coleo dos escritos de Lutero, pediu que o 
reformador respondesse a duas perguntas: Se ele os reconhecia como seus, e se 
se dispunha a retratar-se das opinies que neles emitira. Lidos os ttulos dos 
livros, Lutero respondeu, quanto 
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primeira pergunta, que reconhecia serem seus os livros. Quanto  segunda, 
disse ele, visto ser uma questo que respeita  f e  salvao das almas, e que 
interessa  Palavra de Deus, o maior e mais precioso tesouro quer no Cu quer na 
Terra, eu agiria imprudentemente se respondesse sem reflexo. Poderia afirmar 
menos do que as circunstncias exigem, ou mais do que a verdade requer, e desta 
maneira, pecar contra estas palavras de Cristo: Qualquer que Me negar diante dos 
homens, Eu o negarei tambm diante de Meu Pai, que est nos Cus. Mat. 10:33. 
Por esta razo, com toda a humildade, rogo a vossa majestade imperial conceder-
me tempo para que eu possa responder sem ofensa  Palavra de Deus.  
DAubign.
Fazendo este pedido, Lutero agiu prudentemente. Sua conduta convenceu a 
assemblia de que no agia por paixo ou impulso. Semelhante calma e domnio 
prprio, inesperados em quem se mostrara audaz e intransigente, aumentaram-
lhe o poder, habilitando-o mais tarde a responder com uma prudncia, deciso, 
sabedoria e dignidade que surpreendiam e decepcionavam seus adversrios, 
repreendendo-lhes a insolncia e orgulho.
No dia seguinte deveria ele comparecer para dar sua resposta final. Durante algum 
tempo seu corao se abateu, ao contemplar as foras que estavam combinadas 
contra a verdade. Vacilou-lhe a f; temor e tremor lhe sobrevieram, e oprimiu-o o 
terror. Multiplicavam-se diante dele os perigos; seus inimigos pareciam a ponto de 
triunfar, e os poderes das trevas, de prevalecer. Nuvens juntavam-se em redor 
dele, e pareciam separ-lo de Deus. Ansiava pela certeza de que o Senhor dos 
exrcitos estaria com ele. Em angstia de esprito lanou-se com o rosto em terra, 
derramando estes clamores entrecortados, lancinantes, que ningum, seno Deus, 
pode compreender perfeitamente:
 Deus, todo-poderoso e eterno, implorava ele, quo terrvel  este mundo! Eis 
que ele abre a boca para engolir-me, e tenho to pouca confiana em Ti.  Se  
unicamente na fora
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deste mundo que eu devo pr minha confiana, tudo est acabado.   vinda a 
minha ltima hora, minha condenao foi pronunciada.   Deus, ajuda-me 
contra toda a sabedoria do mundo. Faze isto,  Tu somente;  pois esta no  
minha obra, mas Tua. Nada tenho a fazer por minha pessoa, e devo tratar com 
estes grandes do mundo.  Mas a causa  Tua,  e  uma causa justa e eterna.  
Senhor, auxilia-me! Deus fiel e imutvel, em homem algum ponho minha 
confiana.  Tudo que  do homem  incerto; tudo que do homem vem, falha.  
Escolheste-me para esta obra.  S a meu lado por amor de Teu bem-amado 
Jesus Cristo, que  minha defesa, meu escudo e torre forte.  DAubign.
Uma providncia onisciente havia permitido a Lutero compreender o perigo, para 
que no confiasse em sua prpria fora, arrojando-se presunosamente ao perigo. 
No era, contudo, o temor do sofrimento pessoal, o terror da tortura ou da morte, 
que parecia iminente, o que o oprimia com seus horrores. Ele chegara  crise, e 
sentia sua insuficincia para enfrent-la. Pela sua fraqueza, a causa da verdade 
poderia sofrer dano. No para a sua prpria segurana, mas para a vitria do 
evangelho lutava ele com Deus. Como a de Israel, naquela luta noturna, ao lado 
do solitrio riacho, foi a angstia e conflito de sua alma. Como Israel, prevaleceu 
com Deus. Em seu completo desamparo, sua f se firmou em Cristo, o poderoso 
Libertador. Ele se fortaleceu com a certeza de que no compareceria sozinho 
perante o conclio. A paz voltou  alma, e ele se regozijou de que lhe fosse 
permitido exaltar a Palavra de Deus perante os governadores da nao.
Com o esprito repousado em Deus, Lutero preparou-se para a luta que diante dele 
estava. Meditou sobre o plano de sua resposta, examinou passagens de seus 
prprios escritos e tirou das Sagradas Escrituras provas convenientes para 
sustentar sua atitude. Ento, pondo a mo esquerda sobre o Volume Sagrado, que 
estava aberto diante dele, levantou a destra para o cu, e fez um voto de 
permanecer fiel ao evangelho e confessar
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francamente sua f, mesmo que tivesse de selar com o sangue seu testemunho. 
 DAubign.
Ao ser de novo introduzido  presena da Dieta, seu rosto no apresentava traos 
de receio ou embarao. Calmo e cheio de paz, ainda que extraordinariamente 
valoroso e nobre, manteve-se como testemunha de Deus entre os grandes da 
Terra. O oficial imperial pediu ento sua deciso sobre se desejava retratar-se de 
suas doutrinas. Lutero respondeu em tom submisso e humilde, sem violncia nem 
paixo. Suas maneiras eram tmidas e respeitosas; manifestou, contudo, confiana 
e alegria que surpreenderam a assemblia.
Serenssimo imperador, ilustres prncipes, graciosos fidalgos, disse Lutero; 
compareo neste dia perante vs, em conformidade com a ordem a mim dada 
ontem, e pela merc de Deus conjuro vossa majestade e vossa augusta alteza a 
escutar, com graa, a defesa de uma causa que, estou certo,  justa e verdadeira. 
Se, por ignorncia, eu transgredir os usos e etiquetas das cortes, rogo-vos 
perdoar-me; pois no fui criado nos palcios dos reis, mas na recluso de um 
convento.  DAubign.
Ento, referindo-se  pergunta, declarou que suas obras publicadas no eram 
todas do mesmo carter. Em algumas havia tratado da f e das boas obras, e 
mesmo seus inimigos as declaravam no somente inofensivas, mas proveitosas. 
Abjur-las seria condenar verdades que todos os partidos professavam. A segunda 
classe consistia em escritos que expunham as corrupes e abusos do papado. 
Revogar estas obras fortaleceria a tirania de Roma, abrindo uma porta mais larga 
a muitas e grandes impiedades. Na terceira classe de seus livros atacara 
indivduos que haviam defendido erros existentes. Em relao a eles confessou, 
francamente, que tinha sido mais violento do que convinha. No pretendia estar 
isento de falta; mas mesmo esses livros no poderia revogar, pois que tal 
procedimento tornaria audaciosos os inimigos da verdade, e ento aproveitariam a 
ocasio para esmagar o povo de Deus com crueldade ainda maior.
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No sou, todavia, seno mero homem, e no Deus, continuou ele; portanto, 
defender-me-ei como fez Cristo: Se falei mal, d testemunho do mal.  Pela 
misericrdia de Deus, conjuro-vos, serenssimo imperador, e a vs, ilustrssimos 
prncipes, e a todos os homens de toda categoria, a provar pelos escritos dos 
profetas e apstolos, que errei. Logo que estiver convicto disso, retratarei todo 
erro e serei o primeiro a lanar mo de meus livros e atir-los ao fogo.
O que acabo de dizer, claramente mostra, eu o espero, que pesei e considerei 
cuidadosamente os perigos a que me exponho mas, longe de me desanimar, 
regozijo-me por ver que o evangelho  hoje, como nos tempos antigos, causa de 
perturbao e dissenso. Este  o carter, este  o destino da Palavra de Deus. 
No vim trazer paz  Terra, mas espada, disse Jesus Cristo. Deus  maravilhoso e 
terrvel em Seus conselhos; acautelai-vos para que no acontea que, supondo 
apagar dissenses, persigais a santa Palavra de Deus e arrosteis sobre vs 
mesmos um pavoroso dilvio de perigos insuperveis, de desastres presentes e 
desolao eterna.  Poderia citar muitos exemplos dos orculos de Deus. Poderia 
falar dos Faras, dos reis de Babilnia e dos de Israel, cujos trabalhos no 
contriburam nunca mais eficazmente para a sua prpria destruio do que quando 
buscavam, mediante conselhos, prudentssimos na aparncia, fortalecer seu 
domnio. Deus  O que transporta montanhas, sem que o sintam.  DAubign.
Lutero falara em alemo; foi-he pedido ento repetir as mesmas palavras em 
latim. Embora exausto pelo esforo anterior, anuiu e novamente fez seu discurso, 
com a mesma clareza e energia que a princpio. A providncia de Deus dirigiu isto. 
O esprito de muitos dos prncipes estava to obliterado pelo erro e superstio 
que  primeira vez no viram a fora do raciocnio de Lutero; mas a repetio 
habilitou-os a perceber claramente os pontos apresentados.
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Os que obstinadamente fechavam os olhos  luz e se decidiram a no convencer-
se da verdade, ficaram enraivecidos com o poder das palavras de Lutero. Quando 
cessou de falar, o anunciador da Dieta disse, irado: No respondeste  pergunta 
feita.  Exige-se que ds resposta clara e precisa.  Retratar-te-s ou no?
O reformador respondeu: Visto que vossa serenssima majestade e vossas nobres 
altezas exigem de mim resposta clara, simples e precisa, dar-vo-la-ei, e  esta: 
No posso submeter minha f quer ao papa quer aos conclios, porque  claro 
como o dia, que eles tm freqentemente errado e se contradito um ao outro. 
Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo 
mais claro raciocnio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que 
citei; a menos que assim submetam minha conscincia pela Palavra de Deus, no 
posso retratar-me e no me retratarei, pois  perigoso a um cristo falar contra a 
conscincia. Aqui permaneo, no posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. 
Amm.  DAubign.
Assim se manteve este homem justo sobre o firme fundamento da Palavra de 
Deus. A luz do Cu iluminava-lhe o semblante. Sua grandeza e pureza de carter, 
sua paz e alegria de corao, eram manifestas a todos ao testificar ele contra o 
poder do erro e testemunhar a superioridade da f que vence o mundo.
A assemblia toda ficou por algum tempo muda de espanto. Em sua primeira 
resposta Lutero falara em tom baixo, em atitude respeitosa, quase submissa. Os 
romanistas haviam interpretado isto como sinal de que lhe estivesse comeando a 
faltar o nimo. Consideraram o pedido de delonga simples preldio de sua 
retratao. O prprio Carlos, notando, meio desdenhoso, a constituio abatida do 
monge; seu traje singelo e a simplicidade de suas maneiras, declarara: Este 
monge nunca far de mim um herege. A coragem e firmeza que agora ele 
ostentara, bem como o poder e clareza de seu raciocnio, encheram de surpresa 
todos os partidos. O imperador, possudo
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de admirao, exclamou: Este monge fala com corao intrpido e inabalvel 
coragem. Muitos dos prncipes alemes olhavam com orgulho e alegria a este 
representante de sua nao.
Os partidrios de Roma haviam sido vencidos; sua causa parecia sob a mais 
desfavorvel luz. Procuraram manter seu poder, no apelando para as Escrituras, 
mas com recurso s ameaas  indefectvel argumento de Roma. Disse o 
anunciador da Dieta: Se no se retratar, o imperador e os governos do imprio 
consultar-se-o quanto  conduta a adotar-se contra o herege incorrigvel.
Os amigos de Lutero, que com grande alegria lhe ouviram a nobre defesa, 
tremeram quelas palavras; mas o prprio doutor disse calmamente: Queira Deus 
ser meu auxiliador, pois no posso retratar-me de coisa alguma.  DAubign.
Ordenou-se-lhe que se retirasse da Dieta, enquanto os prncipes se consultavam 
juntamente. Pressentia-se que chegara uma grande crise. A persistente recusa de 
Lutero em submeter-se, poderia afetar a histria da igreja durante sculos. 
Decidiu-se dar-lhe mais uma oportunidade para renunciar. Pela ltima vez foi ele 
levado  assemblia. Novamente foi feita a pergunta se ele renunciaria a suas 
doutrinas. No tenho outra resposta a dar, disse ele, a no ser a que j dei. 
Era evidente que ele no poderia ser induzido, quer por promessas quer por 
ameaas, a render-se ao governo de Roma.
Os chefes papais aborreceram-se de que seu poderio, o qual fizera com que reis e 
nobres tremessem, fosse dessa maneira desprezado por um humilde monge: 
almejavam faz-lo sentir sua ira, destruindo-lhe a vida com torturas. Lutero, 
porm, compreendendo o perigo, falara a todos com dignidade e calma crists. 
Suas palavras tinham sido isentas de orgulho, paixo e falsidade. Havia perdido de 
vista a si prprio e aos grandes homens que o cercavam, e sentia unicamente que 
se achava na presena de Algum infinitamente superior aos papas, prelados, reis 
e imperadores. Cristo falara por intermdio do testemunho de Lutero, com um 
poder e grandeza que na
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ocasio causou espanto e admirao tanto a amigos como a adversrios. O Esprito 
de Deus estivera presente naquele conclio, impressionando o corao dos 
principais do imprio. Vrios dos prncipes reconheceram ousadamente a justia da 
causa de Lutero. Muitos estavam convictos da verdade; mas em outros as 
impresses recebidas no foram duradouras. Houve outra classe que no momento 
no exprimiu suas convices, mas que, tendo pesquisado as Escrituras por si 
mesmos, tornaram-se em ocasio posterior destemidos sustentculos da Reforma.
O eleitor Frederico aguardara ansiosamente o comparecimento de Lutero perante a 
Dieta, e com profunda emoo ouviu seu discurso. Com alegria e orgulho 
testemunhou a coragem, firmeza e domnio prprio do doutor, e decidiu-se a 
permanecer mais firmemente em sua defesa. Ele contrastava as faces em 
contenda, e via que a sabedoria dos papas, reis e prelados, fora pelo poder da 
verdade reduzida a nada. O papado sofrera uma derrota que seria sentida entre 
todas as naes e em todos os tempos.
Quando o legado percebeu o efeito produzido pelo discurso de Lutero, como nunca 
dantes temeu pela segurana do poderio romano e resolveu empregar todos os 
meios a seu alcance, para levar a termo a derrota do reformador. Com toda a 
eloqncia e percia diplomtica, pelas quais tanto se distinguia, apresentou ao 
jovem imperador a loucura e perigo de sacrificar, pela causa de um monge 
desprezvel, a amizade e apoio da poderosa S de Roma.
Suas palavras no foram destitudas de efeito. No dia que se seguiu  resposta de 
Lutero, Carlos fez com que fosse apresentada uma mensagem  Dieta, anunciando 
sua resoluo de prosseguir com a poltica de seus predecessores, mantendo e 
protegendo a religio catlica. Visto que Lutero se recusara a renunciar a seus 
erros, seriam empregadas as mais rigorosas medidas contra ele e contra as 
heresias que ensinava. Um simples monge, transviado por sua prpria loucura, 
levantou-se contra a f da cristandade. Para deter tal impiedade, sacrificarei meus 
reinos, meus tesouros, meus amigos, meu corpo,
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meu sangue, minha alma e minha vida. Estou para despedir o agostiniano Lutero, 
proibindo-lhe causar a menor desordem entre o povo; procederei ento contra ele 
e seus adeptos como hereges contumazes, pela excomunho, pelo interdito e por 
todos os meios calculados para destru-los. Apelo para os membros dos Estados a 
que se portem como fiis cristos.  DAubign. No obstante, o imperador 
declarou que o salvo conduto de Lutero deveria ser respeitado, e que, antes de se 
poder instituir qualquer processo contra ele, deveria ser-lhe permitido chegar a 
casa em segurana.
Insistiam agora os membros da Dieta em duas opinies contrrias. Os emissrios e 
representantes do papa, de novo pediam que o salvo-conduto do reformador fosse 
desrespeitado. O Reno, diziam eles, deveria receber suas cinzas, como recebeu 
as de Joo Huss, h um sculo.  DAubign. Prncipes alemes, porm, 
conquanto fossem eles prprios romanistas e inimigos declarados de Lutero, 
protestavam contra tal brecha da pblica f, como uma ndoa sobre a honra da 
nao. Apontavam para as calamidades que se seguiram  morte de Huss e 
declaravam que no ousavam atrair sobre a Alemanha e sobre a cabea de seu 
jovem imperador, a repetio daqueles terrveis males.
O prprio Carlos, respondendo  vil proposta, disse: Embora fossem a honra e a 
f banidas do mundo todo, deveriam encontrar um refgio no corao dos 
prncipes.  DAubign. Houve ainda insistncia por parte dos mais encarniados 
inimigos papais de Lutero, a fim de tratar o reformador como Sigismundo fizera 
com Huss  abandonando-o  merc da igreja; mas lembrando-se da cena em que 
Huss, em assemblia pblica, apontara a suas cadeias e lembrara ao monarca a 
sua f empenhada, Carlos V declarou: Eu no gostaria de corar como 
Sigismundo.  (Ver Histria do Conclio de Constana, de Lenfant.)
No obstante, Carlos havia deliberadamente rejeitado as verdades apresentadas 
por Lutero. Estou firmemente resolvido a imitar o exemplo de meus maiores, 
escreveu o
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monarca. Decidira no sair da senda do costume, mesmo para andar nos caminhos 
da verdade e justia. Porque seus pais o fizeram, ele apoiaria o papado, com toda 
a sua crueldade e corrupo. Assim, assumiu sua posio, recusando-se a aceitar 
qualquer luz em acrscimo  que seus pais haviam recebido, ou cumprir qualquer 
dever que eles no cumpriram.
Muitos hoje se apegam de modo idntico aos costumes e tradies de seus pais. 
Quando o Senhor lhes envia mais luz, recusam-se a aceit-la porque, no havendo 
ela sido concedida a seus pais, no foi por estes acolhida. No estamos colocados 
onde nossos pais se achavam; conseqentemente nossos deveres e 
responsabilidades no so os mesmos. No seremos aprovados por Deus olhando 
para o exemplo de nossos pais a fim de determinar nosso dever, em vez de 
pesquisar por ns mesmos a Palavra da verdade. Nossa responsabilidade  maior 
do que foi a de nossos antepassados. Somos responsveis pela luz que receberam, 
e que nos foi entregue como herana; somos tambm responsveis pela luz 
adicional que hoje, da Palavra de Deus, est a brilhar sobre ns.
Disse Cristo acerca dos judeus incrdulos: Se Eu no viera, nem lhes houvera 
falado, no teriam pecado, mas agora no tm desculpa do seu pecado. Joo 
15:22. O mesmo poder divino falara por intermdio de Lutero ao imperador e 
prncipes da Alemanha. E, ao resplandecer a luz da Palavra de Deus, Seu Esprito 
contendeu pela ltima vez com muitos naquela assemblia. Como Pilatos, sculos 
antes, permitira que o orgulho e a popularidade fechassem seu corao contra o 
Redentor do mundo; como o timorato Flix ordenou ao mensageiro da verdade: 
Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei; como o orgulhoso Agripa 
confessou: Por pouco me queres persuadir a que me faa cristo! (Atos 24:25; 
26:28) e no entanto se desviou da mensagem enviada pelo Cu  assim Carlos V, 
cedendo s sugestes do orgulho e poltica mundanos, decidiu-se a rejeitar a luz 
da verdade.
Circularam amplamente rumores dos planos feitos contra Lutero, causando por 
toda a cidade grande excitao. O
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reformador conquistara muitos amigos que, conhecendo a traioeira crueldade de 
Roma para com todos os que ousavam expor suas corrupes, resolveram que ele 
no fosse sacrificado. Centenas de nobres se comprometeram a proteg-lo. No 
poucos denunciaram abertamente a mensagem real como evidncia de tmida 
submisso ao poder de Roma. s portas das casas e em lugares pblicos, foram 
afixados cartazes, alguns condenando e outros apoiando Lutero. Num deles 
estavam meramente escritas as significativas palavras do sbio: Ai de ti,  terra, 
cujo rei  criana! Ecl. 10:16. O entusiasmo popular em favor de Lutero, por toda 
a Alemanha, convenceu tanto o imperador como a Dieta de que qualquer injustia 
a ele manifesta faria perigar a paz do imprio e mesmo a estabilidade do trono.
Frederico da Saxnia manteve uma estudada reserva, escondendo 
cuidadosamente seus verdadeiros sentimentos, para com o reformador, ao passo 
que o guardava com incansvel vigilncia, observando todos os seus movimentos 
e todos os de seus inimigos. Mas, muitos havia que no faziam tentativa para 
ocultar sua simpatia por Lutero. Ele era visitado por prncipes, condes, bares e 
outras pessoas de distino, tanto leigas como eclesisticas. A salinha do doutor, 
escreveu Spalatin, no podia conter todos os visitantes que se apresentavam.  
Martyn. O povo contemplava-o como se fosse mais que humano. Mesmo os que 
no tinham f em suas doutrinas, no podiam deixar de admirar aquela altiva 
integridade que o levou a afrontar a morte de preferncia a violar a conscincia.
Fizeram-se ardentes esforos a fim de obter o consentimento de Lutero para uma 
transigncia com Roma. Nobres e prncipes lembraram-lhe que, se persistisse em 
colocar seu prprio juzo contra o da igreja e dos conclios, seria logo banido do 
imprio e no teria ento defesa. A este apelo Lutero respondeu:O evangelho de 
Cristo no pode ser pregado sem dano.  Por que, pois, deveria o temor ou 
apreenso do perigo separar-me do Senhor, e da divina Palavra, que, unicamente, 
 a verdade?
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No! entregaria antes meu corpo, meu sangue e minha vida.  DAubign.
De novo insistiu-se com ele para que se submetesse ao juzo do imperador, e 
ento nada precisaria temer. Consinto, disse ele em resposta, de todo o meu 
corao, em que o imperador, os prncipes e mesmo o mais obscuro cristo, 
examinem e julguem os meus livros; mas, sob uma condio: que tomem a 
Palavra de Deus como norma. Os homens nada tm a fazer seno obedecer-lhe. 
No faais violncia  minha conscincia, que est ligada e encadeada s 
Escrituras Sagradas.  DAubign.
A um outro apelo disse ele: Consinto em renunciar ao salvo-conduto. Coloco 
minha pessoa e minha vida nas mos do imperador, mas a Palavra de Deus  
nunca!  DAubign. Declarou estar disposto a submeter-se  deciso de um 
conclio geral, mas unicamente sob a condio de que se exigisse do conclio 
decidir de acordo com as Escrituras. No tocante  Palavra de Deus e  f, 
acrescentou ele, todo cristo  juiz to bom como pode ser o prprio papa, 
embora apoiado por um milho de conclios.  Martyn. Tanto amigos como 
adversrios finalmente se convenceram de que afirmao seriam quaisquer outros 
esforos de reconciliao.
Houvesse o reformador cedido num nico ponto, e Satans e suas hostes teriam 
ganho a vitria. Mas sua persistente firmeza foi o meio para a emancipao da 
igreja e o incio de uma era nova e melhor. A influncia deste nico homem, que 
ousou pensar e agir por si mesmo em assuntos religiosos, deveria afetar a igreja e 
o mundo, no somente em seu prprio tempo mas em todas as geraes futuras. 
Sua firmeza e fidelidade fortaleceriam, at ao final do tempo, a todos os que 
passassem por experincia semelhante. O poder e majestade de Deus se 
mantiveram acima do conselho dos homens, acima da potente fora de Satans.
Por autorizao do imperador foi Lutero logo ordenado a voltar para casa, e sabia 
que este aviso seria imediatamente seguido de sua condenao. Nuvens 
ameaadoras pairavam sobre seu caminho; mas, partindo de Worms, seu corao 
se
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encheu de alegria e louvor. O prprio diabo, disse ele, guardou a fortaleza do 
papa, mas Cristo fez nela uma larga brecha, e Satans foi constrangido a 
confessar que o Senhor  mais poderoso do que ele.  DAubign.
Depois de sua partida, ainda desejoso de que sua firmeza no fosse mal-
interpretada como sendo rebelio, Lutero escreveu ao imperador: Deus, que  o 
pesquisador dos coraes,  minha testemunha, disse ele, de que estou pronto 
para, da maneira mais ardorosa, obedecer a vossa majestade, na honra e na 
desonra, na vida e na morte, e sem excees, a no ser a Palavra de Deus, pela 
qual o homem vive. Em todas as preocupaes da presente vida, minha fidelidade 
ser inabalvel, pois perder ou ganhar neste mundo  de nenhuma conseqncia 
para a salvao. Mas quando se acham envolvidos interesses eternos, Deus no 
quer que o homem se submeta ao homem; pois tal submisso em assuntos 
espirituais  verdadeiro culto, e este deve ser prestado unicamente ao Criador.  
DAubign.
Na viagem de volta de Worms, a recepo de Lutero foi mais lisonjeira mesmo do 
que na sua ida para ali. Eclesisticos principescos davam as boas-vindas ao monge 
excomungado, e governadores civis honravam ao homem que o imperador 
denunciara. Insistiu-se com ele que pregasse e, no obstante a proibio imperial, 
de novo subiu ao plpito. Nunca me comprometi a acorrentar a Palavra de Deus, 
disse ele, nem o farei.  Martyn. No estivera ainda muito tempo ausente de 
Worms, quando os chefes coagiram o imperador a promulgar um edito contra ele. 
Nesse decreto Lutero foi denunciado como o prprio Satans sob a forma de 
homem e sob as vestes de monge.  DAubign. Ordenou-se que, logo ao expirar 
o prazo de seu salvo-conduto, se adotassem medidas para deter a sua obra. 
Proibia-se a todas as pessoas abrig-lo, dar-lhe comida ou bebida, ou por palavras 
ou atos, em pblico ou em particular, auxili-lo ou apoi-lo. Deveria ser preso 
onde quer que o pudesse ser, e entregue s autoridades. Presos deveriam ser 
tambm seus adeptos, e confiscadas suas propriedades. Deveriam destruir-se seus 
escritos e, finalmente, todos os que ousassem agir contrariamente quele decreto 
eram includos em sua condenao.
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O eleitor da Saxnia e os prncipes mais amigos de Lutero tinham-se retirado de 
Worms logo depois de sua partida, e o decreto do imperador recebeu a sano da 
Dieta. Achavam-se agora jubilosos os romanistas. Consideravam selada a sorte da 
Reforma.
Deus provera a Seu servo nesta hora de perigo um meio para escapar ao mesmo. 
Um olhar vigilante acompanhava os movimentos de Lutero e um corao 
verdadeiro e nobre decidira o seu livramento. Era claro que Roma no se satisfaria 
com coisa alguma seno sua morte; unicamente ocultando-se poderia ele ser 
preservado das garras do leo. Deus dera sabedoria a Frederico da Saxnia para 
idear um plano destinado a preservar o reformador. Com a cooperao de 
verdadeiros amigos, executou-se o propsito do eleitor, e Lutero foi, de maneira 
eficiente, oculto de seus amigos e inimigos. Em sua viagem de volta para casa, foi 
preso, separado de seus assistentes e precipitadamente transportado atravs da 
floresta para o castelo de Wartburgo, isolada fortaleza nas montanhas. Tanto o 
rapto como o esconderijo foram de tal maneira envoltos em mistrio, que at o 
prprio Frederico, durante muito tempo, no soube para onde fora ele conduzido. 
Esta ignorncia no deixou de ter seu desgnio; enquanto o eleitor nada soubesse 
do paradeiro de Lutero, nada poderia revelar. Convenceu-se de que o reformador 
estava em segurana e com isso se sentiu satisfeito.
Passaram-se a primavera, o vero e o outono, e chegara o inverno, e Lutero ainda 
permanecia prisioneiro. Aleandro e seus partidrios exultavam quando a luz do 
evangelho parecia prestes a extinguir-se. Mas, em vez disso, o reformador enchia 
sua lmpada no repositrio da verdade; e sua luz deveria resplandecer com maior 
brilho.
Na proteo amiga de Wartburgo, Lutero durante algum tempo se regozijou em 
seu livramento do ardor e torvelinho da batalha. Mas no poderia por muito tempo 
encontrar satisfao no silncio e repouso. Habituado a uma vida de atividade e 
acirrado conflito, mal suportava o permanecer inativo. Naqueles dias de solido, 
surgia diante dele o estado da igreja, e
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exclamava em desespero: Ai! ningum h neste ltimo tempo da ira do Senhor 
para ficar diante dEle como uma muralha e salvar Israel.  DAubign. 
Novamente volvia os pensamentos para si mesmo e receava ser acusado de 
covardia por afastar-se da contenda. Acusava-se, ento, de indolncia e 
condescendncia prpria. No entanto, produzia diariamente mais do que parecia 
possvel a um homem fazer. Sua pena nunca estava ociosa. Seus inimigos, 
conquanto se lisonjeassem de que ele estivesse em silncio, espantavam-se e 
confundiam-se pela prova palpvel de que ainda exercia atividade. Sem-nmero 
de folhetos, procedentes de sua pena, circulavam pela Alemanha toda. Tambm 
prestava importantssimo servio a seus patrcios, traduzindo o Novo Testamento 
para a lngua alem. De seu Patmos rochoso, continuou durante quase um ano 
inteiro a proclamar o evangelho e a repreender os pecados e erros do tempo.
No foi, porm, meramente para preservar Lutero da ira de seus inimigos, nem 
mesmo para proporcionar-lhe uma temporada de calma para esses importantes 
labores, que Deus retirara Seu servo do cenrio da vida pblica. Visavam-se 
resultados mais preciosos do que esses. Na solido e obscuridade de seu retiro 
montesino, Lutero esteve afastado do apoio terrestre e excludo dos louvores 
humanos. Foi desta maneira salvo do orgulho e confiana em si prprio, tantas 
vezes determinados pelo xito. Por sofrimentos e humilhao foi de novo 
preparado para andar em segurana na altura vertiginosa a que to subitamente 
fora exaltado.
Ao exultarem os homens na libertao que a verdade lhes traz, inclinam-se a 
engrandecer aqueles que Deus empregou para quebrar as cadeias do erro e 
superstio. Satans procura desviar de Deus os pensamentos e afeies dos 
homens, e fix-los nos fatores humanos; ele os leva a honrar o mero instrumento, 
e desconhecer a Mo que dirige os acontecimentos da Providncia. Muitas vezes 
dirigentes religiosos que assim so louvados e reverenciados, perdem de vista sua 
dependncia de Deus e so levados a confiar em si prprios. Em conseqncia,
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procuram governar o esprito e a conscincia do povo que se dispe a esperar 
deles a guia, em vez de esper-la da Palavra de Deus. A obra de reforma  muitas 
vezes retardada por causa deste esprito da parte dos que a amparam. Deste 
perigo quis Deus guardar a causa da Reforma. Ele desejava que aquela obra 
recebesse no os caractersticos do homem, mas os de Deus. Os olhos dos homens 
tinham-se dirigido a Lutero como o expositor da verdade; ele foi removido para 
que todos os olhares pudessem dirigir-se ao sempiterno Autor da verdade.
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II. Despertam as Naes
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A Luz na Sua
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Na escolha dos instrumentos para a reforma da igreja, v-se que Deus segue o 
mesmo plano adotado para sua fundao. O Mestre divino passou por alto os 
grandes homens da Terra, os titulares e ricos, que estavam acostumados a 
receber louvor e homenagem como dirigentes do povo. Eram to orgulhosos e 
confiantes em si prprios, na sua alardeada superioridade, que no poderiam ser 
levados a simpatizar com os semelhantes e tornar-se colaboradores do humilde 
Homem de Nazar. Aos indoutos e laboriosos pescadores da Galilia fora dirigido o 
chamado: Vinde aps Mim, e Eu vos farei pescadores de homens. Mat. 4:19. 
Aqueles discpulos eram humildes e dceis. Quanto menos houvessem sido 
influenciados pelo falso ensino de seu tempo, com tanto mais xito poderia Cristo 
instru-los e habilit-los para Seu servio. Assim foi nos dias da grande Reforma. 
Os principais reformadores foram homens de vida humilde, homens que, em seu 
tempo, eram os mais livres do orgulho de classe e da influncia do fanatismo e 
astcia dos padres.  plano de Deus empregar humildes instrumentos para atingir 
grandes resultados. No ser ento dada a glria aos homens, mas quele que por 
meio deles opera para o querer e o efetuar de Sua prpria aprovao.
Poucas semanas depois do nascimento de Lutero na cabana de um mineiro, na 
Saxnia, nasceu Ulrich Zwnglio, na choupana de um pastor entre os Alpes. O 
ambiente em que viveu
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Zwnglio na meninice, e seus primeiros ensinos, foram de molde a prepar-lo para 
sua misso futura. Criado entre cenas de grandiosidade, beleza e solene 
sublimidade natural, seu esprito foi logo impressionado com o senso da grandeza, 
poder e majestade de Deus. A histria dos feitos hericos que tiveram por cenrio 
suas montanhas nativas, inflamou-lhe as juvenis aspiraes. E, ao lado de sua 
piedosa av, ouvia as poucas e preciosas histrias bblicas que ela rebuscara por 
entre as lendas e tradies da igreja. Com vido interesse ouvia acerca dos 
grandes feitos dos patriarcas e profetas, dos pastores que vigiavam seus rebanhos 
nas colinas da Palestina, onde anjos lhes falaram da Criancinha de Belm e do 
Homem do Calvrio.
Semelhante a Joo Lutero, o pai de Zwnglio desejava educar o filho, e o rapaz 
cedo foi enviado fora de seu vale natal. Desenvolveu-se-lhe rapidamente o 
esprito, e logo surgiu a questo de saber onde encontrar professores competentes 
para instru-lo. Na idade de treze anos foi a Berna, que ento possua a mais 
conceituada escola na Sua. Ali, entretanto, se manifestou um perigo que 
ameaou frustrar seu promissor futuro. Decididos esforos foram feitos pelos 
frades a fim de atra-lo a um convento. Os monges dominicanos e franciscanos 
porfiavam pela obteno do favor popular. Procuravam consegui-lo mediante 
vistosos adornos das igrejas, pela pompa das cerimnias, e pelas atraes das 
famosas relquias e imagens miraculosas.
Os dominicanos de Berna viram que se pudessem ganhar aquele talentoso jovem 
estudante, conseguiriam tanto proveito como honras. Sua idade juvenil, sua 
natural habilidade como orador e escritor, e seu gnio para a msica e poesia, 
seriam mais eficientes do que toda a pompa e ostentao para atrair o povo aos 
cultos e aumentar os proventos de sua ordem. Pelo engano e lisonja esforaram-
se por induzir Zwnglio a entrar para seu convento. Lutero, quando estudante em 
uma escola, havia-se sepultado na cela de um convento, e ter-se-ia perdido para o 
mundo se a Providncia o no houvesse libertado. No foi permitido a Zwnglio 
encontrar o
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mesmo perigo. Providencialmente seu pai recebeu notcia do intuito dos frades. 
No tinha intenes de permitir que o filho seguisse a vida ociosa e intil dos 
monges. Viu que sua utilidade futura estava em perigo, e ordenou-lhe voltar sem 
demora para casa.
A ordem foi obedecida; mas o jovem no poderia estar contente por muito tempo 
em seu vale natal, e logo retornou aos estudos, dirigindo-se depois de algum 
tempo a Basilia. Foi ali que Zwnglio ouviu pela primeira vez o evangelho da livre 
graa de Deus. Wittenbach, professor de lnguas antigas, ao estudar o grego e o 
hebraico, fora conduzido s Escrituras Sagradas, e assim raios de luz divina se 
derramaram na mente dos estudantes sob sua instruo. Declarava ele existir uma 
verdade mais antiga e de valor infinitamente maior que as teorias ensinadas pelos 
escolsticos e filsofos. Esta antiga verdade era que a morte de Cristo  o nico 
resgate do pecador. Para Zwnglio estas palavras foram como o primeiro raio de 
luz que precede a aurora.
Logo foi Zwnglio chamado de Basilia para o servio ativo. Seu primeiro campo de 
trabalho foi uma parquia alpina, no muito distante de seu vale natal. Ordenado 
padre, dedicou-se de toda a sua alma  pesquisa da verdade divina; pois estava 
bem ciente, declara um companheiro de reforma, de quanto devia saber aquele a 
quem o rebanho de Cristo  confiado.  Wylie. Quanto mais pesquisava as 
Escrituras, mais claro aparecia o contraste entre suas verdades e as heresias de 
Roma. Ele se submeteu  Bblia como a Palavra de Deus, nica regra suficiente, 
infalvel. Viu que ela deveria ser seu prprio intrprete. No ousou tentar a 
explicao das Escrituras a fim de sustentar uma teoria ou doutrina preconcebida, 
mas mantinha como seu dever aprender o que constituem seus ensinos diretos e 
bvios. Procurou aproveitar-se de todo auxlio a fim de obter compreenso ampla e 
correta de seu sentido, e invocou a ajuda do Esprito Santo, que, declarou ele, o 
revelaria a todos que O buscassem com sinceridade e orao.
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As Escrituras, dizia Zwnglio, vm de Deus, no do homem, e mesmo aquele 
Deus que esclarece te dar a compreender que a palavra vem de Deus. A Palavra 
de Deus no pode falhar;  clara, ensina por si mesma, desvenda-se a si prpria, 
ilumina a alma com toda a salvao e graa, conforta-a em Deus, humilha-a de 
maneira que ela se perde a si mesma, e at se despoja e abraa a Deus.  Wylie. 
A verdade destas palavras Zwnglio mesmo havia provado. Falando de sua 
experincia naquele tempo, escreveu depois: Quando comecei a devotar-me 
inteiramente s Escrituras Sagradas, a filosofia e a teologia (escolstica) sempre 
me sugeriam disputas. Finalmente cheguei a esta concluso: Deves deixar toda 
inverdade, e aprender a significao de Deus unicamente de Sua prpria e simples 
Palavra. Ento comecei a rogar a Deus a Sua luz, e as Escrituras foram-se 
tornando para mim muito mais fceis.  Wylie.
A doutrina pregada por Zwnglio, no a recebera ele de Lutero. Era a doutrina de 
Cristo. Se Lutero prega a Cristo, disse o reformador suo, ele faz o que eu 
estou fazendo. Aqueles a quem ele levou a Cristo so mais numerosos do que os 
que levei. Mas isto no importa. No pregarei nenhum outro nome a no ser o de 
Cristo, de quem sou soldado, e que unicamente  o meu Chefe. Nunca uma s 
palavra foi por mim escrita a Lutero, nem por Lutero a mim. E por qu? Para que 
se pudesse mostrar quanto  consigo mesmo concorde o Esprito de Deus, visto 
que ns ambos, sem qualquer combinao comum, ensinamos a doutrina de Cristo 
com tal uniformidade.  DAubign.
Em 1516 Zwnglio foi convidado para ser pregador no convento de Einsiedeln. Ali 
deveria ter mais ntida perspectiva das corrupes de Roma e, como reformador, 
exercer uma influncia que seria sentida muito alm de seus Alpes nativos. Entre 
as principais atraes de Einsiedeln havia uma imagem da Virgem que diziam ter o 
poder de operar milagre. Por sobre o portal do convento estava a inscrio: Aqui 
se pode obter remisso plenria dos pecados.  DAubign. Em todo tempo
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acorriam peregrinos ao relicrio da Virgem, mas na grande festa anual de sua 
consagrao, vinham multides de todas as partes da Sua, e mesmo da Frana e 
da Alemanha. Zwnglio, grandemente aflito ante o que via, aproveitou a 
oportunidade para proclamar queles escravos das supersties a liberdade 
mediante o evangelho.
No imagineis, disse ele, que Deus est neste templo mais do que em qualquer 
outra parte da criao. Qualquer que seja o pas em que habiteis, Deus est em 
redor de vs, e vos ouve.  Podem obras sem proveito, longas peregrinaes, 
ofertas, imagens, invocaes da Virgem ou dos santos assegurar-vos a graa de 
Deus?  Que vale a multido de palavras em que envolvemos nossas oraes? 
Que eficcia tm um capuz luzidio, cabea bem rapada, vestes bem compridas e 
flutuantes, ou chinelas bordadas a ouro? Deus olha para o corao, e nosso 
corao est longe dEle. Cristo, disse ele, que uma vez foi oferecido sobre a 
cruz,  o sacrifcio e vtima, que por toda a eternidade proveu satisfao para os 
pecados dos crentes.  DAubign.
Por muitos ouvintes estes ensinos no eram bem aceitos. Era-lhes amarga 
decepo dizer-se-lhes que sua penosa jornada fora feita sem proveito. O perdo 
que livremente lhes era oferecido por meio de Cristo, no o podiam compreender. 
Estavam satisfeitos com o velho caminho para o Cu, que Roma lhes indicara. 
Recuavam ante a perplexidade de pesquisar qualquer coisa melhor. Era mais fcil 
confiar sua salvao aos padres e ao papa do que procurar pureza de corao.
Outra classe, entretanto, recebia com alegria as novas da redeno por meio de 
Cristo. As observncias que Roma ordenara no haviam conseguido trazer paz  
alma, e pela f aceitaram o sangue do Salvador como sua propiciao. Estes 
voltaram para casa a fim de revelar a outros a preciosa luz que tinham recebido. A 
verdade era assim levada de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, e o nmero 
de peregrinos ao relicrio da Virgem diminuiu grandemente. Houve decrscimo 
nas
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ofertas e, conseqentemente, no salrio de Zwnglio, que delas era tirado. Mas isto 
apenas lhe causava alegria, vendo ele que o poder do fanatismo e superstio 
estava sendo quebrado.
As autoridades da igreja no tinham os olhos fechados  obra que Zwnglio estava 
realizando; mas no momento elas se abstiveram de intervir. Esperando ainda 
consegui-lo para a sua causa, esforaram-se por ganh-lo com lisonjas; e, nesse 
nterim, a verdade estava a obter posse do corao do povo.
Os trabalhos de Zwnglio em Einsiedeln haviam-no preparado para um campo mais 
vasto, e neste logo deveria entrar. Depois de trs anos ali, foi chamado para o 
cargo de pregador na catedral de Zurique. Esta era ento a cidade mais 
importante da confederao sua, e seria amplamente sentida a influncia ali 
exercida. Os eclesisticos, a cujo convite fora a Zurique, estavam entretanto 
desejosos de impedir quaisquer inovaes, e de acordo com isto se puseram a 
instru-lo a respeito de seus deveres.
Fars todo o esforo, disseram eles, para coletar as receitas do captulo, sem 
desprezar a menor. Exortars os fiis, tanto do plpito como no confessionrio, a 
pagar seus dzimos e impostos, e a mostrar, por ofertas, sua afeio para com a 
igreja. Sers diligente em aumentar as rendas que se arrecadam dos doentes, das 
missas e em geral de toda a ordenana eclesistica. Quanto  administrao dos 
sacramentos,  pregao e ao cuidado do rebanho, acrescentaram seus 
instrutores, so tambm deveres do capelo. Para estes, porm, podes empregar 
um substituto, e particularmente no pregar. No administrars o sacramento a 
ningum, a no ser a pessoas notveis, e unicamente quando chamado; probe-se 
fazeres isto sem distino de pessoas.  DAubign:
Zwnglio ouviu em silncio esta ordem e, em resposta, depois de exprimir sua 
gratido pela honra de um chamado para este importante posto, ps-se a explicar 
o mtodo de ao que
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se propusera adotar. A vida de Cristo, disse ele, tem por demasiado tempo sido 
oculta do povo. Pregarei acerca do evangelho todo de Mateus,  tirando 
unicamente das fontes das Escrituras, sondando suas profundidades, comparando 
uma passagem com outra, e buscando compreenso pela prece constante e 
fervorosa.  glria de Deus, ao louvor de Seu nico Filho,  salvao real das 
almas e  sua edificao na verdadeira f,  que eu consagrarei meu ministrio.  
DAubign. Posto que alguns dos eclesisticos reprovassem este plano e se 
esforassem por dissuadi-lo do mesmo, Zwnglio permaneceu firme. Declarou que 
no estava para introduzir nenhum mtodo novo, mas o antigo mtodo empregado 
pela igreja nos primitivos e mais puros tempos.
J se havia despertado interesse nas verdades que ele ensinava, e o povo aflua 
em grande nmero para ouvir sua pregao. Muitos que tinham deixado de assistir 
ao culto havia muito tempo, achavam-se entre os ouvintes. Iniciou seu ministrio 
abrindo os evangelhos e lendo e explicando aos ouvintes a inspirada narrativa da 
vida, ensinos e morte de Cristo. Ali, como em Einsiedeln, apresentava a Palavra de 
Deus como a nica autoridade infalvel, e a morte de Cristo como o nico sacrifcio 
completo.  a Cristo, dizia ele, que eu desejo conduzir-vos; a Cristo, a 
verdadeira fonte da salvao.  DAubign. Em redor do pregador acotovelava-se 
o povo de todas as classes, desde estadistas e eruditos, at os operrios e 
camponeses. Com profundo interesse escutavam suas palavras. No somente 
proclamava o oferecimento de uma salvao gratuita, mas destemidamente 
reprovava os males e corrupes dos tempos. Muitos voltavam da catedral 
louvando a Deus. Este homem, diziam,  um pregador da verdade. Ele ser 
nosso Moiss, para tirar-nos das trevas egpcias.  DAubign.
Mas, conquanto a princpio seus trabalhos fossem recebidos com grande 
entusiasmo, depois de algum tempo surgiu a oposio. Os monges puseram-se a 
entravar-lhe a obra e condenar-lhe os ensinos. Muitos o assaltavam com 
zombarias
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e escrnios; outros recorriam  insolncia e ameaas. Zwnglio, porm, suportou 
tudo com pacincia, dizendo: Se desejamos ganhar os mpios para Jesus Cristo, 
devemos fechar os olhos a muitas coisas.  DAubign.
Por este tempo um novo fator apareceu para promover a obra da Reforma. Um 
amigo da f reformada, de Basilia, enviou a Zurique certo Luciano com alguns 
dos escritos de Lutero, sugerindo que a venda desses livros poderia ser 
extraordinrio meio para difundir a luz. Verificai, escreveu ele a Zwnglio, se 
este homem possui prudncia e habilidade suficientes; se assim for, ele que leve 
de cidade em cidade, de vila em vila, de aldeia em aldeia, e mesmo de casa em 
casa, entre suos, as obras de Lutero, e especialmente sua exposio sobre a 
orao do Senhor, escrita para os leigos. Quanto mais forem conhecidas, tanto 
mais compradores encontraro.  DAubign. Assim teve entrada a luz.
Na ocasio em que Deus Se prepara para quebrar as algemas da ignorncia e 
superstio, ento  que Satans opera com o mximo poder para envolver os 
homens em trevas e segurar seus grilhes ainda mais firmemente. Estando a 
surgir nos diferentes pases homens a apresentar ao povo o perdo e a justificao 
pelo sangue de Cristo, Roma prosseguiu com renovada energia a abrir seu 
mercado por toda a cristandade, oferecendo por dinheiro o perdo.
Todo pecado tinha seu preo, e aos homens se concedia livre permisso para o 
crime, contanto que o tesouro da igreja se conservasse cheio. Destarte, ambos os 
movimentos prosseguiram: um oferecendo o perdo do pecado por dinheiro, o 
outro, mediante Cristo; Roma permitindo o pecado e dele fazendo sua fonte de 
renda, os reformadores condenando o pecado e apontando para Cristo como a 
propiciao e o libertador.
Na Alemanha, a venda das indulgncias fora confiada aos frades dominicanos, e 
era dirigida pelo infame Tetzel. Na Sua, foi a mesma entregue aos franciscanos, 
sob a direo de Sanso, monge italiano. Sanso prestara j bom servio 
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igreja, tendo conseguido imensas somas da Alemanha e Sua, para encher o 
tesouro papal. Atravessava ento a Sua, atraindo grandes multides, despojando 
os pobres camponeses de seus minguados ganhos, e extorquindo ricos donativos 
das classes abastadas. A influncia da Reforma, porm, j se fazia sentir, 
limitando aquele comrcio, posto que o mesmo no pudesse deter-se. Zwnglio 
estava ainda em Einsiedeln, quando Sanso, logo depois de entrar na Sua, 
chegou com sua mercadoria a uma cidade vizinha. Informado de sua misso, o 
reformador imediatamente comeou a opor-se-lhe. Os dois no se encontraram, 
mas tal foi o xito de Zwnglio ao expor as pretenses do frade que este foi 
obrigado a seguir para outras localidades.
Em Zurique, Zwnglio pregou zelosamente contra os vendedores de perdo; e, 
quando Sanso se aproximou do lugar, foi encontrado por um mensageiro do 
conselho com uma intimao de que se esperava passasse ele para outra parte. 
Por um estratagema, conseguiu afinal entrada, mas foi enviado para fora sem a 
venda de um nico perdo, e logo depois deixou a Sua.
Grande impulso foi dado  Reforma com o aparecimento da peste, ou grande 
morte, que varreu a Sua no ano 1519. Sendo os homens assim postos em face 
do destruidor, muitos foram levados a sentir quo vos e inteis eram os perdes 
que tinham to recentemente comprado; e anelavam um fundamento mais seguro 
para a sua f. Zwnglio, em Zurique, caiu doente. Ficou to mal que abandonou 
toda a esperana de restabelecimento, e largamente circulou a notcia de que 
falecera. Naquela hora de provao, sua esperana e coragem foram inabalveis. 
Olhava com f para a cruz do Calvrio, confiando na todo-suficiente propiciao 
pelo pecado. Quando ele voltou das portas da morte, foi pregar o evangelho com 
maior fervor do que nunca dantes, e suas palavras exerciam desusado poder. O 
povo dava com alegria as boas-vindas a seu amado pastor, que lhes fora restitudo 
da beira da sepultura. Eles mesmos
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tinham acabado de assistir os doentes e moribundos e sentiam, como nunca 
dantes, o valor do evangelho.
Zwnglio chegara a uma compreenso mais clara de suas verdades, e havia mais 
completamente experimentado em si seu poder renovador. A queda do homem e o 
plano da redeno eram os assuntos de que ele se ocupava. Em Ado, dizia, 
todos estamos mortos, submersos na corrupo e condenao.  Wylie. Cristo 
adquiriu-nos uma redeno intrmina.  Sua paixo  um sacrifcio eterno, e 
eternamente eficaz para curar; satisfaz para sempre a justia divina, em favor de 
todos os que nela confiam com firme e inabalvel f. Contudo, ensinava 
claramente que os homens no esto, por causa da graa de Cristo, livres para 
continuar no pecado. Onde quer que haja f em Deus, ali Deus est; e onde quer 
que Deus habite, ali se desperta um zelo que insta com os homens e os impele s 
boas obras.  DAubign.
Tal era o interesse na pregao de Zwnglio que a catedral no comportava as 
multides que o vinham ouvir. Pouco a pouco,  medida em que o podiam 
suportar, desvendava a verdade a seus ouvintes. Tinha o cuidado de no introduzir 
a princpio pontos que os assustariam, criando preconceitos. Seu trabalho era 
conquistar-lhes o corao para os ensinos de Cristo, abrand-lo por Seu amor, e 
diante deles conservar Seu exemplo; e recebendo eles os princpios do evangelho, 
suas crenas e prticas supersticiosas inevitavelmente desapareceriam.
Passo a passo avanava a Reforma em Zurique. Alarmados, seus inimigos 
levantaram-se em ativa oposio. Um ano antes o monge de Wittenberg proferira 
o seu No ao papa e ao imperador, em Worms, e agora tudo parecia indicar uma 
resistncia semelhante s pretenses papais em Zurique. Reiterados ataques 
foram feitos contra Zwnglio. Nos cantes papais, de tempos em tempos, 
discpulos do evangelho eram levados  tortura, mas isto no bastava; o ensinador 
de heresias deveria ser reduzido ao silncio. De acordo com isto, o bispo de 
Constana enviou trs delegados ao conselho de Zurique, acusando Zwnglio de 
ensinar o povo a transgredir as leis da
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igreja, pondo assim em perigo a paz e a boa ordem da sociedade. Se a autoridade 
da igreja fosse posta de lado, insistia ele, resultaria anarquia universal. Zwnglio 
replicou que durante quatro anos estivera a ensinar o evangelho em Zurique, que 
era mais silenciosa e pacfica que qualquer outra cidade da confederao. No , 
ento, disse ele, o cristianismo a melhor salvaguarda da segurana geral?  
Wylie.
Os delegados aconselharam os membros do conselho a permanecer na igreja, fora 
da qual, declararam, no havia salvao. Zwnglio respondeu: No vos mova esta 
acusao. O fundamento da igreja  a mesma Rocha, o mesmo Cristo, que deu a 
Pedro seu nome porque ele O confessou fielmente. Em todo pas, quem quer que 
creia de todo o corao no Senhor Jesus,  aceito por Deus. Esta, 
verdadeiramente,  a igreja, fora da qual ningum pode salvar-se.  DAubign. 
Como resultado da conferncia, um dos delegados do bispo aceitou a f reformada.
O conselho recusou-se a agir contra Zwnglio, e Roma preparou-se para novo 
ataque. O reformador, ao ser informado da trama de seus inimigos, exclamou: 
Eles que venham; eu os temo como o rochedo se arreceia das vagas que 
trovejam a seus ps.  Wylie. Os esforos eclesisticos apenas favoreceram a 
causa que procuravam destruir. A verdade continuou a ser espalhada. Na 
Alemanha seus adeptos, abatidos com o desaparecimento de Lutero, tomaram 
novo nimo, quando viram o progresso do evangelho na Sua.
Ficando a Reforma implantada em Zurique, seus frutos eram mais amplamente 
vistos na supresso do vcio e promoo da ordem e harmonia. A paz tem sua 
habitao em nossa cidade, escreveu Zwnglio; nenhuma rixa, nenhuma 
hipocrisia, nenhuma inveja, nenhuma contenda. Donde pode tal unio vir seno do 
Senhor e de nossa doutrina, que nos enche dos frutos de paz e piedade?  Wylie.
As vitrias ganhas pela Reforma estimularam os romanistas a esforos ainda mais 
decididos, para a subverso daquela.
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Vendo quo pouco fora alcanado pela perseguio no sentido de suprimir a obra 
de Lutero na Alemanha, decidiram-se a enfrentar a Reforma com as prprias 
armas da mesma. Manteriam uma discusso com Zwnglio e, havendo eles de 
dispor o assunto, assegurar-se-iam a vitria, escolhendo eles mesmos, no 
somente o local do debate, mas os juzes que decidiriam entre os contendores. E, 
se pudessem manter Zwnglio em seu poder, teriam cuidado em que ele lhes no 
escapasse. Reduzido o chefe ao silncio, poder-se-ia rapidamente sufocar o 
movimento. Este propsito, contudo, foi cuidadosamente oculto.
Fora designado que o debate tivesse lugar em Bade; mas Zwnglio no estava 
presente. O Conselho de Zurique, suspeitando dos intuitos dos catlicos, romanos, 
e advertido pelas fogueiras acesas nos cantes papais para os que professavam o 
evangelho, proibiu a seu pastor expor-se quele perigo. Em Zurique ele estava 
pronto a enfrentar todos os partidrios que Roma pudesse enviar; mas ir a Bade, 
onde o sangue dos mrtires da verdade acabara de ser derramado, seria ir para a 
morte certa. Oecolampadius e Haller foram escolhidos para representar os 
reformadores, enquanto o famoso Dr. Eck, apoiado por uma hoste de ilustres 
doutores e prelados, era o defensor de Roma.
Posto que Zwnglio no comparecesse, sua influncia foi sentida. Os secretrios 
foram todos escolhidos pelos romanistas, e a outros foi vedado tomar notas, sob 
pena de morte. Apesar disto Zwnglio recebia diariamente um relatrio fiel do que 
se dizia em Bade. Um estudante que assistia  discusso, fazia cada noite um 
relato dos argumentos naquele dia apresentados. Dois outros estudantes faziam a 
entrega desses papis, juntamente com as cartas dirias de Oecolampadius, a 
Zwnlio, em Zurique. O reformador respondia, dando conselhos e sugestes. Suas 
cartas eram escritas  noite, e os estudantes voltavam com elas a Bade, de 
manh. Para iludir a vigilncia do guarda estacionado s portas da cidade, esses 
mensageiros levavam sobre a cabea cestos com aves domsticas, e era-lhes 
permitido passar sem impedimento.
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Assim Zwnglio manteve a batalha com seus ardilosos antagonistas. Ele trabalhou 
mais, disse Myconius, com suas meditaes, noites de viglia e conselhos que 
transmitia a Bade, do que teria feito discutindo em pessoa no meio de seus 
inimigos.  DAubign.
Os representantes de Roma, exultantes pelo triunfo antecipado, tinham ido a Bade 
ornamentados com as mais ricas vestes e resplendentes de jias. Viviam 
luxuosamente e sua mesa era servida com as mais custosas iguarias e seletos 
vinhos. O peso de seus deveres eclesisticos era aliviado atravs de divertimentos 
e festejos. Em assinalado contraste apareciam os reformadores, que eram vistos 
pelo povo como sendo pouco melhores do que um grupo de pedintes, e cuja 
alimentao frugal os conservava apenas pouco tempo  mesa. O hospedeiro de 
Oecolampadius, procurando ocasio de observ-lo em seu quarto, encontrava-o 
sempre empenhado no estudo ou em orao e, maravilhando-se grandemente, 
referiu que o herege era, ao menos, muito religioso.
Na conferncia, Eck altivamente subiu a um plpito esplendidamente 
ornamentado, enquanto o humilde Oecolampadius, mediocremente vestido, foi 
obrigado a tomar assento defronte de seu oponente, em um banco tosco.  
DAubign. A voz tonitroante e ilimitada confiana de Eck nunca lhe faltaram. Seu 
zelo era estimulado pela esperana do ouro bem como de renome; pois o defensor 
da f deveria ser recompensado com paga liberal. Quando melhores argumentos 
falhavam, recorria a insultos e mesmo a blasfmias.
Oecolampadius, modesto e no confiante em si prprio, arreceara-se do combate, 
e para ele entrara com esta solene confisso:
No reconheo outra norma para julgar a no ser a Palavra de Deus.  
DAubign. Posto que gentil e corts nas maneiras, mostrou-se capaz e 
persistente. Enquanto os catlicos, romanos, segundo seu hbito, apelavam para 
os costumes da igreja como autoridade, o reformador apegava-se firmemente s 
Escrituras Sagradas. O costume, dizia ele, no tem fora alguma em nossa 
Sua, a menos que esteja de acordo com a constituio; ora, em assunto de f, a 
Bblia  a nossa constituio.  DAubign.
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O contraste entre os dois contendores no era destitudo de efeito. O raciocnio 
calmo, claro, do reformador, to gentil e modestamente apresentado, falava aos 
espritos que se desviavam desgostosos das afirmaes jactanciosas e violentas de 
Eck.
A discusso continuou por dezoito dias. Em seu termo, os representantes do papa, 
com grande confiana, pretenderam a vitria. A maior parte dos delegados ficaram 
ao lado de Roma, e a Dieta declarou vencidos os reformadores, e notificou que 
eles, juntamente com Zwnglio, seu chefe, estavam separados da igreja. Mas os 
frutos da conferncia revelaram de que lado estava a vantagem. A contenda 
resultou em forte impulso para a causa protestante, e no muito tempo depois, as 
importantes cidades de Berna e Basilia se declararam pela Reforma.
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A Europa Desperta
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O desaparecimento misterioso de Lutero excitara consternao em toda a 
Alemanha. Ouviam-se por toda parte indagaes a respeito dele. Circulavam os 
mais disparatados rumores, e muitos criam que ele tivesse sido assassinado. 
Houve grande lamentao, no somente por seus amigos declarados, mas por 
milhares que no haviam abertamente assumido atitude pela Reforma. Muitos se 
comprometiam, sob juramento solene, a vingar-lhe a morte.
Os chefes romanistas viram com terror at que ponto haviam atingido os 
sentimentos contra eles. Conquanto a princpio jubilosos com a suposta morte de 
Lutero, logo desejaram ocultar-se  ira do povo. Seus inimigos no haviam sido 
to perturbados com seus arrojadssimos atos enquanto se achava entre eles, 
como o foram com o seu afastamento. Aqueles que em sua clera haviam 
procurado destruir o ousado reformador, estavam cheios de temor agora que ele 
se tornara um cativo indefeso. O nico meio que resta de nos salvarmos, disse 
um, consiste em acendermos tochas e sairmos  procura de Lutero pelo mundo 
inteiro, a fim de reintegr-lo  nao que por ele est chamando.  DAubign. O 
edito do imperador parecia tornar-se impotente. Os legados papais estavam cheios 
de indignao, ao ver que o edito se impunha muito menos  ateno do que a 
sorte de Lutero.
As notcias de que ele estava em segurana, embora prisioneiro, acalmavam os 
temores do povo, ao passo que ainda mais suscitavam o entusiasmo a seu favor. 
Seus escritos eram lidos
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com maior avidez do que nunca dantes. Um nmero crescente de pessoas aderia  
causa do herico homem que, em to terrvel contenda, defendera a Palavra de 
Deus. A Reforma estava constantemente ganhando foras. Germinara por toda 
parte a semente que Lutero lanara. Sua ausncia cumpriu uma obra que sua 
presena no teria conseguido realizar. Outros obreiros sentiram nova 
responsabilidade, agora que seu grande chefe fora removido. Com nova f e 
fervor, avanaram para fazer tudo que estivesse em seu poder, a fim de que no 
fosse impedida a obra to nobremente iniciada.
Mas Satans no estava ocioso. Passou a tentar o que havia experimentado em 
todos os outros movimentos de reforma  enganar e destruir o povo 
apresentando-lhe uma contrafao em lugar da verdadeira obra. Assim como 
houve falsos cristos no primeiro sculo da igreja crist, surgiram tambm falsos 
profetas no sculo XVI.
Alguns homens, profundamente impressionados com a agitao que ia pelo mundo 
religioso, imaginavam haver recebido revelaes especiais do Cu, e pretendiam 
ter sido divinamente incumbidos de levar avante, at  finalizao, a Reforma que, 
declaravam, apenas fora iniciada debilmente por Lutero. Na verdade, estavam 
desfazendo o mesmo trabalho que ele realizara. Rejeitavam o grande princpio que 
era o prprio fundamento da Reforma  que a Palavra de Deus  a todo-suficiente 
regra de f e prtica; e substituram aquele guia infalvel pela norma mutvel, 
incerta, de seus prprios sentimentos e impresses. Por este ato de pr de lado o 
grande indicador do erro e falsidade, fora aberto o caminho para Satans governar 
os espritos como melhor lhe aprouvesse.
Um desses profetas pretendia haver sido instrudo pelo anjo Gabriel. Um estudante 
que se lhe unira, abandonara seus estudos declarando que fora pelo prprio Deus 
dotado de sabedoria para expor Sua Palavra. Outros que naturalmente eram 
propensos ao fanatismo, a eles se uniram. A ao destes entusiastas criou no 
pequeno excitamento. A pregao de Lutero
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tinha levado o povo em toda parte a sentir a necessidade de reforma, e agora 
algumas pessoas realmente sinceras foram transviadas pelas pretenses dos 
novos profetas.
Os dirigentes do movimento seguiram para Wittenberg e instaram com Melncton 
e seus cooperadores para que aceitassem suas pretenses. Disseram: Ns somos 
enviados por Deus para instruir ao povo. Temos familiarmente entretido conversas 
com o Senhor; sabemos o que acontecer; em uma palavra, somos apstolos e 
profetas, e apelamos para o Dr. Lutero.  DAubign.
Os reformadores estavam surpresos e perplexos. Com semelhante elemento no 
haviam ainda deparado, e no sabiam o que fazer. Disse Melncton: H 
efetivamente esprito extraordinrio nestes homens; mas que esprito?  De um 
lado acautelemo-nos de entristecer o Esprito de Deus, e de outro, de sermos 
desgarrados pelo esprito de Satans.  DAubign.
O fruto do novo ensino logo se tornou manifesto. O povo foi levado a negligenciar 
a Bblia, ou lan-la inteiramente  parte. Nas escolas estabeleceu-se confuso. 
Estudantes, repelindo toda restrio, abandonavam seus estudos e retiravam-se 
da universidade. Os homens que se julgavam competentes para reanimar e dirigir 
a obra da Reforma, conseguiram unicamente lev-la s bordas da runa. Os 
representantes de Roma recuperaram ento sua confiana, e exclamaram 
exultantemente: Mais uma luta, e tudo ser nosso.  DAubign.
Lutero, em Wartburgo, ouvindo o que ocorrera, disse com profundo pesar: 
Sempre esperei que Satans nos mandaria esta praga.  DAubign. Percebeu o 
verdadeiro carter desses pretensos profetas, e viu o perigo que ameaava a 
causa da verdade. A oposio do papa e do imperador no lhe tinha causado 
perplexidade e angstia to grandes como as que experimentava agora. Dos 
professos amigos da Reforma haviam surgido seus piores inimigos. As mesmas 
verdades que lhe haviam
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trazido to grande alegria e consolao, estavam sendo empregadas para provocar 
contenda e criar confuso na igreja.
Na obra da Reforma, Lutero fora compelido  frente pelo Esprito de Deus, e levado 
alm do que ele pessoalmente teria ido. No se propusera assumir as posies que 
assumiu, nem efetuar mudanas to radicais. No fora seno o instrumento nas 
mos do Poder infinito. Contudo, muitas vezes estremecia pelos resultados de seu 
trabalho. Dissera uma vez: Se eu soubesse que minha doutrina tivesse 
prejudicado a um homem, um nico homem, por humilde e obscuro que fosse  o 
que no pode ser, pois que  o prprio evangelho  eu preferiria morrer dez vezes 
a no retratar-me.  DAubign.
E ento, Wittenberg mesmo, o prprio centro da Reforma, estava rapidamente a 
cair sob o poder do fanatismo e da anarquia. Esta terrvel condio no resultara 
dos ensinos de Lutero; mas por toda a Alemanha seus inimigos o estavam 
acusando disso. Em amargura dalma ele algumas vezes perguntou: Poder, 
ento, ser esse o fim desta grande obra da Reforma?  DAubign. De novo, 
lutando com Deus em orao, encheu-se-lhe de paz a alma. A obra no  minha, 
mas Tua, disse ele; no permitirs que ela se corrompa pela superstio ou 
fanatismo. Mas o pensamento de permanecer por mais tempo afastado do 
conflito, numa crise tal, tornou-se-lhe insuportvel. Resolveu voltar a Wittenberg.
Sem demora iniciou a perigosa viagem. Achava-se sob a condenao do imprio. 
Os inimigos tinham a liberdade de tirar-lhe a vida; aos amigos era vedado auxili-
lo ou abrig-lo. O governo imperial estava adotando as mais enrgicas medidas 
contra seus adeptos. Ele, porm, via que a obra do evangelho estava perigando, e 
em nome do Senhor saiu destemidamente para batalhar pela verdade.
Em carta ao eleitor, depois de declarar seu propsito de deixar Wartburgo, Lutero 
disse: Seja Vossa Alteza cientificado de que vou a Wittenberg sob uma proteo 
muito mais elevada do que a de prncipes e eleitores. No penso em solicitar o 
apoio de Vossa Alteza, e longe de desejar sua proteo, eu mesmo,
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antes, o protegerei. Se eu soubesse que Vossa Alteza poderia ou quereria 
proteger-me, no iria de maneira nenhuma a Wittenberg. No h espada que 
possa favorecer esta causa. Deus somente deve fazer tudo sem o auxlio ou 
cooperao do homem. Aquele que tem a maior f,  o que  mais capaz de 
proteger.  DAubign.
Em segunda carta, escrita em caminho para Wittenberg, Lutero acrescentou: 
Estou pronto para incorrer no desagrado de Vossa Alteza e na ira do mundo 
inteiro. No so os habitantes de Wittenberg minhas ovelhas? No as confiou Deus 
a mim? E no deveria eu, sendo necessrio, expor-me  morte por sua causa? 
Demais, temo ver um terrvel levante na Alemanha, pelo qual Deus punir nossa 
nao.  DAubign.
Com grande cautela e humildade, se bem que com deciso e firmeza, entrou em 
seu trabalho. Pela Palavra, disse ele, devemos vencer e destruir o que foi 
estabelecido pela violncia. No farei uso da fora contra os supersticiosos e 
incrdulos.  Ningum deve ser constrangido. A liberdade  a prpria essncia da 
f.  DAubign.
Logo rumorejou em toda Wittenberg que Lutero voltara, e que deveria pregar. O 
povo congregou-se de todas as direes, e a igreja transbordou. Subindo ao 
plpito, com grande sabedoria e mansido, instruiu, exortou e reprovou. 
Abordando o procedimento de alguns que haviam recorrido a medidas violentas 
para abolir a missa, disse:
A missa  coisa m; Deus Se ope a ela; deve ser abolida; e eu gostaria que no 
mundo inteiro fosse substituda pela Ceia do evangelho. Mas que ningum seja 
dela arrancado pela fora. Devemos deixar o caso nas mos de Deus. Sua Palavra 
deve agir, e no ns. E por que assim? perguntareis. Porque eu no retenho o 
corao dos homens em minhas mos, como o oleiro retm o barro. Temos o 
direito de falar: no temos o direito de agir. Preguemos; o resto pertence a Deus. 
Devesse eu empregar a fora e que ganharia? Momice, formalidade, arremedos, 
ordenanas humanas e hipocrisia.  Mas no haveria
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Pg. 190
sinceridade de corao, nem f, nem caridade. Onde faltam estas trs, falta tudo, 
e eu nada daria por semelhante resultado.  Deus faz mais por Sua Palavra s, do 
que vs e eu e o mundo inteiro por nossa fora unida. Deus Se apodera do 
corao, e tomando o corao, tudo est ganho. 
Pregarei, discutirei, escreverei; mas no constrangerei a ningum, pois a f  ato 
voluntrio. Vede o que fiz. Levantei-me contra o papa, seus partidrios e as 
indulgncias, mas sem violncia nem tumulto. Apresentei a Palavra de Deus; 
preguei e escrevi  isto  tudo que fiz. E, no entanto, enquanto eu dormia,  a 
Palavra que eu pregara subverteu o papado, de maneira tal que nunca um prncipe 
ou imperador lhe vibrou semelhante golpe. E, contudo, nada fiz; a Palavra s, fez 
tudo. Se eu houvesse querido apelar para a fora, a Alemanha inteira teria sido 
talvez inundada de sangue. Mas qual seria o resultado? Runa e desolao tanto 
para o corpo como para a alma. Portanto, conservei-me quieto e deixei a Palavra 
sozinha correr atravs do mundo.  DAubign.
Dia aps dia, durante uma semana inteira, Lutero continuou a pregar a vidas 
multides. A Palavra de Deus quebrou o encanto da excitao fantica. O poder do 
evangelho trouxe de novo para o caminho da verdade o povo transviado.
Lutero no tinha desejo de encontrar-se com os fanticos, cujo proceder fora a 
causa de to grande mal. Sabia que eram homens de juzo deficiente e de 
indisciplinadas paixes, os quais conquanto pretendessem ser especialmente 
iluminados pelo Cu, no suportariam a mnima contradio, ou mesmo a mais 
benvola reprovao ou conselho. Arrogando-se autoridade suprema, exigiam que 
cada um, sem qualquer questo, reconhecesse o que pretendiam. Mas, ao pedirem 
uma entrevista com ele, concedeu-lha; e com tanto xito exps as pretenses 
deles que os impostores de pronto partiram de Wittenberg.
O fanatismo foi sustado por algum tempo; mas alguns anos mais tarde irrompeu 
com maior violncia e mais terrveis resultados. Disse Lutero, com relao aos 
dirigentes desse
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Pg. 191
movimento: Para eles as Escrituras Sagradas no eram seno letra morta, e 
todos eles comearam a clamar: O Esprito! o Esprito! Mas, certamente no 
seguirei para onde seu esprito os conduz. Deus me guarde, pela Sua misericrdia, 
de uma igreja em que no h seno santos. Desejo associar-me aos humildes, 
fracos, doentes, que conhecem e sentem seus pecados, e que, do fundo do 
corao, gemem e clamam continuamente a Deus, para obter dEle consolao e 
apoio.  DAubign.
Tomaz Mnzer, o mais ativo dos fanticos, era homem de considervel habilidade, 
que, corretamente dirigida, o teria capacitado a fazer o bem; mas ele no 
aprendera os rudimentos da verdadeira religio. Possua-o o desejo de reformar o 
mundo e esquecia-se, como o fazem todos os entusiastas, de que a reforma 
deveria comear consigo mesmo.  DAubign. Ambicionava obter posio e 
influncia, e no estava disposto a ficar em segundo lugar, mesmo em relao a 
Lutero. Declarava que os reformadores, substituindo pela autoridade das 
Escrituras a do papa, estavam apenas estabelecendo uma forma diversa de 
papado. Ele prprio pretendia haver sido divinamente incumbido de introduzir a 
verdadeira reforma. Aquele que possui este esprito, disse Mnzer, possui a 
verdadeira f, ainda que em sua vida nunca visse as Escrituras.  DAubign.
Os ensinadores fanticos entregaram-se  direo das impresses, considerando 
todo pensamento e impulso como sendo a voz de Deus; conseqentemente iam a 
grandes extremos. Alguns queimaram mesmo a Bblia, exclamando: A letra mata, 
mas o Esprito vivifica. O ensino de Mnzer apelava para o desejo humano do 
maravilhoso, enquanto satisfazia seu orgulho colocando virtualmente as idias e 
opinies dos homens acima da Palavra de Deus. Suas doutrinas eram recebidas 
por milhares. Logo denunciou toda a ordem no culto pblico, e declarou que 
obedecer aos prncipes era tentar servir simultaneamente a Deus e a Belial.
O esprito do povo, comeando j a arremessar o jugo do papado, estava-se 
tambm tornando impaciente sob as restries da autoridade civil. Os ensinos 
revolucionrios de
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Pg. 192
Mnzer, pretendendo sano divina, levaram-nos a romper com todo domnio e 
dar rdeas a seus preconceitos e paixes. Seguiram-se as mais terrveis cenas de 
sedio e contenda, e os campos da Alemanha embeberam-se de sangue.
A agonia dalma que, havia tanto tempo antes, Lutero experimentara em Erfurt, 
oprimia-o agora com redobrada fora, vendo ele os resultados do fanatismo 
imputados  Reforma. Os prncipes romanistas declaravam  e muitos estavam 
prontos a dar crdito  declarao  que a rebelio era o fruto legtimo das 
doutrinas de Lutero. Conquanto esta acusao no tivesse o mnimo fundamento, 
no poderia seno causar grande angstia ao reformador. Que a causa da verdade 
fosse assim infelicitada, sendo emparelhada com o mais ignbil fanatismo, parecia 
mais do que ele poderia suportar. Por outro lado, os chefes da revolta odiavam a 
Lutero porque ele no somente se opusera a suas doutrinas e negara ser de 
inspirao divina o que pretendiam, mas declarara-os rebeldes  autoridade civil. 
Em represlia, denunciaram-no como vil pretensioso. Parecia haver acarretado 
sobre si a inimizade tanto de prncipes como do povo.
Os romanistas exultavam, esperando testemunhar a rpida queda da Reforma; e 
culpavam a Lutero at dos erros que ele to zelosamente se esforara por corrigir. 
A faco fantica, pretendendo falsamente haver sido tratada com grande 
injustia, conseguiu ganhar as simpatias de um grupo numeroso de pessoas e, 
conforme se d freqentemente com os que tomam o lado do erro, vieram a ser 
considerados mrtires. Assim, aqueles que estavam exercendo toda energia em 
oposio  Reforma, eram lamentados e louvados como vtimas de crueldade e 
opresso. Esta era obra de Satans, movido pelo mesmo esprito de rebelio que 
manifestara primeiramente no Cu.
Satans est constantemente procurando enganar os homens e lev-los a chamar 
ao pecado justia, e  justia pecado. Quo bem-sucedido tem sido seu trabalho! 
Quantas vezes a censura e a exprobrao so lanadas sobre os fiis servos de 
Deus porque se mantm destemidos em defesa da verdade! Os
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Pg. 193
homens que no passam de agentes de Satans, so louvados e lisonjeados, e 
mesmo considerados mrtires, enquanto os que deveriam ser respeitados e 
apoiados pela sua fidelidade a Deus, so deixados ss, sob suspeita e 
desconfiana.
A santidade falsificada, a santificao espria, ainda est a fazer sua obra de 
engano. Sob vrias formas exibe o mesmo esprito dos dias de Lutero, desviando 
das Escrituras os espritos, e levando os homens a seguir seus prprios 
sentimentos e impresses, em vez de prestar obedincia  lei de Deus. Este  um 
dos expedientes mais bem-sucedidos de Satans, para lanar oprbrio sobre a 
pureza e a verdade.
Corajosamente Lutero defendeu o evangelho dos ataques que vinham de todos os 
lados. A Palavra de Deus se demonstrou uma arma poderosa em todo conflito. 
Com essa Palavra guerreou contra a usurpada autoridade do papa e a filosofia 
racionalista dos escolsticos, enquanto se mantinha firme como uma rocha contra 
o fanatismo que procurava aliar-se  Reforma.
Cada um desses elementos oponentes estava, a seu modo, pondo de parte as 
Escrituras Sagradas e exaltando a sabedoria humana como a fonte da verdade e 
conhecimento religioso. O racionalismo deifica a razo e dela faz o critrio para a 
religio. O romanismo, pretendendo para seu soberano pontfice uma inspirao 
que descende ininterruptamente dos apstolos, e que  imutvel em todos os 
tempos, d ampla oportunidade para que toda espcie de extravagncias e 
corrupo se ocultem sob a santidade da comisso apostlica. A inspirao 
pretendida por Mnzer e seus companheiros, no procedia de uma fonte mais 
elevada do que as divagaes da imaginao, e sua influncia era subversiva a 
toda autoridade humana ou divina. O verdadeiro cristianismo recebe a Palavra de 
Deus como o grande tesouro de verdade inspirada, e como a prova de toda 
inspirao.
De volta de Wartburgo, Lutero completou sua traduo do Novo Testamento, que 
foi logo depois entregue ao povo da Alemanha em sua prpria lngua. Essa 
traduo foi recebida
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com grande alegria por todos os que amavam a verdade, mas rejeitaram-na 
escarnecedoramente os que preferiam tradies e preceitos de homens.
Os padres estavam alarmados com a idia de que o povo comum agora seria capaz 
de discutir com eles sobre os preceitos da Palavra de Deus, e de que sua prpria 
ignorncia seria assim exposta. As armas de seu raciocnio carnal eram impotentes 
contra a espada do Esprito. Roma convocou toda a sua autoridade para impedir a 
disseminao das Escrituras; mas nulos foram decretos, antemas e torturas. 
Quanto mais ela condenava e proibia a Bblia, maior era a ansiedade do povo por 
saber o que a mesma realmente ensinava. Todos os que sabiam ler estavam 
vidos por estudar por si mesmos a Palavra de Deus. Levavam-na consigo, liam-na 
e reliam-na, e no podiam satisfazer-se antes que confiassem  memria grandes 
pores. Vendo o favor com que o Novo Testamento fora recebido, Lutero 
imediatamente comeou a traduo do Antigo, publicando-o em partes, to 
depressa as completava.
Os escritos de Lutero eram bem aceitos, nas cidades como nas aldeias. O que 
Lutero e seus amigos compunham, outros faziam circular. Monges, convictos do 
carter ilcito das obrigaes monsticas, desejosos de trocar uma longa vida de 
indolncia por outra de ativo esforo, mas demasiado ignorantes para proclamar a 
Palavra de Deus, viajavam pelas provncias, visitando aldeias e cabanas, onde 
vendiam os livros de Lutero e de seus amigos. Logo enxameavam pela Alemanha 
aqueles ousados colportores.  DAubign.
Ricos e pobres, doutos e ignorantes estudavam com profundo interesse esses 
escritos.  noite os professores das escolas da aldeia liam-nos em voz alta a 
pequenos grupos reunidos junto  lareira. Com cada esforo, algumas almas eram 
convencidas da verdade e, recebendo a Palavra com alegria, por seu turno 
contavam as boas novas a outros.
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Pg. 195
Confirmou-se o que disse o cantor inspirado: A exposio das Tuas palavras d 
luz; d entendimento aos smplices. Sal. 119:130. O estudo das Escrituras estava 
operando poderosa mudana no esprito e corao do povo. O governo papal 
colocara sobre os seus sditos um jugo de ferro que os retinha em ignorncia e 
degradao. Uma supersticiosa observncia de formas fora escrupulosamente 
mantida; mas em todo o seu servio, o corao e o intelecto haviam tido pequena 
parte. A pregao de Lutero, expondo as plenas verdades da Palavra de Deus, e 
depois a prpria Palavra, posta nas mos do povo comum, despertaram-lhes as 
capacidades adormecidas, no somente purificando e enobrecendo a natureza 
espiritual, mas comunicando nova fora e vigor ao intelecto.
Podiam-se ver pessoas de todas as classes com a Bblia nas mos, defendendo as 
doutrinas da Reforma. Os romanistas que haviam deixado o estudo das Escrituras 
aos padres e monges, chamavam por eles agora para se apresentarem e 
refutarem os novos ensinos. Mas, ignorantes tanto a respeito das Escrituras como 
do poder de Deus, padres e frades eram totalmente derrotados pelos que haviam 
denunciado como indoutos e hereges. Infelizmente, disse um escritor catlico, 
Lutero persuadiu seus seguidores a no depositar f em qualquer outro orculo 
alm das Escrituras Sagradas.  DAubign. Multides se reuniam para ouvir a 
verdade advogada por homens de pouca instruo, e mesmo por eles discutida 
com ilustrados e eloqentes telogos. Patenteava-se a vergonhosa ignorncia 
desses grandes homens, ao serem seus argumentos defrontados pelos singelos 
ensinos da Palavra de Deus. Operrios, soldados, mulheres e mesmo crianas, 
estavam mais familiarizados com os ensinos da Bblia do que o estavam os padres 
e ilustres doutores.
O contraste entre os discpulos do evangelho e os mantenedores da superstio 
romanista manifestava-se no menos nas classes eruditas do que entre o povo 
comum. Opondo-se aos velhos defensores da hierarquia, que tinham 
negligenciado o
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estudo de lnguas e o cultivo da literatura havia jovens de esprito lcido, 
dedicados ao estudo, que investigavam as Escrituras e se familiarizavam com as 
obras-primas da antigidade. Dotados de esprito altivo, alma elevada e intrpido 
corao, os moos logo adquiriram tal saber que durante longo perodo de tempo 
ningum podia com eles competir.  Quando, pois, em qualquer assemblia, esses 
jovens defensores da Reforma enfrentavam os doutores do romanismo, atacavam-
nos com tal facilidade e confiana que esses homens ignorantes hesitavam, 
ficavam embaraados e caam em merecido desprezo aos olhos de todos.  
DAubign.
Vendo o clero romano suas congregaes diminurem, invocaram o auxlio dos 
magistrados e, por todos os meios ao seu alcance esforaram-se por fazer seus 
ouvintes voltarem. Mas o povo encontrara nos novos ensinos aquilo que lhe supria 
as necessidades da alma, e afastou-se daqueles que por tanto tempo o tinham 
alimentado com as inteis bolotas de ritos supersticiosos e tradies humanas.
Quando se acendeu a perseguio contra os ensinadores da verdade, deram 
ateno s palavras de Cristo: Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi 
para outra. Mat. 10:23. A luz penetrou em toda parte. Os fugitivos encontraram 
algures uma porta hospitaleira que se lhes abria e, ali morando, pregavam a 
Cristo, algumas vezes na igreja ou, sendo-lhes negado esse privilgio, nas casas 
particulares ou ao ar livre. Qualquer lugar em que pudessem obter auditrio, era-
lhes um templo consagrado. A verdade, proclamada com tal energia e segurana, 
propagava-se com poder irresistvel.
Em vo se invocavam tanto autoridades eclesisticas como civis a fim de aniquilar 
a heresia. Em vo recorriam  priso, tortura, fogo e espada. Milhares de crentes 
selaram a f com seu sangue, e no obstante a obra prosseguia. A perseguio 
servia apenas para propagar a verdade; e o fanatismo que Satans se esforou por 
confundir com esta, teve como resultado tornar mais claro o contraste entre a 
obra de Satans e a de Deus.
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Os Prncipes Amparam
a Verdade
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Um dos mais nobres testemunhos j proferidos pela Reforma, foi o protesto 
apresentado pelos prncipes cristos da Alemanha, na Dieta de Espira, em 1529. A 
coragem, f e firmeza daqueles homens de Deus, alcanaram para os sculos que 
se seguiram, a liberdade de pensamento e conscincia. O protesto deu  igreja 
reformada o nome de Protestante; seus princpios so a prpria essncia do 
protestantismo.  DAubign.
Uma poca tenebrosa e ameaadora havia chegado para a Reforma. Apesar do 
edito de Worms, declarando Lutero proscrito, e proibindo o ensino ou a crena de 
suas doutrinas, at ali prevalecera no imprio a tolerncia religiosa. A providncia 
divina repelira as foras que se opunham  verdade. Carlos V estava inclinado a 
aniquilar a Reforma, mas, muitas vezes, quando levantara a mo para dar o golpe, 
fora obrigado a desvi-lo. Repetidas vezes a imediata destruio de tudo que 
ousava opor-se a Roma parecia inevitvel; mas no momento crtico os exrcitos 
dos turcos apareciam na fronteira oriental, ou o rei da Frana, ou mesmo o prprio 
papa, cioso da crescente grandeza do imperador, contra ele faziam guerra; e, 
assim, entre a contenda e o tumulto das naes, a Reforma teve oportunidade de 
fortalecer-se e estender-se.
Finalmente, entretanto, os soberanos catlicos coagiram seus feudos a que 
fizessem causa comum contra os reformadores. A Dieta de Espira, em 1526, dera 
a cada Estado ampla liberdade em matria religiosa, at  reunio de um conclio
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geral; mas, mal haviam passado os perigos que asseguraram aquela concesso, o 
imperador convocou uma segunda Dieta a se reunir em Espira, em 1529, com o 
fim de destruir a heresia. Os prncipes deveriam ser induzidos, por meios pacficos, 
sendo possvel, a se colocarem contra a Reforma; mas, se tais meios falhassem, 
Carlos estava preparado para recorrer  espada.
Os romanistas estavam jubilosos. Compareceram em Espira em grande nmero, 
manifestando abertamente sua hostilidade para com os reformadores e todos os 
que os favoreciam. Disse Melncton: Ns somos o dio e a escria do mundo; 
mas Cristo olhar para o Seu pobre povo e o preservar.  DAubign. Aos 
prncipes evanglicos que assistiam  Dieta foi at proibido que se pregasse o 
evangelho em sua residncia. Mas o povo de Espira tinha sede da Palavra de Deus 
e, apesar da proibio, milhares se congregavam para os cultos realizados na 
capela do eleitor da Saxnia.
Isso apressou a crise. Uma mensagem imperial anunciou  Dieta que, como a 
resoluo que concedia liberdade de conscincia havia dado origem a grandes 
desordens, o imperador exigia fosse ela anulada. Este ato arbitrrio excitou a 
indignao e alarma dos cristos evanglicos. Disse um deles: Cristo caiu de novo 
s mos de Caifs e Pilatos. Os romanistas tornaram-se mais violentos. Um 
catlico romano, fantico, declarou: Os turcos so melhores que os luteranos; 
pois eles observam dias de jejum, e os luteranos os violam. Se tivssemos de 
escolher entre as Escrituras Sagradas de Deus e os velhos erros da igreja, 
deveramos rejeitar as primeiras. Disse Melncton: Cada dia, em plena 
assemblia, Faber lana alguma nova pedra contra ns, os evanglicos.  
DAubign.
A tolerncia religiosa fora legalmente estabelecida, e os Estados evanglicos 
estavam resolvidos a opor-se  violao de seus direitos. A Lutero, ainda sob a 
condenao imposta pelo edito de Worms, no era permitido estar presente em 
Espira; mas preencheram-lhe o lugar os seus cooperadores e os prncipes que 
Deus suscitara para defender Sua causa nessa emergncia. O nobre Frederico da 
Saxnia, protetor de Lutero, fora
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arrebatado pela morte; mas o duque Joo, seu irmo e sucessor, alegremente 
aceitara a Reforma e, conquanto fosse amigo da paz, manifestara grande energia e 
coragem em todos os assuntos relativos aos interesses da f.
Os padres pediam que os Estados que haviam aceito a Reforma se submetessem 
implicitamente  jurisdio romana. Os reformadores, por outro lado, reclamavam 
a liberdade que anteriormente lhes fora concedida. No poderiam consentir em 
que Roma de novo pusesse sob seu domnio aqueles Estados que com grande 
alegria haviam recebido a Palavra de Deus.
Como entendimento foi finalmente proposto que onde a Reforma no se houvesse 
estabelecido, o edito de Worms deveria ser rigorosamente posto em execuo; e 
que nos Estados em que o povo dele se desviara e no poderia conformar-se com 
o mesmo sem perigo de revolta, no deveriam ao menos efetuar qualquer nova 
Reforma, no tocariam em nenhum ponto controvertido, no se oporiam  
celebrao da missa, no permitiriam que catlico romano algum abraasse o 
luteranismo.  DAubign. Essa medida foi aprovada na Dieta, com grande 
satisfao dos sacerdotes e prelados papais.
Se esse edito fosse executado, a Reforma no poderia nem estender-se onde 
por enquanto era desconhecida, nem estabelecer-se sobre slidos fundamentos 
onde j existia.  DAubign. A liberdade da palavra seria proibida. No se 
permitiriam converses. E exigiu-se dos amigos da Reforma de pronto se 
submetessem a essas restries e proibies. As esperanas do mundo pareciam a 
ponto de se extinguir. O restabelecimento da hierarquia romana infalivelmente 
traria de novo os antigos abusos; e encontrar-se-ia facilmente uma ocasio para 
completar a destruio de uma obra j to violentamente abalada pelo fanatismo 
e dissenso.  DAubign.
Reunindo-se o partido evanglico para consulta, entreolharam-se os presentes, 
plidos de terror. De um para outro circulava a pergunta: Que se poder fazer? 
Graves lances em relao ao mundo eram iminentes. Submeter-se-o os chefes 
da Reforma,
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e aceitaro o edito? Quo facilmente, nessa crise, em verdade tremenda, poderiam 
os reformadores ter argumentado consigo mesmos de maneira errnea! Quantos 
pretextos plausveis e boas razes poderiam ter encontrado para a submisso! Aos 
prncipes luteranos era garantido o livre exerccio de sua religio. O mesmo favor 
era estendido a todos os seus sditos que, anteriormente  aprovao daquela 
medida, haviam abraado as idias reformadas. No deveria isto content-los? 
Quantos perigos no evitaria a submisso! Em quantos acasos e conflitos 
desconhecidos no haveria a oposio de lan-los? Quem sabe que oportunidades 
poder trazer o futuro? Abracemos a paz; agarremos o ramo de oliveira que Roma 
apresenta e curemos as feridas da Alemanha. Com argumentos semelhantes a 
estes poderiam os reformadores ter justificado a adoo de uma conduta que, com 
certeza, em no muito tempo resultaria na total destruio de sua causa.
Felizmente consideraram o princpio sobre o qual aquele acordo se baseava, e 
agiram com f. Qual era o princpio? Era o direito de Roma coagir a conscincia e 
proibir o livre exame. Mas no deveriam eles prprios e seus sditos protestantes 
gozar de liberdade religiosa? Sim, como um favor especialmente estipulado 
naquele acordo, mas no como um direito. Quanto a tudo que daquele acordo se 
exteriorizava, deveria governar o grande princpio da autoridade; a conscincia 
estaria fora de seus domnios; Roma era juiz infalvel e deveria ser obedecida. A 
aceitao do acordo proposto teria sido admisso virtual de que liberdade religiosa 
se devesse limitar  Saxnia reformada; e, quanto ao resto todo da cristandade, o 
livre exame e a profisso da f reformada seriam crimes, e deveriam ser 
castigados com a masmorra e a tortura. Poderiam eles consentir em localizar a 
liberdade religiosa? admitir a proclamao de que a Reforma fizera seu ltimo 
converso? que conquistara seu ltimo palmo de terra? e que, onde quer que Roma 
exercesse seu domnio naquela hora, ali deveria perpetuar-se esse domnio? 
Poderiam os reformadores alegar que eram inocentes do sangue daquelas 
centenas e milhares que, em conseqncia
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Pg. 201
desse acordo, teriam que perder a vida nas terras papais? Isto seria trair, naquela 
hora suprema, a causa do evangelho e das liberdades da cristandade.  Wylie. 
Antes, sacrificariam eles tudo, mesmo os domnios, a coroa e a vida.  
DAubign.
Rejeitemos esse decreto, disseram os prncipes. Em assuntos de conscincia, a 
maioria no tem poder. Os delegados declararam:  ao decreto de 1526 que 
devemos a paz que o imprio goza: sua abolio encheria a Alemanha de 
perturbaes e diviso. A Dieta no tem competncia para fazer mais do que 
preservar a liberdade religiosa at que o conclio se rena.  DAubign. Proteger 
a liberdade de conscincia  dever do Estado, e isto  o limite de sua autoridade 
em matria de religio. Todo governo secular que tente legislar sobre observncias 
religiosas, ou imp-las pela autoridade civil, est a sacrificar o prprio princpio 
pelo qual os cristos evanglicos to nobremente lutaram.
Os catlicos romanos decidiram-se a derrubar o que denominaram ousada 
obstinao. Comearam procurando ocasionar divises entre os sustentculos da 
Reforma, e intimidar a todos os que no se haviam abertamente declarado em seu 
favor. Os representantes das cidades livres foram finalmente convocados perante 
a Dieta, e exigiu-se-lhes declarar se acederiam aos termos da proposta. Pediram 
prazo, mas em vo. Quando levados  prova, quase a metade se declarou pela 
Reforma. Os que assim se recusaram a sacrificar a liberdade de conscincia e do 
direito do juzo individual, bem sabiam que sua posio os assinalava para a 
crtica, a perseguio e condenao. Disse um dos delegados: Devemos ou negar 
a Palavra de Deus, ou  ser queimados.  DAubign.
O rei Fernando, representante do imperador na Dieta, viu que o decreto 
determinaria srias divises a menos que os prncipes pudessem ser induzidos a 
aceit-lo e apoi-lo. Experimentou, portanto, a arte da persuaso, bem sabendo 
que o emprego da fora com tais homens unicamente os tornaria mais decididos. 
Pediu aos prncipes que aceitassem o
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decreto, assegurando-lhes que o imperador grandemente se agradaria deles. Mas 
aqueles homens leais reconheciam uma autoridade acima da dos governantes 
terrestres, e responderam calmamente: Obedeceremos ao imperador em tudo 
que possa contribuir para manter a paz e a honra de Deus.  DAubign.
Na presena da Dieta, o rei finalmente anunciou ao eleitor e a seus amigos que o 
edito ia ser redigido na forma de um decreto imperial, e que a nica maneira de 
agir que lhes restava, seria submeter-se  maioria. Tendo assim falado, retirou-se 
da assemblia, no dando aos reformadores oportunidades para deliberar ou 
replicar. Sem nenhum resultado enviaram uma delegao pedindo ao rei que 
voltasse.  sua representao respondeu somente:  questo decidida; a 
submisso  tudo o que resta.  DAubign.
O partido imperial estava convicto de que os prncipes cristos adeririam s 
Escrituras Sagradas como superiores s doutrinas e preceitos humanos; e sabia 
que, onde quer que fosse aceito este princpio, o papado seria afinal vencido. Mas, 
semelhantes a milhares que tem havido desde esse tempo, apenas olhavam para 
as coisas que se vem, lisonjeando-se de que a causa do imperador e do papa era 
forte, e a dos reformadores fraca. Houvessem os reformadores confiado 
unicamente no auxilio humano, e teriam sido to impotentes como os supunham 
os adeptos do papa. Mas, conquanto fracos em nmero e em desacordo com 
Roma, tinham a sua fora. Apelaram do relatrio da Dieta para a Palavra de Deus, 
e do imperador Carlos para Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores.  
DAubign.
Como Fernando se recusasse a tomar em considerao suas convices de 
conscincia, os prncipes se decidiram a no tomar em conta a sua ausncia, mas 
levar sem demora seu protesto perante o conclio nacional. Foi, portanto, redigida 
e apresentada  Dieta esta solene declarao:
Protestamos pelos que se acham presentes, perante Deus nosso nico Criador, 
Mantenedor, Redentor e Salvador, e que um dia ser nosso Juiz, bem como 
perante todos os homens e todas as criaturas, que ns, por ns e pelo nosso povo, 
no
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concordamos de maneira alguma com o decreto proposto, nem aderimos ao 
mesmo em tudo que seja contrrio a Deus,  Sua santa Palavra, ao nosso direito 
de conscincia,  salvao de nossa alma.
Qu! Ratificarmos esse edito! Afirmaramos que quando o Deus todo-poderoso 
chama um homem ao Seu conhecimento, esse homem, sem embargo, no possa 
receber o conhecimento de Deus? No h doutrina correta alm da que se 
conforma com a Palavra divina.  O Senhor probe o ensino de qualquer outra 
doutrina.  As Sagradas Escrituras devem ser explicadas por outros textos mais 
claros; este santo Livro , em todas as coisas necessrias ao cristo, fcil de 
compreender e destinado a dissipar as trevas. Estamos resolvidos, com a graa de 
Deus, a manter a pregao pura e exclusiva de Sua santa Palavra, tal como se 
acha contida nos livros bblicos do Antigo e Novo Testamentos, sem lhe 
acrescentar coisa alguma que lhe possa ser contrria. Esta Palavra  a nica 
verdade;  a regra segura para toda doutrina e de toda a vida, e nunca pode falhar 
ou iludir-nos. Aquele que edifica sobre este fundamento resistir a todos os 
poderes do inferno, ao passo que todas as vaidades humanas que se estabelecem 
contra ele cairo perante a face de Deus.
Por esta razo rejeitamos o jugo que nos  imposto. Ao mesmo tempo estamos 
na expectativa de que Sua Majestade imperial proceder em relao a ns como 
prncipe cristo que ama a Deus sobre todas as coisas; e declaramo-nos prontos a 
tributar-lhe, bem como a vs, graciosos fidalgos, toda a afeio e obedincia que 
sejam nosso dever justo e legtimo.  DAubign.
Esta representao impressionou profundamente a Dieta. A maioria estava tomada 
de espanto e alarma ante a ousadia dos que protestavam. O futuro parecia-lhes 
tempestuoso e incerto. Dissenso, contenda, derramamento de sangue pareciam 
inevitveis. Os reformadores, porm, certos da justia de sua causa e confiando no 
brao da Onipotncia, estavam cheios de coragem e firmeza.
Os princpios contidos nesse clebre protesto constituem a prpria essncia do 
protestantismo. Ora, este protesto se ope a dois abusos do homem em matria 
de f: o primeiro 
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a intromisso do magistrado civil, e o segundo a autoridade arbitrria da igreja. 
Em lugar desses abusos, coloca o protestantismo o poder da conscincia acima do 
magistrado, e a autoridade da Palavra de Deus sobre a igreja visvel. Em primeiro 
lugar rejeita o poder civil em assuntos divinos, e diz com os profetas e apstolos: 
Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. Na presena da coroa de 
Carlos V, ele ergue a coroa de Jesus Cristo. Mas vai mais longe: firma o princpio 
de que todo o ensino humano deve subordinar-se aos orculos de Deus.  
DAubign. Os protestantes haviam, demais, afirmado seu direito de livremente 
proferir suas convices sobre a verdade. No haveriam de crer e obedecer 
somente, mas tambm ensinar o que a Palavra de Deus apresenta, e negavam ao 
padre ou magistrado, o direito de intervir. O protesto de Espira foi um testemunho 
solene contra a intolerncia religiosa, e uma afirmao do direito de todos os 
homens de adorarem a Deus segundo os ditames de sua prpria conscincia.
A declarao tinha sido feita. Estava escrita na memria de milhares e registrada 
nos livros do Cu, onde nenhum esforo humano poderia apag-la. Toda a 
Alemanha evanglica adotou o protesto como a expresso de sua f. Por toda 
parte contemplavam os homens nesta declarao a promessa de uma era nova e 
melhor. Disse um dos prncipes aos protestantes de Espira: Queira o Todo-
poderoso que vos deu graa para confess-Lo enrgica, livre e destemidamente, 
preservar-vos nessa firmeza crist at ao dia da eternidade.  DAubign.
Houvesse a Reforma, depois de atingir certo grau de xito, consentido em 
contemporizar a fim de conseguir favor do mundo, e teria sido infiel para com 
Deus e para consigo mesma, alm de assegurar a sua prpria destruio. A 
experincia desses nobres reformadores contm uma lio para todas as eras 
subseqentes. A maneira de agir de Satans, contra Deus e Sua Palavra, no 
mudou. Ele ainda se ope a que sejam as Escrituras adotadas como guia da vida, 
tanto quanto o fez no sculo XVI. H em nosso tempo um vasto afastamento das 
doutrinas e preceitos bblicos, e h necessidade de uma
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Pg. 205
volta ao grande princpio protestante  a Bblia, e a Bblia s, como regra de f e 
prtica. Satans ainda est a trabalhar com todos os meios de que pode dispor, a 
fim de destruir a liberdade religiosa. O poder anticristo que os protestantes de 
Espira rejeitaram, est hoje com renovado vigor procurando restabelecer sua 
perdida supremacia. A mesma inseparvel adeso  Palavra de Deus que se 
manifestou na crise da Reforma,  a nica esperana de reforma hoje.
Apareceram ento sinais de perigo para os protestantes; houve tambm sinais de 
que a mo divina estava estendida para proteger os fiis. Foi por esse tempo que 
Melncton apressadamente conduziu pelas ruas de Espira, em direo ao Reno, 
seu amigo Simo Grynaeus, instando com ele a que atravessasse o rio. Grynaeus 
se achava espantado com tal precipitao. Um ancio, de fisionomia grave e 
solene, mas que me era desconhecido, disse Melncton, apareceu perante mim e 
disse: Dentro de um minuto, oficiais de justia sero enviados por Fernando, a fim 
de prenderem Grynaeus.
Durante o dia Grynaeus ficara escandalizado com um sermo de Faber, um dos 
principais doutores papais; e, no final, protestou por defender aquele certos erros 
detestveis. Faber dissimulou sua ira, mas imediatamente se dirigiu ao rei, de 
quem obteve uma ordem contra o importuno professor de Heidelberg. Melncton 
no duvidou de que Deus havia salvo seu amigo, enviando um de Seus santos 
anjos para avis-lo.
Imvel  margem do Reno, esperou at que as guas daquele rio houvessem 
libertado Grynaeus de seus perseguidores. Finalmente, exclamou Melncton, 
vendo-o do lado oposto, finalmente est ele arrancado das garras cruis daqueles 
que tm sede de sangue inocente. Ao voltar para casa, foi Melncton informado 
de que oficiais,  procura de Grynaeus, a haviam remexido de alto a baixo.  
DAubign.
A reforma devia ser levada a maior preeminncia perante as autoridades da Terra. 
O rei Fernando havia-se negado a ouvir os prncipes evanglicos; mas a estes 
deveria ser concedida oportunidade de apresentar sua causa na presena do
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imperador e dos dignitrios da Igreja e do Estado, em assemblia. A fim de 
acalmar as dissenses que perturbavam o imprio, Carlos V, no ano que se seguiu 
ao protesto de Espira, convocou uma Dieta em Augsburgo, anunciando sua 
inteno de presidir a ela em pessoa. Para ali foram convocados os dirigentes 
protestantes.
Grandes perigos ameaavam a Reforma; mas seus defensores ainda confiavam 
sua causa a Deus e se comprometiam a ser leais ao evangelho. Os conselheiros do 
eleitor da Saxnia insistiram com ele para que no comparecesse  Dieta. O 
imperador, diziam eles, exigia a assistncia dos prncipes a fim de atra-los a uma 
cilada. No  arriscar tudo, ir e encerrar-se algum dentro dos muros de uma 
cidade, com um poderoso inimigo? Outros, porm, nobremente declaravam: 
Portem-se to-somente os prncipes com coragem, e a causa de Deus est salva. 
Deus  fiel; Ele no nos abandonar, disse Lutero.  DAubign. O eleitor, 
juntamente com seu squito, partiu para Augsburgo. Todos estavam cientes dos 
perigos que o ameaavam, e muitos seguiram com semblante triste e corao 
perturbado. Mas Lutero, que os acompanhou at Coburgo, reviveu-lhes a f 
bruxuleante cantando o hino, escrito naquela viagem: Castelo forte  nosso 
Deus. Ao som dos acordes inspirados, foram banidos muitos aflitivos sinais e 
aliviados muitos coraes sobrecarregados.
Os prncipes reformados resolveram redigir uma declarao sistematizada de suas 
opinies, com as provas das Escrituras, apresentando-a  Dieta; e a tarefa da 
preparao da mesma foi confiada a Lutero, Melncton e seus companheiros. Esta 
Confisso foi aceita pelos protestantes como uma exposio de sua f, e reuniram-
se para assinar o importante documento. Foi um tempo solene e probante. Os 
reformadores mostravam insistncia em que sua causa no fosse confundida com 
questes polticas; compreendiam que a Reforma no deveria exercer outra 
influncia alm da que procede da Palavra de Deus.
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Ao virem para a frente os prncipes cristos a fim de assinar a Confisso, 
Melncton se interps, dizendo: Compete aos telogos e ministros propor estas 
coisas; reservemos para outros assuntos a autoridade dos poderosos da Terra. 
Deus no permita, replicou Joo da Saxnia, que me excluais. Estou resolvido a 
fazer o que  reto sem me perturbar acerca de minha coroa. Desejo confessar o 
Senhor. Meu chapu de eleitor e meus ttulos de nobreza no so para mim to 
preciosos como a cruz de Jesus Cristo. Tendo assim falado assinou o nome. Disse 
outro dos prncipes, ao tomar a pena: Se a honra de meu Senhor Jesus Cristo o 
exige, estou pronto para deixar meus bens e vida. Renunciaria de preferncia a 
meus sditos e a meus domnios, deixaria de preferncia o pas de meus pais, com 
o bordo na mo, continuou ele, a receber qualquer outra doutrina que no a 
que se contm nesta Confisso.  DAubign. Tal era a f e a ousadia daqueles 
homens de Deus.
Chegou o tempo designado para comparecer perante o imperador. Carlos V, 
sentado no trono, rodeado de seus eleitores e prncipes, deu audincia aos 
reformadores protestantes. Foi lida a Confisso de sua f. Naquela augusta 
assemblia, as verdades do evangelho foram claramente apresentadas, e 
indicados os erros da igreja papal. Com razo foi aquele dia declarado o maior dia 
da Reforma, e um dos mais gloriosos na histria do cristianismo e da 
humanidade.  DAubign.
Entretanto, poucos anos se haviam passado desde que o monge de Wittenberg 
estivera em Worms, sozinho, perante o conselho nacional. Agora, em seu lugar 
estavam os mais nobres e poderosos prncipes do imprio. A Lutero fora proibido 
comparecer em Augsburgo, mais estivera presente por suas palavras e oraes. 
Estou jubilosssimo, escreveu, de que eu tenha vivido at esta hora, na qual 
Cristo  publicamente exaltado por to ilustres pessoas que O confessam, em uma 
assemblia to gloriosa.  DAubign. Assim, cumpriu-se o que dizem as 
Escrituras: Falarei dos Teus testemunhos perante os reis. Sal. 119:46.
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Pg. 208
Nos dias do apstolo Paulo, o evangelho pelo qual estava preso foi assim levado 
perante os prncipes e nobres da cidade imperial. Igualmente, nesta ocasio, 
aquilo que o imperador proibira fosse pregado do plpito, era proclamado em 
palcio; aquilo que muitos tinham considerado inconveniente que os prprios 
servos ouvissem, era com admirao ouvido pelos senhores e fidalgos do imprio. 
Reis e grandes homens constituam o auditrio; prncipes coroados eram os 
pregadores; e o sermo era a rgia verdade de Deus. Desde a era apostlica, diz 
um escritor, nunca houve obra maior nem mais magnificente Confisso.  
DAubign.
Tudo quanto os luteranos disseram  verdade; no o podemos negar, declarou 
um bispo romano. Podeis refutar por meio de ss razes a Confisso feita pelo 
eleitor e seus aliados? perguntou outro, ao Dr. Eck. Com os escritos dos 
apstolos e profetas, no! foi a resposta; mas com os dos pais da igreja e dos 
conclios, sim! Compreendo, respondeu o inquiridor. Os luteranos, segundo vs 
o dizeis, esto com as Escrituras, e ns nos achamos fora delas.  DAubign.
Alguns dos prncipes da Alemanha foram ganhos para a f reformada. O prprio 
imperador declarou que os artigos protestantes no eram seno a verdade. A 
Confisso foi traduzida para muitas lnguas, e circulou por toda a Europa; e tem 
sido, em sucessivas geraes, aceita por milhes como a expresso de sua f.
Os fiis servos de Deus no estavam labutando ss. Enquanto principados, 
potestades e hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais se coligavam 
contra eles, o Senhor no Se esquecia de Seu povo. Se pudessem seus olhos 
abrir-se, teriam visto uma prova da presena e auxlio divinos, to assinalada 
como fora concedida aos profetas de outrora. Quando o servo de Eliseu mostrou a 
seu senhor o exrcito hostil que os cercava, excluindo toda possibilidade de 
escape, o profeta orou: Senhor, peo-Te que lhe abras os olhos para que veja. II 
Reis 6:17. E eis que a montanha estava cheia de carros e cavalos de fogo, o 
exrcito do Cu estacionado para proteger o homem de Deus. Desta maneira 
guardaram os anjos os obreiros na causa da Reforma.
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Um dos princpios mais firmemente mantidos por Lutero era que no deveria haver 
recurso ao poder secular em apoio da Reforma, e, tampouco, apelo s armas para 
a sua defesa. Regozijava-se de que o evangelho fosse professado por prncipes do 
imprio; mas, quando se propusera unir-se em uma liga defensiva, declarou que 
a doutrina do evangelho seria defendida por Deus somente.  Quanto menos o 
homem se entremetesse na obra, mais surpreendente seria a interveno de Deus 
em prol da mesma. Todas as precaues polticas sugeridas eram, em sua opinio, 
atribuveis ao temor indigno e  pecaminosa desconfiana.  DAubign.
Quando poderosos adversrios se estavam unindo para destruir a f reformada, e 
milhares de espadas pareciam prestes a desembainhar-se contra ela, Lutero 
escreveu: Satans est exercendo a sua fria; mpios pontfices esto 
conspirando; e ns somos ameaados de guerra. Exortai o povo a contender 
valorosamente perante o trono do Senhor, pela f e orao, de modo que nossos 
inimigos, vencidos pelo Esprito de Deus, possam ser constrangidos  paz. Nossa 
principal necessidade, nosso trabalho principal,  a orao; saiba o povo que, no 
momento, se encontra exposto ao gume da espada e  clera de Satans, e ore. 
 DAubign.
Novamente, em data posterior, referindo-se  aliana sugerida pelos prncipes 
reformados, Lutero declarou que a nica arma empregada nesta luta deveria ser 
a espada do Esprito. Escreveu ao eleitor da Saxnia: No podemos perante 
nossa conscincia aprovar a aliana proposta. Morreramos dez vezes de 
preferncia a ver nosso evangelho fazer derramar uma gota de sangue. Nossa 
parte  sermos semelhantes a cordeiros no matadouro. Temos de tomar a cruz de 
Cristo. Seja Vossa Alteza sem temor. Faremos mais com as nossas oraes do que 
todos os nossos inimigos com sua jactncia. To-somente no sejam vossas mos 
manchadas com o sangue de irmos. Se o imperador exigir que sejamos entregues 
aos seus tribunais, estamos prontos a comparecer. No podeis defender a nossa 
f: cada um deve crer com seu prprio risco e perigo.  DAubign.
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Do local secreto da orao proveio o poder que abalou o mundo na grande 
Reforma. Ali, com santa calma, os servos do Senhor colocaram os ps sobre a 
rocha de Suas promessas. Durante a luta em Augsburgo, Lutero no passou um 
dia sem dedicar trs horas pelo menos  orao, e eram horas escolhidas dentre 
as mais favorveis ao estudo. Na intimidade de sua recmara era ele ouvido a 
derramar sua alma perante Deus em palavras cheias de adorao, temor e 
esperana, como quando algum fala a um amigo. Eu sei que Tu s nosso Pai e 
nosso Deus, dizia ele, e que dispersars os perseguidores de Teus filhos; pois Tu 
mesmo corres perigo conosco. Toda esta causa  Tua, e  unicamente 
constrangidos por Ti que lanamos mos  mesma. Defende-nos, pois,  Pai!  
DAubign.
A Melncton, que se achava aniquilado sob o peso da ansiedade e temor, ele 
escreveu: Graa e paz em Cristo  em Cristo, digo eu, e no no mundo. Amm. 
Odeio com dio enorme esses extremos cuidados que vos consomem. Se a causa  
injusta, abandonai-a; se a causa  justa, porque desmentiramos as promessas 
dAquele que nos manda dormir sem temor? Cristo no faltar  obra de justia e 
verdade. Ele vive, Ele reina; que temor, pois, poderemos ter?  DAubign.
Deus ouviu os clamores de Seus servos. Deu aos prncipes e ministros graa e 
coragem para manterem a verdade contra os dominadores das trevas deste 
mundo. Diz o Senhor: Eis que ponho em Sio a pedra principal da esquina, eleita 
e preciosa; e quem nela crer no ser confundido. I Ped. 2:6. Os reformadores 
protestantes haviam edificado sobre Cristo, e as por tas do inferno no 
prevaleceriam contra eles.
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12
Os Nobres da Frana
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O protesto de Espira e a Confisso de Augsburgo, que assinalaram a vitria da 
Reforma na Alemanha, foram seguidos de anos de conflitos e trevas. Enfraquecido 
por divises entre seus mantenedores, atacado por poderosos inimigos, o 
protestantismo parecia destinado a ser totalmente destrudo. Milhares selaram seu 
testemunho com o prprio sangue. Irrompeu a guerra civil; a causa protestante foi 
trada por um de seus principais adeptos; os mais nobres dos prncipes reformados 
caram nas mos do imperador e foram, de cidade em cidade, arrastados como 
cativos. Mas, no momento de seu triunfo aparente, foi o imperador afligido com a 
derrota. Viu a presa arrancada ao seu poder, sendo, por fim, obrigado a conceder 
tolerncia s doutrinas cuja destruio fora o anelo de sua vida. Pusera em risco o 
reino, seus tesouros e a prpria vida, no intuito de esmagar a heresia. Via agora 
os exrcitos assolados pelas batalhas, os tesouros exauridos, seus muitos reinos 
ameaados de revolta, enquanto, por toda parte, a f que em vo se esforara por 
suprimir, estava a estender-se. Carlos V estivera a batalhar contra o Poder 
onipotente. Deus dissera: Haja luz, mas o imperador havia procurado perpetuar 
as trevas. Falhara o seu propsito; e, prematuramente envelhecido e consumido 
pela longa luta, abdicou o trono e sepultou-se em um claustro.
Na Sua, como na Alemanha, houve para a Reforma dias tenebrosos. Ao mesmo 
tempo em que muitos cantes
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aceitaram a f reformada, outros se apegaram com cega persistncia ao credo de 
Roma. Sua perseguio aos que desejavam receber a verdade, deu finalmente 
origem  guerra civil. Zwnglio, e muitos que a ele se haviam unido na Reforma, 
caram no campo de sangue de Cappel. Oecolampadius, vencido por estes terrveis 
desastres, morreu logo depois. Roma estava triunfante, e em muitos lugares 
parecia prestes a recobrar tudo o que perdera. Mas Aquele cujos conselhos so 
desde a eternidade, no abandonara Sua causa nem Seu povo. Sua mo lhes 
traria o livramento. Suscitara, em outros pases, obreiros para levar avante a 
Reforma.
Em Frana, antes que o nome de Lutero fosse ouvido como reformador, j o dia 
comeara a raiar. Um dos primeiros a receber a luz foi o idoso Lefvre, homem de 
extenso saber, professor na Universidade de Paris e sincero e zeloso romanista. 
Em suas pesquisas da literatura antiga, sua ateno foi dirigida para a Escritura, e 
introduziu o estudo desta entre os seus alunos.
Lefvre era entusiasta adorador dos santos, e empreendera a preparao de uma 
histria dos santos e mrtires, como a apresentam as lendas da igreja. Era esta 
uma obra que implicava grande trabalho; entretanto, ia ele bem adiantado na 
obra, quando, julgando que poderia obter proveitoso auxlio da Escritura Sagrada, 
comeou o estudo desta com esse objetivo. Ali encontrou, na verdade, referncia a 
santos, mas no idnticas s que figuravam no calendrio romano. Um caudal de 
luz divina irrompeu-lhe no esprito. Com espanto e desgosto abandonou a tarefa a 
que se propusera, e dedicou-se  Palavra de Deus. Ps-se logo a ensinar as 
preciosas verdades que nela descobrira.
Em 1512, antes que Lutero ou Zwnglio houvessem iniciado a obra da Reforma, 
Lefvre, escreveu:  Deus que d, pela f, a justia que, somente pela graa, 
justifica para a vida eterna.  Wylie. Tratando dos mistrios da redeno, 
exclamou: Oh! que indizvel grandeza a daquela permuta   condenado Aquele 
que no tem pecado, e o que  culpado fica
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livre; o Bem-aventurado suporta a maldio, e o maldito recebe a bno; a Vida 
morre, e os mortos vivem; a Glria  submersa em trevas, e  revestido de glria 
aquele que nada conhecia alm da confuso de rosto!  DAubign.
E ao mesmo tempo em que ensinava pertencer unicamente a Deus a glria da 
salvao, declarava tambm que pertence ao homem o dever de obedincia. Se 
s membro da igreja de Cristo, dizia ele, s membro de Seu corpo; se s de Seu 
corpo, ento ests cheio da natureza divina.  Oh! se to-somente pudessem os 
homens chegar  compreenso deste privilgio, quo pura, casta e santamente 
viveriam, e quo desprezvel considerariam toda a glria deste mundo, quando 
comparada com a glria interior, glria que o olho carnal no pode ver!  
DAubign.
Houve entre os discpulos de Lefvre alguns que avidamente lhe ouviam as 
palavras, e que, muito tempo depois que a voz do mestre silenciasse, deveriam 
continuar a anunciar a verdade. Um destes foi Guilherme Farel. Filho de pais 
piedosos e ensinado a aceitar com f implcita os ensinos da igreja, poderia, com o 
apstolo Paulo, ter declarado com respeito a si mesmo: Conforme a mais severa 
seita da nossa religio, vivi fariseu. Atos 26:5. Como devoto romanista, ardia em 
zelo para destruir a todos os que ousassem opor-se  igreja. Eu rangia os dentes 
qual lobo furioso, declarou ele mais tarde referindo-se a esse perodo de sua vida, 
quando ouvia algum falar contra o papa.  Wylie. Fora incansvel na adorao 
dos santos, percorrendo em companhia de Lefvre as igrejas de Paris, adorando 
nos altares, e com ddivas adornando os santos relicrios. Mas estas observncias 
no podiam trazer paz  alma. Fortalecia-se nele a convico do pecado, a qual 
todos os atos de penitncia que praticava no conseguiam banir. Como se fora voz 
do Cu, escutou as palavras do reformador: A salvao  de graa. O inocente  
condenado, e o criminoso absolvido.  unicamente a cruz de Cristo que abre as 
portas do Cu e fecha as do inferno.  Wylie.
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Farel aceitou alegremente a verdade. Por uma converso semelhante  de Paulo, 
tornou do cativeiro da tradio  liberdade dos filhos de Deus. Em vez de ter o 
corao assassino de um lobo devorador, voltou tranqilamente, qual cordeiro 
manso e inofensivo, tendo o corao de todo desviado do papa, e entregue a Jesus 
Cristo.  DAubign.
Enquanto Lefvre continuava a propagar a luz entre seus discpulos, Farel, to 
zeloso na causa de Cristo como fora na do papa, saiu para anunciar a verdade em 
pblico. Um dignitrio da igreja, o bispo de Meaux, logo depois a ele se uniu. 
Outros ensinadores, notveis por sua habilidade e saber, uniram-se  proclamao 
do evangelho, conquistando adeptos entre todas as classes, desde os lares dos 
artfices e camponeses at ao palcio real. A irm de Francisco I, o monarca 
reinante de ento, aceitou a f reformada. O prprio rei e a rainha-me pareceram 
por algum tempo consider-la com benevolncia, e com grandes esperanas os 
reformadores aguardaram o futuro em que a Frana seria ganha para o evangelho.
Suas esperanas, porm, no deveriam realizar-se. Provaes e perseguies 
estavam reservadas aos discpulos de Cristo. Isto, entretanto, foi 
misericordiosamente velado a seus olhos. Houve um tempo de paz, para que 
pudessem ganhar foras a fim de enfrentar a tempestade; e a Reforma fez rpidos 
progressos. O bispo de Meaux trabalhou zelosamente em sua prpria diocese para 
instruir tanto o clero como o povo. Removiam-se padres ignorantes e imorais e, 
tanto quanto possvel, eram substitudos por homens de saber e piedade. O bispo 
desejava grandemente que seu povo, por si mesmo, tivesse acesso  Palavra de 
Deus, e isto foi logo cumprido. Lefvre empreendeu a traduo do Novo 
Testamento; e, ao mesmo tempo em que a Bblia alem de Lutero saa do prelo 
em Wittenberg, era publicado o Novo Testamento em francs, em Meaux. O bispo 
no poupou esforos ou gastos a fim de dissemin-la em suas parquias, e breve 
os camponeses de Meaux estavam de posse das Santas Escrituras.
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Assim como os viajantes que perecem  sede acolhem com alegria uma fonte de 
gua viva, assim receberam aquelas almas a mensagem do Cu. Trabalhadores no 
campo, artfices nas oficinas, suavizavam a labuta diria conversando acerca das 
preciosas verdades da Bblia.  noite, em vez de se dirigirem para as tabernas, 
congregavam-se nas casas uns dos outros para ler a Palavra de Deus, e unir-se 
em orao e louvor. Grande mudana logo se manifestou nessas comunidades. 
Posto que pertencessem  mais humilde classe, camponeses indoutos e de rudes 
trabalhos que eram, viu-se em sua vida o poder reformador e enobrecedor da 
graa divina. Humildes, amorosos e santos, mantiveram-se como testemunhas do 
que o evangelho efetuar pelos que o recebem com sinceridade.
A luz acendida em Meaux derramou seus raios ao longe. Aumentava todos os dias 
o nmero de conversos. O rancor da hierarquia foi por algum tempo contido pelo 
rei, que desprezava o acanhado fanatismo dos monges; mas os chefes papais 
prevaleceram finalmente. Ateou-se ento a fogueira. O bispo de Meaux, forado a 
escolher entre a fogueira e a retratao, aceitou o caminho mais fcil; mas, apesar 
da queda do chefe, o rebanho permaneceu firme. Muitos testificaram da verdade 
entre as chamas. Por sua coragem e fidelidade na tortura, esses humildes cristos 
falaram a milhares que, em dias de paz, nunca tinham ouvido seu testemunho.
No foram somente os humildes e os pobres que, entre sofrimento e escrnio, 
ousaram dar testemunho de Cristo. Nos sales senhoriais do castelo e do palcio, 
houve almas rgias por quem a verdade era mais apreciada do que a riqueza, 
posio social ou mesmo a vida. As armaduras reais ocultavam esprito mais 
sobranceiro e resoluto do que o faziam as vestes e a mitra do bispo. Lus de 
Berquin era de nascimento nobre, cavalheiro bravo e corts, dedicado ao estudo, 
polido nas maneiras, e de moral irrepreensvel. Ele era, diz certo escritor, fiel 
seguidor das ordenanas papais, e grande ouvinte de missas e sermes,  e, a 
coroar todas as demais virtudes, tinha
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pelo luteranismo averso especial. Mas, semelhante a tantos outros, guiado 
providencialmente  Escritura, maravilhou-se de encontrar ali, no as doutrinas 
de Roma mas as de Lutero.  Wylie. Desde ento se entregou com devotamento 
completo  causa do evangelho.
Como o mais douto dos nobres da Frana, seu gnio e eloqncia, sua coragem 
indomvel e herico zelo, assim como sua influncia na corte  pois era favorito do 
rei  faziam com que fosse considerado por muitos como destinado a ser o 
reformador de seu pas. Disse Beza: Berquin teria sido um segundo Lutero, caso 
houvesse encontrado em Francisco I um segundo eleitor.  pior do que Lutero, 
exclamavam os romanistas. Mais temido era ele, na verdade, pelos romanistas da 
Frana. Arrojaram-no  priso como herege, mas foi posto em liberdade pelo rei. 
Durante anos manteve a luta. Francisco claudicando entre Roma e a Reforma, 
alternadamente tolerava e restringia o zelo feroz dos monges. Berquin foi trs 
vezes preso pelas autoridades papais, apenas para ser liberto pelo monarca que, 
admirando-lhe o gnio e nobreza de carter, recusou sacrific-lo  maldade do 
clero.
Foi Berquin repetidas vezes avisado do perigo que o ameaava na Frana, e com 
ele instou-se para que seguisse os passos dos que haviam encontrado segurana 
no exlio voluntrio. O tmido Erasmo, subserviente s circunstncias de seu 
tempo, e a quem, com todo o esplendor de sua erudio, faltava aquela grandeza 
moral que mantm a vida e a honra a servio da verdade, escreveu a Berquin: 
Pede para seres enviado como embaixador a algum pas estrangeiro; vai viajar na 
Alemanha. Conheces Beda e outros como ele;  um monstro de mil cabeas, 
lanando veneno por todos os lados. Teus inimigos se contam por legies. Fosse a 
tua causa melhor do que a de Jesus Cristo, e no te deixariam ir antes de te 
haverem miseravelmente destrudo. No confies muito na proteo do rei. Seja 
como for, no me comprometas com a faculdade de teologia.  Wylie.
Mas, intensificando-se os perigos, o zelo de Berquin apenas se tornou mais forte. 
Assim, longe de adotar o expediente
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egosta sugerido por Erasmo, decidiu-se a medidas ainda mais ousadas. No 
somente permaneceria na defesa da verdade, mas atacaria o erro. A acusao de 
heresia que os romanistas estavam procurando firmar contra ele, volv-la-ia 
contra eles prprios. Os mais ativos e cruis de seus oponentes eram os ilustrados 
doutores e monges do departamento teolgico da grande Universidade de Paris, 
uma das mais elevadas autoridades eclesisticas tanto da cidade como da nao. 
Dos escritos desses doutores Berquin tirou doze proposies que publicamente 
declarou em oposio  Bblia e herticas, e apelou para o rei no sentido de agir 
como juiz na controvrsia.
No repugnando ao monarca pr em contraste a fora e agudeza dos campees 
rivais, e contente com a oportunidade de humilhar o orgulho dos altivos monges, 
mandou aos romanistas que defendessem sua causa pela Escritura Sagrada. Esta 
arma, bem o sabiam, pouco lhes adiantaria; a priso, a tortura e a fogueira eram 
as armas que melhor sabiam manejar. Agora a situao estava invertida, e viam-
se prestes a cair no fosso em que haviam esperado submergir Berquin. Perplexos, 
procuravam em torno um meio de escape.
Exatamente por este tempo uma imagem da Virgem apareceu mutilada na 
esquina de uma das ruas. Houve grande agitao na cidade. Multides de pessoas 
se ajuntaram no local, com expresses de lamento e indignao. O rei tambm 
ficou profundamente abalado. Ali estava uma circunstncia de que os monges se 
poderiam valer, e apressaram-se em aproveitar-se dela. So estes os frutos das 
doutrinas de Berquin, exclamavam. Tudo est a ponto de ser subvertido  
religio, leis, o prprio trono  por esta conspirao luterana.  Wylie.
De novo foi preso Berquin. O rei saiu de Paris, e os monges ficaram assim livres 
para agir  vontade. O reformador foi julgado e condenado  morte; e receosos de 
que Francisco mesmo ento se interpusesse para salv-lo, a sentena foi 
executada no prprio dia em que fora pronunciada. Ao meio-dia
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Berquin foi conduzido ao lugar fatal. Imensa multido se reunira para testemunhar 
o acontecimento, e ali estavam muitos que viram com espanto e temor, que a 
vtima fora escolhida dentre as melhores, mais valorosas e nobres famlias da 
Frana. Espanto, ira, escrnio e dio figadal entenebreciam o rosto daquela 
multido agitada; mas sobre um nico semblante nenhuma sombra pairava. Os 
pensamentos do mrtir estavam longe daquela cena de tumulto; estava cnscio 
apenas da presena de seu Senhor.
O hediondo carro enlameado em que ia, o rosto carregado de seus perseguidores, 
a morte terrvel para a qual caminhava, no os tomava ele em considerao; 
estava a seu lado Aquele que vive e foi morto, e vivo estar para sempre, e tem 
as chaves da morte e do inferno. O semblante de Berquin estava radiante com a 
luz e paz do Cu. Vestira trajes festivos, usando uma capa de veludo, um gibo 
de cetim e damasco, e meias douradas.  Histria da Reforma no Tempo de 
Calvino, DAubign. Ele estava para testificar de sua f na presena do Rei dos 
reis, e do Universo, que assistia  cena; e nenhum sinal de lamento lhe devia 
empanar a alegria.
Enquanto o cortejo se movia vagarosamente atravs das ruas regurgitantes de 
gente, este notava com admirao a imperturbvel paz, o alegre triunfo que trazia 
no olhar e porte. Ele est, diziam, como algum que se senta num templo e 
medita sobre coisas santas.  Wylie.
Junto  fogueira, Berquin esforou-se por dirigir algumas palavras ao povo; mas os 
monges, temendo o resultado, comearam a gritar, e os soldados a chocar as 
armas, e o rumor abafou a voz do mrtir. Assim, em 1529, a mais alta autoridade 
literria e eclesistica da culta Paris, deu  populaa de 1793 o indigno exemplo 
de sufocar na forca as palavras sagradas do moribundo.  Wylie.
Berquin foi estrangulado, e seu corpo consumido nas chamas. As notcias de sua 
morte causaram tristeza aos amigos da Reforma por toda a Frana. Mas seu 
exemplo no foi
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em vo. Estamos tambm prontos, disseram as testemunhas da verdade, para 
enfrentar com nimo a morte, pondo nossos olhos na vida por vir.  Histria da 
Reforma no Tempo de Calvino, DAubign.
Durante a perseguio em Meaux, os ensinadores da f reformada foram proibidos 
de pregar, e partiram para outros campos. Lefvre, depois de algum tempo, tomou 
rumo da Alemanha. Farel voltou para sua cidade natal, na Frana oriental, a fim de 
disseminar a luz no lugar de sua infncia. J se haviam recebido notcias do que se 
passava em Meaux, e a verdade, por ele ensinada com destemido zelo, atraa 
ouvintes. Levantaram-se logo as autoridades para faz-lo silenciar, sendo ele 
banido da cidade. Posto que no mais pudesse trabalhar publicamente, atravessou 
as plancies e aldeias, ensinando nas casas particulares, nos prados isolados, 
encontrando abrigo nas florestas e entre as cavernas rochosas que haviam sido 
sua guarida nos tempos de rapaz. Deus o estava preparando para maiores provas. 
No tm faltado as cruzes, perseguies e maquinaes de Satans, de que eu 
estava prevenido, disse ele; so mesmo muito mais atrozes do que poderia 
suportar por mim mesmo; mas Deus  meu Pai; Ele me proveu e sempre h de 
prover-me da fora que peo.  DAubign.
Como nos dias dos apstolos, a perseguio contribura para maior proveito do 
evangelho. Filip. 1:12. Expulsos de Paris e Meaux, os que andavam dispersos 
iam por toda a parte, anunciando a Palavra. Atos 8:4. E assim a luz teve acesso a 
muitas das afastadas provncias da Frana.
Deus estava ainda a preparar obreiros para ampliar a Sua causa. Em uma das 
escolas de Paris havia um jovem refletido, quieto, e que dava mostras de esprito 
robusto e penetrante, e no menos notvel pela correo de vida do que pelo 
ardor intelectual e devoo religiosa. Seu gnio e aplicao logo o fizeram o 
orgulho do colgio, e tinha-se como certo que Joo Calvino seria um dos mais 
hbeis e honrados defensores da
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igreja. Mas um raio de luz divina penetrou at ao prprio interior das paredes do 
escolasticismo e superstio em que se achava Calvino encerrado. Estremeceu ao 
ouvir das novas doutrinas, nada duvidando de que os hereges merecessem o fogo 
a que eram entregues. Contudo, sem disso se dar conta, foi posto face a face com 
a heresia, e obrigado a submeter  prova o poder da teologia romana no combate 
ao ensino protestante.
Estava em Paris um primo de Calvino, que se havia unido aos reformadores. Os 
dois parentes muitas vezes se encontravam, e juntos discutiam as questes que 
estavam perturbando a cristandade. No h seno duas espcies de religies no 
mundo, dizia o protestante Olivetan. Uma  a espcie de religies que os 
homens inventaram, e em todas as quais o homem se salva por cerimnias e boas 
obras; a outra  a religio que est revelada na Escritura Sagrada e ensina o 
homem a esperar pela salvao unicamente da livre graa de Deus.
No quero nenhuma das tuas novas doutrinas, exclamou Calvino; achas que 
tenho vivido em erro todos os meus dias?  Wylie.
No esprito, porm, haviam-se-lhe despertado pensamentos de que se no podia 
livrar de todo. Sozinho em seu quarto, ponderava as palavras do primo. No o 
deixara a convico do pecado; via-se sem intercessor, na presena de um santo e 
justo Juiz. A mediao dos santos, as boas obras, as cerimnias da Igreja, tudo 
era impotente para expiar o pecado. Nada via diante de si, alm do negror do 
desespero eterno. Em vo os doutores da igreja se esforavam por aliviar-lhe a 
infelicidade. Em vo recorria  confisso e penitncia; estas no podiam reconciliar 
a alma com Deus.
Enquanto ainda se empenhava nessas lutas infrutferas, Calvino, visitando 
casualmente uma das praas pblicas, testemunhou ali a queima de um herege. 
Ficou deveras maravilhado ante a expresso de paz que se esboava no semblante 
do mrtir. Entre as torturas daquela morte cruel, e sob a mais terrvel condenao 
da igreja, manifestou uma f e
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coragem que o jovem estudante dolorosamente contrastou com o seu prprio 
desespero e escurido, embora vivesse em estrita obedincia  igreja. Na Bblia, 
sabia ele, fundamentavam os hereges a sua f. Resolveu estud-la e descobrir, se 
o pudesse, o segredo da alegria deles.
Na Bblia achou a Cristo.  Pai, exclamou ele, Seu sacrifcio apaziguou Tua ira; 
Seu sangue lavou minhas impurezas; Sua cruz arrostou minha maldio; Sua 
morte fez expiao por mim. Imaginamos para ns muitas tolices inteis, mas Tu 
colocaste Tua Palavra diante de mim como uma tocha, e tocaste-me o corao, a 
fim de que eu abominasse todos os outros mritos, com exceo dos de Jesus.  
Martyn.
Calvino tinha sido educado para o sacerdcio. Quando contava apenas doze anos 
de idade, foi designado para o cargo de capelo de pequena igreja, sendo-lhe pelo 
bispo tonsurada a cabea, de acordo com o cnon da igreja. No recebeu 
consagrao, nem cumpria os deveres de sacerdote, mas tornou-se membro do 
clero, mantendo o ttulo de seu ofcio e recebendo um estipndio em considerao 
ao mesmo.
Ora, compreendendo que jamais poderia tornar-se padre, volveu por algum tempo 
ao estudo das leis, mas abandonou finalmente este propsito e resolveu dedicar a 
vida ao evangelho. Hesitou, porm, em se fazer pregador pblico. Era 
naturalmente tmido,  pesava-lhe a intuio das graves responsabilidades 
daquele cargo, desejando ainda dedicar-se ao estudo. Os ardorosos rogos de seus 
amigos, entretanto, alcanaram finalmente o seu consentimento.  maravilhoso, 
disse ele, que pessoa de to humilde origem fosse exaltada a to grande 
dignidade.  Wylie.
Calmamente deu Calvino incio  sua obra, e suas palavras foram como o orvalho 
que caa para refrigerar a terra. Deixara Paris, e ento se encontrava numa cidade 
provinciana sob a proteo da princesa Margarida, que, amando o evangelho, 
estendia seu amparo aos discpulos do mesmo. Calvino era ainda jovem, de porte 
gentil e despretensioso. Comeou o
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trabalho nos lares do povo. Rodeado dos membros da famlia, lia a Escritura e 
desvendava as verdades da salvao. Os que ouviam a mensagem, levavam as 
boas novas a outros, e logo o ensinador passou para alm da cidade, s vilas e 
aldeias adjacentes. Encontrava ingresso tanto no castelo como na cabana e ia 
avante, lanando o fundamento de igrejas que deveriam dar corajoso testemunho 
da verdade.
Decorridos alguns meses, achou-se de novo em Paris. Havia desusada agitao 
nas rodas dos homens ilustrados e eruditos. O estudo das lnguas antigas 
conduzira os homens  Bblia, e muitos, cujo corao no fora tocado pelas suas 
verdades, discutiam-nas avidamente, dando mesmo combate aos campees do 
romanismo. Calvino, se bem que fosse hbil lutador nos campos da controvrsia 
religiosa, tinha a cumprir uma misso mais elevada do que a daqueles telogos 
ruidosos. O esprito dos homens estava agitado, e esse era o tempo para lhes 
desvendar a verdade. Enquanto os sales da Universidade ecoavam do rumor das 
discusses teolgicas, Calvino prosseguia de casa em casa, abrindo a Escritura ao 
povo, falando-lhes de Cristo, o Crucificado.
Na providncia de Deus, Paris deveria receber outro convite para aceitar o 
evangelho. Rejeitara o apelo de Lefvre e Farel, mas de novo a mensagem deveria 
ser ouvida por todas as classes naquela grande capital. O rei, influenciado por 
consideraes polticas, no tinha ainda tomado completamente sua atitude ao 
lado de Roma contra a Reforma. Margarida ainda se apegava  esperana de que o 
protestantismo triunfasse na Frana. Resolveu que a f reformada fosse pregada 
em Paris. Durante a ausncia do rei, ordenou a um ministro protestante que 
pregasse nas igrejas da cidade. Sendo isto proibido pelos dignitrios papais, a 
princesa abriu as portas do palcio. Um de seus compartimentos foi improvisado 
em capela e anunciou-se que diariamente, em hora determinada, seria pregado 
um sermo, sendo o povo de todas as classes e condies convidado a 
comparecer. Multides congregavam-se para assistir ao culto.
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No somente a capela, mas as antecmaras e vestbulos regurgitavam. Milhares se 
reuniam todos os dias  nobres, estadistas, advogados, negociantes e artfices. O 
rei, em vez de proibir essas assemblias, ordenou que duas das igrejas de Paris 
fossem abertas. Nunca dantes fora a cidade to comovida pela Palavra de Deus. O 
esprito de vida, proveniente do Cu, parecia estar bafejando o povo. Temperana, 
pureza, ordem e trabalho estavam a tomar o lugar da embriaguez, libertinagem, 
contenda e ociosidade.
A hierarquia, porm, no estava ociosa. O rei ainda se recusava a intervir no 
sentido de sustar a pregao, e aquela se volveu para a populaa. No se 
poupavam meios para excitar os temores, preconceitos e fanatismo das multides 
ignorantes e supersticiosas. Entregando-se cegamente a seus falsos ensinadores, 
Paris, como Jerusalm na antiguidade, no conheceu o tempo de sua visitao, 
nem as coisas que pertenciam  sua paz. Durante dois anos a Palavra de Deus foi 
pregada na capital; mas, ao mesmo tempo em que havia muitos que aceitavam o 
evangelho, a maioria das pessoas o rejeitavam. Francisco dera mostra de 
tolerncia, meramente para servir a seus prprios propsitos, e os romanistas 
conseguiram readquirir a ascendncia. De novo se fecharam as igrejas e ateou-se 
a fogueira.
Calvino ainda estava em Paris, preparando-se pelo estudo, meditao e orao, 
para os seus futuros labores, e continuando a disseminar a luz. Finalmente, 
porm, firmou-se contra ele a suspeita. As autoridades resolveram lev-lo s 
chamas. Considerando-se seguro em sua recluso, no tinha idia do perigo, 
quando amigos vieram precipitadamente a seu quarto com as notcias de que 
oficiais estavam a caminho para prend-lo. Naquele instante ouviu-se uma forte 
pancada na porta exterior. No havia um momento a perder. Alguns amigos 
detiveram os oficiais  porta, enquanto outros ajudavam o reformador a descer por 
uma janela; e rapidamente saiu para os extremos da cidade. Encontrando abrigo 
na cabana de um trabalhador amigo da Reforma, disfarou-se nos trajes de seu
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hospedeiro e, levando ao ombro uma enxada, partiu em sua jornada. Viajando 
para o sul, encontrou novamente refgio nos domnios de Margarida.  Histria da 
Reforma no Tempo de Calvino.  Ver DAubign.
Ali, por alguns meses, permaneceu em segurana sob a proteo de poderosos 
amigos, e como dantes, empenhado no estudo. Mas seu corao estava 
determinado a fazer a evangelizao da Frana, e ele no poderia ficar por muito 
tempo inativo. Logo que a tempestade amainou um pouco, procurou um novo 
campo de trabalho em Poitiers, onde havia uma universidade, e onde j as novas 
opinies alcanavam aceitao. Pessoas de todas as classes ouviam alegremente o 
evangelho. No havia pregao pblica, mas na casa do magistrado principal, em 
seus prprios cmodos, e algumas vezes num jardim pblico, Calvino desvendava 
as palavras de vida eterna aos que as desejavam ouvir. Depois de algum tempo, 
aumentando o nmero dos ouvintes, foi considerado mais seguro reunirem-se fora 
da cidade. Uma caverna ao lado de uma garganta profunda e estreita, onde 
rvores e pedras salientes tornavam a recluso ainda mais completa, fora 
escolhida como o local para as reunies. Pequenos grupos, que deixavam a cidade 
por estradas diferentes, dirigiam-se para ali. Neste ponto isolado, a Escritura era 
lida e explicada. Ali, pela primeira vez, foi pelos protestantes da Frana celebrada 
a Ceia do Senhor. Dessa pequena igreja foram enviados vrios fiis evangelistas.
Mais uma vez Calvino voltou a Paris. Mesmo ento no podia abandonar a 
esperana de que a Frana, como nao, aceitasse a Reforma. Encontrou, porm, 
fechadas para o trabalho quase todas as portas. Ensinar o evangelho era tomar o 
caminho direto para a fogueira, e finalmente resolveu partir para a Alemanha. 
Apenas deixara a Frana, quando irrompeu sobre os protestantes uma tempestade 
que certamente o teria envolvido na runa geral, caso houvesse ele permanecido.
Os reformadores franceses, ansiosos por ver seu pas acompanhar a Alemanha e a 
Sua, decidiram-se a desferir contra a superstio de Roma um golpe audaz, que 
despertaria a nao
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inteira. De conformidade com isto, em uma noite foram afixados, por toda a 
Frana, cartazes que atacavam a missa. Em vez de promover a Reforma, este 
movimento zeloso, mas mal-interpretado, acarretou runa, no somente para seus 
propagadores, mas tambm para os amigos da f reformada na Frana inteira. 
Deu aos romanistas o que havia muito desejavam  um pretexto para pedirem a 
destruio completa dos hereges como agitadores perigosos  estabilidade do 
trono e da paz da nao.
Por alguma mo secreta  se a de um amigo imprudente, ou a de um ardiloso 
adversrio, nunca se soube  um dos cartazes foi colocado  porta do quarto 
particular do rei. O monarca encheu-se de horror. Naquele papel eram atacadas 
sem reservas supersties que haviam recebido a venerao dos sculos. E a 
audcia, sem precedentes, de introduzir  presena real estas afirmaes claras e 
surpreendentes, suscitou a ira do rei. Em espanto ficou ele por um pouco de 
tempo a tremer e com a voz embargada. Ento sua raiva encontrou expresso 
nestas terrveis palavras: Sejam sem distino agarrados todos os que so 
suspeitos de luteranismo. Extermin-los-ei a todos. Estava lanada a sorte. O rei 
se decidira a pr-se completamente do lado de Roma.
De pronto foram tomadas medidas para a priso de todos os luteranos em Paris. 
Um pobre artfice, adepto da f reformada, que se havia acostumado a convocar os 
crentes para as suas assemblias secretas, foi agarrado e, sob a ameaa de morte 
instantnea na fogueira, ordenou-se-lhe conduzir o emissrio papal  casa de 
todos os protestantes na cidade. Ele estremeceu de horror ante a vil proposta, 
mas finalmente o medo das chamas prevaleceu, e concordou em se fazer traidor 
dos irmos. Precedido da hstia, e rodeado de um squito de padres, 
incensadores, monges e soldados, Morin, agente policial do rei, com o traidor, 
vagarosa e silenciosamente passaram pelas ruas da cidade. Aquela demonstrao 
era ostensivamente em honra ao santo sacramento, um ato de expiao pelo 
insulto feito pelos protestantes  missa. Mas, por sob aquele espetculo escondia-
se um propsito mortal. Chegado
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defronte da casa de um luterano, o traidor fazia um sinal, mas nenhuma palavra 
era proferida. O cortejo fazia alto, entravam na casa, a famlia era arrastada e 
acorrentada, e o terrvel squito prosseguia em procura de novas vtimas. No 
poupavam casa, grande ou pequena, nem mesmo os colgios da Universidade de 
Paris.  Morin fez abalar toda a cidade.  Era o reinado do terror.  Histria da 
Reforma no Tempo de Calvino, de DAubign.
As vtimas foram mortas com tortura cruel, sendo ordenado especialmente que o 
fogo fosse abaixado, a fim de prolongar-lhes a agonia. Morreram, porm, como 
vencedores. Sua constncia foi inabalvel, imperturbada sua paz. Os 
perseguidores, impotentes para abalar-lhes a inflexvel firmeza, sentiram-se 
derrotados. Os cadafalsos foram distribudos por todos os bairros de Paris, e as 
fogueiras arderam durante dias sucessivos, no intuito de, espalhando as 
execues, espalhar o terror da heresia. A vantagem, entretanto, ficou afinal com 
o evangelho. Toda Paris habilitou-se a ver que espcie de homens as novas 
opinies produziram. No havia plpito como a fogueira do mrtir. A serena alegria 
que iluminava o rosto daqueles homens, ao se encaminharem  para o lugar da 
execuo; seu herosmo, estando eles entre as chamas atrozes; seu meigo perdo 
s injrias, em no poucos casos transformavam a clera em piedade e o dio em 
amor, pleiteando com irresistvel eloqncia em prol do evangelho.  Wylie.
Os padres, dispostos a conservar em seu auge a fria popular, faziam circular as 
mais terrveis acusaes contra os protestantes. Eram acusados de conspirar para 
o massacre dos catlicos, subverter o governo e assassinar o rei. Nem uma 
sombra sequer de provas podiam aduzir em apoio das alegaes. No entanto, 
aquelas profecias de males deveriam ter cumprimento; sob circunstncias, porm, 
muito diversas e por causas de carter oposto. As crueldades que foram pelos 
catlicos infligidas aos inocentes protestantes, acumularam um peso de 
retribuies e, sculos depois, ocasionaram a mesma sorte que eles haviam 
predito estar iminente sobre o rei, seu governo e
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seus sditos; mas produziram-na os incrdulos e os prprios romanistas. No foi o 
estabelecimento do protestantismo, mas sim a sua supresso que, trezentos anos 
mais tarde, deveria trazer sobre a Frana essas horrendas calamidades.
Suspeita, desconfiana e terror invadiam agora todas as classes da sociedade. 
Entre o alarma geral, viu-se quo profundamente o ensino luterano se havia 
apoderado do esprito dos homens que mais se distinguiam pela educao, 
influncia e excelncia de carter. Cargos de confiana e honra foram subitamente 
encontrados vagos. Artfices, impressores, estudantes, professores das 
universidades, autores e mesmo cortesos, desapareceram. Centenas fugiram de 
Paris, constituindo-se voluntariamente exilados de sua terra natal, dando assim 
em muitos casos a primeira demonstrao de que favoreciam a f reformada. Os 
romanistas olharam em redor de si com espanto, ao pensar nos hereges que, sem 
o suspeitarem, haviam sido tolerados entre eles. Sua raiva foi descarregada nas 
multides de vtimas mais humildes que estavam a seu alcance. As prises 
ficaram repletas, e o prprio ar parecia obscurecido com o fumo de fogueiras a 
arder, acesas para os que professavam o evangelho.
Francisco I tinha-se gloriado de ser o dirigente no grande movimento em prol do 
renascimento do saber que assinalou o incio do sculo XVI. Deleitara-se em reunir 
em sua corte homens de letras de todos os pases. A seu amor ao saber e a seu 
desprezo pela ignorncia e superstio dos monges deveu-se, em parte ao menos, 
o grau de tolerncia que fora concedido  Reforma. Mas, inspirado pelo zelo de 
suprimir a heresia, este patrono do saber promulgou um edito declarando abolida 
a imprensa em toda a Frana! Francisco I apresenta um exemplo entre muitos 
registrados, os quais mostram que a cultura intelectual no  salvaguarda contra a 
intolerncia e perseguio religiosas.
A Frana, mediante cerimnia solene e pblica, deveria entregar-se 
completamente  destruio do protestantismo. Os padres exigiram que a afronta 
feita aos altos Cus, com a condenao da missa, fosse expiada com sangue, e 
que o rei, em favor de seu povo, desse publicamente sua sano  medonha obra.
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O dia 21 de janeiro de 1535 foi marcado para a terrvel cerimnia. Haviam sido 
suscitados os supersticiosos temores e dio fantico da nao inteira. Paris estava 
repleta de multides que, de todos os territrios circunjacentes enchiam suas 
ruas. Deveria iniciar-se o dia por meio de uma vasta e imponente procisso. Das 
casas ao longo do itinerrio pendiam panos de luto, e erguiam-se altares a 
intervalos. Diante de cada porta havia uma tocha acesa em honra ao santo 
sacramento. Antes de raiar o dia formou-se a procisso, no palcio do rei. 
Primeiramente vinham as bandeiras e cruzes das vrias parquias; a seguir 
apareciam os cidados, caminhando dois a dois, e levando tochas. Vinham ento 
as quatro ordens de frades cada qual em seus trajes pecualiares. Seguia vasta 
coleo de famosas relquias. Aps, cavalgavam senhorilmente eclesisticos em 
suas vestes de prpura e escarlate, e com adornos de jias  uma exibio 
magnfica e resplandecente.
A hstia era levada pelo bispo de Paris, sob magnificente plio,  carregado por 
quatro prncipes de sangue.  Em seguida  hstia caminhava o rei.  Francisco I, 
naquele dia, no levava coroa, nem vestes de Estado. Com a cabea descoberta, 
olhos fixos no cho, na mo um crio aceso, o rei da Frana aparecia em carter 
de penitente.  Wylie. Em cada altar ele se curvava em humilhao, no pelos 
vcios que lhe aviltavam a alma, nem pelo sangue inocente que lhe manchava as 
mos, mas pelo pecado mortal de seus sditos que tinham ousado condenar a 
missa. Seguindo-se a ele vinham a rainha e os dignitrios do Estado caminhando 
tambm dois a dois, cada um com uma tocha acesa.
Como parte das cerimnias do dia, o prprio monarca discursou aos altos oficiais 
do reino no grande salo do palcio do bispo. Com semblante triste apareceu 
perante eles, e com palavras de eloqncia comovedora deplorou o crime, a 
blasfmia o tempo de tristeza e desgraa, que sobrevieram  nao. E apelou 
para todo sdito leal a que auxiliasse na extirpao da pestilente heresia que 
ameaava de runa a Frana. To verdadeiramente, senhores, como eu sou o 
vosso rei, disse ele, se
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eu soubesse estar um dos meus prprios membros manchado ou infectado com 
esta detestvel podrido, eu o daria para que vs o cortsseis.  E, demais, se 
visse um de meus filhos contaminado por ela, no o pouparia.  Eu mesmo o 
entregaria e sacrificaria a Deus. As lgrimas abafaram-lhe as palavras, e toda a 
assemblia chorou, exclamando em unssono: Viveremos e morreremos pela 
religio catlica!  DAubign.
Terrveis se tornaram as trevas da nao que rejeitara a luz da verdade. A graa 
que traz a salvao havia aparecido; mas a Frana, depois de lhe contemplar o 
poder e santidade, depois de milhares terem sido atrados por sua divina beleza, 
depois de cidades e aldeias terem sido iluminadas por seu fulgor, desviou-se, 
preferindo as trevas  luz. Haviam repudiado o dom celestial, quando este lhes foi 
oferecido. Tinham chamado ao mal bem, e ao bem mal, at serem vtimas 
voluntrias do prprio engano. Agora, ainda que efetivamente cressem que, 
perseguindo ao povo de Deus estavam fazendo a obra divina, sua sinceridade no 
os inocentava. A luz que os teria salvo do engano, da mancha de sua alma pelo 
crime de sangue, haviam-na voluntariamente rejeitado.
Um juramento solene para extirpar a heresia foi feito na grande catedral, onde, 
quase trs sculos mais tarde, a Deusa da Razo deveria ser entronizada por 
uma nao que se tinha esquecido do Deus vivo. Novamente se formou a 
procisso, e os representantes da Frana aprestaram-se a iniciar a obra que 
haviam jurado fazer. A pequenas distncias haviam-se erigido cadafalsos, nos 
quais certos cristos protestantes deveriam ser queimados vivos, e arranjaram 
para que as fogueiras fossem acesas no momento em que o rei se aproximasse e a 
procisso fizesse alto para testemunhar a execuo.  Wylie. As mincias das 
torturas suportadas por aquelas testemunhas de Cristo so demasiado dilacerantes 
para serem descritas; no houve, porm, vacilao por parte das vtimas. 
Exigindo-se-lhes retratar-se, um respondeu: Creio unicamente no que os profetas 
e apstolos anteriormente pregaram, e no que creu
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toda a multido dos santos. Minha f tem uma confiana em Deus que resistir a 
todos os poderes do inferno.  Histria da Reforma no Tempo de Calvino, 
DAubign.
Repetidas vezes a procisso fazia alto nos lugares de tortura. Atingindo o seu 
ponto de partida, no palcio real, a multido dispersou-se, e o rei e os prelados 
retiraram-se, satisfeitos com as realizaes do dia, e exprimindo o desejo de que a 
obra, ora iniciada, continuasse at  completa destruio da heresia.
O evangelho da paz que a Frana rejeitara havia de ser efetivamente 
desarraigado, e terrveis seriam os resultados. No dia 21 de janeiro de 1793, a 
duzentos e cinqenta e oito anos do prprio dia em que a Frana se entregara 
inteiramente  perseguio dos reformadores, passou pelas ruas de Paris outra 
procisso, com um intuito muito diferente. De novo era o rei a figura principal; 
novamente havia tumultos e aclamaes; repetiu-se o clamor pedindo mais 
vtimas; reergueram-se negros cadafalsos; e de novo encerraram-se as cenas do 
dia com horrveis execues; Luiz XVI, lutando de mos com seus carcereiros e 
executores, era arrastado para o cepo e ali seguro violentamente at cair o 
machado e sua decepada cabea rolar no tablado.  Wylie. E no foi o rei a nica 
vtima; perto do mesmo local dois mil e oitocentos seres humanos pereceram pela 
guilhotina durante os sanginrios dias do Reinado do Terror.
A Reforma apresentara ao mundo a Bblia aberta, desvendando os preceitos da lei 
de Deus e insistindo quanto aos seus requisitos para com a conscincia das 
pessoas. O amor infinito manifestara aos homens os estatutos e princpios do Cu. 
Deus dissera: Guardai-os pois, e fazei-os, porque esta ser a vossa sabedoria e o 
vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouviro todos estes estatutos 
e diro: Este grande povo s  gente sbia e entendida. Deuteronmio 4:6. 
Quando a Frana rejeitou a ddiva do Cu, lanou as sementes da anarquia e runa 
e a inevitvel operao de causa e efeito resultou na Revoluo e no Reinado do 
Terror.
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Muito tempo antes da perseguio provocada pelos cartazes, o ousado e ardoroso 
Farel fora obrigado a fugir da terra de seu nascimento. Seguiu para a Sua e, 
mediante seus labores, secundando a obra de Zwnglio, auxiliou a fazer pender a 
balana a favor da Reforma. Seus ltimos anos deveriam ser ali despendidos; 
todavia continuou a exercer decidida influncia sobre a Reforma na Frana. 
Durante os primeiros anos de exlio, seus esforos foram especialmente dirigidos 
no sentido de propagar o evangelho em seu pas natal. Empregou tempo 
considervel com a pregao entre seus compatriotas prximo da fronteira, onde, 
com incansvel vigilncia, observava o conflito e auxiliava com suas palavras de 
animao e conselho. Com o auxlio de outros exilados, os escritos dos 
reformadores alemes foram traduzidos para a lngua francesa, juntamente com a 
Bblia em francs, impressos em grande quantidade. Por colportores foram estas 
obras extensamente vendidas na Frana. Eram fornecidas aos colportores por um 
preo baixo, e assim os lucros do trabalho os habilitavam a continuar.
Farel entrou para o seu trabalho na Sua com as humildes vestes de mestre-
escola. Dirigindo-se a uma parquia afastada, dedicou-se  instruo das crianas. 
Alm das matrias usuais de ensino, cautelosamente introduziu as verdades da 
Escritura, esperando atingir os pais mediante as crianas. Alguns houve que 
creram, mas os padres se apresentaram para deter o trabalho, e o supersticioso 
povo do campo ergueu-se para se opor ao mesmo. Este no pode ser o evangelho 
de Cristo, insistiam os padres, sendo que a pregao disto no traz paz, mas 
guerra.  Wylie. Semelhante aos primeiros discpulos, quando perseguido em 
uma cidade, fugia para outra. De vila em vila, de cidade em cidade, ia ele, 
viajando a p, suportando fome, frio e cansao, e por toda parte em perigo de 
vida. Pregava nas praas, nas igrejas, algumas vezes nos plpitos das catedrais. 
Por vezes encontrava a igreja vazia de ouvintes; outras vezes era sua pregao 
interrompida com brados e zombaria; outras, ainda, era com violncia arrancado 
do plpito. Mais de uma vez foi apanhado pela plebe e espancado quase at 
morrer. Contudo,
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prosseguia. Posto que freqentemente repelido, voltava com incansvel 
persistncia ao ataque; e uma aps outra, via vilas e cidades, que haviam sido 
redutos do papado, abrirem as portas ao evangelho. A pequena parquia em que a 
princpio trabalhara, logo aceitou a f reformada. As cidades de Morat e Neuchatel 
tambm renunciaram aos ritos romanos, removendo de suas igrejas as imagens 
idoltricas.
Farel havia muito desejara implantar as normas protestantes em Genebra. Se essa 
cidade pudesse ser ganha, seria um centro para a Reforma na Frana, na Sua e 
na Itlia. Com este objetivo diante de si, continuou com seus trabalhos at que 
foram ganhas muitas das cidades e aldeias circunjacentes. Ento, com um nico 
companheiro, entrou em Genebra. Mas foi-lhe permitido pregar apenas dois 
sermes. Os padres, tendo-se vmente esforado por conseguir sua condenao 
pelas autoridades civis, chamaram-no perante um conclio eclesistico, ao qual 
chegaram com armas escondidas debaixo das vestes, decididos a tirar-lhe a vida. 
Fora do salo da assemblia reuniu-se uma populaa furiosa, com clavas e 
espadas, para garantir a sua morte caso conseguisse escapar do conclio. A 
presena dos magistrados e de uma fora armada, entretanto, salvou-o. Cedo, na 
manh seguinte, foi com seu companheiro conduzido atravs do lago para um 
lugar de segurana.  Assim terminou seu primeiro esforo para evangelizar 
Genebra.
Para a prxima prova foi escolhido um instrumento mais humilde  um jovem to 
modesto na aparncia, que foi tratado friamente mesmo pelos professos amigos da 
Reforma. Mas que poderia ele fazer onde Farel havia sido rejeitado? Como poderia 
algum de pouca experincia e coragem resistir  tempestade, diante da qual os 
mais fortes e bravos haviam sido obrigados a fugir? No por fora nem por 
violncia, mas pelo Meu Esprito, diz o Senhor. Zac. 4:6. Deus escolheu as coisas 
fracas deste mundo para confundir as fortes. Porque a loucura de Deus  mais 
sbia do que os homens; e a fraqueza de Deus  mais forte do que os homens. I 
Cor. 1:27 e 25.
Froment iniciou o seu trabalho como mestre-escola. As
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verdades que na escola ensinava s crianas, estas repetiam em casa. Logo os 
pais foram ouvir a explicao da Bblia, at que a sala de aulas se encheu de 
atentos ouvintes. Novos Testamentos e folhetos foram livremente distribudos, e 
atingiram a muitos que no ousavam ir abertamente ouvir as novas doutrinas. 
Depois de algum tempo este obreiro foi tambm obrigado a fugir; mas as verdades 
que ensinara tinham tomado posse do esprito das pessoas. A Reforma fora 
implantada, e continuou a se fortalecer e estabelecer-se. Os pregadores voltaram 
e, mediante seus trabalhos, o culto protestante foi finalmente estabelecido em 
Genebra.
A cidade j se havia declarado pela Reforma, quando Calvino, depois de 
vagueaes e vicissitudes vrias, entrou por suas portas. Voltando de sua ltima 
visita  terra natal, estava a caminho de Basilia, quando, encontrando a estrada 
direta ocupada pelos exrcitos de Carlos V, foi obrigado a tomar um desvio por 
Genebra.
Nessa visita Farel reconheceu a mo de Deus. Posto que Genebra houvesse 
aceitado a f reformada, precisava ainda ser ali efetuada uma grande obra. No  
em grupos mas como indivduos que os homens se convertem a Deus. A obra de 
regenerao deve ser realizada no corao e conscincia, pelo poder do Esprito 
Santo, e no pelos decretos dos conclios. Ao passo que o povo de Genebra repelia 
a autoridade de Roma, no se mostrava to pronto para renunciar aos vcios que 
haviam florescido sob o seu domnio. Estabelecer ali os puros princpios do 
evangelho, e preparar esse povo para preencher dignamente a posio a que a 
Providncia parecia cham-los, no era fcil tarefa.
Farel confiava em que houvesse encontrado em Calvino a pessoa que o pudesse 
assistir naquela obra. Em nome de Deus conjurou solenemente o jovem 
evangelista a que ficasse e ali trabalhasse. Calvino recuou, alarmado. Tmido e 
amante da paz, arreceava-se do contato com o esprito ousado, independente e 
mesmo violento daquele filho de Genebra. Sua debilidade de sade juntamente 
com seus hbitos de estudo, levaram-no a procurar
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o retiro. Crendo que pela pena melhor poderia servir a causa da reforma, desejou 
encontrar um silencioso retiro para o estudo, e ali, pela imprensa, instruir e 
edificar as igrejas. A exortao solene de Farel veio-lhe, porm, como um 
chamado do Cu, e no ousou recusar-se. Parecia-lhe, disse ele, que a mo de 
Deus estivesse estendida do Cu, tomando-o e fixando-o irrevogavelmente no 
lugar que ele estava to o impaciente por deixar.  Histria da Reforma no Tempo 
de Calvino, DAubign.
Por aquele tempo grandes perigos cercavam a causa protestante. Os antemas do 
papa trovejavam contra Genebra, e poderosas naes ameaavam-na de 
destruio. Como poderia esta pequena cidade resistir  potente hierarquia que 
tantas vezes obrigara reis e imperadores  submisso? Como poderia ela enfrentar 
os exrcitos dos grandes vencedores do mundo?
Em toda a cristandade o protestantismo estava ameaado por temveis 
adversrios. Passados os primeiros triunfos da Reforma, Roma convocou novas 
foras, esperando ultimar sua destruio. Nesse tempo fora criada a ordem dos 
jesutas  o mais cruel, sem escrpulos e poderoso de todos os defensores do 
papado. Separados de laos terrestres e interesses humanos, insensveis s 
exigncias das afeies naturais, tendo inteiramente silenciadas a razo e a 
conscincia, no conheciam regras nem restries, alm das da prpria ordem, e 
nenhum dever, a no ser o de estender o seu poderio. O evangelho de Cristo havia 
habilitado seus adeptos a enfrentar o perigo e suportar sem desfalecer o 
sofrimento, pelo frio, fome, labutas e pobreza, a fim de desfraldar a bandeira da 
verdade, em face do instrumento de tortura, do calabouo e da fogueira. Para 
combater estas foras, o jesuitismo inspirou seus seguidores com um fanatismo 
que os habilitava a suportar semelhantes perigos, e opor ao poder da verdade 
todas as armas do engano. No havia para eles crime grande demais para 
cometer, nenhum engano demasiado vil para praticar, disfarce algum por demais 
difcil para assumir. Votados  pobreza e humildade perptuas, era seu estudado 
objetivo conseguir riqueza e poder para se dedicarem  subverso do 
protestantismo e restabelecimento da supremacia papal.
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Quando apareciam como membros de sua ordem, ostentavam santidade, visitando 
prises e hospitais, cuidando dos doentes e pobres, professando haver renunciado 
ao mundo, e levando o nome sagrado de Jesus, que andou fazendo o bem. Mas 
sob esse irrepreensvel exterior, ocultavam-se freqentemente os mais criminosos 
e mortais propsitos. Era princpio fundamental da ordem que os fins justificam os 
meios. Por este cdigo, a mentira, o roubo, o perjrio, o assassnio, no somente 
eram perdoveis, mas recomendveis, quando serviam aos interesses da igreja. 
Sob vrios disfarces, os jesutas abriam caminho aos cargos do governo, subindo 
at conselheiros dos reis e moldando a poltica das naes. Tornavam-se servos 
para agirem como espias de seus senhores. Estabeleciam colgios para os filhos 
dos prncipes e nobres, e escolas para o povo comum; e os filhos de pais 
protestantes eram impelidos  observncia dos ritos papais. Toda a pompa e 
ostentao exterior do culto romano eram levadas a efeito a fim de confundir a 
mente e deslumbrar e cativar a imaginao; e assim, a liberdade pela qual os pais 
tinham labutado e derramado seu sangue, era trada pelos filhos. Os jesutas 
rapidamente se espalharam pela Europa e, aonde quer que iam, eram seguidos de 
uma revivificao do papado.
Para lhes dar maior poder foi promulgada uma bula restabelecendo a inquisio. 
Apesar da averso geral com que era considerado, mesmo nos pases catlicos, 
este horrvel tribunal foi novamente estabelecido pelos chefes papais, e 
atrocidades demasiado terrveis para suportar a luz do dia, foram repetidas em 
suas masmorras secretas. Em muitos pases, milhares e milhares da prpria flor 
da nao, dos mais puros e nobres, dos mais intelectuais e altamente educados, 
piedosos e devotados pastores, cidados operosos e patriticos, brilhantes sbios, 
artistas talentosos, hbeis artfices, foram mortos ou obrigados a fugir para outros 
pases.
Tais foram os meios que Roma invocara a fim de apagar a luz da Reforma, para 
retirar dos homens a Bblia e restabelecer a ignorncia e a superstio da Idade 
Mdia. Mas sob a
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bno de Deus e os trabalhos daqueles nobres homens que Ele suscitara a fim de 
suceder a Lutero, o protestantismo no foi esfacelado. No lhes seria preciso dever 
a sua fora ao favor ou s armas dos prncipes. Os menores pases, as mais 
humildes e menos poderosas naes, tornaram-se o seu baluarte. Foi a pequena 
Genebra em meio de poderosos adversrios a tramarem sua destruio; foi a 
Holanda em suas praias arenosas junto ao mar do Norte, combatendo contra a 
tirania da Espanha, ento o maior e mais opulento dos reinos; foi a gelada e 
estril Sucia, que ganharam vitrias em prol da Reforma.
Durante quase trinta anos, Calvino trabalhou em Genebra, primeiramente para 
estabelecer ali uma igreja que aderisse  moralidade da Bblia, e depois em prol do 
avanamento da Reforma pela Europa toda. Sua conduta como dirigente pblico 
no era irrepreensvel, tampouco eram suas doutrinas destitudas de erro. Mas foi 
instrumento na promulgao de verdades que eram de importncia especial em 
seu tempo, na manuteno de princpios do protestantismo contra a mar do 
papado que rapidamente reflua, e na promoo da simplicidade e pureza de vida 
nas igrejas reformadas, em lugar do orgulho e corrupo favorecidos pelo ensino 
romanista.
De Genebra saram publicaes e ensinadores para disseminar as doutrinas 
reformadas. Daquele ponto os perseguidos de todos os pases esperavam 
instruo, conselho e animao. A cidade de Calvino tornou-se um refgio para os 
perseguidos reformadores de toda a Europa Ocidental. Fugindo das terrveis 
tempestades que duraram sculos, chegavam os foragidos s portas de Genebra. 
Famintos, feridos, despojados de lar e parentes, eram afetuosamente recebidos e 
tratados com ternura; e encontrando ali um lar, por meio de sua habilidade, saber 
e piedade abenoavam a cidade de sua adoo. Muitos que ali buscaram refgio 
voltaram a seu prprio pas para resistir  tirania de Roma. Joo Knox, o bravo 
reformador escocs, no poucos dos puritanos ingleses, protestantes da Holanda e 
da Espanha, e os huguenotes da Frana, levaram de Genebra a tocha da verdade 
para iluminar as trevas de seu pas natal.
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A Liberdade nos Pases Baixos
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Nos Pases Baixos a tirania papal j muito cedo suscitou resoluto protesto. 
Setecentos anos antes do tempo de Lutero, dois bispos, enviados em embaixada a 
Roma, ao se tornarem conhecedores do verdadeiro carter da Santa S, 
dirigiram corajosamente ao pontfice romano as seguintes acusaes: Deus fez 
rainha e esposa Sua a Igreja, e proveu-a de abundantes bens para seus filhos, 
com dote que se no consome nem se corrompe, e deu-lhe uma coroa e cetro 
eternos;  tudo o que vos beneficia, e como um ladro interceptais. Sentais-vos 
no templo como Deus; em vez de pastor vos fizestes lobo para as ovelhas;  
quereis fazer-nos crer que sois o bispo supremo, quando nada mais sois que 
tirano.  Conquanto devais ser servo dos servos, como chamais a vs mesmos, 
esforais-vos por vos tornar senhor dos senhores.  Trazeis o desdm aos 
mandamentos de Deus.  O Esprito Santo  o edificador de todas as igrejas at 
onde se estender a Terra.  A cidade de nosso Deus, da qual somos cidados, 
atinge todas as regies dos cus; e  maior do que a cidade chamada Babilnia 
pelos santos profetas, a qual pretende ser divina, elevando-se ao cu e se jacta de 
que sua sabedoria  imortal; e finalmente afirma, ainda que sem razo, que nunca 
errou, nem jamais poder errar.  Histria da Reforma nos Pases Baixos e em 
Redor Deles, Brandt.
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Outros surgiram de sculo em sculo para fazer soar este protesto. E aqueles 
primitivos ensinadores que, atravessando diferentes pases, eram conhecidos por 
vrios nomes e tinham as caractersticas dos missionrios valdenses, espalhando 
por toda parte o conhecimento do evangelho, penetraram nos Pases Baixos. Suas 
doutrinas se difundiram rapidamente. A Bblia valdense foi traduzida em verso 
para a lngua holandesa. Declararam que havia nela grande vantagem. Nada de 
motejos, fbulas, futilidade, enganos, mas palavras de verdade. Com efeito, havia 
aqui e acol uma dura crosta, mas a medula e doura do que  bom e santo 
podiam ser nela facilmente descobertas.  Brandt. Assim escreveram no sculo 
XII os amigos da antiga f.
Comearam ento as perseguies romanas; mas em meio das fogueiras e 
torturas os crentes continuaram a multiplicar-se, declarando firmemente que a 
Bblia  a nica autoridade infalvel em matria de religio, e que nenhum homem 
deveria ser coagido a crer, mas sim ser ganho pela pregao.  Martyn.
Os ensinos de Lutero encontraram terreno propcio nos Pases Baixos, e homens 
ardorosos e fiis surgiram para pregar o evangelho. De uma das provncias da 
Holanda veio Meno Simons. Educado como catlico romano, e ordenado ao 
sacerdcio, era completamente ignorante em relao  Escritura, e no a queria 
ler de medo de cair no engano da heresia. Quando o impressionou uma dvida a 
respeito da doutrina da transubstanciao, considerou isso como tentao de 
Satans, e pela prece e confisso procurou dela libertar-se, mas em vo. 
Entregando-se ao desregramento, esforou-se por fazer silenciar a voz da 
conscincia; sem resultado, porm. Depois de algum tempo foi levado ao estudo 
do Novo Testamento, o qual, juntamente com os escritos de Lutero, o fez aceitar a 
f reformada. Logo depois, testemunhou numa aldeia vizinha a decapitao de um 
homem, morto por ter sido rebatizado. Isto o levou a estudar na Bblia a questo 
do batismo infantil. No pde encontrar prova para ele nas Escrituras, mas viu que 
o
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arrependimento e a f eram tudo que se exigia como condio para receber o 
batismo.
Meno retirou-se da igreja romana e dedicou a vida a ensinar as verdades que 
recebera. Tanto na Alemanha como nos Pases Baixos surgira uma classe de 
fanticos, defendendo doutrinas absurdas e sediciosas, ultrajando a ordem e a 
decncia, e levando a efeito a violncia e a insurreio. Meno viu os terrveis 
resultados a que tal movimento conduziria inevitavelmente, e com tenacidade se 
ops aos ensinos errneos e ferozes planos dos fanticos. Muitos havia, 
entretanto, que tinham sido transviados por esses fanticos, renunciando, porm, 
posteriormente a suas perniciosas doutrinas; e restavam ainda muitos 
descendentes dos antigos cristos, fruto dos ensinos valdenses. Entre essa classe 
Meno trabalhou com grande zelo e xito.
Durante vinte e cinco anos viajou, com a esposa e filhos, suportando grandes 
agruras e privaes, e freqentemente em perigo de vida. Atravessou os Pases 
Baixos e a Alemanha do norte, trabalhando principalmente entre as classes mais 
humildes, mas exercendo vasta influncia. Eloqente por natureza, posto que 
possusse limitada educao, era homem de integridade inabalvel, esprito 
humilde e maneiras gentis, e de uma piedade sincera e fervorosa, exemplificando 
na prpria vida os preceitos que ensinava, e recomendando-se  confiana do 
povo. Seus seguidores estavam esparsos e eram oprimidos. Sofriam grandemente 
por serem confundidos com os fanticos adeptos de Mnster. No obstante, 
grande nmero se converteu pelos seus labores.
Em parte alguma foram as doutrinas reformadas mais geralmente recebidas do 
que nos Pases Baixos. Em poucos pases suportaram seus adeptos mais terrveis 
perseguies. Na Alemanha, Carlos V havia condenado a Reforma, e com prazer 
teria levado  tortura todos os seus partidrios; mas os prncipes mantiveram-se 
como uma barreira contra sua tirania. Nos Pases Baixos seu poder foi maior, e 
editos perseguidores seguiam-se uns aos outros em rpida sucesso. Ler a Bblia,
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ouvi-la ou preg-la, ou mesmo falar a respeito dela, era incorrer na pena de morte 
pela tortura. Orar a Deus em secreto, deixar de curvar-se perante as imagens, ou 
cantar um salmo, eram tambm punveis de morte. Mesmo os que renunciassem 
seus erros, eram condenados, sendo homens, a morrer pela espada; e sendo 
mulheres, a ser enterradas vivas. Milhares pereceram sob o reinado de Carlos e de 
Filipe II.
Certa ocasio uma famlia inteira foi levada perante os inquisidores, acusada de 
no assistir  missa, e de fazer culto em casa. Ao serem examinados quanto s 
suas prticas particulares, respondeu o filho mais moo: Pomo-nos de joelhos, e 
oramos para que Deus nos ilumine a mente e perdoe os pecados; oramos pelo 
nosso soberano, para que seu reino seja prspero e sua vida feliz; oramos pelos 
nossos magistrados, para que Deus os guarde.  Wylie. Alguns dos juzes ficaram 
profundamente comovidos; no entanto, o pai e um dos filhos foram condenados  
fogueira.
A clera dos perseguidores igualava-se  f que tinham os mrtires. No somente 
homens, mas delicadas senhoras e moas ostentavam coragem inflexvel. 
Esposas tomavam lugar junto aos suplcios de seus maridos e, enquanto estes 
suportavam o fogo, elas balbuciavam palavras de consolao, ou cantavam salmos 
para anim-los. Jovens se deitavam vivas nas sepulturas, como se estivessem a 
entrar em seu quarto para o sono noturno; ou saam para o cadafalso e para a 
fogueira, trajando seus melhores vestidos, como se fossem para o casamento.  
Wylie.
Como nos dias em que o paganismo procurou destruir o evangelho, o sangue dos 
cristos era semente. (Ver a Apologia, de Tertuliano.) A perseguio servia para 
aumentar o nmero das testemunhas da verdade. Ano aps ano o monarca, 
despeitado at  loucura pela resoluo invencvel do povo, persistia na obra cruel, 
mas em vo. Sob o nobre Guilherme de Orange, a Revoluo trouxe finalmente  
Holanda liberdade de culto a Deus.
Nas montanhas de Piemonte, nas plancies da Frana e praias da Holanda, o 
progresso do evangelho foi assinalado
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com o sangue de seus discpulos. Mas nos pases do norte encontrou pacfica 
entrada. Estudantes em Wittenberg, voltando para casa, levaram a f reformada 
para a Escandinvia. A publicao dos escritos de Lutero tambm propagou a luz. 
O povo simples e robusto do norte, deixou a corrupo, a pompa e as supersties 
de Roma, para acolher a pureza, a simplicidade e as verdades vitais da Bblia.
Tausen, o Reformador da Dinamarca, era filho de campons. Desde a infncia 
deu mostras de vigoroso intelecto; tinha sede de saber; mas este desejo lhe foi 
negado pelas circunstncias em que seus pais se achavam, e entrou para o 
claustro. Ali, sua pureza de vida bem como diligncia e fidelidade, conquistaram a 
benevolncia de seu superior. O exame demonstrou possuir talento que prometia 
em algum futuro bons servios  igreja. Foi decidido dar-lhe educao em uma das 
universidades da Alemanha ou dos Pases Baixos. Concedeu-se ao jovem 
estudante permisso para escolher por si mesmo uma escola, com a condio de 
que no fosse a de Wittenberg. No convinha expor o educando ao veneno da 
heresia. Assim pensaram os frades.
Tausen foi para Colnia, que era ento, como hoje, um dos baluartes do 
romanismo. Ali logo se desgostou com o misticismo dos escolsticos. 
Aproximadamente por esse mesmo tempo obteve os escritos de Lutero. Leu-os 
com admirao e deleite, desejando grandemente o privilgio de receber instruo 
pessoal do reformador. Mas para fazer isso, deveria arriscar ofender a seu superior 
e privar-se de seu arrimo. Decidiu-se logo, e pouco tempo depois se matriculou na 
Universidade de Wittenberg.
Voltando  Dinamarca, de novo se dirigiu a seu mosteiro. Ningum, por enquanto, 
o suspeitava de luteranismo; no revelou seu segredo, mas sem despertar 
preconceitos dos companheiros, esforava-se por lev-los a uma f mais pura e 
vida mais santa. Exps-lhes a Bblia e explicou seu verdadeiro sentido, pregando-
lhes finalmente a Cristo como a justia do pecador e sua nica esperana de 
salvao. Grande foi a ira do
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prior, que nele havia depositado extraordinrias esperanas como valoroso 
defensor de Roma. Foi logo removido de seu mosteiro para outro, e confinado  
cela sob estrita fiscalizao.
Para o terror de seus novos guardies, vrios dos monges logo se declararam 
conversos ao protestantismo. Atravs das barras da cela, Tausen comunicara aos 
companheiros o conhecimento da verdade. Fossem aqueles padres dinamarqueses 
peritos no plano da igreja de como tratar a heresia, e a voz de Tausen jamais teria 
sido de novo ouvida; mas, em vez de o confiar ao tmulo nalguma masmorra 
subterrnea, expulsaram-no do mosteiro. Estavam, ento, reduzidos  impotncia. 
Um edito real, apenas promulgado, oferecia proteo aos ensinadores da nova 
doutrina. Tausen comeou a pregar. As igrejas lhe foram abertas, e o povo reunia-
se em multido para ouvi-lo. Outros tambm estavam a pregar a Palavra de Deus. 
O Novo Testamento, traduzido para a lngua dinamarquesa, circulou amplamente. 
Os esforos feitos pelos romanistas a fim de destruir a obra, tiveram como 
resultado estend-la e, no muito depois, a Dinamarca declarava aceitar a f 
reformada.
Na Sucia, tambm, jovens que haviam bebido da fonte de Wittenberg, levaram a 
gua da vida a seus patrcios. Dois dos dirigentes da Reforma sueca, Olavo e 
Loureno Petri, filhos de um ferreiro de Orebro, estudaram com Lutero e 
Melncton, e foram diligentes em ensinar as verdades que assim aprenderam. 
Semelhante ao grande reformador, Olavo despertava o povo pelo seu zelo e 
eloqncia, enquanto Loureno,  semelhana de Melncton, era ilustrado, 
refletido e calmo. Ambos eram homens de fervorosa piedade, profundos 
conhecimentos teolgicos e inflexvel coragem para promover o avanamento da 
verdade. A oposio romanista no faltava. Os padres catlicos instigavam o povo 
ignorante e supersticioso. Olavo Petri foi muitas vezes assaltado pela populaa, e 
em vrias ocasies mal pde escapar com vida. Estes reformadores eram, 
entretanto, favorecidos e protegidos pelo rei.
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Sob o domnio da Igreja de Roma, o povo estava submerso na pobreza e 
atormentado pela opresso. Destitudos das Escrituras, e tendo uma religio de 
meras formas e cerimnias, que no transmitia luz ao esprito, estavam a voltar s 
crenas supersticiosas e prticas pags de seus antepassados gentios. A nao 
achava-se dividida em faces contendoras, cuja perptua luta aumentava a 
misria de todos. Resolveu o rei fazer uma reforma no Estado e na igreja, e 
recebeu com agrado aqueles hbeis auxiliares na batalha contra Roma.
Na presena do monarca e dos principais homens da Sucia, Olavo Petri, com 
grande habilidade, defendeu contra os campees romanos as doutrinas da f 
reformada. Declarou que os ensinos dos pais da igreja deviam ser recebidos 
apenas quando estivessem de acordo com as Escrituras; que as doutrinas 
essenciais da f so apresentadas na Bblia de maneira clara e simples, de modo 
que todos os homens as possam compreender. Disse Cristo: A Minha doutrina no 
 Minha, mas dAquele que Me enviou (Joo 7:16); e Paulo declarou que se 
pregasse outro evangelho a no ser aquele que recebera, seria antema (Gl. 
1:8). Como, pois, disse o reformador, pretendero outros de acordo com sua 
vontade decretar dogmas, impondo-os como coisa necessria  salvao?  Wylie. 
Demonstrou que os decretos da igreja no tm autoridade quando em oposio 
aos mandamentos de Deus, e insistiu no grande princpio protestante de que a 
Bblia e a Bblia s  a regra de f e prtica.
Esta contenda, posto que travada em cenrio relativamente obscuro, serve para 
mostrar-nos a qualidade de homens que formavam a maior parte do exrcito dos 
reformadores. Longe de serem analfabetos, sectaristas, controversistas ruidosos  
eram homens que haviam estudado a Palavra de Deus, e bem sabiam como 
manejar as armas com que os supria o arsenal da Escritura. Com respeito  
erudio, antecipavam-se a seu tempo. Quando fixamos a ateno em centros 
brilhantes como Wittenberg e Zurique, e em ilustres nomes tais como os de
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Pg. 244
Lutero e Melncton, de Zwnglio e Oecolampadius, dir-se-nos- talvez que foram 
esses os dirigentes do movimento, e naturalmente deveramos esperar neles 
prodigioso poder e vastas aquisies; os subordinados, porm, no eram como 
eles. Mas, volvamos ao obscuro teatro da Sucia, e aos humildes nomes de Olavo 
e Loureno Petri  desde os mestres at aos discpulos  que encontramos?  
Eruditos e telogos; homens que perfeitamente se assenhorearam de todo o 
sistema das verdades evanglicas, e que ganharam vitria fcil sobre os sofismas 
das escolas e dos dignitrios de Roma.  Wylie.
Como resultado desta disputa, o rei da Sucia aceitou a f protestante, e no 
muito tempo depois a assemblia nacional declarou-se a seu favor. O Novo 
Testamento fora traduzido por Olavo Petri para a lngua sueca e, atendendo ao 
desejo do rei, os dois irmos empreenderam a traduo da Bblia inteira. Assim, 
pela primeira vez o povo da Sucia recebeu a Palavra de Deus em sua lngua 
materna. Foi ordenado pela Dieta que por todo o reino os pastores explicassem as 
Escrituras e que s crianas nas escolas se ensinasse a ler a Bblia.
Ininterrupta e seguramente as trevas da ignorncia e superstio foram dissipadas 
pela bem-aventurada luz do evangelho. Liberta da opresso romana, a nao 
atingiu fora e grandeza que nunca dantes havia alcanado. A Sucia tornou-se 
um dos baluartes do protestantismo. Um sculo mais tarde, em tempo de grave 
perigo, esta pequena e at ali fraca nao  a nica na Europa que ousou prestar 
auxlio  foi em livramento da Alemanha nas terrveis lutas da Guerra dos Trinta 
Anos. Toda a Europa do norte parecia a ponto de novamente cair sob a tirania de 
Roma. Foram os exrcitos da Sucia que habilitaram a Alemanha a desviar a onda 
do xito papal, a conquistar tolerncia aos protestantes  calvinistas bem como 
luteranos  e a restabelecer a liberdade de conscincia nos pases que haviam 
abraado a Reforma.
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14
Progressos na Inglaterra
Pg. 245
Enquanto Lutero abria ao povo da Alemanha a Bblia, que at ento estivera 
fechada, Tyndale era impelido pelo Esprito de Deus a fazer o mesmo pela 
Inglaterra. A Bblia de Wycliffe fora traduzida do texto latino, que continha muitos 
erros. Nunca havia sido impressa, e to elevado era o custo dos exemplares 
manuscritos, que, a no ser homens abastados ou nobres, poucos poderiam 
adquiri-los; demais, sendo estritamente proscrita pela igreja, tivera divulgao 
relativamente acanhada. Em 1516, um ano antes do aparecimento das teses de 
Lutero, Erasmo publicara sua verso grega e latina do Novo Testamento. Agora, 
pela primeira vez, a Palavra de Deus era impressa na lngua original. Nesta obra 
muitos erros das verses anteriores foram corrigidos, dando-se mais clareza ao 
sentido. Levou muitos dentre as classes cultas a melhor conhecimento da verdade, 
e deu novo impulso  obra da Reforma. Mas o povo comum ainda estava, em 
grande parte, privado da Palavra de Deus. Tyndale deveria completar a obra de 
Wycliffe, dando a Bblia a seus compatriotas.
Como estudante diligente e ardoroso investigador da verdade, recebeu o 
evangelho do Testamento grego de Erasmo. Destemidamente pregou suas 
convices, insistindo em que toda a doutrina fosse provada pelas Escrituras.  
pretenso romanista de que a igreja dera a Bblia, e de que somente ela a poderia 
explicar, respondeu Tyndale: Sabeis quem ensinou as guias a encontrar a presa? 
Pois bem, esse mesmo Deus
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Pg. 246
ensina Seus filhos famintos a encontrar o Pai em Sua Palavra. Longe de nos 
haverdes dado as Escrituras, sois vs que a tendes escondido de ns; sois vs que 
queimais os que as ensinam e, se pudsseis, queimareis as Escrituras mesmas.  
DAubign.
A pregao de Tyndale despertou grande interesse; muitos aceitaram a verdade. 
Mas os padres estavam alerta, e mal ele deixara o campo, esforaram-se por 
destruir-lhe a obra por meio de ameaas e difamaes. Muitas vezes eram bem-
sucedidos nisso. Que se deve fazer? exclamava ele. Enquanto semeio num 
lugar, o inimigo devasta o campo que acabo de deixar. No posso estar em toda 
parte. Oh! se os cristos possussem as Escrituras Sagradas em sua prpria lngua, 
poderiam por si mesmos resistir a esses sofismas. Sem a Bblia  impossvel firmar 
o leigo na verdade.  DAubign.
Novo propsito toma ento posse de seu esprito. Era na lngua de Israel, disse 
ele, que se cantavam os salmos no templo de Jeov; e no falar o evangelho a 
lngua da Inglaterra entre ns?  Deve a igreja ter menos luz ao meio-dia do que 
 aurora? Os cristos devem ler o Novo Testamento em sua lngua materna. Os 
doutores e ensinadores da igreja discordavam entre si. Apenas pela Bblia 
poderiam os homens chegar  verdade. Um adota este doutor, outro aquele.  
Ora, cada um destes autores contradiz o outro. Como, pois, podemos ns 
distinguir quem fala certo de quem fala errado?  Como?  Em verdade pela 
Palavra de Deus.  DAubign.
No muito tempo depois, ilustrado doutor catlico, empenhado em controvrsia 
com ele, exclamou: Seramos melhores estando sem as leis de Deus, do que sem 
as do papa. Tyndale replicou: Desafio o papa e todas as suas leis; e, se Deus 
poupar minha vida, dentro em pouco farei com que um rapaz que conduz o arado 
saiba mais das Escrituras do que vs.  Anais da Bblia Inglesa, de Anderson.
O propsito que comeara a acalentar, de dar ao povo as Escrituras do Novo 
Testamento em sua prpria lngua, agora
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Pg. 247
se confirmava, e imediatamente se aplicou  obra. Expulso de sua casa pela 
perseguio, foi a Londres, e ali prosseguiu por algum tempo em seus labores, 
sem ser incomodado. Mas de novo a violncia dos romanistas o obrigou a fugir. 
Toda a Inglaterra parecia cerrar-se para ele, e resolveu procurar abrigo na 
Alemanha. Ali comeou a imprimir o Novo Testamento em ingls. Duas vezes foi o 
trabalho interrompido; mas, quando se lhe proibia imprimir numa cidade, ia para 
outra. Finalmente tomou o caminho de Worms, onde, poucos anos antes, Lutero 
havia defendido o evangelho perante a Dieta. Naquela antiga cidade havia muitos 
amigos da Reforma, e ali Tyndale prosseguiu em sua obra, sem mais estorvos. 
Trs mil exemplares do Novo Testamento foram logo concludos, e seguiu-se outra 
edio no mesmo ano.
Com grande ardor e perseverana, continuou seus labores. Apesar de terem as 
autoridades inglesas guardado seus portos com a mais estrita vigilncia, a Palavra 
de Deus foi de vrias maneiras secretamente levada para Londres, e ali circulou 
por todo o pas. Os romanistas tentaram suprimir a verdade, mas em vo. O bispo 
de Durham, de uma vez comprou de um vendedor de livros, amigo de Tyndale, 
todo o seu estoque de Bblias, com o intuito de destru-las, supondo assim 
embaraar grandemente a obra. Mas, ao contrrio, com o dinheiro assim fornecido 
foi comprado material para uma nova e melhor edio, que, a no ser desta 
maneira, no poderia haver sido publicada. Quando mais tarde Tyndale foi preso, 
foi-lhe oferecida a liberdade sob condio de revelar os nomes dos que o haviam 
auxiliado a fazer as despesas para imprimir suas Bblias. Respondeu que o bispo 
de Durham fizera mais do que qualquer outra pessoa, pois, pagando elevado preo 
pelos livros deixados em seu poder, habilitara-o a prosseguir com bom nimo.
Tyndale foi trado e entregue aos inimigos, permanecendo por muitos meses na 
priso. Finalmente deu testemunho da f, morrendo mrtir; mas as armas que 
preparara habilitaram outros soldados a batalhar por todos os sculos, mesmo at 
aos nossos dias.
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Pg. 248
Latimer sustentava do plpito que a Bblia deveria ser lida na lngua do povo. O 
Autor da Escritura Sagrada, disse ele,  o prprio Deus; e esta Escritura participa 
do poder e da eternidade de seu Autor. No h rei, imperador, magistrado, ou 
governador  que no tenha o dever de obedecer a  Sua santa Palavra. No 
tomemos quaisquer atalhos, mas dirija-nos a Palavra de Deus: no andemos 
segundo nossos antepassados nem busquemos saber o que fizeram, mas sim o 
que deveriam ter feito.  Primeiro Sermo Pregado Perante o Rei Eduardo VI, 
Latimer.
Barnes e Frith, fiis amigos de Tyndale, levantaram-se em defesa da verdade. 
Seguiram-se os Ridleys e Cranmer. Estes dirigentes da Reforma inglesa eram 
homens de saber, e quase todos tinham sido muito estimados pelo zelo e piedade 
na comunho romana. Sua oposio ao papado resultou de seu conhecimento dos 
erros da Santa S. Familiarizados com os mistrios de Babilnia, maior poder 
imprimiram a seus testemunhos contra ela.
Farei agora uma estranha pergunta, disse Latimer. Quem  o mais diligente 
bispo em toda a Inglaterra?  Vejo-vos a ouvir e escutar que eu o nomeie.  Eu 
vo-lo direi:  o diabo.  Ele nunca abandona sua diocese;  procurai-o quando 
quiserdes, sempre est em casa;  est sempre junto a seu arado.  Nunca o 
achareis ocioso, garanto-vos.  Onde reside o diabo,  fora com os livros, e 
venham as velas; fora com as Bblias e venham os rosrios; fora com a luz do 
evangelho, e venha a luz das velas, sim, ao meio-dia;  abaixo a cruz de Cristo, 
viva o purgatrio limpa-bolsas;  fora com o vestir os nus, os pobres e os 
invlidos, e viva o cobrir de imagens e festivos ornamentos, o pau e a pedra; 
venham as tradies dos homens e suas leis, abaixo com as tradies de Deus e 
Sua santssima Palavra.  Quem dera fossem nossos prelados to diligentes em 
semear a boa doutrina, como Satans o  em semear o joio ou ciznia!  Sermo 
do Arado, Latimer.
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Pg. 249
O grande princpio mantido por aqueles reformadores  princpio que fora 
sustentado pelos valdenses, por Wycliffe, Joo Huss, Lutero, Zwnglio e pelos que 
a eles se uniram  foi a autoridade infalvel das Escrituras Sagradas como regra de 
f e prtica. Negavam o direito dos papas, conclios, padres e reis, de dirigirem a 
conscincia em matria de religio. A Bblia era a sua autoridade, e por seus 
ensinos provavam todas as doutrinas e reivindicaes. A f em Deus e em Sua 
Palavra sustentava aqueles homens santos, ao renderem eles a vida no 
instrumento de tortura. Consola-te, exclamou Latimer a seu companheiro de 
martrio, quando as chamas estavam a ponto de fazer silenciar-lhes a voz; 
acenderemos neste dia na Inglaterra uma luz que, pela graa de Deus, espero 
jamais se apagar.  Obras de Hugo Latimer.
Na Esccia, a semente da verdade, espalhada por Columba e seus cooperadores, 
nunca foi totalmente destruda. Durante sculos, depois de as igrejas da Inglaterra 
se submeterem a Roma, as da Esccia mantiveram sua liberdade. No sculo XII, 
entretanto, o papado se estabeleceu ali, e em nenhum pas exerceu mais absoluto 
domnio. Em parte alguma eram mais profundas as trevas. Todavia, ali chegaram 
raios de luz a penetrarem as trevas, apresentando a promessa do dia vindouro. Os 
lolardos, vindos da Inglaterra com a Bblia e ensinos de Wycliffe, muito fizeram 
para preservar o conhecimento do evangelho, e cada sculo teve suas 
testemunhas e mrtires.
Com a inaugurao da grande Reforma, vieram os escritos de Lutero, e ento o 
Novo Testamento ingls de Tyndale. Sem serem notados pela hierarquia, esses 
mensageiros atravessaram silenciosamente as montanhas e vales, reacendendo o 
facho da verdade quase a extinguir-se na Esccia, e desfazendo a obra que Roma 
fizera durante quatro sculos de opresso.
Deu ento o sangue dos mrtires novo mpeto ao movimento. Os chefes 
romanistas, apercebendo-se subitamente do perigo que ameaava a sua causa, 
levaram  fogueira alguns dos mais nobres e honrados filhos da Esccia. No 
fizeram seno erigir um plpito, do qual as palavras daquelas
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Pg. 250
testemunhas moribundas foram ouvidas por todo o pas, fazendo a alma do povo 
vibrar no propsito firme de se libertar das algemas de Roma.
Hamilton e Wishart, prncipes no carter bem como de nascimento, com grande 
nmero de discpulos mais humildes, renderam a vida na fogueira. Mas de junto 
da pira ardente de Wishart veio algum a quem as chamas no reduziriam ao 
silncio, algum que, abaixo de Deus, vibraria o golpe de morte ao domnio papal, 
na Esccia.
Joo Knox desviara-se das tradies e misticismos da igreja, para alimentar-se das 
verdades da Palavra de Deus; e os ensinos de Wishart haviam confirmado sua 
resoluo de abandonar a comunho de Roma e ligar-se aos reformadores 
perseguidos.
Havendo seus companheiros insistido com ele para assumir o cargo de pregador, 
trmulo, recuou dessa responsabilidade, e somente depois de dias de recluso e 
doloroso conflito consigo mesmo, foi que consentiu. Mas, uma vez aceito por ele o 
cargo, foi avante com inflexvel deciso e denodada coragem, enquanto lhe durou 
a vida. Este fiel e verdadeiro reformador no temia a face do homem. Os fogos do 
martrio, luzindo em redor dele, apenas serviam para despertar seu zelo a maior 
intensidade. Com o machado do carrasco pendendo ameaadoramente sobre a 
cabea, manteve-se em seu terreno, desfechando vigorosos golpes  direita e  
esquerda, para demolir a idolatria.
Quando posto face a face com a rainha da Esccia, em cuja presena o zelo de 
muitos dirigentes do protestantismo se havia abatido, Joo Knox deu testemunho 
inquebrantvel da verdade. No seria ganho por meio de carinhos; no se 
subjugaria diante de ameaas. A rainha acusou-o de heresia. Ele havia ensinado o 
povo a receber uma religio proibida pelo Estado, declarou ela, e transgredira 
assim o mandamento de Deus, que ordena aos sditos obedecer a seus prncipes. 
Knox respondeu firmemente:
Como a religio verdadeira no deriva dos prncipes mundanos a fora original 
nem a autoridade, mas sim do eterno Deus, unicamente, no so assim os sditos 
obrigados a moldar
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Pg. 251
sua religio segundo o sabor dos prncipes. Pois muitas vezes acontece que os 
prncipes so os mais ignorantes de todos no tocante  verdadeira religio de 
Deus.  Se toda a semente de Abrao houvesse sido da religio de Fara, de 
quem foram sditos durante muito tempo, pergunto-vos, senhora, que religio 
teria havido no mundo? Ou se todos os homens nos dias dos apstolos houvessem 
sido da religio dos imperadores romanos, que religio teria havido sobre a face da 
Terra?  E assim, senhora, podeis compreender que os sditos no so obrigados 
a ter a religio de seus prncipes, conquanto se lhes recomende prestar-lhes 
obedincia.
Disse Maria: Interpretais as Escrituras de uma maneira, e eles [os ensinadores 
catlicos, romanos] interpretam-nas de outra; a quem deverei crer, e quem ser 
juiz?
Crereis em Deus, que claramente fala em Sua Palavra, respondeu o reformador; 
e alm do que a Palavra vos ensina no crereis nem a um nem a outro. A Palavra 
de Deus  clara por si mesma; e se aparecer qualquer obscuridade em um lugar, o 
Esprito Santo, que nunca  contrrio a Si mesmo, em outros lugares explica a 
obscuridade de maneira mais clara, de modo que no poder ficar dvida a no 
ser para os que obstinadamente se conservem na ignorncia.  Obras de Joo 
Knox, de Laing.
Essas foram as verdades que o destemido reformador, com perigo de vida, disse 
aos ouvidos da realeza. Com a mesma denodada coragem, manteve seu propsito, 
orando e ferindo as batalhas do Senhor; at que a Esccia ficou livre do papado.
Na Inglaterra, o estabelecimento do protestantismo como religio nacional 
diminuiu a perseguio mas no a deteve completamente. Enquanto muitas das 
doutrinas de Roma foram renunciadas, conservavam-se no poucas de suas 
formas. Foi rejeitada a supremacia do papa, mas em seu lugar o monarca foi 
entronizado como cabea da igreja. No culto da igreja ainda havia largo desvio da 
pureza e simplicidade do evangelho. O grande princpio da liberdade religiosa no 
fora por enquanto compreendido. Ainda que s raramente os
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governadores protestantes recorressem s horrveis crueldades que Roma 
empregava contra a heresia, o direito de cada homem adorar a Deus segundo os 
ditames de sua prpria conscincia no era ainda reconhecido. Exigia-se de todos 
aceitar as doutrinas e observar as formas de culto prescritas pela igreja 
estabelecida. Os dissidentes foram perseguidos, em maior ou menor grau, durante 
centenas de anos.
No sculo XVII, milhares de pastores foram destitudos de seus cargos. Foi 
proibido ao povo, sob pena de pesadas multas, priso e banimento, assistir a 
qualquer reunio religiosa exceto s que eram sancionadas pela igreja. As almas 
fiis que no podiam abster-se de se reunir para adorar a Deus, eram obrigadas a 
reunir-se nas ruas escuras, em sombrias guas-furtadas e, em certas estaes, 
nos bosques  meia-noite. Na profundidade agasalhadora da floresta  templo 
construdo pelo prprio Deus  aqueles dispersos e perseguidos filhos do Senhor 
se congregavam para derramar a alma em orao e louvor. Mas, a despeito de 
toda precauo, muitos sofreram pela f. As cadeias estavam repletas. As famlias 
eram divididas. Muitos eram banidos para pases estrangeiros. Contudo, Deus 
estava com Seu povo, e a perseguio no conseguia fazer silenciar-lhes o 
testemunho. Muitos foram impelidos para a Amrica do Norte, atravs do Oceano, 
e ali lanaram os fundamentos da liberdade civil e religiosa, que tem sido o 
baluarte e glria desse pas.
Novamente, como nos dias apostlicos, a perseguio redundou em favor do 
evangelho. Em nauseabundo calabouo, repleto de devassos e traidores, Joo 
Bunyan respirava a prpria atmosfera do Cu; e ali escreveu a maravilhosa 
alegoria da viagem do peregrino, da terra da destruio para a cidade celestial. Por 
mais de dois sculos aquela voz da cadeia de Bedford tem falado com poder 
penetrante ao corao dos homens. O Peregrino e Graa Abundante ao Principal 
dos Pecadores, escritos por Bunyan, tm guiado muitos  senda da vida.
Baxter, Flavel, Alleine e outros homens de talento, cultura e profunda experincia 
crist, ergueram-se em valorosa defesa
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da f que uma vez foi entregue aos santos. A obra realizada por esses homens, 
proscritos e renegados pelos governantes deste mundo, jamais poder perecer. A 
Fonte da Vida e o Mtodo da Graa, de Flavel, tm ensinado milhares a confiar a 
Cristo a guarda de sua alma. O Pastor Reformado, de Baxter, demonstrou-se uma 
bno a muitos que desejam uma revivificao da obra de Deus, e O Eterno 
Repouso dos Santos efetuou seu trabalho levando almas ao repouso que resta 
ainda para o povo de Deus.
Um sculo mais tarde, em tempo de grandes trevas espirituais, Whitefield e os 
Wesley apareceram como portadores da luz de Deus. Sob o domnio da igreja 
estabelecida, o povo da Inglaterra havia cado em tal declnio religioso que 
dificilmente se poderia diferenar do paganismo. A religio natural era o estudo 
favorito do clero e inclua a maior parte de sua teologia. As classes mais elevadas 
zombavam da piedade, e orgulhavam-se de estar acima do que chamavam 
fanatismo da mesma. As classes inferiores eram crassamente ignorantes e 
entregues ao vcio, enquanto a igreja no mais tinha coragem nem f para apoiar 
a causa esmorecida da verdade.
A grande doutrina da justificao pela f, to claramente ensinada por Lutero, fora 
quase de todo perdida de vista; e o princpio romanista de confiar nas boas obras 
para a salvao, tomara-lhe o lugar. Whitefield e os Wesley, que eram membros 
da igreja estabelecida, buscavam sinceramente o favor de Deus, e isto, haviam 
sido ensinados, deveria conseguir-se mediante vida virtuosa e pela observncia 
das ordenanas da religio.
Quando Carlos Wesley caiu doente certa vez, e previu a aproximao da morte, foi 
interrogado sobre aquilo em que depositava a esperana de vida eterna. Sua 
resposta foi: Tenho empregado meus melhores esforos para servir a Deus. 
Como o amigo que fizera a pergunta parecesse no ficar completamente satisfeito 
com a resposta, pensou Wesley: Pois qu? No so meus esforos razo 
suficiente para a esperana? Despojar-me-ia ele de meus esforos? Nada mais 
tenho em que confiar.  Vida de Carlos Wesley, de Joo Whitehead,
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pg. 102. Tais eram as densas trevas que haviam baixado sobre a igreja, 
ocultando a obra de expiao, despojando a Cristo de Sua glria, e desviando a 
mente dos homens de sua nica esperana de salvao  o sangue do Redentor 
crucificado.
Wesley e seus companheiros chegaram a ver que a verdadeira religio se localiza 
no corao, e que a lei de Deus se estende tanto aos pensamentos como s 
palavras e aes. Convictos da necessidade de pureza de corao, bem como da 
correo da conduta exterior, buscaram com zelo levar uma nova vida. Com 
orao e diligentes esforos, aplicavam-se a subjugar os males do corao natural. 
Viviam vida de renncia, caridade e humilhao, observando com grande rigor e 
exatido todas as medidas que julgavam lhes pudessem ser de auxlio para obter o 
que mais desejavam  a santidade que conseguia o favor de Deus. Mas no 
alcanaram o objetivo que procuravam. Nulos foram seus esforos para se libertar 
da condenao do pecado, ou para lhe quebrar o poder. Essa foi a mesma luta que 
Lutero experimentara em sua cela em Erfurt. A mesma questo lhe torturara a 
alma  Como se justificaria o homem para com Deus? J 9:2.
Os fogos da verdade divina, quase extintos sobre os altares do protestantismo, 
deveriam reacender-se do antigo facho legado atravs dos sculos pelos cristos 
bomios. Depois da Reforma, o protestantismo na Bomia fora calcado a ps pelas 
hordas de Roma. Todos os que se recusavam a renunciar  verdade foram 
obrigados a fugir. Alguns destes, encontrando refgio na Saxnia, ali mantiveram 
a antiga f. Foi dos descendentes desses cristos que a luz chegara a Wesley e a 
seus companheiros.
Joo e Carlos Wesley, depois de serem ordenados para o ministrio, foram 
enviados em misso  Amrica do Norte. A bordo do navio havia um grupo de 
morvios. Violentas tempestades acossaram-nos na travessia, e Joo Wesley, 
posto face a face com a morte, sentiu que no tinha a certeza de paz com Deus. 
Os alemes, ao contrrio, manifestavam uma calma e confiana que lhe eram 
estranhas.
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Muito tempo antes, disse ele, j eu havia observado a grande rigidez de sua 
conduta. De sua humildade haviam dado prova contnua, efetuando para os outros 
passageiros as ocupaes servis que nenhum dos ingleses desempenharia; isto, 
sem desejarem nem receberem paga, dizendo que era bom para o seu corao 
orgulhoso, e que seu amante Salvador por eles fizera mais. E dia a dia 
manifestavam uma mansido que nenhuma ofensa poderia abalar. Se eram 
empurrados, batidos ou derrubados, erguiam-se de novo e iam-se; mas nenhuma 
queixa lhes escapava dos lbios. Houve ento uma oportunidade para provar se 
eram movidos pelo esprito de temor, ou de orgulho, ira e vingana. Em meio do 
salmo com que iniciaram seu culto, o mar enfureceu-se, reduzindo a pedaos a 
vela principal, cobrindo o navio e derramando-se pelos conveses como se o grande 
abismo j nos houvesse tragado. Terrvel alarido surgiu entre os ingleses. Os 
alemes calmamente continuaram a cantar. Perguntei a um deles, depois: No 
ficastes com medo? Ele respondeu: Graas a Deus, no! Perguntei: Mas no 
ficaram com medo vossas mulheres e crianas? Respondeu brandamente: No, 
nossas mulheres e crianas no tm medo de morrer.  Vida de Joo Wesley, de 
Whitehead, pg. 10.
Ao chegar a Savannah, Wesley demorou-se por um pouco de tempo com os 
morvios, ficando profundamente impressionado com a sua conduta crist. 
Descrevendo um de seus cultos religiosos, que oferecia grande contraste com o 
culto formalista da igreja da Inglaterra, disse: A grande simplicidade, assim como 
a solenidade que em tudo se notava, quase me fizeram esquecer os dezessete 
sculos decorridos, e imaginar-me eu numa daquelas assemblias onde no havia 
formas nem pompas, mas onde Paulo, o fabricante de tendas, ou Pedro, o 
pescador, presidiam, e contudo havia demonstrao do Esprito e poder.  
Ibidem, pgs. 11 e 12.
Ao voltar para a Inglaterra, Wesley, sob a instruo de um pregador morvio, 
chegou a um entendimento mais claro da f bblica. Ficou convencido de que 
deveria renunciar a toda
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confiana em suas prprias obras para a salvao, e que lhe cumpria confiar 
inteiramente no Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Em uma reunio 
da Sociedade Morvia de Londres, foi lida uma declarao de Lutero, descrevendo 
a mudana que o Esprito de Deus opera no corao do crente. Ao ouvi-la, 
acendeu-se a f na alma de Wesley. Senti o corao aquecido de maneira 
estranha, disse ele. Senti que confiava em Cristo, Cristo somente, para a 
salvao; e foi-me concedida certeza de que Ele tirara meus pecados, sim, os 
meus, e me salvara da lei do pecado e da morte.  Vida de Joo Wesley, de 
Whitehead, pg. 52.
Durante longos e sombrios anos de esforos exaustivos, anos de rigorosa renncia, 
acusaes e humilhaes, Wesley havia-se conservado firme em seu nico 
propsito de procurar a Deus. Encontrou-O, por fim; e achou que a graa que 
labutara por alcanar pelas oraes e jejuns, obras de caridade e abnegao, era 
um dom, sem dinheiro, e sem preo.
Uma vez estabelecido na f crist, ardia-lhe a alma do desejo de espalhar por toda 
parte o conhecimento do glorioso evangelho da livre graa de Deus. Considero o 
mundo todo minha parquia, disse ele; em qualquer parte em que me encontre 
julgo prprio, justo e de meu dever indeclinvel, declarar a todos os que desejam 
ouvir, as alegres novas da salvao.  Vida de Joo Wesley, de Whitehead, pg. 
74.
Continuou em sua vida austera e abnegada, agora no como base, mas como 
resultado da f; no como raiz, mas como fruto da santidade. A graa de Deus em 
Cristo  o fundamento da esperana do cristo e essa graa se manifestar em 
obedincia. A vida de Wesley foi dedicada  pregao das grandes verdades que 
recebera  justificao pela f no sangue expiatrio de Cristo e no poder renovador 
do Esprito Santo a operar no corao, produzindo frutos em uma vida de 
conformidade com o exemplo de Cristo.
Whitefield e os Wesley foram preparados para a sua obra mediante longas e 
decididas convices pessoais quanto  sua prpria condio perdida; e, para que 
pudessem habilitar-se a
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suportar agruras, como bons soldados de Cristo, estiveram sujeitos s severas 
provas do escrnio, zombaria e perseguio, tanto na Universidade como quando 
estavam a entrar para o ministrio. Eles e alguns outros que com eles 
simpatizavam, eram desdenhosamente chamados metodistas por seus descrentes 
colegas de estudos  nome atualmente considerado honroso por uma das maiores 
denominaes da Inglaterra e da Amrica do Norte.
Como membros da Igreja Anglicana, apegavam-se fortemente s formas de culto 
da referida igreja; o Senhor, porm, lhes apresentara em Sua Palavra uma norma 
mais elevada. O Esprito Santo compelia-os a pregar a Cristo, e a Ele crucificado. O 
poder do Altssimo acompanhava-lhes os labores. Milhares se convenciam e 
verdadeiramente se convertiam. Era necessrio que essas ovelhas fossem 
protegidas dos lobos devoradores. Wesley no tinha inteno de formar uma nova 
denominao, mas organizou os conversos no que se chamou a Unio Metodista.
Misteriosa e probante foi a oposio que esses pregadores encontraram da parte 
da igreja estabelecida; Deus, contudo, em Sua sabedoria, dispusera os 
acontecimentos de modo a fazer com que a Reforma se iniciasse dentro da prpria 
igreja. Se ela tivesse vindo inteiramente de fora, no teria penetrado no lugar em 
que era to necessria. Mas como os pregadores do reavivamento eram membros 
da igreja, e trabalhavam dentro do grmio da igreja quando quer que encontravam 
oportunidade, a verdade teve entrada onde as portas teriam de outra maneira 
permanecido fechadas. Alguns do clero despertaram de sua sonolncia moral, e 
tornaram-se zelosos pregadores em suas prprias parquias. Igrejas que se 
haviam petrificado pelo formalismo, acordaram para a vida.
No tempo de Wesley, como em todos os tempos da histria da igreja, homens de 
diferentes dons efetuaram a obra que lhes estava designada. No se 
harmonizavam em todos os pontos de doutrina, mas todos eram movidos pelo 
Esprito de Deus, e uniam-se no objetivo que os absorvia, de conquistar almas 
para Cristo. As divergncias entre Whitefield e os Wesley ameaaram certa vez 
estabelecer separao; mas, como tivessem na
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Pg. 258
escola de Cristo aprendido a humildade, reconciliaram-nos o perdo e a caridade 
mtua. No tinham tempo para discutir, enquanto o erro e a iniqidade 
abundavam por toda parte, e os pecadores sucumbiam na runa.
Os servos de Deus palmilhavam caminho escabroso. Homens de influncia e saber 
empregaram sua capacidade contra eles. Depois de algum tempo muitos dentre o 
clero manifestaram decidida hostilidade, e as portas da igreja fecharam-se contra 
a f pura e contra os que a proclamavam. O procedimento do clero, denunciando-
os do plpito, suscitou os elementos das trevas, ignorncia e iniqidade. 
Reiteradas vezes Joo Wesley escapou da morte por um milagre da misericrdia 
de Deus. Quando a fria da populaa foi excitada contra ele, e parecia no haver 
meio de escape, um anjo em forma humana vinha a seu lado, a plebe recuava, e o 
servo de Cristo saa em segurana do lugar de perigo.
De seu livramento da populaa enraivecida em uma dessas ocasies, disse 
Wesley: Muitos se esforaram por atirar-me ao cho, enquanto por um caminho 
escorregadio descamos uma colina para ir  cidade, imaginando que se eu casse 
ao cho, dificilmente me levantaria outra vez. Mas no tropecei absolutamente, 
nem sequer sofri a mnima escorregadela, at que fiquei inteiramente fora de seu 
alcance.  Posto que muitos se esforassem por lanar mo de meu colarinho e 
vestes, para arrojar-me por terra, no puderam de maneira nenhuma firmar-se: 
apenas um segurou firme na aba de meu colete, que logo lhe ficou na mo; a 
outra aba, em cujo bolso havia uma nota de banco, foi rasgada apenas pela 
metade.  Um homem robusto, precisamente por trs, vibrou contra mim vrias 
vezes grossa vara de carvalho, com a qual, caso me houvesse uma nica vez 
batido na parte posterior da cabea, ter-se-ia livrado de mais incmodos. Mas 
todas as vezes as pancadas se desviavam para o lado, no sei como; pois no 
podia mover-me nem para a direita nem para a esquerda.  Outro veio correndo 
atravs da multido, e levantando o brao para bater-me, subitamente o deixou 
cair, e apenas me tocou de leve a cabea, dizendo: Que cabelo macio ele tem! 
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Os primeiros homens a mudarem de atitude, foram os heris populares, os lderes 
da plebe em todas as ocasies, havendo um deles sido pugilista de circo.
Por meio de quo suaves degraus nos prepara Deus para a Sua vontade! H dois 
anos, um pedao de tijolo roou por meus ombros. Faz um ano que uma pedra me 
feriu entre os olhos. No ms passado recebi uma pancada, e nesta noite duas, 
uma antes que chegssemos  cidade, e outra depois que samos; mas ambas no 
foram nada: pois conquanto um dos homens me batesse no peito com toda a 
fora, e outro na boca com fora tal que o sangue jorrou imediatamente, no senti 
de qualquer das pancadas dor maior do que se me houvessem tocado com uma 
palha.  Obras de Wesley.
Os metodistas daqueles primitivos dias  tanto o povo como os pregadores  
suportavam ridculo e perseguio, no s dos membros da igreja mas tambm 
dos declaradamente irreligiosos que se inflamavam pelas falsas informaes 
daqueles. Eram citados perante os tribunais de justia  tribunais que o eram 
apenas de nome, pois a justia era rara nas cortes daquele tempo. 
Freqentemente sofriam violncia por parte dos perseguidores. Multides de 
populares iam de casa em casa destruindo mveis e bens, saqueando o que quer 
que desejassem, e brutalmente desacatando homens, mulheres e crianas. 
Nalguns casos eram afixados avisos pblicos convocando os que desejavam ajudar 
a quebrar as janelas e saquear as casas metodistas, a se reunirem em um dado 
tempo e lugar. Estas flagrantes violaes, tanto da lei humana como da divina, 
eram deixadas impunes. Promovia-se perseguio sistemtica contra um povo cuja 
nica falta era a de procurar desviar os ps dos pecadores, do caminho da 
destruio para a senda da santidade.
Disse Joo Wesley, referindo-se s acusaes feitas contra ele e seus 
companheiros: Alguns alegam que as doutrinas destes homens so falsas, 
errneas e fanticas; que so novas e delas no se ouviu seno ultimamente; que 
so quaquerismo, fanatismo e romanismo. Toda essa alegao j foi desfeita pela 
base, tendo sido amplamente demonstrado que todos os pontos
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Pg. 260
dessa doutrina so a clara doutrina das Escrituras, interpretada por nossa prpria 
igreja. Portanto, no pode ser nem falsa nem errnea, uma vez que sejam 
verdadeiras as Escrituras. Outros alegam: Sua doutrina  muito estrita; elas 
tornam o caminho do Cu muito estreito. E esta  na verdade a objeo original 
(visto que foi quase a nica durante algum tempo), e est secretamente contida 
em outras mil, que aparecem sob vrias formas. Mas tornam eles o caminho do 
Cu de alguma maneira mais apertado do que nosso Senhor e Seus apstolos o 
fizeram?  a sua doutrina mais estrita do que a da Bblia? Considerai to-somente 
alguns textos claros: Amars ao Senhor teu Deus de todo o teu corao, e de toda 
a tua alma, e de todas as tuas foras, e de todo o teu entendimento! De toda a 
palavra ociosa que os homens disserem ho de dar conta no dia do juzo. Quer 
comais, quer bebais, ou faais outra qualquer coisa, fazei tudo para glria de 
Deus.
Se sua doutrina  mais estrita do que isto, so merecedores da censura; mas 
sabeis em vossa conscincia que no o . E quem poder ser um til menos estrito, 
sem corromper a Palavra de Deus? Poder qualquer despenseiro dos mistrios de 
Deus ser contado como fiel, se muda qualquer parte de to sagrado depsito? No, 
no pode diminuir coisa alguma, nada pode abrandar;  constrangido a declarar a 
todos os homens: No posso rebaixar as Escrituras ao vosso gosto. Deveis elevar-
vos at elas, ou perecer para sempre. Este  o fundamento verdadeiro do outro 
clamor popular relativo  falta de caridade desses homens. Sem caridade, so 
eles? Em que sentido? No alimentam o faminto, nem vestem o nu? No, no  
esse o caso: no esto em falta nisto. Mas so to sem caridade no julgar! Acham 
que ningum mais pode salvar-se alm dos que seguem o caminho deles.  
Obras de Wesley.
O declnio espiritual ocorrido na Inglaterra precisamente antes do tempo de 
Wesley, foi em grande parte o resultado do ensino antinmico. Muitos afirmavam 
que Cristo abolira a lei moral, e que, portanto, os cristos no esto na obrigao 
de a observar; que o crente est livre da servido das boas obras. Outros,
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admitindo embora a perpetuidade da lei, declaravam no ser ela necessria aos 
ministros a fim de exortarem o povo  obedincia de seus preceitos, desde que 
aqueles a quem Deus elegera para a salvao seriam, pelo impulso irresistvel da 
graa divina, levados  prtica da piedade e virtude, ao passo que os que 
estavam destinados  condenao eterna no tinham fora para obedecer  lei 
divina.
Outros, sustentando tambm que os eleitos no podem cair da graa, nem privar-
se do favor divino, chegavam  concluso ainda mais horrvel de que as aes 
mpias que cometem no so realmente pecaminosas, nem devem considerar-se 
como violao da lei divina por parte deles, e que em conseqncia no tm 
motivo quer para confessar os pecados, quer para com os mesmos romper pelo 
arrependimento.  Enciclopdia de McClintok e Strong, artigo Antinomias. 
Declaravam, portanto, que mesmo um dos mais vis pecados, universalmente 
considerado como enorme violao da lei divina, no  pecado  vista de Deus, 
cometido por um dos eleitos, porque  um dos caractersticos essenciais e 
distintivos dos eleitos o no poderem fazer coisa alguma que seja desagradvel a 
Deus ou proibida pela lei.
Estas monstruosas doutrinas so essencialmente as mesmas que o ensino 
posterior dos educadores e telogos populares, de que no h lei divina imutvel 
como norma do que  reto, mas que o padro da moralidade  indicado pela 
prpria sociedade, e tem estado constantemente sujeito a mudana. Todas estas 
idias so inspiradas pelo mesmo esprito superior, sim, por aquele que mesmo 
entre os habitantes celestiais, sem pecado, iniciou sua obra de procurar derruir as 
justas restries da lei de Deus.
A doutrina dos decretos divinos, que inalteravelmente fixam o carter dos homens, 
havia conduzido muitos  rejeio virtual da lei de Deus. Wesley 
perseverantemente se ops aos erros dos ensinadores antinomistas, 
demonstrando que esta doutrina que levava ao antinomismo  contrria s 
Escrituras. A graa de Deus se h manifestado, trazendo salvao a todos
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Pg. 262
os homens. Isto  bom e agradvel diante de Deus nosso Salvador, que quer que 
todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque h 
um s Deus, e um s Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem, o 
qual Se deu a Si mesmo em preo de redeno por todos. Tito 2:11; I Tim. 2:3-6. 
O Esprito de Deus  concedido livremente, para habilitar todos os homens a 
apoderar-se dos meios de salvao. Assim Cristo, a verdadeira Luz, ilumina a 
todo o homem que vem ao mundo. Joo 1:9. Os homens no conseguem a 
salvao, pela recusa voluntria da luz da vida.
Em resposta  alegao de que pela morte de Cristo foram abolidos os preceitos do 
declogo, juntamente com a lei cerimonial, disse Wesley: A lei moral, contida nos 
Dez Mandamentos e encarecida pelos profetas, Cristo no a anulou. No era 
desgnio de Sua vinda revogar qualquer parte da mesma. Ela  uma lei que jamais 
poder ser destruda, que permanece firme como a fiel testemunha no Cu.  
Existiu desde o princpio do mundo, sendo escrita no em tbuas de pedra mas no 
corao de todos os filhos dos homens, quando saram das mos do Criador. E 
conquanto as letras que uma vez foram escritas pelo dedo de Deus ora estejam 
em grande parte apagadas pelo pecado, no podem elas contudo ser totalmente 
obliteradas, enquanto tivermos qualquer conscincia do bem e do mal. Todos os 
requisitos desta lei devem continuar vigorando para toda a humanidade, e em 
todos os tempos, no dependendo isto do tempo ou do lugar, nem de qualquer 
outra circunstncia sujeita a mudana, mas da natureza de Deus e da natureza do 
homem, e da imutvel relao existente entre um e outro.
No vim para destruir, mas cumprir.  Inquestionavelmente, o que Ele quer 
dizer neste passo, em conformidade com tudo que precede e segue, : Vim para 
estabelec-la em sua plenitude, a despeito de todas as interpretaes dos 
homens; vim para colocar em uma perspectiva ampla e clara o que quer que nela 
fosse obscuro; vim para declarar a significao verdadeira e completa de cada 
parte da lei; para mostrar o comprimento e largura, a extenso total, de cada 
mandamento nela contido, e a
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Pg. 263
altura e profundidade, a inconcebvel pureza e espiritualidade dela, em todas as 
suas partes.  Obras de Wesley.
Wesley advogou a harmonia perfeita da lei e do evangelho. H, portanto, a mais 
ntima ligao que se pode conceber, entre a lei e o evangelho. Por um lado a lei 
continuamente nos abre o caminho para o evangelho, e no-lo aponta; por outro, o 
evangelho nos conduz ao cumprimento mais exato da lei. A lei, por exemplo, exige 
de ns amar a Deus e ao prximo, sermos mansos, humildes e santos. Sentimos 
no ser capazes destas coisas; sim, isto para o homem  impossvel; mas vemos 
uma promessa de que Deus nos conceder esse amor, e nos far humildes, 
mansos e santos; lanamos mo deste evangelho, destas alegres novas; -nos 
feito segundo a nossa f; e a justia da lei se cumpre em ns, pela f em Cristo 
Jesus. 
Entre os mais acrrimos inimigos do evangelho de Cristo, disse Wesley, esto 
os que aberta e explicitamente julgam a lei, falam mal da lei; ensinam os 
homens a destruir (anular, afrouxar, desfazer a obrigao de observncia), no 
apenas um dos menores ou dos maiores mandamentos, mas todos eles, de uma 
vez.  A mais surpreendente de todas as circunstncias que acompanham este 
grande engano,  que os que a ele se entregam crem que realmente honram a 
Cristo subvertendo Sua lei, e que esto a engrandecer-Lhe o carter quando se 
encontram a destruir Sua doutrina! Sim, honram-nO, exatamente como fez Judas, 
quando disse: Eu Te sado, Mestre, e O beijou. E Ele pode de maneira igualmente 
justa dizer a cada um deles: Trais o Filho do homem com um beijo? No  outra 
coisa seno tra-Lo com um beijo, falar de Seu sangue e arrancar-Lhe a coroa, 
considerando levianamente qualquer parte de Sua lei, sob o pretexto de fazer 
avanar Seu evangelho. Nem em verdade poder escapar desta acusao algum 
que pregue a f de qualquer maneira que, direta ou indiretamente, tenda a pr de 
parte qualquer ponto de obedincia; que pregue a Cristo de modo a, de qualquer 
forma, anular ou enfraquecer o menor dos mandamentos de Deus.  Obras de 
Wesley.
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Pg. 264
Aos que insistiam em que a pregao do evangelho responde a todos os fins da 
lei, Wesley replicava: Isto negamos expressamente. No corresponde ao 
primeiro objetivo da prpria lei, a saber: convencer os homens do pecado, 
despertar aos que ainda dormem s bordas do inferno. O apstolo Paulo declara 
que pela lei vem o conhecimento do pecado; e antes que o homem esteja 
convicto do pecado, no sentir verdadeiramente a necessidade do sangue 
expiatrio de Cristo.  No necessitam de mdico os que esto sos, como nosso 
Senhor mesmo observa, mas, sim, os que esto enfermos.  absurdo, portanto, 
oferecer mdico aos que esto sos, ou que ao menos se imaginam assim. Deveis 
primeiramente convenc-los de que esto doentes; de outra maneira no vos 
agradecero o trabalho.  igualmente absurdo oferecer Cristo queles cujo corao 
est so, no tendo ainda sido quebrantado.  Obras de Wesley.
Assim, enquanto pregava o evangelho da graa de Deus, Wesley, a exemplo de 
seu Mestre, procurava engrandecer a lei e torn-la gloriosa. Fielmente cumpriu a 
obra que Deus lhe confiara, e gloriosos foram os resultados que lhe foi permitido 
contemplar. No final de sua longa vida de mais de oitenta anos  havendo sido 
mais de meio sculo empregado no ministrio itinerante  seus adeptos declarados 
eram em nmero de mais de meio milho de almas. Mas a multido que mediante 
seus labores foi erguida da runa e degradao do pecado, para vida mais elevada 
e pura, e o nmero dos que pelo seu ensino alcanaram experincia mais profunda 
e mais rica, nunca se conhecero antes que a famlia toda dos resgatados seja 
reunida no reino de Deus. A vida de Wesley apresenta a todo cristo uma lio de 
inaprecivel valor. Oxal a f e a humildade, o incansvel zelo, o esprito 
abnegado e a devoo deste servo de Cristo se reflitam nas igrejas de hoje!.
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15
A Escritura Sagrada e a Revoluo Francesa
Pg. 265
No sculo XVI, a Reforma, apresentando ao povo uma Bblia aberta, procurava 
admisso em todos os pases da Europa. Algumas naes receberam-na com 
alegria, como um mensageiro do Cu. Em outras terras o papado conseguiu em 
grande parte impedir-lhe a entrada; e a luz do conhecimento da Escritura 
Sagrada, com sua enobrecedora influncia, foi quase totalmente excluda. Em um 
pas, posto que a luz encontrasse entrada, no foi compreendida por causa das 
muitas trevas. Durante sculos a verdade e o erro lutaram pelo predomnio. 
Finalmente o mal triunfou e a verdade divina foi rejeitada. Esta  a condenao, 
que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz. Joo 
3:19. Permitiu-se que a nao colhesse os resultados da conduta que adotara. A 
restrio do Esprito de Deus foi removida de um povo que tinha desprezado o 
dom de Sua graa. Consentiu-se que o mal chegasse a sazonar. E todo o mundo 
viu os frutos da rejeio voluntria da luz.
Esta guerra contra a Escritura Sagrada, prosseguida durante tantos sculos na 
Frana, culminou nas cenas da Revoluo. Aquela terrvel carnificina foi apenas o 
resultado legtimo da supresso da Escritura por parte de Roma. Apresentou ao 
mundo o mais flagrante exemplo da operao dos princpios papais  exemplo dos 
resultados a que por mais de mil anos tendia o ensino da Igreja de Roma.
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Pg. 266
A supresso das Escrituras durante o perodo da supremacia papal, foi predita 
pelos profetas; e o Revelador (o apstolo Joo) indica tambm os terrveis 
resultados que deveriam sobrevir especialmente  Frana pelo domnio do homem 
do pecado.
Disse o anjo do Senhor: Pisaro a santa cidade por quarenta e dois meses. E 
darei poder s Minhas duas Testemunhas, e profetizaro por mil, duzentos e 
sessenta dias, vestidas de saco.  E, quando acabarem o seu testemunho, a besta 
que sobe do abismo lhes far guerra, e os vencer, e os matar. E jazero seus 
corpos mortos na praa da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e 
Egito, onde o seu Senhor tambm foi crucificado.  E os que habitam na Terra se 
regozijaro sobre eles, e se alegraro, e mandaro presentes uns aos outros; 
porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a Terra. 
E depois daqueles trs dias e meio o esprito de vida, vindo de Deus, entrou neles; 
e puseram-se sobre seus ps, e caiu grande temor sobre os que os viram. Apoc. 
11:2-11.
Os perodos aqui mencionados  quarenta e dois meses e mil, duzentos e 
sessenta dias  so o mesmo, representando igualmente o tempo em que a igreja 
de Cristo deveria sofrer opresso de Roma. Os 1.260 anos da supremacia papal 
comearam em 538 de nossa era e terminariam, portanto, em 1798. Nessa 
ocasio um exrcito francs entrou em Roma e tomou prisioneiro o papa, que 
morreu no exlio. Posto que logo depois fosse eleito novo papa, a hierarquia papal 
nunca pde desde ento exercer o poder que antes possura.
A perseguio da igreja no continuou durante o perodo todo dos 1.260 anos. 
Deus, em misericrdia para com Seu povo, abreviou o tempo de sua dolorosa 
prova. Predizendo a grande tribulao a sobrevir  igreja, disse o Salvador: Se 
aqueles dias no fossem abreviados, nenhuma carne se
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Pg. 267
salvaria; mas por causa dos escolhidos sero abreviados aqueles dias. Mat. 
24:22. Pela influncia da Reforma, a perseguio veio a termo antes de 1798.
Relativamente s duas testemunhas, declara mais o profeta: Estas so as duas 
oliveiras, e os dois castiais que esto diante do Deus de toda a Terra. Tua 
Palavra, diz o salmista,  lmpada para meus ps, e luz para o meu caminho. 
Apoc. 11:4; Sal. 119:105. As duas testemunhas representam as Escrituras do 
Antigo e Novo Testamentos. Ambos so importantes testemunhas quanto  origem 
e perpetuidade da lei de Deus. Ambos so tambm testemunhas do plano da 
salvao. Os tipos, sacrifcios e profecias do Antigo Testamento apontam para um 
Salvador por vir. Os evangelhos e as epstolas do Novo Testamento falam acerca 
de um Salvador que veio exatamente da maneira predita pelos tipos e profecias.
Profetizaro por mil, duzentos e sessenta dias, vestidas de saco. Durante a maior 
parte deste perodo, as testemunhas de Deus permaneceram em estado de 
obscuridade. O poder papal procurava ocultar do povo a Palavra da verdade e 
colocar diante dele testemunhas falsas para contradizerem o testemunho daquela. 
Quando a Bblia foi proscrita pela autoridade religiosa e secular; quando seu 
testemunho foi pervertido, fazendo homens e demnios todos os esforos para 
descobrir como desviar da mesma o esprito do povo; quando os que ousavam 
proclamar suas sagradas verdades eram perseguidos, trados, torturados, 
sepultados nas celas das masmorras, martirizados por sua f, ou obrigados a fugir 
para a fortaleza das montanhas e para as covas e cavernas da Terra  ento 
profetizavam as fiis testemunhas vestidas de saco. Contudo, continuaram com 
seu testemunho por todo o perodo de 1.260 anos. Nos mais obscuros tempos 
houve fiis que amavam a Palavra de Deus e eram ciosos de Sua honra. A esses 
fiis servos foram dados sabedoria, autoridade e poder para anunciar Sua verdade 
durante aquele tempo todo.
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Se algum lhes quiser fazer mal, fogo sair da sua boca e devorar os seus 
inimigos; e, se algum lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. Os 
homens no podero impunemente espezinhar a Palavra de Deus. O sentido desta 
terrvel declarao  apresentado no captulo final do Apocalipse: Eu testifico a 
todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se algum lhes 
acrescentar alguma coisa, Deus far vir sobre ele as pragas que esto escritas 
neste livro; e, se algum tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus 
tirar a sua parte da rvore da vida, e da cidade santa, que esto escritas neste 
livro. Apoc. 11:5; 22:18 e 19.
Estas so as advertncias que Deus deu para guardar os homens de mudar de 
qualquer maneira o que revelou ou ordenou. Essas solenes declaraes de castigo 
se aplicam a todos os que por sua influncia levam os homens a considerar 
levianamente a lei de Deus. Deveriam fazer tremer aos que declaram ser coisa de 
pouca monta obedecer ou no  lei de Deus. Todos os que exaltem suas prprias 
opinies acima da revelao divina, todos os que mudem o sentido claro das 
Escrituras para acomod-lo  sua prpria convenincia, ou pelo motivo de se 
conformar com o mundo, esto a trazer sobre si terrvel responsabilidade. A 
Palavra escrita, a lei de Deus, aferir o carter de todo homem, e condenar a 
todos a quem esta infalvel prova declarar em falta.
Quando acabarem [estiverem acabando] seu testemunho. O perodo em que as 
duas testemunhas deveriam profetizar vestidas de saco, finalizou-se em 1798. 
Aproximando-se elas do termo de sua obra em obscuridade, deveria fazer guerra 
contra elas o poder representado pela besta que sobe do abismo. Em muitas das 
naes da Europa os poderes que governaram na Igreja e no Estado foram 
durante sculos dirigidos por Satans, por intermdio do papado. Aqui, porm, se 
faz referncia a uma nova manifestao do poder satnico.
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Fora a poltica de Roma, sob profisso de reverncia para com a Bblia, conserv-la 
encerrada numa lngua desconhecida, ocultando-a do povo. Sob seu domnio as 
testemunhas profetizaram vestidas de saco. Mas um outro poder  a besta do 
abismo  deveria surgir para fazer guerra aberta e declarada contra a Palavra de 
Deus.
A grande cidade em cujas ruas as testemunhas foram mortas, e onde seus 
corpos mortos jazeram,  espiritualmente o Egito. De todas as naes 
apresentadas na histria bblica, o Egito, de maneira mais ousada, negou a 
existncia do Deus vivo e resistiu aos Seus preceitos. Nenhum monarca j se 
aventurou a rebelio mais aberta e arrogante contra a autoridade do Cu do que o 
fez o rei do Egito. Quando, em nome do Senhor, a mensagem lhe fora levada por 
Moiss, Fara orgulhosamente, respondeu: Quem  o Senhor cuja voz eu ouvirei, 
para deixar ir Israel? No conheo o Senhor, nem to pouco deixarei ir Israel. 
xo. 5:2. Isto  atesmo; e a nao representada pelo Egito daria expresso a uma 
negao idntica s reivindicaes do Deus vivo, e manifestaria idntico esprito 
de incredulidade e desafio. A grande cidade  tambm comparada 
espiritualmente com Sodoma. A corrupo de Sodoma na violao da lei de 
Deus, manifestou-se especialmente na licenciosidade. E este pecado tambm 
deveria ser caracterstico preeminente da nao que cumpriria as especificaes 
deste texto.
Segundo as palavras do profeta, pois, um pouco antes do ano 1798, algum poder 
de origem e carter satnico se levantaria para fazer guerra  Escritura Sagrada. E 
na terra em que o testemunho das duas testemunhas de Deus deveria assim ser 
silenciado, manifestar-se-ia o atesmo de Fara e a licenciosidade de Sodoma.
Esta profecia teve exatssimo e preciso cumprimento na histria da Frana. 
Durante a Revoluo, em 1793, o mundo pela primeira vez ouviu uma assemblia 
de homens, nascidos e educados na civilizao, e assumindo o direito de governar
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uma das maiores naes europias, levantar a voz em coro para negar a mais 
solene verdade que a alma do homem recebe, e renunciar unanimemente  crena 
na Divindade e culto  mesma.  Vida de Napoleo Bonaparte, de Sir Walter 
Scott. A Frana  a nica nao do mundo relativamente  qual se conserva 
registro autntico de que, como nao, se levantou em aberta rebelio contra o 
Autor do Universo. Profuso de blasfemos, profuso de incrdulos, tem havido e 
ainda continua a haver, na Inglaterra, Alemanha, Espanha e em outras terras; 
mas a Frana fica  parte, na histria universal, como o nico Estado que, por 
decreto da Assemblia Legislativa, declarou no haver Deus, e em cuja capital a 
populao inteira, e vasta maioria em toda parte, mulheres assim como homens, 
danaram e cantaram com alegria ao ouvirem a declarao.  Blackwoods 
Magazine, de novembro de 1870.
A Frana tambm apresentou as caractersticas que mais distinguiram Sodoma. 
Durante o perodo revolucionrio mostrou-se um estado de rebaixamento moral e 
corrupo semelhante ao que trouxera destruio s cidades da plancie. E o 
historiador apresenta juntamente o atesmo e a licenciosidade da Frana, conforme 
os d a profecia: Ligada intimamente a estas leis que afetam a religio, estava a 
que reduzia a unio pelo casamento  o mais sagrado ajuste que seres humanos 
podem formar, cuja indissolubilidade contribui da maneira mais eficaz para a 
consolidao da sociedade   condio de mero contrato civil de carter 
transitrio, em que quaisquer duas pessoas poderiam empenhar-se e que,  
vontade, poderiam desfazer.  Se os demnios se houvessem disposto a trabalhar 
para descobrir o modo mais eficaz de destruir o que quer que seja venervel, belo 
ou perdurvel na vida domstica, e de obter ao mesmo tempo certeza de que o 
mal que era seu objetivo criar se perpetuaria de uma gerao a outra, no 
poderiam ter inventado plano mais eficiente do que a degradao do casamento.  
Sofia Arnoult, atriz famosa
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pelos ditos espirituosos que proferia, descreveu o casamento republicano como 
sendo o sacramento do adultrio.  Scott.
Onde o seu Senhor tambm foi crucificado. Esta especificao da profecia 
tambm foi cumprida pela Frana. Em nenhum pas fora o esprito de inimizade 
contra Cristo ostentado mais surpreendentemente. Em nenhum pas encontrara a 
verdade mais atroz e cruel oposio. Na perseguio que a Frana infligiu aos que 
professavam o evangelho, crucificou a Cristo na pessoa de Seus discpulos.
Sculo aps sculo o sangue dos santos fora derramado. Enquanto os valdenses, 
pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo, depunham a vida nas 
montanhas do Piemonte, idntico testemunho da verdade era dado por seus 
irmos, os albigenses da Frana. Nos dias da Reforma seus discpulos foram 
mortos com horrveis torturas. Rei e nobres, senhoras de alto nascimento e 
delicadas moas, o orgulho e a nobreza da nao, haviam recreado os olhos com 
as agonias dos mrtires de Jesus. Os bravos huguenotes, batendo-se pelos direitos 
que o corao humano preza como os mais sagrados, tinham derramado seu 
sangue em muitos campos de rudes combates. Os protestantes eram tidos na 
conta de proscritos, punha-se a preo a sua cabea e eram perseguidos como 
animais selvagens.
A igreja no deserto, os poucos descendentes dos antigos cristos que ainda 
penavam na Frana no sculo XVIII, ocultando-se nas montanhas do sul, 
acariciavam ainda a f de seus pais. Aventurando-se a reunir-se  noite ao lado 
das montanhas ou dos pantanais solitrios, eram caados por cavalarianos e 
arrastados para a escravido nas galeras, por toda a vida. Os mais puros, cultos e 
inteligentes dos franceses, foram acorrentados, em horrveis torturas, entre 
ladres e assassinos.  Wylie. Outros, tratados com mais misericrdia, eram 
fuzilados a sangue frio, caindo, indefesos e desamparados,
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de joelhos, em orao. Centenas de homens idosos, indefesas mulheres e 
inocentes crianas eram deixados mortos sobre a terra em seu lugar de reunio. 
Atravessando-se a encosta das montanhas ou a floresta, onde estavam 
acostumados a reunir-se, no era raro encontrarem-se a cada passo corpos 
mortos, pontilhando a relva, e cadveres a balanar suspensos das rvores. Seu 
territrio, devastado pela espada, pelo machado, pela fogueira, converteu-se em 
vasto e triste deserto. Estas atrocidades no eram ordenadas  em qualquer 
poca obscura, mas na era brilhante de Lus XIV. Cultivavam-se ento as cincias, 
as letras floresciam, os telogos da corte e da capital eram homens doutos e 
eloqentes, aparentando perfeitamente as graas da humildade e caridade.  
Wylie.
O mais negro, porm, do negro catlogo de crimes, a mais horrvel entre as aes 
diablicas de todos os hediondos sculos, foi o massacre de So Bartolomeu. O 
mundo ainda recorda com estremecimento de horror as cenas daquele assalto 
covardssimo e cruel. O rei da Frana, com quem sacerdotes e prelados romanos 
insistiram, sancionou a hedionda obra. Um sino badalando  noite dobres 
fnebres, foi o sinal para o morticnio. Milhares de protestantes que dormiam 
tranqilamente em suas casas, confiando na honra empenhada de seu rei, eram 
arrastados para fora sem aviso prvio e assassinados a sangue frio.
Como Cristo fora o chefe invisvel de Seu povo ao ser tirado do cativeiro egpcio, 
assim foi Satans o chefe invisvel de seus sditos na horrvel obra de multiplicar 
os mrtires. Durante sete dias perdurou o massacre em Paris, sendo os primeiros 
trs com inconcebvel fria. E no se limitou unicamente  cidade, mas por ordem 
especial do rei estendeu-se a todas as provncias e cidades onde se encontravam 
protestantes. No se respeitava nem idade nem sexo. No se poupava nem a 
inocente criancinha, nem o homem de cabelos brancos. Nobres e camponeses, 
velhos e jovens, mes e filhos, eram juntamente abatidos. Por toda a Frana a 
carnificina durou dois meses. Pereceram setenta mil da legtima flor da nao.
Quando as notcias do massacre chegaram a Roma, a
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exultao entre o clero no teve limites. O cardeal de Lorena recompensou o 
mensageiro com mil coroas; o canho de Santo ngelo reboou em alegre salva; os 
sinos tangeram em todos os campanrios; fogueiras festivas tornaram a noite em 
dia; e Gregrio XIII, acompanhado dos cardeais e outros dignitrios eclesisticos, 
foi, em longa procisso,  igreja de So Lus, onde o cardeal de Lorena cantou o Te 
Deum.  Uma medalha foi cunhada para comemorar o massacre, e no Vaticano 
ainda se podem ver trs quadros de Vasari descrevendo o ataque ao almirante, o 
rei em conselho urdindo a matana, e o prprio morticnio. Gregrio enviou a 
Carlos a Rosa de Ouro; e quatro meses depois da carnificina,  ouviu 
complacentemente ao sermo de um padre francs,  que falou daquele dia to 
cheio de felicidade e regozijo, em que o santssimo padre recebeu a notcia, e foi 
em aparato solene dar graas a Deus e a So Lus.  O Massacre de So 
Bartolomeu, de Henry White.
O mesmo esprito sobrenatural que instigou o massacre de So Bartolomeu, dirigiu 
tambm as cenas da Revoluo. Foi declarado ser Jesus Cristo um impostor e o 
grito de zombaria dos incrdulos franceses era: Esmagai o Miservel! querendo 
dizer Cristo. Blasfmia que desafiava o Cu e abominvel impiedade iam de mos 
dadas, e os mais vis dentre os homens, os mais execrveis monstros de crueldade 
e vcio, eram elevados aos mais altos postos. Em tudo isto, prestava-se suprema 
homenagem a Satans, enquanto Cristo, em Seus caractersticos de verdade, 
pureza e amor abnegado, era crucificado.
A besta que sobe do abismo lhes far guerra, e os vencer, e os matar. O poder 
atesta que governou na Frana durante a Revoluo e reinado do terror, 
desencadeou contra Deus e Sua santa Palavra uma guerra como jamais o 
testemunhara o mundo. O culto  Divindade fora abolido pela Assemblia 
Nacional. Bblias eram recolhidas e publicamente queimadas com toda a 
manifestao de escrnio possvel. A lei de Deus era calcada a ps. As instituies 
das Escrituras
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Sagradas, abolidas. O dia de repouso semanal foi posto de lado, e em seu lugar 
cada dcimo dia era dedicado  orgia e blasfmia. O batismo e a comunho foram 
proibidos. E anncios afixados visivelmente nos cemitrios, declaravam ser a 
morte um sono eterno.
Disseram estar o temor de Deus to longe do princpio da sabedoria que era o 
princpio da loucura. Todo culto foi proibido, exceto o da liberdade e do pas. O 
bispo constitucional de Paris foi obrigado a desempenhar a parte principal na 
farsa mais impudente e escandalosa que j se levou  cena em face de uma 
representao nacional.  Em plena procisso foi ele empurrado a fim de declarar 
 Conveno que a religio por ele ensinada durante tantos anos, era, em todo o 
sentido, uma pea de artimanha padresca, destituda de fundamento tanto na 
Histria como na verdade sagrada. Negou em termos solenes e explcitos a 
existncia da Divindade a cujo culto fora consagrado, dedicando-se, para o futuro, 
 homenagem da liberdade, igualdade, virtude e moralidade. Deps ento sobre a 
mesa os paramentos episcopais, recebendo fraternal abrao do presidente da 
Conveno. Vrios padres apstatas seguiram o exemplo deste prelado.  Scott.
E os que habitam na Terra se regozijaro sobre eles, e se alegraro, e mandaro 
presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os 
que habitam sobre a Terra. A Frana incrdula fizera silenciar a voz reprovadora 
das duas testemunhas de Deus. A Palavra da verdade jazeu morta em suas ruas, e 
os que odiavam as restries e exigncias da lei de Deus estavam jubilosos. Os 
homens publicamente desafiavam o rei dos Cus. Semelhantes aos pecadores da 
antiguidade, clamavam: Como o sabe Deus? ou h conhecimentos no Altssimo? 
Sal. 73:11.
Com blasfema ousadia, que se diria incrvel, disse um dos padres da nova ordem: 
Deus, se existis, vingai Vosso nome injuriado. Eu Vos desafio! Conservais-Vos em 
silncio; no ousais fazer uso de Vossos troves. Quem depois disso crer em
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Vossa existncia?  Histria, de Lacretelle, e Histria da Europa, de Alison. Que 
eco fiel  isto, da pergunta de Fara: Quem  o Senhor para que eu obedea a 
Sua voz? No conheo o Senhor!
Disse o nscio em seu corao: No h Deus. Sal. 14:1. E declara o Senhor 
relativamente aos que pervertem a verdade: A todos ser manifesto o seu 
desvario. II Tim. 3:9. Depois que a Frana renunciou ao culto do Deus vivo, o 
Alto e o Sublime que habita na eternidade, pouco tempo se passou at descer ela 
 idolatria degradante, pelo culto da deusa da Razo, na pessoa de uma mulher 
dissoluta. E isto na assemblia representativa da nao, e pelas suas mais altas 
autoridades civis e legislativas! Diz o historiador: Uma das cerimnias deste 
tempo de loucuras permanece sem rival pelo absurdo combinado com a 
impiedade. As portas da conveno foram abertas de par em par a uma banda de 
msica, seguida dos membros da corporao municipal, que entraram em solene 
procisso, cantando um hino de louvor  liberdade e escoltando, como o objeto de 
seu futuro culto, uma mulher coberta com um vu, a quem denominavam a deusa 
da Razo. Levada  tribuna, tirou-se-lhe o vu com grande pompa, e foi colocada  
direita do presidente, sendo por todos reconhecida como danarina de pera.  A 
essa pessoa, como mais apropriada representante da razo a que adoravam, a 
Conveno Nacional da Frana prestou homenagem pblica.
Essa momice, mpia e ridcula, entrou em voga; e o instituir a deusa da Razo foi 
repetido e imitado, por todo o pas, nos lugares em que os habitantes desejavam 
mostrar-se  altura da Revoluo.  Scott.
Disse o orador que apresentou o culto da Razo: Legisladores! O fanatismo foi 
substitudo pela razo. Seus turvos olhos no poderiam suportar o brilho da luz. 
Neste dia, imenso pblico se congregou sob aquelas abbadas gticas que, pela 
primeira vez, fizeram ecoar a verdade. Ali, os franceses
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celebraram o nico culto verdadeiro  o da Liberdade, o da Razo. Ali formulamos 
votos de prosperidade s armas da Repblica. Ali abandonamos dolos inanimados 
para seguir a Razo, esta imagem animada, a obra-prima da Natureza.  Histria 
da Revoluo Francesa, de Thiers, vol. 2, pgs. 370 e 371.
Ao ser a deusa apresentada  Conveno, o orador tomou-a pela mo e, voltando-
se  assemblia, disse: Mortais, cessai de tremer perante os troves impotentes 
de um Deus que vossos temores criaram. No reconheais, doravante, outra 
divindade seno a Razo. Ofereo-vos sua mais nobre e pura imagem; se haveis 
de ter dolos, sacrificai apenas aos que sejam como este.  Ca perante o augusto 
Senado da Liberdade,  Vu da Razo! 
A deusa, depois de ser abraada pelo presidente, foi elevada a um carro suntuoso 
e conduzida, por entre vasta multido,  catedral de Notre Dame para tomar o 
lugar da Divindade. Ali foi ela erguida ao altar-mor e recebeu a adorao de todos 
os presentes.  Alison.
No muito depois, seguiu-se a queima pblica da Escritura Sagrada. Em uma 
ocasio, a Sociedade Popular do Museu entrou no salo da municipalidade, 
exclamando: Vive La Raison! e carregando na extremidade de um mastro os 
restos meio queimados de vrios livros, entre os quais brevirios, missais, e o 
Antigo e Novo Testamentos, livros que expiavam em grande fogo, disse o 
presidente, todas as loucuras que tinham feito a raa humana cometer.  Journal 
de Paris, 14 de novembro de 1793 (n 318).
Foi o papado que comeara a obra que o atesmo estava a completar: A poltica de 
Roma produzira aquelas condies sociais, polticas e religiosas, que estavam 
precipitando a Frana na runa. Referindo-se aos horrores da Revoluo, dizem 
escritores que esses excessos devem ser atribudos ao trono e  igreja. Com 
estrita justia devem ser atribudos  igreja. O papado envenenara a mente dos 
reis contra a Reforma, como inimiga da coroa, elemento de
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discrdia que seria fatal  paz e harmonia da nao. Foi o gnio de Roma que por 
este meio inspirou a mais espantosa crueldade e mortificante opresso que 
procediam do trono.
O esprito de liberdade acompanhava a Bblia. Onde quer que o evangelho era 
recebido, despertava-se o povo. Comeavam os homens a romper as algemas que 
os haviam conservado escravos da ignorncia, vcio e superstio. Comeavam a 
pensar e agir como homens. Os monarcas, ao verem isto, temeram pelo seu 
despotismo.
Roma no foi tardia em inflamar seus ciosos temores. Disse o papa ao regente da 
Frana em 1525: Esta mania [o protestantismo], no somente confundir e 
destruir a religio, mas todos os principados, nobreza, leis, ordens e classes 
juntamente.  Histria dos Protestantes da Frana, G. de Flice. Poucos anos 
mais tarde um nncio papal advertiu ao rei: Majestade, no vos enganeis. Os 
protestantes subvertero toda a ordem civil e religiosa.  O trono est em to 
grande perigo como o altar.  A introduo de uma nova religio deve 
necessariamente introduzir novo governo.  Histria da Reforma no Tempo de 
Calvino, DAubign. E os telogos apelavam para os preconceitos do povo, 
declarando que a doutrina protestante instiga os homens  novidade e loucura; 
despoja o rei da dedicada afeio de seus sditos e devasta tanto a Igreja como o 
Estado. Assim Roma conseguiu predispor a Frana contra a Reforma. Foi para 
manter o trono, preservar os nobres e conservar as leis, que pela primeira vez se 
desembainhou na Frana a espada da perseguio.  Wylie.
Mal imaginavam os governantes do pas os resultados daquela poltica fatal. O 
ensino da Escritura Sagrada teria implantado no esprito e no corao do povo os 
princpios de justia, temperana, verdade, eqidade e benevolncia, que so a 
prpria pedra basilar da prosperidade da nao. A justia exalta as naes. 
Donde, com justia se estabelece o trono. Prov. 14:34; 16:12. O efeito da 
justia ser paz,
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e a operao da justia repouso e segurana, para sempre. Isa. 32:17. O que 
obedece  lei divina  o que melhor respeitar e obedecer s leis de seu pas. O 
que teme a Deus honrar ao rei no exerccio de toda a autoridade justa e legtima. 
Mas a desditosa Frana proibiu a Bblia e condenou seus discpulos. Sculo aps 
sculo, homens de princpios e integridade, homens de agudeza intelectual e fora 
moral, que tinham coragem de confessar suas convices e f para sofrer pela 
verdade, sim, durante sculos esses homens labutaram como escravos nas 
galeras, pereceram na fogueira, ou apodreceram nas celas das masmorras. 
Milhares e milhares encontraram segurana na fuga; e isto continuou por duzentos 
e cinqenta anos depois do incio da Reforma.
Quase no houve gerao de franceses, durante esse longo perodo, que no 
testemunhasse os discpulos do evangelho fugindo diante da fria insana do 
perseguidor, levando consigo a inteligncia, as artes, a indstria, a ordem, nas 
quais, em regra, grandemente se distinguiam, para o enriquecimento das terras 
em que encontravam asilo. E  medida que enchiam outros pases com esses 
valiosos dons, privavam deles o seu prprio pas. Se tudo que ento foi repelido se 
houvesse conservado na Frana; se, durante esses trezentos anos, a habilidade 
industrial dos exilados tivesse estado a cultivar seu solo; se durante esses 
trezentos anos, seu pendor artstico tivesse estado a aperfeioar suas indstrias; 
se durante esses trs sculos, seu gnio inventivo e poder analtico tivessem 
estado a enriquecer sua literatura e a cultivar sua cincia; se a sabedoria deles 
estivesse a guiar seus conselhos, a bravura a pelejar em suas batalhas e a 
eqidade a formular suas leis, e estivesse a religio da Bblia a fortalecer o 
intelecto e a governar a conscincia de seu povo, que glria no circundaria hoje a 
Frana! Que pas grandioso, prspero e feliz  modelo das naes no teria ela 
sido!
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Mas o fanatismo cego baniu de seu solo todo ensinador da virtude, todo campeo 
da ordem, todo defensor honesto do trono, dizendo aos homens que teriam dado 
ao pas renome e glria na Terra: Escolhei o que quereis: a fogueira ou o exlio. 
Finalmente a runa do Estado foi completa; no mais restavam conscincias para 
serem proscritas; no mais religio para arrastar-se  fogueira; no mais 
patriotismo para ser desterrado.  Wylie. E a Revoluo, com todos os seus 
horrores, foi o tremendo resultado.
Com a fuga dos huguenotes, um declnio geral baixou sobre a Frana. 
Florescentes cidades manufatureiras caram em decadncia; frteis distritos 
voltaram a sua natural rusticidade; embotamento intelectual e decadncia moral 
sucederam-se a um perodo de desusado progresso. Paris tornou-se um vasto asilo 
de mendicidade, e calcula-se que, ao romper a Revoluo, duzentos mil pobres 
reclamavam caridade das mos do rei. Somente os jesutas floresciam na nao 
decadente, e governavam com terrvel tirania sobre escolas e igrejas, prises e 
gals.
O evangelho teria proporcionado  Frana a soluo dos problemas polticos e 
sociais que frustravam a habilidade de seu clero, seu rei e seus legisladores, e que 
finalmente mergulharam a nao na anarquia e runa. Sob o domnio de Roma, 
porm, o povo tinha perdido as benditas lies do Salvador acerca do sacrifcio e 
amor abnegado. Tinham sido afastados da prtica da abnegao em favor dos 
outros. Os ricos no haviam recebido repreenso alguma por sua opresso aos 
pobres; estes, nenhum auxlio pela sua servido e degradao. O egosmo dos 
abastados e poderosos se tornou mais  mais visvel e opressivo. A cobia e a 
dissoluo dos nobres, durante sculos, tiveram como resultado a esmagadora 
extorso para com os camponeses. Os ricos lesavam os pobres, e estes odiavam 
aqueles.
Em muitas provncias as propriedades eram conservadas pelos nobres, sendo as 
classes trabalhadoras apenas arrendatrias; achavam-se  merc dos proprietrios 
e obrigados a
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sujeitar-se s suas exigncias escorchantes. O encargo de sustentar tanto a Igreja 
como o Estado recaa sobre as classes mdia e baixa, pesadamente oneradas pelas 
autoridades civis e pelo clero. O capricho dos nobres arvorava-se em lei suprema; 
os lavradores e camponeses podiam perecer de fome sem que isso comovesse os 
opressores.  O povo era obrigado a consultar sempre o interesse exclusivo do 
proprietrio. A vida dos trabalhadores agrcolas era de labuta incessante e misria 
sem alvio; suas queixas, se  que ousavam queixar-se, eram tratadas com 
insolente desprezo. Os tribunais de justia ouviam sempre ao nobre de preferncia 
ao campons; os juzes aceitavam abertamente o suborno, e o mais simples 
capricho da aristocracia tinha fora de lei, em virtude deste sistema de corrupo 
universal. Dos impostos extorquidos do povo comum, pelos magnatas seculares de 
um lado e pelo clero do outro, nem a metade sequer tinha acesso ao tesouro real 
ou episcopal; o resto era desbaratado em condescendncias imorais. E os mesmos 
homens que assim empobreciam seus compatriotas, estavam isentos de impostos, 
e, pela lei e costumes, com direitos a todos os cargos do Estado. Os membros das 
classes privilegiadas oravam por uns cento e cinqenta mil, e para a satisfao 
delas, milhes estavam condenados a levar uma vida de degradao irremedivel.
A corte achava-se entregue ao luxo e  libertinagem. Pouca confiana existia entre 
o povo e os governantes. Prendia-se a todos os atos do governo a suspeita de 
serem mal-interpretados e egostas. Durante mais de meio sculo antes do tempo 
da Revoluo, o trono foi ocupado por Lus XV que, mesmo naqueles maus 
tempos, se distinguiu como monarca indolente, frvolo e sensual. Com uma 
aristocracia depravada e cruel, uma classe inferior empobrecida e ignorante, 
achando-se o Estado em embaraos financeiros, e o povo exasperado, no se 
necessitava do olhar de profeta para prever uma iminente e terrvel erupo. s 
advertncias de seus conselheiros estava o rei acostumado a responder: Procurai 
fazer com que as
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coisas continuem tanto tempo quanto eu provavelmente possa viver; depois de 
minha morte, seja como for. Era em vo que se insistia sobre a necessidade de 
reforma. Ele via os males, mas no tinha nem a coragem nem a fora para 
enfrent-los. Sua resposta indolente e egosta sintetizava, com verdade, a sorte 
que aguardava a Frana: Depois de mim, o dilvio!
Valendo-se dos cimes dos reis e das classes governantes, Roma os influenciara a 
conservar o povo na escravido, bem sabendo que o Estado assim se 
enfraqueceria, tendo por este meio o propsito de firmar em seu cativeiro tanto 
prncipes como o povo. Com poltica muito previdente, percebeu que, para 
escravizar os homens de modo eficaz, deveria algemar-lhes a alma; que a maneira 
mais certa de impedi-los de escapar de seu cativeiro era torn-los incapazes de 
libertar-se. Mil vezes mais terrvel do que o sofrimento fsico que resultava de sua 
poltica, era a degradao moral. Despojado da Escritura Sagrada, e abandonado 
ao ensino do fanatismo e egosmo, o povo estava envolto em ignorncia e 
superstio, submerso no vcio, achando-se, assim, completamente inapto para o 
governo de si prprio.
Mas a conseqncia de tudo isto foi grandemente diversa do que Roma tivera em 
mira. Em vez de manter as massas populares em submisso cega aos seus 
dogmas, sua obra teve como resultado torn-las incrdulas e revolucionrias. 
Desprezavam o romanismo como uma artimanha do clero. Consideravam-no como 
um partido que as oprimia. O nico deus que conheciam era o deus de Roma; seu 
ensino era a nica rligio que professavam. Consideravam sua avidez e crueldade 
como os legtimos frutos da Bblia, da qual nada queriam saber.
Roma tinha representado falsamente o carter de Deus e pervertido Seus 
mandamentos, e agora os homens rejeitavam tanto a Escritura Sagrada como seu 
Autor. Exigira f cega nos seus dogmas, sob o pretenso apoio das Escrituras. Na 
reao, Voltaire e seus companheiros puseram inteiramente de lado a Palavra de 
Deus, disseminando por toda parte o veneno da incredulidade. Roma calcara o 
povo sob seu taco de ferro;
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agora as massas, degradadas e embrutecidas, ao revoltarem-se contra a tirania, 
arrojaram de si toda a restrio. Enraivecidos com o disfarado embuste a que 
durante tanto tempo haviam prestado homenagem, rejeitaram a um tempo a 
verdade e a falsidade; e erroneamente tomando a libertinagem pela liberdade, os 
escravos do vcio exultaram em sua liberdade imaginria.
No incio da Revoluo foi, por concesso do rei, outorgada ao povo uma 
representao mais numerosa do que a dos nobres e do clero reunidos. Assim a 
balana do poder estava em suas mos; mas no se achavam preparados para 
fazer uso deste poder com sabedoria e moderao. vidos de reparar os males que 
tinham sofrido, decidiram-se a empreender a reconstruo da sociedade. Uma 
turba ultrajada, cujo esprito estava de h muito repleto de dolorosas lembranas, 
resolveu sublevar-se contra aquele estado de misria que se tornara insuportvel, 
vingando-se dos que considerava como responsveis por seus sofrimentos. Os 
oprimidos puseram em prtica a lio que tinham aprendido sob a tirania, e 
tornaram-se os opressores dos que os haviam oprimido.
A desditosa Frana ceifou em sangue a colheita do que semeara. Terrveis foram 
os resultados de sua submisso ao poder subjugador de Roma. Onde a Frana, sob 
a influncia do romanismo, acendera a primeira fogueira ao comear a Reforma, 
erigiu a Revoluo a sua primeira guilhotina. No local em que os primeiros 
mrtires da f protestante foram queimados no sculo XVI, as primeiras vtimas 
foram guilhotinadas no sculo XVIII. Rejeitando o evangelho que lhe teria trazido 
cura, a Frana abrira a porta  incredulidade e runa. Quando as restries da lei 
de Deus foram postas de lado, verificou-se que as leis dos homens eram 
impotentes para sustar a avassalante onda da paixo humana; e a nao 
descambou para a revolta e anarquia. A guerra contra a Bblia inaugurou uma era 
que se conserva na Histria Universal como o reinado do terror. A paz e a 
felicidade foram banidas dos lares e do corao dos homens. Ningum se achava 
seguro. O que hoje triunfava era alvo de suspeitas e condenado amanh. A 
violncia e a cobia exerciam incontestvel domnio.
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Rei, clero e nobreza foram obrigados a submeter-se s atrocidades do povo 
excitado e enlouquecido, cuja sede de vingana subiu de ponto com a execuo do 
rei; e os que haviam decretado sua morte logo o seguiram no cadafalso. Foi 
ordenado um morticnio geral de todos os que eram suspeitos de hostilizar a 
Revoluo. As prises estavam repletas, contendo em certa ocasio mais de 
duzentos mil prisioneiros. Multiplicavam-se nas cidades do reino as cenas de 
horror. Um partido dos revolucionrios era contra outro, e a Frana tornou-se um 
vasto campo de massas contendoras, dominadas pela fria das paixes. Em Paris, 
tumulto sucedia a tumulto, e os cidados estavam divididos numa mistura de 
faces, que no pareciam visar coisa alguma a no ser a exterminao mtua. E 
para aumentar a misria geral, a nao envolveu-se em prolongada e devastadora 
guerra com as grandes potncias da Europa. O pas estava quase falido, o 
exrcito a clamar pelos pagamentos em atraso, os parisienses passando fome, as 
provncias assoladas pelos ladres, e a civilizao quase extinta em anarquia e 
licenciosidade.
Muito bem havia o povo aprendido as lies de crueldade e tortura que Roma to 
diligentemente ensinara. Chegara finalmente o dia da retribuio. No eram mais 
os discpulos de Jesus que se arrojavam nas masmorras e arrastavam  tortura. 
Havia muito tempo que esses tinham perecido, ou sido expulsos para o exlio. 
Roma, sentia agora o poder mortfero daqueles a quem havia ensinado a deleitar-
se nas prticas sanguinrias. O exemplo de perseguio que o clero da Frana por 
tantos sculos dera abertamente, achava-se agora revertido contra ele mesmo 
com assinalado vigor. Os cadafalsos estavam tintos do sangue dos sacerdotes. As 
gals e prises, que em outro tempo se povoaram de huguenotes, estavam agora 
repletas de seus perseguidores. Acorrentados ao banco ou labutando com os 
remos, o clero catlico romano experimentou todas as desgraas que sua igreja 
to livremente infligira aos benignos hereges.
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Vieram ento os dias em que o mais brbaro dos cdigos foi posto em vigor pelo 
mais brbaro dos tribunais; em que ningum poderia saudar os vizinhos ou fazer 
oraes  sem perigo de cometer um crime capital; em que espias se 
emboscavam de todos os lados; em que todas as manhs a guilhotina funcionava 
em trabalho rpido e prolongado; em que as cadeias estavam to cheias como um 
poro de navio de escravos; em que, nas sarjetas, o sangue corria espumante 
para o Sena.  Enquanto diariamente carradas de vtimas eram levadas ao seu 
destino atravs das ruas de Paris, os procnsules, a quem a comisso soberana 
enviara aos departamentos, recreavam-se extravagantemente com crueldade 
desconhecida mesmo na capital. O cutelo da mquina mortfera levantava-se 
demasiado vagarosamente para a obra de morticnio. Longas fileiras de 
prisioneiros eram ceifadas a metralha. Faziam-se rombos no fundo dos barcos 
repletos. Lyon se tornou um deserto. Em Arras, mesmo a cruel misericrdia de 
uma morte rpida era negada aos prisioneiros. Por toda a extenso do Loire de 
Saumur at  desembocadura no oceano, grandes bandos de corvos e milhanos 
banqueteavam-se nos cadveres nus, juntamente irmanados em hediondos 
abraos. No se mostrava misericrdia a sexo ou idade. O nmero de moos e 
moas de dezessete anos que foram assassinados por aquele governo execrvel, 
deve ser computado s centenas. Criancinhas arrancadas dos seios eram 
arrojadas, de chuo em chuo, ao longo das fileiras jacobinas.
No curto espao de dez anos, pereceram multides de criaturas humanas.
Tudo isto foi como Satans queria. Durante sculos se empenhara por consegui-lo. 
Sua poltica  o engano desde o princpio at ao fim, e seu propsito fixo  
acarretar a desgraa e a misria aos homens, desfigurar e aviltar a obra de Deus, 
desvirtuar os propsitos divinos de benevolncia e amor, ocasionando assim o 
pesar no Cu. Ento, por suas artes ilusrias, cega o esprito dos homens, 
induzindo-os a responsabilizar a Deus pelos males de sua obra, como se toda essa 
misria fosse
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resultado do plano do Criador. De igual modo, quando os que foram degradados e 
embrutecidos pelo seu poder cruel alcanam a liberdade, ele os compele a 
excessos e atrocidades. Ento este quadro de desenfreada licenciosidade  
apontado pelos tiranos e opressores como ilustrao dos resultados da liberdade.
Quando  descoberto o erro sob um aspecto, Satans apenas o mascara sob 
disfarce diverso, e as multides o recebem to avidamente como a princpio. 
Quando o povo descobriu ser o romanismo um engano, e Satans no pde por 
este agente lev-lo  transgresso da lei de Deus, compeliu-o a considerar todas 
as religies como fraude e a Escritura Sagrada como fbula; e, pondo de lado os 
estatutos divinos, entregaram-se a desenfreada iniqidade.
O erro fatal que trouxe semelhante desgraa aos habitantes da Frana, foi a 
ignorncia desta nica e grande verdade: que a genuna liberdade reside dentro 
das prescries da lei de Deus. Ah! se tivesses dado ouvidos aos Meus 
mandamentos! Ento seria a tua paz como o rio, e a tua justia como as ondas do 
mar. Os mpios no tm paz, disse o Senhor. Mas o que Me der ouvidos 
habitar seguramente, e estar descansado do temor do mal. Isa. 48:18 e 22; 
Prov. 1:33.
Ateus, incrdulos e apstatas opunham-se  lei de Deus e acusavam-na; mas os 
resultados de sua influncia provam que o bem-estar do homem se prende  
obedincia aos estatutos divinos. Os que no leram esta lio no Livro de Deus, 
so convidados a l-la na histria das naes.
Quando Satans agiu mediante a igreja de Roma a fim de desviar os homens da 
obedincia, f-lo ocultamente e com disfarce tal, que a degradao e a misria 
resultantes nem foram vistas como sendo o fruto da transgresso. E seu poder foi 
to grandemente contrabalanado pela operao do Esprito de Deus, que seus 
propsitos no lograram alcanar completa realizao. O povo no ligava o efeito  
causa, nem descobria a fonte de suas misrias. Na Revoluo, porm, a lei de 
Deus foi
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abertamente posta de lado pelo Conselho Nacional. E no reinado do terror que se 
seguiu, todos puderam ver a operao de causa e efeito.
Quando a Frana publicamente rejeitou a Deus e ps de parte a Escritura Sagrada, 
os homens mpios e os espritos das trevas exultaram com a consecuo do 
objetivo havia tanto acalentado  um reino livre das restries da lei de Deus. 
Porque a sentena contra uma obra m no fosse imediatamente executada, o 
corao dos filhos dos homens ficou inteiramente disposto para praticar o mal. 
Ecl. 8:11. Mas da transgresso de uma lei justa e reta deve inevitavelmente 
resultar a misria e runa. Conquanto no fosse de pronto visitada com juzos, a 
impiedade dos homens estava, no obstante operando seguramente a sua 
condenao. Sculos de apostasia e crime tinham estado a acumular a ira para o 
dia da retribuio; e, quando se completou sua iniqidade, os desprezadores de 
Deus aprenderam demasiado tarde que coisa terrvel  haver esgotado a pacincia 
divina. O moderador Esprito de Deus, que pe limite ao poder cruel de Satans, 
foi removido em grande medida, permitindo-se que realizasse a sua vontade 
aquele cujo nico deleite consiste na misria humana. Os que haviam escolhido 
servir  rebelio, foram deixados a colher seus frutos, at que a Terra se encheu 
de crimes demasiado horrendos para que a pena os descreva. Das provncias 
devastadas e cidades arruinadas ouviu-se um grito terrvel  grito de amargurada 
angstia. A Frana foi abalada como se fosse por um terremoto. Religio, leis, 
ordem social, famlia, Estado, Igreja, tudo foi derribado pela mo mpia que se 
insurgira contra a lei de Deus. Com verdade disse o sbio: O mpio cair pela sua 
prpria impiedade. Ainda que o pecador faa mal cem vezes, e os dias se lhe 
prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, aos que 
temerem diante dEle. Mas ao mpio no ir bem. Ecl. 8:12 e 13. Aborreceram o 
conhecimento; e no preferiram o temor do Senhor; portanto, comero, do fruto 
do seu caminho, e fartar-se-o dos seus prprios conselhos. Prov. 1:29 e 31.
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As fiis testemunhas de Deus, mortas pelo poder blasfemo que subiu do abismo, 
no deveriam por muito tempo ficar em silncio. Depois daqueles trs dias e 
meio, o esprito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus 
ps, e caiu grande temor sobre os que os viram. Apoc. 11:11. Foi em 1793 que 
os decretos que aboliam a religio crist e punham de parte a Escritura Sagrada, 
passaram na Assemblia francesa. Trs anos e meio mais tarde foi adotada pelo 
mesmo corpo legislativo uma resoluo que anulava esses decretos, concedendo 
assim tolerncia s Escrituras. O mundo ficou estupefato ante a enormidade dos 
crimes que tinham resultado da rejeio das Escrituras Sagradas, e os homens 
reconheceram a necessidade da f em Deus e em Sua Palavra como fundamento 
da virtude e moralidade. Diz o Senhor: A quem afrontaste e de quem 
blasfemaste? E contra quem alaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? 
Contra o Santo de Israel. Isa. 37:23. Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta 
vez lhes farei conhecer a Minha mo e o Meu poder; e sabero que o Meu nome  
o Senhor. Jer. 16:21.
Relativamente s duas testemunhas, declara o profeta ainda: E ouviram uma 
grande voz do Cu, que lhes dizia: Subi c. E subiram ao Cu em uma nuvem; e 
os seus inimigos os viram. Apoc. 11:12. Desde que a Frana fez guerra s duas 
testemunhas de Deus, elas tm sido honradas como nunca dantes. Em 1804 foi 
organizada a Sociedade Bblica Britnica e Estrangeira. Seguiram-se-lhe 
organizaes semelhantes com numerosas filiais no continente europeu. Em 1816 
fundou-se a Sociedade Bblica Americana. Quando se formou a Sociedade 
Britnica, a Bblia havia sido impressa e circulara em cinqenta lnguas. Desde 
ento foi traduzida em mais de duas mil lnguas e dialetos.
Durante os cinqenta anos anteriores a 1792, pouca ateno se dera  obra das 
misses estrangeiras. Nenhuma nova sociedade se formou, e no havia seno 
poucas igrejas que faziam algum esforo para a propagao do cristianismo nas 
terras gentlicas. Mas pelo fim do sculo XVIII, grande
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mudana ocorreu. Os homens se tornaram descontentes com os resultados do 
racionalismo e compenetraram-se da necessidade da revelao divina e da religio 
experimental. Desde esse tempo a obra das misses estrangeiras tem atingido 
crescimento sem precedentes.
Os aperfeioamentos da imprensa deram impulso  obra da circulao da Escritura 
Sagrada. As ampliadas facilidades de comunicao entre os diferentes pases, a 
runa de antigas barreiras de preconceitos e exclusivismo nacional, e a perda do 
poder secular pelo pontfice de Roma, tm aberto o caminho para a entrada da 
Palavra de Deus. H anos a Bblia tem sido vendida sem restries nas ruas de 
Roma, e atualmente est sendo levada a cada parte habitvel do globo.
O incrdulo Voltaire jactanciosamente disse certa vez: Estou cansado de ouvir 
dizer que doze homens estabeleceram a religio crist. Eu provarei que basta um 
homem para suprimi-la. Faz mais de um sculo que morreu. Milhes tm aderido 
 guerra contra a Escritura Sagrada. Mas to longe est de ser destruda que, 
onde havia cem no tempo de Voltaire, h hoje dez mil, ou antes, cem mil 
exemplares do Livro de Deus. Nas palavras de um primitivo reformador, relativas  
igreja crist, a Bblia  uma bigorna que tem gasto muitos martelos. Disse o 
Senhor: Toda a ferramenta preparada contra ti, no prosperar; e toda a lngua 
que se levantar contra ti em juzo, tu a condenars. Isa. 54:17.
A Palavra de nosso Deus subsiste eternamente. Fiis [so] todos os Seus 
mandamentos. Permanecem firmes para todo o sempre; so feitos em verdade e 
retido. Sal. 111:7 e 8. O que quer que seja edificado sobre a autoridade do 
homem ser destrudo; mas subsistir eternamente o que se acha fundado sobre a 
rocha da imutvel Palavra de Deus.
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O Mais Sagrado Direito
do Homem
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Os reformadores ingleses, conquanto renunciassem s doutrinas do romanismo, 
retiveram muitas de suas formas. Assim, posto que rejeitados a autoridade e o 
credo de Roma, no poucos de seus costumes e cerimnias foram incorporados ao 
culto da Igreja Anglicana. Alegava-se que essas coisas no constituam questes 
de conscincia, e que, embora no ordenadas nas Escrituras, e conseguintemente 
no essenciais, no eram ms em si mesmas, visto no serem proibidas. Sua 
observncia tendia a diminuir o abismo que separava de Roma as igrejas 
reformadas, e insistia-se que promoveriam a aceitao da f protestante pelos 
romanistas.
Aos conservadores e condescendentes, pareciam decisivos estes argumentos. 
Havia, porm, outra classe que assim no pensava. O fato de que esses costumes 
tendiam a lanar uma ponte sobre o abismo entre Roma e a Reforma (Martyn), 
era em sua opinio um argumento conclusivo contra o ret-los. Olhavam para eles 
como distintivos da escravido de que haviam sido libertados, e para a qual no se 
sentiam dispostos a voltar. Raciocinavam que Deus, em Sua Palavra, estabeleceu 
regras para ordenar o Seu culto, e que os homens no esto na liberdade de 
acrescentar a essas regras ou delas tirar qualquer coisa. O princpio mesmo da 
grande apostasia consistiu em procurar fazer da autoridade da igreja um 
suplemento da
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autoridade de Deus. Roma comeou por ordenar o que Deus no tinha proibido, e 
acabou por proibir o que Ele havia explicitamente ordenado.
Muitos desejavam fervorosamente voltar  pureza e simplicidade que 
caracterizavam a igreja primitiva. Consideravam muitos dos costumes 
estabelecidos pela Igreja Anglicana como monumentos da idolatria, e no podiam 
conscienciosamente unir-se a seu culto. Mas a igreja, apoiada pela autoridade 
civil, no permitia opinies contrrias s suas formas. A assistncia aos seus 
cultos era exigida por lei, e proibiam-se as assemblias para culto que no 
tivessem autorizao, sob pena de encarceramento, exlio e morte.
No incio do sculo XVII, o monarca que acabara de subir ao trono da Inglaterra 
declarou sua deciso de fazer com que os puritanos se conformassem ou  
oprimi-los-ia para sarem do pas, ou faria coisa pior.  Histria dos Estados 
Unidos da Amrica, George Bancroft. Perseguidos e aprisionados, no podiam 
divisar no futuro vislumbres de melhores dias, e muitos chegaram  convico de 
que, para os que quisessem servir a Deus segundo os ditames de sua conscincia, 
a Inglaterra estava deixando de ser para sempre um lugar habitvel.  Histria 
da Nova Inglaterra, J. G. Palfrey. Alguns resolveram, por fim, buscar refgio na 
Holanda. Encararam dificuldades, prejuzos e priso. Seus intuitos foram 
contrariados, e eles entregues s mos de seus inimigos. Mas a inabalvel 
perseverana venceu finalmente, e encontraram abrigo nas praias amigas da 
repblica holandesa.
Em sua fuga deixaram casas, bens e meios de vida. Eram estrangeiros em terra 
estranha, entre um povo de lngua e costumes diferentes. Foram obrigados a 
recorrer a ocupaes novas e a que no estavam afeitos, a fim de ganhar o po. 
Homens de meia-idade, que haviam despendido a vida no cultivo do solo, tiveram 
agora de aprender ofcios mecnicos. Animadamente, porm, enfrentaram a 
situao, e no perderam tempo em ociosidade ou murmuraes. Posto que 
muitas vezes premidos pela pobreza, agradeciam a Deus as bnos que
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ainda lhes eram concedidas, e encontravam alegria na tranqila comunho 
espiritual. Sabiam que eram peregrinos, e no olhavam muito para essas coisas, 
mas levantavam os olhos ao Cu, seu mais caro pas, e acalmavam o esprito.  
Bancroft.
Em meio de exlio e agruras, cresciam o amor e a f. Confiavam nas promessas do 
Senhor, e Ele no faltava com elas no tempo de necessidade. Seus anjos estavam 
a seu lado, para anim-los e ampar-los. E, quando a mo de Deus pareceu 
apontar-lhes atravs do mar uma terra em que poderiam fundar para si um Estado 
e deixar a seus filhos o precioso legado da liberdade religiosa, seguiram eles, sem 
se arrecear, pela senda da Providncia.
Deus permitira que viessem provaes a Seu povo a fim de prepar-lo para o 
cumprimento de Seu misericordioso propsito em relao a ele. A igreja sofrera 
humilhaes, para que pudesse ser exaltada. Deus estava a ponto de ostentar o 
Seu poder em favor dela, para dar ao mundo outra prova de que no abandonar 
os que nEle confiam. Dispusera os acontecimentos de maneira a fazer com que a 
ira de Satans e as tramas de homens maus promovessem a Sua glria e 
levassem Seu povo a um lugar de segurana. A perseguio e o exlio estavam 
abrindo o caminho para a liberdade.
Quando constrangidos pela primeira vez a separar-se da Igreja Anglicana, os 
puritanos se uniram em solene concerto, como o povo livre do Senhor, para 
andarem juntos em todos os Seus caminhos, por eles conhecidos ou a serem 
conhecidos.  Os Pais Peregrinos, J. Brown. Ali estava o verdadeiro esprito da 
Reforma, o princpio vital do protestantismo. Foi com este intuito que os 
peregrinos partiram da Holanda para buscar um lar no Novo Mundo. Joo 
Robinson, seu pastor, que providencialmente foi impedido de os acompanhar, em 
sua mensagem de despedida aos exilados, disse:
Irmos: Em breve havemos de separar-nos, e s o Senhor sabe se viverei para 
que de novo veja o vosso rosto. Mas, seja qual for a divina vontade, conjuro-vos 
perante Deus e Seus
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santos anjos que no me sigais alm do que eu haja seguido a Cristo. Se Deus vos 
revelar algo mediante qualquer outro instrumento Seu, sede to prontos para 
receb-lo como sempre fostes para acolher qualquer verdade por intermdio de 
meu ministrio; pois estou seguro de que o Senhor tem mais verdade e luz, a 
irradiar de Sua Palavra.  Martyn.
De minha parte, no posso deplorar suficientemente a condio das igrejas 
reformadas, que, em religio, chegaram a um perodo estacionrio, e no iro 
agora mais longe do que os instrumentos de sua reforma. Os luteranos no 
podero ser arrastados a ir alm do que Lutero viu;  e os calvinistas, vs os 
vedes, estacam onde foram deixados por aquele grande homem de Deus, que no 
vira contudo todas as coisas. Esta  uma calamidade muito para se lamentar; pois, 
embora fossem luzes a arder e brilhar em seu tempo, no penetraram em todo o 
conselho de Deus; mas, se vivessem hoje, estariam to dispostos a receber mais 
luz como o estiveram para aceitar a que a princpio acolheram.  Histria dos 
Puritanos, D. Neal.
Lembrai-vos de vosso concerto com a igreja, no qual concordastes em andar em 
todos os caminhos do Senhor, j revelados ou por serem ainda revelados. 
Lembrai-vos de vossa promessa e concerto com Deus, e de uns com os outros, de 
aceitar qualquer luz e verdade que se vos fizesse conhecida pela Palavra escrita; 
mas, alm disso, tende cuidado, eu vos rogo, com o que recebeis por verdade, e 
comparai-o, pesai-o com outros textos da verdade antes de o aceitar; pois no  
possvel que o mundo cristo, depois de haver por tanto tempo permanecido em 
to densas trevas anticrists, obtivesse de pronto um conhecimento perfeito em 
todas as coisas.  Martyn.
Foi o desejo de liberdade de conscincia que inspirou os peregrinos a enfrentar os 
perigos da longa jornada atravs do mar, a suportar as agruras e riscos das selvas 
e lanar, com a bno de Deus, nas praias da Amrica do Norte, o fundamento de 
uma poderosa nao. Entretanto, sinceros e tementes a Deus como eram, os 
peregrinos no compreendiam ainda o grande
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princpio da liberdade religiosa. A liberdade, por cuja obteno tanto se haviam 
sacrificado, no estavam igualmente dispostos a conceder a outros. Muito poucos, 
mesmo dentre os mais eminentes pensadores e moralistas do sculo XVII, tinham 
exata concepo do grandioso princpio  emanado do Novo Testamento  que 
reconhece a Deus como nico juiz da f humana.  Martyn.
A doutrina de que Deus confiara  igreja o direito de reger a conscincia e de 
definir e punir a heresia,  um dos erros papais mais profundamente arraigados. 
Conquanto os reformadores rejeitassem o credo de Roma, no estavam 
inteiramente livres de seu esprito de intolerncia. As densas trevas em que, 
atravs dos longos sculos de domnio, havia o papado envolvido a cristandade 
inteira, no tinham sido mesmo ento completamente dissipadas. Disse um dos 
principais ministros da colnia da Baa de Massachusetts: Foi a tolerncia que 
tornou o mundo anticristo; e a igreja nunca sofreu dano com a punio dos 
hereges.  Martyn. Foi adotado pelos colonos o regulamento de que apenas 
membros da igreja poderiam ter voz ativa no governo civil. Formou-se uma 
espcie de Estado eclesistico, exigindo-se de todo o povo que contribusse para o 
sustento do clero, concedendo-se aos magistrados autorizao para suprimir a 
heresia. Assim, o poder secular encontrava-se nas mos da igreja. No levou 
muito tempo para que estas medidas tivessem o resultado inevitvel: a 
perseguio.
Onze anos depois do estabelecimento da primeira colnia, Roger Williams veio ao 
Novo Mundo. Semelhantemente aos primeiros peregrinos, viera para gozar de 
liberdade religiosa; mas, divergindo deles, viu (o que to poucos em seu tempo j 
haviam visto) que esta liberdade  direito inalienvel de todos, seja qual for o 
credo professado. E era ele fervoroso inquiridor da verdade, sustentando, 
juntamente com Robinson, ser impossvel que toda a luz da Palavra de Deus j 
houvesse sido recebida. Williams foi a primeira pessoa da cristandade moderna a 
estabelecer o governo civil sobre a doutrina da liberdade de conscincia, da 
igualdade de opinies perante a lei. 
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Bancroft. Declarou ser o dever do magistrado restringir o crime, mas nunca 
dominar a conscincia. O pblico ou os magistrados podem decidir, disse, o que 
 devido de homem para homem; mas, quando tentam prescrever os deveres do 
homem para com Deus, esto fora de seu lugar, e no poder haver segurana; 
pois  claro que, se o magistrado tem esse poder, pode decretar um conjunto de 
opinies ou crenas hoje e outro amanh, como tem sido feito na Inglaterra por 
diferentes reis e rainhas, e por diferentes papas e conclios na Igreja Romana, de 
maneira que semelhante crena degeneraria em acervo de confuso.  Martyn.
A assistncia aos cultos da igreja oficial era exigida sob pena de multa ou priso. 
Williams reprovou a lei; o pior regulamento do Cdigo ingls era o que tornava 
obrigatria a assistncia  igreja da parquia. Obrigar os homens a unirem-se aos 
de credo diferente, considerava ele como flagrante violao de seus direitos 
naturais; arrastar ao culto pblico os irreligiosos e os que no queriam, apenas se 
assemelhava a exigir a hipocrisia.  Ningum deveria ser obrigado a fazer culto, 
acrescentava ele, ou custear um culto, contra a sua vontade. Pois qu? 
exclamavam seus antagonistas, aterrados com os seus dogmas, no  o obreiro 
digno de seu salrio? Sim, replicou ele, dos que o assalariam.  Bancroft.
Roger Williams era respeitado e amado como ministro fiel e homem de raros dons, 
de inflexvel integridade e verdadeira benevolncia; contudo, sua inabalvel 
negao do direito dos magistrados civis  autoridade sobre a igreja, e sua petio 
de liberdade religiosa, no podiam ser toleradas. A aplicao desta nova doutrina, 
dizia-se insistentemente, subverteria o fundamento do Estado e do governo do 
pas.  Bancroft. Foi sentenciado a ser banido das colnias, e finalmente, para 
evitar a priso, obrigado a fugir para a floresta virgem, debaixo do frio e das 
tempestades do inverno.
Durante catorze semanas, diz ele, fui dolorosamente torturado pelas 
inclemncias do tempo, sem saber o que era po ou cama. Mas os corvos me 
alimentaram no deserto. E
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uma rvore oca muitas vezes lhe serviu de abrigo.  Martyn. Assim continuou a 
penosa fuga atravs da neve e das florestas, at que encontrou refgio numa tribo 
indgena, cuja confiana e afeio conquistara enquanto se esforava por lhes 
ensinar as verdades do evangelho.
Tomando finalmente, depois de meses de sofrimentos e vagueaes, rumo s 
praias da Baa de Narragansett, lanou ali os fundamentos do primeiro Estado dos 
tempos modernos que, no mais amplo sentido, reconheceu o direito da liberdade 
religiosa.
O princpio fundamental da colnia de Roger Williams era que todo homem teria 
liberdade para adorar a Deus segundo os ditames de sua prpria conscincia.  
Martyn. Seu pequeno Estado  Rhode Island  tornou-se o refgio dos oprimidos, 
e cresceu e prosperou at que seus princpios bsicos  a liberdade civil e religiosa 
 se tornaram as pedras angulares da Repblica Americana.
No grandioso e antigo documento que aqueles homens estabeleceram como a 
carta de seus direitos  a Declarao de Independncia  afirmavam: 
Consideramos como verdade evidente que todas as pessoas foram criadas iguais; 
que foram dotadas por seu Criador de certos direitos inalienveis, encontrando-se 
entre estes a vida, a liberdade e a busca da felicidade. E a Constituio garante, 
nos termos mais explcitos, a inviolabilidade da conscincia: Nenhum requisito 
religioso jamais se exigir como qualificao para qualquer cargo de confiana 
pblica nos Estados Unidos. O Congresso no far nenhuma lei que estabelea 
uma religio ou proba seu livre exerccio.
Os elaboradores da Constituio reconheceram o eterno princpio de que a relao 
do homem para com o seu Deus est acima de legislao humana, e de que seus 
direitos de conscincia so inalienveis. No foi necessrio o raciocnio para 
estabelecer esta verdade; temos conscincia dela em nosso prprio ntimo.  essa 
conscincia que, em desafio s leis humanas, tem sustentado tantos mrtires nas 
torturas e nas chamas. Sentiam que seu dever para com Deus era superior s
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ordenanas humanas, e que nenhum homem poderia exercer autoridade sobre sua 
conscincia.  um princpio inato que nada pode desarraigar.  Documentos do 
Congresso (Estados Unidos da Amrica do Norte).
Espalhando-se pelos pases da Europa a notcia de uma terra onde todo homem 
gozava o fruto de seu prprio trabalho, obedecendo s convices de sua 
conscincia, milhares se concentraram nas praias do Novo Mundo. Multiplicaram-
se rapidamente as colnias. Massachusetts, em virtude de lei especial, estendia 
cordiais boas-vindas e auxlio,  expensa pblica, aos cristos de qualquer 
nacionalidade que fugissem atravs do Atlntico para escaparem de guerras ou 
fome, ou da opresso de seus perseguidores. Assim os fugitivos e opressos pela 
lei se faziam hspedes da comunidade pblica.  Martyn. Vinte anos depois do 
primeiro embarque de Plymouth, outros tantos milhares de peregrinos se tinham 
estabelecido na Nova Inglaterra.
A fim de assegurarem o objetivo que procuravam, contentavam-se com ganhar 
parca subsistncia, por uma vida de frugalidade e labuta. Nada pediam do solo 
seno o razovel produto de seu prprio labor. Nenhuma viso dourada projetava 
falsa luz sobre seu caminho.  Estavam contentes com o progresso vagaroso mas 
firme de sua poltica social. Suportavam pacientemente as privaes do serto, 
regando a rvore da liberdade com lgrimas e com o suor de seu rosto, at deitar 
ela profundas razes na terra.
A Escritura Sagrada era tida como fundamento da f, a fonte da sabedoria e a 
carta da liberdade. Seus princpios eram diligentemente ensinados no lar, na 
escola e na igreja, e seus frutos se faziam manifestos na economia, inteligncia, 
pureza e temperana. Poderia algum morar durante anos nas colnias dos 
puritanos, e no ver um bbado nem ouvir uma imprecao ou encontrar um 
mendigo.  Bancroft. Estava demonstrado que os princpios da Bblia constituem 
a mais segura salvaguarda da grandeza nacional. As fracas e isoladas colnias 
desenvolveram-se em confederao de poderosos Estados, e o mundo notava com 
admirao a paz e prosperidade de uma igreja sem papa e um Estado sem rei.
Mas as praias da Amrica do Norte atraam um nmero de
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imigrantes sempre maior, em que atuavam motivos grandemente diversos dos que 
nortearam os primeiros peregrinos. Conquanto a f e a pureza primitiva 
exercessem ampla e modeladora influncia, veio a tornar-se cada vez menor ao 
aumentar o nmero dos que buscavam unicamente vantagens seculares.
O regulamento adotado pelos primeiros colonos, permitindo apenas a membros da 
igreja votar ou ocupar cargos no governo civil, teve os mais perniciosos 
resultados. Esta medida fora aceita como meio para preservar a pureza do Estado, 
mas resultou na corrupo da igreja. Estipulando-se o professar religio como 
condio para o sufrgio e para o exerccio de cargos pblicos, muitos, 
influenciados apenas por motivos de convenincia mundana, uniram-se  igreja 
sem mudana de corao. Assim as igrejas vieram a compor-se, em considervel 
proporo, de pessoas no convertidas; e mesmo no ministrio havia os que no 
somente mantinham erros de doutrinas, mas que eram ignorantes acerca do poder 
renovador do Esprito Santo. Assim novamente se demonstraram os maus 
resultados, tantas vezes testemunhados na histria da igreja, desde os dias de 
Constantino at ao presente, de procurar edificar a igreja com o auxlio do Estado, 
apelando para o poder temporal em apoio do evangelho dAquele que declarou: 
Meu reino no  deste mundo. Joo 18:36. A unio da Igreja com o Estado, no 
importa quo fraca possa ser, conquanto parea levar o mundo mais perto da 
igreja, no leva, em realidade, seno a igreja mais perto do mundo.
O grande princpio to nobremente advogado por Robinson e Rogrio Williams, de 
que a verdade  progressiva, de que os cristos devem estar prontos para aceitar 
toda a luz que resplandecer da santa Palavra de Deus, foi perdido de vista por 
seus descendentes. As igrejas protestantes da Amrica do Norte, assim como as 
da Europa, to altamente favorecidas pelo recebimento das bnos da Reforma, 
deixaram de prosseguir na senda que se haviam traado. Posto que de tempos em 
tempos surgissem alguns homens fiis, a fim de proclamar novas verdades e 
denunciar erros longamente acariciados, a maioria, como os judeus
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do tempo de Cristo ou os romanistas do tempo de Lutero, contentava-se em crer 
como creram seus pais, e viver como eles viveram. Portanto, a religio degenerou 
novamente em formalismo; e erros e supersties que, houvesse a igreja 
continuado a andar  luz da Palavra de Deus, teriam sido repudiados, foram 
acalentados e retidos. Destarte, o esprito que fora inspirado pela Reforma, foi 
gradualmente arrefecendo at haver quase to grande necessidade de reforma nas 
igrejas protestantes como na igreja romana ao tempo de Lutero. Havia o mesmo 
mundanismo e apatia espiritual, idntica reverncia s opinies de homens, e 
substituio dos ensinos da Palavra de Deus pelas teorias humanas.
A ampla circulao da Escritura Sagrada nos princpios do sculo XIX, e a grande 
luz assim derramada sobre o mundo, no foram seguidas de um correspondente 
progresso no conhecimento da verdade revelada e na piedade prtica. Satans no 
pde, como nos sculos anteriores, privar o povo da Palavra de Deus; esta foi 
posta ao alcance de todos; com o intuito porm, de ainda cumprir seu objetivo, 
levou muitos a t-la em pouca conta. Os homens negligenciavam pesquisar as 
Escrituras, e assim continuaram a aceitar falsas interpretaes e acalentar 
doutrinas que no tinham fundamento na Bblia.
Vendo o malogro de seus esforos em aniquilar a verdade pela perseguio, 
Satans de novo recorreu ao plano de condescendncia, que deu como resultado a 
grande apostasia e a formao da Igreja de Roma. Induziu os cristos a se 
aliarem, no com os pagos, mas com os que, por seu apego s coisas deste 
mundo, tinham demonstrado ser to verdadeiramente idlatras como o eram os 
adoradores de imagens de escultura. E os resultados desta unio no foram menos 
perniciosos ento do que nos sculos anteriores; o orgulho e a extravagncia eram 
incentivados sob o disfarce de religio, e as igrejas se tornaram corruptas. Satans 
continuou a perverter as doutrinas da Escritura Sagrada, e tradies que deveriam 
fazer a runa de milhes estavam a deitar profundas razes. A igreja mantinha e 
defendia essas tradies, em vez de contender pela f que uma vez foi dada aos 
santos. Assim se degradaram os princpios por que os reformadores tanto haviam 
realizado e sofrido.
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III. Esperana Triunfante
17
A Esperana que Infunde Alegria
Pg. 299
Uma das verdades mais solenes, e no obstante mais gloriosas, reveladas na 
Escritura Sagrada,  a da segunda vinda de Cristo, para completar a grande obra 
da redeno. Ao povo de Deus, por tanto tempo a peregrinar em sua jornada na 
regio e sombra da morte,  dada uma esperana preciosa e inspiradora de 
alegria, na promessa do aparecimento dAquele que  a ressurreio e a vida, a 
fim de levar de novo ao lar Seus filhos exilados. A doutrina do segundo advento , 
verdadeiramente, a nota tnica das Sagradas Escrituras. Desde o dia em que o 
primeiro par volveu os entristecidos passos para fora do den, os filhos da f tm 
esperado a vinda do Prometido, para quebrar o poder do destruidor e de novo 
lev-los ao Paraso perdido. Santos homens de outrora aguardavam o advento do 
Messias em glria, para a consumao de sua esperana. Enoque, apenas o stimo 
na descendncia dos que habitaram no den, e que na Terra durante trs sculos 
andou com Deus, teve permisso para contemplar de muito longe a vinda do 
Libertador. Eis que  vindo o Senhor, declarou ele, com milhares de Seus 
santos, para fazer juzo contra todos. Jud. 14 e 15. O patriarca J, na noite de 
sua aflio, exclamou com inabalvel confiana: Eu sei que o meu Redentor vive, 
e que por fim Se levantar sobre a Terra:  ainda em minha carne verei a Deus. 
V-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e no outros, O vero. J 19:25-27.
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A vinda de Cristo, para inaugurar o reino de justia, tem inspirado as mais 
sublimes e exaltadas declaraes dos escritores sagrados. Os poetas e videntes da 
Bblia dela trataram com palavras incendidas de fogo celestial. O salmista cantou 
do poder e majestade do Rei de Israel: Desde Sio, a perfeio da formosura, 
resplandeceu Deus. Vir o nosso Deus, e no Se calar.  Chamar os cus, do 
alto, e a Terra, para julgar o Seu povo. Sal. 50:2-4. Alegrem-se os cus, e 
regozije-se a Terra:  ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a 
Terra: julgar o mundo com justia, e os povos com a Sua verdade. Sal. 96:11-
13.
Disse o profeta Isaas: Despertai e exultai, os que habitais no p, porque o teu 
orvalho ser como o orvalho das ervas, e a terra lanar de si os mortos. Os teus 
mortos vivero, os teus mortos ressuscitaro. Aniquilar a morte para sempre, e 
assim enxugar o Senhor Jeov as lgrimas de todos os rostos, e tirar o oprbrio 
do Seu povo de toda a Terra; porque o Senhor o disse. E, naquele dia se dir: Eis 
que este  o nosso Deus, a quem aguardvamos, e Ele nos salvar; este  o 
Senhor, a quem aguardvamos; na Sua salvao gozaremos e nos alegraremos. 
Isa. 26:19; 25:8 e 9.
E Habacuque, transportado em santa viso, contemplou Seu aparecimento. Deus 
veio de Tem e o Santo do monte de Par. A Sua glria cobriu os cus, e a Terra 
encheu-se de Seu louvor. E o Seu resplendor era como a luz. Parou, e mediu a 
Terra; olhou, e separou as naes; e os montes perptuos foram esmiuados, os 
outeiros eternos se encurvaram; o andar eterno  Seu. Andaste sobre Teus 
cavalos, e Teus carros de salvao. Os montes Te viram, e tremeram:  deu o 
abismo a sua voz, levantou as suas mos ao alto. O Sol e a Lua
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pararam nas suas moradas; andaram  luz das Tuas frechas, ao resplendor do 
relmpago da Tua lana. Tu saste para salvamento do teu povo, para 
salvamento do Teu Ungido. Hab. 3:3-13.
Quando o Salvador estava prestes a separar-Se de Seus discpulos, confortou-os 
em sua tristeza com a segurana de que viria outra vez: No se turbe o vosso 
corao.  Na casa de Meu Pai h muitas moradas.  Vou preparar-vos lugar. E, 
se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo. 
Joo 14:1-3. E quando o Filho do homem vier em Sua glria, e todos os santos 
anjos com Ele, ento Se assentar no trono de Sua glria. E todas as naes sero 
reunidas diante dEle. Mat. 25:31 e 32.
Os anjos que por momentos se detiveram no Monte das Oliveiras depois da 
ascenso de Cristo, repetiram aos discpulos a promessa de Sua volta: Esse 
Jesus, que dentre vs foi recebido em cima no Cu, h de vir assim como para o 
Cu O vistes ir. Atos 1:11. E o apstolo Paulo, falando pelo Esprito de inspirao, 
testificou: O mesmo Senhor descer do Cu com alarido, e com voz de Arcanjo, e 
com a trombeta de Deus. I Tess. 4:16. Diz o profeta de Patmos: Eis que Ele vem 
com as nuvens, e todo o olho O ver. Apoc. 1:7.
Em torno de Sua vinda agrupam-se as glrias daquela restaurao de tudo, de 
que Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas desde o princpio. 
Atos 3:21. Quebrar-se- ento o prolongado domnio do mal; os reinos do 
mundo tornar-se-o de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinar para todo o 
sempre. Apoc. 11:15. A glria do Senhor se manifestar, e toda carne 
juntamente a ver. O Senhor Jeov far brotar a justia e o louvor para todas as 
naes. Ele ser por coroa gloriosa, e por grinalda formosa, para os restantes de 
Seu povo. Isa. 40:5; 61:11; 28:5.
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Pg. 302
 ento que o pacfico e longamente almejado reino do Messias se estabelecer 
sob todo o cu. O Senhor consolar a Sio; consolar a todos os seus lugares 
assolados, e far os seus desertos como o den, e a sua solido como o jardim do 
Senhor. A glria do Lbano se lhe deu, a excelncia do Carmelo e Sarom. 
Nunca mais te chamaro: Desamparada, nem  tua terra se denominar jamais: 
Assolada; mas chamar-te-o: Meu deleite; e  tua terra: Beul. Como o noivo se 
alegra da noiva, assim Se alegrar de ti o teu Deus. Isa. 51:3; 35:2; 62:4 e 5.
A vinda do Senhor tem sido em todos os sculos a esperana de Seus verdadeiros 
seguidores. A ltima promessa do Salvador no Monte das Oliveiras, de que Ele 
viria outra vez, iluminou o futuro a Seus discpulos, encheu-lhes o corao de 
alegria e esperana que as tristezas no poderiam apagar nem as provaes 
empanar. Em meio de sofrimento e perseguio, o aparecimento do grande Deus 
e nosso Salvador Jesus Cristo foi a bem-aventurada esperana. Quando os 
cristos tessalonicenses estavam cheios de pesar ao sepultarem os seus queridos, 
que haviam esperado viver para testemunharem a vinda de Jesus, Paulo, seu 
instrutor, apontou-lhes a ressurreio a ocorrer por ocasio do advento do 
Salvador. Ento os mortos em Cristo ressurgiriam, e juntamente com os vivos 
seriam arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. E assim, disse ele, 
estaremos sempre com o Senhor. Portanto consolai-vos uns aos outros com estas 
palavras. I Tess. 4:16-18.
Na rochosa ilha de Patmos o discpulo amado ouve a promessa: Certamente cedo 
venho, e em sua anelante resposta sintetiza a prece da igreja em toda a sua 
peregrinao: Amm. Ora vem, Senhor Jesus. Apoc. 22:20.
Do calabouo, da tortura, da forca, onde santos e mrtires testificaram da 
verdade, vem atravs dos sculos a voz de sua f e esperana. Estando certos da 
ressurreio pessoal de Cristo e, por conseguinte, de sua prpria, por ocasio da 
vinda de Jesus, diz um desses cristos, desprezavam a morte, e verificava-se 
estarem acima dela.  O Reino de Cristo Sobre a
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Pg. 303
Terra, ou A Voz da Igreja em Todos os Sculos, Daniel T. Taylor. Estavam 
dispostos a descer ao tmulo, para que pudessem ressuscitar livres.  A Voz da 
Igreja, Taylor. Esperavam pelo Senhor a vir do Cu, nas nuvens, com a glria de 
Seu Pai, trazendo aos justos os tempos do reino. Os valdenses acariciavam a 
mesma f.  Taylor. Wycliffe aguardava o aparecimento do Redentor, como a 
esperana da igreja.  Ibidem.
Lutero declarou: Conveno-me, em verdade, de que o dia do juzo no est para 
alm de trezentos anos. Deus no quer, no pode suportar por muito tempo mais 
este mpio mundo. Aproxima-se o grande dia, em que se subverter o rei da 
abominao.  Ibidem.
Este velho mundo no est longe de seu fim, disse Melncton. Calvino manda 
aos cristos no hesitarem, desejando ardentemente o dia da vinda de Cristo 
como o mais auspicioso de todos os acontecimentos; e declara que a famlia 
inteira dos fiis conservar em vista aquele dia. Devemos ter fome de Cristo, 
devemos busc-Lo, contempl-Lo, diz ele at  aurora daquele grande dia, em 
que o nosso Senhor amplamente manifestar a glria do Seu Reino.  Ibidem.
No levou nosso Senhor Jesus nossa carne para o Cu? disse Knox, o reformador 
escocs, e no voltar Ele? Sabemos que voltar, e isso dentro em breve. Ridley 
e Latimer, que depuseram a vida pela verdade, esperaram pela f a vinda do 
Senhor. Ridley escreveu: O mundo, creio-o eu e portanto o digo, chegar sem 
dvida ao fim. De corao clamemos com Joo, o servo de Deus, a Cristo nosso 
Salvador: Vem, Senhor Jesus, vem.  Ibidem.
Os pensamentos que se relacionam com a vinda do Senhor, disse Baxter, so 
dulcssimos e mui gozosos para mim.  Obras, Richard Baxter.  a obra da f, e 
do carter de Seus santos, amar Seu aparecimento e aguardar o cumprimento da 
bem-aventurada esperana. Se a morte  o ltimo inimigo a ser destrudo na 
ressurreio, podemos saber quo fervorosamente deveriam os crentes anelar a 
segunda vinda de Cristo e por ela orar, sendo ento que tal vitria, ampla e
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final, ser alcanada.  Ibidem. Este  o dia que todos os crentes devem 
almejar, esperar e aguardar, como cumprimento de toda a obra de sua redeno, 
e de todos os desejos e esforos de sua alma. Apressa,  Senhor, este bem-
aventurado dia!  Baxter. Esta foi a esperana da igreja apostlica, da igreja no 
deserto, e dos reformadores.
A profecia no somente prediz a maneira e objetivo da vinda de Cristo, mas 
apresenta sinais pelos quais os homens podem saber quando a mesma est 
prxima. Disse Jesus: Haver sinais no Sol, na Lua, e nas estrelas. Luc. 21:25. 
O Sol escurecer, e a Lua no dar a sua luz. E as estrelas cairo do cu, e as 
foras que esto no cu sero abaladas. E ento vero vir o Filho do homem nas 
nuvens, com grande poder e glria. Mar. 13:24-26. O profeta do Apocalipse assim 
descreve o primeiro dos sinais que precedem o segundo advento: Houve um 
grande tremor de terra; e o Sol tornou-se negro como saco de cilcio, e a Lua 
tornou-se como sangue. Apoc. 6:12.
Estes sinais foram testemunhados antes do incio do sculo XIX. Em cumprimento 
desta profecia ocorreu no ano 1755 o mais terrvel terremoto que j se registrou. 
Posto que geralmente conhecido por terremoto de Lisboa, estendeu-se pela maior 
parte da Europa, frica e Amrica do Norte. Foi sentido na Groenlndia, nas ndias 
Ocidentais, na Ilha da Madeira, na Noruega e Sucia, Gr-Bretanha e Irlanda. 
Abrangeu uma extenso de mais de dez milhes de quilmetros quadrados. Na 
frica, o choque foi quase to violento como na Europa. Grande parte da Arglia 
foi destruda; e, a pequena distncia de Marrocos, foi tragada uma aldeia de oito 
ou dez mil habitantes. Uma vasta onda varreu a costa da Espanha e da frica, 
submergindo cidades, e causando grande destruio.
Foi na Espanha e Portugal que o choque atingiu a maior violncia. Diz-se que em 
Cdiz a ressaca alcanou a altura de vinte metros. Montanhas, algumas das 
maiores de Portugal, foram impetuosamente sacudidas, como que at aos 
fundamentos; e algumas delas se abriram nos cumes, os quais se
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Pg. 305
partiram e rasgaram de modo maravilhoso, sendo delas arrojadas imensas massas 
para os vales adjacentes. Diz-se terem sado chamas dessas montanhas.  
Princpios de Geologia, Sir Charles Lyell.
Em Lisboa, um som como de trovo foi ouvido sob o solo e imediatamente depois 
violento choque derribou a maior parte da cidade. No lapso de mais ou menos seis 
minutos, pereceram sessenta mil pessoas. O mar a princpio se retirou, deixando 
seca a barra; voltou ento, levantando-se doze metros ou mais acima de seu nvel 
comum. Entre outros acontecimentos extraordinrios que se refere terem 
ocorrido em Lisboa durante a catstrofe, esteve o soobro do novo cais, construdo 
inteiramente de mrmore, com vultosa despesa. Grande nmero de pessoas ali se 
ajuntara em busca de segurana, sendo um local em que poderiam estar fora do 
alcance das runas que tombavam; subitamente, porm, o cais afundou com todo 
o povo sobre ele, e nenhum dos cadveres jamais flutuou na superfcie.  Lyell.
O choque do terremoto foi instantaneamente seguido da queda de todas as 
igrejas e conventos, de quase todos os grandes edifcios pblicos, e de mais da 
quarta parte das casas. Duas horas depois, aproximadamente, irromperam 
incndios em diferentes quarteires, e com tal violncia se alastraram pelo espao 
de quase trs dias, que a cidade ficou completamente desolada. O terremoto 
ocorreu num dia santo, em que as igrejas e conventos estavam repletos de gente, 
muito pouca da qual escapou.  Enciclopdia Americana, art. Lisboa. O terror do 
povo foi indescritvel. Ningum chorava; estava alm das lgrimas. Corriam para 
aqui e para acol, em delrio, com horror e espanto, batendo no rosto e no peito, 
exclamando: Misericrdia!  o fim do mundo! Mes esqueciam-se de seus filhos e 
corriam para qualquer parte, carregando crucifixos. Infelizmente, muitos corriam 
para as igrejas em busca de proteo; mas em vo foi exposto o sacramento; em 
vo as pobres criaturas abraaram os altares; imagens, padres e povo foram 
sepultados na runa comum. Calculou-se que noventa mil pessoas perderam a 
vida naquele dia fatal.
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Pg. 306
Vinte e cinco anos mais tarde apareceu o sinal seguinte mencionado na profecia  
o escurecimento do Sol e da Lua. O que tornou isto mais surpreendente foi o fato 
de que o tempo de seu cumprimento fora definidamente indicado. Na palestra do 
Salvador com Seus discpulos, no Monte das Oliveiras, depois de descrever o longo 
perodo de provao da igreja  os 1.260 anos da perseguio papal, 
relativamente aos quais prometera Ele ser abreviada a tribulao  mencionou 
Jesus certos acontecimentos que precederiam Sua vinda, e fixou o tempo em que 
o primeiro destes deveria ser testemunhado: Naqueles dias, depois daquela 
aflio, o Sol se escurecer, e a Lua no dar a sua luz. Mar. 13:24. Os 1.260 
dias, ou anos, terminaram em 1798. Um quarto de sculo antes, a perseguio 
tinha cessado quase inteiramente. Em seguida a esta perseguio, segundo as 
palavras de Cristo, o Sol deveria escurecer-se. A 19 de maio de 1780 cumpriu-se 
esta profecia.
nico ou quase nico em sua espcie pelo misterioso e at agora inexplicado 
fenmeno que nele se verificou  foi o dia escuro de 19 de maio de 1780  de 
inexplicvel escurido que cobriu todo o cu e atmosfera visveis em Nova 
Inglaterra.  Nosso Primeiro Sculo, R. M. Devens.
Uma testemunha ocular que vivia em Massachusetts, nestes termos descreve o 
acontecimento:
Pela manh surgiu claro o Sol, mas logo se ocultou. As nuvens se tornaram 
sombrias e delas, negras e ameaadoras como logo se mostraram, chamejavam 
relmpagos; ribombavam troves, caindo leve aguaceiro. Por volta das nove 
horas, as nuvens se tornaram mais finas, tomando uma aparncia bronzeada ou 
acobreada, e a terra, pedras, rvores, edifcios, gua e as pessoas tinham aspecto 
diferente por causa dessa estranha luz sobrenatural. Alguns minutos mais tarde, 
pesada nuvem negra se espalhou por todo o cu, exceto numa estreita orla do 
horizonte, e ficou to escuro como usualmente  s nove horas de uma noite de 
vero. 
Temor, ansiedade e pavor encheram gradualmente o esprito do povo. Mulheres 
ficavam  porta olhando para a negra
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paisagem; os homens voltavam de seus labores nos campos; o carpinteiro deixava 
as suas ferramentas, o ferreiro a forja, o negociante o balco. As aulas eram 
suspensas, e as crianas, tremendo, fugiam para casa. Os viajantes acolhiam-se  
fazenda mais prxima. O que ser? inquiriam todos os lbios e coraes. Dir-se-ia 
que um furaco estivesse prestes a precipitar-se sobre o pas, ou fosse o dia da 
consumao de todas as coisas.
Acenderam-se velas, e o fogo na lareira brilhava tanto como em noite de outono 
sem luar.  As aves retiravam-se para os poleiros e iam dormir; o gado ajuntava-
se no estbulo e berrava; as rs coaxavam; os pssaros entoavam seus gorjeios 
vespertinos; e os morcegos voavam em derredor. Mas os seres humanos sabiam 
que no era vinda a noite. 
O Dr. Natanael Whittaker, pastor da igreja do Tabernculo, em Salm, dirigia 
cerimnias religiosas na casa de culto e pregava um sermo no qual sustentou que 
as trevas eram sobrenaturais. Reuniram-se congregaes em muitos outros 
lugares. Os textos para esses sermes extemporneos eram invariavelmente os 
que pareciam indicar as trevas de acordo com a profecia bblica.  As trevas foram 
densssimas logo depois das onze horas.  The Essex Antiquarian, Salm, Mass., 
abril de 1899. Na maioria dos lugares do pas foram to grandes durante o dia, 
que as pessoas no podiam dizer a hora, quer pelo relgio de bolso quer pelo de 
parede, nem jantar, nem efetuar suas obrigaes domsticas, sem a luz de velas. 

A extenso dessas trevas foi extraordinria. Observaram-se na parte oriental at 
Falmouth. Para o oeste, atingiram a parte mais remota de Connecticut e Albany. 
Para o sul foram observadas ao longo das costas, e ao norte at onde se estende a 
colonizao americana.  Histria do Incio, Progressos e Estabelecimento da 
Independncia dos Estados Unidos, Dr. William Gordon.
Seguiu-se s intensas trevas daquele dia, uma ou duas horas, antes da noite, um 
cu parcialmente claro, e apareceu o Sol, posto que ainda obscurecido por negro e 
pesado nevoeiro. Depois do pr-do-sol, as nuvens novamente subiram, e
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escureceu muito rapidamente. Tampouco foram as trevas da noite menos 
incomuns e aterrorizadoras do que as do dia; no obstante haver quase lua cheia, 
nenhum objeto se distinguia a no ser com o auxlio de alguma luz artificial, que, 
quando vista das casas vizinhas ou de outros lugares a certa distncia, aparecia 
atravs de uma espcie de trevas egpcias, que se afiguravam quase 
impermeveis aos raios.  Massachusetts Spy, ou Orculo Americano da 
Liberdade, Thomas. Disse uma testemunha ocular daquela cena: No pude seno 
concluir, naquela ocasio que, se todos os corpos luminosos do Universo tivessem 
sido envoltos em sombras impenetrveis, ou arrancados da existncia, as trevas 
no teriam sido mais completas.  Carta pelo Dr. Samuel Tenney, de Exeter, N. 
H., dezembro de 1785. Posto que s nove horas daquela noite a Lua surgisse 
cheia, no produziu o mnimo efeito em relao quelas sombras sepulcrais. 
Depois de meia-noite as trevas se desvaneceram, e a Lua, ao tornar-se visvel, 
tinha a aparncia de sangue.
O dia 19 de maio de 1780 figura na Histria como o Dia Escuro. Desde o tempo 
de Moiss, nenhum perodo de trevas de igual densidade, extenso e durao, j 
se registrou. A descrio deste acontecimento, como a d uma testemunha ocular, 
no  seno um eco das palavras do Senhor, registradas pelo profeta Joel, dois mil 
e quinhentos anos antes de seu cumprimento: O Sol se converter em trevas, e a 
Lua em sangue, antes que venha o grande e terrvel dia do Senhor. Joel 2:31.
Cristo ordenara a Seu povo que atendesse aos sinais de seu advento e se 
regozijasse ao contemplar os indcios de seu vindouro Rei. Quando estas coisas 
comearem a acontecer, disse Ele, olhai para cima e levantai as vossas cabeas, 
porque a vossa redeno est prxima. Ele indicou a Seus seguidores as rvores 
a brotarem na primavera, e disse: Quando j tm rebentado, vs sabeis por vs 
mesmos, vendo-as, que perto est j o vero. Assim tambm vs, quando virdes
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acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus est perto. Luc. 21:28, 30 e 
31.
Mas como o esprito de humildade e devoo na igreja cedera lugar ao orgulho e 
formalismo, esfriaram o amor a Cristo e a f em Sua vinda. Absorto nas coisas 
mundanas e na busca de prazeres, o povo professo de Deus estava cego s 
instrues do Salvador relativas aos sinais de Seu aparecimento. A doutrina do 
segundo advento tinha sido negligenciada; os textos que a ela se referem foram 
obscurecidos por interpretaes errneas, a ponto de ficarem em grande parte 
esquecidos e ignorados. Especialmente foi este o caso nas igrejas da Amrica do 
Norte. A liberdade e conforto desfrutados por todas as classes da sociedade; o 
ambicioso desejo de haveres e luxo, de onde vem o absorvente empenho de 
adquirir dinheiro; a ansiosa procura de popularidade e poderio, que pareciam estar 
ao alcance de todos, levavam os homens a centralizar seus interesses e 
esperanas nas coisas desta vida, afastando ao futuro longnquo o dia solene em 
que passaria a presente ordem de coisas.
Quando o Salvador indicou a Seus seguidores os sinais de Sua volta, predisse o 
estado de apostasia que havia de existir precisamente antes de Seu segundo 
advento. Haveria, como nos dias de No, a atividade e a agitao das ocupaes 
mundanas e da procura de prazeres  comprar, vender, plantar, edificar, casar, 
dar-se em casamento  com olvido de Deus e da vida futura. Para os que viverem 
nesse tempo, a advertncia de Cristo : Olhai por vs, no acontea que os 
vossos coraes se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da 
vida, e venha sobre vs de improviso aquele dia. Vigiai, pois, em todo o tempo, 
orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que ho de 
acontecer e de estar em p diante do Filho do homem. Luc. 21:34 e 36.
A condio da igreja neste tempo  indicada nas palavras do Salvador, em 
Apocalipse: Tens nome de que vives, e ests
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morto. E aos que se recusam despertar de seu descuidoso sentimento de 
segurana,  dirigido este aviso solene: Se no vigiares, virei a ti como um 
ladro, e no sabers a que hora sobre ti virei. Apoc. 3:1 e 3.
Era necessrio que os homens fossem advertidos do perigo; que se despertassem 
a fim de preparar-se para os acontecimentos solenes ligados ao final do tempo da 
graa. Declara o profeta de Deus: O dia do Senhor  grande e mui terrvel e quem 
o poder sofrer? Quem estar em p quando aparecer Aquele que  to puro de 
olhos que no pode ver o mal, e no pode contemplar a vexao? Joel 2:11; Hab. 
1:13. Para os que clamam: Deus meu! ns  Te conhecemos, e no obstante 
tm traspassado Seu concerto, e se apressaram aps outro deus (Os. 8:2 e 1; 
Sal. 16:4), ocultando a iniqidade no corao e amando os caminhos da injustia, 
para esses o dia do Senhor so trevas e no luz, completa escuridade, sem 
nenhum resplendor. Ams 5:20. E h de ser que naquele tempo, diz o Senhor, 
esquadrinharei a Jerusalm com lanternas e castigarei os homens que esto 
assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu corao: O Senhor no faz bem 
nem mal. Sof. 1:12. Visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os mpios a sua 
iniqidade; e farei cessar a arrogncia dos atrevidos, e abaterei a soberba dos 
tiranos. Isa. 13:11. Nem a sua prata nem o seu ouro os poder livrar; ser 
saqueada a sua fazenda, e assoladas as suas casas. Sof. 1:18 e 13.
O profeta Jeremias, prevendo esse tempo terrvel, exclamou: Estou ferido no meu 
corao! No posso calar; porque tu,  minha alma, ouviste o som da trombeta e 
o alarido da guerra. Quebranto sobre quebranto se apregoa. Jer. 4:19 e 20.
Aquele dia  um dia de indignao, dia de angstia e de nsia, dia de alvoroo e 
desolao, dia de trevas e de escurido, dia de nuvens e de densas trevas, dia de 
trombeta e de alarido. Sof. 1:15 e 16. Eis que o dia do Senhor vem, 
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para pr a Terra em assolao e destruir os pecadores dela. Isa. 13:9.
Ante a perspectiva desse grande dia, a Palavra de Deus, com expresses as mais 
solenes e impressivas, apela para Seu povo a fim de que desperte da letargia 
espiritual e busque Sua face, com arrependimento e humilhao: Tocai a buzina 
em Sio, e clamai em alta voz no monte da Minha santidade. Perturbem-se todos 
os moradores da Terra, porque o dia do Senhor vem, ele est perto. Santificai 
um jejum, proclamai um dia de proibio. Congregai o povo, santificai a 
congregao, ajuntai os ancios, congregai os filhinhos,  saia o noivo da sua 
recmara, e a noiva do seu tlamo. Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, 
entre o alpendre e o altar.
Convertei-vos a Mim de todo o vosso corao; e isso com jejuns, e com choro, e 
com pranto. E rasgai o vosso corao e no os vossos vestidos, e convertei-vos ao 
Senhor vosso Deus; porque Ele  misericordioso, compassivo, e tardio em irar-Se, 
e grande em beneficncia. Joel 2:1, 15-17, 12 e 13.
A fim de preparar um povo para estar em p no dia de Deus, deveria realizar-se 
uma grande obra de reforma. Deus viu que muitos dentre Seu povo professo no 
estavam edificando para a eternidade, e em Sua misericrdia estava prestes a 
enviar uma mensagem de advertncia a fim de despert-los de seu torpor e lev-
los a preparar-se para a vinda de Jesus.
Esta advertncia, temo-la em Apocalipse 14. Apresenta-se-nos ali uma trplice 
mensagem como sendo proclamada por seres celestiais, e imediatamente seguida 
pela vinda do Filho do homem para recolher a colheita da Terra. A primeira dessas 
advertncias anuncia o juzo que se aproxima. O profeta contempla um anjo 
voando pelo meio do cu, tendo o evangelho eterno, para o proclamar aos que 
habitam sobre a Terra, e a toda a nao, e tribo, e lngua, e povo, dizendo com 
grande voz: Temei a Deus, e dai-Lhe glria; porque vinda  a hora do Seu juzo. E 
adorai Aquele que fez o Cu e a Terra, e o mar, e as fontes das guas. Apoc. 14:6 
e 7.
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Declara-se que esta mensagem  parte integrante do evangelho eterno. A obra 
de pregar o evangelho no foi cometida aos anjos, mas confiada aos homens. 
Santos anjos tm sido empregados na direo desta obra; tm eles a seu cargo os 
grandes movimentos para a salvao dos homens; mas a proclamao do 
evangelho propriamente dita  efetuada pelos servos de Cristo sobre a Terra.
Homens fiis, que eram obedientes aos impulsos do Esprito de Deus e aos ensinos 
de Sua Palavra, deveriam proclamar esta advertncia ao mundo. Eram eles os que 
haviam atendido  mui firme palavra dos profetas,  luz que alumia em lugar 
escuro, at que o dia esclarea, e a estrela da alva aparea. II Ped. 1:19. Tinham 
estado a buscar o conhecimento de Deus, mais do que a todos os tesouros 
escondidos, considerando-o melhor do que a mercadoria de prata, e a sua renda 
do que o ouro mais fino. Prov. 3:14. E Deus lhes revelou as grandes coisas do 
reino. O segredo do Senhor  para os que O temem; e Ele lhes far saber o Seu 
concerto. Sal. 25:14.
No foram os ilustrados telogos que tiveram compreenso desta verdade e se 
empenharam em proclam-la. Houvessem eles sido vigias fiis, pesquisando as 
Escrituras com diligncia e orao, e teriam conhecido o tempo da noite; as 
profecias ter-lhes-iam patenteado os acontecimentos prestes a ocorrer. Eles, 
porm, no assumiram tal atitude, e a mensagem foi confiada a homens mais 
humildes. Disse Jesus: Andai enquanto tendes luz, para que as trevas no vos 
apanhem. Joo 12:35. Os que se desviam da luz que Deus lhes deu, ou 
negligenciam busc-la quando est a seu alcance, so deixados em trevas. 
Declara, porm, o Salvador: Aquele que Me segue, no andar em trevas, mas 
ter a luz da vida. Joo 8:12. Quem quer que esteja, com singeleza de propsito, 
procurando fazer a vontade de Deus, atendendo fervorosamente  luz j dada, 
receber maior luz; ser enviada quela alma alguma estrela de fulgor celestial 
para gui-la em toda a verdade.
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Pg. 313
No tempo do primeiro advento de Cristo, os sacerdotes e escribas da santa cidade, 
a quem foram confiados os orculos de Deus, poderiam ter discernido os sinais dos 
tempos e proclamado a vinda do Prometido. A profecia de Miquias designou o 
lugar de Seu nascimento (Miq. 5:2); Daniel especificou o tempo em que viria 
(Dan. 9:25). Deus confiou estas profecias aos dirigentes judeus; estariam sem 
desculpas se no soubessem nem declarassem ao povo que a vinda do Messias 
estava s portas. Sua ignorncia era o resultado da pecaminosa negligncia. Os 
judeus estavam edificando tmulos aos profetas assassinados, enquanto pela 
deferncia com que tratavam os grandes homens da Terra prestavam homenagem 
aos servos de Satans. Absortos em suas ambiciosas lutas para conseguir posio 
e poderio entre os homens, perderam de vista as honras divinas que lhes eram 
oferecidas pelo Rei do Cu.
Com profundo e reverente interesse deveriam encontrar-se a estudar o lugar, o 
tempo, as circunstncias do grande acontecimento na histria universal  a vinda 
do Filho de Deus para cumprir a redeno do homem. Todo o povo deveria ter 
estado a vigiar e esperar para que pudessem achar-se entre os primeiros a dar as 
boas-vindas ao Redentor do mundo. Mas ai! em Belm, dois fatigados viajantes, 
procedentes das colinas de Nazar, percorrem em toda a extenso a estreita rua 
at  extremidade oriental da cidade, procurando em vo um lugar de repouso e 
abrigo para a noite. Porta alguma se achava aberta para os receber. Sob miservel 
telheiro preparado para o gado, encontram finalmente refgio, e ali nasce o 
Salvador do mundo.
Anjos celestiais tinham visto a glria de que o Filho de Deus participava com o Pai 
antes que o mundo existisse, e com profundo interesse haviam aguardado o Seu 
aparecimento na Terra, como uma ocorrncia repleta das maiores alegrias para 
todo o povo. Foram designados anjos para levar as alegres novas aos que estavam 
preparados para receb-las, e que alegremente as tornariam conhecidas aos 
habitantes da Terra. Cristo Se abatera para tomar sobre Si a natureza do homem; 
deveria Ele suportar um peso infinito de misrias ao fazer de
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Pg. 314
Sua alma oferta pelo pecado; todavia, desejavam os anjos que mesmo em Sua 
humilhao o Filho do Altssimo pudesse aparecer diante dos homens com uma 
dignidade e glria condizentes com Seu carter. Congregar-se-iam os grandes 
homens da Terra na capital de Israel para saudar a Sua vinda? Apresent-Lo-iam 
legies de anjos  multido expectante?
Um anjo visita a Terra a fim de ver quais os que se acham preparados para 
receber a Jesus. No pode, porm, distinguir sinal algum de expectao. No ouve 
voz alguma de louvor e triunfo, anunciando que o tempo da vinda do Messias est 
s portas. O anjo paira por algum tempo sobre a cidade escolhida e o templo onde 
a presena divina tinha sido manifestada durante sculos; mas, mesmo ali, h 
idntica indiferena. Os sacerdotes, em sua pompa e orgulho, esto oferecendo 
profanos sacrifcios no templo. Os fariseus esto em altas vozes discursando ao 
povo, ou fazendo jactanciosas oraes nas esquinas das ruas. Nos palcios dos 
reis, nas assemblias dos filsofos, nas escolas dos rabis, todos, de igual maneira, 
se acham inconscientes do maravilhoso fato que encheu todo o Cu de alegria e 
louvor  o fato de que o Redentor dos homens est prestes a aparecer na Terra.
Evidncia alguma h de que Cristo seja esperado, e nenhuns preparativos para o 
Prncipe da Vida. Com espanto est o mensageiro celestial prestes a voltar para o 
Cu com a desonrosa notcia, quando descobre alguns pastores que,  noite, 
vigiam seus rebanhos e, mirando o cu bordado de estrelas, meditam na profecia 
do Messias a vir  Terra, anelando o advento do Redentor do mundo. Ali se 
encontra um grupo que est preparado para receber a mensagem celestial. E 
subitamente o anjo do Senhor aparece anunciando as boas novas de grande 
alegria. A glria celestial inunda a plancie toda; aparece uma incontvel multido 
de anjos e, como se fora demasiado grande a alegria para um s mensageiro 
traz-la do Cu, uma multido de vozes irrompe em louvores que todas as naes 
dos salvos um dia entoaro: Glria a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade 
para com os homens. Luc. 2:14.
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Pg. 315
Oh! que lio encerra a maravilhosa histria de Belm! Quanto ela reprova a nossa 
incredulidade, nosso orgulho e amor-prprio! Quanto nos adverte a nos 
precavermos para que no acontea que pela nossa criminosa indiferena 
deixemos tambm de discernir os sinais dos tempos e, portanto, no conheamos 
o dia de nossa visitao!
No foi somente nas colinas da Judia, nem apenas entre os humildes pastores, 
que os anjos encontraram os que se achavam vigilantes pela vinda do Messias. Na 
terra dos gentios havia tambm os que por Ele esperavam; eram homens sbios, 
ricos e nobres filsofos do Oriente. Estudiosos da Natureza, haviam os magos visto 
a Deus em Sua obra. Pelas Escrituras hebraicas tinham aprendido acerca da 
Estrela que deveria surgir de Jac, e com ardente desejo esperavam a vinda 
dAquele que seria no somente a Consolao de Israel, mas uma luz para 
alumiar as naes, e salvao at os confins da Terra. Luc. 2:25 e 32; Atos 
13:47. Buscavam a luz, e luz procedente do trono de Deus iluminou-lhes o 
caminho para os ps. Enquanto os sacerdotes e rabis de Jerusalm, os pretensos 
depositrios e expositores da verdade, se encontravam envoltos em trevas, a 
estrela enviada pelo Cu guiou os estrangeiros gentios ao lugar do nascimento do 
recm-nascido Rei.
 para os que O esperam que Cristo deve aparecer a segunda vez, sem pecado, 
para a salvao (Heb. 9:28). Semelhantemente s novas do nascimento do 
Salvador, a mensagem do segundo advento no foi confiada aos dirigentes 
religiosos do povo. Eles no haviam preservado sua unio com Deus, recusando a 
luz do Cu; no eram, portanto, do nmero descrito pelo apstolo Paulo: Mas vs, 
irmos, j no estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um 
ladro; porque todos vs sois filhos da luz e filhos do dia; ns no somos da noite 
nem das trevas. I Tess. 5:4 e 5.
Os vigias sobre os muros de Sio deveriam ter sido os primeiros a aprender as 
novas do advento do Salvador, os primeiros a alar a voz para proclamar achar-Se 
Ele perto, os primeiros a advertir o povo a fim de que se preparasse para a Sua
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Pg. 316
vinda. Entregavam-se, porm, ao comodismo, sonhando em paz e segurana, 
enquanto o povo dormia em seus pecados. Jesus viu a Sua igreja, semelhando a 
figueira estril, coberta de pretensiosas folhas e no entanto destituda do precioso 
fruto. Notava-se alardeada observncia das formas da religio, enquanto faltava o 
esprito da verdadeira humildade, arrependimento e f  o que unicamente poderia 
tornar aceitvel o culto a Deus. Em vez das graas do Esprito, havia manifesto 
orgulho, formalismo, vanglria, egosmo, opresso. Uma igreja apstata fechava 
os olhos aos sinais dos tempos. Deus no a abandonou, nem permitiu que Sua 
fidelidade lhe faltasse; dEle, porm, afastara-se, e separara-se de Seu amor. 
Recusando-se ela a satisfazer s condies, Suas promessas no foram para com 
ela cumpridas.
Esse  o resultado certo de no apreciar nem aproveitar a luz e privilgios que 
Deus confere. A menos que a igreja siga o caminho que lhe abre a Providncia, 
aceitando todo raio de luz, cumprindo todo dever que lhe seja revelado, a religio 
fatalmente degenerar em formalismo, e desaparecer o esprito da piedade vital. 
Esta verdade tem sido repetidas vezes ilustrada na histria da igreja. Deus requer 
de Seu povo obras de f e obedincia correspondentes s bnos e privilgios 
conferidos. A obedincia exige sacrifcio e implica uma cruz; e este  o motivo por 
que tantos dentre os professos seguidores de Cristo se recusam a receber a luz do 
Cu e, como aconteceu com os judeus de outrora, no conhecem o tempo de Sua 
visitao (Luc. 19:44). Por causa de seu orgulho e incredulidade, o Senhor os 
passa por alto, e revela Sua verdade aos que,  semelhana dos pastores de 
Belm e dos magos do Oriente, tm prestado ateno a toda a luz que receberam.
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18
Uma Profecia Muito Significativa
Pg. 317
Um lavrador ntegro e de sentimentos honestos, que havia sido levado a duvidar 
da autoridade divina das Escrituras e que no entanto desejava sinceramente 
conhecer a verdade, foi o homem especialmente escolhido por Deus para iniciar a 
proclamao da segunda vinda de Cristo. Como outros muitos reformadores, 
Guilherme Miller lutou no princpio de sua vida com a pobreza, aprendendo assim 
as grandes lies de energia e renncia. Os membros da famlia de que proveio 
caracterizavam-se por um esprito independente e amante da liberdade, pela 
capacidade de resistncia e ardente patriotismo, traos que tambm eram 
preeminentes em seu carter. Seu pai fora capito no exrcito da Revoluo, e, 
aos sacrifcios que fizera nas lutas e sofrimentos daquele tempestuoso perodo, 
podem-se atribuir as circunstncias embaraosas dos primeiros anos da vida de 
Miller.
Possua ele robusta constituio fsica, e j na meninice dera provas de fora 
intelectual superior  comum. Com o passar dos anos tornou-se isto ainda mais 
notrio. Seu esprito era ativo e bem desenvolvido, e ardente sua sede de saber. 
Conquanto no haurisse as vantagens de uma educao superior, seu amor ao 
estudo e o hbito de pensar cuidadosamente, bem como a aguda perspiccia, 
tornaram-no um homem de perfeito discernimento e largueza de vistas. Era 
dotado de irrepreensvel carter moral e nome invejvel, sendo geralmente 
estimado por sua integridade, frugalidade e benevolncia.  custa de energia e 
aplicao, adquiriu o necessrio para viver, conservando, no entanto, seus
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Pg. 318
hbitos de estudo. Ocupou com distino vrios cargos civis e militares, e as 
portas da riqueza e honra pareciam-lhe abertas de par em par.
Sua me era mulher verdadeiramente piedosa, e na infncia estivera ele sujeito s 
impresses religiosas. No entanto, ao atingir o limiar da idade adulta, foi levado a 
associar-se com destas, cuja influncia foi tanto mais acentuada pelo fato de 
serem na maioria bons cidados, e homens de disposies humanitrias e 
benevolentes. Vivendo, como viviam, no meio de instituies crists, seu carter 
tinha sido at certo ponto moldado pelo ambiente. As boas qualidades que lhes 
conquistaram respeito e confiana, deviam-nas  Bblia, e, contudo, esses dons 
apreciveis se haviam pervertido a ponto de exercer influncia contra a Palavra de 
Deus. Pela associao com esses homens, Miller foi levado a adotar seus 
sentimentos. As interpretaes corretas das Escrituras apresentavam dificuldades 
que lhe pareciam insuperveis; todavia, sua nova crena, conquanto pusesse de 
lado a Escritura Sagrada, nada oferecia de melhor para substitu-la, e longe estava 
ele de sentir-se satisfeito. Continuou, entretanto, a manter estas opinies durante 
mais ou menos doze anos. Mas com a idade de trinta e quatro anos, o Esprito 
Santo impressionou-lhe o corao com a intuio de seu estado pecaminoso. No 
encontrou em sua crena anterior certeza alguma de felicidade alm-tmulo. O 
futuro era negro e ttrico. Referindo-se mais tarde aos seus sentimentos nesta 
poca, disse ele:
O aniquilamento era um pensamento glido e desalentador, e o fato de ter o 
homem de responder por seus atos significava destruio certa para todos. O cu 
era como bronze por sobre a minha cabea e a terra como ferro sob os meus ps. 
A eternidade, que era? E a morte, por que existia? Quanto mais raciocinava, mais 
longe me achava da evidncia. Quanto mais pensava, mais contraditrias eram as 
minhas concluses. Tentei deixar de pensar, mas meus pensamentos no podiam 
ser dominados. Era verdadeiramente infeliz, mas no compreendia a causa. 
Murmurava e queixava-me, sem saber de quem. Sabia que algo havia de errado, 
mas no sabia como ou onde encontrar o que era reto. Lamentava, mas sem 
esperana.
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Pg. 319
Neste estado continuou durante alguns meses. Subitamente, diz ele, gravou-se-
me ao vivo no esprito o carter de um Salvador. Pareceu-me que bem poderia 
existir um Ser to bom e compassivo que por nossas transgresses fizesse 
expiao, livrando-nos, assim, de sofrer a pena do pecado. Compreendi desde logo 
quo amvel esse Ente deveria ser, e imaginei poder lanar-me aos Seus braos, 
confiante em Sua misericrdia. Mas surgiu a questo: Como se pode provar a 
existncia desse Ser? Afora a Bblia, achei que no poderia obter prova da 
existncia de semelhante Salvador, nem sequer de uma existncia futura. 
Vi que a Escritura Sagrada apresentava precisamente um Salvador como o que 
necessitava; e fiquei perplexo por ver como um livro no inspirado desenvolvia 
princpios to perfeitamente adaptados s necessidades de um mundo decado. Fui 
constrangido a admitir que as Escrituras devem ser uma revelao de Deus. 
Tornaram-se elas o meu deleite; e em Jesus encontrei um amigo. O Salvador 
tornou-Se para mim o primeiro entre dez mil; e as Escrituras, que antes eram 
obscuras e contraditrias, tornaram-se agora a lmpada para os meus ps e luz 
para meu caminho. Meu esprito tranqilizou-se e ficou satisfeito. Achei que o 
Senhor Deus  uma Rocha em meio do oceano da vida. A Bblia tornou-se ento o 
meu estudo principal e, posso em verdade dizer, pesquisava-a com grande deleite. 
Vi que a metade nunca se me havia dito. Admirava-me de que me no tivesse 
apercebido antes, de sua beleza e glria; e maravilhava-me de que j a pudesse 
haver rejeitado. Tudo que o corao poderia desejar, encontrei revelado, como um 
remdio para toda enfermidade da alma. Perdi todo o gosto para outra leitura, e 
apliquei o corao a obter a sabedoria de Deus.  Memrias de Guilherme Miller, 
S. Bliss.
Miller professou publicamente sua f na religio que antes desprezara. Seus 
companheiros incrdulos, entretanto, no tardaram em produzir todos os 
argumentos com que ele prprio insistira contra a autoridade divina das 
Escrituras. No estava ento preparado para responder a eles, mas raciocinava
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Pg. 320
que, se a Bblia  a revelao de Deus, deve ser coerente consigo mesma; e que, 
como foi dada para a instruo do homem, deve adaptar-se  sua compreenso. 
Decidiu-se a estudar as Escrituras por si mesmo, e verificar se as aparentes 
contradies no se poderiam harmonizar.
Esforando-se por deixar de lado todas as opinies preconcebidas, dispensando 
comentrios, comparou passagem com passagem, com o auxlio das referncias  
margem e da concordncia. Prosseguiu no estudo de modo sistemtico e 
metdico; comeando com Gnesis, e lendo versculo por versculo, no ia mais 
depressa do que se lhe desvendava o sentido das vrias passagens, de modo a 
deix-lo livre de toda dificuldade. Quando encontrava algum ponto obscuro, tinha 
por costume compar-lo com todos os outros textos que pareciam ter qualquer 
referncia ao assunto em considerao. Permitia que cada palavra tivesse a 
relao prpria com o assunto do texto e, quando harmonizava seu ponto de vista 
acerca dessa passagem com todas as referncias da mesma, deixava de ser uma 
dificuldade. Assim, quando quer que encontrasse passagem difcil de entender, 
achava explicao em alguma outra parte das Escrituras. Estudando com fervorosa 
orao para obter esclarecimentos da parte de Deus, o que antes parecia obscuro 
 compreenso agora se fizera claro. Experimentou a verdade das palavras do 
salmista: A exposio das Tuas Palavras d luz; d entendimento aos smplices. 
Sal. 119:130.
Com intenso interesse estudou os livros de Daniel e Apocalipse, empregando os 
mesmos princpios de interpretao que para as demais partes das Escrituras; e 
descobriu, para sua grande alegria, que os smbolos profticos podiam ser 
compreendidos. Viu que as profecias j cumpridas tiveram cumprimento literal; 
que todas as vrias figuras, metforas, parbolas, smiles, etc., ou eram 
explicados em seu contexto, ou os termos em que eram expressos se achavam 
entendidos literalmente. Fiquei assim convencido, diz ele, de ser a Escritura 
Sagrada um conjunto de verdades reveladas, to clara e simplesmente 
apresentadas que o viajante, ainda que seja um
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Pg. 321
louco, no precisa errar.  Bliss. Elo aps elo da cadeia da verdade recompensava 
seus esforos, enquanto passo a passo divisava as grandes linhas profticas. Anjos 
celestiais estavam a guiar-lhe o esprito e a abrir as Escrituras  sua compreenso.
Tomando a maneira por que as profecias se tinham cumprido no passado como 
critrio pelo qual julgar do cumprimento das que ainda estavam no futuro, chegou 
 concluso de que o conceito popular acerca do reino espiritual de Cristo  o 
milnio temporal antes do fim do mundo  no  apoiado pela Palavra de Deus. 
Essa doutrina, falando em mil anos de justia e paz antes da vinda pessoal do 
Senhor, afasta para longe os terrores do dia de Deus. Mas, por agradvel que seja, 
 contrria aos ensinos de Cristo e Seus apstolos, que declaravam que o trigo e o 
joio devem crescer juntos at  ceifa, o fim do mundo (Mat. 13:30, 38-41); que 
os homens maus e enganadores iro de mal para pior; que nos ltimos dias 
sobreviro tempos trabalhosos (II Tim. 3:13 e 1); e que o reino das trevas 
continuar at o advento do Senhor, sendo consumido pelo esprito de Sua boca e 
destrudo com o resplendor de Sua vinda (II Tess. 2:8). 
A doutrina da converso do mundo e do reino espiritual de Cristo no era mantida 
pela igreja apostlica. No foi geralmente aceita pelos cristos antes do comeo do 
sculo XVIII, aproximadamente. Como todos os outros erros, seus resultados 
foram maus. Ensinava os homens a afastarem para um longnquo futuro a vinda 
do Senhor, e os impedia de prestar ateno aos sinais que anunciavam Sua 
aproximao. Infundia um sentimento de confiana e segurana que no era bem 
fundado, levando muitos a negligenciarem o necessrio preparo a fim de se 
encontrar com seu Senhor.
Miller achou que a vinda de Cristo, literal, pessoal,  plenamente ensinada nas 
Escrituras. Diz Paulo: O mesmo Senhor descer do cu com alarido, e com voz de 
Arcanjo, e com a trombeta de Deus. I Tess. 4:16. E o Salvador declara: Vero o 
Filho do homem, vindo sobre as nuvens do
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Pg. 322
cu, com poder e grande glria. Assim como o relmpago sai do Oriente e se 
mostra at ao Ocidente, assim ser tambm a vinda do Filho do homem. Mat. 
24:30 e 27. Ele dever ser acompanhado de todas as hostes celestiais. O Filho do 
homem vir em Sua glria, e todos os santos anjos com Ele. Mat. 25:31. Ele 
enviar os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntaro os Seus 
escolhidos. Mat. 24:31.
 Sua vinda, os justos que estiverem mortos ressuscitaro, os vivos sero 
transformados. Nem todos dormiremos, diz Paulo, mas todos seremos 
transformados, num momento num abrir e fechar de olhos, ante a ltima 
trombeta; porque a trombeta soar, e os mortos ressuscitaro incorruptveis, e 
ns seremos transformados. Porque convm que isto que  corruptvel se revista 
da incorruptibilidade, e que isto que  mortal se revista da imortalidade. I Cor. 
15:51-53. E em sua carta aos tessalonicenses, depois de descrever a vinda do 
Senhor, diz ele: Os que morreram em Cristo ressuscitaro primeiro. Depois ns 
os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a 
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. I Tess. 
4:16 e 17.
No poder o Seu povo receber o reino antes do advento pessoal de Cristo. Disse o 
Salvador: E quando o Filho do homem vier em Sua glria, e todos os santos anjos 
com Ele, ento Se assentar no trono da Sua glria; e todas as naes sero 
reunidas diante dEle, e apartar uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes 
as ovelhas; e por as ovelhas  Sua direita, mas os bodes  esquerda. Ento dir o 
Rei aos que estiverem  Sua direita: Vinde, benditos de Meu Pai, possu por 
herana o reino que vos est preparado desde a fundao do mundo. Mat. 25:31-
34. Vimos pelos textos citados que, quando o Filho do homem vier, os mortos 
sero ressuscitados incorruptveis, e os vivos sero transformados. Por esta 
grande mudana ficam preparados para receberem o reino; pois Paulo diz: A 
carne e o sangue no podem herdar o
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Pg. 323
reino de Deus, nem a corrupo herda a incorrupo. I Cor. 15:50. O homem, em 
seu estado presente,  mortal, corruptvel; o reino de Deus, porm, ser 
incorruptvel, permanecendo para sempre. Portanto, o homem, em sua condio 
atual, no pode entrar no reino de Deus. Mas, em vindo Jesus, confere a 
imortalidade a Seu povo; e ento os chama para possurem o reino de que at ali 
tm sido apenas herdeiros.
Estas e outras passagens provaram claramente ao esprito de Miller que os 
acontecimentos que geralmente se esperava ocorrerem antes da vinda de Cristo, 
como seja o reino universal de paz e o estabelecimento do domnio de Deus sobre 
a Terra, deveriam ser subseqentes ao segundo advento. Alm disso, todos os 
sinais dos tempos e as condies do mundo correspondiam  descrio proftica 
dos ltimos dias. Foi levado, somente pelo estudo das Escrituras,  concluso de 
que estava prestes a terminar o perodo de tempo concedido para a existncia da 
Terra em sua condio presente.
Outra espcie de prova que vivamente me impressionava o esprito, diz ele, era 
a cronologia das Escrituras.  Notei que os acontecimentos preditos, que se 
haviam cumprido no passado, muitas vezes ocorreram dentro de um dado tempo. 
Os cento e vinte anos do dilvio (Gn. 6:3), os sete dias que o deviam preceder, 
com quarenta dias de chuva predita (Gn. 7:4), os quatrocentos anos da 
permanncia temporria da semente de Abrao (Gn. 15:13), os trs dias do 
sonho do copeiro-mor e do padeiro-mor (Gn. 40:12-20); os sete anos de Fara 
(Gn. 41:28-54), os quarenta anos no deserto (Nm. 14:34), os trs anos e meio 
de fome (I Reis 17:1; ver Luc. 4:25); o cativeiro de setenta anos (Jer. 25:11), os 
sete tempos de Nabucodonosor (Dan. 4:13-16), e as sete semanas, sessenta e 
duas semanas, e a semana, perfazendo setenta semanas, determinadas aos 
judeus (Dan. 9:24-27) so tempos que limitaram acontecimentos que antes eram 
apenas assuntos de profecia, cumprindo-se de acordo com as predies.  Bliss.
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Quando, portanto, encontrou em seu estudo da Bblia vrios perodos cronolgicos 
que segundo a sua compreenso dos mesmos, se estendiam at  segunda vinda 
de Cristo, no pde seno consider-los como os tempos j dantes ordenados, 
que Deus revelou a Seus servos. As coisas encobertas, diz Moiss, so para o 
Senhor nosso Deus, porm, as reveladas so para ns e para nossos filhos para 
sempre (Deut. 29:29); e o Senhor declara pelo profeta Ams que no far coisa 
alguma, sem ter revelado o Seu segredo aos Seus servos, os profetas. Ams 3:7. 
Assim, os que estudam a Palavra de Deus podem confiantemente esperar que 
encontraro nas Escrituras da verdade, claramente indicado, o acontecimento mais 
estupendo a ocorrer na histria da humanidade.
Como eu estivesse plenamente convicto, diz Miller, de que toda a Escritura 
divinamente inspirada  proveitosa; de que ela no veio nunca pela vontade do 
homem, mas foi escrita ao serem homens santos inspirados pelo Esprito Santo (II 
Ped. 1:21), e dada para nosso ensino, para que pela pacincia e consolao das 
Escrituras tenhamos esperana, no poderia deixar de considerar as pores 
cronolgicas da Bblia seno como uma parte da Palavra de Deus, e com tanto 
direito  nossa sria considerao como qualquer outra poro dela. Senti, pois, 
que, esforando-me por compreender o que Deus em Sua misericrdia achou 
conveniente revelar-nos, eu no tinha direito de omitir os perodos profticos.  
Bliss.
A profecia que mais claramente parecia revelar o tempo do segundo advento, era 
a de Daniel 8:14: At duas mil e trezentas tardes e manhs; e o santurio ser 
purificado. Seguindo sua regra de fazer as Escrituras o seu prprio intrprete, 
Miller descobriu que um dia na profecia simblica representa um ano (Nm. 
14:34; Ezeq. 4:6); viu que o perodo de 2.300 dias profticos, ou anos literais, se 
estenderia muito alm do final da dispensao judaica, donde o no poder ele 
referir-se ao santurio daquela dispensao. Miller aceitou a opinio geralmente 
acolhida, de que na era crist a Terra  o
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Pg. 325
santurio, e, portanto, compreendeu que a purificao do santurio predita em 
Daniel 8:14 representa a purificao da Terra pelo fogo,  segunda vinda de 
Cristo. Se, pois, se pudesse encontrar o exato ponto de partida para os 2.300 dias, 
concluiu que se poderia facilmente determinar a ocasio do segundo advento. 
Assim se revelaria o tempo daquela grande consumao, tempo em que as 
condies presentes, com todo o seu orgulho e poder, pompa e vaidade, 
impiedade e opresso, viriam ao fim, que a maldio se removeria da Terra, a 
morte seria destruda, dar-se-ia o galardo aos servos de Deus, os profetas e os 
santos, e aos que temem o Seu nome, e seriam destrudos os que devastam a 
Terra.  Bliss.
Com um novo e mais profundo fervor, Miller continuou o exame das profecias, 
dedicando dias e noites inteiras ao estudo do que agora lhe parecia de to 
estupenda importncia e absorvente interesse. No captulo 8 de Daniel ele no 
pde achar nenhum fio que guiasse ao ponto de partida dos 2.300 dias; o anjo 
Gabriel, conquanto tivesse recebido ordem de fazer com que Daniel 
compreendesse a viso, deu-lhe apenas uma explicao parcial. Quando a terrvel 
perseguio a recair sobre a igreja foi desvendada  viso do profeta, abandonou-o 
a fora fsica. No pde suportar mais, e o anjo o deixou por algum tempo. Daniel 
enfraqueceu e esteve enfermo alguns dias. Espantei-me acerca da viso, diz 
ele,e no havia quem a entendesse.
Deus ordenou, contudo, a Seu mensageiro: D a entender a este a viso. A 
incumbncia devia ser satisfeita. Em obedincia a ela, o anjo, algum tempo 
depois, voltou a Daniel, dizendo: Agora sa para fazer-te entender o sentido; 
toma, pois, bem sentido na palavra, e entende a viso. Dan. 9:22 e 23. Havia, 
na viso do captulo 8, um ponto importante que tinha sido deixado sem 
explicao, a saber, o que se refere ao tempo, ou seja, ao perodo dos 2.300 dias; 
portanto o anjo, reencetando a explicao, ocupa-se principalmente do assunto do 
tempo:
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Pg. 326
Setenta semanas esto determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa 
cidade.  Sabe e entende: desde a sada da ordem para restaurar e para edificar 
Jerusalm, at o Messias, o Prncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas; 
as ruas e as tranqueiras se reedificaro, mas em tempos angustiosos. E depois das 
sessenta e duas semanas ser tirado o Messias, e no ser mais.  E Ele firmar 
um concerto com muitos por uma semana; e na metade da semana far cessar o 
sacrifcio e a oferta de manjares. Dan. 9:24-27.
O anjo fora enviado a Daniel com o expresso fim de lhe explicar o ponto que tinha 
deixado de compreender na viso do captulo 8, a saber, a declarao relativa ao 
tempo: At duas mil e trezentas tardes e manhs; e o santurio ser purificado. 
Depois de mandar Daniel tomar bem sentido na palavra e entender a viso, as 
primeiras declaraes do anjo foram: Setenta semanas esto determinadas sobre 
o teu povo, e sobre a tua santa cidade. A palavra aqui traduzida determinadas 
significa literalmente separadas. Setenta semanas, representando 490 anos, 
declara o anjo estarem separadas, referindo-se especialmente aos judeus. Mas, 
separadas de qu? Como os 2.300 dias foram o nico perodo de tempo 
mencionado no captulo 8, devem ser o perodo de que as setenta semanas se 
separaram; estas devem ser, portanto, uma parte dos 2.300 dias, e os dois 
perodos devem comear juntamente. Declara o anjo datarem as setenta semanas 
da sada da ordem para restaurar e edificar Jerusalm. Se se pudesse encontrar a 
data desta ordem, estaria estabelecido o ponto de partida do grande perodo dos 
2.300 dias.
No captulo 7 de Esdras acha-se o decreto (Esd. 7:12-26). Em sua forma completa 
foi promulgado por Artaxerxes, rei da Prsia, em 457 antes de Cristo. Mas em 
Esdras 6:14 se diz ter sido a casa do Senhor em Jerusalm edificada conforme o 
mandado [ou decreto, como se poderia traduzir] de Ciro e de Dario, e de 
Artaxerxes, rei da Prsia. Estes trs reis, originando, confirmando e completando 
o
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Pg. 327
decreto, deram-lhe a perfeio exigida pela profecia para assinalar o incio dos 
2.300 anos. Tomando-se o ano 457 antes de Cristo, tempo em que se completou o 
decreto, como data da ordem, viu-se ter-se cumprido toda a especificao da 
profecia relativa s setenta semanas.
Desde a sada da ordem para restaurar e para edificar Jerusalm, at o Messias, o 
Prncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas  a saber, sessenta e nove 
semanas ou 483 anos. O decreto de Artaxerxes entrou em vigor no outono de 457 
antes de Cristo. A partir desta data, 483 anos estendem-se at o outono do ano 27 
de nossa era. Naquele tempo esta profecia se cumpriu. A palavra Messias 
significa o Ungido. No outono do ano 27 de nossa era, Cristo foi batizado por 
Joo, e recebeu a uno do Esprito. O apstolo Pedro testifica que Deus ungiu a 
Jesus de Nazar com o Esprito Santo e com virtude. Atos 10:38. E o prprio 
Salvador declarou: O Esprito do Senhor  sobre Mim, pois que Me ungiu para 
evangelizar os pobres. Luc. 4:18. Depois de Seu batismo Ele foi para a Galilia, 
pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo est cumprido. Mar. 
1:14 e 15.
E Ele firmar concerto com muitos por uma semana. A semana, a que h 
referncia aqui,  a ltima das setenta, so os ltimos sete anos do perodo 
concedido especialmente aos judeus. Durante este tempo, que se estende do ano 
27 ao ano 34 de nossa era, Cristo, a princpio em pessoa e depois pelos Seus 
discpulos, dirigiu o convite do evangelho especialmente aos judeus. Ao sarem os 
apstolos com as boas novas do reino, a recomendao do Salvador era: No ireis 
pelos caminhos das gentes, nem entrareis em cidades de samaritanos; mas ide s 
ovelhas perdidas da casa de Israel. Mat. 10:5 e 6.
Na metade da semana far cessar o sacrifcio e a oferta de manjares. No ano 31 
de nossa era, trs anos e meio depois de Seu batismo, nosso Senhor foi 
crucificado. Com o grande sacrifcio oferecido sobre o Calvrio, terminou aquele 
sistema
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Pg. 328
cerimonial de ofertas, que durante quatro mil anos haviam apontado para o 
Cordeiro de Deus. O tipo alcanou o anttipo, e todos os sacrifcios e ofertas 
daquele sistema cerimonial deveriam cessar.
As setenta semanas, ou 490 anos, especialmente conferidas aos judeus, 
terminaram, como vimos, no ano 34. Naquele tempo, pelo ato do sindrio judaico, 
a nao selou sua recusa do evangelho, pelo martrio de Estvo e perseguio 
aos seguidores de Cristo. Assim, a mensagem da salvao, no mais restrita ao 
povo escolhido, foi dada ao mundo. Os discpulos, forados pela perseguio a 
fugir de Jerusalm, iam por toda parte, anunciando a Palavra. Filipe desceu  
cidade de Samaria e pregou a Cristo. Pedro, divinamente guiado, revelou o 
evangelho ao centurio de Cesaria, Cornlio, que era temente a Deus; e o 
ardoroso Paulo, ganho  f crist, foi incumbido de levar as alegres novas aos 
gentios de longe. Atos 8:4 e 5; 22:21.
At aqui, cumpriram-se de maneira surpreendente todas as especificaes das 
profecias e fixa-se o incio das setenta semanas, inquestionavelmente, no ano 457 
antes de Cristo, e seu termo no ano 34 de nossa era. Por estes dados no h 
dificuldade em achar-se o final dos 2.300 dias. Tendo sido as setenta semanas  
490 dias  separadas dos 2.300 dias, ficaram restando 1.810 dias. Depois do fim 
dos 490 dias os 1.810 dias deveriam ainda cumprir-se. Contando do ano 34 de 
nossa era, 1.810 anos se estendem a 1844. Conseqentemente, os 2.300 dias de 
Daniel 8:14 terminam em 1844. Ao expirar este grande perodo proftico, o 
santurio ser purificado, segundo o testemunho do anjo de Deus. Deste modo foi 
definitivamente indicado o tempo da purificao do santurio, que quase 
universalmente se acreditava ocorresse por ocasio do segundo advento.
Miller e seus companheiros a princpio creram que os 2.300 dias terminariam na 
primavera de 1844, ao passo que a
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Pg. 329
profecia indicava o outono daquele ano. A compreenso errnea deste ponto 
trouxe desapontamento e perplexidade aos que haviam fixado a primeira daquelas 
datas para o tempo da vinda do Senhor. Isto, porm, no afetou nem de leve a 
fora do argumento que mostrava terem os 2.300 dias terminado no ano 1844, e 
que o grande acontecimento representado pela purificao do santurio deveria 
ocorrer ento.
Devotando-se ao estudo das Escrituras, como fizera, a fim de provar serem elas 
uma revelao de Deus, Miller no tinha a princpio a menor expectativa de atingir 
a concluso a que chegara. A custo podia ele mesmo dar crdito aos resultados de 
sua investigao. Mas a prova das Escrituras era por demais clara e forte para que 
fosse posta de parte.
Dois anos dedicara ele ao estudo da Bblia, quando, em 1818, chegou  solene 
concluso de que dentro de vinte e cinco anos, aproximadamente, Cristo 
apareceria para redeno de Seu povo. No necessito falar, diz Miller, do jbilo 
que me encheu o corao em vista da deleitvel perspectiva, nem do anelo 
ardente de minha alma para participar das alegrias dos remidos. A Bblia era ento 
para mim um livro novo. Considerava-a verdadeiramente um banquete para a 
razo; tudo que, em seus ensinos, fora ininteligvel, mstico ou obscuro para mim, 
dissipara-se-me do esprito ante a clara luz que ora raiava de suas pginas 
sagradas; e oh! quo brilhante e gloriosa se me apresentava a verdade! Todas as 
contradies e incoerncias que eu antes encontrara na Palavra, desapareceram; e 
posto que houvesse muitas partes de que eu no possua uma compreenso que 
me satisfizesse, tanta luz, contudo, dela emanara para a iluminao de meu 
esprito antes obscurecido, que senti, em estudar as Escrituras, um prazer que 
antes no supunha pudesse ser delas derivado.  Bliss.
Solenemente convencido de que as Santas Escrituras anunciavam o cumprimento 
de to importantes acontecimentos em to curto espao de tempo, surgiu com 
fora em minha alma a
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Pg. 330
questo de saber qual meu dever para com o mundo, em face da evidncia que 
comovera a meu prprio esprito.  Bliss. No pde deixar de sentir que era seu 
dever comunicar a outros a luz que tinha recebido. Esperava encontrar oposio 
por parte dos mpios, mas confiava em que todos os cristos se regozijariam na 
esperana de ver o Salvador, a quem professavam amar. Seu nico temor era que, 
em sua grande alegria ante a perspectiva do glorioso livramento, a consumar-se 
to breve, muitos recebessem a doutrina sem examinar suficientemente as 
Escrituras em demonstrao de sua verdade. Portanto, hesitou em apresent-la, 
receando que estivesse em erro, e fosse, assim, o meio de transviar a outros. Foi 
levado, desta maneira, a rever as provas em apoio das concluses a que chegara, 
e a considerar cuidadosamente toda dificuldade que se lhe apresentava ao esprito. 
Viu que as objees se desvaneciam ante a luz da Palavra de Deus, como a nvoa 
diante dos raios do Sol. Cinco anos despendidos desta maneira, deixaram-no 
completamente convicto da correo de suas opinies.
E agora o dever de tornar conhecido a outros o que cria ser ensinado to 
claramente nas Escrituras, impunha-se-lhe com nova fora. Quando me achava 
em minha ocupao, disse ele, soava continuamente em meu ouvido: Vai falar 
ao mundo sobre o perigo que o ameaa. Ocorria-me constantemente esta 
passagem: Se Eu disser ao mpio:  mpio, certamente morrers; e tu no falares 
para desviar o mpio de seu caminho, morrer esse mpio na sua iniqidade, mas o 
seu sangue Eu o demandarei da tua mo. Mas, quando tu tiveres falado para 
desviar o mpio do seu caminho, para que se converta dele, e ele se no converter 
de seu caminho, ele morrer na sua iniqidade, mas tu livraste a tua alma. 
Ezequiel 33:8 e 9. Compreendi que, se os mpios pudessem ser devidamente 
advertidos, multides deles se arrependeriam; e que, se eles no fossem avisados, 
seu sangue poderia ser exigido de minha mo.  Bliss.
Comeou ele a apresentar suas opinies em particular, quando se lhe oferecia 
oportunidade, orando para que algum pastor pudesse sentir a fora das mesmas e 
dedicar-se  sua
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Pg. 331
promulgao. Mas no pde banir a convico de que tinha um dever pessoal a 
cumprir, em fazer a advertncia. Ocorriam-lhe sempre ao esprito as palavras: Vai 
diz-lo ao mundo; seu sangue requererei de tuas mos. Durante nove anos 
esperou, pesando-lhe sempre este fardo sobre a alma, at que em 1831 pela 
primeira vez exps publicamente as razes de sua f.
Assim como Eliseu foi chamado quando  rabia do arado acompanhava os bois no 
campo de trabalho, a fim de receber o manto da consagrao ao ofcio de profeta, 
tambm Guilherme Miller foi chamado para deixar o arado e desvendar ao povo os 
mistrios do reino de Deus. Cheio de temores, deu incio ao trabalho, levando seus 
ouvintes passo a passo, atravs dos perodos profticos, at o segundo 
aparecimento de Cristo. Em cada preleo ganhava ele energia e coragem, vendo 
o grande interesse despertado por suas palavras.
Foi somente s solicitaes de seus irmos, em cujas palavras ele ouvia o 
chamado de Deus, que Miller consentiu em apresentar suas opinies em pblico. 
Contava ento cinqenta anos de idade, no estava habituado a falar em pblico, 
e sentia-se oprimido ao reconhecer sua incapacidade para a obra. Desde o 
princpio, porm, seus trabalhos para a salvao das almas foram abenoados de 
modo notvel. Sua primeira conferncia foi seguida de um despertamento 
religioso, no qual se converteram treze famlias inteiras, com exceo de duas 
pessoas. Foi imediatamente convidado a falar em outros lugares, e quase em toda 
parte seu trabalho resultava em avivamento da obra de Deus. Convertiam-se 
pecadores, cristos eram despertados a maior consagrao, e destas e incrdulos 
reconheciam a verdade da Bblia e da religio crist. O testemunho daqueles entre 
os quais trabalhava, era: Atingia a uma classe de espritos fora da influncia de 
outros homens.  Bliss. Sua pregao era de molde a despertar o esprito pblico 
aos grandes temas da religio, e sustar o crescente mundanismo e sensualidade 
da poca.
Em quase todas as cidades havia dezenas de conversos, e em algumas, centenas, 
como resultado de sua pregao. Em muitos lugares as igrejas protestantes de 
quase todas as
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denominaes abriram-se-lhe amplamente; e os convites para nelas trabalhar 
vinham geralmente dos pastores das vrias congregaes. Adotava como regra 
invarivel no trabalhar em qualquer lugar a que no fosse convidado; e, no 
entanto, logo se viu impossibilitado de atender  metade dos pedidos que choviam 
sobre ele.
Muitos que no aceitaram suas opinies quanto ao tempo exato do segundo 
advento, ficaram convencidos da certeza e proximidade da vinda de Cristo e de 
sua necessidade de preparo. Em algumas das grandes cidades seu trabalho 
produziu impresso extraordinria. Vendedores de bebidas abandonavam este 
comrcio e transformavam suas lojas em salas de cultos; antros de jogo eram 
fechados; corrigiam-se incrdulos, destas, universalistas, e mesmo os libertinos 
mais perdidos, alguns dos quais no haviam durante anos entrado em uma casa 
de culto. Vrias denominaes efetuavam reunies de orao, em diferentes 
bairros, quase a todas as horas do dia, reunindo-se os homens de negcios ao 
meio-dia para orao de louvor. No havia nenhuma excitao extravagante, mas 
sim uma sensao de solenidade quase geral no esprito do povo. Sua obra, como 
a dos primeiros reformadores, tendia antes para convencer o entendimento e 
despertar a conscincia do que a meramente excitar as emoes.
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Em 1833 Miller recebeu da Igreja Batista de que era membro uma licena para 
pregar. Grande nmero dos pastores de sua denominao aprovou-lhe tambm a 
obra, e foi com essa sano formal que continuou com os seus trabalhos. Posto 
que seus labores pessoais estivessem limitados principalmente  Nova Inglaterra e 
aos Estados centrais, viajou e pregou incessantemente. Durante vrios anos suas 
despesas eram cobertas inteiramente por sua bolsa particular e posteriormente 
nunca recebeu o bastante para custear as viagens aos lugares a que era 
convidado. Assim, seus trabalhos pblicos, longe de serem benefcio financeiro, 
eram-lhe pesado encargo s posses, que gradualmente diminuram durante este 
perodo de sua vida. Era chefe de numerosa famlia; mas como todos eram sbrios 
e industriosos, sua fazenda bastava para a manuteno de todos.
Em 1833, dois anos depois que Miller comeou a apresentar em pblico as provas 
da prxima vinda de Cristo, apareceu o ltimo dos sinais que foram prometidos 
pelo Salvador como indcios de Seu segundo advento. Disse Jesus: As estrelas 
cairo do cu. Mat. 24:29. E Joo, no Apocalipse, declarou, ao contemplar em 
viso as cenas que deveriam anunciar o dia de Deus: E as estrelas do cu caram 
sobre a Terra, como quando a figueira lana de si os seus figos verdes, abalada 
por um vento forte. Apoc. 6:13. Esta profecia teve cumprimento surpreendente e 
impressionante na grande chuva meterica de 13 de novembro de 1833. Aquela 
foi a mais extensa e maravilhosa exibio de estrelas cadentes que j se tem 
registrado, achando-se ento o firmamento inteiro, sobre todos os Estados 
Unidos, durante horas, em faiscante comoo! Neste pas, desde que comeou a 
ser colonizado, nenhum fenmeno celeste j ocorreu que fosse visto com to 
intensa admirao por uns ou com tanto terror e alarma por outros. Sua 
sublimidade e terrvel beleza ainda perdura em muitos espritos.  Raras vezes 
caiu chuva mais densa do que caram os meteoros em direo  Terra; Leste, 
Oeste, Norte e Sul, tudo era o mesmo. Em uma palavra, o cu inteiro parecia em 
movimento.  O espetculo, como o descreveu o dirio do Prof. Silliman, foi visto 
por toda a Amrica do Norte.  Desde as duas horas at pleno dia, estando o cu 
perfeitamente sereno e sem nuvens, um contnuo jogo de luzes 
deslumbrantemente fulgurantes se manteve em todo o firmamento.  Progresso 
Americano, ou Os Grandes Acontecimentos do Maior dos Sculos, R. M. Devens.
Nenhuma expresso, na verdade, pode chegar  altura do esplendor daquela 
exibio magnificente;  pessoa alguma que no a testemunhou pode ter uma 
concepo adequada de sua glria. Dir-se-ia que todas as estrelas se houvessem 
reunido em um ponto prximo do znite, e dali fossem simultaneamente 
arrojadas, com a velocidade do relmpago, a todas as partes do horizonte; e, no 
entanto, no se exauriam, seguindo-se milhares celeremente no rastro de 
milhares, como se houvessem sido
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criadas para a ocasio.  F. Reed, no Christian Advocate and Journal, de 13 de 
dezembro de 1833. No era possvel contemplar um quadro mais fiel de uma 
figueira lanando seus figos quando aoitada por um vento forte.  The Old 
Countryman, no Advertiser, vespertino de Portland, de 26 de novembro de 1833.
No Journal of Commerce, de Nova Iorque, de 14 de novembro de 1833, apareceu 
um longo artigo considerando este maravilhoso fenmeno, o texto continha esta 
declarao: Nenhum filsofo ou sbio mencionou ou registrou, suponho-o eu, um 
acontecimento semelhante ao de ontem de manh. Um profeta h mil e oitocentos 
anos predisse-o exatamente  se no nos furtarmos ao incmodo de compreender 
o chuveiro de estrelas como a queda das mesmas,  no nico sentido em que  
possvel ser isso literalmente verdade.
Assim se mostrou o ltimo dos sinais de Sua vinda, relativamente aos quais Jesus 
declarou a Seus discpulos: Quando virdes todas estas coisas, sabei que est 
prximo, s portas. Mat. 24:33. Depois destes sinais Joo contemplou, como o 
grande acontecimento a seguir imediatamente, o cu retirando-se como 
pergaminho que se enrola, enquanto a Terra tremia, montanhas e ilhas se 
removiam dos lugares, e os mpios procuravam, aterrorizados, fugir da presena 
do Filho do homem (Apoc. 6:12-17).
Muitos que testemunharam a queda das estrelas, consideraram-na um arauto do 
juzo vindouro  sinal espantoso, precursor certo, misericordioso prenncio do 
grande e terrvel dia.  The Old Countryman. Deste modo a ateno do povo foi 
dirigida para o cumprimento da profecia, sendo muitos levados a dar ateno  
advertncia do segundo advento.
No ano de 1840 outro notvel cumprimento de profecia despertou geral interesse. 
Dois anos antes, Josias Litch, um dos principais pastores que pregavam o segundo 
advento, publicou uma explicao de Apocalipse 9, predizendo a queda do Imprio 
Otomano. Segundo seus clculos esta potncia deveria ser subvertida no ano de 
1840, no ms de agosto; e poucos dias apenas antes de seu cumprimento 
escreveu: Admitindo que o
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primeiro perodo, 150 anos, se cumpriu exatamente antes que Deacozes subisse 
ao trono com permisso dos turcos, e que os 391 anos, quinze dias, comearam 
no final do primeiro perodo, terminar no dia 11 de agosto de 1840, quando se 
pode esperar seja abatido o poderio otomano em Constantinopla. E isto, creio eu, 
verificar-se- ser o caso.  Josias Litch, artigo no Signs of the Times, and 
Expositor of Prophecy, de 1 de agosto de 1840.
No mesmo tempo especificado, a Turquia, por intermdio de seus embaixadores, 
aceitou a proteo das potncias aliadas da Europa, e assim se ps sob a direo 
de naes crists. O acontecimento cumpriu exatamente a predio. Quando isto 
se tornou conhecido, multides se convenceram da exatido dos princpios de 
interpretao proftica adotados por Miller e seus companheiros, e maravilhoso 
impulso foi dado ao movimento do advento. Homens de saber e posio uniram-se 
a Miller, tanto para pregar como para publicar suas opinies, e de 1840 a 1844 a 
obra estendeu-se rapidamente.
Guilherme Miller possua grandes dotes intelectuais, disciplinados pela meditao e 
estudo; e a estes acrescentava a sabedoria do Cu, pondo-se em ligao com a 
Fonte da sabedoria. Era um homem de verdadeiro valor, que inspirava respeito e 
estima onde quer que a integridade de carter e a excelncia moral fossem 
apreciadas. Unindo a verdadeira bondade de corao  humildade crist e ao poder 
do domnio prprio, era atento e afvel para com todos, pronto para ouvir as 
opinies de outrem e pesar seus argumentos. Sem paixo ou excitao, aferia 
todas as teorias e doutrinas pela Palavra de Deus; e seu raciocnio sadio e o 
profundo conhecimento das Escrituras habilitavam-no a refutar o erro e 
desmascarar a falsidade.
Todavia, no prosseguiu ele o seu trabalho sem tenaz oposio. Como acontecera 
com os primeiros reformadores, as verdades que apresentava no eram recebidas 
favoravelmente pelos ensinadores populares da religio. No podendo manter sua 
atitude pelas Escrituras, viam-se obrigados a recorrer aos ditos e doutrinas de 
homens, s tradies dos pais da igreja. A Palavra de Deus, porm, era o nico 
testemunho aceito pelos
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pregadores da verdade do advento. A Bblia, e a Bblia s, era a sua senha. A 
falta de argumentos das Santas Escrituras, por parte dos oponentes, supriam-na 
eles pelo ridculo e o escrnio. Empregavam tempo, meios e talentos para difamar 
aqueles cuja nica falta era esperar com alegria a volta de seu Senhor, e esforar-
se por viver vida santa e exortar aos demais a prepararem-se para o Seu 
aparecimento.
Diligentes esforos se faziam para que o esprito do povo fosse desviado do 
assunto referente ao segundo advento. Procurava-se dar a impresso de que 
estudar as profecias que se referem  vinda de Cristo e ao fim do mundo, fosse 
pecado, algo de que os homens deveriam envergonhar-se. Assim, o ministrio 
popular minava a f na Palavra de Deus. Seu ensino tornava os homens 
incrdulos, e muitos tomaram a liberdade de andar conforme seus prprios 
desejos mpios. Ento os autores desse mal atriburam-no todo aos adventistas.
Se bem que Miller conseguisse ter casas repletas de ouvintes inteligentes e 
atentos, seu nome era raras vezes mencionado pela imprensa religiosa, exceto 
para fins de acusao e ridculo. Os descuidados e mpios, tornando-se audazes 
pela atitude dos ensinadores religiosos, recorriam aos eptetos infamantes, 
graolas vis e blasfemas, em seu esforo de amontoar o ultraje sobre ele e sua 
obra. O homem de cabelos grisalhos, que deixara o lar confortvel para viajar a 
expensas prprias, de cidade em cidade, de vila em vila, labutando 
incessantemente a fim de levar ao mundo a solene advertncia do juzo prximo, 
era vilmente acusado de fantico, mentiroso e patife explorador.
O ridculo, a falsidade, o insulto acumulados sobre ele, provocaram indignados 
protestos, mesmo por parte da imprensa secular. Tratar um assunto de to 
imponente majestade e terrveis conseqncias, com leviandade e linguagem 
baixa, declaravam mesmo homens mundanos ser no meramente brincar com os 
sentimentos de seus propagadores e advogados, mas fazer zombaria do dia de 
juzo, escarnecer da prpria Divindade, e desdenhar os terrores de Seu tribunal.  
Bliss.
O instigador de todo mal procurava no somente contrariar
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o efeito da mensagem do advento, mas destruir o prprio mensageiro. Miller fazia 
aplicao prtica da verdade das Escrituras ao corao de seus ouvintes, 
reprovando-lhes os pecados e perturbando-lhes a satisfao prpria; e suas 
palavras claras e incisivas despertaram inimizade. A oposio manifestada pelos 
membros da igreja  sua mensagem, animava as classes inferiores a irem mais 
longe; e conspiraram alguns dos inimigos para tirar-lhe a vida quando sasse do 
local da reunio. Santos anjos, porm, estavam na multido, e um deles, certa 
vez, sob a forma de homem, tomou o brao desse servo do Senhor e p-lo a salvo 
da turba enfurecida. Sua obra ainda no estava terminada, e Satans e seus 
emissrios viram seus planos frustrados.
A despeito de toda a oposio, o interesse no movimento adventista continuou a 
aumentar. As congregaes cresceram das dezenas e centenas para milhares. 
Grande aumento houve nas vrias igrejas, mas depois de algum tempo se 
manifestou o esprito de oposio a esses conversos, e as igrejas comearam a 
tomar providncias disciplinares contra os que tinham abraado as opinies de 
Miller. Este ato provocou uma resposta de sua pena, em escrito dirigido aos 
cristos de todas as denominaes, insistindo em que, se suas doutrinas eram 
falsas, se lhe mostrasse o erro pelas Escrituras.
Que temos ns crido, disse ele, que no nos tenha sido ordenado pela Palavra 
de Deus, a qual, vs mesmos o admitis,  a regra e a nica regra de nossa f e 
prtica? Que temos ns feito que provocasse to virulentas acusaes contra ns, 
do plpito e da imprensa, e vos desse motivo justo para excluir-nos [os 
adventistas] de vossas igrejas e comunho? Se estamos errados, peo mostrar-
nos em que consiste nosso erro. Mostrai-nos, pela Palavra de Deus, que estamos 
enganados. Temos sido bastante ridicularizados; isso nunca nos poder convencer 
de que estamos em erro; a Palavra de Deus, unicamente, pode mudar nossas 
opinies. Chegamos s nossas concluses depois de refletir maduramente e muito 
orar, e ao vermos sua evidncia nas Escrituras.  Bliss.
Sculo aps sculo as advertncias que Deus enviou ao mundo por Seus servos 
foram recebidas com igual incredulidade e
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descrena. Quando a iniqidade dos antediluvianos O moveu a trazer o dilvio 
sobre a Terra, primeiramente Ele lhes fez saber Seu propsito, para que pudessem 
ter oportunidade de abandonar seus maus caminhos. Durante cento e vinte anos 
lhes soou aos ouvidos o aviso para que se arrependessem, no acontecesse 
manifestar-se a ira de Deus a fim de destru-los. A mensagem parecia-lhes, 
porm, uma histria ociosa, e nela no creram. Fazendo-se audaciosos em sua 
impiedade, caoavam do mensageiro de Deus, recebiam frivolamente seus apelos 
e at o acusavam de presuno. Como ousa um homem levantar-se contra todos 
os grandes da Terra? Se a mensagem de No era verdadeira, por que todo o 
mundo no o viu e creu? A Palavra de um homem contra a sabedoria de milhares! 
No queriam dar crdito ao aviso, nem buscar refgio na arca.
Escarnecedores apontavam para as coisas da Natureza  a sucesso invarivel das 
estaes, o cu azul que nunca havia derramado chuva, os campos verdejantes 
refrescados pelo brando orvalho da noite  e exclamavam: Fala ele parbolas? 
Desdenhosamente declaravam ser o pregador da justia um rematado fantico; e 
continuavam mais avidamente na busca de prazeres, mais decididos em seus 
maus caminhos do que nunca dantes. Mas a incredulidade que alimentavam no 
impediu o acontecimento predito. Deus suportou por muito tempo sua iniqidade, 
dando-lhes ampla ocasio para o arrependimento; ao tempo designado, porm, os 
juzos do Senhor caram sobre os que haviam rejeitado Sua misericrdia.
Cristo declara que existir idntica incredulidade no tocante  Sua segunda vinda. 
Como os contemporneos de No no o conheceram, at que veio o dilvio e os 
levou a todos, assim ser tambm, nas palavras de nosso Salvador a vinda do 
Filho do homem. Mat. 24:39. Quando o professo povo de Deus se estiver unindo 
com o mundo, vivendo como vivem os do mundo, e com eles gozando de prazeres 
proibidos; quando o luxo do mundo se tornar o luxo da igreja; quando os sinos 
para casamentos estiverem a tocar, e todos olharem para o futuro esperando 
muitos anos de prosperidade temporal,
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Pg. 339
subitamente ento, como dos cus fulgura o relmpago, vir o fim de suas 
resplendentes vises e esperanas ilusrias.
Assim como Deus enviou Seu servo para advertir o mundo do dilvio a vir, enviou 
tambm mensageiros escolhidos para tornar conhecida a proximidade do juzo 
final. E como os contemporneos de No se riam com escrnio das predies do 
pregador da justia, assim, no tempo de Miller, muitos, mesmo dentre o povo 
professo de Deus, zombavam das palavras de advertncia.
E por que foram a doutrina e pregao da segunda vinda de Cristo to mal 
recebidas pelas igrejas? Ao passo que para os mpios o advento do Senhor traz 
misria e desolao, para os justos est repleto de alegria e esperana. Esta 
grande verdade tem sido o consolo dos fiis de Deus atravs de todos os sculos. 
Por que se tornou ela, como seu Autor, uma pedra de tropeo e rocha de 
escndalo a Seu povo professo? Foi nosso Senhor mesmo que prometeu a Seus 
discpulos: Se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim 
mesmo. Joo 14:3. Foi o compassivo Salvador que, antecipando-Se aos 
sentimentos de solido e tristeza de Seus seguidores, incumbiu anjos de confort-
los com a certeza de que Ele viria outra vez, em pessoa, assim como fora para o 
Cu. Estando os discpulos a olhar atentamente para cima a fim de apanhar o 
ltimo vislumbre dAquele a quem amavam, sua ateno foi despertada pelas 
palavras: Vares galileus, por que estais olhando para o cu? Esse Jesus, que 
dentre vs foi recebido em cima no Cu, h de vir assim como para o Cu O vistes 
ir. Atos 1:11. Pela mensagem do anjo acendeu-se de novo a esperana. Os 
discpulos tornaram com grande jbilo para Jerusalm. E estavam sempre no 
templo, louvando e bendizendo a Deus. Luc. 24:52 e 53. No se regozijavam 
porque Jesus deles Se houvesse separado, e tivessem sido deixados a lutar com as 
provaes e tentaes do mundo, mas por causa da certeza dada pelo anjo de que 
Ele viria outra vez.
A proclamao da vinda de Cristo deveria ser agora, como quando fora feita pelos 
anjos aos pastores de Belm, boas
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Pg. 340
novas de grande alegria. Os que realmente amam ao Salvador saudaro com 
alegria o anncio baseado na Palavra de Deus, de que Aquele em quem se 
centralizam as esperanas de vida eterna, vem outra vez, no para ser insultado, 
desprezado e rejeitado, como se deu no primeiro advento, mas com poder e glria, 
para remir Seu povo. Os que no amam o Salvador  que no desejam Sua vinda; 
e no poder haver prova mais conclusiva de que as igrejas se afastaram de Deus 
do que a irritao e a animosidade despertada por esta mensagem enviada pelo 
Cu.
Os que aceitaram a doutrina do advento aperceberam-se da necessidade de 
arrependimento e humilhao perante Deus. Muitos haviam por longo tempo 
vacilado entre Cristo e o mundo; agora compreendiam que era tempo de assumir 
atitude decisiva. As coisas da eternidade assumiam para eles uma desusada 
realidade. O Cu se lhes aproximava, e sentiam-se culpados perante Deus.  
Bliss. Os cristos despertaram para nova vida espiritual. Compenetraram-se de 
que o tempo era breve, de que o que tinham a fazer pelos seus semelhantes 
deveria fazer-se rapidamente. A Terra retrocedia, a eternidade parecia abrir-se 
perante eles, e a alma, com tudo que diz respeito  sua felicidade ou misria 
eterna, sentia eclipsar-se todo o objetivo mundano. O Esprito de Deus repousava 
sobre eles conferindo poder aos fervorosos apelos que faziam a seus irmos e aos 
pecadores, a fim de se prepararem para o dia de Deus. O testemunho silencioso de 
sua vida diria era constante reprovao aos membros das igrejas, seguidores de 
formalidades e destitudos de consagrao. Estes no desejavam ser perturbados 
em sua procura de prazeres, seu desejo de ganho e ambio de honras mundanas. 
Da a inimizade e a oposio suscitadas contra a f no advento e contra os que a 
proclamavam.
Como se verificassem irrefutveis os argumentos baseados nos perodos 
profticos, os oponentes se esforaram por desacorooar a investigao deste 
assunto, ensinando que as profecias estavam fechadas. Assim seguiram os 
protestantes nas pegadas dos romanistas. Enquanto a igreja papal privava da
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Pg. 341
Bblia o povo, as igrejas protestantes alegavam que uma parte importante da 
Palavra Sagrada  parte que apresentava verdades especialmente aplicveis ao 
nosso tempo  no podia ser compreendida.
Pastores e povo declaravam que as profecias de Daniel e do Apocalipse eram 
mistrios incompreensveis. Cristo, porm, chamou a ateno de Seus discpulos 
para as palavras do profeta Daniel, relativas aos acontecimentos a ocorrerem na 
poca deles, e disse: Quem l, entenda. Mat. 24:15, Trad. Bras. E a afirmao 
de que o Apocalipse  um mistrio, que no pode ser compreendido,  contradita 
pelo prprio ttulo do livro: Revelao de Jesus Cristo, a qual Deus Lhe deu para 
mostrar a Seus servos as coisas que brevemente devem acontecer.  Bem-
aventurado aquele que l, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam 
as coisas que nela esto escritas; porque o tempo est prximo. Apoc. 1:1-3.
Diz o profeta: Bem-aventurado aquele que l  h os que no querem ler; a 
bno no  para estes. E os que ouvem  h alguns, tambm, que se recusam 
a ouvir qualquer coisa relativa s profecias; a bno no  para esta classe. E 
guardam as coisas que nela esto escritas  muitos se recusam a atender s 
advertncias e instrues contidas no Apocalipse; nenhum desses pode pretender 
a bno prometida. Todos os que ridicularizam os assuntos da profecia, 
zombando dos smbolos ali solenemente dados, todos os que se recusam a 
reformar a vida e preparar-se para a vinda do Filho do homem, no sero 
abenoados.
Em vista do testemunho da Inspirao, como ousam os homens ensinar que o 
Apocalipse  um mistrio, fora do alcance da inteligncia humana?  um mistrio 
revelado, um livro aberto. O estudo do Apocalipse encaminha o esprito s 
profecias de Daniel, e ambos apresentam importantssimas instrues, dadas por 
Deus ao homem, relativas a fatos a acontecerem no final da histria deste mundo.
Foram reveladas a Joo cenas de profundo e palpitante interesse na experincia da 
igreja. Viu ele a posio, os perigos,
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Pg. 342
os conflitos e o livramento final do povo de Deus. Ele registra as mensagens finais 
que devem amadurecer a seara da Terra, sejam os molhos para o celeiro celeste, 
ou os feixes para os fogos da destruio. Assuntos de vasta importncia lhe foram 
desvendados, especialmente para a ltima igreja, a fim de que os que volvessem 
do erro para a verdade pudessem ser instrudos em relao aos perigos e conflitos 
que diante deles estariam. Ningum necessita estar em trevas no que respeita 
quilo que est para vir sobre a Terra.
Por que, pois, esta dilatada ignorncia com respeito a uma parte importante das 
Sagradas Escrituras? Por que esta relutncia geral em pesquisar-lhes os ensinos? 
 o resultado de um esforo estudado do prncipe das trevas para esconder dos 
homens o que revela os seus enganos. Por esta razo, Cristo, o Revelador, 
prevendo a luta que seria ferida contra o estudo do Apocalipse, pronunciou uma 
bno sobre os que lessem, ouvissem e observassem as palavras da profecia.
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19
Luz Para os Nossos Dias
Pg. 343
A obra de Deus na Terra apresenta, sculo aps sculo, uma surpreendente 
semelhana, em todas as grandes reformas ou movimentos religiosos. Os 
princpios envolvidos no trato de Deus com os homens so sempre os mesmos. Os 
movimentos importantes do presente tm seu paralelo nos do passado, e a 
experincia da igreja nos sculos antigos encerra lies de grande valor para o 
nosso tempo.
Nenhuma verdade  mais claramente ensinada na Escritura do que aquela 
segundo a qual Deus, pelo Seu Esprito Santo, dirige de maneira especial Seus 
servos sobre a Terra, nos grandes movimentos que tm por objetivo promover a 
obra da salvao. Os homens so instrumentos nas mos de Deus, por Ele 
empregados para cumprirem Seus propsitos de graa e misericrdia. Cada um 
tem a sua parte a desempenhar; a cada qual  concedida uma poro de luz, 
adaptada s necessidades de seu tempo, e suficiente para o habilitar a efetuar a 
obra que Deus lhe deu a fazer. Nenhum homem, porm, ainda que honrado pelo 
Cu, j chegou a compreender completamente o grande plano da redeno, ou 
mesmo a aquilatar perfeitamente o propsito divino na obra para o seu prprio 
tempo. Os homens no compreendem plenamente o que Deus deseja cumprir pela 
misso que lhes confia: no abrangem, em todos os aspectos, a mensagem que 
proclamam em Seu nome.
Porventura alcanars os caminhos de Deus, ou chegars  perfeio do Todo-
poderoso? Os Meus pensamentos no so os vossos pensamentos, nem os 
vossos caminhos os Meus
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Pg. 344
caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os cus so mais altos do que a 
Terra, assim so os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos e os 
Meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. Eu sou Deus, e 
no h outro deus, no h outro semelhante a Mim; que anuncio o fim desde o 
princpio, e desde a antiguidade as coisas que ainda no aconteceram. J 11:7; 
Isa. 55:8 e 9; 46:9 e 10.
Mesmo os profetas que eram favorecidos com iluminao especial do Esprito, no 
compreendiam plenamente a significao das revelaes a eles confiadas. O 
sentido deveria ser desvendado de sculo em sculo,  medida que o povo de 
Deus necessitasse das instrues nelas contidas.
Pedro, escrevendo acerca da salvao trazida  luz pelo evangelho, diz: Da qual 
salvao inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da 
graa que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasio de tempo o Esprito 
de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos 
que a Cristo haviam de vir, e a glria que se lhes havia de seguir. Aos quais foi 
revelado que, no para si mesmos, mas para ns, eles ministravam. I Ped. 1:10-
12.
Entretanto, ao mesmo tempo em que no era dado aos profetas compreender 
completamente as coisas que lhes eram reveladas, buscavam fervorosamente 
obter toda a luz que Deus fora servido tornar manifesta. Inquiriram e trataram 
diligentemente, indagando que tempo ou que ocasio de tempo o Esprito de 
Cristo, que estava neles, indicava. Que lio para o povo de Deus na era crist, 
para o benefcio do qual foram dadas aos Seus servos estas profecias! Aos quais 
foi revelado que no para si mesmos, mas para ns, eles ministravam. Considerai 
como os santos homens de Deus inquiriram e trataram diligentemente, com 
respeito a revelaes que lhes foram dadas para as geraes ainda no nascidas. 
Comparai seu santo zelo com a descuidada indiferena com que os favorecidos dos 
ltimos sculos tratam este dom do Cu. Que exprobrao quela indiferena 
comodista e mundana, que se contenta em declarar que as profecias no podem 
ser compreendidas!
Posto que a mente finita do homem no seja apta a penetrar
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Pg. 345
nos conselhos do Ser infinito, ou compreender completamente a realizao de 
Seus propsitos, muitas vezes  por causa de algum erro ou negligncia de sua 
parte que to palidamente entendem as mensagens do Cu. Com freqncia, a 
mente do povo, e mesmo dos servos de Deus, se acha to cegada pelas opinies 
humanas, as tradies e falsos ensinos, que apenas pode parcialmente apreender 
as grandes coisas que Ele revelou em Sua Palavra. Assim foi com os discpulos de 
Cristo, mesmo quando o Salvador estava com eles em pessoa. Seu esprito se 
havia imbudo da idia popular acerca do Messias como prncipe terreno, que 
exaltaria Israel ao trono do domnio universal, e no compreendiam o sentido de 
Suas palavras predizendo Seus sofrimentos e morte.
O prprio Cristo os enviara com a mensagem: O tempo est cumprido, e o reino 
de Deus est prximo. Arrependei-vos e crede no evangelho. Mar. 1:15. Aquela 
mensagem era baseada na profecia de Daniel 9. As sessenta e nove semanas, 
declarou o anjo, estender-se-iam at o Messias, o Prncipe e com grandes 
esperanas e antecipado gozo aguardavam o estabelecimento do reino do Messias, 
em Jerusalm, a fim de governar sobre a Terra toda.
Pregaram a mensagem que Cristo lhes confiara, ainda que eles prprios 
compreendessem mal a sua significao. Ao passo que seu anncio se baseava em 
Daniel 9:25, no viam no versculo seguinte do mesmo captulo que o Messias 
deveria ser tirado. Desde o nascimento haviam fixado o corao na antecipada 
glria de um imprio terrestre, e isto lhes cegava igualmente a compreenso das 
especificaes da profecia e das palavras de Cristo.
Cumpriram seu dever apresentando  nao judaica o convite de misericrdia e, 
ento, no mesmo tempo em que esperavam ver o Senhor ascender ao trono de 
Davi, viram-nO ser agarrado como malfeitor, aoitado, escarnecido, condenado e 
suspenso  cruz do Calvrio. Que desespero e angstia oprimia o corao dos 
discpulos durante os dias em que seu Senhor dormia no tmulo!
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Pg. 346
Cristo viera no tempo exato, e da maneira predita na profecia. O testemunho das 
Escrituras fora cumprido em todos os detalhes de Seu ministrio. Pregara Ele a 
mensagem da salvao, e Sua palavra era com autoridade. O corao de Seus 
ouvintes havia testemunhado ser ela do Cu. A Palavra e o Esprito de Deus 
atestavam a misso divina do Filho.
Os discpulos ainda se apegavam com imperecvel afeio ao Mestre amado. E, no 
obstante, traziam o esprito envolto em incerteza e dvida. Em sua angstia no 
se lembravam ento das palavras de Cristo que de antemo indicavam Seu 
sofrimento e morte. Se Jesus de Nazar fosse o verdadeiro Messias, teriam eles 
sido assim imersos em pesar e decepo? Esta era a pergunta que lhes torturava a 
alma enquanto o Salvador jazia no sepulcro, durante as desesperadoras horas 
daquele sbado, que mediou entre Sua morte e Sua ressurreio.
Conquanto a noite de tristeza casse tenebrosa em redor dos seguidores de Jesus, 
no foram eles, contudo, esquecidos. Diz o profeta: Se morar nas trevas, o 
Senhor ser a minha luz.  Ele me trar  luz, e eu verei a Sua justia. Nem 
ainda as trevas me escondem de Ti, mas a noite resplandece como o dia; as 
trevas e a luz so para Ti a mesma coisa. Deus falou: Aos justos nasce luz nas 
trevas. E guiarei os cegos por um caminho que nunca conheceram, f-los-ei 
caminhar por veredas que no conheceram; tornarei as trevas em luz perante 
eles, e as coisas tortas farei direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os 
desampararei. Miq. 7:8 e 9; Sal. 139:12; 112:4; Isa. 42:16.
O que os discpulos haviam anunciado em nome do Senhor, era correto em todos 
os pormenores, e os acontecimentos preditos estavam mesmo ento a ocorrer. O 
tempo est cumprido, o reino de Deus est prximo  havia sido a sua 
mensagem.  terminao do tempo  as sessenta e nove semanas de Daniel 9, 
as quais se deveriam estender at ao Messias, o Ungido  Cristo recebera a 
uno do Esprito,
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Pg. 347
depois de batizado por Joo, no Jordo. E o reino de Deus, que eles declararam 
estar prximo, foi estabelecido pela morte de Cristo. Este reino no era, como eles 
haviam sido ensinados a crer, um domnio terrestre. Tampouco devia ser 
confundido com o reino futuro, imortal que ser estabelecido quando o reino, o 
domnio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o cu sero dados ao povo dos 
santos do Altssimo  reino eterno, no qual todos os domnios O serviro e Lhe 
obedecero. Dan. 7:27. Conforme  usada na Bblia, a expresso reino de Deus 
designa tanto o reino da graa como o de glria. O primeiro  apresentado por 
Paulo na epstola aos hebreus. Depois de apontar para Cristo, o compassivo 
Intercessor que pode compadecer-Se de nossas fraquezas, diz o apstolo: 
Cheguemos, pois, com confiana ao trono da graa, para que possamos alcanar 
misericrdia e achar graa. Heb. 4:16. O trono da graa representa o reino da 
graa; pois a existncia de um trono implica a de um reino. Em muitas parbolas 
Cristo usa a expresso o reino dos Cus, para designar a obra da graa divina no 
corao dos homens.
Assim, o trono de glria representa o reino de glria; e a este reino fazem 
referncia as palavras do Salvador: Quando o Filho do homem vier em Sua glria, 
e todos os santos anjos com Ele, ento Se assentar no trono de Sua glria; e 
todas as naes sero reunidas diante dEle. Mat. 25:31 e 32. Este reino est 
ainda no futuro. No ser estabelecido antes do segundo advento de Cristo.
O reino da graa foi institudo imediatamente depois da queda do homem, quando 
fora concebido um plano para a redeno da raa culpada. Existiu ele ento no 
propsito de Deus e pela Sua promessa; e mediante a f os homens podiam 
tornar-se sditos seus. Contudo, no foi efetivamente estabelecido antes da morte 
de Cristo. Mesmo depois de entrar para o Seu ministrio terrestre, o Salvador, 
cansado pela obstinao e ingratido dos homens, poderia ter-Se recusado ao 
sacrifcio do Calvrio. No Getsmani, a taa de
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Pg. 348
amarguras tremia-Lhe na mo. Ele poderia naquele momento ter enxugado o suor 
de sangue da fronte, abandonando a raa criminosa para que perecesse em sua 
iniqidade. Houvesse Ele feito isto, e no teria havido redeno para o homem 
cado. Quando, porm, o Salvador rendeu a vida, e em Seu ltimo alento clamou: 
Est consumado, assegurou-se naquele instante o cumprimento do plano da 
redeno. Ratificou-se a promessa de libertamento, feita no den, ao casal 
pecador. O reino da graa, que antes existira pela promessa de Deus, foi ento 
estabelecido.
Destarte, a morte de Cristo  o prprio acontecimento que os discpulos encararam 
como a destruio final de suas esperanas  foi o que as confirmou para sempre. 
Conquanto lhes houvesse acarretado cruel decepo, foi a prova mxima de que 
sua crena era correta. O acontecimento que os enchera de pranto e desespero, 
foi o que abrira a porta da esperana a todo filho de Ado, e no qual se 
centralizava a vida futura e a felicidade eterna de todos os fiis de Deus, de todos 
os sculos.
Estavam a cumprir-se os desgnios da misericrdia infinita, mesmo por meio do 
desapontamento dos discpulos. Se bem que o corao deles tivesse sido ganho 
pela graa divina e pelo poder do ensino dAquele que falou como homem algum 
jamais falara, todavia, de mistura com o ouro puro do amor para com Jesus, 
achava-se a liga vil do orgulho humano e das ambies egostas. Mesmo na sala 
da pscoa, na hora solene em que o Mestre j estava a entrar na sombra do 
Getsmani, houve entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. 
Luc. 22:24. Nada mais viam seno o trono, a coroa e a glria, enquanto 
precisamente diante deles se achavam a ignomnia e agonia do jardim, do 
tribunal, da cruz do Calvrio. O orgulho no corao e a sede de glria mundana  
que os levou a apegar-se to tenazmente ao falso ensino de seu tempo, e deixar 
despercebidas as palavras do Salvador que mostravam a
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verdadeira natureza de Seu reino e apontavam para a Sua agonia e morte. E 
destes erros resultou a prova  dura mas necessria que fora permitida para 
corrigi-los. Embora os discpulos houvessem compreendido mal o sentido de Sua 
mensagem, e vissem frustradas suas esperanas, tinham contudo pregado a 
advertncia a eles dada por Deus, e o Senhor lhes recompensaria a f e honraria a 
obedincia. A eles fora confiada a obra de anunciar a todas as naes o evangelho 
glorioso do Senhor ressuscitado. A fim de prepar-los para essa obra, fora 
permitida a experincia que lhes pareceu to amarga.
Depois de Sua ressurreio Jesus apareceu a Seus discpulos no caminho para 
Emas, e, comeando por Moiss, e por todos os profetas, explicava-lhes o que 
dEle se achava em todas as Escrituras. Luc. 24:27. Comoveu-se o corao dos 
discpulos. Avivou-se-lhes a f. Foram de novo gerados para uma viva 
esperana, mesmo antes que Jesus Se lhes revelasse. Era propsito de Cristo 
iluminar-lhes o entendimento, firmando-lhes a f na firme palavra da profecia. 
Desejava que no esprito deles a verdade criasse slidas razes, no meramente 
porque fosse apoiada por Seu testemunho pessoal, mas por causa da evidncia 
inquestionvel apresentada pelos smbolos e sombras da lei tpica e pelas profecias 
do Antigo Testamento. Era necessrio aos seguidores de Cristo ter f inteligente, 
no s em favor de si prprios, mas para que pudessem levar o conhecimento de 
Cristo ao mundo. E, como primeiro passo no comunicar este conhecimento, Jesus 
encaminhou Seus discpulos para Moiss e os profetas. Este foi o testemunho 
dado pelo Salvador ressuscitado quanto ao valor e importncia das Escrituras do 
Antigo Testamento.
Que mudana se operou no corao dos discpulos, ao contemplarem mais uma 
vez o amado semblante do Mestre! Luc. 24:32. Em sentido mais completo e 
perfeito do que nunca, haviam achado Aquele de quem Moiss escreveu na lei, e 
os profetas. A incerteza, a angstia e o desespero deram
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Pg. 350
lugar a segurana perfeita e esclarecida f. No admira que, depois de Sua 
ascenso, estivessem sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. O povo, 
sabendo apenas da morte ignominiosa do Salvador, procurava ver no rosto deles a 
expresso de tristeza, confuso e derrota; viam, porm, ali, alegria e triunfo. Que 
preparo receberam estes discpulos para a obra que se achava diante deles! 
Tinham passado pela mais severa prova que lhes era possvel experimentar, e 
visto como a Palavra de Deus se cumprira triunfantemente, quando, segundo a 
viso humana, tudo se achava perdido. Que poderia, dali em diante, intimidar-lhes 
a f ou arrefecer-lhes o ardoroso amor? Na mais aguda tristeza tinham firme 
consolao, e uma esperana que era como ncora da alma segura e firme. 
Heb. 6:18 e 19. Haviam sido testemunhas da sabedoria e poder de Deus e 
estavam certos de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os 
principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem 
a profundidade, nem alguma outra criatura, seria capaz de os separar do amor 
de Deus, que est em Cristo Jesus nosso Senhor. Em todas estas coisas, 
disseram eles, somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. Rom. 
8:38, 39 e 37. A Palavra do Senhor permanece para sempre. I Ped. 1:25. E 
quem os condenar? Pois  Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou 
dentre os mortos, o qual est  direita de Deus, e tambm intercede por ns. 
Rom. 8:34.
Diz o Senhor: O Meu povo no ser envergonhado para sempre. Joel 2:26. O 
choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manh. Sal. 30:5. Quando 
no dia da ressurreio esses discpulos encontraram o Salvador e lhes ardia o 
corao ao ouvirem Suas palavras; quando olharam para a cabea, mos e ps 
que por amor deles tinham sido feridos; quando, antes de Sua ascenso, Jesus os 
levou at Betnia, e erguendo as mos para os abenoar, lhes ordenou: Ide por 
todo o mundo, pregai o evangelho, acrescentando:
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Eis que Eu estou convosco todos os dias (Mar. 16:15; Mat. 28:20); quando, no 
dia de Pentecoste, desceu o Consolador prometido, e foi dado o poder do alto, e a 
alma dos crentes estremeceu com a presena sensvel do Senhor que ascendera 
ao Cu  ento, mesmo que seu caminho tivesse de passar, como o de Jesus, 
atravs de sacrifcio e martrio, trocariam eles o ministrio do evangelho de Sua 
graa, com a coroa da justia a ser recebida  vinda de Cristo, pela glria de um 
trono terrestre que fora a esperana de seu primeiro discipulado? Aquele que  
capaz de fazer muito mais abundantemente do que pedimos ou pensamos 
concedera-lhes, com a comunho de Seus sofrimentos, a de Sua alegria  alegria 
de trazer muitos filhos  glria, alegria indizvel, eterno peso de glria, com 
que, diz Paulo, nossa leve e momentnea tribulao no  para ser comparada.
A experincia dos discpulos que pregaram o evangelho do reino no primeiro 
advento de Cristo, teve seu paralelo na experincia dos que proclamaram a 
mensagem de Seu segundo advento. Assim como saram os discpulos a pregar: 
O tempo est cumprido, o reino de Deus est prximo, Miller e seus 
companheiros proclamaram que o perodo proftico mais longo e o ltimo 
apresentado na Bblia estava a ponto de terminar, que o juzo estava prximo, e 
que deveria ser inaugurado o reino eterno. A pregao dos discpulos com relao 
ao tempo, baseava-se nas setenta semanas de Daniel 9. A mensagem apresentada 
por Miller e seus companheiros anunciava a terminao dos 2.300 dias de Daniel 
8:14, dos quais as setenta semanas fazem parte. Cada uma dessas pregaes se 
baseava no cumprimento de uma poro diversa do mesmo grande perodo 
proftico.
Do mesmo modo que os primeiros discpulos, Guilherme Miller e seus 
companheiros no compreenderam inteiramente o significado da mensagem que 
apresentavam. Erros, que havia muito se achavam estabelecidos na igreja, 
impediam-nos
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Pg. 352
de chegar a uma interpretao correta de um ponto importante da profecia. 
Portanto, se bem que proclamassem a mensagem que Deus lhes confiara para 
transmitir ao mundo, em virtude de uma errnea compreenso do sentido, 
sofreram desapontamento.
Explicando Daniel 8:14  At duas mil e trezentas tardes e manhs; e o santurio 
ser purificado  Miller, conforme j foi declarado, adotou a opinio geralmente 
mantida de que a Terra  o santurio, crendo que a purificao deste representava 
a purificao da Terra pelo fogo,  vinda do Senhor. Quando, pois, achou que o 
termo dos 2.300 dias estava definidamente predito, concluiu que isto revelava o 
tempo do segundo advento. Seu erro resultou de aceitar a opinio popular quanto 
ao que constitui o santurio.
No cerimonial tpico  sombra do sacrifcio e sacerdcio de Cristo  a purificao do 
santurio era o ltimo servio realizado pelo sumo sacerdote no conjunto anual 
das cerimnias ministradas. Era a obra encerradora da expiao  uma remoo 
ou afastamento do pecado de Israel. Prefigurava a obra final no ministrio de 
nosso Sumo Sacerdote no Cu, pela remoo ou obliterao dos pecados de Seu 
povo, que se achavam registrados nos relatrios celestiais. Este trabalho envolve 
uma investigao e um julgamento; e isto precede imediatamente a vinda de 
Cristo nas nuvens do cu, com poder e grande glria. Quando Ele vier, pois, todos 
os casos estaro decididos. Diz Jesus: O Meu galardo est comigo, para dar a 
cada um segundo a sua obra. Apoc. 22:12.  esta obra de julgamento, que 
precede imediatamente a segunda vinda, que  anunciada na mensagem do 
primeiro anjo de Apocalipse 14:7: Temei a Deus, e dai-Lhe glria; porque vinda  
a hora do Seu juzo.
Os que proclamaram esta advertncia deram a mensagem devida no devido 
tempo. Mas, assim como os primitivos discpulos, baseados na profecia de Daniel 
9, declararam  O
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Pg. 353
tempo est cumprido, e o reino de Deus est prximo  ao mesmo tempo em que 
deixaram de perceber que a morte do Messias estava predita na mesma 
passagem, de igual modo, Miller e seus companheiros pregaram a mensagem 
baseados em Daniel 8:14 e Apocalipse 14:7, e deixaram de ver que havia ainda 
outras mensagens apresentadas em Apocalipse 14, que tambm deveriam ser 
dadas antes do advento do Senhor. Assim como os discpulos estiveram em erro 
quanto ao reino a ser estabelecido no fim das setenta semanas, tambm os 
adventistas se enganaram em relao ao fato a ocorrer  terminao dos 2.300 
dias. Em ambos os casos houve aceitao de erros populares, ou antes, uma 
aderncia a eles, cegando o esprito  verdade. Ambas as classes cumpriram a 
vontade de Deus, apresentando a mensagem que Ele desejava fosse dada, e 
ambas, pela sua prpria compreenso errnea da respectiva mensagem, sofreram 
desapontamento.
No obstante, Deus cumpriu Seu misericordioso propsito, permitindo que a 
advertncia do juzo fosse feita exatamente como o foi. O grande dia estava 
prximo e, pela providncia divina, o povo foi provado em relao ao tempo 
definido, a fim de que lhes fosse manifesto o que estava em seu corao. A 
mensagem era destinada  prova e purificao da igreja. Esta deveria ser levada a 
ver se suas afeies estavam postas neste mundo ou em Cristo e no Cu. 
Professava amar o Salvador; deveria agora provar seu amor. Estavam os crentes 
dispostos a renunciar s esperanas e ambies mundanas, acolhendo com alegria 
o advento do Senhor? A mensagem tinha por fim habilit-los a discernir seu 
verdadeiro estado espiritual; foi misericordiosamente enviada a fim de despert-
los para que buscassem o Senhor com arrependimento e humilhao.
O desapontamento, outrossim, embora resultado da compreenso errnea, por 
parte dos crentes, da mensagem que apresentavam, deveria redundar para o bem. 
Poria  prova o corao dos que haviam professado receber a advertncia. Em face 
de seu desapontamento, abandonariam eles temerariamente sua experincia 
crist, renunciando  confiana na
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Pg. 354
Palavra de Deus? ou procurariam, com orao e humildade, discernir em que 
tinham deixado de compreender o significado da profecia? Quantos haviam sido 
movidos pelo temor, por um impulso do momento ou excitao? Quantos eram de 
nimo indeciso e incrdulos? Multides professavam amar o aparecimento do 
Senhor. Quando chamadas a suportar o escrnio e o oprbrio do mundo, e a prova 
da demora e do desapontamento, porventura renunciariam  f? Porque no 
compreendessem de pronto o trato de Deus, rejeitariam essas pessoas verdades 
sustentadas pelo mais claro testemunho da Palavra divina?
Esta prova revelaria a fora dos que com f verdadeira haviam obedecido ao que 
acreditavam ser o ensino da Palavra e do Esprito de Deus. Ensinar-lhes-ia  o que 
unicamente tal experincia poderia fazer  o perigo de aceitar as teorias e 
interpretaes de homens, em vez de fazer com que a Bblia seja seu prprio 
intrprete. Aos filhos da f, a perplexidade e tristeza resultantes de seu erro 
operariam a necessria correo. Seriam levados a um estudo mais acurado da 
palavra proftica; seriam ensinados a examinar mais cuidadosamente o 
fundamento de sua f, e rejeitar tudo que, conquanto amplamente aceito pelo 
cristianismo, no estivesse fundamentado nas Escrituras da verdade.
Para estes crentes, assim como para os primeiros discpulos, o que na hora da 
provao lhes parecia obscuro  inteligncia, mais tarde se faria claro. Quando 
vissem o fim do Senhor [Tia. 5:11], saberiam que, apesar da provao 
resultante de seus erros, os divinos propsitos de amor para com eles estiveram 
continuamente a cumprir-se. Aprenderiam por uma bendita experincia que Ele  
muito misericordioso e piedoso; que todos os Seus caminhos so misericrdia e 
verdade para aqueles que guardam o Seu concerto e os Seus testemunhos.
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20
Um Grande Movimento Mundial
Pg. 355
Na profecia da mensagem do primeiro anjo, no captulo 14 de Apocalipse,  predito 
um grande despertamento religioso sob a proclamao da breve vinda de Jesus.  
visto um anjo a voar pelo meio do cu, e tinha o evangelho eterno, para o 
proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda nao, e tribo, e lngua, e 
povo. Com grande voz ele proclama a mensagem: Temei a Deus, e dai-Lhe 
glria; porque vinda  a hora do Seu juzo. E adorai Aquele que fez o cu, e a 
Terra, e o mar, e as fontes das guas. Apoc. 14:6 e 7.
 significativo o fato de afirmar-se ser um anjo o arauto desta advertncia. Pela 
pureza, glria e poder do mensageiro celestial, a sabedoria divina foi servida de 
representar o carter exaltado da obra a cumprir-se pela mensagem, e o poder e 
glria que a deveriam acompanhar. E o vo do anjo pelo meio do cu, a grande 
voz com que  proferida a advertncia, e sua proclamao a todos os que 
habitam sobre a Terra, a toda a nao, e tribo, e lngua, e povo, evidenciam a 
rapidez e extenso mundial do movimento.
A prpria mensagem derrama luz sobre o tempo em que este rnovimento deve 
ocorrer. Declara-se que faz parte do evangelho eterno, e anuncia a abertura do 
juzo. A mensagem da
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Pg. 356
salvao tem sido pregada em todos os sculos; mas esta mensagem  uma parte 
do evangelho que s poderia ser pregada nos ltimos dias, pois somente ento 
seria verdade que a hora do juzo havia chegado. As profecias apresentam uma 
sucesso de acontecimentos que nos levam ao incio do juzo. Isto se observa 
especialmente no livro de Daniel. Entretanto, a parte de sua profecia que se refere 
aos ltimos dias, Daniel teve ordem de fechar e selar, at o tempo do fim. No 
poderia, antes que alcanssemos o tempo do juzo, ser proclamada uma 
mensagem relativa ao mesmo juzo e baseada no cumprimento daquelas profecias. 
Mas, no tempo do fim, diz o profeta, muitos correro de uma parte para outra, e 
a Cincia se multiplicar. Dan. 12:4.
O apstolo Paulo advertiu a igreja a no esperar a vinda de Cristo em seu tempo. 
Porque no ser assim, diz ele, sem que antes venha a apostasia, e se 
manifeste o homem do pecado. II Tess. 2:3. No poderemos esperar pelo advento 
de nosso Senhor seno depois da grande apostasia e do longo perodo do domnio 
do homem do pecado. Este homem do pecado, que tambm  denominado 
mistrio da injustia, filho da perdio, e o inquo, representa o papado, que, 
conforme foi anunciado pelos profetas, deveria manter sua supremacia durante 
1.260 anos. Este perodo terminou em 1798. A vinda de Cristo no poderia ocorrer 
antes daquele tempo. Paulo, com a sua advertncia, abrange toda a dispensao 
crist at ao ano de 1798.  depois dessa data que a mensagem da segunda vinda 
de Cristo deve ser proclamada.
Semelhante mensagem jamais foi apresentada nos sculos passados. Paulo, como 
vimos, no a pregou; indicara aos irmos a vinda do Senhor num futuro ento 
muito distante. Os reformadores no a proclamaram. Martinho Lutero admitiu o 
juzo para mais ou menos trezentos anos no futuro, a partir de seu tempo. Desde 
1798, porm, o livro de Daniel foi descerrado, aumentou-se o conhecimento das 
profecias, e muitos tm proclamado a mensagem solene do juzo prximo.
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Pg. 357
Como a grande reforma do sculo XVI, o movimento do advento apareceu 
simultaneamente em vrios pases da cristandade. Tanto na Europa como na 
Amrica, homens de f e orao foram levados a estudar as profecias e, seguindo 
o relatrio inspirado, viram provas convincentes de que o fim de todas as coisas 
estava prximo. Em diferentes pases houve grupos isolados de cristos que, 
unicamente pelo estudo das Escrituras, creram na proximidade do advento do 
Salvador.
Em 1821, trs anos depois de Miller chegar  sua explicao das profecias que 
apontavam para o tempo do juzo, o Dr. Jos Wolff, o missionrio a todo o 
mundo, comeou a proclamar a prxima vinda do Senhor. Wolff nasceu na 
Alemanha, de filiao hebria, sendo seu pai rabino judeu. Quando ainda muito 
jovem, convenceu-se da verdade da religio crist. Dotado de esprito ativo e 
inquiridor, fora vido ouvinte das conversas em casa do pai, ao congregarem-se 
diariamente judeus devotos para recordarem as esperanas e expectativas de seu 
povo, a glria do Messias vindouro e a restaurao de Israel. Ouvindo, certo dia, 
mencionar a Jesus de Nazar, o menino perguntou quem era Ele. Um judeu do 
maior talento, foi a resposta; mas como pretendesse ser o Messias, o tribunal 
judaico O condenou  morte. Por que ento  volveu o que fizera a pergunta  
se acha Jerusalm destruda e por que nos encontramos em cativeiro? Ai de 
ns!  respondeu o pai  porque os judeus assassinaram os profetas. Logo se 
insinuou na criana o pensamento: Talvez fosse tambm Jesus um profeta, e os 
judeus O mataram sendo Ele inocente.  Viagens e Aventuras, do Rev. Jos Wolff. 
To forte foi esse pensamento que, embora lhe fosse proibido entrar em qualquer 
igreja crist, muitas vezes se demorava do lado de fora a escutar a pregao.
Tendo apenas sete anos de idade, estava ele a jactar-se, diante de um idoso 
vizinho cristo, do triunfo futuro de Israel pelo advento do Messias, quando o 
ancio disse amavelmente: Meu caro menino, dir-te-ei quem foi o verdadeiro 
Messias: Foi Jesus de Nazar,  a quem teus antepassados crucificaram,
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Pg. 358
assim como fizeram com os profetas da antiguidade. Vai para casa e l o captulo 
53 de Isaas, e te convencers de que Jesus Cristo  o Filho de Deus.  Viagens e 
Aventuras, do Rev. Jos Wolff. A convico prontamente se apoderou dele. Foi 
para casa, leu a passagem e admirou-se de ver quo perfeitamente ela se havia 
cumprido em Jesus de Nazar. Seriam verdadeiras as palavras do cristo? Pediu o 
rapaz ao pai uma explicao da profecia, mas defrontou com um silncio to 
rigoroso que nunca mais ousou referir-se ao assunto. Isto, entretanto, apenas lhe 
aumentou o desejo de saber mais a respeito da religio crist.
Era-lhe cautelosamente conservado fora do alcance o conhecimento que buscava 
em seu lar hebreu; mas, quando contava apenas onze anos de idade, deixou a 
casa paterna e saiu para o mundo a fim de obter por si mesmo educao, escolher 
sua religio e ofcio. Encontrou durante algum tempo um lar entre os parentes, 
mas no tardou a ser por eles expulso como apstata e, sozinho e sem dinheiro, 
teve de se conduzir entre estranhos. Ia de lugar em lugar, estudando 
diligentemente e conseguindo a subsistncia com o ensino do hebraico. Por 
influncia de um professor catlico foi levado a aceitar a f romana e formulou o 
propsito de se fazer missionrio para o seu prprio povo. Com este objetivo foi, 
alguns anos mais tarde, prosseguir os seus estudos no Colgio da Propaganda, em 
Roma. Ali, seu hbito de pensar independentemente e falar com franqueza, 
acarretou-lhe a acusao de heresia. Atacava abertamente os abusos da igreja e 
insistia na necessidade de reforma. Embora a princpio fosse tratado com favor 
especial pelos dignitrios papais, depois de algum tempo o removeram de Roma. 
Foi de um lugar para outro, sob a vigilncia da igreja, at que se tornou evidente 
que nunca poderia ser levado a submeter-se ao cativeiro do romanismo. 
Declararam-no incorrigvel; deixaram-no em liberdade para que fosse onde lhe 
aprouvesse. Encaminhou-se ento para a Inglaterra e, professando a f 
protestante, uniu-se  Igreja Anglicana. Depois de dois anos de estudo se 
entregou, em 1821,  sua misso.
Ao mesmo tempo que Wolff aceitava a grande verdade do
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Pg. 359
primeiro advento de Cristo como homem de dores, e experimentado nos 
trabalhos, via que as profecias apresentavam, com igual clareza, Seu segundo 
advento com poder e glria. E, ao passo que procurava conduzir seu povo a Jesus 
de Nazar como o Prometido, e indicar-lhes a Sua primeira vinda em humilhao, 
como sacrifcio pelos pecados dos homens, ensinava-lhes tambm Sua segunda 
vinda como rei e libertador.
Jesus de Nazar, o verdadeiro Messias, dizia ele, cujas mos e ps foram 
traspassados; que como um cordeiro foi levado ao matadouro; que foi o homem de 
dores e experimentado em trabalhos; que veio pela primeira vez, depois de ser o 
cetro tirado de Jud, e o poder legislativo de entre seus ps, vir pela segunda 
vez, nas nuvens do cu, e com a trombeta do Arcanjo (Pesquisas e Trabalhos 
Missionrios, de Wolff) e estar em p sobre o Monte das Oliveiras; e aquele 
domnio sobre a criao, que uma vez fora entregue a nosso primeiro pai, e por ele 
perdido (Gn. 1:26; 3:17), ser dado a Jesus. Ele ser rei sobre a Terra toda. 
Cessaro os gemidos e lamentaes da criao, e cnticos de louvor e aes de 
graas sero ouvidos.  Quando Jesus vier na glria de Seu Pai, com os santos 
anjos,  os crentes que estiverem mortos ressuscitaro primeiro (I Tess. 4:16; I 
Cor. 15:23). Isto  o que ns, cristos, chamamos primeira ressurreio. Ento, o 
reino animal mudar a sua natureza (Isa. 11:6-9), e se submeter a Jesus (Sal. 
8). Prevalecer a paz universal. (Dirio do Rev. Jos Wolff.) O Senhor 
novamente olhar para a Terra, e dir que tudo  muito bom.  Ibidem.
Wolff cria na prxima vinda do Senhor, e sua interpretao dos perodos profticos 
colocava o grande acontecimento em muito poucos anos de diferena do tempo 
indicado por Miller. Aos que insistiam nesta passagem: Daquele dia e hora 
ningum sabe que os homens nada devem saber em relao  proximidade do 
advento, Wolff replicava: Disse nosso Senhor que aquele dia e hora nunca 
deveriam ser conhecidos? No nos deu Ele sinais dos tempos, a fim de que 
possamos ao
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Pg. 360
menos saber a aproximao de Sua vinda, como algum sabe da proximidade do 
vero pelo brotar das folhas na figueira? (Mat. 24:32.) No deveremos jamais 
conhecer esse tempo, quando Jesus mesmo nos exorta, no somente a ler o 
profeta Daniel, mas a compreend-lo? E o mesmo livro de Daniel, em que se diz 
que as palavras estavam fechadas at ao tempo do fim (conforme era o caso em 
seu tempo), declara que muitos correro de uma parte para outra (expresso 
hebraica para significar  observar e pensar a respeito do tempo), e a cincia (em 
relao ao tempo) se multiplicar. Dan. 12:4. Demais, nosso Senhor no tem o 
intuito de dizer com isto que a proximidade do tempo no ser conhecida, mas 
que o dia e hora exatos ningum sabe. Pelos sinais dos tempos, diz Ele, ser 
conhecido o suficiente para nos induzir ao preparo para a Sua vinda, tal como No 
preparou a arca.  Pesquisas e Trabalhos Missionrios, de Wolff.
Em relao ao sistema popular de interpretar as Escrituras, ou de mal-interpret-
las, escreveu Wolff: A maior parte da igreja crist tem-se separado do claro 
sentido das Escrituras, volvendo ao sistema fantasioso dos budistas; estes crem 
que a futura felicidade dos homens consistir em mover-se pelo ar. Admitem que, 
quando lem judeus, devem entender gentios; e quando lem Jerusalm, devem 
compreender igreja; e se se fala de Terra, significa Cu; e pela vinda do Senhor 
devem compreender o progresso das sociedades missionrias; e subir ao monte da 
casa do Senhor, significa imponente reunio religiosa dos metodistas.  Dirio, do 
Rev. Jos Wolff.
Durante vinte e quatro anos, de 1821 a 1845, Wolff viajou extensamente: na 
frica, visitando o Egito e a Etipia; na sia, atravessando a Palestina, Sria, 
Prsia, Usbequisto e a ndia. Visitou tambm os Estados Unidos, pregando, na 
viagem para l, na ilha de Santa Helena. Chegou a Nova Iorque em agosto de 
1837; e, depois de falar naquela cidade, pregou em Filadlfia e Baltimore, 
dirigindo-se finalmente a Washington. Ali, diz ele, por uma proposta apresentada 
pelo ex-presidente John Quincy Adams, em uma das casas do Congresso, 
concedeu-se-me
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Pg. 361
unanimemente o uso do salo do Congresso para uma conferncia que eu 
pronunciei em um sbado, honrada com a presena de todos os congressistas, e 
tambm do bispo de Virgnia e do clero e cidados de Washington. A mesma honra 
me foi conferida pelos membros do governo de Nova Jersey e Pensilvnia, em cuja 
presena fiz conferncias sobre minhas pesquisas na sia, e tambm sobre o reino 
pessoal de Jesus Cristo.  Dirio.
O Dr. Wolff viajou nos pases mais brbaros, sem a proteo de qualquer 
autoridade europia, suportando muitas agruras e cercado de inumerveis perigos. 
Foi espancado e sofreu fome, sendo vendido como escravo, e trs vezes 
condenado  morte. Foi assediado por ladres, e algumas vezes quase pereceu de 
sede. Uma ocasio despojaram-no de tudo que possua, obrigando-o a viajar 
centenas de quilmetros a p, atravs de montanhas, descalo e com os ps 
enregelados ao contato do cho frio, e o rosto aoitado pela neve.
Quando advertido pelo fato de ir desarmado entre tribos selvagens e hostis, 
declarava estar provido de armas  orao, zelo para com Cristo e confiana em 
Seu auxlio.  Tambm estou provido, disse ele, do amor de Deus e do meu 
prximo, em meu corao, e da Bblia em minhas mos.  Em Perigos Muitas 
Vezes, W. H. D. Adams. Aonde quer que fosse, levava consigo as Escrituras em 
hebraico e ingls.
De uma de suas ltimas jornadas diz ele: Eu  conservava a Bblia aberta na 
mo. Sentia que o meu poder estava no Livro e que sua fora me sustentaria.  
Ibidem.
Assim perseverou em seus labores at que a mensagem do juzo foi levada a uma 
grande parte habitvel do globo. Entre judeus, turcos, persas, hindus e muitas 
outras nacionalidades e povos, ele distribuiu a Palavra de Deus nessas vrias 
lnguas, e em toda parte anunciou a proximidade do reino do Messias.
Em suas viagens pelo Usbequisto encontrou a doutrina da prxima vinda do 
Senhor, professada por um povo remoto e isolado.
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Pg. 362
Os rabes do Imen, diz ele, acham-se de posse de um livro chamado Seera, 
que d informao sobre a segunda vinda de Cristo e Seu reino em glria; e 
esperam ocorrerem grandes acontecimentos no ano de 1840.  Dirio. No 
Imen... passei seis dias com os filhos de Recabe. No bebem vinho, no plantam 
vinhedos, no semeiam, e vivem em tendas; lembram-se do bom e velho 
Jonadabe, filho de Recabe; e encontrei em sua companhia filhos de Israel, da tribo 
de D,  que esperam com os filhos de Recabe a breve vinda do Messias nas 
nuvens do cu.  Ibidem.
Outro missionrio verificou existir crena semelhante na Tartria. Um sacerdote 
trtaro perguntou ao missionrio quando Cristo viria pela segunda vez. Ao 
responder o missionrio que nada sabia a respeito, o sacerdote pareceu ficar 
grandemente surpreso com tal ignorncia em quem professava ser ensinador da 
Bblia, e declarou sua prpria crena baseada na profecia, de que Cristo viria 
aproximadamente em 1844.
J em 1826 a mensagem do advento comeou a ser pregada na Inglaterra. O 
movimento ali no tomou forma definida como na Amrica do Norte; o tempo 
exato do advento no era geralmente to ensinado, mas proclamava-se 
vastamente a grande verdade da prxima vinda de Cristo em poder e glria. E isto 
no somente entre os dissidentes e no conformistas. Mourante Brock, escritor 
ingls, declara que mais ou menos setecentos pastores da Igreja Anglicana 
estavam empenhados na pregao deste evangelho do reino. A mensagem que 
indicava 1844 como o tempo da vinda do Senhor, foi tambm dada na Gr-
Bretanha. Publicaes sobre o advento, provenientes dos Estados Unidos, eram 
amplamente disseminadas. Livros e revistas reeditavam-se na Inglaterra. E, em 
1842, Robert Winter, ingls nato, que recebera na Amrica do Norte a f do 
advento, voltou a seu pas natal para anunciar a vinda do Senhor. Muitos se 
uniram a ele na obra, e a mensagem do juzo foi proclamada em vrias partes da 
Inglaterra.
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Na Amrica do Sul, em meio de desumanidade e artimanha dos padres, Lacunza, 
jesuta espanhol, teve acesso s Escrituras, e recebeu assim a verdade da 
imediata volta de Cristo. Constrangido a fazer a advertncia, e desejando contudo 
escapar das censuras de Roma, publicou suas idias sob o pseudnimo de Rabbi 
Ben-Israel, representando-se a si mesmo como judeu converso. Lacunza viveu no 
sculo XVIII, mas foi aproximadamente em 1825 que seu livro, encontrando 
acesso em Londres, foi traduzido para a lngua inglesa. Sua publicao serviu para 
aprofundar o interesse que j se despertava na Inglaterra pelo assunto do 
segundo advento.
Na Alemanha, a doutrina fora ensinada no sculo XVIII por Bengel, pastor da 
Igreja Luterana e clebre sbio e crtico da Bblia. Completando sua educao, 
Bengel havia-se dedicado ao estudo de teologia, a quem o pendor de seu esprito 
grave e religioso, acentuado e fortalecido pelo seu primitivo ensino e disciplina, 
naturalmente o inclinava. Como outros jovens de carter meditativo, antes e 
depois dele, teve que lutar com dvidas e dificuldades de natureza religiosa; e ele 
faz aluso, muito sentidamente, s muitas setas que lhe traspassavam o pobre 
corao, tornando-lhe a juventude difcil de suportar.  Enciclopdia Britnica, 
art. Bengel. Ao tornar-se membro do consistrio de Wuerttemberg, advogou a 
causa da liberdade religiosa. Ao passo que mantinha os direitos e privilgios da 
igreja, defendia toda liberdade razovel aos que se sentiam obrigados, por motivos 
de conscincia, a retirar-se de sua comunho.  Enciclopdia Britnica. Os bons 
efeitos desta poltica so ainda sentidos em sua provncia natal.
Foi enquanto preparava um sermo sobre Apocalipse 21, para o Domingo do 
Advento, que a luz da segunda vinda de Cristo raiou no esprito de Bengel. As 
profecias do Apocalipse desvendaram-se-lhe  compreenso como nunca dantes. 
Vencido pela intuio da importncia estupenda e extraordinria glria das cenas 
apresentadas pelo profeta, foi obrigado a desviar-se por algum tempo da 
contemplao do assunto. No
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plpito este se lhe apresentou novamente em toda a sua clareza e poder. Desde 
aquele tempo se dedicou ao estudo das profecias, especialmente as do Apocalipse, 
e logo chegou  crena de que elas mostravam a proximidade da vinda de Cristo. 
A data que fixou como o tempo do segundo advento diferia, em muito poucos 
anos, da que mais tarde Miller admitiu.
Os escritos de Bengel tm sido espalhados por toda a cristandade. Suas idias 
sobre profecias foram, de modo geral, recebidas em seu prprio Estado de 
Wuerttemberg, e at certo ponto em outras partes da Alemanha. O movimento 
continuou depois de sua morte, e a mensagem do advento ouviu-se na Alemanha 
ao mesmo tempo em que despertava a ateno dos homens em outras terras. 
Logo no incio alguns dos crentes foram  Rssia e ali formaram colnias; e a 
crena na prxima vinda de Cristo  ainda mantida pelas igrejas alems daquele 
pas.
A luz brilhou tambm na Frana e Sua. Em Genebra, onde Farel e Calvino tinham 
propagado as verdades da reforma, Gaussen pregou a mensagem do segundo 
advento. Na escola, como estudante, Gaussen encontrou o esprito de racionalismo 
que invadiu a Europa toda durante a ltima parte do sculo XVIII e incio do XIX; 
e, ao entrar para o ministrio, no somente ignorava a verdadeira f, mas se 
inclinava ao ceticismo. Em sua mocidade se interessara pelo estudo da profecia. 
Depois de ler a Histria Antiga de Rollin, sua ateno foi despertada para o 
captulo 2 de Daniel, e surpreendeu-se com a maravilhosa exatido com que a 
profecia se cumprira, conforme se via no relato do historiador. Ali estava um 
testemunho da inspirao das Escrituras, que lhe serviu como ncora entre os 
perigos dos ltimos anos. No podia ficar satisfeito com os ensinos do racionalismo 
e, estudando a Bblia e procurando luz mais clara, foi ele, depois de algum tempo, 
levado a uma f positiva.
Prosseguindo com as pesquisas sobre as profecias, chegou  crena de que a vinda 
do Senhor estava prxima. Impressionado com a solenidade e importncia desta 
grande
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verdade, desejou lev-la ao povo; mas a crena popular de que as profecias de 
Daniel so mistrios e no podem ser compreendidas, foi-lhe srio obstculo no 
caminho. Decidiu-se finalmente  como antes dele fizera Farel ao evangelizar 
Genebra  a comear o trabalho com as crianas, esperando, por meio delas, 
interessar os pais.
Desejo que seja compreendido  disse ele mais tarde, falando de seu objetivo 
neste empreendimento  que no  por consider-lo de pequena importncia, 
mas, ao contrrio, por causa do seu grande valor, que desejei apresent-lo desta 
maneira familiar, e que falei s crianas. Quis ser ouvido, e receei que no o seria 
se me dirigisse primeiramente s pessoas adultas. Decidi-me, portanto, a ir aos 
mais jovens. Arranjo um auditrio de crianas; se ele aumenta e os ouvintes 
escutam com interesse e agrado, compreendem e explicam o assunto, estou certo 
de que terei logo uma segunda reunio, e os adultos, por sua vez, ho de ver 
tambm que vale a pena sentar-se e estudar. Feito isto, a causa est ganha.  
Daniel, o Profeta, de L. Gaussen, Prefcio.
O esforo foi bem-sucedido. Ao falar s crianas, pessoas mais velhas vieram 
tambm para ouvir. As galerias da igreja ficavam repletas de ouvintes atentos. 
Entre esses havia homens de posio e saber, bem como desconhecidos e 
estrangeiros que visitavam Genebra; e assim a mensagem foi levada para outras 
partes.
Animado com o xito, Gaussen publicou suas lies, esperando promover o estudo 
dos livros profticos nas igrejas do povo de lngua francesa. Publicar a instruo 
dada s crianas, diz Gaussen,  dizer aos adultos que muitas vezes 
negligenciam os ditos livros sob o falso pretexto de que so obscuros  Como 
podem eles ser obscuros, se vossos filhos os compreendem? Eu tinha grande 
desejo, acrescenta ele, de tornar popular, se possvel, o conhecimento das 
profecias em nossos rebanhos. Estudo algum existe, na verdade, que me parea 
responder melhor s necessidades do tempo.  por meio dele que devemos 
preparar-nos para a tribulao prxima, e vigiar e esperar por Jesus Cristo.
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Conquanto um dos mais distintos e queridos pregadores da lngua francesa, 
Gaussen, depois de algum tempo, foi suspenso do ministrio pela falta principal de 
usar a Bblia, ao dar instruo aos jovens, em vez do catecismo da igreja  manual 
fraco e racionalista, quase destitudo de f positiva. Mais tarde se tornou professor 
numa escola de teologia, e aos domingos continuava seu trabalho como 
catequista, falando s crianas e instruindo-as nas Escrituras. Suas obras sobre as 
profecias despertaram tambm muito interesse. Da ctedra de professor, por 
intermdio da imprensa, e pela sua ocupao favorita como mestre de crianas 
continuou durante muitos anos a exercer vasta influncia, sendo o instrumento a 
chamar a ateno de muitos para o estudo das profecias que indicavam a prxima 
vinda do Senhor.
Na Escandinvia, tambm, a mensagem do advento foi proclamada e suscitou 
grande interesse. Muitos despertaram do descuidoso sentimento de segurana 
para confessar e abandonar seus pecados, buscando perdo em Cristo. O clero da 
igreja do Estado, porm, ops-se ao movimento, e por meio de sua influncia 
alguns que pregavam a mensagem foram lanados na priso. Em muitos lugares, 
onde os pregadores da prxima vinda do Senhor foram desta maneira silenciados, 
Deus Se serviu enviar a mensagem de um modo miraculoso, por meio de 
criancinhas. Como fossem menores, a lei do Estado no as poderia proibir, e foi-
lhes permitido falar sem serem molestadas.
O movimento ocorreu, principalmente, entre as classes mais humildes, e o povo 
reunia-se nas modestas moradas dos trabalhadores para ouvir a advertncia. Os 
mesmos pregadores infantis eram na maior parte habitantes pobres de cabanas. 
Alguns deles no tinham mais de seis ou oito anos de idade; e, ao mesmo tempo 
que sua vida testificava que amavam o Salvador e procuravam viver em 
obedincia aos santos mandamentos de Deus, manifestavam, de ordinrio, apenas 
a habilidade e inteligncia que geralmente se vem nas crianas daquela idade. 
Quando se encontravam em p diante do povo,
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evidenciava-se, entretanto, que eram movidos por uma influncia acima dos seus 
dotes naturais. O tom da voz e as maneiras se transformavam, e com poder 
solene faziam a advertncia do juzo, empregando as prprias palavras das 
Escrituras: Temei a Deus, e dai-Lhe glria; porque vinda  a hora de Seu juzo. 
Reprovavam os pecados do povo, no somente condenando a imoralidade e o 
vcio, mas repreendendo o mundanismo e a apostasia, admoestando os ouvintes a 
que fugissem apressadamente da ira vindoura.
O povo ouvia com tremor. O Esprito convincente de Deus falava-lhes ao corao. 
Muitos eram levados a pesquisar as Escrituras com novo e mais profundo 
interesse; os intemperantes e imorais corrigiam-se; outros abandonavam as 
prticas desonestas, e fazia-se uma obra to assinalada, que mesmo pastores da 
igreja do Estado eram obrigados a reconhecer que a mo de Deus estava no 
movimento.
Era vontade de Deus que as novas da vinda do Salvador fossem dadas nos pases 
escandinavos; e, quando silenciou a voz de Seus servos, ps Ele Seu Esprito 
sobre as crianas para que a obra pudesse cumprir-se. Quando Jesus Se 
aproximava de Jerusalm acompanhado das multides jubilosas que, com brados 
de triunfo e agitao de ramos de palmeiras O aclamavam como Filho de Davi, os 
invejosos fariseus apelaram para Ele a fim de que as fizesse silenciar; Jesus, 
porm, respondeu que tudo aquilo era o cumprimento da profecia, e que, se 
aquelas vozes se calassem, as prprias pedras clamariam. O povo, intimidado 
pelas ameaas dos sacerdotes e prncipes, cessou com a alegre proclamao ao 
entrar pelas portas de Jerusalm; mas as crianas, nos ptios do templo, 
entoavam em seguida o estribilho e, agitando ramos de palmeira, clamavam: 
Hosana ao Filho de Davi! Mat. 21:8-16. Quando os fariseus, profundamente 
descontentes, Lhe disseram: Ouves o que estes dizem?  Jesus respondeu: 
Sim; nunca lestes: pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o 
perfeito louvor? Assim como Deus agiu por meio das crianas no tempo do 
primeiro advento
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de Cristo, tambm o fez ao dar a mensagem de Seu segundo advento. A Palavra 
de Deus deve cumprir-se para que a proclamao da vinda do Salvador seja feita a 
todos os povos, lnguas e naes.
A Guilherme Miller e seus cooperadores coube a pregao desta advertncia na 
Amrica do Norte. Este pas se tornou o centro da grande obra do advento. Foi 
aqui que a profecia da mensagem do primeiro anjo teve o cumprimento mais 
direto. Os escritos de Miller e seus companheiros foram levados a pases distantes. 
Em todo o mundo, onde quer que houvessem penetrado missionrios, para ali se 
enviaram as alegres novas da breve volta de Cristo. Por toda parte se propagou a 
mensagem do evangelho eterno: Temei a Deus, e dai-Lhe glria; porque vinda  
a hora do Seu juzo.
O testemunho das profecias que pareciam indicar a vinda de Cristo na primavera 
de 1844, apoderou-se profundamente do esprito do povo. Ao ir a mensagem de 
um Estado para outro, despertou-se por toda parte grande interesse. Muitos 
estavam convictos de que os argumentos tirados dos perodos profticos eram 
corretos e, sacrificando o orgulho de suas opinies, recebiam alegremente a 
verdade. Alguns pastores puseram de lado suas idias e sentimentos sectaristas e, 
renunciando a seus salrios e suas igrejas, uniram-se na proclamao da vinda de 
Jesus. Houve, entretanto, relativamente poucos pastores que aceitaram esta 
mensagem; foi, por conseguinte, confiada em grande parte aos humildes leigos. 
Lavradores deixavam os campos, mecnicos as ferramentas, negociantes as suas 
mercadorias, profissionais os seus cargos; no obstante, o nmero de obreiros era 
pequeno em comparao com a obra a ser empreendida. A condio de uma igreja 
mpia, e um mundo jazendo na maldade, pesavam na alma dos verdadeiros vigias, 
e eles voluntariamente suportavam as fadigas, privaes e sofrimento, a fim de 
que pudessem chamar os homens ao arrependimento para a salvao. A obra, 
ainda que Satans se opusesse, prosseguia firmemente, sendo a verdade do 
advento aceita por muitos milhares.
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Por toda parte se ouvia o penetrante testemunho, advertindo os pecadores, tanto 
mundanos como membros da igreja, a fugirem da ira vindoura. Quais Joo Batista, 
o precursor de Cristo, os pregadores punham o machado  raiz da rvore, e com 
todos insistiam em que produzissem frutos dignos de arrependimento. Seus 
fervorosos apelos achavam-se em evidente contraste com as afirmaes de paz e 
segurana que se ouviam dos plpitos populares; e, onde quer que a mensagem 
fosse apresentada, comovia o povo. O simples e direto testemunho das Escrituras, 
levado ao corao pelo poder do Esprito Santo, comunicava-lhes um peso de 
convico a que poucos eram capazes de resistir inteiramente. Os que 
professavam a religio eram despertos de sua falsa segurana. Viam sua 
apostasia, mundanidade e incredulidade, seu orgulho e egosmo. Muitos buscavam 
o Senhor com arrependimento e humilhao. Fixavam agora no Cu as afeies 
que durante tanto tempo se haviam apegado s coisas terrenas. O Esprito de 
Deus repousava sobre eles, e, com corao abrandado e subjugado, uniam-se para 
fazer soar o clamor: Temei a Deus, e dai-Lhe glria; porque vinda  a hora do 
Seu juzo.
Pecadores, chorando, perguntavam: Que devo fazer para me salvar? Aqueles, 
cuja vida tinha sido assinalada pela desonestidade, estavam ansiosos por fazer a 
devida restituio. Todos os que encontravam paz em Cristo anelavam ver outros 
participarem desta bno. O corao dos pais se convertia aos filhos, e o dos 
filhos aos pais. As barreiras do orgulho e reserva foram varridas. Fizeram-se 
confisses sinceras, e os membros da famlia trabalhavam pela salvao dos mais 
queridos e dos que mais perto se achavam. Freqentemente se ouvia a voz de 
fervorosa intercesso. Por toda parte havia almas em profunda angstia, lutando 
com Deus. Muitos passavam em orao a noite toda para obter a certeza de que 
seus pecados estavam perdoados, ou pela converso dos parentes ou vizinhos.
Todas as classes se congregavam nas reunies adventistas. Ricos e pobres, 
grandes e humildes, achavam-se, por vrios motivos, ansiosos por ouvir, por si 
mesmos, a doutrina do segundo
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Pg. 370
advento. O Senhor detinha o esprito de oposio enquanto Seus servos 
explicavam as razes de sua f. Algumas vezes o instrumento era fraco; mas o 
Esprito de Deus dava poder a Sua verdade. Sentia-se a presena dos santos anjos 
nessas assemblias, e muitos eram diariamente acrescentados aos crentes. Ao 
serem repetidas as provas da prxima vinda de Cristo, vastas multides 
escutavam silenciosas e extasiadas, as solenes palavras. O Cu e a Terra pareciam 
aproximar-se um do outro. O poder de Deus se fazia sentir em velhos e jovens, e 
nos de meia-idade. Os homens procuravam seus lares com louvores nos lbios, 
ressoando o som festivo no ar silencioso da noite. Pessoa alguma que haja 
assistido quelas reunies jamais poder esquecer-se dessas cenas do mais 
profundo interesse.
A proclamao de um tempo definido para a vinda de Cristo despertou grande 
oposio de muitos, dentre todas as classes, desde o pastor, no plpito, at ao 
mais ousado pecador. Cumpriram-se as palavras da profecia: Nos ltimos dias 
viro escarnecedores, andando segundo suas prprias concupiscncias, e dizendo: 
Onde est a promessa de Sua vinda? porque desde que os pais dormiram todas as 
coisas permanecem como desde o princpio da criao. II Ped. 3:3 e 4. Muitos que 
professavam amar ao Salvador, declaravam que no se opunham  doutrina do 
segundo advento; faziam objees, unicamente, ao tempo definido. Mas os olhos 
de Deus, que vem tudo, liam-lhes o corao. No desejavam ouvir acerca da 
vinda de Cristo para julgar o mundo com justia. Haviam sido servos infiis; suas 
obras no resistiriam  inspeo do Deus que sonda os coraes, e receavam 
encontrar-se com o Senhor. Tais como os judeus nos dias de Cristo, no estavam 
preparados para receb-Lo. No somente se recusavam a ouvir os claros 
argumentos das Escrituras Sagradas, mas procuravam ridicularizar aos que 
aguardavam o Senhor. Satans e seus anjos exultavam e lanavam afronta ao 
rosto de Cristo e dos santos anjos, por ter Seu povo professo to pouco amor por 
Ele que no desejavam o Seu aparecimento.
Daquele dia e hora ningum sabe, era o argumento mais freqentemente 
aduzido pelos que rejeitavam a f do advento.
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Pg. 371
A passagem : Daquele dia e hora ningum sabe, nem os anjos do Cu, nem o 
Filho, mas unicamente Meu Pai. Mat. 24:36. Uma explicao clara e harmoniosa 
desta passagem era apresentada pelos que aguardavam o Senhor, e o emprego 
errneo que da mesma faziam seus oponentes foi claramente demonstrado. Estas 
palavras foram proferidas por Cristo na memorvel conversao com os discpulos, 
no Monte das Oliveiras, depois que Ele, pela ltima vez, Se afastou do templo. Os 
discpulos haviam feito a pergunta: Que sinal haver de Tua vinda e do fim do 
mundo? Jesus lhes deu sinais, e disse: Quando virdes todas estas coisas, sabei 
que Ele est prximo s portas. Mat. 24:3 e 33. No se deve admitir que uma 
declarao do Senhor destrua outra. Conquanto ningum saiba o dia ou a hora de 
Sua vinda, somos instrudos quanto  sua proximidade, e isto nos  exigido saber. 
Demais, -nos ensinado que desatender  advertncia ou recusar saber a 
proximidade do advento do Salvador, ser-nos- to fatal como foi aos que viveram 
nos dias de No o no saber quando viria o dilvio. E a parbola, no mesmo 
captulo, pe em contraste o servo fiel com o infiel e d a sentena ao que disse 
em seu corao  O meu Senhor tarde vir. Mostra sob que luz Cristo olhar e 
recompensar os que encontrar vigiando e pregando Sua vinda, bem como os que 
a negam. Vigiai, pois, diz Ele; bem-aventurado aquele servo que o Senhor, 
quando vier, achar servindo assim. (Mat. 24:42-51.) Se no vigiares, virei sobre 
ti como um ladro, e no sabers a que hora sobre ti virei. Apoc. 3:3.
Paulo fala de uma classe para a qual o aparecimento do Senhor h de ser 
surpresa. O dia do Senhor vir como o ladro de noite; pois que quando 
disserem: H paz e segurana; ento lhes sobrevir repentina destruio,  e de 
modo nenhum escaparo. Mas ele diz aos que atendem  advertncia do 
Salvador: Vs, irmos, j no estais em trevas, para que aquele dia vos 
surpreenda como um ladro; porque todos vs sois filhos da luz e filhos do dia; 
ns no somos da noite nem das trevas. I Tess. 5:2-5.
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Pg. 372
Mostrou-se assim que as Escrituras no oferecem garantia aos homens que 
permanecem em ignorncia com relao  proximidade da vinda de Cristo. 
Aqueles, porm, que unicamente desejavam uma desculpa para rejeitar a verdade, 
fechavam os ouvidos a esta explicao; e as palavras  Daquele dia e hora 
ningum sabe  continuaram a ser repetidas pelos audaciosos escarnecedores e 
mesmo pelos professos ministros de Cristo. Ao despertarem os homens e 
comearem a inquirir do caminho da salvao, interpuseram-se ensinadores 
religiosos, entre aqueles e a verdade, procurando acalmar-lhes os temores com 
interpretaes falsas da Palavra de Deus. Infiis vigias uniram-se na obra do 
grande enganador, clamando: Paz, Paz! quando Deus no havia falado de paz. 
Muitos, tais quais os fariseus do tempo de Cristo, se recusaram a entrar no reino 
do Cu e embaraavam aos que estavam entrando. O sangue dessas almas ser-
lhes- requerido.
Os mais humildes e devotos nas igrejas eram geralmente os primeiros a receber a 
mensagem. Os que estudavam por si mesmos a Escritura Sagrada no podiam 
deixar de ver o desacordo das opinies populares com os textos sagrados 
referentes  profecia. Onde quer que o povo no fosse dirigido pela influncia do 
clero; onde quer que por si mesmos investigassem as Escrituras, a doutrina do 
advento precisava apenas ser comparada com as Escrituras para estabelecer-lhe a 
autoridade divina.
Muitos eram perseguidos por seus irmos descrentes. Alguns, a fim de conservar 
sua posio na igreja, resolveram no falar a respeito de sua esperana; outros, 
porm, sentiam que a lealdade para com Deus no lhes permitia ocultar desta 
maneira as verdades que Ele lhes confiara. No poucos foram separados da 
comunidade da igreja, unicamente pelo motivo de exprimirem sua crena na vinda 
de Cristo. Mui preciosas se tornaram, aos que suportavam esta prova de sua f, as 
palavras do profeta: Vossos irmos que vos aborrecem e longe de si vos separam 
por amor do Meu nome, dizem: Glorifique-Se o Senhor; porm aparecer para a 
vossa alegria, e eles sero confundidos. Isa. 66:5, Verso Inglesa.
Anjos de Deus observavam, com o mais profundo interesse,
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Pg. 373
o resultado da advertncia. Quando houve uma rejeio geral da mensagem por 
parte das igrejas, afastaram-se os anjos com tristeza. Muitos havia, porm, que 
ainda no tinham sido provados quanto  verdade do advento. Muitas pessoas 
eram transviadas por maridos, esposas, pais ou filhos, e fazia-se-lhes crer que era 
pecado at mesmo o escutar as heresias pregadas pelos adventistas. Os anjos 
receberam ordem de velar fielmente por aquelas almas; pois outra luz, procedente 
do trono de Deus, deveria ainda resplandecer sobre elas.
Com inexprimvel desejo, os que haviam recebido a mensagem aguardavam a 
vinda do Salvador. O tempo em que esperavam encontrar-se com Ele estava s 
portas. Com calma e solenidade viam aproximar-se a hora. Permaneciam em doce 
comunho com Deus, como que antegozando a paz que desfrutariam no glorioso 
porvir. Pessoa alguma que haja experimentado esta confiante esperana, poder 
esquecer-se daquelas preciosas horas de expectativa. Algumas semanas antes do 
tempo, as ocupaes seculares foram em sua maior parte postas de lado. Como se 
estivessem no leito de morte, e devessem dentro de poucas horas cerrar os olhos 
s cenas terrestres, os crentes sinceros examinavam cuidadosamente todos os 
pensamentos e emoes de seu corao. No houve confeco de vestes para a 
ascenso; todos sentiam, porm, a necessidade de evidncia ntima de que 
estavam preparados para encontrar-se com o Salvador; suas vestes brancas eram 
a pureza da alma  o carter purificado do pecado pelo sangue expiatrio de 
Cristo. Oxal ainda houvesse entre o povo professo de Deus o mesmo esprito de 
exame do corao, a mesma f, ardorosa e resoluta. Houvessem eles desta 
maneira continuado a humilhar-se perante o Senhor, a instar com suas peties 
no propiciatrio, e estariam de posse de uma experincia muito mais rica do que 
aquela que ora possuem. H muito pouca orao, muita falta de verdadeira 
convico do pecado, e a ausncia de uma f viva deixa a muitos destitudos da 
graa to ricamente provida por nosso Redentor.
Deus intentara provar o Seu povo. Sua mo ocultou um erro
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no cmputo dos perodos profticos. Os adventistas no descobriram esse erro; 
tampouco foi descoberto pelos mais instrudos de seus oponentes. Estes ltimos 
diziam: Vossa contagem dos perodos profticos  correta. Qualquer grande 
acontecimento est prestes a ocorrer; mas no  o que o senhor  Miller prediz:  a 
converso do mundo, e no o segundo advento de Cristo.
Passou-se o tempo de expectao e Cristo no apareceu para o libertamento de 
Seu povo. Os que com f e amor sinceros haviam esperado o Salvador, 
experimentaram amargo desapontamento. Todavia, os propsitos de Deus se 
cumpriam: estava Ele a provar o corao dos que professavam estar  espera de 
Seu aparecimento. Muitos havia, entre eles, que no tinham sido constrangidos 
por motivos mais elevados do que o medo. A profisso de f no lhes transformara 
o corao nem a vida. No se realizando o acontecimento esperado declararam 
essas pessoas que no se achavam decepcionadas; nunca tinham crido que Cristo 
viria. Contavam-se entre os primeiros a ridicularizar a tristeza dos verdadeiros 
crentes.
Mas Jesus e toda a hoste celestial olhavam com amor e simpatia para os provados 
e fiis, embora decepcionados. Pudesse descerrar-se o vu que separava o mundo 
visvel do invisvel, e ter-se-iam visto anjos aproximando-se daquelas almas 
constantes, escudando-as dos dardos de Satans.
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A Causa da Degradao Atual
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Ao pregar a doutrina do segundo advento, Guilherme Miller e seus companheiros 
haviam trabalhado com o nico propsito de despertar os homens ao preparo para 
o juzo. Tinham procurado acordar os que professavam a religio, para a 
verdadeira esperana da igreja, e lev-los a sentir a necessidade de uma 
experincia crist mais profunda; trabalhavam, tambm, para acordar os no-
conversos ao dever de imediato arrependimento e converso a Deus. No faziam 
tentativas para converter os homens a uma seita ou partido em matria de 
religio. Da o trabalharem entre todas as faces e seitas, sem interferncias com 
sua organizao ou disciplina.
Em todos os meus trabalhos, disse Miller, nunca tive o desejo ou o pensamento 
de criar qualquer interesse separado do das denominaes existentes, ou de 
beneficiar uma em detrimento de outra. Pensava em beneficiar a todas. Supondo 
que todos os cristos se regozijassem com a perspectiva da vinda de Cristo, e que 
os que no viam as coisas como eu as via, no haveriam, por isso, de 
menosprezar os crentes nesta doutrina, no pensei em qualquer necessidade de 
reunies separadas. Todo o meu objetivo se concentrava no desejo de converter 
almas a Deus, cientificar o mundo do juzo vindouro e induzir meus semelhantes a 
fazer o preparo de corao que os habilitaria a encontrar-se com seu Deus em paz. 
A grande maioria dos que se converteram pelos meus trabalhos, uniram-se s 
vrias igrejas existentes.  Memrias de Guilherme Miller, Bliss.
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Como sua obra tendia a edificar as igrejas, foi por algum tempo olhada com favor. 
Mas, decidindo-se os pastores e os dirigentes religiosos contra a doutrina da 
segunda vinda de Cristo, e desejando suprimir toda agitao a respeito, no 
somente se opuseram a ela, do plpito, mas tambm negaram a seus membros o 
privilgio de assistir a pregaes sobre o assunto, ou mesmo falar de tal esperana 
nas reunies de orao da igreja. Assim, encontraram-se os crentes em grande 
provao e perplexidade. Amavam suas igrejas, e repugnava-lhes o separar-se 
delas; mas como vissem suprimido o testemunho da Palavra de Deus e negado o 
direito de pesquisar as profecias, compreenderam que a lealdade para com o 
Senhor lhes vedava a submisso. No poderiam considerar os que procuravam 
excluir o testemunho da Palavra de Deus como constituindo a igreja de Cristo, 
coluna e base da verdade. Da o se sentirem justificados em desligar-se dessas 
congregaes. No vero de 1844 aproximadamente cinqenta mil se retiraram das 
igrejas.
Por esse tempo, uma assinalada mudana se presenciou na maioria das igrejas dos 
Estados Unidos. Havia muitos anos se vinha verificando uma conformao cada 
vez maior, gradual mas constante, com as prticas e costumes do mundo, e bem 
assim um declnio correspondente na verdadeira vida espiritual; mas, naquele ano, 
evidenciou-se uma decadncia sbita e notvel em quase todas as igrejas do pas. 
Se bem que ningum parecesse capaz de indicar a causa, o fato em si mesmo era 
largamente notado e comentado, tanto pela imprensa como do plpito.
Numa reunio do presbitrio de Filadlfia, o senhor Barnes, autor de um 
comentrio largamente usado e pastor de uma das principais igrejas daquela 
cidade, declarou que estava no ministrio fazia vinte anos e nunca, at  ltima 
comunho, tinha administrado a ordenana sem receber na igreja novos membros, 
ora mais ora menos. Agora, acrescentou, no h despertamento nem converses, 
tampouco se evidencia crescimento em graa por parte dos que professam a 
religio, e ningum chegava ao seu gabinete de estudo a fim de falar a respeito da
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salvao da alma. Com o prosperar dos negcios e as brilhantes perspectivas do 
comrcio e da indstria, aumentou o esprito de mundanismo. Isto se d com 
todas as denominaes.  Congregational Journal, de 23 de maio de 1844.
No ms de fevereiro do mesmo ano, o Prof. Finney, do Colgio Oberlin, disse: 
Temos tido perante o esprito o fato de que, em geral, as igrejas protestantes de 
nosso pas so, como tais, ou apticas ou hostis a quase todas as reformas morais 
da poca. H algumas excees, todavia insuficientes para que isso deixe de ser 
geral. Nota-se, alm disso, a falta quase universal de influncia revivificadora nas 
igrejas. A apatia espiritual invade quase tudo, e  terrivelmente profunda; assim 
testifica a imprensa religiosa de todo o pas.  Quase que geralmente, os 
membros da igreja esto-se tornando seguidores da moda: do mos aos 
descrentes nas reunies de prazer, nas danas, nas festas, etc.  Mas no 
necessitamos de nos expandir neste assunto lastimvel. Basta que as provas se 
intensifiquem e se despenhem pesadamente sobre ns, para mostrar que as 
igrejas em geral se esto degenerando lamentavelmente. Elas se tm afastado 
muito do Senhor, que Se retirou delas.
E um escritor, no Religious Telescope, testificou: Nunca testemunhamos declnio 
religioso to generalizado como no presente. Em verdade, a igreja deveria 
despertar e pesquisar a causa desta situao aflitiva; pois, como aflito  que 
deveria ser encarado este estado de coisas por todo aquele que ama a Sio. 
Quando nos lembramos de quo poucos e espaados casos de verdadeira 
converso existem, e da insolncia e obstinao dos pecadores, quase sem 
precedentes, exclamamos como que involuntariamente: Esqueceu-Se Deus de ser 
misericordioso? ou est fechada a porta da graa?
Semelhante condio nunca prevalece sem causa na prpria igreja. As trevas 
espirituais que caem sobre as naes, igrejas e indivduos, so devidas, no  
retirada arbitrria do socorro da graa divina, por parte de Deus, mas  
negligncia ou rejeio da luz divina por parte dos homens. Exemplo
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frisante desta verdade v-se na histria do povo judeu no tempo de Cristo. Pelo 
apego ao mundo e esquecimento de Deus e Sua Palavra, tornou-se-lhes 
obscurecido o entendimento, e o corao mundano e sensual. Da estarem em 
ignorncia quanto ao advento do Messias e, em seu orgulho e incredulidade, 
rejeitarem o Redentor. Mesmo assim, Deus no privou a nao judaica do 
conhecimento das bnos da salvao, ou de participar delas. Aqueles, porm, 
que rejeitaram a verdade, perderam todo o desejo do dom do Cu. Tinham posto 
as trevas pela luz, e a luz pelas trevas, at que a luz que neles estava se tornou 
em trevas; e quo grandes eram as trevas!
Convm  poltica de Satans que os homens conservem as formas da religio, 
embora falte o esprito da piedade vital. Depois de terem rejeitado o evangelho, os 
judeus continuaram zelosamente a manter seus antigos ritos; preservavam com 
rigor o exclusivismo nacional, ao mesmo tempo em que no podiam deixar de 
admitir que a presena de Deus no mais era entre eles manifesta. A profecia de 
Daniel apontava to insofismavelmente para o tempo da vinda do Messias, e to 
diretamente lhes predizia Sua morte, que eles desanimavam o estudo dessa 
profecia, e finalmente os rabis pronunciaram a maldio sobre todos os que 
tentassem uma contagem do tempo. Em sua cegueira e impenitncia, o povo de 
Israel tem permanecido, por mil e novecentos anos, indiferente ao misericordioso 
oferecimento de salvao, despreocupado das bnos do evangelho como solene 
e terrvel advertncia do perigo de rejeitar a luz do Cu.
Onde quer que exista causa idntica, os mesmos efeitos se seguiro. Aquele que 
deliberadamente abafa as convices do dever, pelo fato de se achar este em 
conflito com as tendncias pessoais, perder finalmente a faculdade de discernir a 
verdade do erro. Obscurece-se o entendimento, a conscincia se torna calejada, o 
corao endurecido, e a alma se separa de Deus. Onde a mensagem da verdade 
divina  desdenhada e tratada levianamente, ali a igreja se envolve em trevas; 
esfriam a f e o amor; entram a separao e a discrdia. Os
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membros da igreja centralizam seus interesses e energias em empreendimentos 
mundanos, e os pecadores se tornam endurecidos em sua impenitncia.
A mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14, anunciando a hora do juzo de 
Deus e apelando para os homens a fim de O temer e adorar, estava destinada a 
separar o povo professo de Deus das influncias corruptoras do mundo, e 
despert-lo a fim de ver seu verdadeiro estado de mundanismo e apostasia. Deus 
enviou  igreja, nesta mensagem, uma advertncia que, se fosse aceita, teria 
corrigido os males que a estavam apartando dEle. Houvessem os homens recebido 
a mensagem do Cu, humilhando o corao perante o Senhor, buscando com 
sinceridade o preparo para estar em p em Sua presena, o Esprito e poder de 
Deus ter-se-iam manifestado entre eles. A igreja de novo teria atingido o bendito 
estado de unidade, f e amor, que houve nos dias apostlicos, em que era um o 
corao e a alma dos crentes, e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus, 
dias em que acrescentava o Senhor  igreja aqueles que se haviam de salvar. 
Atos 4:32 e 31; 2:47.
Recebesse o professo povo de Deus a luz tal como lhe refulge da Sua Palavra, e 
alcanaria a unidade por que Cristo orou, a qual o apstolo descreve como a 
unidade do Esprito pelo vnculo da paz. H, diz ele, um s corpo e um s 
Esprito, como tambm fostes chamados em uma s esperana da vossa vocao; 
um s Senhor, uma s f, um s batismo. Efs. 4:3-5.
Foram estes os benditos resultados frudos pelos que aceitaram a mensagem 
adventista. Vieram de denominaes vrias, e as barreiras denominacionais foram 
arremessadas ao cho; credos em conflito eram reduzidos a tomos; a esperana 
de um milnio terreal, em desacordo com a Escritura Sagrada, foi posta de lado e 
corrigidas opinies falsas sobre o segundo advento; varridos o orgulho e a 
conformao ao mundo; repararam-se injustias; os coraes se uniram na mais 
doce comunho, e o amor e a alegria reinaram supremos. Se esta
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doutrina fez isto pelos poucos que a receberam, o mesmo teria feito a todos, se 
todos a houvessem recebido.
Mas as igrejas, em geral, no aceitaram a advertncia. Os pastores, que, como 
vigias sobre a casa de Israel, deveriam ter sido os primeiros a discernir os sinais 
da vinda de Jesus, no quiseram saber a verdade, quer pelo testemunho dos 
profetas, quer pelos sinais dos tempos.  medida que as esperanas e ambies 
mundanas lhes encheram o corao, arrefeceram o amor para com Deus e a f em 
Sua Palavra; e, quando a doutrina do advento era apresentada, apenas suscitava 
preconceito e descrena. O fato de ser a mensagem em grande parte pregada por 
leigos, era insistentemente apresentado como argumento contra a mesma. Como 
na antigidade, ao claro testemunho da Palavra de Deus opunha-se a indagao: 
Tm crido alguns dos prncipes ou dos fariseus? E vendo quo difcil tarefa era 
refutar os argumentos aduzidos dos perodos profticos, muitos desanimavam o 
estudo das profecias, ensinando que os livros profticos estavam selados, e no 
deveriam ser compreendidos. Multides, confiando implicitamente nos pastores, 
recusaram-se a ouvir a advertncia; e outros, ainda que convictos da verdade, no 
ousavam confess-la para no serem expulsos da sinagoga. A mensagem que 
Deus enviara para provar e purificar a igreja revelou com muita evidncia quo 
grande era o nmero dos que haviam posto a afeio neste mundo ao invs de em 
Cristo. Os laos que os ligavam  Terra, mostravam-se mais fortes do que as 
atraes ao Cu. Preferiam ouvir a voz da sabedoria mundana, e desviavam-se da 
probante mensagem da verdade.
Rejeitando a advertncia do primeiro anjo, desprezaram os meios que o Cu 
provera para a sua restaurao. Desacataram o mensageiro de graa que teria 
corrigido os males que os separavam de Deus, e com maior avidez volveram  
busca da amizade do mundo. Eis a a causa da terrvel condio de mundanismo, 
apostasia e morte espiritual, que prevalecia nas igrejas em 1844.
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Pg. 381
No captulo 14 do Apocalipse, o primeiro anjo  seguido por um segundo anjo, que 
proclama: Caiu, caiu Babilnia, aquela grande cidade, que a todas as naes deu 
a beber do vinho da ira da sua prostituio. Apoc. 14:8. O termo Babilnia  
derivado de Babel e significa confuso.  empregado nas Escrituras para 
designar as vrias formas de religio falsa ou apstata. Em Apocalipse, captulo 
17, Babilnia  representada por uma mulher  figura que a Bblia usa como 
smbolo de igreja, sendo uma mulher virtuosa a igreja pura, e uma mulher 
desprezvel, a igreja apstata.
Nas Escrituras, o carter sagrado e permanente da relao entre Cristo e Sua 
igreja  representado pela unio matrimonial. O Senhor uniu a Si o Seu povo, por 
meio de um concerto solene, prometendo-lhe ser seu Deus, enquanto o povo se 
comprometia a ser unicamente dEle. Disse o Senhor: E desposar-te-ei comigo 
para sempre; desposar-te-ei comigo em justia, e em juzo, e em benignidade, e 
em misericrdias. Os. 2:19. E noutro lugar: Eu vos desposarei. Jer. 3:14. E 
Paulo emprega a mesma figura no Novo Testamento, quando diz: Porque vos 
tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a 
saber, a Cristo. II Cor. 11:2.
A infidelidade da igreja para com Cristo, permitindo que sua confiana e afeio 
dEle se desviem, e consentindo que o amor s coisas mundanas ocupe a alma,  
comparada com a violao do voto conjugal. O pecado de Israel, afastando-se do 
Senhor,  apresentado sob esta figura; e o maravilhoso amor de Deus, que assim 
desprezam,  descrito de maneira tocante: Dei-te juramento, e entrei em 
concerto contigo, diz o Senhor Jeov, e tu ficaste sendo Minha. E foste formosa 
em extremo, e foste prspera, at chegares a ser rainha. E correu a tua fama 
entre as naes, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da Minha 
glria que Eu tinha posto sobre ti.  Mas confiaste na tua formosura, e te 
corrompeste por causa da tua fama. Como a mulher se aparta aleivosamente do 
seu companheiro, assim aleivosamente te houveste
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Pg. 382
comigo,  casa de Israel, diz o Senhor; como a mulher adltera que, em lugar de 
seu marido, recebe os estranhos. Ezeq. 16:8, 13-15 e 32; Jer. 3:20.
No Novo Testamento, expresso muito semelhante  dirigida aos professos 
cristos que buscam a amizade do mundo, de preferncia ao favor de Deus. Diz o 
apstolo Tiago: Adlteros e adlteras, no sabeis vs que a amizade do mundo  
inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo 
constitui-se inimigo de Deus.
A mulher (Babilnia) de Apocalipse 17,  descrita como estando vestida de 
prpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e prolas; e 
tinha na sua mo um clice de ouro cheio das abominaes e da imundcie;  e na 
sua testa estava escrito o nome: Mistrio, a grande Babilnia, a me das 
prostituies. Diz o profeta: Vi que a mulher estava embriagada do sangue dos 
santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. Declara ainda ser Babilnia a 
grande cidade que reina sobre os reis da Terra. Apoc. 17:4-6 e 18. O poder que 
por tantos sculos manteve desptico domnio sobre os monarcas da cristandade, 
 Roma. A cor prpura e escarlata, o ouro, as prolas e pedras preciosas, pintam 
ao vivo a magnificncia e extraordinria pompa ostentadas pela altiva S de 
Roma. E de nenhuma outra potncia se poderia, com tanto acerto, declarar que 
est embriagada do sangue dos santos, como daquela igreja que to cruelmente 
tem perseguido os seguidores de Cristo. Babilnia  tambm acusada do pecado 
de relao ilcita com os reis da Terra. Foi pelo afastamento do Senhor e aliana 
com os gentios que a igreja judaica se tornou prostituta; e Roma, corrompendo-se 
de modo semelhante ao procurar o apoio dos poderes do mundo, recebe 
condenao idntica.
Declara-se que Babilnia  me das prostitutas. Como suas filhas devem ser 
simbolizadas as igrejas que se apegam s suas doutrinas e tradies, seguindo-lhe 
o exemplo em sacrificar a verdade e a aprovao de Deus, a fim de estabelecer
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Pg. 383
uma aliana ilcita como mundo. A mensagem de Apocalipse 14, anunciando a 
queda de Babilnia, deve aplicar-se s organizaes religiosas que se 
corromperam. Visto que esta mensagem se segue  advertncia acerca do juzo, 
deve ser proclamada nos ltimos dias; portanto, no se refere apenas  Igreja de 
Roma, pois que esta igreja tem estado em condio decada h muitos sculos. 
Demais, no captulo 18 do Apocalipse, o povo de Deus  convidado a sair de 
Babilnia. De acordo com esta passagem, muitos do povo de Deus ainda devem 
estar em Babilnia. E em que corporaes religiosas se encontrar hoje a maior 
parte dos seguidores de Cristo? Sem dvida, nas vrias igrejas que professam a f 
protestante. Ao tempo em que surgiram, assumiram estas uma nobre posio no 
tocante a Deus e  verdade, e Sua bno com elas estava. Mesmo o mundo 
incrdulo foi constrangido a reconhecer os benficos resultados que se seguiam  
aceitao dos princpios do evangelho. Nas palavras do profeta a Israel: E correu 
a tua fama entre as naes, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por 
causa da Minha glria que Eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Jeov. Ezeq. 
16:14. Caram, porm, pelo mesmo desejo que foi a maldio e runa de Israel  o 
desejo de imitar as prticas dos mpios e buscar-lhes a amizade. Confiaste na tua 
formosura, e te corrompeste por causa da tua fama. Ezeq. 16:15.
Muitas das igrejas protestantes esto seguindo o exemplo de Roma na inqua 
aliana com os reis da Terra: igrejas do Estado, mediante suas relaes com os 
governos seculares; e outras denominaes, pela procura do favor do mundo. E o 
termo Babilnia  confuso  pode apropriadamente aplicar-se a estas 
corporaes; todas professam derivar suas doutrinas da Escritura Sagrada, e, no 
entanto, esto divididas em quase inmeras seitas, com credos e teorias 
grandemente contraditrios.
Alm da pecaminosa unio com o mundo, as igrejas que se separaram de Roma 
apresentam outras caractersticas desta.
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Pg. 384
Uma obra catlica romana argumenta que, se a Igreja de Roma foi culpada de 
idolatria, com relao aos santos, sua filha, a Igreja Anglicana, tem a mesma 
culpa, pois tem dez igrejas dedicadas a Maria para uma dedicada a Cristo.  Dr. 
Challoner, The Catholic Christian Instructed, no prefcio. E o Dr. Hopkins, no 
Tratado Sobre o Milnio, declara: No h motivo para se considerar o esprito e 
prtica anticristos como sendo restritos ao que hoje se chama a Igreja de Roma. 
Nas igrejas protestantes muito se encontra do anticristo, e longe esto de se 
acharem completamente reformadas das  corrupes e impiedade.  Obras, 
Samuel Hopkins.
Com respeito  separao da Igreja Presbiteriana da de Roma, escreve o Dr. 
Guthrie: H trezentos anos, nossa igreja, com uma Bblia aberta em seu 
estandarte, e ostentando esta divisa  Examinai as Escrituras  saiu das portas 
de Roma. Faz logo a significativa pergunta: Saram de Babilnia limpos?  O 
Evangelho em Ezequiel, de John Guthrie.
A Igreja Anglicana, diz Spurgeon, parece estar profundamente minada pelo 
sacramentarismo; mas os dissidentes parecem quase to contaminados pela 
incredulidade filosfica quanto ela. Aqueles de quem espervamos melhores coisas 
esto se desviando, um a um, dos fundamentos da f. O corao da Inglaterra 
mesmo, creio eu, est completamente carcomido por uma condenvel 
incredulidade, que ousa todavia ir ao plpito e intitular-se crist.
Qual foi a origem desta grande apostasia? Como, a princpio, se afastou a igreja da 
simplicidade do evangelho? Conformando-se com as prticas do paganismo, a fim 
de facilitar a aceitao da doutrina crist pelos pagos. O apstolo Paulo, em seus 
dias declarou: J o mistrio da injustia opera. II Tess. 2:7. Durante a vida dos 
apstolos a Igreja permaneceu relativamente pura. Mas, pelo fim do sculo II, a 
maioria das igrejas tomou nova forma; desapareceu a primitiva simplicidade, e, 
insensivelmente, ao baixarem ao tmulo os velhos discpulos, seus filhos, 
juntamente
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Pg. 385
com os novos conversos,  puseram-se  frente da causa e lhe deram novo 
molde.  Pesquisas Eclesisticas, Roberto Robinson. Para conseguir conversos, 
aviltou-se o elevado estandarte da f crist, e, como resultado, uma inundao 
pag, invadindo a igreja, trouxe consigo seus costumes, prticas e dolos.  
Conferncias de Gavazzi. Como o cristianismo conseguisse o favor e apoio dos 
prncipes seculares, foi nominalmente aceito pelas multides; mas, conquanto 
muitos se intitulassem cristos, na realidade permaneciam no paganismo, e, 
especialmente em segredo, adoravam os dolos.  Ibidem.
No se tem repetido o mesmo caso em quase todas as igrejas que se intitulam 
protestantes? Com o desaparecimento dos fundadores, dos que possuam o 
verdadeiro esprito de reforma, seus descendentes pem-se na dianteira e do 
novo molde  causa. Embora se apeguem cegamente ao credo dos pais, e se 
recusem a aceitar qualquer verdade alm da que lhes foi dada conhecer, os filhos 
dos reformadores se afastam grandemente do exemplo paterno de humildade, 
abnegao e renncia do mundo. Assim, a primitiva simplicidade desaparece. 
Um dilvio de mundanismo invade a igreja e leva consigo seus costumes, prticas 
e dolos.
Ai! at que ponto terrvel a amizade do mundo, que  inimizade contra Deus,  
hoje acalentada entre os professos seguidores de Cristo! Quo largamente se tm 
as igrejas populares de toda a cristandade afastado da norma bblica da 
humildade, abnegao, simplicidade e piedade! Falando a respeito do uso correto 
do dinheiro, disse Joo Wesley: No dissipeis parte alguma de to precioso 
talento, simplesmente em satisfazer o desejo dos olhos, com vesturio suprfluo 
ou dispendioso, ou com adornos desnecessrios. No gasteis parte dele em ornar 
extravagantemente vossas casas; em moblia desnecessria, ou dispendiosa; em 
quadros custosos, pinturas, douraduras.  De nada disponhais para satisfazer o 
orgulho da vida, para obter a admirao ou louvor dos homens.  Tanto quanto 
fizeres bem a ti mesmo, falaro bem de ti os homens. Tanto quanto vos vistais de 
prpura e de linho finssimo,
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Pg. 386
e vivais todos os dias regalada e esplendidamente, no h dvida de que muitos 
aplaudiro vossos gostos elegantes, vossa generosidade e hospitalidade. Mas no 
compreis to caro o aplauso. Estai antes contentes com a honra que vem de 
Deus.  Obras de Wesley. Entretanto, em muitas igrejas de nosso tempo, este 
ensino  desatendido.
Professar uma religio tornou-se moda no mundo. Governantes, polticos, 
advogados, mdicos, negociantes, aderem  igreja como o meio de alcanar o 
respeito e confiana da sociedade, e promover os seus prprios interesses 
mundanos. Procuram, assim, encobrir, sob o manto do cristianismo, todas as suas 
transaes injustas. As vrias corporaes religiosas, robustecidas com a riqueza e 
influncia dos mundanos batizados, mais ainda se empenham em obter maior 
popularidade e proteo. Pomposas igrejas, embelezadas de maneira a mais 
extravagante, erguem-se nas movimentadas avenidas. Os adoradores vestem-se 
com luxo e de acordo com a moda. Elevado salrio  pago ao talentoso pastor para 
entreter e atrair o povo. Seus sermes no devem tocar nos pecados populares, 
mas devero ser suaves e agradveis aos ouvidos da aristocracia. Deste modo, 
mpios de elevada posio so alistados nos registros da igreja, e os modernos 
pecados escondidos sob o vu da piedade.
Comentando a atitude atual dos professos cristos para com o mundo, diz um dos 
principais jornais seculares: Insensivelmente a igreja tem seguido o esprito da 
poca e adaptado suas formas de culto s necessidades modernas. Todas as 
coisas, na verdade, que contribuem para tornar atraente a religio, a igreja hoje 
emprega como seus instrumentos. E um escritor, no Independent, de Nova 
Iorque, assim fala a respeito do metodismo atual: A linha de separao entre os 
religiosos e irreligiosos se desvanece numa espcie de penumbra, e homens 
zelosos de ambos os lados esto labutando para obliterar toda diferena entre seu 
modo de agir e seus prazeres. A popularidade da religio tende grandemente a 
aumentar o nmero dos que desejam haurir-lhe os benefcios sem, de maneira 
honrada, fazer frente aos seus deveres.
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Pg. 387
Diz Howard Crosby:  assunto para sria preocupao o encontrarmos a igreja de 
Cristo negligenciando o cumprimento dos desgnios do Senhor. Exatamente como 
os antigos judeus permitiram que o intercmbio familiar com as naes idlatras 
lhes roubasse de Deus o corao,  assim a igreja de Jesus, hoje, mediante a falsa 
parceria com o mundo incrdulo, abandona os mtodos divinos de sua verdadeira 
vida e entrega-se aos costumes de uma sociedade sem Cristo  hbitos 
perniciosos embora muitas vezes plausveis  usando argumentos e chegando a 
concluses, estranhos  revelao de Deus e diretamente antagnicos a todo o 
crescimento em graa.  The Health Christian, An Appeal to the Church.
Nesta mar de mundanismo e busca de prazeres, a abnegao e sacrifcio por 
amor de Cristo acham-se quase inteiramente esquecidos. Alguns dos homens e 
mulheres ora em vida ativa em nossas igrejas foram ensinados, quando crianas, 
a fazer sacrifcios a fim de se habilitarem a dar ou efetuar alguma coisa para 
Cristo. Mas, se so necessrios fundos agora,  ningum deve ser convidado a 
contribuir. Oh, no! fazei uma quermesse, representaes, espetculos, jantares  
antiga, ou alguma coisa para se comer  algo que divirta o povo.
J o governador Washburn, de Wisconsin, em sua mensagem anual, a 9 de janeiro 
de 1873, declarou: Parece que precisamos de uma lei para acabar com as escolas 
de jogo. Estas proliferam em toda parte. Mesmo a igreja (inadvertidamente, sem 
dvida) algumas vezes faz a obra do diabo. Concertos com fins beneficentes, 
bingos e rifas, algumas vezes em auxlio de objetivos religiosos ou caritativos, mas 
freqentemente com finalidades menos dignas, sorteios de prendas, jogos de 
prmios, etc., so todos expedientes para se obter dinheiro sem retribuio 
correspondente. Nada  to desmoralizador ou pernicioso, particularmente para os 
jovens, como a aquisio de dinheiro ou propriedade sem trabalho. Se pessoas 
respeitveis se empenham nessas empresas de azar, e acalmam a conscincia 
com o pensamento de que o dinheiro se destina a um bom fim, no  para se 
estranhar que a juventude do Estado to a mido caia nos hbitos que, com quase 
toda a certeza, a tornaro afeioada aos jogos de azar.
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Pg. 388
O esprito de condescendncia com o mundo est a invadir as igrejas por toda a 
cristandade. Robert Atkins, num sermo pregado em Londres, pinta tenebroso 
quadro do declnio espiritual que prevalece na Inglaterra: Os verdadeiros justos 
esto desaparecendo da Terra, e ningum leva isto a srio. Os que, atualmente, 
em todas as igrejas, professam a religio, so amantes do mundo, 
condescendentes com o mundo, afeioados ao conforto pessoal e desejosos de 
honras. So chamados a sofrer com Cristo, mas temem o vituprio.  Apostasia, 
apostasia, apostasia, est mesmo gravado na frente de cada igreja; e se elas o 
soubessem e o sentissem, poderia haver esperana; mas, ai, elas exclamam: Rico 
sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta.  Biblioteca do Segundo 
Advento.
O grande pecado imputado a Babilnia  que a todas as naes deu a beber do 
vinho da ira da sua prostituio. Esta taa de veneno que ela oferece ao mundo 
representa as falsas doutrinas que aceitou, resultantes da unio ilcita com os 
poderosos da Terra. A amizade mundana corrompe-lhe a f, e por seu turno a 
igreja exerce uma influncia corruptora sobre o mundo, ensinando doutrinas que 
se opem s mais claras instrues das Sagradas Escrituras.
Roma privou o povo da Escritura Sagrada e exigiu que todos os homens 
aceitassem seus ensinos em lugar da prpria Bblia. Foi obra da Reforma restituir a 
Palavra de Deus aos homens; no , porm, sobejamente verdade que nas igrejas 
modernas os homens so ensinados a depositar f no credo e dogmas de sua 
igreja em vez de nas Escrituras? Falando das igrejas protestantes, disse Carlos 
Beecher: Horrorizam-se com qualquer palavra rude contra os credos, com a 
mesma sensibilidade com que os santos padres se teriam horrorizado com uma 
rude palavra contra a incipiente venerao dos santos e mrtires, por eles 
fomentada.  As denominaes evanglicas protestantes por tal forma ataram as 
mos umas s outras, bem como suas prprias, que, em qualquer dessas 
denominaes, um homem no pode absolutamente se tornar pregador, sem, de 
alguma maneira, aceitar outro livro alm da Escritura
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Pg. 389
Sagrada.  Nada h de imaginrio na declarao de que o poderio do credo est 
comeando hoje a proibir a Bblia to realmente como o fez Roma, se bem que de 
maneira mais sutil.  Sermo sobre A Bblia Como um Credo Suficiente, 
pronunciado em Fort Wayne, Indiana, a 2 de fevereiro de 1846.
Quando ensinadores fiis expem a Palavra de Deus, levantam-se homens de 
saber, pastores que professam compreender as Escrituras, e denunciam a doutrina 
s como heresia, desviando assim os inquiridores da verdade. No fosse o caso de 
se achar o mundo fatalmente embriagado com o vinho de Babilnia, e multides 
seriam convencidas e convertidas pelas verdades claras e penetrantes da Palavra 
de Deus. Mas, a f religiosa parece to confusa e discordante que o povo no sabe 
o que crer como verdade. O pecado da impenitncia do mundo jaz  porta da 
igreja.
A mensagem do segundo anjo de Apocalipse, captulo 14, foi primeiramente 
pregada no vero de 1844, e teve naquele tempo uma aplicao mais direta s 
igrejas dos Estados Unidos, onde a advertncia do juzo tinha sido mais 
amplamente proclamada e em geral rejeitada, e onde a decadncia das igrejas 
mais rpida havia sido. A mensagem do segundo anjo, porm, no alcanou o 
completo cumprimento em 1844. As igrejas experimentaram ento uma queda 
moral, em conseqncia de recusarem a luz da mensagem do advento; mas essa 
queda no foi completa. Continuando a rejeitar as verdades especiais para este 
tempo, tm elas cado mais e mais. Contudo, no se pode ainda dizer que caiu 
Babilnia,  que a todas as naes deu a beber do vinho da ira da sua 
prostituio. Ainda no deu de beber a todas as naes. O esprito de 
conformao com o mundo e de indiferena s probantes verdades para nosso 
tempo existe e est a ganhar terreno nas igrejas de f protestante, em todos os 
pases da cristandade; e estas igrejas esto includas na solene e terrvel denncia 
do segundo anjo. Mas a obra da apostasia no atingiu ainda a culminncia.
A Escritura Sagrada declara que Satans, antes da vinda do Senhor, operar com 
todo o poder, e sinais e prodgios de
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Pg. 390
mentira, e com todo o engano da injustia; e os que no receberam o amor da 
verdade para se salvarem sero deixados  merc da operao do erro, para que 
creiam a mentira. II Tess. 2:9-11. A queda de Babilnia se completar quando 
esta condio for atingida, e a unio da igreja com o mundo se tenha consumado 
em toda a cristandade. A mudana  gradual, e o cumprimento perfeito de 
Apocalipse 14:8 est ainda no futuro.
Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que 
constituem Babilnia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Cristo 
encontra-se ainda em sua comunho. Muitos deles h que nunca souberam das 
verdades especiais para este tempo. No poucos se acham descontentes com sua 
atual condio e anelam mais clara luz. Em vo olham para a imagem de Cristo 
nas igrejas a que esto ligados. Afastando-se estas corporaes mais e mais da 
verdade, e aliando-se mais intimamente com o mundo, a diferena entre as duas 
classes aumentar, resultando, por fim, em separao. Tempo vir em que os que 
amam a Deus acima de tudo, no mais podero permanecer unidos aos que so 
mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparncia de piedade, 
mas negando a eficcia dela.
O captulo 18 do Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeio da 
trplice mensagem do captulo 14:6-12, a igreja ter atingido completamente a 
condio predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus, ainda em Babilnia, ser 
chamado a separar-se de sua comunho. Esta mensagem  a ltima que ser dada 
ao mundo, e cumprir a sua obra. Quando os que no creram a verdade, antes 
tiveram prazer na iniqidade (II Tess. 2:12), forem abandonados para que 
recebam a operao do erro e creiam a mentira, a luz da verdade brilhar ento 
sobre todos os coraes que se acham abertos para receb-la, e os filhos do 
Senhor que permanecem em Babilnia atendero ao chamado: Sai dela, povo 
Meu. Apoc. 18:4.
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22
Profecias Alentadoras
Pg. 391
Quando se passou o tempo em que pela primeira vez se esperou a vinda do 
Senhor, na primavera de 1844, os que pela f haviam aguardado o Seu 
aparecimento ficaram por algum tempo envoltos em perplexidade e dvida. 
Embora o mundo os considerasse inteiramente derrotados, e julgasse provado que 
tivessem seguido uma iluso, sua fonte de consolo era ainda a Palavra de Deus. 
Muitos continuaram a pesquisar as Escrituras, examinando de novo as provas de 
sua f, e estudando cuidadosamente as profecias para obterem mais luz. O 
testemunho da Bblia em apoio de sua atitude parecia claro e conclusivo. Sinais 
que no poderiam ser malcompreendidos apontavam para a vinda de Cristo como 
estando prxima. A bno especial do Senhor, tanto na converso de pecadores 
como no avivamento da vida espiritual, entre os cristos, havia testificado que a 
mensagem era do Cu. E, posto que os crentes no pudessem explicar o 
desapontamento, sentiam-se seguros de que Deus os guiara na experincia por 
que haviam passado.
Entretecida com as profecias que tinham considerado como tendo aplicao ao 
tempo do segundo advento, havia instruo especialmente adaptada ao seu estado 
de incerteza e indeciso e que os animava a esperar pacientemente na f segundo 
a qual o que ento lhes era obscuro  inteligncia se faria claro no tempo devido.
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Pg. 392
Entre estas profecias estava a de Habacuque, captulo 2:1-4: Sobre a minha 
guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver O que fala 
comigo, e o que eu responderei, quando eu for argido. Ento o Senhor me 
respondeu, e disse: Escreve a viso, e torna-a bem legvel sobre tbuas, para que 
a possa ler o que correndo passa. Porque a viso  para o tempo determinado, e 
at o fim falar, e no mentir. Se tardar, espera-o, porque certamente vir, no 
tardar. E eis que a sua alma se incha, no  reta nele; mas o justo pela sua f 
viver.
J em 1842, a ordem dada nesta profecia, de escrever a viso e torn-la bem 
legvel sobre tbuas, a fim de que a pudesse ler o que correndo passasse, havia 
sugerido a Carlos Fitch, a preparao de um mapa proftico a fim de ilustrar as 
vises de Daniel e do Apocalipse. A publicao deste mapa foi considerada como 
cumprimento da ordem dada por Habacuque. Todavia, ningum naquele tempo 
notou que uma visvel demora no cumprimento da viso  um tempo de tardana 
  apresentada na mesma profecia. Depois do desapontamento pareceu muito 
significativa esta passagem: A viso  ainda para o tempo determinado, e at o 
fim falar, e no mentir. Se tardar, espera-o, porque certamente vir, no 
tardar.  O justo pela sua f viver.
Foi tambm fonte de encorajamento e conforto aos crentes uma parte da profecia 
de Ezequiel: E veio ainda a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, 
que ditado  este que vs tendes na terra de Israel, dizendo: Prolongar-se-o os 
dias, e perecer toda a viso? Portanto, dize-lhes: Assim diz o Senhor Jeov:  
Chegaram os dias e a palavra de toda a viso.  Falarei, e a palavra que Eu falar 
se cumprir; no ser diferida. Os da casa de Israel dizem: A viso que este v  
para muitos dias, e profetiza de tempos que esto longe: Portanto, dize-lhes: 
Assim diz o Senhor Jeov: No ser mais diferida nenhuma das Minhas palavras, e 
a palavra que falei se cumprir. Ezeq. 12:21-25, 27 e 28.
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Pg. 393
Os que esperavam se regozijaram, crendo que Aquele que conhece o fim desde o 
princpio havia olhado atravs dos sculos e, prevendo-lhes o desapontamento, 
lhes dera palavras de animao e esperana. No fossem essas pores das 
Escrituras, advertindo-os a esperar com pacincia, e a conservar firme a confiana 
na Palavra de Deus, sua f teria fracassado naquela hora de prova.
A parbola das dez virgens de Mateus 25, ilustra tambm a experincia do povo 
adventista. Em Mateus 24, em resposta  pergunta dos discpulos relativa aos 
sinais de Sua vinda e do fim do mundo, Cristo indicara alguns dos acontecimentos 
mais importantes da histria do mundo e da igreja, desde o Seu primeiro advento 
at ao segundo, a saber: a destruio de Jerusalm, a grande tribulao da igreja 
sob a perseguio pag e papal, o escurecimento do Sol e da Lua, e a queda de 
estrelas. Depois disto, falou a respeito de Sua vinda em Seu reino, e exps a 
parbola que descreve as duas classes de servos que Lhe aguardam o 
aparecimento. O captulo 25 inicia-se com estas palavras: Ento o reino dos Cus 
ser semelhante a dez virgens. Aqui se faz referncia  igreja que vive nos 
ltimos dias, a mesma que  indicada no fim do captulo 24. Sua experincia  
ilustrada nessa parbola pelas cenas de um casamento oriental.
Ento o reino dos Cus ser semelhante a dez virgens que, tomando as suas 
lmpadas, saram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco 
loucas. As loucas, tomando as suas lmpadas, no levaram azeite consigo. Mas as 
prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as lmpadas. E, tardando o 
esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram, mas  meia-noite ouviu-se um 
clamor: A vem o esposo, sa-lhe ao encontro.
A vinda de Cristo, como era anunciada pela mensagem do primeiro anjo, entendia-
se ser representada pela vinda do esposo. A reforma espiritual que se generalizou 
sob a proclamao de Sua segunda vinda, correspondeu  sada das virgens.
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Pg. 394
Nesta parbola, como na de Mateus 24, duas classes so representadas. Todas 
haviam tomado suas lmpadas, a Bblia, e mediante sua luz saram para encontrar 
o esposo. Mas, enquanto as loucas, tomando as suas lmpadas, no levaram 
azeite consigo, as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas 
lmpadas. A ltima classe tinha recebido a graa de Deus, e o poder do Esprito 
Santo, que regenera e alumia, tornando a Palavra divina uma lmpada para os ps 
e luz para o caminho. No temor de Deus estudaram as Escrituras, para 
aprenderem a verdade, e fervorosamente buscaram a pureza de corao e de vida. 
Possuam uma experincia pessoal, f em Deus e em Sua Palavra, que no 
poderiam ser derrotadas pelo desapontamento e demora. Outras, tomando as 
suas lmpadas, no levaram azeite consigo. Haviam-se movido por um impulso 
de momento. Seus temores foram excitados pela mensagem solene, mas haviam 
dependido da f que possuam seus irmos, estando satisfeitos com a luz vacilante 
das boas emoes, sem terem compreenso perfeita da verdade, nem 
experimentarem uma genuna operao da graa no corao. Tinham sado para 
encontrar-se com o Senhor, cheios de esperanas, com a perspectiva de imediata 
recompensa; mas no estavam preparados para a demora e desapontamento. 
Quando vieram as provaes, faltou-lhes a f, e sua luz se tornou bruxuleante.
E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Pela tardana do 
esposo  representada a passagem do tempo em que o Senhor era esperado, o 
desapontamento, e a aparente demora. Neste tempo de incerteza, o interesse dos 
que eram superficiais e no de todo sinceros comeou logo a vacilar, arrefecendo 
seus esforos; mas aqueles cuja f se baseava no conhecimento pessoal da 
Escritura Sagrada, tinham sob os ps uma rocha que as ondas do desapontamento 
no poderiam derruir. Tosquenejaram todas, e adormeceram, uma classe na 
indiferena e abandono de sua f, outra esperando pacientemente at que mais 
clara luz fosse proporcionada. Todavia,
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na noite de prova, a ltima pareceu perder, at certo ponto, o zelo e devoo. Os 
que eram medianamente dedicados e superficiais no mais puderam apoiar-se  f 
dos seus irmos. Cada qual tinha de, por si mesmo, ficar em p ou cair.
Por este tempo comeou a aparecer o fanatismo. Alguns, que haviam professado 
ser zelosos crentes na mensagem, rejeitaram a Palavra de Deus como o nico guia 
infalvel, e, pretendendo ser guiados pelo Esprito, entregaram-se ao governo de 
seus prprios sentimentos, impresses e imaginao. Alguns houve que 
manifestaram um zelo cego e fantico, condenando a todos os que no lhes 
sancionassem o proceder. Suas idias e atos fanticos no encontraram simpatia 
da grande corporao dos adventistas; serviram, no entanto, para acarretar o 
oprbrio  causa da verdade.
Satans, por esse meio, estava procurando opor-se  obra de Deus e destru-la. O 
povo tinha sido grandemente abalado pela obra do advento; haviam-se convertido 
milhares de pecadores, e homens fiis dedicavam-se  tarefa de proclamar a 
verdade, mesmo no tempo de tardana. O prncipe do mal perdia seus sditos, e, 
no intuito de acarretar a ignomnia  causa de Deus, procurou enganar alguns que 
professavam a f, levando-os a extremos. Seus agentes estavam alerta para 
apanhar todo erro, falta e ato indecoroso, e apresent-los ao povo, 
exageradamente, a fim de tornar odiosos os adventistas e sua f. Assim, quanto 
maior fosse o nmero dos que ajuntasse para professar f no segundo advento, 
possuindo-lhes, ao mesmo tempo, o corao, tanto maior vantagem alcanaria, e 
chamava para eles a ateno como representantes de todo o corpo de crentes.
Satans  o acusador de nossos irmos, e  o seu esprito que inspira os homens 
a espreitar os erros e defeitos do povo do Senhor, conservando-o sob observao, 
enquanto deixa ignoradas suas boas aes. Ele est sempre em atividade quando 
Deus opera pela salvao das almas. Quando os filhos de Deus se apresentam 
perante o Senhor, Satans vai tambm
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entre eles. Em todo avivamento est ele pronto para introduzir os de corao no 
santificado e desequilibrados de esprito. Quando estes aceitam alguns pontos da 
verdade e adquirem um lugar entre os crentes, opera por meio deles a fim de 
introduzir teorias que enganaro os incautos. No se prova que qualquer homem 
seja cristo verdadeiro por encontrar-se em companhia dos filhos de Deus, mesmo 
na casa de culto, e  mesa do Senhor. Satans freqentemente ali se acha, nas 
ocasies mais solenes, sob a forma daqueles que pode usar como agentes.
O prncipe do mal disputa cada polegada de terreno em que o povo de Deus 
avana em sua jornada rumo  cidade celestial. Nenhuma reforma, em toda a 
histria da igreja, foi levada avante sem encontrar srios obstculos. Assim foi no 
tempo de Paulo. Onde quer que o apstolo fundasse uma igreja, alguns havia que 
professavam receber a f, mas introduziam heresias que, uma vez aceitas, 
excluiriam finalmente o amor da verdade. Lutero tambm sofreu grande 
perplexidade e angstia pelo procedimento de pessoas fanticas, que pretendiam 
haver Deus falado diretamente por meio delas, e que, portanto, colocavam as 
prprias idias e opinies acima do testemunho das Escrituras. Muitos a quem 
faltavam f e experincia, mas que possuam considervel presuno, gostando de 
ouvir ou de contar alguma coisa nova, eram seduzidos pelas pretenses dos novos 
ensinadores e uniam-se aos agentes de Satans na obra de derruir o que Deus 
levara Lutero a edificar. E os Wesley, e outros que abenoaram o mundo pela sua 
influncia e f, encontraram a cada passo os ardis de Satans, que consistiam em 
arrastar pessoas de zelo exagerado, desequilibradas e profanas, a excessos de 
fanatismo de toda sorte.
Guilherme Miller no alimentava simpatias para com as influncias que conduziam 
ao fanatismo. Declarou, como o fez Lutero, que todo esprito deveria ser provado 
pela Palavra de Deus. O diabo, disse Miller, tem presentemente grande poder 
sobre o esprito de alguns. E como saberemos de que
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espcie de esprito so eles? A Bblia responde: Por seus frutos os conhecereis.  
Muitos espritos h no mundo; ordena-se-nos provar os espritos. O esprito que 
no nos faz viver sbria, reta e piamente, no mundo atual, no  o Esprito de 
Cristo. Estou cada vez mais convencido de que Satans muito tem a fazer nestes 
movimentos desordenados.  Entre ns, muitos que pretendem ser inteiramente 
santificados, seguem as tradies dos homens, e visivelmente se tornam to 
ignorantes acerca da verdade como outros que no tm semelhantes pretenses. 
 Bliss. O esprito do erro nos afastar da verdade, e o Esprito de Deus para a 
verdade nos conduzir. Mas, dizeis vs, um homem pode estar em erro e pensar 
que tem a verdade. Como ser ento? Respondemos: O Esprito e a Palavra 
concordam. Se um homem julga a si mesmo pela Palavra de Deus e acha perfeita 
harmonia em toda a Palavra, deve ento crer que tem a verdade; mas, se 
descobre que o esprito pelo qual se conduz no se harmoniza com todo o 
contedo da lei ou do Livro de Deus, ande com cuidado, para que no suceda ser 
preso na cilada do diabo.  The Adventist Herald and Signs of the Times Reporter, 
de 15 de janeiro de 1845. Tenho muitas vezes obtido mais provas de uma 
piedade interior por meio de um olhar iluminado, um rosto umedecido, uma fala 
embargada, do que de todo o rudo da cristandade.   Bliss.
Nos dias da Reforma, os inimigos desta atribuam todos os males do fanatismo aos 
mesmos que estavam a trabalhar com todo o af para combat-lo. Idntico 
proceder adotaram os oponentes do movimento adventista. E no contentes com 
torcer e exagerar os erros dos extremistas e fanticos, faziam circular boatos 
desfavorveis que no tinham os mais leves traos de verdade. Essas pessoas 
eram movidas pelo preconceito e o dio. Sua paz se perturbava pela proclamao 
de que Cristo estava s portas. Temiam fosse verdade, e, contudo, esperavam que 
o no fosse, e este era o segredo da luta que moviam contra os adventistas e sua 
f.
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O fato de alguns fanticos se haverem imiscudo nas fileiras dos adventistas, no 
constitui maior motivo para julgar que o movimento no era de Deus, do que a 
presena de fanticos e enganadores na igreja, no tempo de Paulo ou Lutero, fora 
razo suficiente para condenar sua obra. Desperte do sono o povo de Deus, e 
inicie com fervor a obra de arrependimento e reforma; investigue as Escrituras 
para aprender a verdade como  em Jesus; faa uma consagrao completa a 
Deus, e no faltaro evidncias de que Satans ainda se acha em atividade e 
vigilncia. Com todo o engano possvel manifestar ele seu poder, chamando em 
seu auxlio os anjos cados de seu reino.
No foi o proclamar do segundo advento que criou fanatismo e diviso. Esses 
apareceram no vero de 1844, quando os adventistas estavam imersos em dvida 
e perplexidade no tocante  Sua verdadeira posio. O anunciar da mensagem do 
primeiro anjo e do clamor da meia-noite, tendia diretamente a reprimir o 
fanatismo e a discrdia. Os que participavam destes solenes movimentos, estavam 
em harmonia; enchia-lhes o corao o amor de uns para com os outros e para com 
Jesus, a quem esperavam ver brevemente. Uma s f, uma s esperana os 
elevavam acima do domnio de qualquer influncia humana, demonstrando-se um 
escudo contra os assaltos de Satans.
E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas  meia-noite 
ouviu-se um clamor: A vem o esposo, sa-lhe ao encontro. Ento todas aquelas 
virgens se levantaram, e prepararam as suas lmpadas. Mat. 25:5-7. No vero de 
1844, perodo de tempo intermedirio entre a poca em que, a princpio, se 
supusera devessem terminar os 2.300 dias, e o outono do mesmo ano, at onde, 
segundo mais tarde se descobriu, deveriam eles chegar, a mensagem foi 
proclamada nos prprios termos das Escrituras: A vem o Esposo!
O que determinou este movimento foi descobrir-se que o decreto de Artaxerxes 
para a restaurao de Jerusalm, o qual estabelecia o ponto de partida para o 
perodo dos 2.300 dias, entrou em vigor no outono do ano 457 antes de Cristo, e 
no no
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comeo do ano, conforme anteriormente se havia crido. Contando o outono de 
457, os 2.300 anos terminam no outono de 1844.
Argumentos aduzidos dos smbolos do Antigo Testamento apontavam tambm 
para o outono como o tempo em que deveria ocorrer o acontecimento 
representado pela purificao do santurio. Isto se tornou muito claro ao dar-se 
ateno  maneira por que os smbolos relativos ao primeiro advento de Cristo se 
haviam cumprido.
A morte do cordeiro pascal era sombra da morte de Cristo. Diz Paulo: Cristo, 
nossa Pscoa, foi sacrificado por ns. I Cor. 5:7. O molho das primcias, que por 
ocasio da Pscoa era movido perante o Senhor, simbolizava a ressurreio de 
Cristo. Falando da ressurreio do Senhor e de todo o Seu povo, diz Paulo: Cristo, 
as primcias, depois os que so de Cristo, na Sua vinda. I Cor. 15:23. Semelhante 
ao molho que era agitado, constitudo pelos primeiros gros amadurecidos que se 
colhiam antes da ceifa, Cristo  as primcias da ceifa imortal de resgatados que, 
por ocasio da ressurreio futura, sero recolhidos ao celeiro de Deus.
Aqueles smbolos se cumpriram, no somente quanto ao acontecimento mas 
tambm quanto ao tempo. No dia catorze do primeiro ms judaico, no mesmo dia 
e ms em que, durante quinze longos sculos, o cordeiro pascal havia sido morto, 
Cristo, tendo comido a Pscoa com os discpulos, instituiu a solenidade que deveria 
comemorar Sua prpria morte como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do 
mundo. Naquela mesma noite Ele foi tomado por mos mpias, para ser 
crucificado e morto. E, como o anttipo dos molhos que eram agitados, nosso 
Senhor ressurgiu dentre os mortos ao terceiro dia, como  as primcias dos que 
dormem (I Cor. 15:20), exemplo de todos os ressuscitados justos, cujo corpo 
abatido ser transformado, para ser conforme o Seu corpo glorioso. Filip. 3:21.
De igual maneira, os tipos que se referem ao segundo advento devem cumprir-se 
ao tempo designado no culto
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simblico. No cerimonial mosaico, a purificao do santurio, ou o grande dia da 
expiao, ocorria no dcimo dia do stimo ms judaico (Lev. 16:29-34), dia em 
que o sumo sacerdote, tendo feito expiao por todo o Israel, e assim removido 
seus pecados do santurio, saa e abenoava o povo. Destarte, acreditava-se que 
Cristo, nosso Sumo Sacerdote, apareceria para purificar a Terra pela destruio do 
pecado e pecadores, e glorificar com a imortalidade a Seu povo expectante. O 
dcimo dia do stimo ms, o grande dia da expiao, tempo da purificao do 
santurio, que no ano 1844 caa no dia vinte e dois de outubro, foi considerado 
como o tempo da vinda do Senhor. Isto estava de acordo com as provas j 
apresentadas, de que os 2.300 dias terminariam no outono, e a concluso parecia 
irresistvel.
Na parbola de Mateus 25, o tempo de espera e sono  seguido pela vinda do 
Esposo. Isto concordava com os argumentos que acabam de ser apresentados, 
tanto da profecia como dos smbolos. Produziram profunda convico quanto  sua 
veracidade; e o clamor da meia-noite foi proclamado por milhares de crentes.
Semelhante  vaga da mar, o movimento alastrou-se pelo pas. Foi de cidade em 
cidade, de aldeia em aldeia, e para os lugares distantes, no interior, at que o 
expectante povo de Deus ficou completamente desperto. Desapareceu o fanatismo 
ante essa proclamao, como a geada matutina perante o Sol a erguer-se. Viram 
os crentes suas dvidas e perplexidades removidas, e a esperana e coragem 
animaram-lhes o corao. A obra estava livre dos exageros que sempre se 
manifestam quando h arrebatamento humano sem a influncia moderadora da 
Palavra e do Esprito de Deus. Assemelhava-se, no carter, aos perodos de 
humilhao e regresso ao Senhor que, entre o antigo Israel, se seguiam a 
mensagens de advertncia por parte de Seus servos. Teve as caractersticas que 
distinguem a obra de Deus em todas as pocas. Houve pouca alegria arrebatadora, 
porm mais profundo exame de corao, confisso de pecados e abandono do 
mundo. O preparo para
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encontrar o Senhor era a grave preocupao do esprito em agonia. Havia 
perseverante orao e consagrao a Deus, sem reservas.
Dizia Miller, ao descrever aquela obra: Nenhuma grande expresso de alegria 
existe: esta se acha, por assim dizer, reservada para uma ocasio futura, em que 
todo o Cu e a Terra se regozijaro, juntamente, com indizvel gozo cheio de 
glria. No h aclamaes: estas tambm esto reservadas para as aclamaes do 
Cu. Os cantores esto em silncio: esperam para se unir s hostes anglicas, o 
coro celestial.  No h divergncia de sentimentos: todos so de um mesmo 
corao e esprito.  Bliss.
Outro participante do movimento testificou: Produziu por toda parte o mais 
profundo exame de corao e humilhao da alma perante o Deus dos Cus. 
Resultou em desapego das coisas deste mundo, afastamento de controvrsias e 
animosidades, confisso de faltas, em contrio perante Deus, e splicas, de 
corao arrependido e quebrantado, para que o Senhor lhes perdoasse e os 
aceitasse. Causou humilhao pessoal e contrio da alma, tais como nunca 
dantes testemunhamos. Conforme Deus ordenara por meio de Joel, para quando o 
grande dia do Senhor estivesse prximo, produziu o rasgar de coraes e no do 
vesturio, a converso ao Senhor em jejum, pranto e lamentaes. Conforme 
dissera Deus por Zacarias, sobre os Seus filhos foi derramado um esprito de graa 
e splica; eles olharam para Aquele a quem haviam ferido, houve grande pranto 
na Terra,  e os que esperavam pelo Senhor afligiram a alma perante Ele.  
Bliss.
De todos os grandes movimentos religiosos desde os dias dos apstolos, nenhum 
foi mais livre de imperfeies humanas e dos enganos de Satans do que o do 
outono de 1844. Mesmo hoje, depois de transcorridos muitos anos, todos os que 
participaram do movimento e que permanecem firmes na plataforma da verdade, 
ainda sentem a santa influncia daquela obra abenoada, e do testemunho de 
que ela foi de Deus.
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Ao brado: A vem o Esposo; sa-Lhe ao encontro, os expectantes se levantaram, 
e repararam as suas lmpadas; estudavam a Palavra de Deus com interesse mais 
intenso do que nunca. Eram enviados anjos do Cu para despertar os que se 
haviam desanimado e prepar-los para receber a mensagem. A obra no se 
mantinha pela cincia e saber dos homens, mas pelo poder de Deus. No foram os 
mais talentosos os primeiros a ouvir e obedecer  chamada, mas os mais humildes 
e dedicados. Lavradores deixaram as colheitas nos campos, mecnicos depuseram 
as ferramentas, e com lgrimas e regozijo saram a dar a advertncia. Os que 
anteriormente haviam dirigido a causa foram dos ltimos a unir-se a este 
movimento. As igrejas, em geral, fecharam as portas a esta mensagem, e 
numeroso grupo dos que a receberam cortou sua ligao com elas. Na providncia 
de Deus, esta proclamao se uniu com a mensagem do segundo anjo, conferindo 
poder  obra.
A mensagem: A vem o Esposo  no era tanto uma questo de argumento, se 
bem que a prova das Escrituras fosse clara e conclusiva. Ia com ela um poder 
impulsor que movia a alma. No havia discusso nem dvidas. Por ocasio da 
entrada triunfal de Cristo em Jerusalm, o povo que de todas as partes do pas se 
congregara a fim de solenizar a festa, foi em tropel ao Monte das Oliveiras, e, 
unindo-se  multido que acompanhava a Jesus, deixou-se tomar pela inspirao 
do momento e ajudaram a avolumar a aclamao: Bendito O que vem em nome 
do Senhor. Mat. 21:9. De modo semelhante, os incrdulos que se congregaram 
nas reunies adventistas  alguns por curiosidade, outros meramente com o fim 
de ridicularizar  sentiram o poder convincente que acompanhava a mensagem: 
A vem o Esposo.
Naquele tempo houve f que atraa resposta  orao  f que tinha em vista a 
recompensa. Como aguaceiros sobre a terra sedenta, o esprito de graa descia 
aos que ardorosamente o buscavam. Os que esperavam em breve estar face a 
face com seu Redentor, sentiram uma solene e inexprimvel
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alegria. O poder enternecedor do Esprito Santo conferiu aos fiis rica medida de 
bnos, sensibilizando-lhes o corao.
Cuidadosa e solenemente os que receberam a mensagem chegaram ao tempo em 
que esperavam encontrar-se com o Senhor. Sentiam como primeiro dever, cada 
manh, obter a certeza de estar aceitos por Deus. De coraes intimamente 
unidos, oravam muito uns com os outros e uns pelos outros. A fim de ter 
comunho com Deus, reuniam-se muitas vezes em lugares isolados, e dos campos 
ou dos bosques as vozes de intercesso ascendiam ao Cu. A certeza da aprovao 
do Salvador era-lhes mais indispensvel do que o po cotidiano; e, se alguma 
nuvem lhes toldava o esprito, no descansavam enquanto no fosse dissipada. 
Sentindo o testemunho da graa perdoadora, almejavam contemplar Aquele que 
de sua alma era amado.
Mas, de novo estavam destinados ao desapontamento. O tempo de expectao 
passou e o Salvador no apareceu. Com inabalvel confiana tinham aguardado 
Sua vinda, e agora experimentavam o mesmo sentimento de Maria quando, indo 
ao tmulo do Salvador e encontrando-o vazio, exclamou em pranto: Levaram o 
meu Senhor, e no sei onde O puseram. Joo 20:13.
Um sentimento de terror, o receio de que a mensagem pudesse ser verdadeira, 
servira algum tempo de restrio ao mundo incrdulo. Passado que foi o tempo, 
esse sentimento no desapareceu de pronto; a princpio no ousaram exultar 
sobre os que foram decepcionados; mas, como sinais nenhuns da ira de Deus se 
vissem, perderam os temores e retomaram a exprobrao e o ridculo. Numerosa 
classe, que tinha professado crer na prxima vinda do Senhor, renunciou  f. 
Alguns, que se sentiam muito confiantes, ficaram to profundamente feridos em 
seu orgulho, que pareciam estar a fugir do mundo. Como outrora Jonas, 
queixavam-se de Deus e preferiam a morte  vida. Os que haviam baseado sua f 
nas opinies de outrem, e no na Palavra de Deus, achavam-se agora
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novamente prontos para mudar de idias. Os escarnecedores ganharam para as 
suas fileiras os fracos e covardes, e todos estes se uniram para declarar que no 
mais havia motivos de receios ou expectao. O tempo havia passado, o Senhor 
no viera, e o mundo poderia permanecer o mesmo por milhares de anos.
Os crentes fervorosos e sinceros haviam abandonado tudo por Cristo, desfrutando 
Sua presena como nunca dantes. Conforme acreditavam, tinham dado o ltimo 
aviso ao mundo; e, esperando serem logo recebidos na companhia do divino 
Mestre e dos anjos celestiais, tinham-se em grande parte retirado da companhia 
dos que no receberam a mensagem. Com intenso desejo haviam eles orado: 
Vem, Senhor Jesus, e vem presto. Mas Ele no viera. E, agora, assumir de novo 
o fardo pesado dos cuidados e perplexidades da vida, suportar as acusaes e 
zombarias de um mundo escarnecedor, era uma terrvel prova de f e pacincia.
Todavia, este desapontamento no foi to grande como o que experimentaram os 
discpulos por ocasio do primeiro advento de Cristo. Quando Jesus cavalgou 
triunfantemente para Jerusalm, Seus seguidores acreditavam estar Ele prestes a 
ascender ao trono de Davi e libertar Israel dos opressores. Cheios de esperana e 
gozo antecipado, competiam uns com os outros em prestar honras a seu Rei. 
Muitos Lhe estendiam no caminho seus prprios mantos,  guisa de tapete, ou,  
Sua passagem, cobriam o solo com viosos ramos de palmeira. Uniam-se, com 
entusistica alegria, na aclamao festiva: Hosana ao Filho de Davi! Quando os 
fariseus, perturbados e enraivecidos por esta manifestao de jbilo, quiseram que 
Jesus repreendesse os discpulos, Ele replicou: Se estes se calarem, as prprias 
pedras clamaro. Luc. 19:40. A profecia devia ser cumprida. Os discpulos 
estavam executando o propsito de Deus; entretanto, amargo desapontamento os 
aguardava. Apenas decorridos alguns dias tiveram de testemunhar a morte atroz 
do Salvador, e conduzi-Lo  sepultura. As expectativas que nutriam no se haviam 
realizado em um nico
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particular, e suas esperanas morreram com Jesus. No puderam, antes de o 
Senhor triunfar do tmulo, perceber que tudo havia sido predito na profecia, e 
que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. Atos 17:3.
Quinhentos anos antes, o Senhor declarara pelo profeta Zacarias: Alegra-te 
muito,  filha de Sio; exulta,  filha de Jerusalm; eis que o teu Rei vir a ti, 
justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de 
jumenta. Zac. 9:9. No teriam os discpulos cumprido esta profecia, se 
compreendessem que Cristo Se encaminhava para o julgamento e a morte.
De igual maneira, Miller e seus companheiros cumpriram a profecia e proclamaram 
a mensagem que a Inspirao predissera, mas no o teriam feito se tivessem 
compreendido completamente as profecias que indicavam o seu desapontamento e 
outra mensagem a ser pregada a todas as naes antes que o Senhor viesse. As 
mensagens do primeiro e segundo anjos foram dadas no tempo devido e 
cumpriram a obra a que foram por Deus designadas.
O mundo estivera a olhar, na expectativa de que, se o tempo passasse e Cristo 
no aparecesse, todo o sistema do adventismo seria abandonado. Mas, enquanto 
muitos, sob forte tentao, deixaram a f, alguns houve que permaneceram 
firmes. Os frutos do movimento adventista: o esprito de humildade e exame de 
corao, de renncia ao mundo e reforma da vida, acompanharam a obra, 
testificando que esta era de Deus. No ousavam os fiis negar que o poder do 
Esprito Santo acompanhara a pregao do segundo advento, e no podiam 
descobrir erro algum na contagem dos perodos profticos. Os mais hbeis de seus 
oponentes no conseguiram subverter-lhes o sistema de interpretao proftica. 
No poderiam consentir, sem prova bblica, em renunciar posies que tinham sido 
atingidas por meio de ardoroso e devoto estudo das Escrituras, feito por 
inteligncias iluminadas pelo Esprito de Deus, e coraes
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ardentes de Seu vivo poder; posies que tinham resistido  crtica mais severa e 
 mais amarga oposio dos mestres religiosos do povo e dos sbios deste mundo, 
e que haviam permanecido firmes ante as foras combinadas do saber e da 
eloqncia, contra os insultos e zombarias tanto das pessoas de reputao como 
do vulgo.
Verdade  que houve erro quanto ao acontecimento esperado, mas mesmo isto 
no podia abalar-lhes a f na Palavra de Deus. Quando Jonas proclamou nas ruas 
de Nnive que dentro de quarenta dias a cidade seria subvertida, o Senhor aceitou 
a humilhao dos ninivitas e prolongou-lhes o tempo de graa; no entanto, a 
mensagem de Jonas foi enviada por Deus, e Nnive foi provada segundo a Sua 
vontade. Acreditaram os adventistas que, de modo semelhante, Deus os levara a 
dar a advertncia do juzo. O aviso, diziam eles, provou o corao de todos os 
que o ouviram, despertando interesse pelo aparecimento do Senhor, ou suscitou, 
para com a Sua vinda, dio mais ou menos perceptvel, porm conhecido por 
Deus. Traou uma linha divisria,  de modo que os que examinassem seu prprio 
corao soubessem de que lado teriam sido encontrados se ento o Senhor tivesse 
vindo  se teriam exclamado: Eis que Este  o nosso Deus, a quem 
aguardvamos, e Ele nos salvar, ou se teriam pedido s rochas e montanhas que 
cassem sobre eles, a fim de os ocultar da face dAquele que Se assenta sobre o 
trono, e da ira do Cordeiro. Assim Deus, como cremos, experimentou Seu povo, 
ps-lhe  prova a f, e viu se na hora da angstia, recuaria da posio em que 
houvera por bem coloc-lo; e se abandonaria este mundo, depositando implcita 
confiana na Palavra de Deus.  The Adventist Herald and Signs of the Times 
Reporter.
O sentir dos que ainda criam que Deus os havia guiado em sua experincia, 
exprime-se nestas palavras de Guilherme Miller: Tivesse eu de viver de novo a 
minha vida, com a mesma evidncia que tive ento de ser sincero para com Deus
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e o homem, eu teria de agir como agi. Espero ter limpado minhas vestes do 
sangue das almas. Sinto que, tanto quanto estava em meu poder, me livrei de 
toda culpa em sua condenao. Posto que tenha sido duas vezes desapontado, 
escreveu este homem de Deus, ainda no estou abatido nem desanimado.  
Minha esperana na vinda de Cristo  to firme como sempre. Fiz apenas aquilo 
que, depois de anos de solene considerao, compreendi ser meu dever sagrado 
fazer. Se errei, foi do lado da caridade, do amor para com os meus semelhantes e 
da convico do dever para com Deus. Uma coisa sei: nada preguei que no 
cresse, e Deus foi comigo; Seu poder se manifestou na obra, e muito benefcio foi 
feito. Muitos milhares, segundo a aparncia humana, foram levados a estudar as 
Escrituras pela pregao da profecia acerca do tempo; e por esse meio, mediante 
a f e asperso do sangue de Cristo, foram reconciliados com Deus.  Bliss. 
Nunca solicitei a aprovao dos orgulhosos, nem desfaleci quando o mundo se 
mostrava hostil. No comprarei hoje o seu favor, tampouco irei alm do dever, 
para no lhes despertar o dio. Jamais lhes implorarei minha vida, tampouco 
vacilarei, espero, em perd-la, se Deus em Sua bondosa providncia assim o 
determina.  Vida de Guilherme Miller, de J. White.
Deus no abandonou Seu povo; Seu Esprito ainda permaneceu com os que no 
negaram temerariamente a luz que tinham recebido, nem acusaram o movimento 
adventista. Na epstola aos Hebreus existem palavras de animao e advertncia 
para os provados e expectantes nesta crise: No rejeiteis pois a vossa confiana, 
que tem grande e avultado galardo. Porque necessitais de pacincia, para que, 
depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcanar a promessa. Porque 
ainda um poucochinho de tempo, e O que h de vir vir, e no tardar. Mas o 
justo viver da f; e, se ele recuar, a Minha alma no tem prazer nele. Ns, 
porm, no somos daqueles que se retiram para a perdio, mas daqueles que 
crem para a conservao da alma. Hebreus 10:35-39.
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Pg. 408
Que este aviso se dirige  igreja dos ltimos dias,  evidente das palavras que 
apontam para a proximidade da vinda do Senhor: Porque ainda um poucochinho 
de tempo, e O que h de vir vir, e no tardar. E claramente se subentende que 
haveria uma aparente tardana, e que pareceria demorar-Se o Senhor. A instruo 
aqui proporcionada adapta-se especialmente  experincia dos adventistas 
naquele tempo. O povo, a que a passagem aqui se refere, estava em perigo de 
naufragar na f. Tinham feito a vontade de Deus, seguindo a guia de Seu Esprito 
e Sua Palavra; no podiam, contudo, entender-Lhe o propsito na experincia 
passada, tampouco discernir o caminho diante deles; e eram tentados a duvidar 
de que Deus, em verdade, os estivesse a dirigir. A esse tempo se aplicavam as 
palavras: Mas o justo viver da f. Dado o fato de haver a brilhante luz do 
clamor da meia-noite lhes resplandecido no caminho e terem visto descerrarem-
se as profecias, e em rpido cumprimento os sinais que declaravam estar prxima 
a vinda de Cristo, haviam caminhado, por assim dizer, pela vista. Agora, porm, 
abatidos por verem frustradas as esperanas, unicamente pela f em Deus e em 
Sua Palavra poderiam permanecer em p. O mundo escarnecedor dizia: Fostes 
enganados. Abandonai vossa f e dizei que o movimento do advento foi de 
Satans. Declarava, porm, a Palavra de Deus: Se ele recuar, a Minha alma no 
tem prazer nele. Renunciar ento  f e negar o poder do Esprito Santo, que 
acompanhara a mensagem, seria recuar para a perdio. Eram incentivados  
firmeza pelas palavras de Paulo: No rejeiteis pois a vossa confiana; 
necessitais de pacincia, porque ainda um poucochinho de tempo, e O que h 
de vir vir, e no tardar. A nica maneira segura de proceder era reter a luz que 
j haviam recebido de Deus, apegar-se firmemente s Suas promessas e continuar 
a examinar as Escrituras, esperando e vigiando pacientemente, a fim de receber 
mais luz.
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23
O Santurio Celestial,
Centro de Nossa Esperana
Pg. 409
A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna 
central da f do advento, foi: At duas mil e trezentas tardes e manhs; e o 
santurio ser purificado. Dan. 8:14. Estas palavras haviam sido familiares a 
todos os crentes na prxima vinda do Senhor. Era esta profecia repetida pelos 
lbios de milhares, como a senha de sua f. Todos sentiam que dos 
acontecimentos nela preditos dependiam suas mais brilhantes expectativas e mais 
acariciadas esperanas. Ficara demonstrado que esses dias profticos terminariam 
no outono de 1844. Em conformidade com o resto do mundo cristo, os 
adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o 
santurio. Entendiam que a purificao do santurio fosse a purificao da Terra 
pelos fogos do ltimo grande dia, e que ocorreria por ocasio do segundo advento. 
Da a concluso de que Cristo voltaria  Terra em 1844.
Mas o tempo indicado passou e o Senhor no apareceu. Os crentes sabiam que a 
Palavra de Deus no poderia falhar; deveria haver engano na interpretao da 
profecia; onde, porm, estava o engano? Muitos cortaram temerariamente o n da 
dificuldade, negando que os 2.300 dias terminassem em 1844. Nenhuma razo se 
poderia dar para isto, a no ser que Cristo no viera na ocasio em que O 
esperavam. Argumentavam que, se os dias profticos houvessem terminado em 
1844, Cristo teria ento voltado para purificar o santurio mediante a
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Pg. 410
purificao da Terra pelo fogo; e, visto que Ele no aparecera, os dias no 
poderiam ter terminado.
Aceitar esta concluso equivalia a renunciar aos cmputos anteriores dos perodos 
profticos. Verificara-se que os 2.300 dias comeavam quando a ordem de 
Artaxerxes para a restaurao e edificao de Jerusalm entrou em vigor, no 
outono de 457 antes de Cristo. Tomando isto como ponto de partida, havia 
perfeita harmonia na aplicao de todos os acontecimentos preditos na explicao 
daquele perodo de Daniel 9:25-27. Sessenta e nove semanas, os primeiros 483 
anos dos 2.300, deveriam estender-se at o Messias, o Ungido; e o batismo e 
uno de Cristo, pelo Esprito Santo, no ano 27 de nossa era, cumpriu exatamente 
esta especificao. No meio da setuagsima semana o Messias deveria ser tirado. 
Trs e meio anos depois de Seu batismo; na primavera do ano 31, Cristo foi 
crucificado. As setenta semanas, ou 490 anos, deveriam pertencer especialmente 
aos judeus. Ao expirar este perodo, a nao selou sua rejeio de Cristo, pela 
perseguio de Seus discpulos, e, no ano 34, os apstolos voltaram-se para os 
gentios. Havendo terminado os primeiros 490 anos dos 2.300, restavam ainda 
1.810 anos. Contando-se desde o ano 34 de nossa era, 1.810 anos se estendem 
at 1844. Ento, disse o anjo, o santurio ser purificado. Todas as 
especificaes precedentes da profecia se cumpriram, inquestionavelmente, no 
tempo designado.
Nesse clculo, tudo era claro e harmonioso, exceo feita de no se ter visto em 
1844 nenhum acontecimento que correspondesse  purificao do santurio. 
Negar que os dias terminaram naquele tempo equivalia a envolver em confuso 
todo o assunto e renunciar a posies que tinham sido estabelecidas por 
insofismveis cumprimentos de profecia.
Deus, porm, estivera a dirigir o Seu povo no grande movimento adventista; Seu 
poder e glria haviam acompanhado a obra, e Ele no permitiria que ela finalizasse 
em trevas e desapontamento, para que fosse vituperada como falsa excitao 
fantica. No deixaria Sua palavra envolta em dvida e
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Pg. 411
incerteza. Posto que muitos abandonassem a anterior contagem dos perodos 
profticos, negando a exatido do movimento nela baseado, outros no estavam 
dispostos a renunciar a pontos de f e experincia que eram apoiados pelas 
Escrituras e pelo testemunho do Esprito de Deus. Criam ter adotado, no estudo 
das profecias, slidos princpios de interpretao, sendo o seu dever reter 
firmemente as verdades j adquiridas e continuar o mesmo mtodo de exame 
bblico. Com fervorosa orao examinaram sua atitude e estudaram as Escrituras 
para descobrir onde haviam errado. Como no pudessem ver engano algum no 
cmputo dos perodos profticos, foram levados a examinar mais particularmente 
o assunto do santurio.
Aprenderam, em suas pesquisas, que no h nas Escrituras prova que apie a 
idia popular de que a Terra  o santurio; acharam, porm, na Bblia uma 
completa explicao do assunto do santurio, quanto  sua natureza, localizao e 
servios, sendo o testemunho dos escritores sagrados to claro e amplo, que 
punha o assunto acima de qualquer dvida. O apstolo Paulo, na epstola aos 
Hebreus, diz: Ora tambm o primeiro tinha ordenanas de culto divino, e um 
santurio terrestre. Porque um tabernculo estava preparado, o primeiro, em que 
havia o candeeiro, e a mesa, e os pes da proposio, ao que se chama santurio. 
Mas depois do segundo vu estava o tabernculo que se chama o santo dos 
santos, que tinha o incensrio de ouro, e a arca do concerto, coberta de ouro toda 
em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o man, e a vara de 
Aro, que tinha florescido, e as tbuas do concerto; e sobre a arca os querubins da 
glria, que faziam sombra no propiciatrio. Heb. 9:1-5.
O santurio, a que Paulo aqui se refere, era o tabernculo construdo por Moiss, 
por ordem de Deus, como a morada terrestre do Altssimo. E Me faro um 
santurio, e habitarei no meio deles (xo. 25:8); foi a determinao de Deus a 
Moiss, enquanto este se achava com Ele no monte. Os israelitas estavam a 
jornadear pelo deserto, e o tabernculo foi
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Pg. 412
construdo de maneira que pudesse ser levado de um lugar para outro; no 
obstante, sua estrutura era de grande magnificncia. As paredes eram feitas de 
tbuas em sentido vertical, ricamente chapeadas de ouro e colocadas em encaixes 
de prata, enquanto o teto se compunha de uma srie de cortinas, ou coberturas, 
sendo as de fora de peles, e as do interior, de linho fino, belamente trabalhado 
com figuras de querubins. Alm do ptio exterior, onde estava o altar das ofertas 
queimadas, consistia o tabernculo, propriamente dito, em dois compartimentos, 
chamados o lugar santo e o lugar santssimo, separados por uma rica e bela 
cortina, ou vu; um vu idntico cerrava a entrada ao primeiro compartimento.
No lugar santo estava o castial, do lado do sul, com sete lmpadas a iluminar o 
santurio, tanto de dia como de noite; e, diante do vu que separava o lugar santo 
do santssimo, o altar de ouro para o incenso, do qual a fragrante nuvem, com as 
oraes de Israel, ascendia diariamente  presena de Deus.
No lugar santssimo achava-se a arca, receptculo de preciosa madeira, coberta de 
ouro, e depositria das duas tbuas de pedra sobre as quais Deus inscrevera a lei 
dos Dez Mandamentos. Acima da arca e formando a cobertura desse receptculo 
sagrado, estava o propiciatrio, magnificente obra de artfice, encimada por dois 
querubins, um de cada lado, e tudo trabalhado em ouro macio. Neste 
compartimento a presena divina se manifestava na nuvem de glria entre os 
querubins.
Depois da localizao dos hebreus em Cana, o tabernculo foi substitudo pelo 
templo de Salomo, que, conquanto fosse uma estrutura permanente e de maior 
escala, observava as mesmas propores e era guarnecido de modo semelhante. 
Sob esta forma existiu o santurio at a sua destruio pelos romanos, no ano 70 
de nossa era, exceo feita no tempo em que jazeu em runas, durante a poca de 
Daniel.
Este  o nico santurio que j existiu na Terra, de que a Bblia nos d alguma 
informao. Declarou Paulo ser ele o
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Pg. 413
santurio do primeiro concerto. Mas no tem santurio o novo concerto?
Volvendo novamente ao livro de Hebreus, os inquiridores da verdade acharam, 
subentendida nas palavras de Paulo j citadas, a existncia de um segundo 
santurio, ou santurio do novo concerto: Ora tambm o primeiro tinha 
ordenanas de culto divino, e um santurio terrestre. E o uso da palavra 
tambm exige que Paulo haja anteriormente feito meno deste santurio. 
Voltando-se ao princpio do captulo precedente, l-se: Ora a suma do que temos 
dito  que temos um sumo sacerdote tal, que est assentado nos Cus  destra do 
trono da Majestade, ministro do santurio, e do verdadeiro tabernculo, o qual o 
Senhor fundou, e no o homem.  Heb. 8:1 e 2.
Aqui se revela o santurio do novo concerto. O santurio do primeiro concerto foi 
fundado pelo homem, construdo por Moiss; este ltimo foi fundado pelo Senhor, 
e no pelo homem. Naquele santurio os sacerdotes terrestres efetuavam o seu 
culto; neste, Cristo, nosso Sumo Sacerdote, ministra  destra de Deus. Um 
santurio estava na Terra, o outro no Cu. 
Demais, o tabernculo construdo por Moiss foi feito segundo um modelo. O 
Senhor lhe ordenou: Conforme a tudo o que Eu te mostrar para modelo do 
tabernculo, e para modelo de todos os seus vasos, assim mesmo o fareis. E 
novamente foi dada a ordem: Atenta, pois, que o faas conforme ao seu modelo, 
que te foi mostrado no monte. xo. 25:9 e 40. E Paulo diz que o primeiro 
tabernculo era uma alegoria para o tempo presente em que se ofereciam dons e 
sacrifcios; que seus lugares santos eram figuras das coisas que esto nos 
Cus; que os sacerdotes que ofereciam dons segundo a lei, serviam de exemplar 
e sombra das coisas celestiais, e que Cristo no entrou num santurio feito por 
mos, figura do verdadeiro, porm no mesmo Cu, para agora comparecer por ns 
perante a face de Deus. Heb. 9:9 e 23; 8:5; 9:24.
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Pg. 414
O santurio do Cu, no qual Jesus ministra em nosso favor,  o grande original, de 
que o santurio construdo por Moiss foi uma cpia. Deus ps Seu Esprito sobre 
os construtores do santurio terrestre. A habilidade artstica patenteada no 
trabalho era uma manifestao da sabedoria divina. As paredes tinham a 
aparncia de ouro macio, refletindo em todas as direes a luz das sete lmpadas 
do castial de ouro. A mesa dos pes da proposio e o altar do incenso 
fulguravam como ouro polido. A magnfica cortina que formava o teto, bordada de 
figuras de anjos, nas cores azul, prpura e escarlata, aumentava a beleza do 
cenrio. E, alm do segundo vu, estava o sagrado shekinah, a visvel 
manifestao da glria de Deus, ante a qual ningum, a no ser o sumo sacerdote, 
poderia entrar e viver.
O esplendor sem-par do tabernculo terrestre refletia  vista humana as glrias do 
templo celestial em que Cristo, nosso Precursor, ministra por ns perante o trono 
de Deus. A morada do Rei dos reis, em que milhares de milhares O servem, e 
milhes de milhes esto em p diante dEle (Dan. 7:10), sim, aquele templo, 
repleto da glria do trono eterno, onde serafins, seus resplandecentes guardas, 
velam a face em adorao  no poderia encontrar na estrutura mais magnificente 
que hajam erigido as mos humanas, seno plido reflexo de sua imensidade e 
glria. Contudo, importantes verdades relativas ao santurio celestial e  grande 
obra ali levada a efeito pela redeno do homem, eram ensinadas pelo santurio 
terrestre e seu culto.
Os lugares santos do santurio celeste so representados pelos dois 
compartimentos do santurio terrestre. Sendo, em viso, concedido ao apstolo 
Joo vislumbrar o templo de Deus nos Cus, contemplou ele, ali, sete lmpadas 
de fogo que diante do trono ardiam. Apoc. 4:5. Vi um anjo, tendo um 
incensrio de ouro; e foi-lhe dado muito incenso para o pr com as oraes de 
todos os santos sobre o altar de ouro, que est diante do trono. Apoc. 8:3. Foi 
permitido ao profeta contemplar o primeiro compartimento do santurio
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Pg. 415
celestial; e viu ali as sete lmpadas de fogo, e o altar de ouro, representados 
pelo castial de ouro e altar de incenso, do santurio terrestre. De novo, abriu-se 
no Cu o templo de Deus (Apoc. 11:19), e ele olhou para dentro do vu interior, 
ao lugar santssimo. Ali viu a arca do Seu concerto, representada pelo 
receptculo sagrado, construdo por Moiss, para guardar a lei de Deus.
Assim, os que estavam a estudar o assunto encontraram prova indiscutvel da 
existncia de um santurio no Cu. Moiss fez o santurio terrestre segundo o 
modelo que lhe foi mostrado. Paulo ensina que aquele modelo era o verdadeiro 
santurio que est no Cu. E Joo d testemunho de que o viu no Cu.
No templo celestial, morada de Deus, acha-se o Seu trono, estabelecido em justia 
e juzo. No lugar santssimo est a Sua lei, a grande regra da justia, pela qual a 
humanidade toda  provada. A arca que encerra as tbuas da lei se encontra 
coberta pelo propiciatrio, diante do qual Cristo, pelo Seu sangue, pleiteia em prol 
do pecador. Assim se representa a unio da justia com a misericrdia no plano da 
redeno humana. Somente a sabedoria infinita poderia conceber esta unio, e o 
poder infinito realiz-la;  uma unio que enche o Cu todo de admirao e 
adorao. Os querubins do santurio terrestre, olhando reverentemente para o 
propiciatrio, representam o interesse com que a hoste celestial contempla a obra 
da redeno. Este  o mistrio da misericrdia a que os anjos desejam atentar: 
que Deus pode ser justo, ao mesmo tempo em que justifica o pecador arrependido 
e renova Suas relaes com a raa decada; que Cristo pode humilhar-Se para 
erguer inumerveis multides do abismo da runa e vesti-las com as vestes 
imaculadas de Sua prpria justia, a fim de se unirem aos anjos que jamais caram 
e habitarem para sempre na presena de Deus.
A obra de Cristo como intercessor do homem  apresentada na bela profecia de 
Zacarias, relativa Aquele, cujo nome  Renovo. Diz o profeta: Ele mesmo 
edificar o templo do
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Pg. 416
Senhor, e levar a glria, e assentar-Se-, e dominar no Seu trono, e ser 
sacerdote no Seu trono, e conselho de paz haver entre Eles ambos. Zac. 6:13.
Ele mesmo edificar o templo do Senhor. Pelo Seu sacrifcio e mediao, Cristo  
tanto o fundamento como o edificador da igreja de Deus. O apstolo Paulo indica-
O como a principal pedra de esquina; no qual todo o edifcio, bem ajustado, 
cresce para templo santo no Senhor. No qual tambm vs, diz ele, juntamente 
sois edificados para morada de Deus em Esprito. Efs. 2:20-22.
Ele levar a glria. A Cristo pertence a glria da redeno da raa decada. 
Atravs das eras eternas, o cntico dos resgatados ser: quele que nos ama, e 
em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados,  a Ele glria e poder para todo o 
sempre. Apoc. 1:5 e 6.
E assentar-Se-, e dominar no Seu trono, e ser sacerdote no Seu trono. Agora 
no est no trono de Sua glria; o reino de glria ainda no foi inaugurado. S 
depois que termine a Sua obra como mediador, Lhe dar Deus o trono de Davi, 
Seu pai, reino que no ter fim. Luc. 1:32 e 33. Como sacerdote, Cristo est 
agora assentado com o Pai em Seu trono (Apoc. 3:21). No trono, com o Ser eterno 
e existente por Si mesmo,  Ele o que tomou sobre Si as nossas enfermidades, e 
as nossas dores levou sobre Si; que em tudo foi tentado, mas sem pecado; para 
que possa socorrer aos que so tentados. Se algum pecar, temos um 
Advogado para com o Pai. Isa. 53:4; Heb. 4:15; 2:18; I Joo 2:1. Sua 
intercesso  a de um corpo ferido e quebrantado, de uma vida imaculada. As 
mos feridas, o lado traspassado, os ps cravejados, pleiteiam pelo homem 
decado, cuja redeno foi comprada com to infinito preo.
E conselho de paz haver entre Eles ambos. O amor do Pai, no menos que o do 
Filho,  o fundamento da salvao para a raa perdida. Disse Jesus aos discpulos, 
antes de Se retirar deles: No vos digo que Eu rogarei por vs ao Pai; pois o
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Pg. 417
mesmo Pai vos ama. Joo 16:26 e 27. Deus estava em Cristo reconciliando 
consigo o mundo. II Cor. 5:19. E no ministrio do santurio, no Cu, conselho de 
paz haver entre Eles ambos. Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu 
Filho unignito, para que todo aquele que nEle cr no perea, mas tenha a vida 
eterna. Joo 3:16.
A pergunta  Que  o santurio?   claramente respondida nas Escrituras. O 
termo santurio, conforme  empregado na Bblia, refere-se primeiramente, ao 
tabernculo construdo por Moiss, como figura das coisas celestiais; e, em 
segundo lugar, ao verdadeiro tabernculo, no Cu, para o qual o santurio 
terrestre apontava.  morte de Cristo, terminou o servio tpico. O verdadeiro 
tabernculo, no Cu,  o santurio do novo concerto. E como a profecia de Daniel 
8:14 se cumpre nesta dispensao, o santurio a que ela se refere deve ser o 
santurio do novo concerto. Ao terminarem os 2.300 dias, em 1844, j por muitos 
sculos no havia santurio sobre a Terra. Destarte, a profecia  At duas mil e 
trezentas tardes e manhs; e o santurio ser purificado, aponta 
inquestionavelmente para o santurio do Cu.
A questo mais importante, porm, ainda est para ser respondida: Que  a 
purificao do santurio? Que houve tal cerimnia com referncia ao santurio 
terrestre, acha-se declarado nas Escrituras do Antigo Testamento. Mas poder no 
Cu haver alguma coisa a ser purificada? No captulo 9 de Hebreus a purificao 
do santurio terrestre, bem como a do celestial, encontra-se plenamente 
ensinada. Quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem 
derramamento de sangue no h remisso. De sorte que era bem necessrio que 
as figuras das coisas que esto no Cu assim se purificassem [com sangue de 
animais]; mas as prprias coisas celestiais com sacrifcios melhores do que estes 
(Heb. 9:22 e 23), ou seja, com o precioso sangue de Cristo.
A purificao, tanto no servio tpico como no real, deveria executar-se com 
sangue: no primeiro com sangue de animais,
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Pg. 418
no ltimo com o sangue de Cristo. Paulo declara, como razo por que esta 
purificao deve ser efetuada com sangue, que sem derramamento de sangue no 
h remisso. Remisso, ou ato de lanar fora o pecado,  a obra a efetuar-se. Mas, 
como poderia haver pecado em relao com o santurio, quer no Cu quer na 
Terra? Isto se pode compreender por uma referncia ao culto simblico; pois que 
os sacerdotes que oficiavam na Terra serviam de exemplar e sombra das coisas 
celestiais. Heb. 8:5.
O servio no santurio terrestre dividia-se em duas partes: os sacerdotes 
ministravam diariamente no lugar santo, ao passo que uma vez ao ano o sumo 
sacerdote efetuava uma obra especial de expiao no lugar santssimo, para a 
purificao do santurio. Dia aps dia, o pecador arrependido levava sua oferta  
porta do tabernculo, e, colocando a mo sobre a cabea da vtima, confessava 
seus pecados, transferindo-os assim, figuradamente, de si para o sacrifcio 
inocente. O animal era ento morto. Sem derramamento de sangue, diz o 
apstolo, no h remisso de pecado. A vida da carne est no sangue. Lev. 
17:11. A lei de Deus, sendo violada, exige a vida do transgressor. O sangue, 
representando a vida que o pecador perdera, pecador cuja culpa a vtima 
arrostava, era levado pelo sacerdote ao lugar santo e aspergido diante do vu, 
atrs do qual estava a arca contendo a lei que o pecador transgredira. Por esta 
cerimnia, o pecado transferia-se, mediante o sangue, em figura, para o santurio. 
Em alguns casos o sangue no era levado para o lugar santo; mas a carne deveria 
ento ser comida pelo sacerdote, conforme Moiss determinou aos filhos de Aro, 
dizendo: O Senhor a deu a vs, para que levsseis a iniqidade da congregao. 
Lev. 10:17. Ambas as cerimnias simbolizavam, de igual modo, a transferncia do 
pecado do penitente para o santurio.
Esta era a obra que, dia aps dia, se prolongava por todo o ano. Os pecados de 
Israel eram assim transferidos para o santurio, e uma obra especial se tornava 
necessria para a sua remoo. Deus ordenou que fosse feita expiao para cada 
um
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Pg. 419
dos compartimentos sagrados. Far expiao pelo santurio por causa das 
imundcias dos filhos de Israel e das suas transgresses, segundo todos os seus 
pecados: e assim far para a tenda da congregao que mora com eles no meio 
das suas imundcias. Devia tambm ser feita expiao pelo altar, para o purificar 
e santificar das imundcias dos filhos de Israel. Lev. 16:16 e 19.
Uma vez por ano, no grande dia da expiao, o sacerdote entrava no lugar 
santssimo para a purificao do santurio. A obra ali efetuada completava o ciclo 
anual do ministrio. No dia da expiao dois bodes eram trazidos  porta do 
tabernculo, e lanavam-se sortes sobre eles, uma sorte pelo Senhor, e a outra 
sorte pelo bode emissrio. Lev. 16:8. O bode, sobre o qual caa a sorte do 
Senhor, deveria ser morto como oferta pelo pecado do povo. E devia o sacerdote 
trazer o sangue do bode para dentro do vu e aspergi-lo sobre o propiciatrio e 
diante do propiciatrio. Devia tambm aspergir o sangue sobre o altar de incenso, 
que estava diante do vu.
E Aro por ambas as suas mos sobre a cabea do bode vivo, e sobre ele 
confessar todas as iniqidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgresses, 
segundo todos os seus pecados; e os por sobre a cabea do bode, e envi-lo- ao 
deserto, pela mo de um homem designado para isso. Assim, aquele bode levar 
sobre si todas as iniqidades deles  terra solitria. Lev. 16:21 e 22. O bode 
emissrio no mais vinha ao acampamento de Israel, e exigia-se que o homem, 
que o levara, lavasse com gua a si e suas vestes, antes de voltar ao 
acampamento.
Toda esta cerimnia tinha por fim impressionar os israelitas com a santidade de 
Deus e o Seu horror ao pecado; e, demais, mostrar-lhes que no poderiam entrar 
em contato com o pecado sem se poluir. Exigia-se que, enquanto a obra de 
expiao se efetuava, cada homem afligisse a alma. Todas as ocupaes deviam 
ser postas de parte, e toda a congregao de
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Pg. 420
Israel passar o dia em solene humilhao diante de Deus, com orao, jejum e 
profundo exame de corao.
Importantes verdades concernentes  expiao eram ensinadas pelo culto tpico. 
Um substituto era aceito em lugar do pecador; mas o pecado no se cancelava 
pelo sangue da vtima. Provia-se, desta maneira, um meio pelo qual era 
transferido para o santurio. Pelo oferecimento do sangue, o pecador reconhecia a 
autoridade da lei, confessava sua culpa na transgresso e exprimia o desejo de 
perdo pela f num Redentor vindouro; mas no ficava ainda inteiramente livre da 
condenao da lei. No dia da expiao o sumo sacerdote, havendo tomado uma 
oferta da congregao, entrava no lugar santssimo com o sangue desta oferta, e o 
aspergia sobre o propiciatrio, diretamente sobre a lei, para satisfazer s suas 
reivindicaes. Ento, em carter de mediador, tomava sobre si os pecados e os 
retirava do santurio. Colocando as mos sobre a cabea do bode emissrio, 
confessava todos esses pecados, transferindo-os assim, figuradamente, de si para 
o bode. Este os levava ento, e eram considerados como para sempre separados 
do povo.
Tal era o servio efetuado como exemplar e sombra das coisas celestiais. E o que 
se fazia tipicamente no ministrio do santurio terrestre,  feito na realidade no 
ministrio do santurio celestial. Depois de Sua ascenso, comeou nosso Salvador 
a obra como nosso Sumo Sacerdote. Diz Paulo: Cristo no entrou num santurio 
feito por mos, figura do verdadeiro, porm no mesmo Cu, para agora 
comparecer por ns perante a face de Deus. Heb. 9:24.
O ministrio do sacerdote, durante o ano todo, no primeiro compartimento do 
santurio, para dentro do vu que formava a porta e separava o lugar santo do 
ptio externo, representa o ministrio em que entrou Cristo ao ascender ao Cu. 
Era a obra do sacerdote no ministrio dirio, a fim de apresentar perante Deus o 
sangue da oferta pelo pecado, bem como o incenso que ascendia com as oraes 
de Israel.
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Pg. 421
Assim pleiteava Cristo com Seu sangue, perante o Pai, em favor dos pecadores, 
apresentando tambm, com o precioso aroma de Sua justia, as oraes dos 
crentes arrependidos. Esta era a obra ministerial no primeiro compartimento do 
santurio celeste.
Para ali a f dos discpulos acompanhou a Cristo, quando, diante de seus olhos, Ele 
ascendeu. Ali se centralizara sua esperana, e esta esperana, diz Paulo, temos 
como ncora da alma segura e firme, e que penetra at o interior do vu, onde 
Jesus, nosso Precursor, entrou por ns, feito eternamente Sumo Sacerdote. Nem 
por sangue de bodes e bezerros mas por Seu prprio sangue, entrou uma vez no 
santurio, havendo efetuado uma eterna redeno. Heb. 6:19 e 20; 9:12.
Durante dezoito sculos este ministrio continuou no primeiro compartimento do 
santurio. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, 
assegurava-lhes perdo e aceitao perante o Pai; contudo, ainda permaneciam 
seus pecados nos livros de registro. Como no servio tpico havia uma expiao ao 
fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para 
redeno do homem, h tambm uma expiao para tirar o pecado do santurio. 
Este  o servio iniciado quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasio, 
conforme fora predito pelo profeta Daniel, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar 
santssimo para efetuar a ltima parte de Sua solene obra  purificar o santurio.
Como antigamente eram os pecados do povo colocados, pela f, sobre a oferta 
pelo pecado, e, mediante o sangue desta, transferidos simbolicamente para o 
santurio terrestre, assim em o novo concerto, os pecados dos que se arrependem 
so, pela f, colocados sobre Cristo e transferidos, de fato, para o santurio 
celeste. E como a purificao tpica do santurio terrestre se efetuava mediante a 
remoo dos pecados pelos quais se polura, igualmente a purificao real do 
santurio celeste deve efetuar-se pela remoo, ou apagamento, dos
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Pg. 422
pecados que ali esto registrados. Mas antes que isto se possa cumprir, deve 
haver um exame dos livros de registro para determinar quem, pelo 
arrependimento dos pecados e f em Cristo, tem direito aos benefcios de Sua 
expiao. A purificao do santurio, portanto, envolve uma investigao  um 
julgamento. Isto deve efetuar-se antes da vinda de Cristo para resgatar Seu povo, 
pois que, quando vier, Sua recompensa estar com Ele para dar a cada um 
segundo as suas obras (Apoc. 22:12).
Destarte, os que seguiram a luz da palavra proftica viram que, em vez de vir 
Cristo  Terra, ao terminarem em 1844 os 2.300 dias, entrou Ele ento no lugar 
santssimo do santurio celeste, a fim de levar a efeito a obra final da expiao, 
preparatria  Sua vinda.
Verificou-se tambm que, ao passo que a oferta pelo pecado apontava para Cristo 
como um sacrifcio, e o sumo sacerdote representava a Cristo como mediador, o 
bode emissrio tipificava Satans, autor do pecado, sobre quem os pecados dos 
verdadeiros penitentes sero finalmente colocados. Quando o sumo sacerdote, por 
virtude do sangue da oferta pela transgresso, removia do santurio os pecados, 
colocava-os sobre o bode emissrio. Quando Cristo, pelo mrito de Seu prprio 
sangue, remover do santurio celestial os pecados de Seu povo, ao encerrar-se o 
Seu ministrio, Ele os colocar sobre Satans, que, na execuo do juzo, dever 
encarar a pena final. O bode emissrio era enviado para uma terra no habitada, 
para nunca mais voltar  congregao de Israel. Assim ser Satans para sempre 
banido da presena de Deus e de Seu povo, e eliminado da existncia na 
destruio final do pecado e dos pecadores.
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24
Quando Comea
o Julgamento Divino
Pg. 423
O assunto do santurio foi a chave que desvendou o mistrio do desapontamento 
de 1844. Revelou um conjunto completo de verdades, ligadas harmoniosamente 
entre si e mostrando que a mo de Deus dirigira o grande movimento do advento 
e apontara novos deveres ao trazer a lume a posio e obra de Seu povo. Como os 
discpulos de Jesus, depois da terrvel noite de sua angstia e desapontamento, 
alegraram-se muito ao verem o Senhor, assim se regozijaram ento os que pela 
f haviam aguardado o segundo advento. Esperavam que Ele aparecesse em 
glria, para dar a recompensa a Seus servos. Vendo frustradas suas esperanas, 
perderam de vista a Jesus e, como Maria, junto ao sepulcro, exclamaram: 
Levaram o meu Senhor, e no sei onde O puseram. Ento, no lugar santssimo, 
contemplaram de novo seu compassivo Sumo Sacerdote, prestes a aparecer como 
Rei e Libertador. A luz proveniente do santurio iluminou o passado, o presente e 
o futuro. Souberam que Deus os havia guiado por Sua providncia infalvel. Se 
bem que, como aconteceu aos primeiros discpulos, no compreendessem a 
mensagem por eles mesmos comunicada, era esta, no entanto, correta a todos os 
respeitos. Proclamando-a, tinham cumprido o propsito de Deus, e seu trabalho 
no havia sido em vo no Senhor. De novo gerados para uma viva esperana, 
regozijavam-se com gozo inefvel e glorioso.
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Tanto a profecia de Daniel 8:14  At duas mil e trezentas tardes e manhs; e o 
santurio ser purificado  como a mensagem do primeiro anjo  Temei a Deus e 
dai-Lhe glria; porque vinda  a hora do Seu juzo  indicavam o ministrio de 
Cristo no lugar santssimo, o juzo investigativo, e no a vinda de Cristo para 
resgatar o Seu povo e destruir os mpios. O engano fora, no na contagem dos 
perodos profticos, mas no acontecimento a ocorrer no fim dos 2.300 dias. Por 
este erro, os crentes sofreram desapontamento; entretanto, cumprira-se tudo que 
estava predito pela profecia e que podiam eles com autoridade bblica esperar. Ao 
mesmo tempo em que lamentavam a runa de suas esperanas, transcorrera o 
acontecimento que fora predito pela mensagem, e que deveria cumprir-se antes 
que o Senhor aparecesse para recompensar a Seus servos.
Cristo aparecera, no  Terra, como esperavam, mas, conforme fora prefigurado 
tipicamente, ao lugar santssimo do templo de Deus, no Cu.  Ele representado, 
pelo profeta Daniel, como estando a vir, nesse tempo, ao Ancio de Dias: Eu 
estava olhando nas minhas vises da noite, e eis que vinha nas nuvens do cu um 
como o Filho do homem: e dirigiu-Se no  Terra, mas  ao Ancio de Dias, e O 
fizeram chegar at Ele. Dan. 7:13.
Esta vinda  tambm predita pelo profeta Malaquias: De repente vir ao Seu 
templo o Senhor, a quem vs buscais, o Anjo do concerto, a quem vs desejais; 
eis que vem, diz o Senhor dos exrcitos. Mal. 3:1. A vinda do Senhor a Seu 
templo foi sbita, inesperada, para Seu povo. No O buscaram ali. Esperavam que 
viesse  Terra, como labareda de fogo, tomando vingana dos que no conhecem 
a Deus e dos que no obedecem ao evangelho. II Tess. 1:8.
O povo, porm, ainda no estava preparado para encontrar-se com o Senhor. 
Havia ainda uma obra de preparo a ser por eles cumprida. Ser-lhes-ia 
proporcionada luz, dirigindo-lhes a mente ao templo de Deus, no Cu; e, ao 
seguirem eles, pela
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Pg. 425
f, ao Sumo Sacerdote em Seu ministrio ali, novos deveres seriam revelados. 
Outra mensagem de advertncia e instruo deveria dar-se  igreja.
Quando ela se houver realizado, os seguidores de Cristo estaro prontos para o 
Seu aparecimento. E a oferta de Jud e de Jerusalm ser suave ao Senhor, como 
nos dias antigos, e como nos primeiros anos. Mal. 3:4. Ento a igreja que nosso 
Senhor deve receber para Si,  Sua vinda, ser igreja gloriosa, sem mcula, nem 
ruga, nem coisa semelhante. Efs. 5:27. Ento ela aparecer como a alva do dia, 
formosa como a Lua, brilhante como o Sol, formidvel como um exrcito com 
bandeiras. Cant. 6:10.
Diz o profeta: Quem suportar o dia da Sua vinda? E quem subsistir quando Ele 
aparecer? Porque Ele ser como o fogo dos ourives e como o sabo dos 
lavandeiros. E assentar-Se-, afinando e purificando a prata; e purificar os filhos 
de Levi, e os afinar como ouro e como prata: ento ao Senhor traro ofertas em 
justia. Mal. 3:2 e 3. Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a 
intercesso de Cristo cessar no santurio celestial, devero, sem mediador, estar 
em p na presena do Deus santo. Suas vestes devem estar imaculadas, o carter 
liberto de pecado, pelo sangue da asperso. Mediante a graa de Deus e seu 
prprio esforo diligente, devem eles ser vencedores na batalha contra o mal. 
Enquanto o juzo investigativo prosseguir no Cu, enquanto os pecados dos 
crentes arrependidos esto sendo removidos do santurio, deve haver uma obra 
especial de purificao, ou de afastamento de pecado, entre o povo de Deus na 
Terra. Esta obra  mais claramente apresentada nas mensagens do captulo 14 de 
Apocalipse.
Alm da vinda do Senhor a Seu templo, Malaquias tambm prediz o segundo 
advento, Sua vinda para a execuo do juzo, nestas palavras: E chegar-Me-ei a 
vs para juzo, serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os 
adlteros, e
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Pg. 426
contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o jornaleiro, e 
pervertem o direito da viva, e do rfo, e do estrangeiro, e no Me temem, diz o 
Senhor dos exrcitos. Mal. 3:5.  mesma cena se refere Judas quando diz: Eis 
que  vindo o Senhor com milhares de Seus santos; para fazer juzo contra todos, 
e condenar dentre eles todos os mpios por todas as suas obras de impiedade. 
Jud. 14 e 15. Esta vinda, e a vinda do Senhor a Seu templo, so acontecimentos 
distintos e separados.
A vinda de Cristo ao lugar santssimo como nosso Sumo Sacerdote, para a 
purificao do santurio, a que se faz referncia em Daniel 8:14; a vinda do Filho 
do homem ao Ancio de Dias, conforme se acha apresentada em Daniel 7:13; e a 
vinda do Senhor a Seu templo, predita por Malaquias, so descries do mesmo 
acontecimento; e isso  tambm representado pela vinda do esposo ao casamento, 
descrita por Cristo na parbola das dez virgens, de Mateus 25.
A proclamao: A vem o Esposo! foi feita no vero de 1844. Desenvolveram-se 
ento as duas classes representadas pelas virgens prudentes e as loucas: uma 
classe que aguardava com alegria o aparecimento do Senhor, e que se estivera 
diligentemente preparando para O encontrar; outra classe que, influenciada pelo 
medo, e agindo por um impulso de momento, se satisfizera com a teoria da 
verdade, mas estava destituda da graa de Deus. Na parbola, quando o Esposo 
veio, as que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas. A vinda do 
Esposo, aqui referida, ocorre antes das bodas. O casamento representa a recepo 
do reino por parte de Cristo. A santa cidade, a Nova Jerusalm, que  a capital e 
representa o reino,  chamada a esposa, a mulher do Cordeiro. Disse o anjo a 
Joo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em 
esprito, diz o profeta, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalm, que de 
Deus descia do Cu. Apoc. 21:9 e 10. Claramente, pois, a esposa
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Pg. 427
representa a santa cidade, e as virgens que saem ao encontro do Esposo so 
smbolo da igreja. No Apocalipse  dito que o povo de Deus so os convidados  
ceia das bodas (Apoc. 19:9). Se so convidados, no podem ser tambm 
representados pela esposa. Cristo, conforme foi declarado pelo profeta Daniel, 
receber do Ancio de Dias, no Cu, o domnio, e a honra, e o reino; receber a 
Nova Jerusalm, a capital de Seu reino, adereada como uma esposa ataviada 
para o seu marido. Dan. 7:14; Apoc. 21:2. Tendo recebido o reino, Ele vir em 
glria, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, para a redeno de Seu povo, 
que deve assentar-se com Abrao, Isaque e Jac,  Sua mesa, em Seu reino 
(Mat. 8:11; Luc. 22:30), a fim de participar da ceia das bodas do Cordeiro.
A proclamao: A vem o Esposo!, feita no vero de 1844, levou milhares a 
esperar o imediato advento do Senhor. No tempo indicado o Esposo veio, no para 
a Terra, como o povo esperava, mas ao Ancio de Dias, no Cu, s bodas,  
recepo de Seu reino. As que estavam preparadas entraram com Ele para as 
bodas, e fechou-se a porta. Elas no deveriam estar presentes, em pessoa, nas 
bodas; pois que estas ocorrem no Cu, ao passo que elas esto na Terra. Os 
seguidores de Cristo devem esperar o seu Senhor, quando houver de voltar das 
bodas. Luc. 12:36. Mas devem compreender o trabalho de Cristo e segui-Lo, pela 
f, ao ir Ele perante Deus.  neste sentido que se diz irem eles s bodas.
Na parbola, as que tinham leo em seus vasos com as lmpadas, foram as que 
entraram para as bodas. Os que, com conhecimento da verdade pelas Escrituras, 
tinham tambm o Esprito e graa de Deus, e que, na noite de sua amarga prova, 
esperavam pacientemente, examinando a Bblia a fim de obterem mais clara luz  
esses viram a verdade relativa ao santurio celestial e a mudana no ministrio do 
Salvador, e pela f O acompanharam em Sua obra naquele santurio. Todos os 
que, mediante o testemunho das Escrituras, aceitam as mesmas
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Pg. 428
verdades, seguindo a Cristo pela f, ao entrar Ele  presena de Deus para efetuar 
a ltima obra de mediao, e para, no final dela, receber o Seu reino  todos esses 
so representados como estando a ir s bodas.
A mesma figura do casamento  apresentada na parbola do captulo 22 de 
Mateus, onde claramente se representa o juzo de investigao como ocorrendo 
antes das bodas. Previamente s bodas vem o rei para ver os convidados (Mat. 
22:11), a fim de verificar se todos tm trajes nupciais, vestes imaculadas do 
carter lavadas e embranquecidas no sangue do Cordeiro (Apoc. 7:14). O que  
encontrado em falta,  lanado fora, mas todos os que, sendo examinados, se 
verificar terem vestes nupciais, so aceitos por Deus e considerados dignos de 
participar de Seu reino e assentar-se em Seu trono. Esta obra de exame do 
carter, para determinar quem est preparado para o reino de Deus,  a do juzo 
de investigao, obra final do santurio do Cu.
Quando a obra de investigao se encerrar, examinados e decididos os casos dos 
que em todos os sculos professaram ser seguidores de Cristo, ento, e somente 
ento, se encerrar o tempo da graa, fechando-se a porta da misericrdia. Assim, 
esta breve sentena  As que estavam preparadas entraram com Ele para as 
bodas, e fechou-se a porta  nos conduz atravs do ministrio final do Salvador, 
ao tempo em que se completar a grande obra para salvao do homem.
No cerimonial do santurio terrestre, que, conforme vimos,  uma figura do 
servio no santurio celestial, quando o sumo sacerdote no dia da expiao 
entrava no lugar santssimo, cessava o ministrio no primeiro compartimento. 
Deus ordenara: E nenhum homem estar na tenda da congregao quando ele 
entrar a fazer propiciao no santurio, at que ele saia. Lev. 16:17. Assim, 
quando Cristo entrou no lugar santssimo para efetuar a obra final da expiao, 
terminou Seu ministrio no primeiro compartimento. Mas, quando o ministrio no 
primeiro compartimento terminou, iniciou-se o do
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Pg. 429
segundo compartimento. Quando, no cerimonial tpico, o sumo sacerdote deixava 
o lugar santo no dia da expiao, entrava perante Deus para apresentar o sangue 
da oferta pelo pecado, em favor de todos os israelitas que verdadeiramente se 
arrependiam de suas transgresses. Assim Cristo apenas completara uma parte de 
Sua obra como nosso intercessor para iniciar outra, e ainda pleiteia com Seu 
sangue, perante o Pai, em favor dos pecadores.
Este assunto no foi entendido pelos adventistas em 1844. Depois de passado o 
tempo em que era esperado nosso Salvador, acreditavam eles ainda estar prxima 
a Sua vinda; mantinham a opinio de haverem chegado a uma crise importante, e 
de que cessara a obra de Cristo como intercessor do homem perante Deus. 
Parecia-lhes ser ensinado na Escritura Sagrada que o tempo de graa do homem 
terminaria um pouco antes da prpria vinda do Senhor nas nuvens do cu. Isto 
parecia evidenciar-se das passagens que indicam o tempo em que os homens ho 
de procurar, bater e clamar  porta da graa, mas esta no se abrir. E surgiu 
entre eles a questo de saber se a data em que haviam aguardado a vinda de 
Cristo no marcaria porventura o comeo deste perodo que deveria preceder 
imediatamente a Sua vinda. Tendo dado a advertncia da proximidade do juzo, 
sentiam que sua obra em favor do mundo se achava feita, e no mais sentiam o 
dever de trabalhar pela salvao dos pecadores, enquanto o escrnio ousado e 
blasfemo dos mpios lhes parecia outra evidncia de que o Esprito de Deus Se 
retirara dos que rejeitavam a misericrdia divina. Tudo isto os confirmava na 
crena de que o tempo da graa findara, ou como eles ento o exprimiam, a porta 
da graa se fechara.
Uma luz mais clara, porm, surgiu pela investigao do assunto do santurio. 
Viam agora que estavam certos em crer que o fim dos 2.300 dias em 1844 
assinalava uma crise importante. Mas, conquanto fosse verdade que se achasse 
fechada a porta da esperana e graa pela qual os homens durante mil e 
oitocentos anos encontraram acesso a Deus, outra porta se
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abrira, e oferecia-se o perdo dos pecados aos homens, mediante a intercesso de 
Cristo no lugar santssimo. Encerrara-se uma parte de Seu ministrio apenas para 
dar lugar a outra. Havia ainda uma porta aberta para o santurio celestial, onde 
Cristo estava a ministrar pelo pecador.
Via-se agora a aplicao das palavras de Cristo no Apocalipse, dirigidas  igreja, 
nesse mesmo tempo: Isto diz O que  santo, O que  verdadeiro, O que tem a 
chave de Davi; O que abre e ningum fecha; e fecha, e ningum abre. Eu sei as 
tuas obras; e eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ningum a pode 
fechar. Apoc. 3:7 e 8.
Os que, pela f, seguem a Jesus na grande obra da expiao, recebem os 
benefcios de Sua mediao em seu favor; enquanto os que rejeitam a luz 
apresentada neste ministrio no so por ela beneficiados. Os judeus que 
rejeitaram a luz dada por ocasio do primeiro advento de Cristo e se recusaram a 
crer nEle como Salvador do mundo, no poderiam receber o perdo por meio dEle. 
Quando Jesus, depois da ascenso, pelo Seu prprio sangue entrou no santurio 
celestial, a fim de derramar sobre os discpulos as bnos de Sua mediao, os 
judeus foram deixados em completas trevas, continuando com os sacrifcios e 
ofertas inteis. O ministrio dos tipos e sombras cessara. A porta pela qual 
anteriormente os homens encontravam acesso a Deus, no mais se achava aberta. 
Recusaram-se os judeus a busc-Lo pelo nico meio por que poderia ento ser 
encontrado  pelo ministrio no santurio celestial. No alcanaram, por 
conseguinte, comunho com Deus. Para Eles a porta estava fechada. No 
conheciam a Cristo como o verdadeiro sacrifcio e o nico mediador perante Deus; 
da o no poderem receber os benefcios de Sua mediao.
O estado dos judeus incrdulos ilustra a condio dos indiferentes e incrdulos 
entre os professos cristos, que voluntariamente ignoram a obra de nosso 
misericordioso Sumo Sacerdote. No cerimonial tpico, quando o sumo sacerdote 
entrava
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Pg. 431
no lugar santssimo, exigia-se de todos os israelitas que se reunissem em redor do 
santurio, e do modo mais solene humilhassem a alma perante Deus, para que 
recebessem o perdo dos pecados e no fossem extirpados da congregao. 
Quanto mais importante no  que neste dia antitpico da expiao 
compreendamos a obra de nosso Sumo Sacerdote, e saibamos quais os deveres 
que de ns se requerem!
Os homens no podem impunemente rejeitar as advertncias que Deus em Sua 
misericrdia lhes envia. No tempo de No, uma mensagem do Cu foi endereada 
ao mundo, e a salvao do povo dependia da maneira como a recebesse. Rejeitada 
a advertncia, o Esprito de Deus foi retirado da raa pecadora, e pereceram nas 
guas do dilvio. Nos dias de Abrao, a misericrdia cessou de contender com os 
culposos habitantes de Sodoma, e todos, com exceo de L, a esposa e duas 
filhas, foram consumidos pelo fogo enviado do Cu. Assim foi nos dias de Cristo. O 
Filho de Deus declarara aos judeus incrdulos daquela gerao: Vossa casa vai 
ficar-vos deserta. Mat. 23:38. Olhando atravs dos tempos para os ltimos dias, o 
mesmo Poder infinito declara a respeito dos que no receberam o amor da 
verdade para se salvarem: Por isso Deus lhes enviar a operao do erro, para 
que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que no creram a 
verdade, antes tiveram prazer na iniqidade. II Tess. 2:10-12. Sendo rejeitados 
os ensinos de Sua Palavra, Deus retira o Seu Esprito e os deixa entregues aos 
enganos que amam.
Cristo, porm, intercede ainda em favor do homem, e luz ser concedida aos que a 
buscam. Posto que isto no fosse a princpio compreendido pelos adventistas, 
tornou-se mais tarde claro, ao comearem a desvendar-se-lhes as passagens que 
definem a sua verdadeira posio.
O transcurso do tempo em 1844 foi seguido de um perodo de grande prova para 
os que ainda mantinham a f do advento. Seu nico alvio, no que dizia respeito a 
determinar sua verdadeira posio, era a luz que lhes dirigia o esprito ao 
santurio
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Pg. 432
celestial. Alguns renunciaram  f na contagem anterior dos perodos profticos, e 
atriburam a foras humanas ou satnicas a poderosa influncia do Esprito Santo 
que acompanhara o movimento adventista. Outra classe sustentava firmemente 
que o Senhor os guiara na experincia por que passaram; e, como esperassem, 
vigiassem e orassem, a fim de conhecer a vontade de Deus, viram que seu grande 
Sumo Sacerdote comeara a desempenhar outra parte do ministrio, e, seguindo-
O pela f, foram levados a ver tambm a obra final da igreja. Obtiveram mais 
clara compreenso das mensagens do primeiro e segundo anjos, e ficaram 
habilitados a receber e dar ao mundo a solene advertncia do terceiro anjo de 
Apocalipse 14.
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A Imutvel Lei de Deus
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Abriu-se no Cu o templo de Deus e a arca do Seu concerto foi vista no Seu 
templo. Apoc. 11:19. A arca do concerto de Deus est no santo dos santos, ou 
lugar santssimo, que  o segundo compartimento do santurio. No ministrio do 
tabernculo terrestre, que servia como exemplar e sombra das coisas celestiais, 
este compartimento se abria somente no grande dia da expiao, para a 
purificao do santurio. Portanto, o anncio de que o templo de Deus se abrira no 
Cu, e de que fora vista a arca de Seu concerto, indica a abertura do lugar 
santssimo do santurio celestial, em l844, ao entrar Cristo ali para efetuar a obra 
finalizadora da expiao. Os que pela f seguiram seu Sumo Sacerdote, ao iniciar 
Ele o ministrio no lugar santssimo, contemplaram a arca de Seu concerto. Como 
houvessem estudado o assunto do santurio, chegaram a compreender a mudana 
operada no ministrio do Salvador, e viram que Ele agora oficiava diante da arca 
de Deus, pleiteando com Seu sangue em favor dos pecadores.
A arca do tabernculo terrestre continha as duas tbuas de pedra, sobre as quais 
se achavam inscritos os preceitos da lei de Deus. A arca era mero receptculo das 
tbuas da lei, e a presena desses preceitos divinos  que lhe dava valor e 
santidade. Quando se abriu o templo de Deus no Cu, foi vista a arca do Seu 
testemunho. Dentro do santo dos santos, no santurio
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Pg. 434
celestial, acha-se guardada sagradamente a lei divina  a lei que foi pronunciada 
pelo prprio Deus em meio dos troves do Sinai, e escrita por Seu prprio dedo 
nas tbuas de pedra.
A lei de Deus no santurio celeste  o grande original, de que os preceitos inscritos 
nas tbuas de pedra, registrados por Moiss no Pentateuco, eram uma transcrio 
exata. Os que chegaram  compreenso deste ponto importante, foram assim 
levados a ver o carter sagrado e imutvel da lei divina. Viram, como nunca 
dantes, a fora das palavras do Salvador: At que o cu e a Terra passem, nem 
um jota ou um til se omitir da lei. Mat. 5:18. A lei de Deus, sendo a revelao de 
Sua vontade, a transcrio de Seu carter, deve permanecer para sempre, como 
uma fiel testemunha no Cu. Nenhum mandamento foi anulado; nenhum jota ou 
til se mudou. Diz o salmista: Para sempre,  Senhor, a Tua palavra permanece no 
Cu. So fiis todos os Seus mandamentos. Permanecem firmes para todo o 
sempre. Sal. 119:89; 111:7 e 8.
No prprio centro do declogo est o quarto mandamento, conforme foi a princpio 
proclamado: Lembra-te do dia do sbado para o santificar. Seis dias trabalhars, 
e fars toda a tua obra, mas o stimo dia  o sbado do Senhor teu Deus; no 
fars nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem 
a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que est dentro das tuas 
portas. Porque em seis dias fez o Senhor os cus e a Terra, o mar e tudo que neles 
h, e ao stimo dia descansou; portanto abenoou o Senhor o dia do sbado, e o 
santificou. xo. 20:8-11.
O Esprito de Deus tocou o corao dos que estudavam a Sua Palavra. 
Impressionava-os a convico de que haviam ignorantemente transgredido este 
preceito, deixando de tomar em considerao o dia de repouso do Criador. 
Comearam a examinar as razes para a observncia do primeiro dia da semana 
em lugar do dia que Deus havia santificado. No puderam achar nas Escrituras 
prova alguma de que o quarto
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Pg. 435
mandamento tivesse sido abolido, ou de que o sbado fora mudado; a bno que 
a princpio destacava o stimo dia nunca fora removida. Sinceramente tinham 
estado a procurar conhecer e fazer a vontade de Deus; agora, como se vissem 
transgressores de Sua lei, encheu-se-lhes o corao de tristeza, e manifestaram 
lealdade para com Deus, santificando Seu sbado.
Muitos e tenazes foram os esforos feitos para subverter-lhes a f. Ningum 
poderia deixar de ver que, se o santurio terrestre era uma figura ou modelo do 
celestial, a lei depositada na arca, na Terra, era uma transcrio exata da lei na 
arca, que est no Cu; e que a aceitao da verdade concernente ao santurio 
celeste envolvia o reconhecimento dos requisitos da lei de Deus, e da 
obrigatoriedade do sbado do quarto mandamento. A estava o segredo da 
oposio atroz e decidida  exposio harmoniosa das Escrituras, que revelavam o 
ministrio de Cristo no santurio celestial. Os homens procuravam fechar a porta 
que Deus havia aberto, e abrir a que Ele fechara. Mas O que abre, e ningum 
fecha; e fecha, e ningum abre, tinha declarado: Eis que diante de ti pus uma 
porta aberta, e ningum a pode fechar. Apoc. 3:7 e 8. Cristo abrira a porta, ou o 
ministrio, do lugar santssimo; resplandecia a luz por aquela porta aberta do 
santurio celestial, e demonstrou-se estar o quarto mandamento includo na lei 
que ali se acha encerrada; o que Deus estabeleceu ningum pode derribar.
Os que aceitaram a luz relativa  mediao de Cristo e  perpetuidade da lei de 
Deus, acharam que estas eram as verdades apresentadas no captulo 14 de 
Apocalipse. As mensagens deste captulo constituem uma trplice advertncia, que 
deve preparar os habitantes da Terra para a segunda vinda do Senhor. O anncio: 
Vinda  a hora do Seu juzo  aponta para a obra finalizadora do ministrio de 
Cristo para a salvao dos homens. Anuncia uma verdade que deve ser 
proclamada at que cesse a intercesso do Salvador, e
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Ele volte  Terra para receber o Seu povo. A obra do juzo que comeou em 1844, 
deve continuar at que os casos de todos estejam decididos, tanto dos vivos como 
dos mortos; disso se conclui que ela se estender at ao final do tempo de graa 
para a humanidade. A fim de que os homens possam preparar-se para estar em p 
no juzo, a mensagem lhes ordena temer a Deus e dar-Lhe glria, e adorar Aquele 
que fez o cu e a Terra, e o mar, e as fontes das guas. O resultado da aceitao 
destas mensagens  dado nestas palavras: Aqui esto os que guardam os 
mandamentos de Deus, e a f de Jesus. A fim de se prepararem para o juzo,  
necessrio que os homens guardem a lei de Deus. Esta lei ser a norma de carter 
no juzo. Declara o apstolo Paulo: Todos os que sob a lei pecaram pela lei sero 
julgados.  No dia em que Deus h de julgar os segredos dos homens por Jesus 
Cristo. E ele diz que os que praticam a lei ho de ser justificados. Rom. 2:12-
16. A f  essencial a fim de guardar-se a lei de Deus; pois sem f  impossvel 
agradar-Lhe. E tudo que no  de f,  pecado. Heb. 11:6; Rom. 14:23.
Pelo primeiro anjo os homens so chamados a temer a Deus e dar-Lhe glria, e 
ador-Lo como o Criador do cu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer  
Sua lei. Diz Salomo: Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos; porque este 
 o dever de todo o homem. Ecl. 12:13. Sem a obedincia a Seus mandamentos 
nenhum culto pode ser agradvel a Deus. Este  o amor de Deus: que guardemos 
os Seus mandamentos. O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, at a sua 
orao ser abominvel. I Joo 5:3; Prov. 28:9.
O dever de adorar a Deus se baseia no fato de que Ele  o Criador, e que a Ele 
todos os outros seres devem a existncia. E, onde quer que se apresente, na 
Bblia, Seu direito  reverncia e adorao, acima dos deuses dos pagos, 
enumeram-se as provas de Seu poder criador. Todos os deuses dos povos so 
coisas vs; mas o Senhor fez os cus.
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Pg. 437
Sal. 96:5. A quem pois Me fareis semelhante, para que lhe seja semelhante? diz o 
Santo. Levantai ao alto os vossos olhos, e vede quem criou estas coisas. Assim 
diz o Senhor que tem criado os cus, o Deus que formou a Terra, e a fez;  Eu 
sou o Senhor, e no h outro. Isa. 40:25 e 26; 45:18. Diz o salmista: Sabei que 
o Senhor  Deus: foi Ele, e no ns que nos fez povo Seu. , vinde, adoremos, e 
prostremo-nos; ajoelhemo-nos diante do Senhor que nos criou. Sal. 100:3; 95:6. 
E os seres santos que adoram a Deus nos Cus, declaram porque Lhe  devida sua 
homenagem: Digno s, Senhor, de receber glria, e honra, e poder; porque Tu 
criaste todas as coisas. Apoc. 4:11.
No captulo 14 de Apocalipse, os homens so convidados a adorar o Criador; e a 
profecia revela uma classe de pessoas que, como resultado da trplice mensagem, 
observam os mandamentos de Deus. Um desses mandamentos aponta 
diretamente para Deus como sendo o Criador. O quarto preceito declara: O 
stimo dia  o sbado do Senhor teu Deus porque em seis dias fez o Senhor os 
cus e a Terra, o mar e tudo que neles h, e ao stimo dia descansou; portanto 
abenoou o Senhor o dia do sbado, e o santificou. xo. 20:10 e 11. Acerca do 
sbado, diz mais o Senhor ser ele um sinal,  para que saibais que Eu sou o 
Senhor vosso Deus. Ezeq. 20:20. E a razo apresentada : Porque em seis dias 
fez o Senhor os cus e a Terra, e ao stimo dia descansou e restaurou-Se. xo. 
31:17.
A importncia do sbado como memria da criao consiste em conservar sempre 
presente o verdadeiro motivo de se render culto a Deus  porque Ele  o Criador, 
e ns as Suas criaturas. O sbado, portanto, est no fundamento mesmo do culto 
divino, pois ensina esta grande verdade da maneira mais impressionante, e 
nenhuma outra instituio faz isso. O verdadeiro fundamento para o culto divino, 
no meramente o daquele que se realiza no stimo dia, mas de todo o culto, 
encontra-se na distino entre o Criador e Suas criaturas. Este
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Pg. 438
fato capital jamais poder tornar-se obsoleto, e jamais dever ser esquecido.  
Histria do Sbado, J. N. Andrews. Foi para conservar esta verdade sempre 
perante o esprito dos homens que Deus instituiu o sbado no den; e, enquanto o 
fato de que Ele  o nosso Criador continuar a ser razo por que O devamos adorar, 
permanecer o sbado como sinal e memria disto. Tivesse sido o sbado 
universalmente guardado, os pensamentos e afeies dos homens teriam sido 
dirigidos ao Criador como objeto de reverncia e culto, jamais tendo havido 
idlatra, ateu, ou incrdulo. A guarda do sbado  um sinal de lealdade para com o 
verdadeiro Deus, Aquele que fez o cu, e a Terra, e o mar, e as fontes das 
guas. Segue-se que a mensagem que ordena aos homens adorar a Deus e 
guardar Seus mandamentos, apelar especialmente para que observemos o quarto 
mandamento.
Em contraste com os que guardam os mandamentos de Deus e tm a f de Jesus, 
o terceiro anjo indica outra classe, contra a cujos erros profere solene e terrvel 
advertncia: Se algum adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua 
testa, ou na sua mo, tambm o tal beber do vinho da ira de Deus. Apoc. 14:9 e 
10. Para a compreenso desta mensagem  necessria uma interpretao correta 
dos smbolos empregados. Que se representa pela besta, pela imagem e pelo 
sinal?
A cadeia de profecias na qual se encontram estes smbolos, comea no captulo 12 
de Apocalipse, com o drago que procurava destruir Cristo em Seu nascimento. 
Declara-se que o drago  Satans (Apoc. 12:9); foi ele que atuou sobre Herodes 
a fim de matar o Salvador. Mas o principal agente de Satans, ao fazer guerra 
contra Cristo e Seu povo, durante os primeiros sculos da era crist, foi o Imprio 
Romano, no qual o paganismo era a religio dominante. Assim, conquanto o 
drago represente primeiramente Satans, , em sentido secundrio, smbolo de 
Roma pag.
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Pg. 439
No captulo 13:1-10, descreve-se a besta semelhante ao leopardo,  qual o 
drago deu o seu poder, o seu trono, e grande poderio. Este smbolo, como a 
maioria dos protestantes tem crido, representa o papado, que se sucedeu no 
poder, trono e poderio uma vez mantidos pelo antigo Imprio Romano. Declara-se 
quanto  besta semelhante ao leopardo: Foi-lhe dada uma boca para proferir 
grandes coisas e blasfmias.  E abriu a sua boca em blasfmias contra Deus, 
para blasfemar do Seu nome, e do Seu tabernculo, e dos que habitam no Cu. E 
foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e venc-los; e deu-se-lhe poder sobre 
toda a tribo, e lngua, e nao. Esta profecia, que  quase idntica  descrio da 
ponta pequena de Daniel 7, refere-se inquestionavelmente ao papado.
Deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses. E, diz o profeta, vi 
uma de suas cabeas como ferida de morte. E, mais, se algum leva em 
cativeiro, em cativeiro ir; se algum matar  espada, necessrio  que  espada 
seja morto. Os quarenta e dois meses so o mesmo que tempo, tempos, e 
metade de um tempo, trs anos e meio, ou 1.260 dias, de Daniel 7, tempo 
durante o qual o poder papal deveria oprimir o povo de Deus. Este perodo, 
conforme se declara nos captulos precedentes, comeou com a supremacia do 
papado, no ano 538 de nossa era, e terminou em 1798. Nesta ocasio o papa foi 
aprisionado pelo exrcito francs, e o poder papal recebeu a chaga mortal, 
cumprindo-se a predio: Se algum leva em cativeiro, em cativeiro ir.
Neste ponto  introduzido outro smbolo. Diz o profeta: Vi subir da Terra outra 
besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro. Apoc. 13:11. Tanto a 
aparncia desta besta como a maneira por que surgiu, indicam que a nao por 
ela representada  diferente das que so mostradas sob os smbolos precedentes. 
Os grandes reinos que tm governado o mundo foram apresentados ao profeta 
Daniel como feras rapinantes, que surgiam quando os quatro ventos
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do cu combatiam no mar grande. Dan. 7:2. Em Apocalipse 17, um anjo explicou 
que guas representam povos, e multides, e naes, e lnguas (verso 15). 
Ventos so smbolos de contendas. Os quatro ventos do cu a combaterem no mar 
grande, representam as terrveis cenas de conquista e revoluo, pelas quais os 
reinos tm atingido o poder.
Mas a besta de chifres semelhantes aos do cordeiro foi vista a subir da terra. Em 
vez de subverter outras potncias para estabelecer-se, a nao assim 
representada deve surgir em territrio anteriormente desocupado, crescendo 
gradual e pacificamente. No poderia, pois, surgir entre as nacionalidades 
populosas e agitadas do Velho Mundo  esse mar turbulento de povos, e 
multides, e naes, e lnguas. Deve ser procurada no Ocidente.
Que nao do Novo Mundo se achava em 1798 ascendendo ao poder, 
apresentando indcios de fora e grandeza, e atraindo a ateno do mundo? A 
aplicao do smbolo no admite dvidas. Uma nao, e apenas uma, satisfaz s 
especificaes desta profecia; esta aponta insofismavelmente para os Estados 
Unidos da Amrica do Norte. Reiteradas vezes, ao descreverem a origem e o 
crescimento desta nao, oradores e escritores tm emitido inconscientemente o 
mesmo pensamento e quase que empregado as mesmas palavras do escritor 
sagrado. A besta foi vista a subir da terra; e, segundo os tradutores, a palavra 
aqui traduzida subir significa literalmente crescer ou brotar como uma planta. 
E, como vimos, a nao deveria surgir em territrio previamente desocupado. 
Escritor preeminente, descrevendo a origem dos Estados Unidos, fala do mistrio 
de sua procedncia do nada (G. A. Towsend, O Novo Mundo Comparado com o 
Velho), e diz: Semelhando a semente silenciosa, desenvolvemo-nos em imprio. 
Um jornal europeu, em 1850, referiu-se aos Estados Unidos como um imprio 
maravilhoso, que estava emergindo e no silncio da terra aumentando 
diariamente seu poder e orgulho.  The Dublin Nation. Eduardo Everett, em 
discurso sobre os peregrinos,
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Pg. 441
fundadores desta nao, disse: Procuraram um local afastado, inofensivo por sua 
obscuridade, e seguro pela distncia, onde a pequenina igreja de Leyden pudesse 
gozar de liberdade de conscincia? Eis as imensas regies sobre as quais, em 
conquista pacfica,  implantaram os estandartes da cruz!  Discurso pronunciado 
em Plymouth, Mass., em 22 de dezembro de 1824.
E tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro. Os chifres semelhantes aos 
do cordeiro indicam juventude, inocncia e brandura, o que apropriadamente 
representa o carter dos Estados Unidos, quando apresentados ao profeta como 
estando a subir em 1798. Entre os exilados cristos que primeiro fugiram para a 
Amrica do Norte e buscaram asilo contra a opresso real e a intolerncia dos 
sacerdotes, muitos havia que se decidiram a estabelecer um governo sobre o 
amplo fundamento da liberdade civil e religiosa. Suas idias tiveram guarida na 
Declarao da Independncia, que estabeleceu a grande verdade de que todos os 
homens so criados iguais, e dotados de inalienvel direito  vida, liberdade, e 
procura de felicidade. E a Constituio garante ao povo o direito de governar-se a 
si prprio, estipulando que os representantes eleitos pelo voto do povo faam e 
administrem as leis. Foi tambm concedida liberdade de f religiosa, sendo 
permitido a todo homem adorar a Deus segundo os ditames de sua conscincia. 
Republicanismo e protestantismo tornaram-se os princpios fundamentais da 
nao. Estes princpios so o segredo de seu poder e prosperidade. Os oprimidos e 
desprezados de toda a cristandade tm-se volvido para esta terra com interesse e 
esperana. Milhes tm aportado s suas praias, e os Estados Unidos alcanaram 
lugar entre as mais poderosas naes da Terra.
Mas a besta de chifres semelhantes aos do cordeiro falava como o drago. E 
exerce todo o poder da primeira besta na sua presena, e faz que a Terra e os que 
nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E  dizendo
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Pg. 442
aos que habitam na Terra que fizessem uma imagem  besta que recebera a ferida 
da espada e vivia. Apoc. 13:11-14.
Os chifres semelhantes aos do cordeiro e a voz de drago deste smbolo indicam 
contradio flagrante entre o que professa e pratica a nao assim representada. A 
fala da nao so os atos de suas autoridades legislativas e judicirias. Por esses 
atos desmentir os princpios liberais e pacficos que estabeleceu como 
fundamento de sua poltica. A predio de falar como o drago, e exercer todo o 
poder da primeira besta, claramente anuncia o desenvolvimento do esprito de 
intolerncia e perseguio que manifestaram as naes representadas pelo drago 
e pela besta semelhante ao leopardo. E a declarao de que a besta de dois chifres 
faz com que a Terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, indica que 
a autoridade desta nao deve ser exercida impondo ela alguma observncia que 
constituir ato de homenagem ao papado.
Semelhante atitude seria abertamente contrria aos princpios deste governo, ao 
esprito de suas instituies livres, s afirmaes insofismveis e solenes da 
Declarao da Independncia, e  Constituio. Os fundadores da nao 
procuraram sabiamente prevenir o emprego do poder secular por parte da igreja, 
com seu inevitvel resultado  intolerncia e perseguio. A Magna Carta estipula 
que o Congresso no far lei quanto a oficializar alguma religio, ou proibir o seu 
livre exerccio, e que nenhuma prova de natureza religiosa ser jamais exigida 
como requisito para qualquer cargo de confiana pblica nos Estados Unidos. 
Somente em flagrante violao destas garantias  liberdade da nao, poder 
qualquer observncia religiosa ser imposta pela autoridade civil. Mas a incoerncia 
de tal procedimento no  maior do que o que se encontra representado no 
smbolo.  a besta de chifres semelhantes aos do cordeiro  professando-se pura, 
suave e inofensiva que fala como o drago.
Dizendo aos que habitam na Terra que fizessem uma
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imagem  besta. Aqui se representa claramente a forma de governo em que o 
poder legislativo emana do povo; uma prova das mais convincentes de que os 
Estados Unidos so a nao indicada na profecia.
Mas o que  a imagem  besta? e como ser ela formada? A imagem  feita pela 
besta de dois chifres, e  uma imagem  primeira besta.  tambm chamada 
imagem da besta. Portanto, para sabermos o que  a imagem, e como ser 
formada, devemos estudar os caractersticos da prpria besta  o papado.
Quando se corrompeu a primitiva igreja, afastando-se da simplicidade do 
evangelho e aceitando ritos e costumes pagos, perdeu o Esprito e o poder de 
Deus; e, para que pudesse governar a conscincia do povo, procurou o apoio do 
poder secular. Disso resultou o papado, uma igreja que dirigia o poder do Estado e 
o empregava para favorecer aos seus prprios fins, especialmente na punio da 
heresia. A fim de formarem os Estados Unidos uma imagem da besta, o poder 
religioso deve a tal ponto dirigir o governo civil que a autoridade do Estado 
tambm seja empregada pela igreja para realizar os seus prprios fins.
Quando quer que a Igreja tenha obtido o poder secular, empregou-o ela para punir 
a discordncia s suas doutrinas. As igrejas protestantes que seguiram os passos 
de Roma, formando aliana com os poderes do mundo, tm manifestado desejo 
semelhante de restringir a liberdade de conscincia. D-se um exemplo disto na 
prolongada perseguio aos dissidentes, feita pela Igreja Anglicana. Durante os 
sculos XVI e XVII, milhares de ministros no-conformistas foram obrigados a 
deixar as igrejas, e muitos, tanto pastores como do povo em geral, foram 
submetidos a multa, priso, tortura e martrio.
Foi a apostasia que levou a igreja primitiva a procurar o auxlio do governo civil, e 
isto preparou o caminho para o desenvolvimento do papado  a besta. Disse Paulo 
que havia de vir a apostasia, e manifestar-se o homem do pecado. II
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Tess. 2:3. Assim a apostasia na igreja preparar o caminho para a imagem  
besta.
A Escritura Sagrada declara que antes da vinda do Senhor existir um estado de 
decadncia religiosa semelhante  dos primeiros sculos. Nos ltimos dias 
sobreviro tempos trabalhosos. Porque haver homens amantes de si mesmos, 
avarentos, presunosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mes, 
ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliveis, caluniadores, incontinentes, 
cruis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais 
amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparncia de piedade, mas 
negando a eficcia dela. II Tim. 3:1-5. Mas o Esprito expressamente diz que nos 
ltimos tempos apostataro alguns da f, dando ouvidos a espritos enganadores, 
e a doutrinas de demnios. I Tim. 4:1. Satans operar com todo o poder, e 
sinais e prodgios de mentira, e com todo o engano da injustia. E todos os que 
no receberam o amor da verdade para se salvarem, sero abandonados  
merc da operao do erro, para que creiam a mentira. II Tess. 2:9-11. Quando 
for atingido tal estado de impiedade, ver-se-o os mesmos resultados que nos 
primeiros sculos.
A vasta diversidade de crenas nas igrejas protestantes  por muitos considerada 
como prova decisiva de que jamais se poder fazer esforo algum para se 
conseguir uma uniformidade obrigatria. H anos, porm, que nas igrejas 
protestantes se vem manifestando poderoso e crescente sentimento em favor de 
uma unio baseada em pontos comuns de doutrinas. Para conseguir tal unio, 
deve-se necessariamente evitar toda discusso de assuntos em que no estejam 
todos de acordo, independentemente de sua importncia do ponto de vista bblico.
Carlos Beecher, em sermo pronunciado em 1846, declarou que o ministrio das 
denominaes evanglicas protestantes no somente  formado sob terrvel 
presso do mero temor humano, mas tambm vive, move-se e respira num meio 
totalmente corrupto, e que cada instante apela para todo o elemento mais vil de 
sua natureza, a fim de ocultar a verdade e
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curvar os joelhos ao poder da apostasia. No foi desta maneira que as coisas se 
passaram com Roma? No estamos ns desandando pelo mesmo caminho? E que 
vemos precisamente diante de ns? Outrou conclio geral! Uma conveno 
mundial! Aliana evanglica, e credo universal!  Sermo sobre: A Bblia Como 
um Credo Suficiente, pronunciado em Fort Wayne, Indiana, a 22 de fevereiro de 
1846. Quando, pois, se conseguir isto nos esforos para se obter completa 
uniformidade, apenas um passo haver para que se recorra  fora.
Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de 
doutrinas que lhes so comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus 
decretos e lhes apie as instituies, a Amrica do Norte protestante ter ento 
formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicao de penas civis aos 
dissidentes ser o resultado inevitvel.
A besta de dois chifres faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres 
e servos, lhes seja posto um sinal na sua mo direita ou nas suas testas; para que 
ningum possa comprar ou vender, seno aquele que tiver o sinal, ou o nome da 
besta, ou o nmero do seu nome. Apoc. 13:16 e 17. A advertncia do terceiro 
anjo : Se algum adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua 
testa, ou na sua mo, tambm o tal beber do vinho da ira de Deus. A besta 
mencionada nesta mensagem, cuja adorao  imposta pela besta de dois chifres, 
 a primeira, ou a besta semelhante ao leopardo, do captulo 13 do Apocalipse  o 
papado. A imagem da besta representa a forma de protestantismo apstata que 
se desenvolver quando as igrejas protestantes buscarem o auxlio do poder civil 
para imposio de seus dogmas. Resta definir ainda o sinal da besta.
Depois da advertncia contra o culto  besta e sua imagem, declara a profecia: 
Aqui esto os que guardam os mandamentos de Deus, e a f de Jesus. Visto os 
que guardam os mandamentos de Deus serem assim colocados em contraste com 
os que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal, 
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claro que a guarda da lei de Deus, por um lado, e sua violao, por outro, devero 
assinalar a distino entre os adoradores de Deus e os da besta.
O caracterstico especial da besta, e, portanto, de sua imagem,  a violao dos 
mandamentos de Deus. Diz Daniel a respeito da ponta pequena, o papado: 
Cuidar em mudar os tempos e a lei. Dan. 7:25. E Paulo intitulou o mesmo 
poder o homem do pecado, que deveria exaltar-se acima de Deus. Uma profecia 
 o complemento da outra. Unicamente mudando a lei de Deus poderia o papado 
exaltar-se acima de Deus; quem quer que conscientemente guarde a lei assim 
modificada, estar a prestar suprema honra ao poder pelo qual se efetuou a 
mudana. Tal ato de obedincia s leis papais seria um sinal de vassalagem ao 
papa em lugar de Deus.
O papado tentou mudar a lei de Deus. O segundo mandamento, que probe o culto 
s imagens, foi omitido da lei, e o quarto foi mudado de molde a autorizar a 
observncia do primeiro dia em vez do stimo, como sbado. Mas os romanistas 
aduzem como razo para omitir o segundo mandamento ser ele desnecessrio, 
achando-se includo no primeiro, e que esto a dar a lei exatamente como era o 
desgnio de Deus fosse ela compreendida. Essa no pode ser a mudana predita 
pelo profeta.  apresentada uma mudana intencional, com deliberao. Cuidar 
em mudar os tempos e a lei. A mudana no quarto mandamento cumpre 
exatamente a profecia. Para isto a nica autoridade alegada  a da Igreja. Aqui o 
poder papal se coloca abertamente acima de Deus.
Enquanto os adoradores de Deus se distinguiro especialmente pelo respeito ao 
quarto mandamento  dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e 
testemunha de Seu direito  reverncia e homenagem do homem  os adoradores 
da besta salientar-se-o por seus esforos para derribar o monumento do Criador 
e exaltar a instituio de Roma. Foi por sua atitude a favor do domingo que o 
papado comeou a
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ostentar arrogantes pretenses; seu primeiro recurso ao poder do Estado foi para 
impor a observncia do domingo como o dia do Senhor. A Escritura Sagrada, 
porm, indica o stimo dia e no o primeiro, como o dia do Senhor. Disse Cristo : 
O Filho do homem  Senhor at do sbado. O quarto mandamento declara: O 
stimo dia  o sbado do Senhor. E pelo profeta Isaas o Senhor lhe chama: Meu 
santo dia. Mar. 2:28; Isa. 58:13.
A alegao tantas vezes feita, de que Cristo mudou o sbado,  refutada por Suas 
prprias palavras. Em Seu sermo no monte, disse Ele: No cuideis que vim 
destruir a lei ou os profetas: no vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade 
vos digo que, at que o cu e a Terra passem, nem um jota ou um til se omitir da 
lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer pois que violar um destes mais 
pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, ser chamado o menor no 
reino dos Cus; aquele, porm, que os cumprir e ensinar ser chamado grande no 
reino dos Cus. Mat. 5:17-19.
 fato geralmente admitido por protestantes que as Escrituras no autorizam em 
nenhuma parte a mudana do sbado. Isto se acha plenamente declarado nas 
publicaes editadas pela Sociedade Americana de Tratados e pela Unio 
Americana das Escolas Dominicais. Uma dessas obras reconhece o completo 
silncio do Novo Testamento no que respeita a um mandamento explcito para o 
domingo ou a regras definidas para a sua observncia.  The Abiding Sabbath, 
Jorge Elliot.
Outra diz: At ao tempo da morte de Cristo nenhuma mudana havia sido feita no 
dia (O Dia do Senhor, A. E. Waffle); e, pelo que se depreende do relato sagrado, 
eles [os apstolos] no deram  nenhum mandamento explcito ordenando o 
abandono de repouso do stimo dia, e sua observncia no primeiro dia da 
semana.  Ibidem.
Os catlicos romanos reconhecem que a mudana do sbado foi feita pela sua 
igreja, e declaram que os protestantes,
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observando o domingo, esto reconhecendo o poder desta. No Catecismo Catlico 
da Religio Crist, em resposta a uma pergunta sobre o dia a ser observado em 
obedincia ao quarto mandamento, faz-se esta declarao: Enquanto vigorou a 
antiga lei, o sbado era o dia santificado, mas a igreja, instruda por Jesus Cristo, 
e dirigida pelo Esprito de Deus, substituiu o sbado pelo domingo; assim, 
santificamos agora o primeiro dia, e no o stimo dia. Domingo quer dizer, e agora 
, dia do Senhor.
Como sinal da autoridade da Igreja Catlica, os escritores romanistas citam o 
prprio ato da mudana do sbado para o domingo, que os protestantes admitem; 
 porque, guardando o domingo, reconhecem o poder da igreja para ordenar dias 
santos e impor sua observncia sob pena de incorrer em pecado.  Resumo da 
Doutrina Crist, H. Tuberville. Que , pois, a mudana do sbado seno o sinal da 
autoridade da Igreja de Roma ou o sinal da besta?
A igreja de Roma no renunciou a suas pretenses  supremacia; e, se o mundo e 
as igrejas protestantes aceitam um dia de repouso de sua criao, ao mesmo 
tempo em que rejeitam o sbado bblico, acatam virtualmente estas pretenses. 
Podem alegar a autoridade da tradio e dos pais da igreja para a mudana, mas, 
assim fazendo, ignoram o prprio princpio que os separa de Roma, de que  A 
Bblia, e a Bblia s,  a religio dos protestantes. Os romanistas podem ver que 
esto enganando a si mesmos, fechando voluntariamente os olhos para os fatos 
em relao ao caso.  medida que ganha terreno o movimento em favor do 
repouso dominical obrigatrio, eles se regozijam, na certeza de que, por fim, todo 
o mundo protestante ser reunido sob a bandeira de Roma.
Os romanistas declaram que a observncia do domingo pelos protestantes  uma 
homenagem que prestam, malgrado seu,  autoridade da Igreja [Catlica].  
Plain Talks About Protestantism. A imposio da guarda do domingo por parte das 
igrejas protestantes  uma obrigatoriedade do culto ao papado   besta. Os que, 
compreendendo as exigncias do
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quarto mandamento, preferem observar o sbado esprio em lugar do verdadeiro, 
esto desta maneira a prestar homenagem ao poder pelo qual somente  ele 
ordenado. Mas, no prprio ato de impor um dever religioso por meio do poder 
secular, formariam as igrejas mesmas uma imagem  besta; da a obrigatoriedade 
da guarda do domingo nos Estados Unidos equivaler a impor a adorao  besta e 
 sua imagem.
Mas os cristos das geraes passadas observaram o domingo, supondo que em 
assim fazendo estavam a guardar o sbado bblico; e hoje existem verdadeiros 
cristos em todas as igrejas, no excetuando a comunho catlica romana, que 
crem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente institudo. Deus 
aceita a sinceridade de propsito de tais pessoas e sua integridade. Quando, 
porm, a observncia do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido 
relativamente  obrigao do verdadeiro sbado, quem ento transgredir o 
mandamento de Deus para obedecer a um preceito que no tem maior autoridade 
que a de Roma, honrar desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestar 
homenagem a Roma, e ao poder que impe a instituio que Roma ordenou. 
Adorar a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituio que Deus 
declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma 
escolheu como sinal de sua supremacia, aceitaro, de fato, o sinal de fidelidade 
para com Roma  o sinal da besta. E somente depois que esta situao esteja 
assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os 
mandamentos de Deus e os dos homens,  que, ento, aqueles que continuam a 
transgredir ho de receber o sinal da besta.
A mais terrvel ameaa que j foi dirigida aos mortais, acha-se contida na 
mensagem do terceiro anjo. Dever ser um terrvel pecado que acarretar a ira de 
Deus, sem mistura de misericrdia. Os homens no devem ser deixados em trevas 
quanto a este importante assunto; a advertncia contra tal pecado deve ser dada 
ao mundo antes da visitao dos juzos de Deus, a fim de que todos possam saber 
por que esses juzos
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Pg. 450
so infligidos, e tenham oportunidade de escapar. A profecia declara que o 
primeiro anjo faria o anncio a toda a nao, e tribo, e lngua, e povo. A 
advertncia do terceiro anjo, que faz parte da mesma trplice mensagem, deve ser 
no menos difundida.  representada na profecia como sendo proclamada com 
grande voz, por um anjo voando pelo meio do cu; e se impor  ateno do 
mundo.
No desfecho desta controvrsia, toda a cristandade estar dividida em duas 
grandes classes  os que guardam os mandamentos de Deus e a f de Jesus, e os 
que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal. Se bem que a igreja e o 
Estado renam o seu poder a fim de obrigar a todos, pequenos e grandes, ricos e 
pobres, livres e servos, a receberem o sinal da besta (Apoc. 13:16), o povo de 
Deus, no entanto, no o receber. O profeta de Patmos contempla os que saram 
vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do nmero de seu nome, 
que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o 
cntico de Moiss,  e o cntico do Cordeiro. Apoc. 15:2 e 3.
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26
Restaurao da Verdade
Pg. 451
A obra da reforma do sbado a realizar-se nos ltimos tempos acha-se predita na 
profecia de Isaas: Assim diz o Senhor: Mantende o juzo, e fazei justia, porque a 
Minha salvao est prestes a vir, e a Minha justia a manifestar-se. Bem-
aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lanar mo disto; que 
se guarda de profanar o sbado, e guarda a sua mo de perpetrar algum mal. 
Aos filhos dos estrangeiros que se chegarem ao Senhor, para O servirem, e para 
amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos Seus, todos os que 
guardarem o sbado, no o profanando, e os que abraarem o Meu concerto, 
tambm os levarei ao Meu santo monte, e os festejarei na Minha casa de orao. 
Isa. 56:1, 2, 6 e 7.
Estas palavras se aplicam  era crist, como se v pelo contexto: Assim diz o 
Senhor Jeov, que ajunta os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que j 
se lhe ajuntaram. Isa. 56:8. Aqui est prefigurado o ajuntamento dos gentios 
pelo evangelho. E sobre os que ento honram o sbado,  pronunciada uma 
bno. Destarte, o dever relativo ao quarto mandamento estende-se atravs da 
crucifixo, ressurreio e ascenso de Cristo, at ao tempo em que os Seus servos 
deveriam pregar a todas as naes a mensagem das alegres novas.
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Pg. 452
O Senhor ordena pelo mesmo profeta: Liga o testemunho, sela a lei entre os 
Meus discpulos. Isa. 8:16. O selo da lei de Deus se encontra no quarto 
mandamento. Unicamente este, entre todos os dez, apresenta no s o nome mas 
o ttulo do Legislador. Declara ser Ele o Criador dos cus e da Terra, e mostra, 
assim, o Seu direito  reverncia e culto, acima de todos. Afora este preceito, 
nada h no declogo para mostrar por que autoridade a lei  dada. Quando o 
sbado foi mudado pelo poder papal, o selo foi tirado da lei. Os discpulos de Jesus 
so chamados para que o restabeleam, exaltando o sbado do quarto 
mandamento  sua devida posio como monumento do Criador e sinal de Sua 
autoridade.
 Lei e ao Testemunho! Ao mesmo tempo em que so abundantes as doutrinas e 
teorias contraditrias entre si, a lei de Deus,  a nica regra infalvel pela qual 
todas as opinies, doutrinas e teorias devem ser provadas. Diz o profeta: Se eles 
no falarem segundo esta palavra, nunca vero a alva. Isa. 8:20.
De novo  dada a ordem: Clama em alta voz, no te detenhas, levanta a tua voz 
como a trombeta e anuncia a Meu povo a sua transgresso, e  casa de Jac os 
seus pecados. No  o mundo mpio, mas so aqueles a quem o Senhor designa 
como Meu povo, os que devem ser reprovados por suas transgresses. Declara 
Ele ainda: Todavia, Me procuram cada dia, tomam prazer em saber os Meus 
caminhos, como um povo que pratica a justia, e no deixa a ordenana do seu 
Deus. Isa. 58:1 e 2. Aqui se faz referncia a uma classe que se julga justa, que 
parece manifestar grande interesse no servio de Deus; mas a repreenso severa 
e solene dAquele que examina os coraes, prova que se acham a calcar a ps os 
preceitos divinos.
Desta maneira indica o profeta a ordenana que tem estado esquecida: 
Levantars os fundamentos de gerao em gerao; e chamar-te-o reparador 
das roturas, e restaurador de veredas para morar. Se desviares o teu p do 
sbado, e de fazer
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Pg. 453
a tua vontade no Meu santo dia, e se chamares ao sbado deleitoso, e santo dia do 
Senhor, digno de honra, e o honrares, no seguindo os teus caminhos, nem 
pretendendo fazer a tua prpria vontade, nem falar as tuas prprias palavras, 
ento te deleitars no Senhor. Isa. 58:12-14. Esta profecia tambm se aplica a 
nosso tempo. A rotura foi feita na lei de Deus, quando o sbado foi mudado pelo 
poder romano. Chegou, porm, o tempo para que esta instituio divina seja 
restabelecida. A rotura deve ser reparada, e levantado o fundamento de gerao 
em gerao.
Santificado pelo descanso e bno do Criador, o sbado foi guardado por Ado em 
sua inocncia no santo den; por Ado, depois de cado mas arrependido, quando 
expulso de sua feliz morada. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel at 
o justo No, at Abrao, Jac. Quando o povo escolhido esteve em cativeiro no 
Egito, muitos, em meio da idolatria imperante, perderam o conhecimento da lei de 
Deus; mas, quando o Senhor libertou Israel, proclamou-a com terrvel majestade  
multido reunida, para que conhecesse a Sua vontade, e a Ele temesse e 
obedecesse para sempre.
Desde aquele dia at o presente, o conhecimento da lei de Deus tem-se 
preservado na Terra, e o sbado do quarto mandamento tem sido guardado. Posto 
que o homem do pecado conseguisse calcar a ps o santo dia de Deus, houve, 
contudo, mesmo no perodo de sua supremacia, ocultas nos lugares solitrios, 
almas fiis que lhe dispensavam honra. Desde a Reforma, alguns tem havido, em 
cada gerao, a manterem-lhe a observncia. Embora freqentemente em meio de 
ignomnia e perseguio, constante testemunho tem sido dado da perpetuidade da 
lei de Deus e da obrigao sagrada relativa ao sbado da Criao.
Estas verdades, conforme so apresentadas no captulo 14 de Apocalipse, em 
relao com o evangelho eterno, distinguiro a igreja de Cristo ao tempo de Seu 
aparecimento. Pois, como resultado da trplice mensagem,  anunciado: Aqui
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Pg. 454
esto os que guardam os mandamentos de Deus, e a f de Jesus. E esta 
mensagem  a ltima a ser dada antes da vinda do Senhor. Seguindo-se 
imediatamente  sua proclamao, pelo profeta  visto o Filho do homem vindo 
em glria, para ceifar a colheita da Terra.
Os que receberam a luz concernente ao santurio e  imutabilidade da lei de Deus, 
encheram-se de alegria e admirao, ao verem a beleza e harmonia do conjunto 
de verdades que se lhes desvendaram ao entendimento. Desejaram que a luz que 
lhes parecia to preciosa fosse comunicada a todos os cristos; e criam que seria 
alegremente aceita. Mas as verdades que os poriam em discordncia com o mundo 
no foram bem recebidas por muitos que pretendiam ser seguidores de Cristo. A 
obedincia ao quarto mandamento exigia sacrifcio, ante o qual a maioria das 
pessoas recuava.
Ao serem apresentadas as exigncias do sbado, muitos raciocinavam do ponto de 
vista mundano. Diziam: Sempre guardamos o domingo, nossos pais o 
observaram, e muitos homens bons e piedosos morreram felizes enquanto o 
guardavam. Se tinham razo, tambm ns a temos. A guarda do sbado do stimo 
dia nos poria em desacordo com o mundo, e no teramos influncia alguma sobre 
ele. Que pode um pequeno grupo, a guardar o stimo dia, esperar fazer contra 
todo o mundo que guarda o domingo? Foi com argumentos semelhantes que os 
judeus se esforaram para justificar sua rejeio de Cristo. Seus pais tinham sido 
aceitos por Deus, ao apresentarem ofertas de sacrifcios; e por que no poderiam 
os filhos encontrar salvao continuando com o mesmo modo de agir? 
Semelhantemente, no tempo de Lutero, raciocinavam os romanistas que cristos 
verdadeiros tinham morrido na f catlica; e portanto, essa religio era suficiente 
para a salvao. Tal raciocnio se mostrava uma barreira eficaz contra todo o 
progresso na f ou prtica religiosa.
Muitos insistiam em que a guarda do domingo tinha sido, por muitos sculos, uma 
doutrina estabelecida e generalizado
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Pg. 455
costume da igreja. Contra este argumento se mostrou que o sbado e sua 
observncia eram mais antigos e generalizados, sendo mesmo to velhos como o 
prprio mundo, e trazendo a sano tanto dos anjos como de Deus. Quando foram 
postos os fundamentos da Terra, quando as estrelas da alva juntamente 
cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam, foi ento lanado o fundamento 
do sbado (J 38:6 e 7; Gn. 2:1-3). Bem pode esta instituio reclamar a nossa 
reverncia; no foi ordenada por nenhuma autoridade humana, e no repousa 
sobre tradies humanas; foi estabelecida pelo Ancio de Dias e ordenada por Sua 
eterna Palavra.
Ao ser a ateno do povo chamada para o assunto da reforma do sbado, 
ministros populares perverteram a Palavra de Deus, interpretando-a de modo a 
melhor tranqilizar os espritos inquiridores. E os que no investigavam por si 
mesmos as Escrituras, contentavam-se com aceitar concluses que se achavam de 
acordo com os seus desejos. Por meio de argumentos, sofismas, tradies dos pais 
da igreja e autoridades eclesisticas, muitos se esforaram para subverter a 
verdade. Os defensores desta foram compelidos  Sagrada Escritura para defender 
a validade do quarto mandamento. Homens humildes, armados unicamente com a 
Palavra da verdade, resistiram aos ataques de homens de saber, que, com 
surpresa e ira, perceberam a ineficcia de seus eloqentes sofismas contra o 
raciocnio simples, direto, daqueles que eram versados nas Escrituras ao invs de 
s-lo nas subtilezas filosficas.
Na ausncia de testemunho das Escrituras Sagradas a seu favor, muitos, 
esquecendo-se de que o mesmo raciocnio fora empregado contra Cristo e Seus 
apstolos, insistiam com incansvel persistncia: Por que no compreendem os 
nossos grandes homens esta questo do sbado? Poucos, apenas, crem como 
vs. No pode ser que estejais certos, e que todos os homens de saber no mundo 
se achem em erro.
Para refutar esses argumentos era o bastante citar os ensinos das Escrituras e a 
histria do trato do Senhor para com o Seu povo em todos os tempos. Deus opera 
por intermdio
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Pg. 456
dos que ouvem a Sua voz e Lhe obedecem, e que, sendo necessrio, falam 
verdades desagradveis, e no temem reprovar pecados populares. A razo por 
que Ele no escolhe mais vezes homens de saber e alta posio para dirigir os 
movimentos da Reforma,  o confiarem eles em seus credos, teorias e sistemas 
teolgicos, e no sentirem a necessidade de ser ensinados por Deus. Unicamente 
os que tm ligao pessoal com a fonte da sabedoria so capazes de compreender 
ou explicar as Escrituras. Homens que tm pouca instruo colegial so por vezes 
chamados para anunciar a verdade, no porque sejam ignorantes, mas porque no 
so demasiado pretensiosos para ser por Deus ensinados. Aprendem na escola de 
Cristo, e sua humildade e obedincia os torna grandes. Confiando-lhes o 
conhecimento de Sua verdade, Deus lhes confere uma honra, em comparao com 
a qual as honras terrestres e a grandeza humana se reduzem  insignificncia.
A maioria dos adventistas rejeitaram as verdades atinentes ao santurio e  lei de 
Deus; muitos, tambm, renunciaram  f no movimento adventista, adotando 
idias errneas e contraditrias acerca das profecias que se aplicavam quela 
obra. Alguns foram levados ao erro de fixar repetidas vezes um tempo definido 
para a vinda de Cristo. A luz que ento brilhava do assunto do santurio ter-lhes-
ia mostrado que nenhum perodo proftico se estende at ao segundo advento; 
que o tempo exato para esta ocorrncia no est predito. Mas, desviando-se da 
luz, continuaram a marcar repetidamente o tempo da vinda do Senhor, e outras 
tantas vezes foram desapontados.
Quando a igreja de Tessalnica recebeu idias errneas no tocante  vinda de 
Cristo, o apstolo Paulo aconselhou-a a provar cuidadosamente suas esperanas e 
expectativas pela Palavra de Deus. Citou-lhes profecias que revelavam 
acontecimentos a ocorrerem antes que Cristo viesse, e mostrou-lhes que no 
tinham base para O esperarem em sua poca. Ningum de maneira alguma vos 
engane (II Tess. 2:3), so suas palavras de aviso. Se acariciassem expectativas 
destitudas da sano das Escrituras, seriam levados a um
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Pg. 457
modo errado de se conduzirem; o desapontamento os exporia  zombaria dos 
incrdulos, e correriam perigo de se entregar ao desnimo, sendo tentados a 
duvidar das verdades essenciais  salvao. A advertncia do apstolo aos 
tessalonicenses contm uma lio importante aos que vivem nos ltimos dias. 
Muitos adventistas tm julgado que, a menos que pudessem fixar a f em um 
tempo definido para a vinda do Senhor, no poderiam ser zelosos e diligentes na 
obra de preparo. Mas, como suas esperanas so reiteradas vezes suscitadas, 
apenas para serem destrudas, sua f sofre abalo tal que se lhes torna quase 
impossvel se impressionarem com as grandes verdades da profecia.
A pregao de um tempo definido para o juzo, na proclamao da primeira 
mensagem, foi ordenada por Deus. O cmputo dos perodos profticos nos quais 
se baseava aquela mensagem, localizando o final dos 2.300 dias no outono de 
1844, paira acima de qualquer contestao. Os repetidos esforos por encontrar 
novas datas para o comeo e fim dos perodos profticos, e o raciocnio falaz que 
era necessrio para apoiar este modo de ver, no somente transviaram da verdade 
presente os espritos, mas lanaram o oprbrio sobre todos os esforos para se 
explicarem as profecias. Quanto mais freqentemente se marcar um tempo 
definido para o segundo advento, e mais amplamente for ele ensinado, tanto mais 
se satisfazem os propsitos de Satans. Depois que se passa o tempo, ele provoca 
o ridculo e o desdm aos seus defensores, lanando assim o oprbrio sobre o 
grande movimento adventista de 1843 e 1844. Os que persistem neste erro, 
fixaro finalmente uma data para a vinda de Cristo num futuro demasiado 
longnquo. Sero levados, assim, a descansar em falsa segurana, e muitos se 
desenganaro tarde demais.
A histria do antigo Israel  um exemplo frisante da passada experincia dos 
adventistas. Deus guiou Seu povo no movimento adventista, assim como guiara os 
filhos de Israel ao sarem do Egito. No grande desapontamento fora provada a sua 
f, como o foi a dos hebreus no Mar Vermelho. Houvessem ainda confiado na mo 
guiadora que com eles estivera em
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Pg. 458
sua experincia anterior, e teriam visto a salvao de Deus. Se todos os que 
trabalharam unidos na obra em 1844 tivessem recebido a mensagem do terceiro 
anjo, proclamando-a no poder do Esprito Santo, o Senhor teria poderosamente 
operado por seus esforos. Caudais de luz ter-se-iam derramado sobre o mundo. 
Haveria anos que os habitantes da Terra teriam sido avisados, a obra final estaria 
consumada, e Cristo teria vindo para a redeno de Seu povo.
No foi a vontade de Deus que os filhos de Israel vagueassem durante quarenta 
anos no deserto: desejava Ele lev-los diretamente  terra de Cana e ali os 
estabelecer como um povo santo, feliz. Mas no puderam entrar por causa da sua 
incredulidade. Heb. 3:19. Por sua reincidncia e apostasia, pereceram os 
impenitentes no deserto, e levantaram-se outros para entrarem na Terra 
Prometida. Semelhantemente, no era a vontade de Deus que a vinda de Cristo 
fosse to demorada, e que Seu povo permanecesse tantos anos neste mundo de 
pecado e tristeza. A incredulidade, porm, os separou de Deus. Como se 
recusassem a fazer a obra que lhes havia designado, outros se levantaram para 
proclamar a mensagem. Usando de misericrdia para com o mundo, Jesus retarda 
a Sua vinda, para que pecadores possam ter oportunidade de ouvir a advertncia, 
e encontrar nEle refgio antes que a ira de Deus seja derramada.
Hoje, como nos sculos anteriores, a apresentao de qualquer verdade que 
reprove os pecados e erros dos tempos, suscitar oposio. Todo aquele que faz o 
mal aborrece a luz, e no vem para a luz, para que as suas obras no sejam 
reprovadas. Joo 3:20. Ao verem os homens que no podem sustentar sua 
atitude pelas Escrituras, decidir-se-o muitos a mant-la a todo transe, e, com 
esprito mau, atacam o carter e intuitos dos que permanecem na defesa da 
verdade impopular.  o mesmo expediente que tem sido adotado em todos os 
tempos. Elias foi acusado de ser o perturbador de Israel, Jeremias de traidor, 
Paulo de profanador do templo. Desde aquele tempo at hoje, os que desejam ser 
fiis  verdade tm sido denunciados como sediciosos, hereges ou
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Pg. 459
facciosos. Multides que so demasiado incrdulas para aceitar a segura palavra 
da profecia, recebero com ilimitada credulidade a acusao contra os que ousam 
reprovar os pecados em voga. Este esprito aumentar mais e mais: E a Bblia 
claramente ensina que se aproxima um tempo em que as leis do Estado se 
encontraro em tal conflito com a lei de Deus, que, quem desejar obedecer a todos 
os preceitos divinos, dever afrontar o oprbrio e o castigo, como malfeitor.
Em vista disto, qual  o dever do mensageiro da verdade? Concluir ele que a 
verdade no deve ser apresentada, visto que muitas vezes seu nico efeito  levar 
os homens a se evadirem de seus requisitos ou a eles resistir? No; ele no tem 
mais motivos para reter o testemunho da Palavra de Deus, porque este levanta 
oposio, do que tiveram os primitivos reformadores. A confisso de f, feita pelos 
santos e mrtires, foi registrada para o benefcio das geraes que se seguiram. 
Aqueles vivos exemplos de santidade e firme integridade vieram at ns para 
infundir coragem nos que hoje so chamados a estar em p como testemunhas de 
Deus. Receberam graa e verdade, no para si apenas, mas para que, por seu 
intermdio, o conhecimento de Deus pudesse iluminar a Terra. Tem Deus 
proporcionado luz a Seus servos nesta gerao? Ento devem eles deix-la brilhar 
ao mundo.
Antigamente o Senhor declarou a algum que falava em Seu nome: A casa de 
Israel no te querer dar ouvidos, porque no Me querem dar ouvidos. No 
obstante, disse Ele: Tu lhes dirs as Minhas palavras, quer ouam quer deixem de 
ouvir. Ezeq. 3:7; 2:7. Ao servo de Deus, no presente,  dirigida esta ordem: 
Levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgresso, e 
 casa de Jac os seus pecados.
Tanto quanto as oportunidades o permitam, cada um que haja recebido a luz da 
verdade se encontra sob a mesma responsabilidade solene e terrvel em que 
esteve o profeta de Israel, a quem viera a palavra do Senhor, dizendo: A ti pois,  
filho do homem, te constitu por vigia sobre a casa de Israel;
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Pg. 460
tu, pois, ouvirs a palavra da Minha boca, e lha anunciars da Minha parte. Se Eu 
disser ao mpio:  mpio, certamente morrers; e tu no falares, para desviar o 
mpio do seu caminho, morrer esse mpio na sua iniqidade, mas o seu sangue 
Eu o demandarei da tua mo. Mas, quando tu tiveres falado para desviar o mpio 
do seu caminho, para que se converta dele, e ele se no converter do seu 
caminho, ele morrer na sua iniqidade, mas tu livraste a tua alma. Ezeq. 33:7-
9.
O grande obstculo tanto para a aceitao como para a promulgao da verdade,  
o fato de que isto implica incmodo e vituprio. Este  o nico argumento contra a 
verdade que os seus defensores nunca puderam refutar. Mas isto no dissuade os 
verdadeiros seguidores de Cristo. Estes no esperam que a verdade se torne 
popular. Estando convictos do dever, aceitam deliberadamente a cruz, contando, 
juntamente com o apstolo Paulo, que nossa leve e momentnea tribulao 
produz para ns um peso eterno de glria mui excelente (II Cor. 4:17), tendo, 
como algum da antiguidade, por maiores riquezas o vituprio de Cristo do que 
os tesouros do Egito. Heb. 11:26.
Unicamente os que, de corao, se fazem servos do mundo, qualquer que seja a 
sua profisso religiosa,  que agem, em matria de religio, por expedientes em 
vez de princpios. Devemos escolher o direito, porque  direito, e com Deus deixar 
as conseqncias. A homens de princpios, f e ousadia, deve o mundo as grandes 
reformas. Por tais homens tem de ser levada avante a obra de reforma para este 
tempo.
Assim diz o Senhor: Ouvi-Me, vs que conheceis a justia, vs, povo, em cujo 
corao est a Minha lei: no temais o oprbrio dos homens, nem vos turbeis 
pelas suas injrias, porque a traa os roer como a um vestido, e o bicho os 
comer como a l; mas a Minha justia durar para sempre, e a Minha salvao de 
gerao em gerao. Isa. 51:7 e 8.
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27
A Vida que Satisfaz 
Como Alcanar Paz de Alma
Pg. 461
Onde quer que a Palavra de Deus tenha sido fielmente pregada, seguiram-se 
resultados que atestaram de sua origem divina. O Esprito de Deus acompanhou a 
mensagem de Seus servos, e a Palavra era proclamada com poder. Os pecadores 
sentiam despertar-se-lhes a conscincia. A luz que alumia a todo homem que 
vem ao mundo iluminava-lhes os ntimos recessos da alma, e as coisas ocultas 
das trevas eram manifestas. Corao e esprito eram possudos de profunda 
convico. Convenciam-se do pecado, da justia e do juzo vindouro. Tinham a 
intuio da justia de Jeov, e sentiam terror de aparecer, em sua culpa e 
impureza, perante Aquele que examina os coraes. Com angstia exclamavam: 
Quem me livrar do corpo desta morte? Ao revelar-se a cruz do Calvrio, com o 
infinito sacrifcio pelos pecados dos homens, viram que nada, seno os mritos de 
Cristo, seria suficiente para a expiao de suas transgresses; somente esses 
mritos poderiam reconciliar os homens com Deus. Com f e humildade, aceitaram 
o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Pelo sangue de Jesus tiveram a 
remisso dos pecados passados.
Aquelas almas produziram frutos dignos de arrependimento. Creram e foram 
batizadas, e levantaram-se para andar em novidade de vida  como novas 
criaturas em Cristo Jesus; no para se conformarem aos desejos anteriores, mas, 
pela f no
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Pg. 462
Filho de Deus, seguir-Lhe os passos, refletir-Lhe o carter, e purificar-se assim 
como Ele  puro. As coisas que antes odiavam, agora amavam; e as que antes 
amavam, passaram a odiar. Os orgulhosos e presunosos tornaram-se mansos e 
humildes de corao. Os vaidosos e arrogantes se fizeram srios e acessveis. Os 
profanos se tornaram reverentes, sbrios os bbados, os devassos puros. As 
modas vs do mundo foram postas de parte. Os cristos procuravam no o 
enfeite  exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jias de ouro, na compostura 
dos vestidos; mas o homem encoberto no corao; no incorruptvel trajo de um 
esprito manso e quieto, que  precioso diante de Deus. I Ped. 3:3 e 4.
Os despertamentos resultaram em profundo exame de corao e humildade. 
Caracterizavam-se pelos solenes e fervorosos apelos ao pecador, pela terna 
misericrdia para com a aquisio efetuada pelo sangue de Cristo. Homens e 
mulheres oravam e lutavam com Deus, pela salvao de almas. Os frutos de 
semelhantes avivamentos eram vistos nas almas que no recuavam da renncia e 
do sacrifcio, mas que se regozijavam de que fossem consideradas dignas de sofrer 
o vituprio e provao por amor de Cristo. Notava-se uma transformao na vida 
dos que tinham professado o nome de Jesus. A comunidade se beneficiava por sua 
influncia. Uniam-se com Cristo e semeavam no Esprito, a fim de ceifar a vida 
eterna.
Podia-se dizer deles: Fostes contristados para o arrependimento. Porque a 
tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvao, da qual ningum se 
arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. Porque, quanto cuidado no 
produziu isto mesmo em vs, que segundo Deus fostes contristados! que apologia, 
que indignao, que temor, que saudades, que zelo, que vingana! em tudo 
mostrastes estar puros neste negcio. II Cor. 7:9-11.
Este  o resultado da obra do Esprito de Deus. No h prova de genuno 
arrependimento a menos que ele opere reforma
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Pg. 463
na vida. Se restitui o penhor, devolve o que tinha roubado, confessa os pecados, e 
ama a Deus e seus semelhantes, pode o pecador estar certo de que encontrou paz 
com Deus. Foram estes os efeitos que, em anos anteriores, se seguiram s 
ocasies de avivamento religioso. Julgados pelos seus frutos, sabia-se que eram 
abenoados por Deus para a salvao dos homens e para reerguimento da 
humanidade.
Muitos dos despertamentos dos tempos modernos tm, no entanto, apresentado 
notvel contraste com aquelas manifestaes de graa divina que nos primitivos 
tempos se seguiam aos labores dos servos de Deus.  verdade que se desperta 
grande interesse, muitos professam converso, e h larga afluncia s igrejas; no 
obstante, os resultados no so de molde a autorizar a crena de que houve 
aumento correspondente da verdadeira vida espiritual. A luz que chameja por 
algum tempo logo fenece, deixando as trevas mais densas do que antes.
Avivamentos populares so muitas vezes levados a efeito por meio de apelos  
imaginao, excitando-se as emoes, satisfazendo-se o amor ao que  novo e 
surpreendente. Conversos ganhos desta maneira tm pouco desejo de ouvir a 
verdade bblica, pouco interesse no testemunho dos profetas e apstolos. A menos 
que o culto assuma algo de carter sensacional, no lhes oferece atrao. No  
atendida a mensagem que apele para a razo desapaixonada. As claras 
advertncias da Palavra de Deus, que diretamente se referem aos seus interesses 
eternos, no so tomadas a srio.
Para toda alma verdadeiramente convertida, a relao com Deus e com as coisas 
eternas ser o grande objetivo da vida. Mas onde, nas igrejas populares de hoje, o 
esprito de consagrao a Deus? Os conversos no renunciam ao orgulho e amor 
do mundo. No esto mais dispostos a negar-se, tomar a cruz, e seguir o manso e 
humilde Nazareno, do que estiveram antes de se converter. A religio tornou-se o 
entretenimento dos incrdulos e cpticos, porque tantos que so portadores de 
seu nome lhes desconhecem os princpios. O poder da piedade quase desapareceu 
de muitas das igrejas. Piqueniques,
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representaes teatrais nas igrejas, quermesses, casas elegantes, ostentao 
pessoal, desviaram de Deus os pensamentos. Terras e bens, e ocupaes 
mundanas absorvem a mente, e as coisas de interesse eterno mal recebem 
ateno passageira.
Apesar do generalizado declnio da f e da piedade, h verdadeiros seguidores de 
Cristo nestas igrejas. Antes de os juzos finais de Deus carem sobre a Terra, 
haver, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como no 
fora testemunhado desde os tempos apostlicos. O Esprito e o poder de Deus 
sero derramados sobre Seus filhos. Naquele tempo muitos se separaro das 
igrejas em que o amor deste mundo suplantou o amor a Deus e  Sua Palavra. 
Muitos, tanto pastores como leigos, aceitaro alegremente as grandes verdades 
que Deus providenciou fossem proclamadas no tempo presente, a fim de preparar 
um povo para a segunda vinda do Senhor. O inimigo das almas deseja estorvar 
esta obra; e antes que chegue o tempo para tal movimento, esforar-se- para 
impedi-la, introduzindo uma contrafao. Nas igrejas que puder colocar sob seu 
poder sedutor, far parecer que a bno especial de Deus foi derramada; 
manifestar-se- o que ser considerado como grande interesse religioso. Multides 
exultaro de que Deus esteja operando maravilhosamente por elas, quando a obra 
 de outro esprito. Sob o disfarce religioso, Satans procurar estender sua 
influncia sobre o mundo cristo.
Em muitos dos avivamentos ocorridos durante o ltimo meio sculo, tm estado a 
operar, em maior ou menor grau, as mesmas influncias que se manifestaro em 
movimentos mais extensos no futuro. H um excitamento emotivo, mistura do 
verdadeiro com o falso, muito apropriado para transviar. Contudo, ningum 
necessita ser enganado.  luz da Palavra de Deus no  difcil determinar a 
natureza destes movimentos. Onde quer que os homens negligenciem o 
testemunho da Escritura Sagrada, desviando-se das verdades claras que servem 
para provar a alma e que exigem a renncia de si mesmo e a do mundo, podemos 
estar certos de que ali no  outorgada a
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bno de Deus. E, pela regra que o prprio Cristo deu  Por seus frutos os 
conhecereis (Mat. 7:16)   evidente que esses movimentos no so obra do 
Esprito de Deus.
Nas verdades de Sua Palavra, Deus deu aos homens a revelao de Si mesmo; e a 
todos os que as aceitam servem de escudo contra os enganos de Satans. Foi a 
negligncia destas verdades que abriu a porta aos males que tanto se esto 
generalizando agora no mundo religioso. Tem-se perdido de vista, em grande 
parte, a natureza e importncia da lei de Deus. Uma concepo errnea do 
carter, perpetuidade e vigncia da lei divina, tem ocasionado erros quanto  
converso e santificao, resultando em baixar, na igreja, a norma da piedade. 
Aqui deve encontrar-se o segredo da falta do Esprito e poder de Deus nos 
avivamentos de nosso tempo.
H, nas vrias denominaes, homens eminentes por sua piedade, que 
reconhecem e lamentam este fato. O Prof. Eduardo A. Park, apresentando os 
perigos atuais de natureza religiosa, diz acertadamente: Fonte de perigos  a 
negligncia, por parte do plpito, de insistir sobre a lei divina. Nos dias passados o 
plpito era o eco da voz da conscincia.  Os nossos mais ilustres pregadores 
davam admirvel majestade aos seus discursos, seguindo o exemplo do Mestre, e 
pondo em preeminncia a lei, seus preceitos e ameaas. Repetiam as duas 
grandes mximas de que a lei  a transcrio das perfeies divinas e de que o 
homem que no ame a lei, no ama o evangelho; pois a lei, bem como o 
evangelho,  um espelho que reflete o verdadeiro carter de Deus. Este perigo 
leva a outro, o de no avaliar devidamente o mal do pecado e sua extenso e 
demrito. Em proporo com a justia do mandamento est o erro de 
desobedecer-lhe . 
Unido aos perigos j mencionados, est o de depreciar a justia de Deus. A 
tendncia do plpito moderno  separar da benevolncia divina a justia divina, 
reduzir a benevolncia a um sentimento em vez de exalt-la a um princpio. O 
novo
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prisma teolgico divide ao meio o que Deus havia ajuntado.  a lei divina um bem 
ou um mal?  um bem. Ento a justia  um bem; pois que ela  uma disposio 
para executar a lei. Do hbito de desvalorizar a lei e a justia divinas e o alcance e 
demrito da desobedincia humana, os homens facilmente resvalam para o hbito 
de depreciar a graa que proveu a expiao do pecado. Assim o evangelho perde 
seu valor e importncia no esprito dos homens, no tardando estes em, 
praticamente, pr de lado a prpria Escritura Sagrada.
Muitos ensinadores religiosos afirmam que Cristo, pela Sua morte, aboliu a lei, e, 
em virtude disso, esto os homens livres de suas reivindicaes. Alguns h que a 
representam como um jugo penoso; e em contraste com a servido da lei 
apresentam a liberdade a ser gozada sob o evangelho.
No foi, porm, assim que profetas e apstolos consideravam a santa lei de Deus. 
Disse Davi: Andarei em liberdade, pois busquei os Teus preceitos. Sal. 119:45. O 
apstolo Tiago, que escreveu depois da morte de Cristo, refere-se ao declogo 
como a lei real e a lei perfeita da liberdade. Tia. 2:8; 1:25. E o escritor do 
Apocalipse, meio sculo depois da crucifixo, pronuncia uma bno aos que 
guardam os Seus mandamentos, para que tenham direito  rvore da vida, e 
possam entrar na cidade pelas portas. Apoc. 22:14.
A declarao de que Cristo por Sua morte aboliu a lei do Pai, no tem fundamento. 
Se tivesse sido possvel mudar a lei, ou p-la de parte, no teria sido necessrio 
que Cristo morresse para salvar o homem da pena do pecado. A morte de Cristo, 
longe de abolir a lei, prova que ela  imutvel. O Filho do homem veio para 
engrandecer a lei, e torn-la gloriosa. Isa. 42:21. Disse Ele: No cuideis que 
vim destruir a lei; at que o cu e a Terra passem nem um jota ou um til se 
omitir da lei. Mat. 5:17 e 18. E, com relao a Si prprio, declara Ele: Deleito-
Me em fazer a Tua vontade,  Deus Meu; sim, a Tua lei est dentro do Meu 
corao. Sal. 40:8.
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A lei de Deus, pela sua prpria natureza,  imutvel.  uma revelao da vontade 
e carter do Autor. Deus  amor, e Sua lei  amor. Seus dois grandes princpios 
so amor a Deus e amor ao homem. O cumprimento da lei  o amor. Rom. 
13:10. O carter de Deus  justia e verdade; esta  a natureza de Sua lei. Diz o 
salmista: Tua lei  a verdade; todos os Teus mandamentos so justia. Sal. 
119:142 e 172. E o apstolo Paulo declara: A lei  santa, e o mandamento santo, 
justo e bom. Rom. 7:12. Tal lei, sendo expresso do pensamento e vontade de 
Deus, deve ser to duradoura como o Seu Autor.
 obra da converso e santificao reconciliar os homens com Deus, pondo-os em 
harmonia com os princpios de Sua lei. No princpio, o homem foi criado  imagem 
de Deus. Estava em perfeita harmonia com a natureza e com a lei de Deus; os 
princpios da justia lhe estavam escritos no corao. O pecado, porm, alienou-o 
do Criador. No mais refletia a imagem divina. O corao estava em guerra com os 
princpios da lei de Deus. A inclinao da carne  inimizade contra Deus, pois no 
 sujeita  lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Rom. 8:7. Mas Deus amou 
o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unignito, para que o homem 
pudesse reconciliar-se com Ele. Mediante os mritos de Cristo, pode aquele se 
restabelecer  harmonia com o Criador. O corao deve ser renovado pela graa 
divina; deve receber nova vida de cima. Esta mudana  o novo nascimento, sem 
o que, diz Jesus, o homem no pode ver o reino de Deus.
O primeiro passo na reconciliao com Deus,  a convico de pecado. Pecado  o 
quebrantamento da lei. Pela lei vem o conhecimento do pecado. I Joo 3:4; 
Rom. 3:20. A fim de ver sua culpa, o pecador deve provar o carter prprio pela 
grande norma divina de justia.  um espelho que mostra a perfeio de um viver 
justo, habilitando o pecador a discernir seus defeitos de carter.
A lei revela ao homem os seus pecados, mas no prov
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remdio. Ao mesmo tempo que promete vida ao obediente, declara que a morte  
o quinho do transgressor. Unicamente o evangelho de Cristo o pode livrar da 
condenao ou contaminao do pecado. Deve ele exercer o arrependimento em 
relao a Deus, cuja lei transgrediu, e f em Cristo, seu sacrifcio expiatrio. 
Obtm assim remisso dos pecados passados, e se torna participante da 
natureza divina.  filho de Deus, tendo recebido o esprito de adoo, pelo qual 
clama: Aba, Pai!
Estaria agora na liberdade de transgredir a lei de Deus? Diz Paulo: Anulamos, 
pois, a lei pela f? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei. Ns, que 
estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? E Joo declara: Esta 
 a caridade de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; e os Seus 
mandamentos no so pesados. Rom. 3:31; 6:2; I Joo 5:3. No novo nascimento 
o corao  posto em harmonia com Deus, ao colocar-se em conformidade com a 
Sua lei. Quando esta poderosa transformao se efetua no pecador, passou ele da 
morte para a vida, do pecado para a santidade, da transgresso e rebelio para a 
obedincia e lealdade. Terminou a velha vida de afastamento de Deus, comeando 
a nova vida de reconciliao, de f e amor. Ento, a justia da lei se cumpre em 
ns, que no andamos segundo a carne, mas segundo o Esprito. Rom. 8:4. E a 
linguagem da alma ser: Oh! quanto amo a Tua lei!  a minha meditao em todo 
o dia. Sal. 119:97.
A lei do Senhor  perfeita, e refrigera a alma. Sal. 19:7. Sem a lei os homens 
no tm uma concepo justa da pureza e santidade de Deus, ou da culpa e 
impureza deles mesmos. No tm verdadeira convico do pecado, e no sentem 
necessidade de arrependimento. No vendo a sua condio perdida, como 
transgressores da lei de Deus, no se compenetram da necessidade do sangue 
expiatrio de Cristo. A esperana de salvao  aceita sem a mudana radical do 
corao ou reforma da vida. So assim abundantes as converses superficiais, e 
unem-se s igrejas multides que nunca se uniram a Cristo.
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Outrossim, teorias errneas sobre a santificao, procedentes da negligncia ou 
rejeio da lei divina, ocupam lugar preeminente nos movimentos religiosos da 
poca. Essas teorias no somente so falsas no que respeita  doutrina, mas 
tambm perigosas nos resultados prticos; e o fato de que estejam to 
geralmente alcanando aceitao, torna duplamente essencial que todos tenham 
clara compreenso do que as Escrituras ensinam a tal respeito.
A verdadeira santificao  doutrina bblica. O apstolo Paulo, em carta  igreja de 
Tessalnica, declara: Esta  a vontade de Deus, a vossa santificao. E roga: E 
o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo. I Tess. 4:3; 5:23. A Bblia ensina 
claramente o que  a santificao, e como deve ser alcanada. O Salvador orou 
pelos discpulos: Santifica-os na verdade: A Tua Palavra  a verdade. Joo 
17:17. E Paulo ensina que os crentes devem ser santificados pelo Esprito Santo 
(Rom. 15:16). Qual  a obra do Esprito Santo? Disse Jesus aos discpulos: 
Quando vier aquele Esprito de verdade, Ele vos guiar em toda a verdade. Joo 
16:13. E o salmista declara: Tua lei  a verdade. Pela Palavra e Esprito de Deus 
se revelam aos homens os grandes princpios de justia incorporados em Sua lei. E 
desde que a lei de Deus  santa, justa e boa, e cpia da perfeio divina, segue-se 
que o carter formado pela obedincia quela lei ser santo. Cristo  um exemplo 
perfeito de semelhante carter. Diz Ele: Eu tenho guardado os mandamentos de 
Meu Pai. Eu fao sempre o que Lhe agrada. Joo 15:10; 8:29. Os seguidores de 
Cristo devem tornar-se semelhantes a Ele  pela graa de Deus devem formar 
carter em harmonia com os princpios de Sua santa lei. Isto  santificao bblica.
Esta obra unicamente pode ser efetuada pela f em Cristo, pelo poder do Esprito 
de Deus habitando em ns. Paulo admoesta aos crentes: Operai a vossa salvao 
com temor e tremor; porque Deus  o que opera em vs tanto o querer como o 
efetuar, segundo a Sua boa vontade. Filip. 2:12 e 13. O cristo sentir as 
insinuaes do pecado, mas sustentar luta
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constante contra ele. Aqui  que o auxlio de Cristo  necessrio. A fraqueza 
humana se une  fora divina, e a f exclama: Graas a Deus que nos d a vitria 
por nosso Senhor Jesus Cristo. I Cor. 15:57.
As Escrituras claramente revelam que a obra da santificao  progressiva. 
Quando na converso o pecador acha paz com Deus mediante o sangue expiatrio, 
apenas iniciou a vida crist. Deve agora aperfeioar-se; crescer at a medida da 
estatura completa de Cristo. Diz o apstolo Paulo: Uma coisa fao, e  que, 
esquecendo-me das coisas que atrs ficam, e avanando para as que esto diante 
de mim, prossigo para o alvo, pelo prmio da soberana vocao de Deus em Cristo 
Jesus. Filip. 3:13 e 14. E Pedro nos apresenta os passos por que a santificao 
bblica deve ser atingida: Pondo nisto mesmo toda a diligncia, acrescentai  
vossa f a virtude, e  virtude a cincia, e  cincia temperana, e  temperana 
pacincia, e  pacincia piedade, e  piedade amor fraternal; e ao amor fraternal 
caridade  porque fazendo isto nunca jamais tropeareis. II Ped. 1:5-10.
Os que experimentam a santificao bblica manifestaro um esprito de 
humildade. Como Moiss, depois de contemplarem a augusta e majestosa 
santidade, vem a sua prpria indignidade contrastando com a pureza e excelsa 
perfeio do Ser infinito.
O profeta Daniel  um exemplo da verdadeira santificao. Seus longos anos foram 
cheios de nobre servio a seu Mestre. Foi um homem mui desejado do Cu (Dan. 
10:11). Todavia, ao invs de pretender ser puro e santo, este honrado profeta, 
quando pleiteava perante Deus em prol de seu povo, identificou-se com os que 
positivamente eram pecadores em Israel: No lanamos as nossas splicas 
perante Tua face fiados em nossas justias, mas em Tuas muitas misericrdias. 
Pecamos; obramos impiamente. Declara ele: Estando eu ainda falando e 
orando, e confessando o meu pecado, e o pecado do meu povo. E quando, em 
ocasio posterior, o Filho de Deus lhe apareceu a fim de lhe dar instruo, diz 
Daniel:
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Transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e no retive fora 
alguma. Dan. 9:18, 15 e 20; 10:8.
Quando J ouviu do redemoinho, a voz do Senhor, exclamou: Por isso me 
abomino e me arrependo no p e na cinza. J 42:6. Foi quando Isaas viu a glria 
do Senhor e ouviu os querubins a clamar  Santo, santo, santo  o Senhor dos 
exrcitos  que exclamou: Ai de mim, que vou perecendo! Isa. 6:3 e 5. 
Arrebatado ao terceiro Cu, Paulo ouviu coisas que no era possvel ao homem 
proferir e fala de si mesmo como o mnimo de todos os santos. II Cor. 12:2-4; 
Efs. 3:8. Foi o amado Joo, que se reclinou ao peito de Jesus, e Lhe contemplou a 
glria, que caiu como morto aos ps de um anjo (Apoc. 1:17).
No pode haver exaltao prpria, jactanciosa pretenso  libertao do pecado, 
por parte dos que andam  sombra da cruz do Calvrio. Sentem eles que foi seu 
pecado o causador da agonia que quebrantou o corao do Filho de Deus, e este 
pensamento os levar  humilhao prpria. Os que mais perto vivem de Jesus, 
mais claramente discernem a fragilidade e pecaminosidade do ser humano, e sua 
nica esperana est nos mritos de um Salvador crucificado e ressurgido.
A santificao que ora adquire preeminncia no mundo religioso, traz consigo o 
esprito de exaltao prpria e o desrespeito pela lei de Deus, os quais a 
estigmatizam como estranha  religio da Escritura Sagrada. Seus defensores 
ensinam que a santificao  obra instantnea, pela qual, mediante a f apenas, 
alcanam perfeita santidade. Crede to-somente, dizem, e a bno ser 
vossa. Nenhum outro esforo, por parte do que recebe, se pressupe necessrio. 
Ao mesmo tempo negam a autoridade da lei de Deus, insistindo em que esto 
livres da obrigao de guardar os mandamentos. Mas  possvel aos homens ser 
santos, de acordo com a vontade e carter de Deus, sem ficar em harmonia com 
os princpios que so a expresso de Sua natureza e vontade, e que mostram o 
que Lhe  agradvel?
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O desejo de uma religio fcil, que no exija esforo, renncia, nem ruptura com 
as loucuras do mundo, tem tornado popular a doutrina da f, e da f somente; 
mas que diz a Palavra de Deus? Declara o apstolo Tiago: Meus irmos, que 
aproveita se algum disser que tem f, e no tiver as obras? Porventura a f pode 
salv-lo?  Mas,  homem vo, queres tu saber que a f sem as obras  morta? 
Porventura o nosso pai Abrao no foi justificado pelas obras, quando ofereceu 
sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vs que a f cooperou com as obras, e que 
pelas obras a f foi aperfeioada.  Vedes ento que o homem  justificado pelas 
obras, e no somente pela f. Tia. 2:14-24.
O testemunho da Palavra de Deus  contra esta doutrina perigosa da f sem as 
obras. No  f pretender o favor do Cu sem cumprir as condies necessrias 
para que a graa seja concedida:  presuno; pois que a f genuna se 
fundamenta nas promessas e disposies das Escrituras.
Ningum se engane com a crena de que pode tornar-se santo enquanto 
voluntariamente transgride um dos mandamentos de Deus. O cometer o pecado 
conhecido faz silenciar a voz testemunhadora do Esprito e separa a alma de Deus. 
Pecado  o quebrantamento da lei. E qualquer que peca [transgride a lei] no O 
viu nem O conheceu. I Joo 3:6. Conquanto Joo em suas epstolas trate to 
amplamente do amor, no hesita, todavia, em revelar o verdadeiro carter dessa 
classe de pessoas que pretende ser santificada ao mesmo tempo em que vive a 
transgredir a lei de Deus. Aquele que diz: Eu conheo-O, e no guarda os Seus 
mandamentos,  mentiroso, e nele no est a verdade. Mas qualquer que guarda a 
Sua Palavra, o amor de Deus est nele verdadeiramente aperfeioado. I Joo 2:4 
e 5. Esta  a pedra de toque de toda profisso de f. No podemos atribuir 
santidade a qualquer pessoa sem aferi-la pela medida da nica norma divina de 
santidade, no Cu e na Terra. Se os homens no sentem o peso da lei moral, se 
amesquinham e consideram levianamente os preceitos de Deus, se violam o 
menor desses mandamentos, e
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assim ensinam os homens, no sero de nenhum apreo  vista do Cu, e 
podemos saber que suas pretenses so destitudas de fundamento.
E a alegao de estarem sem pecado  em si mesma evidncia de que aquele que 
a alimenta longe est de ser santo.  porque no tem nenhuma concepo 
verdadeira da infinita pureza e santidade de Deus, ou do que devem ser os que se 
ho de harmonizar com Seu carter;  porque no aprendeu o verdadeiro conceito 
da pureza e perfeio supremas de Jesus, bem como da malignidade e horror do 
pecado, que o homem pode considerar-se santo. Quanto maior a distncia entre 
ele e Cristo, e quanto mais imprprias forem suas concepes do carter e 
requisitos divinos, tanto mais justo parecer a seus prprios olhos.
A santificao apresentada nas Escrituras compreende o ser inteiro: esprito, alma 
e corpo. Paulo orou pelos tessalonicenses para que todo o seu esprito, e alma, e 
corpo fossem plenamente conservados irrepreensveis para a vinda de nosso 
Senhor Jesus Cristo (I Tess. 5:23). Outra vez escreve ele aos crentes: Rogo-vos, 
pois, irmos, pela compaixo de Deus, que apresenteis os vossos corpos em 
sacrifcio vivo, santo e agradvel a Deus. Rom. 12:1. No tempo do antigo Israel, 
toda oferta trazida como sacrifcio a Deus era cuidadosamente examinada. Se se 
descobria qualquer defeito no animal apresentado, era rejeitado; pois Deus 
recomendara que a oferta fosse sem mancha. Assim se ordena aos cristos que 
apresentem o corpo em sacrifcio vivo, santo e agradvel a Deus. A fim de 
fazerem isto, todas as faculdades devem ser conservadas na melhor condio 
possvel. Todo uso ou costume que enfraquece a fora fsica ou mental, inabilita o 
homem para o servio de seu Criador. E agradar-Se- Deus com qualquer coisa 
que seja menos do que o melhor que podemos oferecer? Disse Cristo: Amars o 
Senhor teu Deus de todo o teu corao. Os que amam a Deus de todo o corao, 
desejaro prestar-Lhe o melhor servio de sua vida, e estaro constantemente 
procurando pr toda faculdade do ser em harmonia com as leis que os tornaro 
aptos a fazer a Sua vontade. No aviltaro nem mancharo,
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pela condescendncia com o apetite ou paixes, a oferta que apresentam a seu Pai 
celestial.
Diz Pedro: Peo-vos  que vos abstenhais das concupiscncias carnais que 
combatem contra a alma. I Ped. 2:11. Toda condescendncia pecaminosa tende a 
embotar as faculdades e a destruir o poder de percepo mental e espiritual, e a 
Palavra ou o Esprito de Deus apenas podero impressionar debilmente o corao. 
Paulo escreve aos corntios: Purifiquemo-nos de toda a imundcia da carne e do 
esprito, aperfeioando a santificao no temor de Deus. II Cor. 7:1. E entre os 
frutos do Esprito  caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, f, 
mansido  enumera a temperana. Gl. 5:22 e 23.
A despeito destas declaraes inspiradas, quantos professos cristos se acham a 
debilitar suas faculdades em busca de ganhos ou na adorao da moda! quantos 
h que esto a aviltar a varonilidade  semelhana de Deus pela glutonaria, pelo 
beber vinho, pelos prazeres proibidos! E a igreja, em vez de reprovar, muitas 
vezes promover o mal, apelando para o apetite, para o desejo de lucros, ou para o 
amor ao prazer, a fim de encher o seu tesouro, que o amor a Cristo  demasiado 
fraco para suprir. Se Jesus entrasse nas igrejas de hoje, e visse as festas e 
comrcio inquo ali levados a efeito em nome da religio, no expulsaria Ele a 
esses profanadores, assim como baniu do templo os cambistas?
O apstolo Tiago declara que a sabedoria de cima  primeiramente, pura. 
Houvesse ele encontrado os que proferem o precioso nome de Jesus com lbios 
poludos pelo fumo, aqueles cujo hlito e pessoa se acham contaminados pelo seu 
desagradvel odor, e que corrompem o ar do cu, forando a todos a seu redor a 
respirar o veneno, sim, houvesse o apstolo tomado conhecimento de prtica to 
contrria  pureza do evangelho, e no a teria ele denunciado como terrena, 
animal e diablica? Escravos do fumo, pretendendo a bno da santificao 
completa, falam sobre sua esperana do Cu; mas a Palavra de Deus claramente 
diz que no entrar nela coisa alguma que contamine. Apoc. 21:27.
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No sabeis que o vosso corpo  o templo do Esprito Santo, que habita em vs, 
proveniente de Deus, e que no sois de vs mesmos? Porque fostes comprados 
por bom preo; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso esprito, os 
quais pertencem a Deus. I Cor. 6:19 e 20. Aquele cujo corpo  o templo do 
Esprito Santo, no se escravizar por hbito pernicioso. Suas faculdades 
pertencem a Cristo, que o comprou com preo de sangue. Sua propriedade  do 
Senhor. Como poderia ficar sem culpa malbaratando o capital que lhe  confiado? 
Cristos professos despendem anualmente soma considervel com inteis e 
perniciosas condescendncias, enquanto almas esto perecendo  falta da Palavra 
da Vida. Deus  roubado nos dzimos e ofertas, enquanto consomem no altar das 
destruidoras concupiscncias mais do que do para socorrer os pobres ou para o 
sustento do evangelho. Se todos os que professam ser seguidores de Cristo 
fossem verdadeiramente santificados, seus meios, em vez de serem gastos com 
desnecessrias e mesmo nocivas condescendncias, reverteriam para o tesouro do 
Senhor, e os cristos dariam um exemplo de temperana, renncia e sacrifcio. 
Seriam ento a luz do mundo.
O mundo est entregue  satisfao de si mesmo. A concupiscncia da carne, a 
concupiscncia dos olhos, e a soberba da vida dominam as massas populares. Os 
seguidores de Cristo, porm, possuem uma vocao mais elevada. Sa do meio 
deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e no toqueis nada imundo.  luz da Palavra 
de Deus estamos autorizados a declarar que no pode ser genuna a santificao 
que no opere a completa renncia de todo desejo pecaminoso e prazeres do 
mundo.
Aos que satisfazem as condies: Sa do meio deles, e apartai-vos,  e no 
toqueis nada imundo, a promessa de Deus : Eu vos receberei; e Eu serei para 
vs Pai e vs sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso. II Cor. 
6:17 e 18.  privilgio e dever de todo cristo ter uma experincia rica e 
abundante nas coisas de Deus. Eu sou a luz
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do mundo, disse Jesus. Aquele que Me segue no andar em trevas, mas ter a 
luz da vida. Joo 8:12. A vereda dos justos  como a luz da aurora que vai 
brilhando mais e mais, at ser dia perfeito. Prov. 4:18. Cada passo de f e 
obedincia leva a alma em relao mais ntima com a Luz do mundo, em quem 
no h trevas nenhumas. Os brilhantes raios do Sol da justia resplandecem sobre 
os servos de Deus, e devem estes refletir os Seus raios. Assim como as estrelas 
nos falam de uma grande luz no cu, com cuja glria refulgem, assim tambm os 
cristos devem tornar manifesto que h no trono do Universo um Deus, cujo 
carter  digno de louvor e imitao. As graas de Seu Esprito, a pureza e 
santidade de Seu carter, manifestar-se-o em Suas testemunhas.
Paulo, em sua carta aos colossenses, apresenta as ricas bnos concedidas aos 
filhos de Deus. Diz ele: No cessamos de orar por vs, e de pedir que sejais 
cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligncia 
espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe 
em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus; 
corroborados em toda a fortaleza, segundo a fora da Sua glria, em toda a 
pacincia, e longanimidade com gozo. Col. 1:9-11.
Outra vez escreve acerca de seu desejo que os irmos de feso chegassem a 
compreender a altura do privilgio do cristo. Abre perante eles, na linguagem 
mais compreensiva, o poder e conhecimento maravilhosos que podiam possuir 
como filhos e filhas do Altssimo. A eles tocava o serem corroborados com poder 
pelo Seu Esprito no homem interior, arraigados e fundados em amor, 
compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a 
altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o 
entendimento. Mas a orao do apstolo atinge o auge do privilgio quando ora 
para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Efs. 3:16-19.
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Aqui se revelam as culminncias do aperfeioamento a que podemos atingir pela 
f nas promessas de nosso Pai celestial, quando cumprimos os Seus preceitos. 
Mediante os mritos de Cristo temos acesso ao trono do Poder infinito. Aquele 
que nem mesmo a Seu prprio Filho poupou, antes O entregou por todos ns, 
como nos no dar tambm com Ele todas as coisas? Rom. 8:32. O Pai deu ao 
Filho Seu Esprito sem medida, e tambm ns podemos participar de Sua 
plenitude. Diz Jesus: Se vs, sendo maus, sabeis dar boas ddivas a vossos 
filhos, quanto mais dar o Pai celestial o Esprito Santo queles que Lho pedirem? 
Luc. 11:13. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei. Pedi, e 
recebereis, para que o vosso gozo se cumpra. Joo 14:14;16:24.
Posto que a vida do cristo deva ser caracterizada pela humildade, no deveria 
assinalar-se pela tristeza e depreciao de si mesmo.  privilgio de cada um viver 
de tal maneira que Deus o aprove e abenoe. No  da vontade de nosso Pai 
celestial que sempre estejamos sob condenao e trevas. O andar cabisbaixo e 
com o corao cheio de preocupaes no constitui prova de verdadeira 
humildade. Podemos ir a Jesus e ser purificados, permanecendo diante da lei sem 
oprbrio e remorsos. Nenhuma condenao h para os que esto em Cristo Jesus, 
que no andam segundo a carne, mas segundo o Esprito. Rom. 8:1.
Por meio de Jesus os decados filhos de Ado se tornam filhos de Deus. Assim O 
que santifica, como os que so santificados, so todos de um; por cuja causa no 
Se envergonha de lhes chamar irmos. Heb. 2:11. A vida crist deve ser de f, 
vitria e alegria em Deus. Todo o que  nascido de Deus vence o mundo; e esta  
a vitria que vence o mundo, a nossa f. I Joo 5:4. Com acerto disse Neemias, 
servo de Deus: A alegria do Senhor  a vossa fora. Nee. 8:10. E Paulo diz: 
Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. Regozijai-vos 
sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graas; porque esta  a vontade de Deus 
em Cristo
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Pg. 478
Jesus para convosco. Filip. 4:4; I Tess. 5:16-18.
So estes os frutos da converso e santificao bblica; e  porque os grandes 
princpios da justia apresentados na lei de Deus so com tanta indiferena 
considerados pelo mundo cristo, que esses frutos so to raramente 
testemunhados.  por isso que to pouco se manifesta dessa profunda e estvel 
obra do Esprito de Deus, a qual assinalava os avivamentos em anos anteriores.
 ao contemplar que somos transformados. E, negligenciando os preceitos 
sagrados nos quais Deus revelou aos homens a perfeio e santidade de Seu 
carter, e atraindo o esprito do povo aos ensinos e teorias humanos, que de 
estranho poder haver no conseqente declnio na viva piedade da igreja? Diz o 
Senhor: A Mim Me deixaram, o manancial de guas vivas, e cavaram cisternas, 
cisternas rotas, que no retm as guas. Jer. 2:13.
Bem-aventurado o varo que no anda segundo o conselho dos mpios.  Antes 
tem o seu prazer na lei do Senhor, e na Sua lei medita de dia e de noite. Pois ser 
como a rvore plantada junto a ribeiros de guas, a qual d o seu fruto na estao 
prpria, e cujas folhas no caem; e tudo quanto fizer prosperar. Sal. 1:1-3.  
somente  medida que se restabelea a lei de Deus  sua posio exata, que 
poder haver avivamento da primitiva f e piedade entre o Seu povo professo. 
Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas 
antigas, qual  o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para vossa 
alma. Jer. 6:16.
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IV. A nica Salvaguarda
28
O Grande Juzo Investigativo
Pg. 479
Eu continuei olhando, diz o profeta Daniel, at que foram postos uns tronos, e 
um Ancio de Dias Se assentou; o Seu vestido era branco como a neve, e o cabelo 
de Sua cabea como a limpa l; o Seu trono chamas de fogo, e as rodas dele fogo 
ardente. Um rio de fogo manava e saa de diante dEle; milhares de milhares O 
serviam, e milhes de milhes estavam diante dEle; assentou-se o juzo, e 
abriram-se os livros. Dan. 7:9 e 10.
Assim foi apresentado  viso do profeta o grande e solene dia em que o carter e 
vida dos homens passariam em revista perante o Juiz de toda a Terra, e cada 
homem seria recompensado segundo as suas obras. O Ancio de Dias  Deus, o 
Pai. Diz o salmista: Antes que os montes nascessem, ou que Tu formasses a 
Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, Tu s Deus. Sal. 90:2.  Ele, 
fonte de todo ser e de toda lei, que deve presidir ao juzo. E santos anjos, como 
ministros e testemunhas, em nmero de milhares de milhares, e milhes de 
milhes, assistem a esse grande tribunal.
E, eis que vinha nas nuvens do cu Um como o Filho do homem; e dirigiu-Se ao 
Ancio de Dias, e O fizeram chegar at
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Pg. 480
Ele. E foi-Lhe dado o domnio e a honra, e o reino, para que todos os povos, 
naes e lnguas O servissem; o Seu domnio  um domnio eterno, que no 
passar. Dan. 7:13 e 14. A vinda de Cristo aqui descrita no  a Sua segunda 
vinda  Terra. Ele vem ao Ancio de Dias, no Cu, para receber o domnio, a 
honra, e o reino, os quais Lhe sero dados no final de Sua obra de mediador.  
esta vinda, e no o seu segundo advento  Terra, que foi predita na profecia como 
devendo ocorrer ao terminarem os 2.300 dias, em 1844. Assistido por anjos 
celestiais, nosso grande Sumo Sacerdote entra no lugar santssimo, e ali 
comparece  presena de Deus a fim de Se entregar aos ltimos atos de Seu 
ministrio em prol do homem, a saber: realizar a obra do juzo de investigao e 
fazer expiao por todos os que se verificarem com direito aos benefcios da 
mesma.
No cerimonial tpico, somente os que tinham vindo perante Deus com confisso e 
arrependimento, e cujos pecados, por meio do sangue da oferta para o pecado, 
eram transferidos para o santurio,  que tinham parte na cerimnia do dia da 
expiao. Assim, no grande dia da expiao final e do juzo de investigao, os 
nicos casos a serem considerados so os do povo professo de Deus. O julgamento 
dos mpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em ocasio posterior.  
tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro comea por 
ns, qual ser o fim daqueles que so desobedientes ao evangelho? I Ped. 4:17.
Os livros de registro no Cu, nos quais esto relatados os nomes e aes dos 
homens, devem determinar a deciso do juzo. Diz o profeta Daniel: Assentou-se 
o juzo, e abriram-se os livros. O escritor do Apocalipse, descrevendo a mesma 
cena, acrescenta: Abriu-se outro livro, que  o da vida; e os mortos foram 
julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 
Apoc. 20:12.
O livro da vida contm os nomes de todos os que j entraram para o servio de 
Deus. Jesus ordenou a Seus discpulos:
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Pg. 481
Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Cus. Luc. 10:20. 
Paulo fala de seus fiis cooperadores, cujos nomes esto no livro da vida. Filip. 
4:3. Daniel olhando atravs dos sculos para um tempo de angstia qual nunca 
houve, declara que se livrar o povo de Deus, todo aquele que se achar escrito 
no livro. E Joo, no Apocalipse, diz que apenas entraro na cidade de Deus 
aqueles cujos nomes esto inscritos no livro da vida do Cordeiro. Dan. 12:1; 
Apoc. 21:27.
H um memorial escrito diante de Deus, no qual esto registradas as boas aes 
dos que temem ao Senhor, e para os que se lembram do Seu nome. Mal. 3:16. 
Suas palavras de f, seus atos de amor, acham-se registrados no Cu. Neemias a 
isto se refere quando diz: Deus meu, lembra-Te de mim; e no risques as 
beneficncias que eu fiz  casa de meu Deus. Nee. 13:14. No livro memorial de 
Deus toda ao de justia se acha imortalizada. Ali, toda tentao resistida, todo 
mal vencido, toda palavra de terna compaixo que se proferir, acham-se fielmente 
historiados. E todo ato de sacrifcio, todo sofrimento e tristeza, suportado por amor 
de Cristo, encontra-se registrado. Diz o salmista: Tu contaste as minhas 
vagueaes; pe as minhas lgrimas no Teu odre; no esto elas no Teu livro? 
Sal. 56:8.
H tambm um relatrio dos pecados dos homens. Porque Deus h de trazer a 
juzo toda a obra, e at tudo o que est encoberto, quer seja bom quer seja mau. 
De toda a palavra ociosa que os homens disserem ho de dar conta no dia do 
juzo. Disse o Salvador: Por tuas palavras sers justificado, e por tuas palavras 
sers condenado. Ecl. 12:14; Mat. 12:36 e 37. Os propsitos e intuitos secretos 
aparecem no infalvel registro; pois Deus trar  luz as coisas ocultas das trevas, 
e manifestar os desgnios dos coraes. I Cor. 4:5. Eis que est escrito diante 
de Mim:  as vossas iniqidades, e juntamente as iniqidades de vossos pais, diz 
o Senhor. Isa. 65:6 e 7.
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Pg. 482
A obra de cada homem passa em revista perante Deus, e  registrada pela sua 
fidelidade ou infidelidade. Ao lado de cada nome, nos livros do Cu, esto escritos, 
com terrvel exatido, toda m palavra, todo ato egosta, todo dever no 
cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia. 
Advertncias ou admoestaes enviadas pelo Cu, e que foram negligenciadas, 
momentos desperdiados, oportunidades no aproveitadas, influncia exercida 
para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo 
 historiado pelo anjo relator.
A lei de Deus  a norma pela qual o carter e vida dos homens sero aferidos no 
juzo. Diz o sbio: Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos; porque este  o 
dever de todo o homem. Porque Deus h de trazer a juzo toda a obra. Ecl. 12:13 
e 14. O apstolo Tiago admoesta a Seus irmos: Assim falai, e assim procedei, 
como devendo ser julgados pela lei da liberdade. Tia. 2:12.
Os que no juzo forem havidos por dignos, tero parte na ressurreio dos 
justos. Disse Jesus: Os que forem havidos por dignos de alcanar o mundo 
vindouro, e a ressurreio dos mortos,  so iguais aos anjos, e so filhos de 
Deus, sendo filhos da ressurreio. Luc. 20:35 e 36. E novamente Ele declara que 
os que fizeram o bem sairo para a ressurreio da vida. Joo 5:29. Os justos 
mortos no ressuscitaro seno depois do juzo, no qual so havidos por dignos da 
ressurreio da vida. Conseqentemente no estaro presentes em pessoa no 
tribunal em que seus registros so examinados e decidido seu caso.
Jesus aparecer como seu Advogado, a fim de pleitear em favor deles perante 
Deus. Se algum pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o 
Justo. I Joo 2:1. Porque Cristo no entrou num santurio feito por mos, figura 
do verdadeiro, porm no mesmo Cu, para agora comparecer por ns perante a 
face de Deus. Portanto, pode tambm salvar perfeitamente os que por Ele se 
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Heb. 9:24; 7:25.
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Pg. 483
Ao abrirem-se os livros de registro no juzo,  passada em revista perante Deus a 
vida de todos os que creram em Jesus. Comeando pelos que primeiro viveram na 
Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada gerao sucessiva, finalizando 
com os vivos. Todo nome  mencionado, cada caso minuciosamente investigado. 
Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. Quando algum tem pecados que 
permaneam nos livros de registro, para os quais no houve arrependimento nem 
perdo, seu nome ser omitido do livro da vida, e o relato de suas boas aes 
apagado do livro memorial de Deus. O Senhor declarou a Moiss: Aquele que 
pecar contra Mim, a este riscarei Eu do Meu livro. xo. 32:33. E diz o profeta 
Ezequiel: Desviando-se o justo da sua justia, e cometendo a iniqidade,  de 
todas as suas justias que tiver feito no se far memria. Ezeq. 18:24.
Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado e que pela f 
hajam reclamado o sangue de Cristo, como seu sacrifcio expiatrio, tiveram o 
perdo acrescentado ao seu nome, nos livros do Cu; tornando-se eles 
participantes da justia de Cristo, e verificando-se estar o seu carter em 
harmonia com a lei de Deus, seus pecados sero riscados e eles prprios havidos 
por dignos da vida eterna. O Senhor declara pelo profeta Isaas: Eu, Eu mesmo, 
sou O que apago as tuas transgresses por amor de Mim, e dos teus pecados Me 
no lembro. Isa. 43:25. Disse Jesus: O que vencer ser vestido de vestes 
brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e 
confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus anjos. Qualquer que 
Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai que est nos 
Cus. Mas qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei tambm diante 
de Meu Pai, que est nos Cus. Apoc. 3:5; Mat. 10:32 e 33.
O mais profundo interesse manifestado entre os homens nas decises dos 
tribunais terrestres no representa seno palidamente o interesse demonstrado 
nas cortes celestiais
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Pg. 484
quando os nomes inseridos nos livros da vida aparecerem perante o Juiz de toda a 
Terra. O Intercessor divino apresenta a petio para que sejam perdoadas as 
transgresses de todos os que venceram pela f em Seu sangue, a fim de que 
sejam restabelecidos em seu lar ednico, e coroados com Ele como co-herdeiros 
do primeiro domnio. Miq. 4:8. Satans, em seus esforos para enganar e tentar 
a nossa raa, pensara frustrar o plano divino na criao do homem; mas Cristo 
pede agora que este plano seja levado a efeito, como se o homem nunca houvesse 
cado. Pede, para Seu povo, no somente perdo e justificao, amplos e 
completos, mas participao em Sua glria e assento sobre o Seu trono.
Enquanto Jesus faz a defesa dos sditos de Sua graa, Satans acusa-os diante de 
Deus como transgressores. O grande enganador procurou lev-los ao ceticismo, 
fazendo-os perder a confiana em Deus, separar-se de Seu amor e violar Sua lei. 
Agora aponta para o relatrio de sua vida, para os defeitos de carter e 
dessemelhana com Cristo, que desonraram a seu Redentor, para todos os 
pecados que ele os tentou a cometer; e por causa disto os reclama como sditos 
seus.
Jesus no lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e f, e, 
reclamando o perdo para eles, ergue as mos feridas perante o Pai e os santos 
anjos, dizendo: Conheo-os pelo nome. Gravei-os na palma de Minhas mos. Os 
sacrifcios para Deus so o esprito quebrantado; a um corao quebrantado e 
contrito no desprezars,  Deus! Sal. 51:17. E ao acusador de Seu povo, 
declara: O Senhor te repreende,  Satans; sim, o Senhor, que escolheu 
Jerusalm, te repreende; no  este um tio tirado do fogo? Zac. 3:2. Cristo 
vestir Seus fiis com Sua prpria justia, para que os possa apresentar a Seu Pai 
como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante. Efs. 5:27. 
Seus nomes permanecem registrados no livro da vida, e est escrito com relao a 
eles: Comigo andaro de branco; porquanto so dignos disso. Apoc. 3:4.
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Pg. 485
Assim se realizar o cumprimento total da promessa do novo concerto: Porque 
lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados. 
Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se- a maldade de Israel, e 
no ser achada; e os pecados de Jud, mas no se acharo. Jer. 31:34; 50:20.
Naquele dia o Renovo do Senhor ser cheio de beleza e de glria; e o fruto da 
terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. E ser que aquele que 
ficar em Sio e o que permanecer em Jerusalm, ser chamado santo; todo aquele 
que estiver inscrito entre os vivos em Jerusalm. Isa. 4:2 e 3.
A obra do juzo investigativo e extino dos pecados deve efetuar-se antes do 
segundo advento do Senhor. Visto que os mortos so julgados pelas coisas 
escritas nos livros,  impossvel que os pecados dos homens sejam cancelados 
antes de concludo o juzo em que seu caso deve ser investigado. Mas o apstolo 
Pedro declara expressamente que os pecados dos crentes sero apagados quando 
vierem os tempos do refrigrio pela presena do Senhor, e Ele enviar a Jesus 
Cristo (Atos 3:19 e 20). Quando se encerrar o juzo de investigao, Cristo vir, e 
Seu galardo estar com Ele para dar a cada um segundo for a sua obra.
No culto tpico, o sumo sacerdote, havendo feito expiao por Israel, saa e 
abenoava a congregao. Assim Cristo, no final de Sua obra de mediador, 
aparecer sem pecado,  para salvao (Heb. 9:28), a fim de abenoar com a 
vida eterna Seu povo que O espera. Como o sacerdote, ao remover do santurio os 
pecados, confessava-os sobre a cabea do bode emissrio, semelhantemente 
Cristo por todos esses pecados sobre Satans, o originador e instigador do 
pecado. O bode emissrio, levando os pecados de Israel, era enviado  terra 
solitria (Lev. 16:22); de igual modo Satans, levando a culpa de todos os 
pecados que induziu o povo de Deus a cometer, estar durante mil anos 
circunscrito  Terra, que ento se achar desolada, sem moradores, e ele sofrer 
finalmente a pena
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Pg. 486
completa do pecado nos fogos que destruiro todos os mpios. Assim o grande 
plano da redeno atingir seu cumprimento na extirpao final do pecado e no 
livramento de todos os que estiverem dispostos a renunciar ao mal.
No tempo indicado para o juzo  o final dos 2.300 dias, em 1844  iniciou-se a 
obra de investigao e apagamento dos pecados. Todos os que j professaram o 
nome de Cristo sero submetidos quele exame minucioso. Tanto os vivos como 
os mortos devem ser julgados pelas coisas escritas nos livros, segundo as suas 
obras.
Pecados de que no houve arrependimento e que no foram abandonados, no 
sero perdoados nem apagados dos livros de registro, mas ali permanecero para 
testificar contra o pecador no dia de Deus. Ele pode ter cometido ms aes  luz 
do dia ou nas trevas da noite; elas, porm, estavam patentes e manifestas quele 
com quem temos de nos haver. Anjos de Deus testemunharam cada pecado, 
registrando-os nos relatrios infalveis. O pecado pode ser escondido, negado, 
encoberto, ao pai, me, esposa, filhos e companheiros; ningum, a no ser os 
seus autores culpados, poder alimentar a mnima suspeita da falta; ela, porm, 
jaz descoberta perante os seres celestiais. As trevas da noite mais escura, os 
segredos de todas as artes enganadoras, no so suficientes para velar do 
conhecimento do Eterno um pensamento que seja. Deus tem um relatrio exato 
de toda conta injusta e de todo negcio desonesto. No Se deixa enganar pela 
aparncia de piedade. No comete erros em Sua apreciao do carter. Os homens 
podem ser enganados pelos que so de corao corrupto, mas Deus penetra todos 
os disfarces e l a vida ntima.
Quo solene  esta considerao! Dia aps dia que passa para a eternidade, traz a 
sua enorme poro de relatos para os livros do Cu. Palavras, uma vez faladas, e 
aes, uma vez praticadas, nunca mais se podem retirar. Os anjos tm registrado 
tanto as boas como as ms. Nem o mais poderoso guerreiro pode revogar a 
relao dos acontecimentos de um nico dia sequer. Nossos atos, palavras, e 
mesmo nossos intuitos mais secretos, tudo tem o seu peso ao decidir-se nosso 
destino para a
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Pg. 487
felicidade ou para a desdita. Ainda que esquecidos por ns, daro o seu 
testemunho para justificar ou condenar.
Assim como os traos da fisionomia so reproduzidos com preciso infalvel sobre 
a polida chapa fotogrfica, assim o carter  fielmente delineado nos livros do Cu. 
Todavia, quo pouca solicitude  experimentada com referncia quele registro 
que deve ser posto sob o olhar dos seres celestiais! Se se pudesse correr o vu 
que separa o mundo visvel do invisvel, e os filhos dos homens contemplassem 
um anjo registrando toda palavra e ao, que eles devero novamente encontrar 
no juzo, quantas palavras que diariamente se proferem ficariam sem ser faladas, 
e quantas aes sem ser praticadas!
No juzo ser examinado o uso feito de cada talento. Como empregamos ns o 
capital que nos foi oferecido pelo Cu? Receber o Senhor  Sua vinda aquilo que 
 Seu, com juros? Empregamos ns as faculdades que nos foram confiadas, nas 
mos, no corao e no crebro, para a glria de Deus e bno do mundo? Como 
usamos nosso tempo, nossa pena, nossa voz, nosso dinheiro, nossa influncia? 
Que fizemos por Cristo, na pessoa dos pobres, aflitos, rfos ou vivas? Deus nos 
fez depositrios de Sua Santa Palavra; que fizemos com a luz e verdade que se 
nos deram para tornar os homens sbios para a salvao? Nenhum valor existe na 
mera profisso de f em Cristo; unicamente o amor que se revela pelas obras  
considerado genuno. Contudo,  unicamente o amor que,  vista do Cu, torna de 
valor qualquer ato. O que quer que seja feito por amor, seja embora pequenino na 
apreciao dos homens,  aceito e recompensado por Deus.
O oculto egosmo humano permanece manifesto nos livros do Cu. Existe o relato 
de deveres no cumpridos para com os semelhantes, do esquecimento dos 
preceitos do Salvador. Ali vero quantas vezes foram cedidos a Satans o tempo, 
o pensamento, a fora, os quais pertenciam a Cristo. Triste  o relato que os anjos 
levam para o Cu. Seres inteligentes, seguidores professos de Cristo, esto 
absortos na aquisio de posses mundanas ou do gozo de prazeres terrenos. 
Dinheiro, tempo e fora so sacrificados na ostentao e condescendncia 
prprias;
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Pg. 488
poucos, porm, so os momentos dedicados  prece, ao exame das Escrituras,  
humilhao da alma e confisso do pecado.
Satans concebe inumerveis planos para nos ocupar a mente, para que ela se 
no detenha no prprio trabalho com que deveremos estar mais bem 
familiarizados. O arquienganador odeia as grandes verdades que apresentam um 
sacrifcio expiatrio e um todo-poderoso Mediador. Sabe que para ele tudo 
depende de desviar a mente, de Jesus e de Sua verdade.
Os que desejam participar dos benefcios da mediao do Salvador, no devem 
permitir que coisa alguma interfira com seu dever de aperfeioar a santidade no 
temor de Deus. As preciosas horas, em vez de serem entregues ao prazer,  
ostentao ou ambio de ganho, devem ser dedicadas ao estudo da Palavra da 
verdade, com fervor e orao. O assunto do santurio e do juzo de investigao, 
deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Todos necessitam para si 
mesmos de conhecimento sobre a posio e obra de seu grande Sumo Sacerdote. 
Alis, ser-lhes- impossvel exercerem a f que  essencial neste tempo, ou 
ocupar a posio que Deus lhes deseja confiar. Cada indivduo tem uma alma a 
salvar ou perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um 
h de defrontar face a face o grande Juiz. Quo importante , pois, que todos 
contemplem muitas vezes a cena solene em que o juzo se assentar e os livros se 
abriro, e em que, juntamente com Daniel, cada pessoa deve estar na sua sorte, 
no fim dos dias!
Todos os que receberam luz sobre estes assuntos devem dar testemunho das 
grandes verdades que Deus lhes confiou. O santurio no Cu  o prprio centro da 
obra de Cristo em favor dos homens. Diz respeito a toda alma que vive sobre a 
Terra. Patenteia-nos o plano da redeno, transportando-nos mesmo at ao final 
do tempo, e revelando o desfecho triunfante da controvrsia entre a justia e o 
pecado.  da mxima importncia que todos investiguem acuradamente estes 
assuntos, e
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Pg. 489
possam dar resposta a qualquer que lhes pea a razo da esperana que neles h.
A intercesso de Cristo no santurio celestial, em prol do homem,  to essencial 
ao plano da redeno, como o foi Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou 
essa obra, para cuja terminao ascendeu ao Cu, depois de ressurgir. Pela f 
devemos penetrar at o interior do vu, onde nosso Precursor entrou por ns 
(Heb. 6:20). Ali se reflete a luz da cruz do Calvrio. Ali podemos obter intuio 
mais clara dos mistrios da redeno. A salvao do homem se efetua a preo 
infinito para o Cu; o sacrifcio feito  igual aos mais amplos requisitos da violada 
lei de Deus. Jesus abriu o caminho para o trono do Pai, e por meio de Sua 
mediao pode ser apresentado a Deus o desejo sincero de todos os que a Ele se 
chegam pela f.
O que encobre as suas transgresses, nunca prosperar; mas o que as confessa e 
deixa, alcanar misericrdia. Prov. 28:13. Se os que escondem e desculpam 
suas faltas pudessem ver como Satans exulta sobre eles, como escarnece de 
Cristo e dos santos anjos, pelo procedimento deles, apressar-se-iam a confessar 
seus pecados e deix-los. Por meio dos defeitos do carter, Satans trabalha para 
obter o domnio da mente toda, e sabe que, se esses defeitos forem acariciados, 
ser bem-sucedido. Portanto, est constantemente procurando enganar os 
seguidores de Cristo com seu fatal sofisma de que lhes  impossvel vencer. Mas 
Jesus apresenta em seu favor Suas mos feridas, Seu corpo modo; e declara a 
todos os que desejam segui-Lo: A Minha graa te basta. II Cor. 12:9. Tomai 
sobre vs o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de corao; e 
encontrareis descanso para as vossas almas. Por que o Meu jugo  suave, e o Meu 
fardo  leve. Mat. 11:29 e 30. Ningum, pois, considere incurveis os seus 
defeitos. Deus dar f e graa para venc-los.
Vivemos hoje no grande dia da expiao. No cerimonial tpico, enquanto o sumo 
sacerdote fazia expiao por Israel,
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Pg. 490
exigia-se de todos que afligissem a alma pelo arrependimento do pecado e pela 
humilhao, perante o Senhor, para que no acontecesse serem extirpados dentre 
o povo. De igual modo, todos quantos desejem seja seu nome conservado no livro 
da vida, devem, agora, nos poucos dias de graa que restam, afligir a alma diante 
de Deus, em tristeza pelo pecado e em arrependimento verdadeiro. Deve haver 
um exame de corao, profundo e fiel. O esprito leviano e frvolo, alimentado por 
tantos cristos professos, deve ser deixado. H uma luta intensa diante de todos 
os que desejam subjugar as ms tendncias que insistem no predomnio. A obra 
de preparao  uma obra individual. No somos salvos em grupos. A pureza e 
devoo de um, no suprir a falta dessas qualidades em outro. Embora todas as 
naes devam passar em juzo perante Deus, examinar Ele o caso de cada 
indivduo, com um exame to ntimo e penetrante como se no houvesse outro ser 
na Terra. Cada um deve ser provado, e achado sem mancha ou ruga, ou coisa 
semelhante.
Solenes so as cenas ligadas  obra final da expiao. Momentosos, os interesses 
nela envolvidos. O juzo ora se realiza no santurio celestial. H muitos anos esta 
obra est em andamento. Breve, ningum sabe quo breve, passar ela aos casos 
dos vivos. Na augusta presena de Deus nossa vida deve passar por exame. 
Atualmente, mais do que em qualquer outro tempo, importa a toda alma atender  
admoestao do Salvador: Vigiai e orai; porque no sabeis quando chegar o 
tempo. Mar. 13:33. Se no vigiares, virei a ti como um ladro, e no sabers a 
que hora sobre ti virei. Apoc. 3:3.
Quando se encerrar a obra do juzo de investigao, o destino de todos ter sido 
decidido, ou para a vida, ou para a morte. O tempo da graa finaliza pouco antes 
do aparecimento do Senhor nas nuvens do cu. Cristo, no Apocalipse, prevendo 
aquele tempo, declara: Quem  injusto, faa injustia ainda; quem est sujo suje-
se ainda; e quem  justo, faa justia ainda; e
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Pg. 491
quem  santo seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o Meu galardo est 
comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Apoc. 22:11 e 12.
Os justos e os mpios estaro ainda a viver sobre a Terra em seu estado mortal: 
estaro os homens a plantar e a construir, comendo e bebendo, todos 
inconscientes de que a deciso final, irrevogvel, foi pronunciada no santurio 
celestial. Antes do dilvio, depois que No entrou na arca, Deus o encerrou ali, e 
excluiu os mpios; mas, durante sete dias, o povo, no sabendo que seu destino se 
achava determinado, continuou em sua vida de descuido e de amor aos prazeres, 
zombando das advertncias sobre o juzo iminente. Assim, diz o Salvador, ser 
tambm a vinda do Filho do homem. Mat. 24:39. Silenciosamente, despercebida 
como o ladro  meia-noite, vir a hora decisiva que determina o destino de cada 
homem, sendo retrada para sempre a oferta de misericrdia ao homem culpado.
Vigiai, pois,  para que, vindo de improviso, no vos ache dormindo. Mar. 13:35 
e 36. Perigosa  a condio dos que, cansando-se de vigiar, volvem s atraes do 
mundo. Enquanto o homem de negcios est absorto em busca de lucros, 
enquanto o amante dos prazeres procura satisfazer aos mesmos, enquanto a 
escrava da moda est a arranjar os seus adornos  pode ser que naquela hora o 
Juiz de toda a Terra pronuncie a sentena: Pesado foste na balana, e foste 
achado em falta. Dan. 5:27.
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29
Por que Existe o Sofrimento
Pg. 492
Para muitos espritos, a origem do pecado e a razo de sua existncia so causa 
de grande perplexidade. Vem a obra do mal, com seus terrveis resultados de 
misria e desolao, e pem em dvida como tudo isso possa existir sob o reinado 
de um Ser que  infinito em sabedoria, poder e amor. Eis um mistrio, para o qual 
no encontram explicao. E, em sua incerteza e dvida, tornam-se cegos para 
verdades plenamente reveladas na Palavra de Deus, e essenciais  salvao. 
Existem os que, em suas pesquisas concernentes  existncia do pecado, se 
esforam por esquadrinhar aquilo que Deus nunca revelou; por isso no 
encontram soluo para suas dificuldades; e os que mostram tal disposio para a 
dvida e astcia, aproveitam-se disto como desculpa para rejeitar as palavras das 
Sagradas Escrituras. Outros, entretanto, deixam de ter uma compreenso 
satisfatria a respeito do grande problema do mal, devido a terem a tradio e a 
interpretao errnea obscurecido o ensino da Bblia relativo ao carter de Deus,  
natureza de Seu governo, e aos princpios que regem Seu trato com o pecado.
 impossvel explicar a origem do pecado de maneira a dar a razo de sua 
existncia. Todavia, bastante se pode compreender em relao  origem, bem 
como  disposio final do pecado, para que se faa amplamente manifesta a 
justia e benevolncia de Deus em todo o Seu trato com o mal. Nada  mais 
claramente ensinado nas Escrituras do que o fato de no
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Pg. 493
haver sido Deus de maneira alguma responsvel pela manifestao do pecado; e 
de no ter havido qualquer retirada arbitrria da graa divina, nem deficincia no 
governo divino, para que dessem motivo ao irrompimento da rebelio. O pecado  
um intruso, por cuja presena nenhuma razo se pode dar.  misterioso, 
inexplicvel; desculp-lo corresponde a defend-lo. Se para ele se pudesse 
encontrar desculpa, ou mostrar-se causa para a sua existncia, deixaria de ser 
pecado. Nossa nica definio de pecado  a que  dada na Palavra de Deus; : 
quebrantamento da lei;  o efeito de um princpio em conflito com a grande lei 
do amor, que  o fundamento do governo divino.
Antes da manifestao do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. Tudo 
estava em perfeita harmonia com a vontade do Criador. O amor a Deus era 
supremo; imparcial, o amor de uns para com outros. Cristo, o Verbo, o Unignito 
de Deus, era um com o eterno Pai  um na natureza, no carter e no propsito  e 
o nico Ser em todo o Universo que poderia entrar nos conselhos e propsitos de 
Deus. Por Cristo, o Pai efetuou a criao de todos os seres celestiais. NEle foram 
criadas todas as coisas que h nos cus  sejam tronos, sejam dominaes, sejam 
principados, sejam potestades (Col. 1:16); e tanto para com Cristo, como para 
com o Pai, todo o Cu mantinha lealdade.
Sendo a lei do amor o fundamento do governo de Deus, a felicidade de todos os 
seres criados dependia de sua perfeita harmonia com seus grandes princpios de 
justia. Deus deseja de todas as Suas criaturas servio de amor  homenagem que 
brote de uma apreciao inteligente de Seu carter. Ele no tem prazer em uma 
submisso forada, e a todos confere vontade livre, para que possam prestar-Lhe 
servio voluntrio.
Houve, porm, um ser que preferiu perverter esta liberdade. O pecado originou-se 
com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado 
em poder e glria entre os habitantes do Cu. Antes de sua queda, Lcifer foi
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Pg. 494
o primeiro dos querubins cobridores santo e incontaminado. Assim diz o Senhor 
Jeov: Tu s o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 
Estavas no den, jardim de Deus; toda a pedra preciosa era a tua cobertura. Tu 
eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus 
estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus 
caminhos, desde o dia em que foste criado, at que se achou iniqidade em ti. 
Ezeq. 28:12-15.
Lcifer poderia ter permanecido no favor de Deus, ser amado e honrado por toda a 
hoste anglica, exercendo suas nobres faculdades, a fim de abenoar outros e 
glorificar o seu Criador. Mas, diz o profeta: Elevou-se o teu corao por causa da 
tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor. Ezeq. 
28:17. Pouco a pouco Lcifer veio a condescender com o desejo de exaltao 
prpria. Estimas o teu corao como se fora o corao de Deus. E tu dizias:  
Acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregao me 
assentarei.  Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao 
Altssimo. Ezeq. 28:6; Isa. 14:13 e 14. Em vez de procurar fazer com que Deus 
fosse supremo nas afeies e lealdade de Suas criaturas, era o esforo de Lcifer 
conquistar para si o seu servio e homenagem. E, cobiando a honra que o infinito 
Pai conferira a Seu Filho, este prncipe dos anjos aspirou ao poder cujo uso era 
prerrogativa de Cristo, unicamente.
O Cu todo se regozijava com refletir a glria do Criador e celebrar o Seu louvor. 
E, enquanto Deus assim fora honrado, tudo era paz e alegria. Uma nota 
dissonante, porm, deslustrava agora as harmonias celestiais. O servio e 
exaltao em prol do eu, contrrios ao plano do Criador, despertavam prenncios 
de males nas mentes para as quais a glria de Deus era suprema. Os conclios 
celestiais instavam com Lcifer. O Filho de Deus lhe apresentava a grandeza, a 
bondade e a justia do Criador, e a natureza sagrada e imutvel de Sua lei. Deus 
mesmo havia estabelecido a ordem do Cu; e, afastando-se dela,
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Pg. 495
Lcifer desonraria a seu Criador, trazendo sobre si a runa. Mas a advertncia, 
feita com amor e misericrdia infinitos, unicamente suscitou esprito de 
resistncia. Lcifer permitiu que prevalecesse a inveja para com Cristo, e mais 
decidido se tornou.
O orgulho de sua prpria glria alimentava o desejo de supremacia. As elevadas 
honras conferidas a Lcifer no eram apreciadas como um dom de Deus, e no 
despertavam gratido para com o Criador. Ele se gloriava em seu resplandor e 
exaltao, e aspirava a ser igual a Deus. Era amado e reverenciado pela hoste 
celestial. Anjos deleitavam-se em executar suas ordens, e, mais que todos eles, 
estava revestido de sabedoria e glria. Todavia, o Filho de Deus era o reconhecido 
Soberano do Cu, igual ao Pai em poder e autoridade. Em todos os conselhos de 
Deus, Cristo tomava parte, enquanto a Lcifer no era assim permitido entrar em 
conhecimento dos propsitos divinos. Por que, perguntava o poderoso anjo, 
deveria Cristo ter a supremacia? Por que  Ele desta maneira mais honrado do 
que Lcifer?
Deixando seu lugar na presena imediata de Deus, saiu a difundir o esprito de 
descontentamento entre os anjos. Operando em misterioso segredo, e escondendo 
durante algum tempo o seu intuito real sob o disfarce de reverncia a Deus, 
esforou-se por suscitar o desgosto em relao s leis que governavam os seres 
celestiais, insinuando que elas impunham uma restrio desnecessria. Visto 
serem de natureza santa, insistia em que os anjos obedecessem aos ditames de 
sua prpria vontade. Procurou arregimentar as simpatias em seu favor, propalando 
que Deus o tratara injustamente ao conferir honra suprema a Cristo. Alegava que, 
anelando maior poder e honra, no pretendia a exaltao prpria, mas procurava 
conseguir liberdade para todos os habitantes do Cu, a fim de por este meio 
poderem alcanar condio mais elevada de existncia.
Deus, em Sua grande misericrdia, suportou longamente a Satans. Este no foi 
imediatamente degradado de sua posio elevada, quando a princpio 
condescendeu com o esprito de descontentamento, nem mesmo quando comeou 
a apresentar
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Pg. 496
suas falsas pretenses diante dos anjos fiis. Muito tempo foi ele conservado no 
Cu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdo, sob a condio de que se 
arrependesse e submetesse. Esforos que apenas o amor e a sabedoria infinitos 
poderiam conceber, foram feitos a fim de convenc-lo de seu erro. O esprito de 
dissabor nunca dantes fora conhecido no Cu. O prprio Lcifer no via a princpio 
para onde estava a encaminhar-se; no compreendia a verdadeira natureza de 
seus sentimentos. Mas, sendo-lhe demonstrado que seu descontentamento era 
sem causa, convenceu-se Lcifer de que estava em erro, de que as reivindicaes 
divinas eram justas, e de que as deveria reconhecer como tais perante todo o Cu. 
Houvesse ele feito isto, e poderia haver salvo a si mesmo e a muitos anjos. Por 
esse tempo no havia ainda renunciado completamente a sua fidelidade para com 
Deus. Posto que houvesse perdido a posio de querubim cobridor, teria sido 
reintegrado em seu mister, caso houvesse desejado voltar a Deus, reconhecendo a 
sabedoria do Criador, e estivesse satisfeito por preencher o lugar a ele designado 
no grande plano de Deus. Mas o orgulho o impediu de submeter-se. 
Persistentemente defendeu seu prprio caminho, sustentando que no havia 
necessidade de arrependimento, e entregou-se por completo ao grande conflito 
contra seu Criador.
Todas as faculdades de sua mente superior foram ento aplicadas  obra do 
engano, a fim de conseguir a simpatia dos anjos que tinham estado sob suas 
ordens. Mesmo o fato de que Cristo o advertira e aconselhara, foi pervertido de 
maneira a servir a seus desgnios traidores. queles, cuja afetuosa confiana mais 
intimamente os ligava a ele, Satans simulou haver sido julgado mal, que sua 
posio no fora respeitada, e que se queria cercear-lhe a liberdade. Da falsa 
interpretao das palavras de Cristo, passou  prevaricao e  falsidade direta, 
acusando o Filho de Deus de intentar humilh-lo perante os habitantes do Cu. 
Procurou tambm criar uma falsa situao entre ele prprio e os anjos fiis. A 
todos quantos no pde subverter e levar completamente para seu lado, acusou-
os de indiferena aos interesses dos seres celestiais. A mesma obra que ele 
prprio
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Pg. 497
estava a fazer, atribuiu-a aos que permaneciam fiis a Deus. E com o fim de 
sustentar sua acusao de injustia por parte de Deus para com ele, recorreu  
falsa interpretao das palavras e atos do Criador. Era sua ttica tornar perplexos 
os anjos pelos capciosos argumentos relativos aos propsitos divinos. Tudo que 
era simples ele envolvia em mistrio, e mediante artificiosa perverso lanava 
dvida s mais compreensveis declaraes de Jeov. Seu elevado cargo, em to 
ntimo contato com a administrao divina, emprestava maior fora s suas 
alegaes, e muitos eram induzidos a unir-se-lhe em rebelio contra a autoridade 
do Cu.
Deus, em Sua sabedoria, permitiu que Satans levasse avante sua obra, at que o 
esprito de dissabor amadurecesse em ativa revolta. Era necessrio que seus 
planos se desenvolvessem completamente, para que sua verdadeira natureza e 
tendncia pudessem ser vistas por todos. Como querubim ungido, Lcifer fora 
altamente exaltado; grandemente amado pelos seres celestiais, era forte sua 
influncia sobre eles. O governo de Deus inclua no somente os habitantes do 
Cu, mas de todos os mundos que Ele havia criado; e Satans pensou que se ele 
pde levar consigo os anjos do Cu  rebelio, poderia tambm levar os outros 
mundos. Ardilosamente apresentara o lado da questo que lhe dizia respeito, 
empregando sofismas e fraude a fim de atingir seus objetivos. Seu poder para 
enganar era muito grande; e, disfarando-se sob o manto da falsidade, obtivera 
vantagem. Mesmo os anjos fiis no lhe podiam discernir perfeitamente o carter, 
ou ver para onde levava a sua obra.
Satans fora altamente honrado, sendo todos os seus atos de tal maneira 
revestidos de mistrio, que difcil era desvendar aos anjos a verdadeira natureza 
de sua obra. Antes que se desenvolvesse completamente, o pecado no pareceria 
o mal que em realidade era. At ali no ocorrera ele no Universo de Deus, e os 
seres santos no tinham qualquer concepo de sua natureza e malignidade. No 
podiam discernir as terrveis conseqncias que resultariam de se pr de parte a 
lei divina. Satans a princpio ocultara sua obra sob uma profisso capciosa de 
lealdade a Deus. Alegava estar procurando promover a honra de Deus, a 
estabilidade de Seu governo, e o bem de todos os
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Pg. 498
habitantes do Cu. Ao mesmo tempo em que incutia o descontentamento no 
esprito dos anjos a ele subordinados, dava astutamente a impresso de que 
estava procurando remover o dissabor. Quando insistia em que se fizessem 
mudanas na ordem e nas leis do governo de Deus, era sob o pretexto de serem 
elas necessrias a fim de preservar a harmonia no Cu.
Em Seu trato com o pecado, apenas podia Deus empregar a justia e a verdade. 
Satans podia fazer uso daquilo que Deus no usaria: lisonja e engano. Procurara 
falsificar a Palavra de Deus, e representara falsamente Seu plano de governo 
perante os anjos, alegando que Deus no era justo ao estabelecer leis e regras aos 
habitantes do Cu; que, exigindo de Suas criaturas submisso e obedincia, 
estava meramente procurando a exaltao de Si prprio. Portanto deveria ser 
demonstrado perante os habitantes do Cu, bem como de todos os mundos, que o 
governo de Deus  justo, e perfeita a Sua lei. Satans fizera parecer que estava 
procurando promover o bem do Universo. O verdadeiro carter do usurpador e seu 
objetivo real deveriam ser por todos compreendidos.
A discrdia que o seu prprio procedimento determinara no Cu, imputou-a 
Satans  lei e ao governo de Deus. Todo o mal, declarou ele ser resultante da 
administrao divina. Alegou ser seu prprio objetivo melhorar os estatutos de 
Jeov. Conseguintemente, necessrio era que demonstrasse a natureza de suas 
pretenses, provando o efeito de suas propostas mudanas na lei divina. A sua 
prpria obra deveria conden-lo. Satans pretendeu desde o princpio que no 
estava em rebelio. Todo o Universo deveria ver o enganador desmascarado.
Mesmo quando foi decidido que ele no mais poderia permanecer no Cu, a 
Sabedoria infinita no destruiu a Satans. Visto que apenas o servio por amor 
pode ser aceito por Deus, a submisso de Suas criaturas deve repousar em uma 
convico sobre a Sua justia e benevolncia. Os habitantes do Cu e de outros 
mundos, no estando preparados para compreender a natureza ou conseqncias 
do pecado, no poderiam ter visto
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Pg. 499
ento a justia e misericrdia de Deus com a destruio de Satans. Houvesse ele 
sido imediatamente excludo da existncia, e teriam servido a Deus antes por 
temor do que por amor. A influncia do enganador no teria sido destruda por 
completo, tampouco o esprito de rebelio se teria desarraigado totalmente. Devia-
se permitir que o mal chegasse a sazonar. Para o bem do Universo inteiro, atravs 
dos sculos sem fim, devia Satans desenvolver mais completamente seus 
princpios, para que suas acusaes contra o governo divino pudessem ser vistas 
sob sua verdadeira luz por todos os seres criados, e para sempre pudessem ser 
postas acima de qualquer dvida a justia e misericrdia de Deus e a 
imutabilidade de Sua lei.
A rebelio de Satans deveria ser uma lio para todo o Universo por todos os 
sculos vindouros, um testemunho perptuo da natureza e terrveis resultados do 
pecado. A conseqncia do governo de Satans  seus efeitos tanto sobre os 
homens como sobre os anjos  mostraria qual o fruto de rejeitar a autoridade 
divina. Testificaria que, da existncia do governo de Deus e de Sua lei, dependem 
o bem-estar de todas as criaturas que Ele fez. Destarte, a histria desta terrvel 
experincia de rebelio deveria ser perptua salvaguarda a todos os santos seres, 
impedindo-os de serem enganados quanto  natureza da transgresso, livrando-os 
de cometer pecado e sofrer o seu castigo.
At ao final da controvrsia no Cu, o grande usurpador continuou a justificar-se. 
Quando foi anunciado que, juntamente com todos os que com ele simpatizavam, 
deveria ser expulso das habitaes de bem-aventurana, o chefe rebelde 
confessou ento ousadamente seu desdm pela lei do Criador. Reiterou sua 
pretenso de que os anjos no necessitam ser dirigidos, mas que deveriam ser 
deixados a seguir sua prpria vontade, que sempre os conduziria corretamente. 
Denunciou os estatutos divinos como restrio  sua liberdade, declarando ser de 
seu intento conseguir a abolio da lei; que, livres desta restrio, as hostes do 
Cu poderiam entrar em condies de existncia mais elevada, mais gloriosa.
Concordemente, Satans e sua hoste lanaram a culpa de sua rebelio 
inteiramente sobre Cristo, declarando que se eles
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no houvessem sido acusados, no se teriam rebelado. Assim, obstinados e 
arrogantes em sua deslealdade, procurando em vo subverter o governo de Deus, 
ao mesmo tempo que, blasfemando, pretendiam ser vtimas inocentes do poder 
opressivo, o arqui-rebelde e seus seguidores foram afinal banidos do Cu.
O mesmo esprito que produziu a rebelio no Cu, ainda inspira a rebelio na 
Terra. Satans tem continuado, com os homens, o mesmo estratagema que 
adotou em relao aos anjos. Seu esprito ora reina nos filhos da desobedincia. 
Semelhantes a ele, procuram romper com as restries da lei de Deus, 
prometendo liberdade aos homens por meio da transgresso dos preceitos da 
mesma. A reprovao do pecado suscita ainda o esprito de dio e resistncia. 
Quando a conscincia  advertida pelas mensagens divinas, Satans leva os 
homens a justificar-se e a procurar a simpatia de outros em seu caminho de 
pecado. Em vez de corrigirem seus erros, indignam-se contra aquele que reprova, 
como se fora ele a causa nica da dificuldade. Desde os dias do justo Abel at ao 
nosso tempo, este  o esprito que tem sido manifestado para com os que ousam 
condenar o pecado.
Pela mesma representao falsa do carter divino, por ele dada no Cu, fazendo 
com que Deus fosse considerado severo e tirano, Satans induziu o homem a 
pecar. E, logrando ser bem-sucedido nisto, declarou que as injustas restries de 
Deus haviam motivado a queda do homem, assim como determinaram a sua 
prpria rebelio.
Mas o prprio Eterno proclama o Seu carter: Jeov, o Senhor, Deus 
misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficncia e verdade, que 
guarda a beneficncia em milhares; que perdoa a iniqidade, e a transgresso, e o 
pecado; que ao culpado no tem por inocente. xo. 34:6 e 7.
Banindo Satans do Cu, declarou Deus a Sua justia e manteve a honra de Seu 
trono. Quando, porm, o homem pecou, cedendo aos enganos desse esprito 
apstata, Deus ofereceu uma prova de Seu amor, entregando o unignito Filho
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para morrer pela raa decada. Na expiao revela-se o carter de Deus. O 
poderoso argumento da cruz demonstra ao Universo todo que o caminho do 
pecado, escolhido por Lcifer, de maneira alguma era atribuvel ao governo de 
Deus.
Na luta entre Cristo e Satans, durante o ministrio terrestre do Salvador, foi 
desmascarado o carter do grande enganador. Nada poderia to eficazmente ter 
desarraigado de Satans as afeies dos anjos celestiais e de todo o Universo fiel, 
como o fez a sua guerra cruel ao Redentor do mundo. A ousada blasfmia de sua 
pretenso de que Cristo lhe rendesse homenagem, seu pretensioso atrevimento ao 
lev-Lo ao cume da montanha e ao pinculo do templo, o mau intuito que se 
denuncia ao insistir com Ele para que Se lanasse da vertiginosa altura, a 
malignidade vigilante que O assaltava de um lugar a outro, inspirando o corao 
de sacerdotes e povo a rejeitarem Seu amor, e o brado final: Crucifica-O, 
crucifica-O  tudo isto despertou o assombro e a indignao do Universo.
Foi Satans que promoveu a rejeio de Cristo por parte do mundo. O prncipe do 
mal exerceu todo o seu poder e engano a fim de destruir Jesus; pois viu que a 
misericrdia e amor do Salvador, Sua compaixo e terna brandura estavam 
representando ao mundo o carter de Deus. Satans contestava tudo a que o Filho 
do homem visava, empregando os homens como seus agentes a fim de encher de 
sofrimento e tristeza a vida do Salvador. O sofisma e falsidade pelos quais 
procurara estorvar a obra de Jesus, o dio manifesto por meio dos filhos da 
desobedincia, suas cruis acusaes contra Aquele cuja vida era de bondade sem 
precedentes, tudo proveio de um sentimento de vingana profundamente 
arraigado. Os fogos da inveja e maldade, dio e vingana, que se achavam 
contidos, irromperam no Calvrio contra o Filho de Deus, ao mesmo tempo que o 
Cu todo contemplava a cena em silencioso horror.
Ao ser consumado o grande sacrifcio, Cristo ascendeu aos Cus, recusando a 
adorao dos anjos antes que apresentasse o pedido: Aqueles que Me deste 
quero que, onde Eu estiver, tambm eles estejam. Joo 17:24. Ento, com amor 
e
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poder inexprimveis, veio a resposta, do trono do Pai: E todos os anjos de Deus O 
adorem. Heb. 1:6. Mancha alguma repousava sobre Jesus. Terminara a Sua 
humilhao, completara-se o Seu sacrifcio, fora-Lhe dado um nome que  acima 
de todo nome.
Apresentava-se agora sem escusa a culpa de Satans. Ele revelara seu verdadeiro 
carter como mentiroso e assassino. Viu-se que o mesmssimo esprito com que 
governara os filhos dos homens, que estiveram sob seu poder, teria ele 
manifestado se lhe tivesse sido permitido dominar os habitantes do Cu. 
Pretendera que a transgresso da lei de Deus traria liberdade e exaltao; viu-se, 
porm, que resultava em degradao e cativeiro.
As mentirosas acusaes de Satans contra o carter e governo divinos 
apareceram sob sua verdadeira luz. Acusou a Deus de procurar simplesmente a 
exaltao de Si mesmo, exigindo submisso e obedincia de Suas criaturas, e 
declarou que, enquanto o Criador reclamava abnegao de todos os outros, Ele 
prprio no a praticava e no fazia sacrifcio algum. Viu-se agora que para a 
salvao de uma raa cada e pecadora, o Governador do Universo fizera o mximo 
sacrifcio que o amor poderia efetuar; pois Deus estava em Cristo, reconciliando 
consigo o mundo. II Cor. 5:19. Viu-se tambm que, enquanto Lcifer abrira a 
porta para o pecado, pelo seu desejo de honras e supremacia, Cristo, a fim de 
destruir o pecado, Se humilhara e Se fizera obediente at  morte.
Deus manifestara Sua repulsa aos princpios da rebelio. O Cu todo viu a Sua 
justia revelada, tanto na condenao de Satans como na redeno do homem. 
Lcifer declarara que se a lei de Deus fosse imutvel, e seu castigo no pudesse 
ser abrandado, todos os transgressores deveriam ser para sempre privados do 
favor do Criador. Alegara que a raa pecadora se colocara para alm da redeno 
e, conseguintemente, era sua legtima presa. A morte de Cristo, porm, era um 
argumento em prol do homem, argumento que se no poderia refutar. A
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pena da lei recaiu sobre Aquele que era igual a Deus, ficando livre o homem para 
aceitar a justia de Cristo, e, por uma vida de arrependimento e humilhao, 
triunfar, como o Filho de Deus, sobre o poder de Satans. Assim, Deus  justo, e 
justificador de todos os que crem em Jesus.
Mas no foi meramente para efetuar a redeno do homem que Cristo veio  Terra 
e aqui sofreu e morreu. Veio para engrandecer a lei e torn-la gloriosa. No 
somente para que os habitantes deste mundo pudessem considerar a lei como 
esta deveria ser considerada, mas para demonstrar a todos os mundos do 
Universo que a lei de Deus  imutvel. Pudessem seus requisitos ser postos de 
lado, e o Filho de Deus no necessitaria ento haver dado Sua vida para expiar a 
transgresso da mesma. A morte de Cristo prova ser ela imutvel. E o sacrifcio a 
que o amor infinito induziu o Pai e o Filho, a fim de que os pecadores pudessem 
ser salvos, demonstra ao Universo todo (e nada menos que este plano de expiao 
teria bastado para fazer) que a justia e a misericrdia so o fundamento da lei e 
do governo de Deus.
Na execuo final do juzo ver-se- que nenhuma causa existe para o pecado. 
Quando o Juiz de toda a Terra perguntar a Satans: Por que te rebelaste contra 
Mim, e Me roubaste os sditos de Meu reino?, o originador do mal no poder 
apresentar resposta alguma. Toda boca se fechar e todas as hostes rebeldes 
estaro mudas.
A cruz do Calvrio, ao mesmo tempo em que declara ser imutvel a lei, proclama 
ao Universo que o salrio do pecado  a morte. No brado agonizante do Salvador  
Est consumado  soou a sentena de morte de Satans. Decidiu-se ento o 
grande conflito que durante tanto tempo estivera em andamento e confirmou-se a 
extirpao do mal. O Filho de Deus transps os umbrais do tmulo, a fim de que 
pela morte aniquilasse o que tinha o imprio da morte, isto , o diabo. Heb. 
2:14. O desejo de exaltao prpria por parte de Lcifer, levara-o a dizer: Acima 
das estrelas de Deus exaltarei o meu trono,  serei semelhante ao Altssimo. 
Declara Deus: E te
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tornei em cinza sobre a terra,  e nunca mais sers para sempre. Isa. 14:13 e 
14; Ezeq. 28:18 e 19. Quando vier aquele dia ardendo como forno,  todos os 
soberbos, e todos os que cometem impiedade, sero como palha; e o dia que est 
para vir, os abrasar, diz o Senhor dos exrcitos, de sorte que lhes no deixar 
nem raiz nem ramo. Mal. 4:1.
O Universo todo ter sido testemunha da natureza e resultados do pecado. E seu 
completo extermnio, que no princpio teria acarretado o temor dos anjos, 
desonrando a Deus, reivindicar agora o Seu amor e estabelecer a Sua honra 
perante a totalidade dos seres que se deleitam em fazer a Sua vontade, e em cujo 
corao est a lei divina. Jamais o mal se manifestar de novo. Diz a Palavra de 
Deus: No se levantar por duas vezes a angstia. Naum 1:9. A lei de Deus, que 
Satans acusara de jugo de servido, ser honrada como a lei da liberdade. Uma 
criao experimentada e provada nunca mais se desviar da fidelidade para com 
Aquele cujo carter foi perante eles amplamente manifesto como expresso de 
amor insondvel e infinita sabedoria.
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30
O Pior Inimigo do Homem,
e Como Venc-lo
Pg. 505
Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta 
te ferir a cabea, e tu lhe ferirs o calcanhar. Gn. 3:15. A sentena divina 
pronunciada contra Satans depois da queda do homem, foi tambm uma 
profecia, abrangendo todos os sculos at ao final do tempo, e prefigurando o 
grande conflito em que se empenhariam todas as raas dos homens que vivessem 
sobre a Terra.
Deus declara: Porei inimizade. Esta inimizade no  entretida naturalmente. 
Quando o homem transgrediu a lei divina, sua natureza se tornou m, e ele ficou 
em harmonia com Satans, e no em desacordo com ele. No existe, por 
natureza, nenhuma inimizade entre o homem pecador e o originador do pecado. 
Ambos se tornaram malignos pela apostasia. O apstata nunca est em sossego, 
exceto quando obtm simpatia e apoio, induzindo outros a lhe seguir o exemplo. 
Por este motivo os anjos decados e os homens mpios se unem em desesperada 
unio. Se Deus no Se houvesse interposto de maneira especial, Satans e o 
homem teriam entrado em aliana contra o Cu; e, ao invs de alimentar 
inimizade contra Satans, toda a famlia humana se teria unido em oposio a 
Deus.
Satans tentou o homem a pecar, assim como fizera com que os anjos se 
rebelassem, para deste modo poder conseguir cooperao em sua luta contra o 
Cu. Nenhuma dissenso havia entre ele e os anjos cados, no tocante a seu dio a 
Cristo;
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Pg. 506
ao passo que em todos os outros pontos havia discrdia, uniram-se firmemente na 
oposio  autoridade do Governador do Universo. Mas, quando Satans ouviu a 
declarao de que existiria inimizade entre ele e a mulher, e entre a sua semente 
e a semente dela, compreendeu que seus esforos para depravar a natureza 
humana seriam interrompidos; que por algum meio o homem seria habilitado a 
resistir ao seu poder.
A inimizade de Satans contra a raa humana  avivada pelo motivo de serem as 
criaturas humanas, mediante Cristo, objeto de amor e misericrdia de Deus. Ele se 
empenha em subverter o plano divino para a redeno do homem, desfigurando e 
corrompendo a obra de Suas mos, para lanar desonra a Deus; deseja dar origem 
a pesares no Cu e encher a Terra de desgraas e desolao. E aponta para todo 
este mal como resultado da obra de Deus ao criar o homem.
 a graa que Cristo implanta na alma, que cria no homem a inimizade contra 
Satans. Sem esta graa que converte, e este poder renovador, o homem 
continuaria cativo de Satans, como servo sempre pronto a executar-lhe as 
ordens. Mas o novo princpio na alma cria o conflito onde at ento houvera paz. O 
poder que Cristo comunica, habilita o homem a resistir ao tirano e usurpador. 
Quem quer que se ache a aborrecer o pecado em lugar de o amar, que resista a 
essas paixes que tm dominado interiormente e as vena, evidencia a operao 
de um princpio inteiramente de cima.
O antagonismo que existe entre o esprito de Cristo e o de Satans, revelou-se na 
maneira mui flagrante com que o mundo recebeu a Jesus. No foi tanto porque Ele 
aparecesse sem riquezas, pompas, ou grandiosidade mundanas, que os judeus 
foram levados a rejeit-Lo. Viam-nO possuir poder que faria mais do que 
compensar a falta dessas vantagens exteriores. A pureza e santidade de Cristo, 
porm, valeram-Lhe o dio dos mpios. Sua vida de renncia e impecvel 
devotamento, era perptua reprovao a um povo orgulhoso, sensual. Foi isto que 
provocou inimizade contra o Filho de Deus. Satans e os anjos cados uniram-se 
aos homens maus. Todas as energias da apostasia conspiraram contra o Campeo 
da verdade.
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Pg. 507
 manifesta em relao aos seguidores de Cristo, a mesma inimizade demonstrada 
para com o Mestre. Quem quer que veja o carter repelente do pecado, e na fora 
do alto resista  tentao, certamente suscitar a ira de Satans e de seus 
sditos. dio aos puros princpios da verdade, e oprbrio e perseguio a seus 
defensores, existiro enquanto houver pecado e pecadores. Os seguidores de 
Cristo e os servos de Satans no podem harmonizar-se. O agravo da cruz no 
cessou. Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecero 
perseguies. II Tim. 3:12.
Sob a direo de Satans os seus agentes esto constantemente a trabalhar a fim 
de estabelecer a sua autoridade e erigir o seu reino em oposio ao governo de 
Deus. Com esse fito, procuram enganar os seguidores de Cristo e desvi-los de 
sua fidelidade. Semelhantes a seu chefe, interpretam mal e pervertem as 
Escrituras para realizar seu objetivo. Assim como Satans se esforou para lanar 
a ignomnia sobre Deus, seus agentes procuram fazer mal ao povo do Senhor. O 
esprito que matou a Cristo impele os mpios a destruir Seus seguidores. Tudo isto 
est prefigurado naquela primeira profecia: Porei inimizade entre ti e a mulher, e 
entre a tua semente e a sua semente. E isto continuar at ao final do tempo.
Satans conjuga todas as foras, e arremessa ao combate todo o seu poder. Por 
que no encontra ele maior resistncia? Por que so os soldados de Cristo to 
sonolentos e indiferentes?  porque entretm to pouca verdadeira comunho com 
Cristo; porque se acham to destitudos de Seu Esprito! O pecado no lhes  
repelente e aborrecvel, como era a seu Mestre. No o enfrentam, como o fazia 
Cristo, com resistncia decidida e resoluta. No se compenetram do grandssimo 
mal e malignidade do pecado, e esto cegos tanto a respeito do carter como do 
poder do prncipe das trevas. Pouca inimizade h contra Satans e suas obras, 
porque h to grande ignorncia a respeito de seu poder e maldade, e da grande 
extenso de sua luta contra Cristo e Sua igreja. Multides esto iludidas neste 
ponto. No sabem que seu inimigo  um poderoso general, que domina a mente 
dos anjos maus, e que com planos bem
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Pg. 508
elaborados e hbeis artifcios, est a guerrear contra Cristo para impedir a 
salvao das almas. Entre os professos cristos, e mesmo entre os ministros do 
evangelho, raramente se ouve uma referncia a Satans, exceto talvez uma 
meno ocasional, do plpito. No tomam em considerao as evidncias de sua 
atividade e xito contnuos; negligenciam os muitos avisos contra seus ardis; 
parecem ignorar-lhe a prpria existncia.
Enquanto os homens se acham em ignorncia quanto aos seus estratagemas, este 
vigilante adversrio se pe em seu caminho a cada momento. Intromete-se em 
cada compartimento do lar, em toda rua de nossas cidades, nas igrejas, nos 
conselhos nacionais, nos tribunais de justia, confundindo, enganando, seduzindo, 
arruinando por toda parte a alma e o corpo de homens, mulheres e crianas, 
desmembrando famlias, semeando dios, rivalidade, contenda, sedio, 
assassnio. E o mundo cristo parece olhar estas coisas como se Deus as tivesse 
designado, e elas devessem existir.
Satans est continuamente procurando vencer o povo de Deus, derribando as 
barreiras que os separam do mundo. O antigo Israel foi enredado no pecado 
quando se aventurou a associao proibida com os gentios. De modo semelhante 
se transvia o Israel moderno. O deus deste sculo cegou o entendimento dos 
incrdulos, para que lhes no resplandea a luz do evangelho da glria de Cristo, 
que  a imagem de Deus. II Cor. 4:4. Todos os que no so decididos seguidores 
de Cristo, so servos de Satans. No corao no regenerado h amor ao pecado e 
disposio para acarici-lo e desculp-lo. No corao renovado h dio e decidida 
resistncia ao pecado. Quando os cristos escolhem a sociedade dos mpios e 
incrdulos, expem-se  tentao. Satans esconde-se das vistas, e furtivamente 
estende sobre os olhos deles seu vu enganador. No podem ver que tal 
companhia  calculada a fazer-lhes mal; e ao mesmo tempo em que 
constantemente vo assimilando o mundo, no que respeita ao carter, palavras e 
aes, mais e mais cegos se tornam.
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Pg. 509
A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais 
converte o mundo a Cristo. A familiaridade com o pecado inevitavelmente o far 
parecer menos repelente. Aquele que prefere associar-se aos servos de Satans, 
logo deixar de temer o senhor deles. Quando, no caminho do dever, somos 
levados  prova, como o foi Daniel na corte do rei, podemos estar certos de que 
Deus nos proteger; mas se nos colocamos sob tentao, mais cedo ou mais tarde 
cairemos.
O tentador freqentemente opera com muito xito por meio daqueles de quem 
menos se suspeita estarem sob o seu domnio. Os possuidores de talento e 
educao so admirados e honrados, como se estas qualidades pudessem suprir a 
ausncia do temor de Deus, ou torn-los dignos de Seu favor. O talento e a 
cultura, considerados em si mesmos, so dons de Deus; mas, quando se faz com 
que eles preencham o lugar da piedade, e quando, em vez de levar a alma mais 
para perto de Deus, a afastam dEle, tornam-se ento em maldio e lao. 
Prevalece entre muitos a opinio de que tudo que se mostra como cortesia ou 
polidez, deve, em certo sentido, pertencer a Cristo. Nunca houve erro maior. Estas 
qualidades deveriam aformosear o carter de todo crente, pois exerceriam 
influncia poderosa em favor da verdadeira religio; mas devem ser consagradas a 
Deus, ou sero tambm um poder para o mal. Muito homem de intelecto culto e 
maneiras agradveis, que se no rebaixaria ao que comumente  considerado um 
ato imoral, no passa de instrumento polido nas mos de Satans. O carter 
insidioso, enganador de sua influncia e exemplo torna-o inimigo mais perigoso da 
causa de Cristo do que os que so ignorantes e no tm cultura.
Mediante orao fervorosa e confiana em Deus, Salomo obteve a sabedoria que 
provocou o assombro e admirao do mundo. Quando, porm, se desviou da Fonte 
de sua fora, e passou a confiar em si mesmo, caiu presa da tentao. Ento as 
maravilhosas faculdades concedidas ao que foi o mais sbio dos reis, apenas o 
tornaram um agente mais eficaz do adversrio das almas.
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Pg. 510
Conquanto Satans procure constantemente cegar a mente dos cristos para este 
fato, jamais se esqueam eles de que no tm que lutar contra a carne e o 
sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os prncipes 
das trevas deste sculo, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares 
celestiais. Efs. 6:12. Atravs dos sculos est a soar at ao nosso tempo o aviso 
inspirado: Sede sbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversrio, anda em 
derredor, bramando como leo, buscando a quem possa tragar. I Ped. 5:8. 
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as 
astutas ciladas do diabo. Efs. 6:11.
Desde os dias de Ado at os nossos tempos, nosso grande inimigo tem estado a 
exercer seu poder de oprimir e destruir. Est hoje a preparar-se para sua ltima 
campanha contra a igreja. Todos os que procuram seguir a Jesus tero de batalhar 
contra este implacvel adversrio. Quanto mais aproximadamente o cristo imitar 
o Modelo divino, tanto mais certo far de si um alvo para os ataques de Satans. 
Todos os que esto ativamente empenhados na causa de Deus, procurando 
desvendar os enganos do maligno e apresentar a Cristo perante o povo, estaro 
habilitados a aderir ao testemunho de Paulo, no qual ele fala em servir ao Senhor 
com toda a humildade de esprito, com muitas lgrimas e tentaes.
Satans assaltou a Cristo com as suas mais cruis e sutis tentaes; foi, porm, 
repelido em cada conflito. Aquelas batalhas foram travadas em nosso favor; 
aquelas vitrias nos tornam possvel vencer. Cristo dar fora a todos os que a 
busquem. Sem o consentimento prprio, ningum poder ser vencido por Satans. 
O tentador no tem poder para governar a vontade ou forar a alma a pecar. Pode 
angustiar, mas no contaminar. Pode causar agonia, mas no o aviltamento. O 
fato de Cristo ter vencido deve incutir em Seus seguidores coragem para combater 
varonilmente na peleja contra o pecado e Satans.
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31
Invisveis Defensores
do Homem
Pg. 511
A relao do mundo visvel com o invisvel, o ministrio dos anjos de Deus, a 
operao dos espritos maus, acham-se claramente revelados nas Escrituras, e 
inseparavelmente entretecidos com a histria humana. H uma tendncia 
crescente para a incredulidade na existncia dos espritos maus, enquanto os 
santos anjos que ministram a favor daqueles que ho de herdar a salvao (Heb. 
1:14), so por muitos considerados como espritos dos mortos. As Escrituras, 
porm, no somente ensinam a existncia dos anjos, tanto bons como maus, mas 
apresentam prova inquestionvel de que no so os espritos desencarnados dos 
homens falecidos.
Antes da criao do homem, existiam anjos; pois, quando os fundamentos da 
Terra foram lanados, as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos 
os filhos de Deus rejubilavam. J 38:7. Depois da queda do homem foram 
enviados anjos a guardar a rvore da vida, e isto antes que qualquer ser humano 
houvesse morrido. Os anjos so, em sua natureza, superiores aos homens, pois o 
salmista diz que o homem foi feito pouco menor do que os anjos. Sal. 8:5.
Estamos informados pelas Escrituras quanto ao nmero, poder e glria dos seres 
celestiais, sua relao com o governo de Deus e tambm com a obra da redeno. 
O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos Cus, e o Seu reino domina sobre 
tudo. E diz o profeta: Ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono. No salo de 
recepo do Rei dos reis, assistem eles 
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Pg. 512
como anjos Seus magnficos em poder, ministros Seus, que executam o Sua 
aprovao, obedecendo  voz da Sua palavra. Sal. 103:19-21; Apoc. 5:11. 
Milhares de milhares e milhes de milhes eram os mensageiros celestiais vistos 
pelo profeta Daniel. O apstolo Paulo declarou serem muitos milhares. (Dan. 
7:10; Heb. 12:22.) Como mensageiros de Deus, saem  semelhana de 
relmpagos (Ezeq. 1:14), to deslumbrante  sua glria e to rpido o seu vo. O 
anjo que apareceu no tmulo do Salvador, e tinha o rosto como um relmpago, e 
o seu vestido branco como a neve, fez com que os guardas por medo dele 
tremessem, e ficassem como mortos. Mat. 28:3 e 4. Quando Senaqueribe, o 
altivo assrio, vituperou a Deus e dEle blasfemou, ameaando Israel de destruio, 
sucedeu pois que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial 
dos assrios a cento e oitenta e cinco mil deles. Ali foram destrudos todos os 
vares valentes, e os prncipes, e os chefes, no exrcito de Senaqueribe. E este 
tornou com vergonha de rosto  sua terra. II Reis 19:35; II Crn. 32:21.
Os anjos so enviados em misses de misericrdia aos filhos de Deus. A Abrao, 
com promessas de bnos; s portas de Sodoma, para livrar o justo L da 
condenao do fogo; a Elias, quando se achava a ponto de perecer de cansao e 
fome no deserto; a Eliseu, com carros e cavalos de fogo, cercando a pequena 
cidade em que estava encerrado por seus adversrios; a Daniel, enquanto buscava 
sabedoria divina na corte de um rei pago, ou abandonado para se tornar presa 
dos lees; a Pedro, condenado  morte no calabouo de Herodes; aos prisioneiros 
em Filipos; a Paulo e seus companheiros na noite da tempestade no mar; a abrir a 
mente de Cornlio para receber o evangelho; a enviar Pedro com a mensagem da 
salvao ao desconhecido gentio  assim, em todos os tempos, tm os santos 
anjos ministrado ao povo de Deus.
Um anjo da guarda  designado a todo seguidor de Cristo. Estes vigias celestiais 
protegem aos justos do poder maligno.
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Pg. 513
Isto, o prprio Satans reconheceu, quando disse: Porventura teme J a Deus em 
vo? Porventura no circunvalaste Tu a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? 
J 1:9 e 10. O agente pelo qual Deus protege a Seu povo  apresentado nas 
palavras do salmista: O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e 
os livra. Sal. 34:7. Disse o Salvador, falando daqueles que nEle crem: Vede, 
no desprezeis algum destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos 
nos Cus sempre vem a face de Meu Pai. Mat. 18:10. Os anjos designados para 
ministrarem aos filhos de Deus tm em todo tempo acesso  Sua presena.
Assim, ao povo de Deus, exposto ao poder enganador e vigilante malignidade do 
prncipe das trevas, e em conflito com todas as foras do mal,  assegurada a 
incessante guarda dos seres celestiais. Tampouco  tal segurana dada sem 
necessidade. Se Deus concedeu a Seus filhos promessas de graa e proteo,  
porque h poderosas instrumentalidades do mal a serem enfrentadas  agentes 
numerosos, decididos e incansveis, de cuja malignidade e poder ningum pode 
sem perigo achar-se em ignorncia ou inadvertncia.
Os espritos maus, criados a princpio sem pecado, eram iguais, em sua natureza, 
poder e glria, aos seres santos que ora so os mensageiros de Deus. Mas, cados 
pelo pecado, acham-se coligados para a desonra de Deus e destruio dos 
homens. Unidos com Satans em sua rebelio, e com ele expulsos do Cu, tm, 
atravs de todas as eras que se sucederam, cooperado com ele em sua luta contra 
a autoridade divina. Somos informados, nas Escrituras, acerca de sua unio e 
governo, suas vrias ordens, inteligncia e astcia, e de seus maus intuitos contra 
a paz e felicidade dos homens.
A histria do Antigo Testamento apresenta referncias ocasionais  sua existncia 
e operao; foi, porm, durante o tempo em que Cristo esteve sobre a Terra, que 
da mais notvel maneira os espritos maus manifestaram seu poder. Cristo
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Pg. 514
viera para executar o plano ideado para a redeno do homem, e Satans decidiu-
se a fazer valer o seu direito de governar o mundo. Fora bem-sucedido ao 
estabelecer a idolatria em toda parte do globo, exceto na terra da Palestina.  
nica terra que no havia cedido completamente ao domnio do tentador, viera 
Cristo para derramar sobre o povo a luz do Cu. Ali, dois poderes rivais 
pretendiam a supremacia. Jesus estendia Seus braos de amor, em convite a 
todos os que quisessem nEle encontrar perdo e paz. As hostes das trevas viram 
que no possuam domnio ilimitado, e compreenderam que, se a misso de Cristo 
fosse bem-sucedida, seu governo estaria prestes a terminar. Satans enfurecia-se 
como um leo acorrentado e, em desafio, exibia seu poder tanto sobre o corpo 
como sobre a alma dos homens.
Que os homens tenham sido possudos de demnios est claramente referido no 
Novo Testamento. As pessoas desta maneira afligidas no sofriam meramente de 
molstias provenientes de causas naturais. Cristo tinha perfeito conhecimento 
daquilo com que estava a tratar, e reconheceu a presena direta e a operao dos 
espritos maus.
Notvel exemplo do nmero deles, de seu poder e malignidade, e tambm do 
poder e misericrdia de Cristo,  dado no relato bblico da cura dos 
endemoninhados de Gadara. Aqueles infelizes lunticos, zombando de toda 
restrio, agitando-se, espumando, encolerizando-se, estavam a encher os ares de 
seus gritos, fazendo violncia a si prprios, e pondo em perigo todos os que deles 
se aproximassem. Seu desfigurado corpo a sangrar, a mente transtornada, 
apresentavam um espetculo que comprazia ao prncipe das trevas. Um dos 
demnios, que dirigia os padecentes, declarou: Legio  o meu nome, porque 
somos muitos. Mar. 5:9. No exrcito romano, a legio compunha-se de trs a 
cinco mil homens. As hostes de Satans so tambm arregimentadas em 
companhias, e a simples companhia a que pertenciam esses demnios contava 
no menos que uma legio.
Ao mando de Jesus os anjos maus afastaram-se de suas vtimas, deixando-as 
calmamente sentadas aos ps do Salvador, submissas, inteligentes e dceis. Mas 
aos demnios foi
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Pg. 515
permitido varrer para o mar um rebanho de porcos; e para os habitantes de 
Gadara a perda disto sobrepujou as bnos que Cristo conferira, e pediram eles 
ao Mdico divino que Se retirasse. Este o resultado que Satans intentava obter. 
Lanando sobre Jesus a culpa de seu prejuzo, suscitou os temores egostas do 
povo, impedindo-o de escutar Suas palavras. Satans acusa constantemente os 
cristos como causa de prejuzo, desgraa e sofrimento, em vez de consentir que a 
censura recaia onde compete: sobre si mesmo e seus anjos.
Os propsitos de Cristo no foram, porm, subvertidos. Permitiu que os espritos 
maus destrussem a manada de porcos, como reprovao queles judeus que, por 
amor do ganho, estavam a criar tais animais imundos. No houvesse Cristo 
restringido os demnios, e teriam arrastado para o mar no somente os porcos, 
mas tambm seus guardadores e possuidores. A preservao dos que os 
guardavam bem como dos seus donos, foi unicamente devida a Seu poder, 
misericordiosamente exercido para o livramento deles. Demais, foi permitido que 
esse acontecimento ocorresse a fim de que os discpulos pudessem testemunhar o 
poder cruel de Satans, tanto sobre o homem como sobre os animais. O Salvador 
desejava que Seus seguidores conhecessem o adversrio que tinham de enfrentar, 
para que no fossem enganados e vencidos por seus ardis. Era tambm Sua 
vontade que o povo daquela regio contemplasse Seu poder de quebrar o cativeiro 
de Satans e libertar seus cativos. E, ainda que o prprio Jesus Se retirasse, os 
homens to maravilhosamente libertos ficaram para declarar a misericrdia de seu 
Benfeitor.
Outros exemplos de natureza semelhante se acham registrados nas Escrituras. A 
filha da mulher siro-fencia era atrozmente atormentada por um demnio, ao qual 
Jesus expulsou por Sua palavra (Mar. 7:26-30). Um endemoninhado cego e 
mudo (Mat. 12:22); um moo que tinha um esprito mudo que muitas vezes o 
lanava no fogo, e na gua, para o destruir (Mar. 9:17-27); o luntico que, 
atormentado pelo esprito de um demnio imundo (Luc. 4:33-36), perturbava a 
calma do sbado na sinagoga de Cafarnaum 
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Pg. 516
todos estes foram curados pelo compassivo Salvador. Em quase todos os casos 
Cristo Se dirigiu ao demnio como a uma entidade inteligente, ordenando-lhe sair 
de sua vtima e no mais atorment-la. Contemplando os adoradores em 
Cafarnaum o Seu grande poder, veio espanto sobre todos, e falavam entre si uns 
e outros, dizendo: Que palavra  esta, que at aos espritos imundos manda com 
autoridade e poder, e eles saem? Luc. 4:36.
Aqueles possessos so em geral representados como estando em condio de 
grande sofrimento; contudo, havia excees a esta regra. Para o fim de obter 
poder sobrenatural, alguns recebiam alegremente a influncia satnica. Estes,  
claro, no tinham conflito algum com os demnios. Desta classe eram os que 
possuam o esprito de adivinhao  Simo o Mago, o feiticeiro Elimas, e a 
donzela que acompanhou a Paulo e Silas em Filipos.
Ningum se acha em maior perigo da influncia dos espritos maus do que aqueles 
que, apesar dos testemunhos diretos e amplos das Escrituras, negam a existncia 
e operao do diabo e seus anjos. Enquanto estivermos em ignorncia no que 
respeita a seus ardis, tm eles vantagem quase inconcebvel; muitos do ateno 
s suas sugestes, supondo, entretanto, estar seguindo os ditames de sua prpria 
sabedoria.  por isto que, aproximando-nos do final do tempo, quando Satans 
dever trabalhar com o mximo poder para enganar e destruir, espalha ele por 
toda parte a crena de que no existe.  sua poltica ocultar-se a si mesmo e agir 
s escondidas.
Nada h que o grande enganador mais receie que o familiarizarmo-nos com seus 
ardis. Para melhor encobrir seu carter e propsitos reais, faz-se representar de 
tal maneira a no excitar maior emoo do que ridculo e desdm. Ele se compraz 
muito em ser descrito como um objeto burlesco, repugnante, agoureiro, meio 
animal e meio homem. Agrada-se de ouvir seu nome empregado na brincadeira e 
na zombaria pelos que se julgam inteligentes e instrudos.
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Pg. 517
 porque se mascarou com consumada habilidade, que to amplamente se faz a 
pergunta: Existe realmente tal ser? Evidencia-se o seu xito na geral aceitao 
que obtm no mundo religioso teorias que negam os testemunhos mais positivos 
das Escrituras. E  porque Satans pode muito facilmente dirigir o esprito dos que 
se acham inconscientes de sua influncia, que a Palavra de Deus nos d tantos 
exemplos de sua obra maligna, descobrindo aos nossos olhos suas foras secretas, 
e desta maneira pondo-nos de sobreaviso contra seus assaltos.
O poder e malignidade de Satans e sua hoste deveriam com razo alarmar-nos, 
no fosse o caso de podermos encontrar refgio e livramento no superior poder de 
nosso Redentor. Pomos cuidadosamente em segurana as nossas casas por meio 
de ferrolhos e fechaduras, a fim de proteger contra homens maus nossa 
propriedade e vida; mas raras vezes pensamos nos anjos maus, que 
constantemente esto a procurar acesso a ns, e contra cujos ataques no temos 
em nossa prpria fora mtodo algum de defesa. Se lhes permitirmos, podem 
transformar-nos o entendimento, perturbar e atormentar-nos o corpo, destruir 
nossas propriedades e vida. Seu nico deleite est na misria e runa. Terrvel  a 
condio dos que resistem s reivindicaes divinas, cedendo s tentaes de 
Satans, at que Deus os abandone ao governo dos espritos maus. Mas os que 
seguem a Cristo esto sempre seguros sob Sua proteo. Anjos magnficos em 
poder, so enviados do Cu para proteg-los. O maligno no pode romper a 
guarda que Deus ps em redor de Seu povo.
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Os Ardis de Satans
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O grande conflito entre Cristo e Satans, que tem prosseguido durante quase seis 
mil anos, logo deve terminar; e o maligno redobra seus esforos para frustrar a 
obra de Cristo em prol do homem, e prender as almas em suas ciladas. Reter o 
povo em trevas e impenitncia, at que termine a mediao do Salvador e no 
mais haja sacrifcio pelo pecado,  o objetivo que ele procura realizar.
No se fazendo um esforo especial para resistir ao seu poder, prevalecendo a 
indiferena na igreja e no mundo, Satans no se preocupa; pois que no se acha 
em perigo de perder os que est levando em cativeiro,  sua vontade. Mas ao ser 
chamada a ateno para as coisas eternas, e almas indagarem: Que  necessrio 
que eu faa para me salvar? ele est a postos, procurando opor seu poder ao de 
Cristo, e neutralizar a influncia do Esprito Santo.
As Escrituras declaram que em certa ocasio, em que os anjos de Deus foram 
apresentar-se perante o Senhor, Satans foi tambm entre eles (J 1:6), no para 
curvar-se perante o Rei eterno, mas para favorecer seus maldosos intentos contra 
os justos. Com o mesmo objetivo est ele presente quando os homens se 
congregam para o culto a Deus. Posto que oculto das vistas, est ele a trabalhar 
com toda a diligncia para dirigir o esprito dos adoradores. Semelhante a um hbil 
general, formula de antemo seus planos. Vendo ele o mensageiro de Deus 
examinando as Escrituras, toma nota do assunto a ser
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apresentado ao povo. Emprega ento o todo o seu engano e astcia no sentido de 
amoldar as circunstncias, a fim de que a mensagem no atinja aqueles a quem 
ele est enganando a respeito daquele mesmo ponto. Algum que mais necessite 
da advertncia estar empenhado em alguma transao comercial, que requer a 
sua presena ou de algum outro modo ser impedido de ouvir as palavras que se 
lhe poderiam demonstrar um cheiro de vida para vida.
Outrossim, v Satans os servos do Senhor opressos por causa das trevas 
espirituais que envolvem o povo. Ouve suas fervorosas oraes rogando graa e 
poder divinos para quebrar a fascinao da indiferena, descuido e apatia. Ento, 
com renovado zelo desenvolve suas artimanhas. Tenta os homens  satisfao do 
apetite ou a alguma outra forma de condescendncia prpria, embotando assim a 
sua sensibilidade, de maneira que deixem de ouvir precisamente as coisas que 
mais necessitam aprender.
Satans bem sabe que todos quantos ele puder levar a negligenciar a orao e o 
exame das Escrituras, sero vencidos por seus ataques. Portanto, inventa todo 
artifcio possvel para ocupar a mente. Sempre houve uma classe que, mostrando-
se embora muito piedosos, ao invs de prosseguir no conhecimento da verdade, 
fazem consistir sua religio em procurar algum defeito de carter ou erro de f 
naqueles com quem no concordam. Tais pessoas so a mo direita de Satans. 
Os acusadores dos irmos no so poucos; e esto sempre em atividade quando 
Deus est a operar e Seus servos Lhe esto prestando verdadeira homenagem. 
Eles daro interpretao falsa s palavras e atos dos que amam a verdade e lhe 
obedecem. Representaro os mais ardorosos, zelosos e abnegados servos de Cristo 
como estando enganados ou sendo enganadores.  sua obra representar 
falsamente os intuitos de toda ao verdadeira e nobre, fazer circular insinuaes 
e despertar suspeitas no esprito dos inexperientes. De todo modo imaginvel 
procuraro fazer com que o que  puro e justo seja considerado detestvel e 
enganador.
Ningum, todavia, necessita ser enganado em relao a eles. Pode-se facilmente 
ver de quem so filhos, o exemplo de quem seguem, e a obra de quem fazem. 
Pelos seus frutos os
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conhecereis. Mat. 7:16. Seu procedimento assemelha-se ao de Satans, o odioso 
caluniador, o acusador de nossos irmos. Apoc. 12:10.
O grande enganador tem muitos agentes prontos para apresentar toda e qualquer 
espcie de erro, a fim de enredar as almas: heresias preparadas para se 
adaptarem aos vrios gostos e capacidades dos que ele deseja arruinar.  plano 
seu levar para a igreja elementos insinceros, no regenerados, que incentivaro a 
dvida e a incredulidade, estorvando a todos os que desejem ver a obra de Deus 
progredir, e com ela queiram avanar. Muitos que no tm f verdadeira em Deus 
ou em Sua Palavra, concordam com certos princpios da verdade e passam por 
cristos; e assim esto aptos para introduzir seus erros como doutrinas das 
Escrituras.
A opinio de que no  de conseqncia alguma o que os homens creiam,  um 
dos enganos mais bem-sucedidos de Satans. Ele sabe que a verdade, recebida 
por amor  mesma, santifica a alma de quem a recebe; portanto, est 
constantemente a procurar substitu-la por falsas teorias e fbulas, ou por outro 
evangelho. Desde o princpio os servos de Deus tm contendido com os falsos 
ensinadores, no meramente como homens corruptos, mas como inculcadores de 
falsidades que seriam fatais  alma. Elias, Jeremias, Paulo, firme e 
destemidamente se opunham aos que estavam desviando os homens da Palavra 
de Deus. A liberalidade que considera como sendo sem importncia uma f 
religiosa correta, no encontrava apoio algum por parte daqueles santos 
defensores da verdade.
As interpretaes vagas e imaginosas das Escrituras, as muitas teorias 
contraditrias concernentes  f religiosa, as quais se encontram no mundo 
cristo, so obra de nosso grande adversrio para confundir o esprito de tal 
maneira que no saiba distinguir a verdade. E a discrdia e diviso que h entre 
as igrejas da cristandade so em grande parte devidas ao costume que prevalece 
de torcer as Escrituras, a fim de apoiar uma teoria favorita. Em vez de estudar 
cuidadosamente a Palavra de Deus com humildade de corao, a fim de obter 
conhecimento de Sua vontade, muitos procuram apenas descobrir algo singular ou 
original.
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Com o intuito de sustentar doutrinas errneas ou prticas anticrists, alguns 
apanham passagens das Escrituras separadas do contexto, citando talvez a 
metade de um simples versculo, como prova de seu ponto de vista, quando a 
parte restante mostraria ser bem contrrio o sentido. Com a astcia da serpente, 
entrincheiram-se por trs de declaraes desconexas, interpretadas de maneira a 
convir a seus desejos carnais. Muitos assim voluntariamente pervertem a Palavra 
de Deus. Outros, possuindo ativa imaginao, lanam mo das figuras e smbolos 
das Escrituras Sagradas, interpretam-nos de acordo com sua vontade, tendo em 
pouca conta o testemunho das Escrituras como seu prprio intrprete, e ento 
apresentam suas fantasias como ensinos da Bblia.
Quando quer que o estudo das Escrituras se inicie sem esprito de orao, 
humildade e docilidade, as passagens mais claras e simples, bem como as mais 
difceis, sero torcidas do seu verdadeiro sentido. Os dirigentes papais escolhem 
as partes das Escrituras que melhor servem a seu propsito, interpretam-nas de 
modo a lhes convirem, e ento as apresentam ao povo, ao mesmo tempo em que 
lhe negam o privilgio de estudar a Escritura Sagrada e compreender por si 
mesmos suas santas verdades. A Bblia inteira deveria ser dada ao povo tal qual . 
Melhor lhe seria no ter nenhuma instruo bblica do que receber os ensinos das 
Santas Escrituras to grosseiramente desvirtuados.
A Bblia foi destinada a ser guia a todos os que desejassem familiarizar-se com a 
vontade de seu Criador. Deus deu aos homens a segura Palavra da profecia; os 
anjos e mesmo o prprio Cristo vieram para tornar conhecidas a Daniel e Joo as 
coisas que em breve deveriam acontecer. Os importantes assuntos que dizem 
respeito  nossa salvao no foram deixados envoltos em mistrio. No foram 
revelados de tal maneira a tornar perplexo e transviar o honesto pesquisador da 
verdade. Disse o Senhor pelo profeta Habacuque: Escreve a viso, e torna-a bem 
legvel  para que a possa ler o que correndo passa. Hab. 2:2. A Palavra de Deus 
 clara a todos os que
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a estudam com corao devoto. Toda alma verdadeiramente sincera vir  luz da 
verdade. A luz semeia-se para o justo. Sal. 97:11. E nenhuma igreja poder 
progredir na santificao a menos que seus membros estejam fervorosamente em 
busca da verdade, como de um tesouro escondido.
Ao brado de  liberalidade  os homens se tornam cegos aos ardis do adversrio, 
enquanto ele se acha em todo o tempo trabalhando com perseverana para a 
realizao de seu objetivo. Ao ser bem-sucedido em suplantar a Bblia por meio de 
especulaes humanas, a lei de Deus  posta de parte e as igrejas se encontram 
sob a servido do pecado, ao mesmo tempo em que declaram estar livres.
Para muitos, as pesquisas cientficas se tornaram uma desgraa. Deus permitiu 
que uma inundao de luz fosse derramada sobre o mundo, em descobertas 
cientficas e artsticas; mas mesmo os maiores espritos, se no forem guiados 
pela Palavra de Deus em suas pesquisas, desencaminhar-se-o em suas tentativas 
de investigar as relaes entre a Cincia e a Revelao.
O saber humano tanto das coisas materiais como das espirituais  parcial e 
imperfeito; portanto, muitos so incapazes de harmonizar com as declaraes das 
Escrituras suas opinies sobre a Cincia. Muitos aceitam meras teorias e 
especulaes como fatos cientficos e julgam que a Palavra de Deus deve ser 
provada pelos ensinos da falsamente chamada cincia. I Tim. 6:20. O Criador e 
Suas obras esto alm de sua compreenso; e, por no poderem explicar isto 
pelas leis naturais, a histria bfblica  considerada indigna de confiana. Os que 
duvidam da fidedignidade dos relatos do Antigo e Novo Testamentos, muito 
amide vo um passo alm, pondo em dvida a existncia de Deus e atribuindo  
Natureza o poder infinito. Tendo perdido sua ncora, so deixados a chocar-se 
contra as rochas da incredulidade.
Assim muitos se desviam da f, e so seduzidos pelo diabo. Os homens tm-se 
esforado por ser mais sbios do que o seu Criador; a filosofia humana tem 
tentado devassar e explicar mistrios que jamais sero revelados por todas as eras 
eternas. Se os homens to-somente pesquisassem e compreendessem o que Deus 
tornou conhecido a respeito de Si mesmo e de Seus
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propsitos, obteriam uma perspectiva tal da glria, majestade e poder de Jeov, 
que se compenetrariam de sua prpria pequenez, contentando-se com aquilo que 
foi revelado para eles mesmos e seus filhos.
 a obra-prima dos enganos de Satans conservar o esprito humano a pesquisar e 
conjecturar com relao quilo que Deus no tornou conhecido, e que no  
desgnio Seu que compreendamos. Foi assim que Lcifer perdeu seu lugar no Cu. 
Tornou-se descontente porque nem todos os segredos dos propsitos de Deus lhe 
eram confiados, e desatendeu inteiramente quilo que foi revelado com respeito  
sua prpria obra na elevada posio a ele designada. Suscitando o mesmo 
descontentamento nos anjos sob o seu comando, determinou-lhes a queda. Agora 
procura imbuir a mente dos homens do mesmo esprito, levando-os tambm a 
desatender aos diretos preceitos de Deus.
Os que esto indispostos a aceitar as verdades claras e incisivas da Bblia, 
procuram continuamente fbulas agradveis, que acalmem a conscincia. Quanto 
menos espirituais, altrustas e humilhadoras forem as doutrinas apresentadas, 
tanto maior ser o favor com que so recebidas. Tais pessoas degradam as 
faculdades intelectuais de modo a servirem aos seus desejos carnais. Demasiado 
sbios em seu prprio conceito para examinarem as Escrituras com contrio de 
alma e fervorosa orao rogando a guia divina, no tm escudo contra o engano. 
Satans est pronto para suprir o desejo do corao, e apresenta seus ardis em 
lugar da verdade. Foi assim que o papado alcanou seu poderio sobre o 
entendimento dos homens; e, pela rejeio da verdade, visto implicar ela em uma 
cruz, os protestantes esto seguindo o mesmo caminho. Todos os que 
negligenciam a Palavra de Deus a fim de estudarem convenincias e expedientes 
para que se no achem em desacordo com o mundo, sero deixados a acolher 
condenvel heresia em lugar de verdade religiosa. Toda forma imaginvel de erro 
ser aceita pelos que voluntariamente rejeitam a verdade. Quem olha com horror 
para um engano, receber facilmente outro. O apstolo Paulo, falando de uma 
classe de pessoas que no receberam o amor da verdade para se salvarem, 
declara: Por isso Deus lhes enviar a operao do erro,
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para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que no creram a 
verdade, antes tiveram prazer na iniquidade. II Tess. 2:10-12. Com tal 
advertncia diante de ns, cumpre-nos estar de sobreaviso a respeito de quais 
doutrinas recebemos.
Entre as operaes de maior xito do grande enganador, encontram-se os ensinos 
ilusrios e prodgios de mentira do espiritismo. Disfarado em anjo de luz, estende 
suas redes onde menos se espera. Se os homens to-somente estudassem o Livro 
de Deus com fervorosa orao a fim de o poderem compreender, no seriam 
deixados em trevas,  merc das doutrinas falsas. Mas, rejeitando eles a verdade, 
so presa da iluso.
Outro erro perigoso  a doutrina que nega a divindade de Cristo, pretendendo que 
Ele no tivera existncia antes de Seu advento a este mundo. Esta teoria  
recebida com favor por uma vasta classe que professa crer na Escritura Sagrada; 
diretamente contradiz, todavia, as mais compreensveis declaraes de nosso 
Salvador com respeito  Sua relao com o Pai, Seu carter divino e Sua 
preexistncia. No pode ser entretida sem a mais injustificada violncia s 
Escrituras. No somente rebaixa as concepes do homem acerca da obra da 
redeno, mas solapa a f na Bblia como revelao de Deus. Ao mesmo tempo 
que isto a torna mais perigosa, torna-a tambm mais difcil de ser enfrentada. Se 
os homens rejeitam o testemunho das Escrituras inspiradas concernente  
divindade de Cristo,  em vo argir com eles sobre este ponto; pois nenhum 
argumento, por mais conclusivo, poderia convenc-los. O homem natural no 
compreende as coisas do Esprito de Deus, porque lhe parecem loucura; e no 
pode entend-las, porque elas se discernem espiritualmente. I Cor. 2:14. Pessoa 
alguma que alimente este erro pode ter exato conceito do carter ou misso de 
Cristo, nem do grande plano de Deus para a redeno do homem.
Ainda outro erro sutil e nocivo  a crena, que rapidamente se espalha, de que 
Satans no existe como ser pessoal; de que este nome  empregado nas 
Escrituras meramente para representar os maus pensamentos e desejos do 
homem.
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O ensino to extensamente exposto dos plpitos populares, de que o segundo 
advento de Cristo  a Sua vinda a cada indivduo por ocasio da morte,  um ardil 
para desviar a mente dos homens de Sua vinda pessoal nas nuvens do cu. 
Durante anos Satans tem estado assim a dizer: Eis que Ele est no interior da 
casa (Mat. 24:23-26); e muitas almas se tm perdido por aceitarem este engano.
Outrossim, ensina a sabedoria mundana que a orao no  essencial. Homens de 
Cincia pretendem que a orao no pode, na verdade, ser atendida; que isto 
seria uma violao da lei, um milagre, e que os milagres no existem. O Universo 
dizem eles,  governado por leis fixas, e o prprio Deus nada faz contrrio a essas 
leis. Assim representam a Deus governado por Suas prprias leis, como se a 
operao das leis divinas pudesse excluir a liberdade divina. Tal ensino se ope ao 
testemunho das Escrituras. No foram operados milagres por Cristo e por Seus 
apstolos? O mesmo compassivo Salvador vive hoje, e est to disposto a escutar 
a orao da f, como quando andava visivelmente entre os homens. O natural 
coopera com o sobrenatural. Faz parte do plano de Deus conceder-nos, em 
resposta  orao da f, aquilo que Ele no outorgaria se o no pedssemos assim.
Inumerveis so as doutrinas errneas e as fantasiosas idias que esto ganhando 
terreno entre as igrejas da cristandade.  impossvel avaliar os maus resultados de 
remover um dos marcos que foram fixados pela Palavra de Deus. Pouco dos que se 
arriscam a fazer isto param com a rejeio de uma nica verdade. A maioria 
continua a pr de lado, um aps outro, os princpios da verdade, at que se 
tornam efetivamente incrdulos.
Os erros da teologia popular tm arrastado ao ceticismo muitas almas que 
poderiam de outra maneira ter sido crentes nas Escrituras. Impossvel lhes  
aceitarem doutrinas que lhes ofendem o senso de justia, misericrdia e 
benevolncia; e, desde que tais so apresentadas como ensinos da Bblia, 
recusam-se a receb-la como a Palavra de Deus.
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E este  o objetivo que Satans procura realizar. Nada h que ele mais deseje do 
que destruir a confiana em Deus e em Sua Palavra. Satans est  frente do 
grande exrcito dos que duvidam, e trabalha em sua mxima fora para aliciar as 
almas para suas fileiras. Duvidar est-se tornando moda. H uma classe numerosa 
pela qual a Palavra de Deus  olhada com desconfiana, pela mesma razo por que 
o foi o seu Autor: porque ela reprova e condena o pecado. Os que esto 
indispostos a obedecer-lhe aos preceitos, esforam-se por subverter a sua 
autoridade. Lem a Escritura, ou ouvem os seus ensinos como so apresentados 
do plpito sagrado, meramente para encontrar defeito, nela ou no sermo. No 
poucos se tornam incrdulos a fim de justificar-se ou desculpar-se da negligncia 
do dever. Outros adotam princpios cpticos por orgulho ou indolncia. Demasiado 
amantes da comodidade para se distinguirem no cumprimento de qualquer coisa 
digna de honra, que requeira esforo e abnegao, visam conseguir fama de uma 
sabedoria superior criticando a Bblia. H nela muita coisa que a mente finita, no 
iluminada pela sabedoria divina,  impotente para compreender; e assim 
encontram ensejo para criticar. Muitos h que parecem entender ser virtude 
achar-se do lado da descrena, do ceticismo e da incredulidade. Mas, sob 
aparncia de sinceridade, ver-se- que tais pessoas so movidas pela confiana 
prpria e orgulho. Muitos se deleitam em encontrar nas Escrituras alguma coisa 
que confunda o esprito de outros. Alguns a princpio criticam e sofismam, por 
simples amor  controvrsia. No compreendem que se esto assim enredando 
nas ciladas do caador. Tendo, porm, expresso abertamente descrena, 
entendem que devem manter sua atitude. Assim se unem eles aos mpios, e 
fecham para si mesmos as portas do paraso.
Deus deu em Sua Palavra evidncia bastante do carter divino da mesma. As 
grandes verdades que dizem respeito  nossa redeno, esto claramente 
apresentadas. Pelo auxlio do Esprito Santo, que  prometido a todos os que O 
buscam com sinceridade, cada qual pode compreender por si estas
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verdades. Deus concedeu aos homens um firme fundamento sobre que repousar a 
f.
Contudo, a mente finita dos homens no est adaptada a compreender 
completamente os planos e propsitos do Ser infinito. Jamais poderemos por meio 
de pesquisas encontrar a Deus. No devemos tentar erguer com mos 
presunosas o vu com o qual Ele vela Sua majestade. O apstolo exclama: Quo 
insondveis so os Seus juzos, e quo inescrutveis os Seus caminhos! Rom. 
11:33. Podemos compreender Seu trato para conosco e os motivos que O movem 
at ao ponto em que nos  possvel discernir o amor e a misericrdia ilimitados em 
unio com o poder infinito. Nosso Pai celestial tudo determina em sabedoria e 
justia, e no devemos estar descontentes e destitudos de confiana, antes 
curvar-nos em submisso reverente. De seus propsitos Ele nos revelar tanto 
quanto  para o nosso bem saber, e, alm disto, devemos confiar na Mo que  
onipotente, no Corao que est repleto de amor.
Ao mesmo tempo em que Deus deu prova ampla para a f, nunca removeu toda 
desculpa para a descrena. Todos os que buscam ganchos em que pendurar suas 
dvidas, encontr-los-o. E todos os que se recusam a aceitar a Palavra de Deus e 
lhe obedecer antes que toda objeo tenha sido removida, e no mais haja lugar 
para a dvida, jamais viro  luz.
A desconfiana em Deus  produto natural do corao no renovado, que est em 
inimizade com Ele. A f, porm,  inspirada pelo Esprito Santo, e unicamente 
florescer  medida que for acalentada. Ningum se pode tornar forte na f sem 
esforo decidido. A incredulidade  fortalecida ao ser incentivada; e, se os 
homens, em vez de se ocuparem com as provas que Deus deu a fim de sustentar 
sua f, se permitirem discutir e cavilar, vero que suas dvidas se tornam 
constantemente mais acentuadas.
Mas os que duvidam das promessas de Deus e no confiam na segurana de Sua 
graa, esto a desonr-Lo; e sua influncia, em vez de atrair outros a Cristo, 
tende a repeli-los dEle.
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So rvores infrutferas, que estendem amplamente seus escuros ramos, 
excluindo da luz do Sol outras plantas, e fazendo-as atrofiar-se e morrer na fria 
sombra. O trabalho de tais pessoas aparecer como uma constante testemunha 
contra aquelas. Esto a lanar sementes de dvida e ceticismo, que produziro 
infalvel colheita.
Apenas um caminho h a seguir, para quantos desejem sinceramente livrar-se das 
dvidas. Em vez de questionar e cavilar com relao quilo que no 
compreendem, atendam  luz que j resplandece sobre eles, e recebero maior 
luz. Cumpram todo dever que j se lhes fez claro  compreenso, e estaro aptos 
a compreender e cumprir aqueles sobre os quais esto agora em dvida.
Satans pode apresentar uma contrafao to parecida com a verdade, que 
engane aos que esto dispostos a ser enganados, aos que desejam excluir a 
abnegao e o sacrifcio exigidos pela verdade; impossvel lhe , porm, reter sob 
o seu poder uma s alma que sinceramente deseje conhecer a verdade, custe o 
que custar. Cristo  a verdade, e a luz que alumia a todo o homem que vem ao 
mundo. Joo 1:9. O Esprito da verdade foi enviado para guiar os homens em 
toda a verdade. E pela autoridade do Filho de Deus se acha declarado: Buscai, e 
encontrareis. Se algum quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina 
conhecer se ela  de Deus. Mat. 7:7; Joo 7:17.
Os seguidores de Cristo pouco sabem das tramas que Satans e suas hostes 
contra eles esto formando. Aquele, porm, que Se assenta nos Cus, 
encaminhar todos esses estratagemas para o cumprimento de Seus profundos 
desgnios. O Senhor permite que Seu povo seja submetido  atroz prova da 
tentao, no porque tenha prazer em sua aflio e angstia, mas porque tal 
operao  indispensvel  sua vitria final. Ele no poderia, de maneira coerente 
com Sua prpria glria, escud-los da tentao; pois o objetivo da prova  
prepar-los para resistirem a todas as sedues do mal.
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Nem homens mpios nem demnios podem embaraar a obra de Deus, ou excluir a 
Sua presena de Seu povo, se este, com corao submisso e contrito, confessar e 
abandonar seus pecados, e com f reclamar as promessas divinas. Toda tentao, 
toda influncia adversa, quer manifesta quer secreta, pode com xito ser vencida, 
no por fora, nem por violncia, mas pelo Meu Esprito, diz o Senhor dos 
exrcitos. Zac. 4:6.
Os olhos do Senhor esto sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos s suas 
oraes.  E qual  aquele que vos far mal, se fordes zelosos do bem? I Ped. 
3:12 e 13. Quando Balao, seduzido pela promessa das ricas recompensas, 
praticou encantos contra Israel, e por meio de sacrifcios ao Senhor procurou 
invocar maldio sobre o Seu povo, o Esprito do Senhor vedou o mal que ele 
anelava pronunciar, e Balao foi forado a dizer: Como amaldioarei o que Deus 
no amaldioa? e como detestarei quando o Senhor no detesta? A minha alma 
morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu. Quando novamente foi 
oferecido o sacrifcio, declarou o mpio profeta: Eis que recebi mandado de 
abenoar: pois Ele tem abenoado, e eu no o posso revogar. No viu iniqidade 
em Israel nem contemplou maldade em Jac; o Senhor seu Deus  com ele, e 
nele, e entre eles se ouve o alarido de um Rei. Pois contra Jac no vale 
encantamento, nem adivinhao contra Israel. Neste tempo se dir de Jac e de 
Israel: Que coisas Deus tem obrado! Nm. 23:8, 10, 21 e 23. Contudo se 
erigiram altares pela terceira vez, e novamente Balao tentou pronunciar uma 
maldio. Mas, mediante os obstinados lbios do profeta, o Esprito de Deus 
declarou a prosperidade de Seus escolhidos, e repreendeu a loucura e malignidade 
de seus adversrios: Benditos os que te abenoarem, e malditos os que te 
amaldioarem. Nm. 24:9.
O povo de Israel era nesse tempo fiel a Deus; e, enquanto permanecessem em 
obedincia  Sua lei, nenhum poder na Terra ou no inferno poderia prevalecer 
contra eles. Mas a maldio que a Balao no foi permitido pronunciar contra o 
povo
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de Deus, conseguiu finalmente trazer sobre eles, seduzindo-os ao pecado. Ao 
transgredirem os mandamentos de Deus, separam-se ento dEle, sendo deixados 
a sentir o poder do destruidor.
Satans est bem ciente de que a mais dbil alma que permanea em Cristo  
mais que suficiente para competir com as hostes das trevas, e que, caso ele se 
revelasse abertamente, seria enfrentado e vencido. Portanto, procura retirar das 
suas potentes fortificaes os soldados da cruz, enquanto jaz de emboscada com 
as suas foras, pronto para destruir todos os que se arriscam a penetrar em seu 
terreno. Unicamente com humilde confiana em Deus, e obedincia a todos os 
Seus mandamentos, poderemos achar-nos seguros.
Ningum, sem orao, se encontra livre de perigo durante um dia ou uma hora 
que seja. Especialmente devemos rogar ao Senhor sabedoria para compreender a 
Sua Palavra. Ali esto revelados as armadilhas do tentador, e os meios pelos quais 
se pode a ele resistir com xito. Satans  perito em citar as Escrituras, dando sua 
prpria interpretao s passagens pelas quais espera fazer-nos tropear. 
Devemos estudar a Bblia com humildade de corao, nunca perdendo de vista 
nossa sujeio a Deus. Ao mesmo tempo em que nos devemos guardar 
constantemente contra os ardis de Satans, cumpre com f orar sempre: No nos 
deixes cair em tentao.
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 o Homem Imortal?
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J no incio da histria humana, comeou Satans seus esforos para enganar a 
nossa raa. Aquele que incitara rebelio no Cu, desejou levar os habitantes da 
Terra a unirem-se com ele em luta contra o governo de Deus. Ado e Eva tinham 
sido perfeitamente felizes na obedincia  lei divina, e esse fato era um 
testemunho constante contra a alegao em que insistira Satans no Cu, de que 
a lei de Deus era opressiva, e se opunha ao bem-estar de Suas criaturas. E, 
demais, despertou-se a inveja de Satans ao olhar ele para o belo lar preparado 
para o inocente casal. Decidiu-se a causar a sua queda, a fim de que, tendo-se 
separado de Deus e trazido sob o seu poder, pudesse obter posse da Terra, e aqui 
estabelecer o seu reino em oposio do Altssimo.
Houvesse Satans se manifestado em seu verdadeiro carter, e teria sido repelido 
de pronto, pois Ado e Eva tinham sido advertidos contra este perigoso 
adversrio; ele, porm, operou na treva, ocultando seu propsito, para que mais 
eficazmente pudesse realizar o seu objetivo. Empregando como seu intermedirio 
a serpente, ento criatura de fascinante aspecto, dirigiu-se a Eva:  assim que 
Deus disse: No comereis de toda a rvore do jardim? Gn. 3:1. Se Eva se 
tivesse evitado de entrar em argumentao com o tentador, teria estado em 
segurana; mas arriscou-se a conversar com ele, e caiu vtima de seus
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enganos.  assim que muitos ainda so vencidos. Duvidam e argumentam com 
relao aos preceitos de Deus; e, ao invs de obedecerem aos mandados divinos, 
aceitam teorias humanas, que to-somente disfaram as armadilhas de Satans.
Disse a mulher  serpente: Do fruto das rvores do jardim comeremos, mas do 
fruto da rvore que est no meio do jardim, disse Deus: No comereis dele, nem 
nele tocareis, para que no morrais. Ento a serpente disse  mulher: Certamente 
no morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abriro os 
vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. Gn. 3:2-5. A 
serpente declarou que se tornariam como Deus, possuindo maior sabedoria que 
antes, e sendo capazes de uma condio mais elevada de existncia. Eva cedeu  
tentao; e, por sua influncia, Ado foi levado ao pecado. Aceitaram as palavras 
da serpente, de que Deus no queria dizer o que falara; desconfiaram de seu 
Criador, e imaginaram que Ele estava a restringir-lhes a liberdade, e que poderiam 
obter grande sabedoria e exaltao, por transgredir Sua lei.
Mas como compreendeu Ado, depois de seu pecado, o sentido das palavras: No 
dia em que dela comeres, certamente morrers? Achou que elas significavam, 
conforme Satans o tinha levado a crer, que ele deveria ser introduzido em 
condio mais elevada de existncia? Nesse caso haveria, na verdade, grande bem 
a ganhar pela transgresso, e Satans se demonstraria um benfeitor da raa. Mas 
Ado no achou ser este o sentido da sentena divina. Deus declarou que, como 
pena de seu pecado, o homem voltaria  terra donde fora tirado: s p, e em p 
te tornars. Gn. 3:19. As palavras de Satans:  se abriro os vossos olhos, 
mostraram-se verdadeiras apenas neste sentido: Depois que Ado e Eva 
desobedeceram a Deus, seus olhos se abriram para discernirem a sua loucura; 
conheceram o mal, e provaram o amargo fruto da transgresso.
No meio do den crescia a rvore da vida, cujo fruto tinha o poder de perpetuar a 
vida. Se Ado tivesse permanecido
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obediente a Deus, teria continuado a gozar livre acesso quela rvore, e teria 
vivido para sempre. Mas, quando pecou, foi despojado da participao da rvore 
da vida, tornando-se sujeito  morte. A sentena divina: Tu s p, e em p te 
tornars  indica completa extino da vida.
A imortalidade, prometida ao homem sob condio de obedincia, foi perdida pela 
transgresso. Ado no poderia transmitir  sua posteridade aquilo que no 
possua; e no poderia haver esperana alguma para a raa decada, se, pelo 
sacrifcio de Seu Filho, Deus no houvesse trazido a imortalidade ao seu alcance. 
Ao passo que a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram, 
Cristo trouxe  luz a vida e a incorrupo pelo evangelho. Rom. 5:12; II Tim. 
1:10. E unicamente por meio de Cristo pode a imortalidade ser obtida. Disse 
Jesus: Aquele que cr no Filho tem a vida eterna; mas aquele que no cr no 
Filho no ter a vida. Joo 3:36. Todo homem pode alcanar a posse desta 
inaprecivel bno, se satisfizer as condies. Todos os que, com perseverana 
em fazer bem, procuram glria, e honra e incorrupo, recebero vida eterna. 
Rom. 2:7.
O nico que prometeu a Ado vida em desobedincia foi o grande enganador. E a 
declarao da serpente a Eva, no den  Certamente no morrereis  foi o 
primeiro sermo pregado acerca da imortalidade da alma. Todavia, esta 
declarao, repousando apenas na autoridade de Satans, ecoa dos plpitos da 
cristandade, e  recebida pela maior parte da humanidade to facilmente como o 
foi pelos nossos primeiros pais.  sentena divina: A alma que pecar, essa 
morrer (Ezeq. 18:20),  dada a significao: A alma que pecar, essa no 
morrer, mas viver eternamente. No podemos seno nos admirar da estranha 
fatuidade que to crdulos torna os homens com relao s palavras de Satans, e 
incrdulos com respeito s palavras de Deus.
Houvesse ao homem sido permitido franco acesso  rvore
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da vida, aps a sua queda, e teria ele vivido para sempre, sendo assim 
imortalizado o pecado. Querubins e uma espada chamejante, porm, guardavam 
o caminho da rvore da vida (Gn. 3:24), e a nenhum membro da famlia de 
Ado foi permitido passar aquela barreira e participar do fruto doador da vida. No 
h, portanto, pecador algum imortal.
Mas, depois da queda, Satans ordenou a seus anjos que fizessem um esforo 
especial a fim de inculcar a crena da imortalidade inerente do homem; e, tendo 
induzido o povo a receber este erro, deveriam lev-lo a concluir que o pecador 
viveria em estado de eterna misria. Agora o prncipe das trevas, operando por 
meio de seus agentes, representa a Deus como um tirano vingativo, declarando 
que Ele mergulha no inferno todos os que no Lhe agradam, e faz com que sempre 
sintam a Sua ira; e que, enquanto sofrem angstia indizvel, e se contorcem nas 
chamas eternas, Seu Criador para eles olha com satisfao.
Assim o prncipe dos demnios reveste com seus prprios atributos ao Criador e 
Benfeitor da humanidade. A crueldade  satnica. Deus  amor: e tudo quanto 
criou era puro, santo e formoso, at o pecado ser introduzido pelo primeiro grande 
rebelde. Satans mesmo  o inimigo que tenta o homem a pecar, e ento o 
destri, se o pode fazer; e, ao se ter assenhoreado de sua vtima, exulta na runa 
que efetuou. Se lhe fosse permitido, colheria o gnero humano todo em sua rede. 
No fosse a interposio do poder divino, nenhum filho ou filha de Ado escaparia.
Satans est procurando vencer os homens hoje, assim como venceu nossos 
primeiros pais, abalando-lhes a confiana em seu Criador, e levando-os a duvidar 
da sabedoria de Seu governo e da justia de Suas leis. Satans e seus emissrios 
representam a Deus como sendo mesmo pior do que eles, a fim de justificar sua 
prpria malignidade e rebelio. O grande enganador esfora-se por transferir sua 
prpria horrvel crueldade de carter para nosso Pai celestial, a fim de fazer-se 
parecer como algum grandemente lesado pela sua expulso do Cu, visto no 
haver desejado sujeitar-se a um governador to
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injusto. Apresenta perante o mundo a liberdade que este pode gozar sob seu 
domnio suave, em contraste com a servido imposta pelos severos decretos de 
Jeov. Desta maneira consegue desviar as almas de sua fidelidade a Deus.
Quo repugnante a todo sentimento de amor e misericrdia, e mesmo ao nosso 
senso de justia,  a doutrina de que os mpios mortos so atormentados com fogo 
e enxofre num inferno eternamente a arder; que pelos pecados de uma breve vida 
terrestre sofrero tortura enquanto Deus existir! Contudo esta doutrina tem sido 
largamente ensinada, e ainda se acha incorporada em muitos credos da 
cristandade. Disse ilustrado doutor em teologia: A vista dos tormentos do inferno 
exaltar para sempre a felicidade dos santos. Quando vem outros que so da 
mesma natureza e nascidos sob as mesmas circunstncias, mergulhados em tal 
desgraa, e eles distinguidos de tal maneira, isto os far sentir quo felizes so. 
Outro empregou estas palavras: Enquanto o decreto da condenao est sendo 
eternamente executado sobre os vasos da ira, o fumo de seu tormento estar 
sempre e sempre a ascender  vista dos vasos de misericrdia, que, em vez de se 
compadecerem daquelas miserveis criaturas, diro: Amm, Aleluia! louvai ao 
Senhor!
Onde, nas pginas da Palavra de Deus, se encontra tal ensino? Perdero os 
remidos no Cu todo sentimento de piedade e compaixo, e mesmo os 
sentimentos comuns de humanidade? Devem tais sentimentos ser trocados pela 
indiferena do estico, ou a crueldade do selvagem? No, absolutamente; no  
este o ensino do Livro de Deus. Os que apresentaram as opinies expressas nas 
citaes acima, podem ser homens ilustrados e mesmo sinceros; mas esto 
iludidos pelos sofismas de Satans. Este os leva a interpretar mal terminantes 
expresses das Escrituras, dando  linguagem a colorao de amargura e 
malignidade que a ele pertence, mas no ao Criador. Vivo Eu, diz o Senhor Jeov, 
que no tenho prazer na morte do mpio, mas em que o mpio se converter do 
seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; 
pois por que razo morrereis? Ezeq. 33:11.
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Pg. 536
Que ganharia Deus se admitssemos que Ele Se deleita em testemunhar 
incessantes torturas; que Se alegra com os gemidos, gritos e imprecaes das 
sofredoras criaturas por Ele retidas nas chamas do inferno? Podero esses terrveis 
sons ser msica aos ouvidos do Amor infinito? Insiste-se em que a aplicao de 
intrmino sofrimento aos mpios mostraria o dio de Deus ao pecado, como a um 
mal ruinoso  paz e  ordem do Universo. Terrvel blasfmia! Como se o dio de 
Deus ao pecado seja a razo por que este se perpetua. Pois, segundo os ensinos 
desses telogos, a contnua tortura sem esperana de misericrdia enlouquece 
suas infelizes vtimas, e, ao derramarem elas sua clera em maldies e 
blasfmias, esto para sempre aumentando sua carga de crimes. A glria de Deus 
no  encarecida, perpetuando-se desta maneira o pecado, em constante 
aumento, atravs de eras sem fim.
Est alm do poder do esprito humano avaliar o mal que tem sido feito pela 
heresia do tormento eterno. A religio da Bblia, repleta de amor e bondade, e 
abundante de misericrdia,  obscurecida pela superstio e revestida de terror. 
Ao considerarmos em que cores falsas Satans esboou o carter de Deus, 
surpreender-nos-emos de que nosso misericordioso Criador seja receado, temido e 
mesmo odiado? As opinies aterrorizadoras acerca de Deus, que pelos ensinos do 
plpito so espalhadas pelo mundo, tm feito milhares, e mesmo milhes de 
cpticos e incrdulos.
A teoria do tormento eterno  uma das falsas doutrinas que constituem o vinho 
das abominaes de Babilnia, do qual ela faz todas as naes beberem. 
Apocalipse 14:8; 17:2. Que ministros de Cristo hajam aceito esta heresia e a 
tenham proclamado do plpito sagrado,  na verdade um mistrio. Eles a 
receberam de Roma, assim como receberam o falso sbado.  verdade que tem 
sido ensinada por homens eminentes e piedosos; mas a luz sobre tal assunto no 
lhes chegou como a ns. Eram responsveis apenas pela luz que resplandecia em 
seu tempo; ns o somos pela que brilha em nossa poca. Se nos desviamos do 
testemunho da Palavra de Deus, aceitando
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falsas doutrinas porque nossos pais as ensinaram, camos sob a condenao 
pronunciada sobre Babilnia; estamos a beber do vinho de suas abominaes.
Numerosa classe, para a qual a doutrina do tormento eterno  revoltante,  levada 
ao erro oposto. Vem que as Escrituras representam a Deus como um ser de amor 
e compaixo, e no podem crer que Ele destine Suas criaturas aos fogos de um 
inferno eternamente a arder. Crendo, porm, ser a alma de natureza imortal, no 
percebem outra alternativa seno concluir que toda a humanidade se salvar, por 
fim. Muitos consideram as ameaas da Bblia como sendo meramente destinadas a 
amedrontar os homens para a obedincia, e no para se cumprirem literalmente. 
Assim o pecador pode viver em prazeres egostas, desatendendo aos preceitos de 
Deus, e no obstante esperar ser, ao final, recebido em Seu favor. Esta doutrina, 
admitindo a misericrdia de Deus, mas passando por alto Sua justia, agrada ao 
corao carnal, e torna audazes os mpios em sua iniqidade.
A fim de mostrar como os crentes na salvao universal torcem as Escrituras para 
sustentarem seus dogmas destruidores de almas, basta citar suas prprias 
declaraes. Nos funerais de um jovem irreligioso, que tivera morte instantnea 
em um desastre, um ministro universalista escolheu como texto a declarao das 
Escrituras relativa a Davi: J se tinha consolado acerca de Amnom, que era 
morto. II Sam. 13:39.
Sou freqentemente interrogado, disse o orador, sobre qual ser a sorte dos 
que deixam o mundo em pecado, que morrem, talvez, em estado de embriaguez, 
morrem sem ter lavado das manchas escarlates do crime as suas vestes, ou como 
este jovem sucumbiu, nunca tendo feito qualquer profisso ou gozado experincia 
religiosa. Estamos contentes com as Escrituras; sua resposta resolver o terrvel 
problema. Amnom era muitssimo pecador; ele no estava arrependido, fizeram-no 
embriagar-se, e, estando em estado de embriaguez, foi morto. Davi era profeta de 
Deus; ele deveria saber se iria mal ou bem com Amnom no mundo vindouro. 
Quais foram as expresses
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de seu corao? Ento tinha o rei Davi saudades de Absalo, porque j se tinha 
consolado acerca de Amnom, que era morto.
E qual  a inferncia a fazer-se desta linguagem? No  que o sofrimento 
intrmino no fazia parte de sua crena religiosa? Assim o concebemos; e aqui 
descobrimos um argumento triunfante em apoio da mais agradvel, mais 
iluminada, mais benvola hiptese da pureza e paz, universal e final. Consolou-se, 
vendo que o filho estava morto. E por que isto? Porque, pelos olhos da profecia, 
podia vislumbrar o glorioso futuro, e ver aquele filho afastado para longe de toda 
tentao, livre do cativeiro, e purificado das corrupes do pecado, e depois de se 
haver tornado suficientemente santo e esclarecido, admitido na assemblia dos 
espritos elevados e jubilosos. Seu nico conforto era que, sendo removido do 
presente estado de pecado e sofrimento, seu amado filho fora para o lugar em que 
o mais elevado bafejo do Esprito Santo cairia sobre a sua alma entenebrecida; em 
que seu esprito se desdobraria  sabedoria do Cu e aos suaves transportes do 
amor imortal, e assim se prepararia com a natureza santificada para gozar o 
repouso e companhia da herana celestial.
Nesse sentido  que desejamos ser compreendidos como crentes que somos de 
que a salvao do Cu no depende de coisa alguma que possamos fazer nesta 
vida; nem da mudana do corao, feita presentemente, nem da crena atual nem 
de uma profisso religiosa.
Assim reitera o professo ministro de Cristo a falsidade proferida pela serpente no 
den: Certamente no morrereis. No dia em que dele comerdes se abriro os 
vossos olhos, e sereis como Deus. Ele declara que o mais vil pecador  o 
assassino, o ladro, o adltero  estaro depois da morte preparados para entrar 
na bem-aventurana eterna.
E donde tira este adulterador das Escrituras as suas concluses? De uma simples 
sentena que exprime a submisso de Davi aos desgnios da Providncia. Ele 
tinha  saudades
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Pg. 539
de Absalo: porque j se tinha consolado acerca de Amnom, que era morto. 
Tendo-se o pungimento desta dor abrandado pelo tempo, seus pensamentos 
volveram do filho morto para o vivo, o qual se exilara pelo medo do justo castigo 
de seu crime. E esta  a prova de que o incestuoso e bbado Amnom foi  sua 
morte imediatamente transportado para as bem-aventuradas habitaes, a fim de 
ser ali purificado e preparado para a companhia dos anjos sem pecado! Fbula 
aprazvel, por certo, muito apropriada para satisfazer o corao carnal! Esta  a 
prpria doutrina de Satans, e ela realiza a sua obra eficazmente. Deveramos 
surpreender-nos de que, com tal instruo, prevalea a impiedade?
O caminho seguido por este falso ensinador ilustra o de muitos outros. Umas 
poucas palavras das Escrituras so separadas do contexto, o qual, em muitos 
casos, mostraria ser o seu sentido exatamente o contrrio da interpretao a elas 
dada; e tais passagens desconexas so pervertidas e usadas em prova de 
doutrinas que no tm fundamento na Palavra de Deus. O testemunho citado 
como prova de que o bbado Amnom est no Cu,  uma simples conjectura, 
contradita terminantemente pela declarao expressa e positiva das Escrituras, de 
que nenhum bbado herdar o reino de Deus (I Cor. 6:10). Assim  que os que 
duvidam, os descrentes, e os cpticos, mudam a verdade em mentira. E multides 
tm sido enganadas por seus sofismas, e embaladas para adormecerem no bero 
da segurana carnal.
Se fosse verdade que a alma passa diretamente para o Cu na hora do 
falecimento, bem poderamos ento anelar a morte em lugar da vida. Por esta 
crena, muitos tm sido levados a pr termo  existncia. Quando dominados 
pelas dificuldades, perplexidades e desapontamento, parece coisa fcil romper o 
tnue fio da vida e voar alm, para as bnos do mundo eterno.
Deus deu em Sua Palavra prova decisiva de que punir os transgressores de Sua 
lei. Os que se lisonjeiam de que Ele 
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Pg. 540
muito misericordioso para exercer justia contra o pecador, apenas tm de olhar 
para a cruz do Calvrio. A morte do imaculado Filho de Deus testifica que o 
salrio do pecado  a morte, que toda violao da lei de Deus deve receber sua 
justa paga. Cristo, que no tinha pecado, Se fez pecado pelo homem. Arrostou a 
culpa da transgresso, sendo-Lhe ocultado o rosto do Pai, at se Lhe quebrantar o 
corao e desfazer a vida. Todo esse sacrifcio foi feito a fim de os pecadores 
poderem ser remidos. De nenhum outro modo conseguiria o homem livrar-se da 
pena do pecado. E toda alma que se recusa a tornar-se participante da expiao 
provida a tal preo, deve levar em si prpria a culpa e o castigo da transgresso.
Consideremos o que a Bblia ensina ainda concernente aos mpios e impenitentes, 
os quais os universalistas colocam no Cu, como anjos santos e felizes.
A quem quer que tiver sede, de graa lhe darei da fonte da gua da vida. Apoc. 
21:6. Esta promessa  apenas para os que tm sede. A pessoa alguma, a no ser 
os que sentem sua necessidade da gua da vida, e a procuram, seja qual for o 
preo, ser ela provida. Quem vencer herdar todas as coisas; e Eu serei seu 
Deus, e ele ser Meu filho. Apoc. 21:7. Aqui, tambm, se especificam condies. 
A fim de herdar todas as coisas, devemos resistir ao pecado e venc-lo.
O Senhor declara pelo profeta Isaas: Dizei aos justos que bem lhes ir. Ai do 
mpio! mal lhe ir, porque a recompensa das suas mos se lhe dar. Isa. 3:10 e 
11. Ainda que o pecador faa mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei 
com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temerem diante 
dEle. Mas ao mpio no ir bem. Ecl. 8:12 e 13. E Paulo testifica que o pecador 
est entesourando para si ira  no dia da ira e da manifestao do juzo de Deus; 
o qual recompensar cada um segundo suas obras; tribulao e angstia sobre 
toda a alma do homem que obra o mal. Rom. 2:5, 6 e 9.
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Pg. 541
Nenhum fornicrio, ou impuro, ou avarento, o qual  idlatra, tem herana no 
reino de Cristo e de Deus. Efs. 5:5. Segui a paz com todos, e a santificao, 
sem a qual ningum ver o Senhor. Heb. 12:14. Bem-aventurados aqueles que 
guardam os Seus mandamentos, para que tenham direito  rvore da vida, e 
possam entrar na cidade pelas portas. Ficaro de fora os ces, e os feiticeiros, e os 
que se prostituem, e os homicidas, e os idlatras, e qualquer que ama e comete a 
mentira. Apoc. 22:14 e 15.
Deus deu aos homens uma revelao de Seu carter, e de Seu mtodo de tratar 
com o pecado: Jeov, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras, e 
grande em beneficincia e verdade; que guarda a beneficncia em milhares; que 
perdoa a iniqidade, e a transgresso, e o pecado; que ao culpado no tem por 
inocente. xo. 34:6 e 7. Todos os mpios sero destrudos. Quanto aos 
transgressores, sero  uma destrudos e as relquias dos mpios todas perecero. 
Sal. 145:20; 37:38. O poder e autoridade do governo divino sero empregados 
para abater a rebelio; contudo, todas as manifestaes de justia retribuidora 
sero perfeitamente coerentes com o carter de Deus, como um ser 
misericordioso, longnimo e benvolo.
Deus no fora a vontade ou o juzo de ningum. No tem prazer na obedincia 
servil. Deseja que as criaturas de Suas mos O amem porque Ele  digno de amor. 
Quer que Lhe obedeam porque reconhecem inteligentemente Sua sabedoria, 
justia e benevolncia. E todos os que possuem concepo justa destas 
qualidades, am-Lo-o porque so atrados para Ele e Lhe admiram os atributos.
Os princpios de bondade, misericrdia e amor, ensinados e exemplificados por 
Jesus Cristo, so um transunto da vontade e carter de Deus. Cristo declarou que 
Ele nada ensinava a no ser o que recebera do Pai. Os princpios do governo divino 
esto em perfeita harmonia com os preceitos do Salvador: Amai vossos inimigos. 
Deus executa justia sobre os
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Pg. 542
mpios, para o bem do Universo, e mesmo daqueles sobre quem Seus juzos so 
aplicados. Ele os faria ditosos, se o pudesse fazer de acordo com as leis de Seu 
governo e a justia de Seu carter. Cerca-os de manifestaes de Seu amor, 
confere-lhes conhecimento de Sua lei, acompanhando-os com o oferecimento de 
Sua misericrdia; eles, porm, Lhe desprezam o amor, anulam a lei e rejeitam a 
misericrdia. Ao mesmo tempo em que constantemente recebem Seus dons, 
desonram o Doador; odeiam a Deus porque sabem que Ele aborrece os seus 
pecados. O Senhor suporta a sua perversidade; mas vir finalmente a hora 
decisiva, em que se deve decidir o seu destino. Acorrentar Ele ento esses 
rebeldes a Seu lado? For-los- a fazerem a Sua vontade?
Os que escolheram a Satans como chefe, e por seu poder tm sido dirigidos, no 
esto preparados para comparecer  presena de Deus. O orgulho, o engano, a 
licenciosidade, a crueldade, fixaram-se em seu carter. Podem eles entrar no Cu, 
para morar para sempre com aqueles a quem desprezaram e odiaram na Terra? A 
verdade nunca ser agradvel ao mentiroso; a humildade no satisfar o conceito 
de si mesmo e o orgulho; a pureza no  aceitvel ao corrupto; o amor abnegado 
no parece atrativo ao egosta. Que fonte de gozo poderia oferecer o Cu para os 
que se acham totalmente absortos nos interesses terrenos e egostas?
Poderiam aqueles cuja vida foi empregada em rebelio contra Deus, ser 
subitamente transportados para o Cu, e testemunhar o estado elevado e santo de 
perfeio que ali sempre existe, estando toda alma cheia de amor, todo rosto 
irradiando alegria, ecoando em honra de Deus e do Cordeiro uma arrebatadora 
msica em acordes melodiosos, e fluindo da face dAquele que Se assenta sobre o 
trono uma incessante torrente de luz sobre os remidos; sim, poderiam aqueles 
cujo corao est cheio de dio a Deus,  verdade e santidade, unir-se  multido 
celestial e participar de seus cnticos de louvor? Poderiam suportar a glria de 
Deus e do Cordeiro? No, absolutamente; anos de graa lhes foram concedidos, a 
fim de que pudessem
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Pg. 543
formar carter para o Cu; eles, porm, nunca exercitaram a mente no amor  
pureza; nunca aprenderam a linguagem do Cu, e agora  demasiado tarde. Uma 
vida de rebeldia contra Deus incapacitou-os para o Cu. A pureza, santidade e paz 
dali lhes seriam uma tortura; a glria de Deus seria um fogo consumidor. 
Almejariam fugir daquele santo lugar. Receberiam alegremente a destruio, para 
que pudessem esconder-se da face dAquele que morreu para os remir. O destino 
dos mpios se fixa por sua prpria escolha. Sua excluso do Cu  espontnea, da 
sua parte, e justa e misericordiosa da parte de Deus.
Semelhantes s guas do dilvio, os fogos do grande dia declaram o veredicto 
divino, de que os mpios so incorrigveis. No se sentem dispostos a submeter-se 
 autoridade divina. Sua vontade foi exercitada na revolta; e, ao terminar a vida,  
demasiado tarde para fazer voltar o curso de seus pensamentos em direo 
oposta, tarde demais para volverem da transgresso  obedincia, do dio ao 
amor.
Poupando a vida do assassino Caim, Deus deu ao mundo um exemplo do resultado 
que adviria de permitir que o pecador vivesse para continuar o caminho de 
desenfreada iniqidade. Pela influncia do ensino e exemplo de Caim, multides de 
seus descendentes foram levadas ao pecado, at que a maldade do homem se 
multiplicara sobre a Terra, e toda a imaginao dos pensamentos de Seu corao 
era s m continuamente. A Terra, porm, estava corrompida diante da face de 
Deus; e encheu-se a Terra de violncia. Gn. 6:5 e 11.
Em misericrdia para com o mundo, Deus suprimiu seus mpios habitantes no 
tempo de No. Em misericrdia, destruiu os corruptos habitantes de Sodoma. 
Mediante o poder enganador de Satans, os praticantes da iniqidade obtm 
simpatia e admirao, e esto assim constantemente levando outros  rebeldia. 
Assim foi ao tempo de Caim e No, e ao tempo de Abrao e L; assim  em nosso 
tempo.  em misericrdia para com o Universo que Deus finalmente destruir os 
que rejeitam a Sua graa.
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Pg. 544
O salrio do pecado  a morte; mas o dom gratuito de Deus  a vida eterna, por 
Cristo Jesus nosso Senhor. Rom. 6:23. Ao passo que a vida  a herana dos 
justos, a morte  a poro dos mpios. Moiss declarou a Israel: Hoje te tenho 
proposto a vida e o bem, e a morte e o mal. Deut. 30:15. A morte a que se faz 
referncia nestas passagens, no  a que foi pronunciada sobre Ado, pois a 
humanidade toda sofre a pena de sua transgresso.  a segunda morte que se 
pe em contraste com a vida eterna.
Em conseqncia do pecado de Ado, a morte passou a toda a raa humana. 
Todos semelhantemente descem ao sepulcro. E, pelas providncias do plano da 
salvao, todos devem ressurgir da sepultura. H de haver ressurreio de 
mortos, assim dos justos como dos injustos (Atos 24:15); assim como todos 
morrem em Ado, assim tambm todos sero vivificados em Cristo. I Cor. 15:22. 
Uma distino, porm, se faz entre as duas classes que ressuscitam. Todos os 
que esto nos sepulcros ouviro a Sua voz. E os que fizeram o bem, sairo para a 
ressurreio da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreio da condenao. 
Joo 5:28 e 29. Os que foram tidos por dignos da ressurreio da vida, so 
bem-aventurados e santos. Sobre estes no tem poder a segunda morte. Apoc. 
20:6. Os que, porm, no alcanaram o perdo, mediante o arrependimento e a 
f, devem receber a pena da transgresso: o salrio do pecado. Sofrem castigo, 
que varia em durao e intensidade, segundo suas obras, mas que finalmente 
termina com a segunda morte. Visto ser impossvel para Deus, de modo coerente 
com a Sua justia e misericrdia salvar o pecador em seus pecados, Ele o despoja 
da existncia, que perdeu por suas transgresses, e da qual se mostrou indigno. 
Diz um escritor inspirado: Ainda um pouco, e o mpio no existir; olhars para o 
seu lugar e no aparecer. E outro declara: E sero como se nunca tivessem 
sido. Sal. 37:10;
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Pg. 545
Obad. 16. Cobertos de infmia, mergulham, sem esperana, no olvido eterno.
Assim se por termo ao pecado, juntamente com toda a desgraa e runa que dele 
resultaram. Diz o salmista: Destruste os mpios; apagaste o seu nome para 
sempre e eternamente. Oh! inimigo! consumaram-se as assolaes. Sal. 9:5 e 6. 
Joo, no Apocalipse, olhando para a futura condio eterna, ouve uma antfona 
universal de louvor, imperturbada por qualquer nota de discrdia. Toda criatura no 
Cu e na Terra atribua glria a Deus. Apoc. 5:13. No haver ento almas 
perdidas para blasfemarem de Deus, contorcendo-se em tormento interminvel; 
tampouco seres desditosos no inferno uniro seus gritos aos cnticos dos salvos.
Sobre o erro fundamental da imortalidade inerente, repousa a doutrina da 
conscincia na morte, doutrina que, semelhantemente  do tormento eterno, se 
ope aos ensinos das Escrituras, aos ditames da razo, e a nossos sentimentos de 
humanidade. Segundo a crena popular, os remidos no Cu esto a par de tudo 
que ocorre na Terra, e especialmente da vida dos amigos que deixaram aps si. 
Mas como poderia ser fonte de felicidade para os mortos o saberem das 
dificuldades dos vivos, testemunhar os pecados cometidos por seus prprios 
amados, e v-los suportar todas as tristezas, desapontamentos e angstias da 
vida? Quanto da bem-aventurana celeste seria fruda pelos que estivessem 
contemplando seus amigos na Terra? E quo revoltante no  a crena de que, 
logo que o flego deixa o corpo, a alma do impenitente  entregue s chamas do 
inferno! Em quo profundas angstias devero mergulhar os que vem seus 
amigos passarem  sepultura sem se acharem preparados, para entrar numa 
eternidade de misria e pecado! Muitos tm sido arrastados  insanidade por este 
inquietante pensamento.
Que dizem as Escrituras com relao a estas coisas? Davi declara que o homem 
no se acha consciente na morte. Sai-lhes o esprito, e eles tornam-se em sua 
terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos. Sal. 146:4. Salomo d
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Pg. 546
o mesmo testemunho: Os vivos sabem que ho de morrer, mas os mortos no 
sabem coisa nenhuma. O seu amor, o seu dio e a sua inveja j pereceram, e j 
no tm parte alguma neste sculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do 
Sol. Na sepultura, para onde tu vais, no h obra, nem indstria, nem cincia, 
nem sabedoria alguma. Ecl. 9:5, 6 e 10.
Quando, em resposta  sua orao, a vida de Ezequias foi prolongada quinze anos, 
o rei, agradecido, rendeu a Deus um tributo de louvor por Sua grande 
misericrdia. Nesse cntico ele d a razo por assim se regozijar: No pode 
louvar-Te a sepultura, nem a morte glorificar-Te; nem esperaro em Tua verdade 
os que descem  cova. Os vivos, os vivos, esses Te louvaro, como eu hoje fao. 
Isa. 38:18 e 19. A teologia popular representa os justos mortos como estando no 
Cu, admitidos na bem-aventurana, e louvando a Deus com lngua imortal; 
Ezequias, porm, no pde ver tal perspectiva gloriosa na morte. Com suas 
palavras concorda o testemunho do salmista: Na morte no h lembrana de Ti; 
no sepulcro quem Te louvar? Os mortos no louvam ao Senhor, nem os que 
descem ao silncio. Sal. 6:5; 15:17.
Pedro, no dia de Pentecoste, declarou que o patriarca Davi morreu e foi 
sepultado, e entre ns est at hoje a sua sepultura. Porque Davi no subiu aos 
Cus. Atos 2:29 e 34. O fato de Davi permanecer na sepultura at  ressurreio, 
prova que os justos no ascendem ao Cu por ocasio da morte.  unicamente 
pela ressurreio, e em virtude de Jesus haver ressuscitado, que Davi poder 
finalmente assentar-se  destra de Deus.
E Paulo disse: Se os mortos no ressuscitam, tambm Cristo no ressuscitou. E, 
se Cristo no ressuscitou,  v a vossa f, e ainda permaneceis nos vossos 
pecados. E tambm os que dormiram em Cristo esto perdidos. I Cor. 15:16-18. 
Se durante quatro mil anos os justos tivessem  sua morte ido diretamente para o 
Cu, como poderia Paulo ter dito que se
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Pg. 547
no h ressurreio os que dormiram em Cristo esto perdidos? No seria 
necessrio ressurreio.
O mrtir Tyndale, referindo-se ao estado dos mortos, declarou: Confesso 
abertamente que no estou persuadido de que eles j estejam na plena glria em 
que Cristo Se acha, ou em que esto os anjos eleitos de Deus. Tampouco  isto 
artigo de minha f; pois, se assim fosse, no vejo nisto seno que o pregar a 
ressurreio da carne seria coisa v.  Prefcio do Novo Testamento (edio de 
1534), de Guilherme Tyndale.
 fato inegvel que a esperana da imortal bem-aventurana ao morrer, tem 
determinado generalizada negligncia da doutrina bblica da ressurreio. Esta 
tendncia foi notada pelo Dr. Ado Clarke, que disse: A doutrina da ressurreio 
parece ter sido julgada de muito maiores conseqncias entre os primeiros 
cristos do que o  hoje! Como  isto? Os apstolos estavam continuamente 
insistindo nela, e concitando os seguidores de Cristo  diligncia, obedincia e 
animao por meio dela. E seus sucessores, na atualidade, raras vezes a 
mencionam! Pregavam-na os apstolos, nela criam os primitivos cristos; 
pregamo-la ns, e nela crem nossos ouvintes. No h doutrina no evangelho a 
que se d maior nfase; e no h doutrina no atual conjunto dos assuntos 
pregados, que seja tratada com maior negligncia!  Comentrio Sobre o Novo 
Testamento, vol. 2 (acerca de I Corntios 15).
Este estado de coisas tem continuado a ponto de ficar a gloriosa verdade da 
ressurreio quase totalmente obscurecida, e perdida de vista pelo mundo cristo. 
Assim o autor do Comentrio acima referido explica as palavras de Paulo: Para 
todo o fim prtico de consolao, a doutrina da bem-aventurada imortalidade dos 
justos toma para ns o lugar de qualquer doutrina duvidosa acerca da segunda 
vinda do Senhor. Por ocasio de nossa morte o Senhor vem a ns.  isto que 
devemos esperar e aguardar. Os mortos j passaram para a glria. No esperam a 
trombeta para o seu juzo e bem-aventurana.
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Pg. 548
Quando, porm, estava para deixar Seus discpulos, Jesus no lhes disse que logo 
iriam ter com Ele. Vou preparar-vos lugar, disse Ele. E, se Eu for, e vos 
preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo. Joo 14:2 e 3. E 
diz-nos Paulo, mais, que o mesmo Senhor descer do Cu com alarido, e com voz 
de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitaro 
primeiro. Depois ns, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com 
eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o 
Senhor. E acrescenta: Consolai-vos uns aos outros com estas palavras. I Tess. 
4:16-18. Quo grande  o contraste entre essas expresses de conforto e as do 
ministro universalista citadas acima! O ltimo consolou os que foram despojados 
da companhia do seu ente querido, com a afirmao de que, por mais pecador que 
o morto pudesse haver sido, ao expirar aqui, seria recebido entre os anjos. Paulo 
aponta a seus irmos a futura vinda do Senhor, quando os grilhes do tmulo 
sero quebrados, e os mortos em Cristo ressuscitaro para a vida eterna.
Antes de qualquer pessoa poder entrar nas manses dos bem-aventurados, seu 
caso dever ser investigado, e seu carter e aes devero passar em revista 
perante Deus. Todos sero julgados de acordo com as coisas escritas nos livros, e 
recompensados conforme tiverem sido as suas obras. Este juzo no ocorre por 
ocasio da morte. Notai as palavras de Paulo: Tem determinado um dia em que 
com justia h de julgar o mundo, por meio do Varo que destinou: e disto deu 
certeza a todos, ressuscitando-O dos mortos. Atos 17:31. Aqui o apstolo 
terminantemente declara que um tempo especfico, ento no futuro, fora fixado 
para o juzo do mundo.
Judas se refere ao mesmo tempo: Aos anjos que no guardaram o seu principado, 
mas deixaram a sua prpria habitao, reservou na escurido, e em prises 
eternas, at ao juzo daquele grande dia. E cita ainda as palavras de Enoque: Eis 
que  vindo o Senhor com milhares de Seus santos; para fazer
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juzo contra todos. Jud. 6, 14 e 15. Joo declara ter visto os mortos, grandes e 
pequenos, que estavam diante do trono; e abriram-se os livros;  e os mortos 
foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros. Apoc. 20:12.
Se, porm, os mortos j esto gozando a bem-aventurana celestial, ou 
contorcendo-se nas chamas do inferno, que necessidade h de um juzo futuro? Os 
ensinos da Palavra de Deus acerca destes importantes pontos, no so obscuros 
nem contraditrios; podem ser compreendidos pela mente comum. Mas que 
esprito imparcial pode ver sabedoria ou justia na teoria corrente? Recebero os 
justos, depois da investigao de seu caso no juzo, este elogio: Bem est, servo 
bom e fiel.  Entra no gozo do teu Senhor (Mat. 25:21), quando eles estiveram 
morando em Sua presena, talvez durante longos sculos? So os mpios 
convocados do lugar do tormento, para receberem esta sentena do Juiz de toda a 
Terra: Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno? Mat. 25:41. Oh! 
sarcasmo solene! vergonhoso obstculo  sabedoria e justia de Deus!
A teoria da imortalidade da alma foi uma das falsidades que Roma tomou 
emprestadas do paganismo, incorporando-a  religio da cristandade. Martinho 
Lutero classificou-a entre as monstruosas fbulas que fazem parte do monturo 
romano dos decretos.  O Problema da Imortalidade, de E. Petavel. Comentando 
as palavras de Salomo no Eclesiastes, de que os mortos no sabem coisa 
nenhuma, diz o reformador: Outro passo provando que os mortos no tm.  
sentimento. No h ali, diz ele, deveres, cincia, conhecimento, sabedoria. 
Salomo opinou que os mortos esto a dormir, e nada sentem absolutamente. Pois 
os mortos ali jazem, no levando em conta nem dias nem anos; mas, quando 
despertarem, parecer-lhes- haver dormido apenas um minuto.  Exposio do 
Livro de Salomo, Chamado Eclesiastes, de Lutero.
Em parte alguma nas Escrituras Sagradas se encontra a declarao de que  por 
ocasio da morte que os justos vo para a
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Pg. 550
sua recompensa e os mpios ao seu castigo. Os patriarcas e profetas no fizeram 
tal afirmativa. Cristo e Seus apstolos no fizeram sugesto alguma a esse 
respeito. A Bblia claramente ensina que os mortos no vo imediatamente para o 
Cu. Eles so representados como estando a dormir at  ressurreio (I Tess. 
4:14; J 14:10-12). No mesmo dia em que se quebra a cadeia de prata, e se 
despedaa o copo de ouro (Ecl. 12:6), perecem os pensamentos dos homens. Os 
que descem  sepultura esto em silncio. No mais sabem de coisa alguma que 
se faz debaixo do Sol (J 14:21). Bendito descanso para o justo cansado! Seja 
longo ou breve o tempo, no  para eles seno um momento. Dormem, e so 
despertados pela trombeta de Deus para uma imortalidade gloriosa. Porque a 
trombeta soar, e os mortos ressuscitaro incorruptveis.  Quando isto que  
corruptvel se revestir da incorruptibilidade, e isto que  mortal se revestir da 
imortalidade, ento cumprir-se- a palavra que est escrita: Tragada foi a morte 
na vitria. I Cor. 15:52-54. Ao serem eles chamados de seu profundo sono, 
comeam a pensar exatamente onde haviam parado. A ltima sensao foi a 
agonia da morte, o ltimo pensamento o de que estavam a cair sob o poder da 
sepultura. Ao se levantarem da tumba, seu primeiro alegre pensamento se 
expressar na triunfante aclamao: Onde est,  morte, o teu aguilho? Onde 
est,  inferno, a tua vitria? I Cor. 15:55.
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34
Oferece o Espiritismo
Alguma Esperana?
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O ministrio dos santos anjos, conforme  apresentado nas Escrituras Sagradas,  
uma verdade deveras confortadora e preciosa a todo seguidor de Cristo. Mas o 
ensino bblico acerca deste ponto tem sido obscurecido e pervertido pelos erros da 
teologia popular. A doutrina da imortalidade natural, a princpio tomada 
emprestada  filosofia pag, e incorporada  f crist durante as trevas da grande 
apostasia, tem suplantado a verdade to claramente ensinada nas Escrituras, de 
que os mortos no sabem coisa nenhuma. Multides tm chegado a crer que os 
espritos dos mortos  que so os espritos ministradores, enviados para servir a 
favor daqueles que ho de herdar a salvao. E isto apesar do testemunho das 
Escrituras quanto  existncia dos anjos celestiais, e sua relao com a histria do 
homem, antes da morte de qualquer ser humano.
A doutrina da conscincia do homem na morte, especialmente a crena de que os 
espritos dos mortos voltam para ministrar aos vivos, abriu caminho para o 
moderno espiritismo. Se os mortos so admitidos  presena de Deus e dos santos 
anjos e se so favorecidos com conhecimentos que superam em muito o que antes 
possuam, por que no voltariam eles  Terra para iluminar e instruir os vivos? Se 
conforme  ensinado pelos telogos populares, os espritos dos mortos esto a 
pairar sobre seus amigos na Terra, por que no lhes seria permitido comunicar-se 
com eles, a fim de os advertir contra o
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mal, ou consol-los na tristeza? Como podem os que crem no estado consciente 
dos mortos rejeitar o que lhes vem como luz divina transmitida por espritos 
glorificados? Eis a um meio de comunicao considerado sagrado, e de que 
Satans se vale para realizar seus propsitos. Os anjos decados que executam 
suas ordens, aparecem como mensageiros do mundo dos espritos. Ao mesmo 
tempo em que professam trazer os vivos em comunicao com os mortos, o 
prncipe do mal sobre eles exerce sua influncia fascinante.
Ele tem poder para fazer surgir perante os homens a aparncia de seus amigos 
falecidos. A contrafao  perfeita; a expresso familiar, as palavras, o tom da 
voz, so reproduzidos com maravilhosa exatido. Muitos so consolados com a 
afirmativa de que seus queridos esto gozando a ventura celestial; e, sem 
suspeita de perigo, do ouvidos a espritos enganadores, e doutrinas de 
demnios.
Induzindo-os Satans a crer que os mortos efetivamente voltam para comunicar-
se com eles, faz o maligno com que apaream os que baixaram ao tmulo sem 
estarem preparados. Pretendem estar felizes no Cu, e mesmo ocupar ali elevadas 
posies; e assim  largamente ensinado o erro de que nenhuma diferena se faz 
entre justos e mpios. Os pretensos visitantes do mundo dos espritos algumas 
vezes proferem avisos e advertncias que se demonstram corretos. Ento, estando 
ganha a confiana, apresentam doutrinas que solapam diretamente a f nas 
Escrituras. Com a aparncia de profundo interesse no bem-estar de seus amigos 
na Terra, insinuam os mais perigosos erros. O fato de declararem algumas 
verdades e poderem por vezes predizer acontecimentos futuros, d s suas 
declaraes uma aparncia de crdito; e seus falsos ensinos so to de pronto 
aceitos pelas multides, e to implicitamente cridos, como se fossem as mais 
sagradas verdades da Bblia. A lei de Deus  posta de parte, desprezado o Esprito 
da graa, o sangue do concerto tido em conta de coisa profana. Os espritos 
negam a divindade de Cristo, colocando o prprio Criador no mesmo nvel em que 
esto. Assim, sob novo
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Pg. 553
disfarce, o grande rebelde ainda prossegue com sua luta contra Deus  luta 
iniciada no Cu, e durante quase seis mil anos continuada na Terra.
Muitos se esforam por explicar as manifestaes espritas, atribuindo-as 
inteiramente a fraudes e prestidigitao por parte do mdium. Mas, conquanto 
seja verdade que os resultados da trapaa tenham muitas vezes sido apresentados 
como manifestaes genunas, tem havido tambm assinaladas exibies de poder 
sobrenatural. As pancadas misteriosas com que o espiritismo moderno se iniciou, 
no foram resultado de trapaa ou artifcio humano, mas obra direta dos anjos 
maus, que assim introduziam um engano dos mais eficazes para a destruio das 
almas. Muitos sero enredados pela crena de que o espiritismo seja meramente 
impostura humana; quando postos em face de manifestaes que no podem 
seno considerar como sobrenaturais, sero enganados e levados a aceit-las 
como o grande poder de Deus.
Estas pessoas no tomam em considerao o testemunho das Escrituras relativo 
s maravilhas operadas por Satans e seus agentes. Foi por auxlio satnico que 
os magos de Fara puderam contrafazer a obra de Deus. Paulo testifica que antes 
do segundo advento de Cristo haver manifestaes semelhantes do poder 
satnico. A vinda do Senhor deve ser precedida da operao de Satans com todo 
o poder, e sinais e prodgios de mentira, e com todo o engano da injustia. II 
Tess. 2:9 e 10. E o apstolo Joo, descrevendo o poder efetuador de prodgios que 
se manifestar nos ltimos dias, declara: Faz grandes sinais, de maneira que at 
fogo faz descer do cu  Terra,  vista dos homens. E engana os que habitam na 
Terra com sinais que foi permitido que fizesse. Apoc. 13:13 e 14. No se acham 
aqui preditas meras imposturas. Os homens so enganados por sinais que os 
agentes de Satans tm poder para fazer, e no pelo que pretendam realizar.
O prncipe das trevas, que durante tanto tempo tem aplicado na obra do engano 
as faculdades de seu esprito superior, adapta habilmente suas tentaes aos 
homens de todas as
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Pg. 554
classes e condies. A pessoas de cultura e educao apresenta o espiritismo em 
seus aspectos mais apurados e intelectuais, e assim consegue atrair muitos  sua 
cilada. A sabedoria que o espiritismo comunica  aquela descrita pelo apstolo 
Tiago, a qual no vem do alto, mas  terrena, animal e diablica. Tia. 3:15. Isto, 
entretanto, o grande enganador esconde, quando o encobrimento melhor convm 
ao propsito visado. Aquele que, perante Cristo, no deserto da tentao, pde 
aparecer vestido com o resplendor dos serafins celestiais, vem aos homens da 
maneira mais atrativa, como anjo de luz. Apela para a razo, apresentando 
assuntos que elevam; deleita a imaginao com cenas arrebatadoras; conquista a 
afeio por meio de quadros eloqentes de amor e caridade. Excita a imaginao a 
vos altaneiros, levando os homens a terem grande orgulho de sua prpria 
sabedoria a ponto de em seu corao desdenharem o Eterno. Aquele ser poderoso 
que pde levar o Redentor do mundo a um monte muito alto, e mostrar-Lhe todos 
os reinos da Terra e a glria dos mesmos, apresentar aos homens as suas 
tentaes de maneira a perverter o senso de todos os que no estejam escudados 
no poder divino.
Como a Eva no den, Satans hoje seduz os homens pela lisonja, despertando-
lhes o desejo de obter conhecimento proibido, tornando-os ambiciosos de 
exaltao prpria. Foi o acariciar estes males que lhe ocasionou a queda, e por 
meio deles visa conseguir a runa dos homens. Sereis como Deus, declara ele, 
sabendo o bem e o mal. Gn. 3:5. O espiritismo ensina que o homem  criatura 
susceptvel de progresso; que  seu destino progredir, desde o nascimento, at  
eternidade, em direo  Divindade. E ainda: Cada esprito julgar a si mesmo, e 
no a outro. O juzo ser correto, porque  o juzo de si mesmo.  O tribunal 
est dentro de vs. Disse um ensinador esprita, ao despertar-se nele a 
conscincia espiritual: Meus semelhantes foram todos eles semideuses no 
cados. E outro declara: Todo ser justo e perfeito  Cristo.
Assim, em lugar da justia e perfeio do Deus infinito,
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verdadeiro objeto de adorao; em lugar da justia perfeita de Sua lei, a 
verdadeira norma da perfeio humana, ps Satans a natureza pecaminosa, 
falvel do prprio homem, como nico objeto de adorao, a nica regra para o 
juzo, ou norma de carter. Isto  progresso, no para cima, mas para baixo.
 lei, tanto da natureza intelectual como da espiritual, que, pela contemplao, 
nos transformamos. O esprito gradualmente se adapta aos assuntos com os quais 
lhe  permitido ocupar-se. Identifica-se com aquilo que est acostumado a amar e 
reverenciar. Jamais se levantar o homem acima de sua norma de pureza, de 
bondade ou de verdade. Se o eu  o seu mais alto ideal, nunca atingir ele 
qualquer coisa mais elevada. Antes, cair constantemente. A graa de Deus 
unicamente tem poder para soerguer o homem. Abandonado a si mesmo, seu 
caminho inevitavelmente ser em direo descendente.
Ao que condescende consigo mesmo, ao amante de prazeres, ao sensual, 
apresenta-se o espiritismo sob disfarce menos sutil do que aos mais educados e 
intelectuais; em suas formas mais grosseiras encontram aqueles o que est em 
harmonia com as suas inclinaes. Satans estuda todo indcio da fragilidade da 
natureza humana; nota os pecados que cada indivduo  inclinado a cometer, e 
ento cuida em que no faltem oportunidades para satisfazer a tendncia para o 
mal. Tenta os homens ao excesso naquilo que em si mesmo  lcito, fazendo-os 
pela intemperana enfraquecer as faculdades fsicas, mentais e morais. Tem 
destrudo e est a destruir milhares por meio da satisfao das paixes, 
embrutecendo assim toda a natureza do homem. E, para completar a sua obra, 
declara por meio dos espritos que o verdadeiro conhecimento coloca o homem 
acima de toda a lei; que tudo est certo; que Deus no condena; e que todos 
os pecados que se cometem, so inocentes. Sendo o povo assim levado a crer 
que o desejo  a mais elevada lei, que a liberdade  a libertinagem, e que o 
homem  apenas responsvel a si mesmo, quem poder maravilhar-se de que a 
corrupo e a depravao proliferem por toda
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parte? Multides aceitam avidamente os ensinos que as deixam em liberdade para 
obedecer aos impulsos do corao carnal. As rdeas do domnio prprio so 
dirigidas pela concupiscncia, as faculdades do esprito e da alma so submetidas 
s inclinaes animais, e Satans exultantemente, para a sua rede arrasta 
milhares que professam ser seguidores de Cristo.
Mas ningum deve enganar-se pelas mentirosas pretenses do espiritismo. Deus 
deu ao mundo luz suficiente para habilit-lo a descobrir a cilada. Conforme j se 
mostrou, a teoria que constitui o fundamento mesmo do espiritismo est em 
contradio com as mais terminantes declaraes das Escrituras. A Bblia declara 
que os mortos no sabem coisa nenhuma, que seus pensamentos pereceram; que 
no tm parte em nada que se faz debaixo do Sol; nada sabem das alegrias ou 
tristezas dos que lhes eram os mais caros na Terra.
Demais, Deus proibiu expressamente toda pretensa comunicao com os espritos 
dos mortos. Nos dias dos hebreus, havia uma classe de pessoas que pretendiam, 
como o fazem os espritas de hoje, entreter comunicao com os mortos. Mas 
esses espritos familiares como eram chamados os visitantes de outros mundos, 
declara a Bblia serem espritos de demnios (comparar Nm. 25:1-3; Sal. 
106:28; I Cor. 10:20; Apoc. 16:14). O costume de tratar com os espritos 
familiares foi denunciado como abominao ao Senhor, e solenemente proibido sob 
pena de morte (Lev. 19:31; 20:27). O prprio nome de feitiaria  hoje tido em 
desdm. A pretenso de que os homens podem entreter comunicaes com os 
espritos maus  considerada como fbula da Idade Mdia. O espiritismo, porm, 
que conta centenas de milhares, e na verdade, milhes de adeptos, que teve 
ingresso nos centros cientficos, invadiu igrejas e alcanou favor nas corporaes 
legislativas e mesmo nas cortes reais, esse grande engano  no  seno o 
reaparecimento, sob novo disfarce, da feitiaria condenada e proibida na 
antiguidade.
Se no existissem outras provas do verdadeiro carter do espiritismo, bastaria ao 
cristo o fato de que os espritos no
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fazem diferena entre a justia e o pecado, entre os mais nobres e puros dos 
apstolos de Cristo e os mais corruptos dos servos de Satans. Representando os 
mais vis dos homens como se estivessem no Cu, altamente exaltados, diz 
Satans ao mundo: No importa quo mpios sejais; no importa que creiais ou 
no em Deus e na Bblia. Vivei como vos agradar; o Cu ser o vosso destino. Os 
ensinadores espritas virtualmente declaram: Qualquer que faz o mal passa por 
bom aos olhos do Senhor, e desses  que Ele Se agrada; ou onde est o Deus do 
juzo? Mal. 2:17. Diz a Palavra de Deus: Ai dos que ao mal chamam bem, e ao 
bem mal; que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade. Isa. 5:20.
Os apstolos, conforme os personificam esses espritos de mentira, so 
apresentados contradizendo o que escreveram, sob a inspirao do Esprito Santo, 
quando estavam na Terra. Negam a origem divina da Escritura Sagrada, estando 
assim a demolir o fundamento da esperana crist e a extinguir a luz que revela o 
caminho do Cu. Satans est fazendo o mundo crer que a Escritura Sagrada  
mera fico, ou ao menos um livro apropriado s eras primitivas, devendo hoje ser 
considerado com menosprezo, ou rejeitado como obsoleto. E para substituir a 
Palavra de Deus, exibe as manifestaes espritas.  este um meio inteiramente 
sob seu domnio; mediante ele -lhe possvel fazer o mundo acreditar o que lhe 
aprouver. O livro que deve julgar a ele e a seus seguidores, lana-o  obscuridade, 
precisamente o que lhe convm; o Salvador do mundo ele O representa como 
sendo nada mais que homem comum. E, assim como a guarda romana que vigiou 
o tmulo de Jesus espalhou a notcia mentirosa que os sacerdotes e ancios lhes 
puseram na boca para negar Sua ressurreio, os que crem em manifestaes 
espritas procuram fazer parecer que nada h de miraculoso nas circunstncias da 
vida de nosso Salvador. Depois de procurar desta maneira pr Jesus  sombra, 
chama a ateno para os seus prprios milagres, declarando que estes excedem 
em muito as obras de Cristo.
 verdade que o espiritismo hoje est mudando a sua forma, e, ocultando alguns 
de seus mais reprovveis aspectos,
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reveste-se de aparncia crist. Mas as suas declaraes pela tribuna e pela 
imprensa tm estado perante o pblico durante muitos anos, e nelas o seu 
verdadeiro carter se acha revelado. Estes ensinos no podem ser negados nem 
encobertos.
Mesmo em sua forma atual, longe de ser mais tolervel do que o foi 
anteriormente,  na verdade um engano mais perigoso, por isso que mais sutil. 
Embora antes atacasse a Cristo e a Escritura Sagrada, hoje professa aceitar a 
ambos. Mas a Bblia  interpretada de molde a agradar ao corao no regenerado, 
enquanto suas verdades solenes e vitais so anuladas. Preocupa-se com o amor, 
como o principal atributo de Deus, rebaixando-o, porm, at reduzi-lo a 
sentimentalismo, pouca distino fazendo entre o bem e o mal. A justia de Deus, 
Sua reprovao ao pecado, os requisitos de Sua santa lei, tudo isto  posto de 
parte. O povo  ensinado a considerar o declogo como letra morta. Fbulas 
aprazveis, fascinantes, cativam os sentidos, levando os homens a rejeitar as 
Sagradas Escrituras como o fundamento da f. Cristo  to verdadeiramente 
negado como antes; mas Satans a tal ponto cegou o povo que o engano no pode 
ser discernido.
Poucos h que tenham justa concepo do poder enganador do espiritismo e do 
perigo de colocar-se sob sua influncia. Muitos se intrometem com ele, 
simplesmente para satisfazer a curiosidade. No tm realmente nenhuma f nele, 
e encher-se-iam de horror ao pensamento de se entregarem ao domnio dos 
espritos. Aventuram-se, porm, a entrar no terreno proibido e o poderoso 
destruidor exerce a sua fora sobre eles contra a sua vontade. Uma vez induzidos 
a submeter a mente  sua direo, segura-os ele em cativeiro.  impossvel pela 
sua prpria fora romperem com o fascinante, sedutor encanto. Nada, a no ser o 
poder de Deus, concedido em resposta  fervorosa orao da f, poder livrar 
essas almas prisioneiras.
Todos os que condescendem com traos pecaminosos de carter, ou 
voluntariamente acariciam um pecado conhecido, esto a atrair as tentaes de 
Satans. Separam-se de Deus e
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do vigilante cuidado de Seus anjos; apresentando o maligno os seus enganos, 
esto indefesos, tornando-se presa fcil. Os que assim se colocam em seu poder, 
no compreendem onde terminar seu caminho. Tendo-os subjugado por 
completo, o tentador os emprega como agentes para levar outros  runa.
Diz o profeta Isaas: Quando vos disserem: Consultai os que tm espritos 
familiares, e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes  no 
recorrer um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-o os mortos?  
lei e ao Testemunho! se eles no falarem segundo esta palavra, nunca vero a 
alva. Isa. 8:19 e 20. Se os homens tivessem estado dispostos a receber a 
verdade to claramente apresentada nas Escrituras, concernente  natureza do 
homem e ao estado dos mortos, veriam nas pretenses e manifestaes do 
espiritismo a operao de Satans com poder, sinais e prodgios de mentira. Mas 
ao invs de renunciar  liberdade to agradvel ao corao carnal, assim como aos 
pecados que amam, as multides fecham os olhos  luz e prosseguem em seus 
caminhos, sem tomar em considerao as advertncias, ao mesmo tempo em que 
Satans lhes tece em torno as suas armadilhas, fazendo-os presa sua. Porque no 
receberam o amor da verdade para se salvarem, Deus lhes enviar a operao 
do erro, para que creiam a mentira. II Tess. 2:10 e 11.
Os que se opem aos ensinos do espiritismo, enfrentam no somente aos homens, 
mas tambm a Satans e a seus anjos. Entraram em luta contra os principados, 
potestades e espritos maus dos ares. Satans no ceder um centmetro de 
terreno sequer, a menos que seja rechaado pelo poder dos mensageiros 
celestiais. O povo de Deus deve ser capaz de o enfrentar, como fez nosso 
Salvador, com as palavras: Est escrito. Satans pode citar a Escritura hoje, 
como o fez nos dias de Cristo, pervertendo-lhe os ensinos para apoiar seus 
enganos. Os que quiserem estar em p neste tempo de perigo, devem 
compreender por si mesmos o testemunho das Escrituras.
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Muitos sero defrontados por espritos de demnios personificando parentes ou 
amigos queridos, e declarando as mais perigosas heresias. Estes visitantes 
apelaro para os nossos mais ternos sentimentos de simpatia, efetuando prodgios 
para apoiarem suas pretenses. Devemos estar preparados para resistir a eles 
com a verdade bblica de que os mortos nada sabem, e de que os que desta 
maneira aparecem so espritos de demnios.
Est iminente diante de ns a hora da tentao que h de vir sobre todo o 
mundo, para tentar os que habitam na Terra. Apoc. 3:10. Todos aqueles cuja f 
no estiver firmemente estabelecida na Palavra de Deus, sero enganados e 
vencidos. Satans opera com todo o engano da injustia, para alcanar domnio 
sobre os filhos dos homens; e os seus enganos aumentaro continuamente. S 
lograr alcanar, porm, o objetivo visado, quando os homens voluntariamente 
cederem a suas tentaes. Os que sinceramente buscam o conhecimento da 
verdade, e se esforam em purificar a alma pela obedincia, fazendo assim o que 
podem a fim de preparar-se para o conflito, encontraro refgio seguro no Deus da 
verdade. Como guardaste a palavra da Minha pacincia, tambm Eu te guardarei 
(Apoc. 3:10),  a promessa do Salvador. Mais fcil seria enviar Ele todos os anjos 
do Cu para protegerem Seu povo, do que deixar a alma que nEle confia ser 
vencida por Satans.
O profeta Isaas descreve a terrvel iluso que vir sobre os mpios, levando-os a 
considerar-se seguros contra os juzos de Deus: Fizemos concerto com a morte, e 
com o inferno fizemos aliana; quando passar o dilvio do aoite, no chegar a 
ns, porque pusemos a mentira por nosso refgio, e debaixo da falsidade nos 
escondemos. Isa. 28:15. Na classe aqui descrita esto includos os que, em 
obstinada impenitncia, se consolam com a segurana de que dever haver 
castigo para o pecador; de que toda a humanidade, no importa quo corruptas 
sejam as pessoas, ser elevada at aos Cus, para se tornar como os anjos de 
Deus. Entretanto, de modo ainda mais declarado
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esto a fazer concerto com a morte e aliana com o inferno os que renunciam s 
verdades que o Cu proveu como defesa aos justos no tempo de angstia, e 
aceitam o falso abrigo oferecido por Satans em lugar daquelas, a saber, as 
sedutoras pretenses do espiritismo.
 sobremaneira admirvel a cegueira do povo desta gerao. Milhares rejeitam a 
Palavra de Deus como indigna de crdito, e com absoluta confiana esposam os 
enganos de Satans. Cpticos e escarnecedores acusam o fanatismo dos que 
contendem pela f dos profetas e apstolos, e divertem-se ridicularizando as 
declaraes solenes das Escrituras referentes a Cristo, ao plano da salvao e ao 
castigo que aguarda os que rejeitam a verdade. Aparentam grande piedade por 
espritos to acanhados, fracos e supersticiosos que reconheam as reivindicaes 
de Deus e obedeam aos requisitos de Sua lei. Manifestam tamanha segurana 
como se na verdade, houvesse feito um concerto com a morte e uma aliana com 
o inferno  como se houvessem erigido uma barreira intransponvel, impenetrvel, 
entre si e a vingana de Deus. Nada lhes pode suscitar temores. To 
completamente se tm entregue ao tentador, to intimamente se acham com ele 
unidos e to imbudos de seu esprito, que no tm poder nem inclinao para 
desembaraar-se de suas ciladas.
Satans tem h muito estado a preparar-se para um esforo final a fim de enganar 
o mundo. O fundamento de sua obra foi posto na declarao feita a Eva no den: 
Certamente no morrereis. No dia em que dele comerdes, se abriro os vossos 
olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. Gn. 3:4 e 5. Pouco a pouco 
ele tem preparado o caminho para a sua obra-mestra de engano: o 
desenvolvimento do espiritismo. At agora no logrou realizar completamente 
seus desgnios; mas estes sero atingidos no fim dos ltimos tempos. Diz o 
profeta: Vi  trs espritos imundos semelhantes a rs.  So espritos de 
demnios, que fazem prodgios; os quais vo
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ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele 
grande dia do Deus todo-poderoso. Apoc. 16:13 e 14. Com exceo dos que so 
guardados pelo poder de Deus, pela f em Sua Palavra, o mundo todo ser 
envolvido por esse engano. O povo est rapidamente adormecendo, acalentado 
por uma segurana fatal, para unicamente despertar com o derramamento da ira 
de Deus.
Diz o Senhor Deus: Regrarei o juzo pela linha, e a justia pelo prumo, e a saraiva 
varrer o refgio da mentira, e as guas cobriro o esconderijo: E o vosso 
concerto com a morte se anular; e a vossa aliana com o inferno no subsistir; 
e, quando o dilvio do aoite passar, ento sereis oprimidos por ele. Isa. 28:17 e 
18.
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Ameaa  Conscincia
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O romanismo  hoje olhado pelos protestantes com muito maior favor do que anos 
atrs. Nos pases em que o catolicismo no est na ascendncia, e os romanistas 
adotam uma poltica conciliatria a fim de a conseguir, h crescente indiferena 
com relao s doutrinas que separam as igrejas reformadas da hierarquia papal; 
ganha terreno a opinio de que, em ltima anlise, no diferimos to grandemente 
em pontos vitais como se supunha, e de que pequenas concesses de nossa parte 
nos levaro a melhor entendimento com Roma. Houve tempo em que os 
protestantes davam alto valor  liberdade de conscincia a to elevado preo 
comprada. Ensinavam os filhos a aborrecer o papado, e sustentavam que buscar 
harmonia com Roma seria deslealdade para com Deus. Mas quo diferentes so os 
sentimentos hoje expressos!
Os defensores do papado afirmaram que a igreja foi caluniada; e o mundo 
protestante inclina-se a aceitar esta declarao. Muitos insistem em que  injusto 
julgar a igreja de hoje pelas abominaes e absurdos que assinalaram seu domnio 
durante os sculos de ignorncia e trevas. Desculpam sua horrvel crueldade como 
sendo o resultado da barbrie dos tempos, e alegam que a influncia da civilizao 
moderna lhe mudou os sentimentos.
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Olvidaram estas pessoas a pretenso de infalibilidade sustentada h oitocentos 
anos por esse altivo poder? Longe de ser abandonada, firmou-se esta pretenso no 
sculo XIX de modo mais positivo que nunca dantes. Visto como Roma afirma que 
a igreja nunca errou nem, segundo as Escrituras, errar jamais (Histria 
Eclesistica de Mosheim), como poder ela renunciar aos princpios que lhe 
nortearam a conduta nas eras passadas?
A igreja papal nunca abandonar a sua pretenso  infalibilidade. Tudo que tem 
feito em perseguio dos que lhe rejeitam os dogmas, considera ela estar direito; 
e no repetiria os mesmos atos se a oportunidade se lhe apresentasse? Removam-
se as restries ora impostas pelos governos seculares, reintegre-se Roma ao 
poderio anterior, e de pronto ressurgir a tirania e perseguio.
Bem conhecido escritor refere-se nos seguintes termos  atitude da hierarquia 
papal no que respeita  liberdade de conscincia, e aos perigos que ameaam 
especialmente os Estados Unidos pelo xito de sua poltica:
H muitos que se dispem a atribuir ao fanatismo ou  infantilidade todo receio 
quanto ao catolicismo romano nos Estados Unidos. Tais pessoas nada vem no 
carter e atitude do romanismo que seja hostil s nossas instituies livres, ou 
nada encontram de mau sinal no incremento que vai tomando. Comparemos, pois, 
em primeiro lugar, alguns dos princpios fundamentais de nosso governo com os 
da Igreja Catlica.
A Constituio dos Estados Unidos garante liberdade de conscincia. Nada se 
preza mais ou  de maior transcendncia. O Papa Pio IX, na encclica de 15 de 
agosto de 1854, disse: As doutrinas ou extravagncias absurdas e errneas em 
defesa da liberdade de conscincia, so erro dos mais perniciosos  uma peste 
que, dentre todas as outras, mais deve ser temida no Estado. O mesmo papa, na 
encclica de 8 de dezembro de 1864, anatematizou os que defendem a liberdade 
de conscincia e
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de culto e tambm todos os que afirmam que a igreja no pode empregar a 
fora.
O tom pacfico usado por Roma nos Estados Unidos no implica mudana de 
corao.  tolerante onde  impotente. Diz o Bispo OConnor: A liberdade religiosa 
 meramente suportada at que o contrrio possa ser levado a efeito sem perigo 
para o mundo catlico.  O arcebispo de St. Louis, Estados Unidos, disse certa 
vez: A heresia e a incredulidade so crimes; e em pases cristos como a Itlia e a 
Espanha, por exemplo, onde todo o povo  catlico, e onde a religio catlica  
parte essencial da lei da nao, so elas punidas como os outros crimes. 
Todo cardeal, arcebispo e bispo da Igreja Catlica, presta para com o papa um 
juramento de fidelidade em que ocorrem as seguintes palavras: Combaterei os 
hereges, cismticos e rebeldes ao dito senhor nosso (o papa), ou seus sucessores, 
e persegui-los-ei com todo o meu poder.  Our Country, do Dr. Josias Strong.
 certo que h verdadeiros cristos na comunho catlico-romana. Milhares na 
dita igreja esto servindo a Deus segundo a melhor luz que possuem. No se lhes 
permite acesso  Sua Palavra, e, portanto, no distinguem a verdade. Nunca viram 
o contraste entre um verdadeiro culto prestado de corao e um conjunto de 
meras formas e cerimnias. Deus olha para essas almas com compadecida 
ternura, educadas como so em uma f que  ilusria e no satisfaz. Far com que 
raios de luz penetrem as densas trevas que as cercam. Revelar-lhes- a verdade 
como  em Jesus, e muitos ainda se uniro ao Seu povo.
Mas o romanismo, como sistema no se acha hoje em harmonia com o evangelho 
de Cristo mais do que em qualquer poca passada de sua histria. As igrejas 
protestantes esto em grandes trevas, pois do contrrio discerniriam os sinais dos 
tempos. So de grande alcance os planos e modos de operar da Igreja de Roma. 
Emprega todo expediente para estender a influncia e aumentar o poderio, 
preparando-se para um conflito
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feroz e decidido a fim de readquirir o domnio do mundo, restabelecer a 
perseguio e desfazer tudo que o protestantismo fez. O catolicismo est a ganhar 
terreno de todos os lados. Vede o nmero crescente de suas igrejas e capelas nos 
pases protestantes. Notai a popularidade de seus colgios e seminrios na 
Amrica do Norte, to extensamente patrocinados pelos protestantes. Pensai no 
crescimento do ritualismo na Inglaterra, e nas freqentes deseres para as 
fileiras dos catlicos. Estas coisas deveriam despertar a ansiedade de todos os que 
prezam os puros princpios do evangelho.
Os protestantes tm-se intrometido com o papado, patrocinando-o; tm usado de 
transigncia e feito concesses que os prprios romanistas se surpreendem de ver 
e no compreendem. Os homens cerram os olhos ao verdadeiro carter do 
romanismo, e aos perigos que se devem recear com a sua supremacia. O povo 
necessita ser despertado a fim de resistir aos avanos deste perigosssimo inimigo 
da liberdade civil e religiosa.
Muitos protestantes supem que a religio catlica no  atrativa, e que seu culto 
 um conjunto de cerimnias, fastidioso e sem sentido. Enganam-se, porm. 
Embora o romanismo se baseie no engano, no  impostura grosseira e desprovida 
de arte. O culto da Igreja Romana  um cerimonial assaz impressionante. O brilho 
de sua ostentao e a solenidade dos ritos fascinam os sentidos do povo, fazendo 
silenciar a voz da razo e da conscincia. Os olhos ficam encantados. Igrejas 
magnificentes, imponentes procisses, altares de ouro, relicrios com pedras 
preciosas, quadros finos e artsticas esculturas apelam para o amor do belo. O 
ouvido tambm  cativado. A msica  excelente. As belas e graves notas do 
rgo, misturando-se  melodia de muitas vozes a ressoarem pelas elevadas 
abbadas e naves ornamentadas de colunas, das grandiosas catedrais, no podem 
deixar de impressionar a mente com profundo respeito e reverncia.
Este esplendor, pompa e cerimnias exteriores, que apenas zombam dos anelos da 
alma ferida pelo pecado, so evidncia da corrupo interna. A religio de Cristo 
no necessita de semelhantes atrativos para se fazer recomendvel.  luz que 
promana da cruz, o verdadeiro cristianismo apresenta-se to puro e
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adorvel que decoraes externas nenhumas podero encarecer-lhe o verdadeiro 
valor.  a beleza da santidade, o esprito manso e quieto, que  precioso diante de 
Deus.
O fulgor do estilo no  necessariamente ndice de pensamento puro, elevado. 
Altas concepes de arte, delicado apuro de gosto, existem amide em espritos 
que so terrenos e sensuais. So freqentemente empregados por Satans a fim 
de levar homens a esquecer-se das necessidades da alma, a perder de vista o 
futuro e a vida imortal, a desviar-se do infinito Auxiliador e a viver para este 
mundo unicamente.
Uma religio de exibies externas  atraente ao corao no renovado. A pompa 
e cerimonial do culto catlico tm um sedutor, fascinante poder, pelos quais so 
enganados muitos, que chegam a considerar a Igreja Romana como a prpria 
porta do Cu. Ningum, a no ser os que tm os ps firmados nos fundamentos da 
verdade, e o corao renovado pelo Esprito de Deus, se acha ao abrigo de sua 
influncia. Milhares que no tm um conhecimento experimental de Cristo sero 
levados a aceitar as formas da piedade sem a sua eficcia. Esta  a religio que 
precisamente desejam as multides.
A pretenso da igreja ao direito de perdoar, leva o romanista a sentir-se com 
liberdade de pecar; e a ordenana da confisso, sem a qual o perdo no  
conferido, tende igualmente a dar livre curso ao mal. O que se ajoelha diante de 
um mortal e revela em confisso os pensamentos e imaginaes secretos do 
corao, est aviltando a sua varonilidade, degradando todo nobre instinto da 
alma. Desvendando os pecados de sua vida a um sacerdote  mortal falvel, 
pecador, e mui freqentemente corrompido pelo vinho e licenciosidade  sua 
norma de carter  rebaixada, e, como conseqncia, fica contaminado. Seu 
conceito acerca de Deus  degradado  semelhana da humanidade decada; pois 
o padre se acha como representante de Deus. Esta degradante confisso de 
homem para homem  a fonte secreta donde tm fludo muitos dos males que 
aviltam o mundo e o preparam para a destruio final. Todavia, para o
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que ama a satisfao prpria,  mais agradvel confessar a um semelhante mortal 
do que abrir a alma a Deus. Fica mais a gosto da natureza humana fazer 
penitncia do que renunciar ao pecado;  mais fcil mortificar a carne com cilcio, 
urtigas e aflitivas cadeias, do que crucificar os desejos carnais. Pesado  o fardo 
que o corao carnal deseja levar de preferncia a curvar-se ao jugo de Cristo.
Existia notvel semelhana entre a Igreja de Roma e a igreja judaica, ao tempo do 
primeiro advento de Cristo. Ao passo que os judeus secretamente espezinhavam 
todos os princpios da lei de Deus, eram exteriormente rigorosos na observncia 
de seus preceitos, sobrecarregando-a com exorbitncias e tradies que tornavam 
difcil e penosa a obedincia. Assim como os judeus professavam reverenciar a lei, 
pretendem os romanistas reverenciar a cruz. Exaltam o smbolo dos sofrimentos 
de Cristo, enquanto no viver negam Aquele a quem ela representa.
Os romanistas colocam cruzes sobre as igrejas, sobre os altares e sobre as vestes. 
Por toda parte se v a insgnia da cruz. Por toda parte  ela exteriormente honrada 
e exaltada. Mas os ensinos de Cristo esto sepultados sob um monto de tradies 
destitudas de sentido, falsas interpretaes e rigorosas exigncias. As palavras do 
Salvador relativas aos fanticos judeus, aplicam-se com maior fora ainda aos 
chefes da Igreja Catlica Romana: Atam fardos pesados e difceis de suportar, e 
os pem aos ombros dos homens; eles, porm, nem com o dedo os querem 
mover. Mat. 23:4. Almas conscienciosas so conservadas em constante terror, 
temendo a ira de um Deus que foi ofendido, enquanto muitos dos dignitrios da 
igreja esto a viver no luxo e em prazeres sensuais.
O culto das imagens e relquias, a invocao dos santos e a exaltao do papa so 
ardis de Satans para desviar de Deus e de Seu Filho a mente do povo. Para 
efetuar sua runa, esfora-se por afastar sua ateno dAquele por meio de quem 
unicamente podem encontrar salvao. Dirigir as almas para qualquer objeto pelo 
qual possa ser substitudo Aquele que disse:
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Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Mat. 
11:28.
 o constante esforo de Satans representar falsamente o carter de Deus, a 
natureza do pecado e os resultados finais em jogo no grande conflito. Seus 
sofismas diminuem a obrigao da lei divina dando ao homem licena para pecar. 
Ao mesmo tempo f-lo Satans acariciar falsas concepes acerca de Deus, de 
maneira que O considera com temor e dio, em vez de amor. A crueldade inerente 
ao seu prprio carter  atribuda ao Criador; aparece incorporada aos vrios 
sistemas de religio e expressa nas diversas formas de culto. Sucede assim que a 
mente dos homens  cegada e Satans deles se aproveita como agentes para 
guerrear contra Deus. Por meio de concepes pervertidas acerca dos atributos 
divinos, foram as naes gentlicas levadas a crer serem os sacrifcios humanos 
necessrios para alcanar o favor da Divindade; e horrveis crueldades tm sido 
perpetradas sob as vrias formas de idolatria.
A Igreja Catlica Romana, unindo as formas do paganismo com as do cristianismo, 
e,  semelhana do primeiro, representando falsamente o carter de Deus, tem 
recorrido a prticas no menos cruis e revoltantes. Nos dias da supremacia de 
Roma, houve instrumentos de tortura para forar o assentimento a suas doutrinas. 
Houve a fogueira para os que no queriam admitir suas exigncias. Houve 
massacres em propores que jamais sero conhecidos at que se revelem no dia 
do juzo. Os dignitrios da igreja, dirigidos por seu chefe Satans, dedicavam-se a 
inventar meios para produzir a maior tortura possvel antes de pr termo  vida 
das vtimas. Em muitos casos o processo infernal era repetido ao limite extremo 
da resistncia humana, at que a natureza capitulava na luta e o sofredor saudava 
a morte como doce alvio.
Esta era a sorte dos que discordavam de Roma. Para os seus adeptos tinha ela a 
disciplina do aoite, da fome, das austeridades corporais de todas as formas 
imaginveis, cujo aspecto punge o corao. Para conseguir o favor do Cu, os 
penitentes violavam as leis de Deus transgredindo as leis da Natureza. Eram 
ensinados a romper com os laos que Ele fizera para abenoar e alegrar a 
permanncia do homem na Terra. Os cemitrios das igrejas contm
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milhes de vtimas que passaram a vida em vos esforos para subjugar as 
afeies naturais, para reprimir, como se fosse ofensivo a Deus, todo pensamento 
e sentimento de simpatia para com o semelhante.
Se quisermos compreender a decidida crueldade de Satans, manifestada no 
transcurso dos sculos, no entre os que jamais ouviram algo acerca de Deus, mas 
no prprio corao da cristandade e atravs da mesma em toda a sua extenso, 
temos apenas de olhar para a histria do romanismo. Por meio deste gigantesco 
sistema de engano, o prncipe do mal leva a efeito seu propsito de acarretar a 
desonra a Deus e a desgraa ao homem. E, vendo ns como consegue disfarar-se 
e realizar a sua obra por intermdio dos dirigentes da igreja, melhor podemos 
compreender o motivo de ter to grande averso  Escritura Sagrada. Se este 
Livro for lido, a misericrdia e amor de Deus sero revelados; ver-se- que Ele no 
impe aos homens nenhum desses pesados fardos. Tudo que requer  um corao 
quebrantado e contrito, um esprito humilde e obediente.
Cristo no d em Sua vida nenhum exemplo que autorize os homens e mulheres a 
se encerrarem em mosteiros sob pretexto de se prepararem para o Cu. Jamais 
ensinou que o amor e a simpatia devem ser reprimidos. O corao de Jesus 
transbordava de amor. Quanto mais o homem se aproxima da perfeio moral, 
mais acentuada  sua sensibilidade, mais aguda a percepo do pecado e mais 
profunda a simpatia para com os aflitos. O papa pretende ser o vigrio de Cristo; 
mas como se poder comparar o seu carter com o de nosso Salvador? Viu-se 
alguma vez Cristo condenar homens  priso ou ao instrumento de tortura, porque 
no Lhe renderam homenagem como Rei do Cu? Acaso foi Sua voz ouvida a 
sentenciar  morte os que O no aceitaram? Quando foi menosprezado pelo povo 
da aldeia samaritana, o apstolo Joo se encheu de ira e perguntou: Senhor, 
queres que digamos que desa fogo do cu e os consuma, como Elias tambm o 
fez? Jesus olhou, compassivo, para o discpulo e censurou-lhe a severidade, 
dizendo: O Filho do homem no veio para destruir as almas dos homens, mas 
para salv-las. Luc. 9:54 e 56. Quo diferente do
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esprito manifestado por Cristo  o de Seu professo vigrio!
A Igreja de Roma apresenta hoje ao mundo uma fronte serena, cobrindo de 
justificaes o registro de suas horrveis crueldades. Vestiu-se com roupagens de 
aspecto cristo; no mudou, porm. Todos os princpios formulados pelo papado 
em pocas passadas, existem ainda hoje. As doutrinas inventadas nas tenebrosas 
eras ainda so mantidas. Ningum se deve iludir. O papado que os protestantes 
hoje se acham to prontos para honrar  o mesmo que governou o mundo nos 
dias da Reforma, quando homens de Deus se levantavam, com perigo de vida, a 
fim de denunciar sua iniqidade. Possui o mesmo orgulho e arrogante presuno 
que dele fizeram senhor sobre reis e prncipes, e reclamaram as prerrogativas de 
Deus. Seu esprito no  menos cruel e desptico hoje do que quando arruinou a 
liberdade humana e matou os santos do Altssimo.
O papado  exatamente o que a profecia declarou que havia de ser: a apostasia 
dos ltimos tempos (II Tess. 2:3 e 4). Faz parte de sua poltica assumir o carter 
que melhor cumpra o seu propsito; mas sob a aparncia varivel do camaleo, 
oculta o invarivel veneno da serpente. No se deve manter a palavra 
empenhada aos hereges, nem com pessoas suspeitas de heresias, declara Roma. 
 Histria do Conclio de Constana, de Lenfant. Dever esta potncia, cujo 
registro milenar se acha escrito com o sangue dos santos, ser hoje reconhecida 
como parte da igreja de Cristo?
No  sem motivo que se tem feito nos pases protestantes a alegao de que o 
catolicismo difere hoje menos do protestantismo do que nos tempos passados. 
Houve uma mudana; mas esta no se verificou no papado. O catolicismo na 
verdade em muito se assemelha ao protestantismo que hoje existe; pois o 
protestantismo moderno muito se distancia daquele dos dias da Reforma.
Tendo estado as igrejas protestantes  procura do favor do mundo, a falsa 
caridade lhes cegou os olhos. No vem seno que  direito julgar bem de todo o 
mal; e, como resultado
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inevitvel, julgaro finalmente mal de todo o bem. Em vez de permanecerem em 
defesa da f que uma vez foi entregue aos santos, esto hoje, por assim dizer, 
justificando Roma, por motivo de sua opinio inclemente para com ela, e rogando 
perdo pelo seu fanatismo.
Uma numerosa classe, mesmo dentre os que consideram o romanismo sem favor, 
pouco perigo percebe em seu poderio e influncia. Muitos insistem em que as 
trevas intelectuais e morais que prevaleceram durante a Idade Mdia favoreceram 
a propagao de seus dogmas, supersties e opresso, e que a inteligncia maior 
dos tempos modernos, a difuso geral do saber e a crescente liberalidade em 
matria de religio, vedam o avivamento da intolerncia e tirania. O prprio 
pensamento de que tal estado de coisas venha a existir nesta era esclarecida,  
ridicularizado.  verdade que grande luz intelectual, moral e religiosa resplandece 
sobre esta gerao. Das pginas abertas da santa Palavra de Deus, tem-se 
derramado luz do Cu sobre o mundo. Mas cumpre lembrar que quanto maior a luz 
concedida, maiores as trevas dos que a pervertem ou rejeitam.
Um estudo da Escritura Sagrada, feito com orao, mostraria aos protestantes o 
verdadeiro carter do papado, e os faria aborrec-lo e evit-lo; mas muitos so to 
sbios em seu prprio conceito que no sentem necessidade de humildemente 
buscar a Deus para que possam ser levados  verdade. Posto que se orgulhando 
de sua ilustrao, so ignorantes tanto sobre as Escrituras como a respeito do 
poder de Deus. Precisam de algum meio de acalmar a conscincia; e buscam o que 
menos espiritual e humilhante . O que desejam  um modo de esquecer a Deus, 
que passe por um modo de lembrar-se dEle. O papado est bem adaptado a 
satisfazer s necessidades de todos estes. Est preparado para as duas classes da 
humanidade, abrangendo o mundo quase todo: os que desejam salvar-se pelos 
prprios mritos, e os que desejam ser salvos em seus pecados. Eis aqui o segredo 
de seu poder.
Uma poca de grandes trevas intelectuais demonstrou-se favorvel ao xito do 
papado. Provar-se- ainda que um tempo
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de grande luz intelectual  igualmente favorvel a seu triunfo. Nos sculos 
antigos, quando os homens estavam sem a Palavra de Deus e sem conhecimento 
da verdade, seus olhos estavam vendados, e milhares se enredavam, no vendo a 
cilada que lhes era armada sob os ps. Nesta gerao muitos h cujos olhos se 
tornam ofuscados pelo resplendor das especulaes humanas  da falsamente 
chamada cincia; no percebem a rede e nela caem to facilmente como se 
estivessem de olhos vendados.  o intuito de Deus que as faculdades intelectuais 
do homem sejam tidas na conta de um dom proveniente de seu Criador, e 
empregadas no servio da verdade e da justia; mas, quando so acariciados o 
orgulho e a ambio, e os homens exaltam as suas prprias teorias acima da 
Palavra de Deus, pode ento a inteligncia causar maior dano que a ignorncia. 
Assim a falsa cincia da atualidade que mina a f nas Escrituras Sagradas, 
mostrar-se- to bem-sucedida no preparar o caminho para a aceitao do papado 
com seu formalismo aprazvel, como o fez a reteno do saber ao abrir o caminho 
para o seu engrandecimento na Idade Mdia.
No movimento ora em ao nos Estados Unidos a fim de conseguir para as 
instituies e usos da igreja o apoio do Estado, os protestantes esto a seguir as 
pegadas dos romanistas. Na verdade, mais que isto, esto abrindo a porta para o 
papado a fim de adquirir na Amrica do Norte protestante a supremacia que 
perdeu no Velho Mundo. E o que d maior significao a este movimento  o fato 
de que o principal objeto visado  a obrigatoriedade da observncia do domingo, 
prtica que se originou com Roma, e que ela alega como sinal de sua autoridade.  
o esprito do papado  esprito de conformidade com os costumes mundanos, com 
a venerao das tradies humanas acima dos mandamentos de Deus  que est 
embebendo as igrejas protestantes e levando-as a fazer a mesma obra de 
exaltao do domingo, a qual antes delas fez o papado.
Se o leitor deseja compreender que agentes atuaro na luta prestes a vir, no tem 
seno que investigar o relato dos meios que Roma empregou com o mesmo fito 
nos sculos passados.
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Se quiser saber como romanistas e protestantes, unidos, trataro os que 
rejeitarem seus dogmas, veja o esprito que Roma manifestou em relao ao 
sbado e seus defensores.
Editos reais, conclios gerais e ordenanas eclesisticas, apoiadas pelo poder 
secular, foram os passos por que a festividade pag alcanou posio de honra no 
mundo cristo. A primeira medida de ordem pblica impondo a observncia do 
domingo foi a lei feita por Constantino. (No ano 321.) Este edito exigia que o povo 
da cidade repousasse no venervel dia do Sol, mas permitia aos homens do 
campo continuarem com suas fainas agrcolas. Posto que virtualmente um 
estatuto pago, foi imposto pelo imperador depois de ser nominalmente aceito 
pelo cristianismo.
Como a ordem real no parecia substituir de modo suficiente a autoridade divina, 
Eusbio, bispo que procurava o favor dos prncipes e era amigo ntimo e adulador 
de Constantino, props a alegao de que Cristo transferira o sbado para o 
domingo. Nenhum testemunho das Escrituras, sequer, foi aduzido em prova da 
nova doutrina. O prprio Eusbio inadvertidamente reconhece sua falsidade, e 
indica os verdadeiros autores da mudan a Todas as coisas, diz ele, que se 
deveriam fazer no sbado ns as transferimos para o dia do Senhor.  Leis e 
Deveres Sabticos, de R. Cox. Mas o argumento do domingo, infundado como era, 
serviu para incentivar os homens a desprezarem o sbado do Senhor. Todos os 
que desejavam ser honrados pelo mundo, aceitaram a festividade popular.
Com o firme estabelecimento do papado, a obra da exaltao do domingo 
continuou. Durante algum tempo o povo se ocupou com trabalho agrcola fora das 
horas de culto, e o stimo dia, o sbado, continuou a ser considerado como dia de 
repouso. Lenta e seguramente, porm, se foi efetuando a mudana. Aos que se 
achavam em cargos sagrados era vedado proceder, no domingo, a julgamentos em 
qualquer questo civil. Logo depois, ordenava-se a todas as pessoas; de qualquer 
classe, abster-se do trabalho usual, sob pena de multa aos
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livres, e aoites no caso de serem servos. Mais tarde foi decretado que os ricos 
fossem punidos com a perda da metade dos bens; e, finalmente, que, se 
obstinassem, fossem escravizados. As classes inferiores deveriam sofrer 
banimento perptuo.
Recorreu-se tambm aos milagres. Entre outros prodgios foi referido que estando 
um lavrador, em dia de domingo, a limpar o arado com um ferro para em seguida 
lavrar o campo, o ferro cravou-se-lhe firmemente na mo, e durante dois anos ele 
o carregou consigo, para a sua grande dor e vergonha.  Discurso Histrico e 
Prtico Sobre o Dia do Senhor, de Francis West.
Mais tarde o papa deu instrues para que o padre da parquia admoestasse os 
violadores do domingo, e fizesse com que fossem  igreja dizer suas oraes, no 
acontecesse trouxessem eles alguma grande calamidade sobre si mesmos e os 
vizinhos. Um conclio eclesistico apresentou o argumento, desde ento mui 
largamente empregado, mesmo pelos protestantes, de que, tendo pessoas sido 
fulminadas por raios enquanto trabalhavam no domingo, deve este ser o dia de 
repouso.  evidente, diziam os prelados, quo grande foi o desprazer de Deus 
pela sua negligncia quanto a este dia. Fez-se ento o apelo para que padres e 
ministros, reis e prncipes, e todo o povo fiel, empregassem os maiores esforos e 
cuidado a fim de que o dia fosse restabelecido  sua honra e, para crdito do 
cristianismo, mais dedicadamente observado no futuro.  Discurso em Seis 
Dilogos Sobre o Nome, Noo e Observncia do Dia do Senhor, de T. Morer.
Mostrando-se insuficientes os decretos dos conclios, foi rogado s autoridades 
seculares que promulgassem um edito que inspirasse terror ao povo, e o obrigasse 
a abster-se do trabalho no domingo. Num snodo realizado em Roma, todas as 
decises anteriores foram reafirmadas, com maior fora e solenidade. Foram 
tambm incorporadas  lei eclesistica, e impostas pelas autoridades civis, atravs 
de quase toda a cristandade.  Histria do Sbado, de Heylyn.
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Pg. 576
A ausncia de autoridade escriturstica para a guarda do domingo ainda 
ocasionava no pequenas dificuldades. O povo punha em dvida o direito de seus 
instrutores de deixarem de lado a positiva declarao de Jeov: o stimo dia  o 
sbado do Senhor teu Deus, para honrar o dia do Sol. A fim de suprir a falta de 
testemunho bblico, foram necessrios outros expedientes. Um zeloso defensor do 
domingo, que pelos fins do sculo XII visitou as igrejas da Inglaterra, encontrou 
resistncia por parte de fiis testemunhas da verdade; e to infrutferos foram os 
seus esforos que se retirou do pas por algum tempo, em busca de meios para 
fazer valer os seus ensinos. Ao voltar, a falta foi suprida, e em seus trabalhos 
posteriores obteve maior xito. Trouxe consigo um rolo que dizia provir do prprio 
Deus, e conter a necessria ordem para a observncia do domingo, com terrveis 
ameaas para amedrontar o desobediente. Este precioso documento  fraude to 
vil como a instituio que apoiava, dizia-se haver cado do Cu, e sido achado em 
Jerusalm, sobre o altar de Simeo, no Glgota. Mas, em realidade, o palcio 
pontifical em Roma foi a fonte donde procedeu. Fraudes e falsificaes para 
promover o poderio e prosperidade da igreja tm sido em todos os sculos 
consideradas lcitas pela hierarquia papal.
O rolo proibia o trabalho desde a hora nona, trs horas da tarde, do sbado, at ao 
nascer do Sol na segunda-feira; e declarava-se ser a sua autoridade confirmada 
por muitos milagres. Referia-se que pessoas que trabalharam alm da hora 
indicada, foram atacadas de paralisia. Certo moleiro que tentou moer o trigo, viu, 
em lugar da farinha, sair uma torrente de sangue, e a m ficar parada apesar do 
forte mpeto da gua. Uma mulher que pusera massa de po ao forno, achou-a 
crua quando foi tirada, embora o forno estivesse muito quente. Outra que tinha 
massa preparada para cozer  hora nona, mas resolvera deix-la de lado at 
segunda-feira, encontrou-a no dia seguinte transformada em pes e estava cozida 
pelo poder divino. Um homem que cozeu o po depois da hora nona no
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Pg. 577
sbado, achou, ao parti-lo na manh seguinte, que do mesmo saa sangue. Por 
meio de tais invencionices absurdas e supersticiosas, esforaram-se os defensores 
do domingo por estabelecer a santidade deste.  Anais, de Roger de Hoveden.
Na Esccia, assim como na Inglaterra, conseguiu-se considerao maior pelo 
domingo, unindo-se-lhe uma parte do antigo sbado. Mas o tempo que se exigia 
fosse santificado, variava. Um edito do rei da Esccia declarou que se deveria 
considerar santo desde o meio-dia de sbado, e que ningum, desde aquela hora 
at segunda-feira de manh, deveria ocupar-se em trabalhos seculares.  Dilogos 
Sobre o Dia do Senhor, de Morer.
Mas, apesar de todos os esforos para estabelecer a santidade do domingo, os 
prprios romanistas publicamente confessavam a autoridade divina do sbado, e a 
origem humana da instituio pela qual foi ele suplantado. No sculo XVI, um 
conclio papal declarou francamente: Lembrem-se todos os cristos de que o 
stimo dia foi consagrado por Deus, recebido e observado, no somente pelos 
judeus mas por todos os outros que pretendiam adorar a Deus, embora ns, os 
cristos, tenhamos mudado o Seu sbado para o dia do Senhor (domingo).  
Ibidem. Os que estavam a se intrometer com a lei divina, no ignoravam o carter 
de sua obra. Achavam-se deliberadamente colocando-se acima de Deus.
Exemplo notvel da poltica de Roma para com os que dela discordavam, foi dado 
na longa e sanguinolenta perseguio dos valdenses, alguns dos quais eram 
observadores do sbado. Outros sofreram de modo semelhante pela sua fidelidade 
para com o quarto mandamento. A histria das igrejas da Etipia  especialmente 
significativa. Em meio das trevas da Idade Mdia, os cristos da frica Central 
foram perdidos de vista e esquecidos pelo mundo, e durante muitos sculos 
gozaram liberdade no exerccio de sua f. Mas finalmente Roma soube de sua 
existncia, e o imperador da Etipia foi logo induzido a reconhecer o papa como 
vigrio de Cristo. Seguiram-se outras
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Pg. 578
concesses. Foi promulgado um edito proibindo a observncia do sbado, sob as 
mais severas penas.  Histria Eclesistica da Etipia, de Michael Geddes. Mas a 
tirania papal se tornou logo um jugo to amargo, que os etopes resolveram 
sacudi-lo de seu pescoo. Depois de luta terrvel, os romanistas foram banidos de 
seus domnios, restabelecendo-se a antiga f. As igrejas regozijaram-se com a 
liberdade, e jamais olvidaram a lio que aprenderam concernente aos enganos, 
fanatismo e poder desptico de Roma. Estavam contentes por permanecerem 
dentro de seu reino solitrio, desconhecidos para o resto da cristandade.
As igrejas da frica observavam o sbado como este fora guardado pela igreja 
papal antes de sua completa apostasia. Enquanto guardavam o stimo dia em 
obedincia ao mandamento de Deus, abstinham-se de trabalhar no domingo, em 
conformidade com o costume da igreja. Obtendo poder supremo, Roma pisou 
sobre o sbado do Senhor para exaltar o seu prprio; mas as igrejas da frica, 
ocultas quase durante mil anos, no participaram desta apostasia. Quando postas 
sob o domnio de Roma, foram obrigadas a deixar de lado o verdadeiro sbado e 
exaltar o falso; porm, mal readquiriram a independncia, voltaram a obedecer ao 
quarto mandamento.
Estes relatos do passado revelam claramente a inimizade de Roma para com o 
sbado legtimo e seus defensores, e os meios que emprega para honrar a 
instituio por ela criada. A Palavra de Deus ensina que estas cenas devem 
repetir-se, quando os catlicos romanos e protestantes se unirem para a exaltao 
do domingo.
A profecia do captulo 13 do Apocalipse declara que o poder representado pela 
besta de chifres semelhantes aos do cordeiro far com que a Terra e os que nela 
habitam adorem o papado, ali simbolizado pela besta semelhante ao leopardo. A 
besta de dois chifres dir tambm aos que habitam na Terra que faam uma 
imagem  besta; e, ainda mais, mandar a
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Pg. 579
todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, que recebam o sinal 
da besta. Apoc. 13:11-16. Mostrou-se que os Estados Unidos so o poder 
representado pela besta de chifres semelhantes aos do cordeiro, e que esta 
profecia se cumprir quando aquela nao impuser a observncia do domingo, que 
Roma alega ser um reconhecimento especial de sua supremacia. Mas nesta 
homenagem ao papado os Estados Unidos no estaro ss. A influncia de Roma 
nos pases que uma vez j lhe reconheceram o domnio, est ainda longe de ser 
destruda. E a profecia prev uma restaurao de seu poder. Vi uma de suas 
cabeas como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a Terra se 
maravilhou aps a besta. Apoc. 13:3. A aplicao da chaga mortal indica a queda 
do papado em 1798. Depois disto, diz o profeta: A sua chaga mortal foi curada; e 
toda a Terra se maravilhou aps a besta. Paulo declara expressamente que o 
homem do pecado perdurar at ao segundo advento (II Tess. 2:8). At mesmo 
ao final do tempo prosseguir com a sua obra de engano. E diz o escritor do 
Apocalipse, referindo-se tambm ao papado: Adoraram-na todos os que habitam 
sobre a Terra, esses cujos nomes no esto escritos no livro da vida. Apoc. 13:8. 
Tanto no Velho como no Novo Mundo o papado receber homenagem pela honra 
prestada  instituio do domingo, que repousa unicamente na autoridade da 
Igreja de Roma.
Durante mais de meio sculo, investigadores das profecias nos Estados Unidos tm 
apresentado ao mundo este testemunho. Nos acontecimentos que ora esto a 
ocorrer, percebe-se rpido progresso no sentido do cumprimento da profecia. Com 
os ensinadores protestantes h a mesma pretenso de autoridade divina para a 
guarda do domingo, e a mesma falta de provas bblicas, que h com os chefes 
papais que forjaram os milagres para suprir a falta do mandamento de Deus. A 
afirmao de que os juzos divinos caem sobre os homens por motivo de
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Pg. 580
violarem o repouso dominical, ser repetida. J se ouvem vozes neste sentido. E o 
movimento para impor a observncia do domingo est rapidamente ganhando 
terreno.
A sagacidade e astcia da Igreja de Roma so surpreendentes. Ela sabe ler o 
futuro. Aguarda o seu tempo, vendo que as igrejas protestantes lhe esto 
prestando homenagem com o aceitar do falso sbado, e se preparam para imp-lo 
pelos mesmos meios que ela prpria empregou em tempos passados. Os que 
rejeitam a luz da verdade procuraro ainda o auxlio deste poder que a si mesmo 
se intitula infalvel, a fim de exaltarem uma instituio que com ele se originou. 
Quo prontamente vir esse poder em auxlio dos protestantes nesta obra, no  
difcil imaginar. Quem compreende melhor do que os dirigentes papais como tratar 
com os que so desobedientes  igreja?
A Igreja Catlica Romana, com todas as suas ramificaes pelo mundo inteiro, 
forma vasta organizao, dirigida da s papal, e destinada a servir aos interesses 
desta. Seus milhes de adeptos, em todos os pases do globo, so instrudos a se 
manterem sob obrigao de obedecer ao papa. Qualquer que seja a sua 
nacionalidade ou governo, devem considerar a autoridade da igreja acima de 
qualquer outra autoridade. Ainda que faam juramento prometendo lealdade ao 
Estado, por trs disto, todavia, jaz o voto de obedincia a Roma, absolvendo-os de 
toda obrigao contrria aos interesses dela.
A Histria testifica de seus esforos, astutos e persistentes, no sentido de 
insinuar-se nos negcios das naes; e, havendo conseguido p firme, nada mais 
faz que favorecer seus prprios interesses, mesmo com a runa de prncipes e 
povo. No ano 1204, o papa Inocncio III arrancou de Pedro II, rei de Arago, o 
seguinte e extraordinrio juramento: Eu, Pedro, rei dos aragoneses, declaro e 
prometo ser sempre fiel e obediente a meu senhor, o Papa Inocncio, a seus 
sucessores catlicos, e  Igreja Romana, e fielmente preservar meu reino em sua 
obedincia, defendendo a f catlica, e perseguindo a corrupo hertica.  
Histria do Romanismo, de Dowling. Isso
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Pg. 581
est em harmonia com as pretenses relativas ao poder do pontfice romano, de 
que lhe  lcito depor imperadores, e de que pode absolver os sditos, de sua 
fidelidade para com os governantes mpios.  Histria Eclesistica, de Mosheim.
E, convm lembrar, Roma jacta-se de que nunca muda. Os princpios de Gregrio 
VII e Inocncio III ainda so os princpios da Igreja Catlica Romana. E tivesse ela 
to-somente o poder, p-los-ia em prtica com tanto vigor agora como nos sculos 
passados. Pouco sabem os protestantes do que esto fazendo ao se proporem 
aceitar o auxlio de Roma na obra da exaltao do domingo. Enquanto se aplicam  
realizao de seu propsito, Roma est visando a restabelecer o seu poder, para 
recuperar a supremacia perdida. Estabelea-se nos Estados Unidos o princpio de 
que a igreja possa empregar ou dirigir o poder do Estado; de que as observncias 
religiosas possam ser impostas pelas leis seculares; em suma, que a autoridade da 
igreja e do Estado devem dominar a conscincia, e Roma ter assegurado o triunfo 
nesse pas.
A Palavra de Deus deu aviso do perigo iminente; se este for desatendido, o mundo 
protestante saber quais so realmente os propsitos de Roma, apenas quando for 
demasiado tarde para escapar da cilada. Ela est silenciosamente crescendo em 
poder. Suas doutrinas esto a exercer influncia nas assemblias legislativas, nas 
igrejas e no corao dos homens. Est a erguer suas altaneiras e macias 
estruturas, em cujos secretos recessos se repetiro as anteriores perseguies. 
Sorrateiramente, e sem despertar suspeitas, est aumentando suas foras para 
realizar seus objetivos ao chegar o tempo de dar o golpe. Tudo que deseja  a 
oportunidade, e esta j lhe est sendo dada. Logo veremos e sentiremos qual  o 
propsito do romanismo. Quem quer que creia na Palavra de Deus e a ela 
obedea, incorrer, por esse motivo em censura e perseguio.
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36
O Maior Perigo Para
o Lar e a Vida
Pg. 582
Desde o incio do grande conflito no Cu, tem sido o intento de Satans subverter 
a lei de Deus. Foi para realizar isto que entrou em rebelio contra o Criador; e, 
posto que fosse expulso do Cu, continuou a mesma luta na Terra. Enganar os 
homens, levando-os assim a transgredir a lei de Deus,  o objetivo que 
perseverantemente tem procurado atingir. Quer seja isto alcanado pondo de 
parte toda a lei, quer rejeitando um de seus preceitos, o resultado ser finalmente 
o mesmo. Aquele que tropear em um s ponto, manifesta desprezo pela lei 
toda; sua influncia e exemplo esto do lado da transgresso; torna-se culpado 
de todos. Tia. 2:10.
Procurando lanar o desprezo sobre os estatutos divinos, Satans perverteu as 
doutrinas da Escritura Sagrada, e assim se incorporaram erros na f alimentada 
por milhares dos que professam crer nas Escrituras. O ltimo grande conflito entre 
a verdade e o erro no  seno a luta final da prolongada controvrsia relativa  
lei de Deus. Estamos agora a entrar nesta batalha  batalha entre as leis dos 
homens e os preceitos de Jeov, entre a religio da Bblia e a religio das fbulas e 
da tradio.
As foras que se uniro contra a verdade e a justia nesta contenda, esto j a 
operar ativamente. A santa Palavra de Deus, que nos foi legada a to grande preo 
de sofrimento e
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Pg. 583
sangue,  tida em pouca conta. A Bblia est ao alcance de todos, mas poucos h 
que realmente a aceitem como guia da vida. A incredulidade prevalece em 
assustadora proporo, no somente no mundo mas tambm na igreja. Muitos tm 
chegado a negar doutrinas que so, com efeito, as colunas da f crist. Os grandes 
fatos da criao conforme so apresentados pelos escritores inspirados, a queda 
do homem, a expiao, a perpetuidade da lei de Deus, so praticamente 
rejeitados, quer no todo, quer em parte, por vasta proporo do mundo que 
professa o cristianismo. Milhares que se orgulham de sua sabedoria e 
independncia, consideram como prova de fraqueza depositar implcita confiana 
na Bblia; acham que  prova de talento e saber superiores, cavilar a respeito das 
Escrituras Sagradas, e espiritualizar e explicar evasivamente suas mais 
importantes verdades. Muitos pastores esto ensinando ao povo, e muitos mestres 
e professores esto a instruir os estudantes, que a lei de Deus foi mudada ou ab-
rogada; e os que consideram suas reivindicaes ainda como vlidas, devendo ser 
literalmente obedecidas, so julgados merecedores apenas de ridculo e desdm.
Rejeitando a verdade, os homens rejeitam o seu Autor. Desprezando a lei de Deus, 
negam a autoridade do Legislador.  to fcil fazer um dolo de falsas doutrinas e 
teorias, como talh-lo de madeira ou pedra. Representando falsamente os 
atributos de Deus, Satans leva os homens a olh-Lo sob falso prisma. Para 
muitos, um dolo filosfico  entronizado em lugar de Jeov, enquanto o Deus vivo, 
conforme  revelado em Sua Palavra, em Cristo e nas obras da Criao,  adorado 
apenas por poucos. Milhares deificam a Natureza, enquanto negam o Deus da 
Natureza. Posto que de forma diversa, existe hoje a idolatria no mundo cristo to 
verdadeiramente como existiu entre o antigo Israel nos dias de Elias. O deus de 
muitos homens que se professam sbios, de filsofos, poetas, polticos, jornalistas; 
o deus dos seletos centros da moda, de muitos colgios e universidades, mesmo 
de algumas instituies teolgicas, pouco melhor  do que Baal, o deus-Sol da 
Fencia.
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Pg. 584
Nenhum erro aceito pelo mundo cristo fere mais audaciosamente a autoridade do 
Cu, nenhum se ope mais diretamente aos ditames da razo, nenhum  mais 
pernicioso em seus resultados do que a doutrina moderna, que to rapidamente 
ganha terreno, de que a lei de Deus no mais vigora para os homens. Toda nao 
tem suas leis que impem respeito e obedincia; nenhum governo poderia existir 
sem elas; e pode-se conceber que o Criador dos cus e da Terra no tenha lei para 
governar os seres que fez? Suponde que clrigos preeminentes estivessem a 
ensinar publicamente que os estatutos que governam seu pas e protegem os 
direitos de seus cidados no so obrigatrios; que cerceiam a liberdade do povo, 
e, portanto, no devem ser obedecidos; quanto tempo seriam tolerados esses 
homens no plpito? , porm, ofensa mais grave desatender s leis dos Estados e 
naes do que pisar os preceitos divinos que so o fundamento de todo governo?
Seria muito mais razovel que naes abolissem seus estatutos e permitissem ao 
povo fazer o que lhe aprouvesse, do que o Governador do Universo anular Sua lei 
e deixar o mundo sem uma norma para condenar o culpado ou justificar o 
obediente. Qual seria o resultado de abolir a lei de Deus? A experincia j foi feita. 
Terrveis foram as cenas perpetradas na Frana quando o atesmo se tornou o 
poder dirigente. Demonstrou-se ento ao mundo que sacudir as restries 
estabelecidas por Deus corresponde a aceitar o governo do mais cruel dos tiranos. 
Quando a norma da justia  posta de lado, abre-se o caminho ao prncipe do mal 
para estabelecer seu poder na Terra.
Quando quer que os preceitos divinos sejam rejeitados, o pecado deixa de parecer 
repelente, ou a justia desejvel. Os que se recusam a sujeitar-se ao governo de 
Deus, so de todo inaptos para se governarem a si prprios. Mediante seus 
perniciosos ensinos, implanta-se o esprito de rebeldia no corao das crianas e 
jovens, por natureza adversos  disciplina, tendo isso como resultado a ilegalidade 
e desregramento, na sociedade. Ao mesmo tempo em que escarnecem da 
credulidade dos que obedecem aos preceitos de Deus, as multides avidamente
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aceitam os enganos de Satans. Do rdeas  concupiscncia, e praticam os 
pecados que atraram juzos sobre os mpios.
Os que ensinam o povo a considerar com leviandade os mandamentos de Deus, 
semeiam desobedincia para colherem desobedincia. Rejeite-se completamente a 
restrio imposta pela lei divina, e as leis humanas logo sero desatendidas. Visto 
que Deus probe as prticas desonestas: a cobia, a mentira, a fraude, os homens 
esto prontos a desprezar os Seus estatutos como estorvo  prosperidade 
mundana; no se do conta, porm, dos resultados que adviriam de banir os 
preceitos divinos. Se a lei no estivesse em vigor, por que temer transgredi-la? A 
propriedade no mais estaria segura. Os homens obteriam pela violncia as posses 
de seus semelhantes; e o mais forte se tornaria o mais rico. A prpria vida no 
seria respeitada. O voto matrimonial no mais permaneceria como o baluarte 
sagrado para proteger a famlia. O que tivesse foras tomaria, se o quisesse, pela 
violncia, a esposa de seu prximo. O quinto mandamento seria posto de parte, 
juntamente com o quarto. Filhos no recuariam de tirar a vida a seus pais, se 
assim fazendo, pudessem satisfazer ao desejo do corao corrompido. O mundo 
civilizado se tornaria um bando de ladres e assassinos; e a paz, o descanso e a 
felicidade desapareceriam da Terra.
A doutrina de que os homens esto isentos da obedincia aos mandamentos de 
Deus j tem debilitado a fora da obrigao moral, abrindo sobre o mundo as 
comportas da iniqidade. Ilegalidade, dissipao e corrupo nos assoberbam qual 
mar esmagadora. Satans est em atividade na famlia. Sua bandeira tremula, 
mesmo nos lares que se professam cristos. H invejas, suspeitas, hipocrisias, 
separao, emulao, contenda, traio de santos legados, satisfao das paixes. 
Todo o conjunto dos princpios e doutrinas religiosas, que deveriam constituir o 
fundamento e arcabouo da vida social, assemelha-se a uma massa vacilante, 
prestes a ruir. Os mais vis dos criminosos, quando lanados na priso pelas suas 
faltas, tornam-se freqentemente recebedores de ddivas e atenes
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como se houvessem alcanado invejvel distino. D-se grande publicidade a seu 
carter e crimes. A imprensa publica as mincias revoltantes do vcio, iniciando 
desta maneira outros na prtica da fraude, roubo, assassnio; e Satans exulta no 
xito de seus planos infernais. O enfatuamento do vcio, a criminalidade, o terrvel 
aumento da intemperana e iniqidade de toda sorte e grau, devem despertar 
todos os que temem a Deus para que investiguem o que se pode fazer a fim de 
sustar a mar do mal.
Os tribunais de justia esto corrompidos. Governantes so movidos pelo desejo 
do ganho e amor dos prazeres sensuais. A intemperana obscureceu as faculdades 
de muitos, de maneira que Satans exerce sobre eles quase completo domnio. Os 
juristas se acham pervertidos, subordinados, seduzidos. A embriaguez e a orgia, a 
paixo, a inveja, a desonestidade de toda espcie, esto representadas entre os 
que administram as leis. A justia se ps longe; porque a verdade anda 
tropeando pelas ruas, e a eqidade no pode entrar. Isa. 59:14.
A iniqidade e trevas espirituais que prevaleceram sob a supremacia de Roma 
foram resultado inevitvel da supresso das Escrituras; onde, porm, se deve 
encontrar a causa da generalizada incredulidade, da rejeio da lei de Deus e 
conseqente corrupo, sob o amplo fulgor da luz evanglica, numa poca de 
liberdade religiosa? Agora que Satans no mais pode conservar o mundo sob seu 
domnio, privando-o das Escrituras, recorre a outros meios para realizar o mesmo 
objetivo. Destruir a f na Bblia serve to bem a seu propsito como o destruir a 
prpria Bblia. Introduzindo a crena de que a lei de Deus no mais vigora, leva os 
homens  transgresso, de um modo to eficaz como se fossem completamente 
ignorantes acerca de seus preceitos. E hoje, como nos sculos passados, est a 
operar mediante a igreja a fim de favorecer os seus desgnios. As organizaes 
religiosas da poca tm recusado ouvir as verdades impopulares claramente 
apresentadas nas Escrituras, e, combatendo-as, adotaram interpretaes e 
assumiram atitudes que tm espalhado largamente as sementes do ceticismo. 
Apegando-se ao erro papal da imortalidade natural
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e conscincia do homem na morte, rejeitaram a nica defesa contra os enganos do 
espiritismo. A doutrina do tormento eterno tem levado muitos a descrer da 
Escritura Sagrada. E, ao insistir-se com o povo acerca das reivindicaes do quarto 
mandamento, verifica-se que a observncia do sbado do stimo dia  ordenada; 
e, como nico meio de livrar-se de um dever que no esto dispostos a cumprir, 
declaram muitos ensinadores populares que a lei de Deus no mais est em vigor. 
Repelem, assim, a lei e o sbado juntamente.  medida que se estende a obra da 
reforma do sbado, esta rejeio da lei divina para evitar as reivindicaes do 
quarto mandamento se tornar quase universal. Os ensinos dos dirigentes 
religiosos abriram a porta  incredulidade, ao espiritismo e ao desdm para com a 
santa lei de Deus; e sobre esses dirigentes repousa a terrvel responsabilidade 
pela iniqidade que existe no mundo cristo.
Todavia esta mesma classe apresenta a alegao de que a corrupo que 
rapidamente se alastra  atribuvel em grande parte  profanao do descanso 
dominical, e que a imposio da observncia do domingo melhoraria grandemente 
a moral da sociedade. Insiste-se nisto especialmente na Amrica do Norte, onde a 
doutrina do verdadeiro sbado tem sido mais amplamente pregada. Ali, a obra da 
temperana, uma das mais preeminentes e importantes das reformas morais, 
acha-se freqentemente combinada com o movimento em favor do descanso 
dominical, e os defensores do ltimo agem como se estivessem a trabalhar a fim 
de promover os mais elevados interesses da sociedade; e os que se recusam a 
unir-se a eles so denunciados como inimigos da temperana e reforma. Mas o 
fato de que um movimento para estabelecer o erro se encontra ligado a uma obra 
que em si mesma  boa, no  argumento a favor do erro. Podemos disfarar o 
veneno misturando-o com o alimento saudvel, mas no mudamos a sua 
natureza. Ao contrrio, torna-se mais perigoso o veneno, visto ser mais fcil que 
ele seja tomado inadvertidamente.  um dos ardis de Satans combinar com a 
falsidade precisamente uma poro suficiente de verdade para que lhe d carter 
plausvel. Os
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dirigentes do movimento em favor do domingo podem advogar reformas que o 
povo necessita, princpios que se acham em harmonia com a Escritura Sagrada; 
contudo, enquanto houver com eles uma exigncia contrria  lei de Deus, Seus 
servos no se lhes podero unir. Nada os pode justificar de pr  parte os 
mandamentos de Deus, optando pelos preceitos dos homens.
Mediante os dois grandes erros  a imortalidade da alma e a santidade do domingo 
 Satans h de enredar o povo em suas malhas. Enquanto o primeiro lana o 
fundamento do espiritismo, o ltimo cria um lao de simpatia com Roma. Os 
protestantes dos Estados Unidos sero os primeiros a estender as mos atravs do 
abismo para apanhar a mo do espiritismo; estender-se-o por sobre o abismo 
para dar mos ao poder romano; e, sob a influncia desta trplice unio, este pas 
seguir as pegadas de Roma, desprezando os direitos da conscincia.
Imitando mais de perto o cristianismo nominal da poca, o espiritismo tem maior 
poder para enganar e enredar. O prprio Satans est convertido, conforme a 
nova ordem de coisas. Ele aparecer no aspecto de anjo de luz. Mediante a 
agncia do espiritismo, operar-se-o prodgios, os doentes sero curados, e se 
efetuaro muitas e inegveis maravilhas. E, como os espritos professaro f na 
Escritura Sagrada, e demonstraro respeito pelas instituies da igreja, sua obra 
ser aceita como manifestao do poder divino.
A linha de separao entre cristos professos e mpios  agora dificilmente 
discernida. Os membros da igreja amam o que o mundo ama, e esto prontos para 
se unirem a ele; e Satans est resolvido a uni-los em um s corpo, e assim 
fortalecer sua causa arrastando-os todos para as fileiras do espiritismo. Os 
romanistas, que se gloriam dos milagres como sinal certo da verdadeira igreja, 
sero facilmente enganados por este poder operador de prodgios; e os 
protestantes, tendo rejeitado o escudo da verdade, sero tambm iludidos. 
Romanistas, protestantes e mundanos juntamente aceitaro a forma de piedade, 
destituda de sua eficcia, e vero nesta aliana um
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Pg. 589
grandioso movimento para a converso do mundo, e o comeo do milnio h tanto 
esperado.
Por meio do espiritismo Satans aparece como benfeitor da humanidade, curando 
as doenas do povo e pretendendo apresentar um novo e mais elevado sistema de 
f religiosa; ao mesmo tempo, porm, ele opera como destruidor. Suas tentaes 
esto levando multides  runa. A intemperana destrona a razo; seguem-se a 
satisfao sensual, a contenda e a matana. Satans deleita-se na guerra; pois 
esta excita as mais vis paixes da alma, arrastando ento para a eternidade as 
suas vtimas engolfadas no vcio e sangue.  seu objetivo incitar as naes  
guerra umas contra as outras; pois pode assim desviar o esprito do povo da obra 
de preparo para estar em p no dia de Deus.
Satans tambm opera por meio dos elementos a fim de recolher sua colheita de 
almas desprevenidas. Estudou os segredos dos laboratrios da Natureza, e 
emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus. 
Quando lhe foi permitido afligir a J, quo rapidamente rebanhos e gado, servos, 
casas, filhos, foram assolados, seguindo-se em um momento uma desgraa a 
outra!  Deus que protege as Suas criaturas, guardando-as do poder do 
destruidor. Mas o mundo cristo mostrou desdm pela lei de Jeov; e o Senhor 
far exatamente o que declarou que faria: retirar Suas bnos da Terra, 
removendo Seu cuidado protetor dos que se esto rebelando contra a Sua lei, e 
ensinando e forando outros a fazerem o mesmo. Satans exerce domnio sobre 
todos os que Deus no guarda especialmente. Ajudar e far prosperar alguns, a 
fim de favorecer os seus prprios intuitos; trar calamidade sobre outros, e levar 
os homens a crer que  Deus que os aflige.
Ao mesmo tempo em que aparece aos filhos dos homens como grande mdico que 
pode curar todas as enfermidades, trar molstias e desgraas at que cidades 
populosas se reduzam  runa e desolao. Mesmo agora est ele em atividade. 
Nos acidentes e calamidades no mar e em terra, nos grandes
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Pg. 590
incndios, nos violentos furaces e terrveis saraivadas, nas tempestades, 
inundaes, ciclones, ressacas e terremotos, em toda parte e sob milhares de 
formas, Satans est exercendo o seu poder. Destri a seara que est a amadurar, 
e seguem-se fome, angstia. Comunica ao ar infeco mortal, e milhares perecem 
pela pestilncia. Estas visitaes devem tornar-se mais e mais freqentes e 
desastrosas. A destruio ser tanto sobre o homem como sobre os animais. A 
Terra pranteia e se murcha, enfraquecem os mais altos dos povos.  Na verdade 
a Terra est contaminada por causa dos seus moradores; porquanto transgridem 
as leis, mudam os estatutos, e quebram a aliana eterna. Isa. 24:4 e 5.
E ento o grande enganador persuadir os homens de que os que servem a Deus 
esto motivando esses males. A classe que provocou o descontentamento do Cu 
atribuir todas as suas inquietaes queles cuja obedincia aos mandamentos de 
Deus  perptua reprovao aos transgressores. Declarar-se- que os homens 
esto ofendendo a Deus pela violao do descanso dominical; que este pecado 
acarretou calamidades que no cessaro antes que a observncia do domingo seja 
estritamente imposta; e que os que apresentam os requisitos do quarto 
mandamento, destruindo assim a reverncia pelo domingo, so perturbadores do 
povo, impedindo a sua restaurao ao favor divino e  prosperidade temporal. 
Assim se repetir com motivos igualmente bem definidos a acusao feita na 
antiguidade contra o servo de Deus: E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-
lhe Acabe: s tu o perturbador de Israel? Ento disse ele: Eu no tenho 
perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos 
do Senhor, e seguistes a Baalim. I Reis 18:17 e 18. Ao despertar-se a ira do povo 
por meio de falsas acusaes, agiro para com os embaixadores de Deus de modo 
muito semelhante quele que o apstata Israel seguiu com relao a Elias.
O poder operador de milagres manifesto pelo espiritismo, exercer sua influncia 
contra os que preferem obedecer a
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Pg. 591
Deus a obedecer aos homens. Comunicaes por parte dos espritos declararo 
que Deus os enviou para convencer de seu erro os que rejeitam o domingo, 
afirmando que as leis do pas deveriam ser obedecidas como a lei de Deus. 
Lamentaro a grande impiedade no mundo, secundando o testemunho dos 
ensinadores religiosos de que o estado de aviltamento da moral se deve  
profanao do domingo. Grande ser a indignao despertada contra todos os que 
se recusam a aceitar-lhes o testemunho.
O expediente de Satans neste conflito final com o povo de Deus  o mesmo que 
empregou no incio da grande controvrsia no Cu. Pretendia estar buscando 
promover a estabilidade do governo divino, enquanto secretamente aplicava todo 
o esforo para conseguir sua subverso. E da mesma obra que assim se estava 
esforando por cumprir, acusava os anjos fiis. Idntica poltica de engano tem 
assinalado a histria da Igreja de Roma. Tem esta professado agir como substituta 
do Cu, ao mesmo tempo em que procura exaltar-se sobre Deus, e mudar Sua lei. 
Sob o governo de Roma, os que sofreram a morte pela sua fidelidade para com o 
evangelho eram denunciados como malfeitores; declarava-se estarem eles 
coligados com Satans; e todos os meios possveis foram empregados para cobri-
los de infmia, para faz-los parecer aos olhos do povo, mesmo aos seus prprios, 
como os mais vis dos criminosos. Assim ser agora. Enquanto Satans procura 
destruir os que honram a lei de Deus, far com que sejam acusados como 
violadores da lei, como homens que esto desonrando a Deus e acarretando juzos 
sobre o mundo.
Deus nunca fora a vontade ou a conscincia; porm o recurso constante de 
Satans para alcanar domnio sobre os que de outra maneira no pode seduzir,  
o constrangimento pela crueldade. Por meio do medo ou da fora, procura reger a 
conscincia e conseguir para si mesmo homenagem. Para realizar isto, opera tanto 
pelas autoridades eclesisticas como pelas seculares, levando-as  imposio de 
leis humanas em desafio  lei de Deus.
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Pg. 592
Os que honram o sbado bblico sero denunciados como inimigos da lei e da 
ordem, como que a derribar as restries morais da sociedade, causando anarquia 
e corrupo, e atraindo os juzos de Deus sobre a Terra. Declarar-se- que seus 
conscienciosos escrpulos so teimosia, obstinao e desdm  autoridade. Sero 
acusados de deslealdade para com o governo. Ministros que negam a obrigao da 
lei divina, apresentaro do plpito o dever de prestar obedincia s autoridades 
civis, como ordenadas de Deus. Nas assemblias legislativas e tribunais de justia, 
os observadores dos mandamentos sero caluniados e condenados. Dar-se- um 
falso colorido s suas palavras; a pior interpretao ser dada aos seus intuitos.
Ao rejeitarem as igrejas protestantes os argumentos claros das Escrituras 
Sagradas, em defesa da lei de Deus, almejaro fazer silenciar aqueles cuja f no 
podem subverter pela Bblia. Embora fechem os olhos ao fato, esto agora a 
enveredar por caminho que levar  perseguio dos que conscienciosamente se 
recusam a fazer o que o resto do mundo cristo se acha a praticar, e a reconhecer 
as pretenses do sbado papal.
Os dignitrios da Igreja e do Estado unir-se-o para subornar, persuadir ou forar 
todas as classes a honrar o domingo. A falta de autoridade divina ser suprida por 
legislao opressiva. A corrupo poltica est destruindo o amor  justia e a 
considerao para com a verdade; e mesmo na livre Amrica do Norte, 
governantes e legisladores, a fim de conseguir o favor do pblico, cedero ao 
pedido popular de uma lei que imponha a observncia do domingo. A liberdade de 
conscincia, obtida a to elevado preo de sacrifcio, no mais ser respeitada. No 
conflito prestes a se desencadear, veremos exemplificadas as palavras do profeta: 
O drago irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os 
que guardam os mandamentos de Deus, e tm o testemunho de Jesus Cristo. 
Apoc. 12:17.
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37
Nossa nica Salvaguarda
Pg. 593
 lei e ao testemunho! se eles no falarem segundo esta Palavra, no haver 
manh para eles. Isa. 8:20. O povo de Deus  encaminhado s Santas Escrituras 
como a salvaguarda contra a influncia dos falsos ensinadores e poder ilusrio dos 
espritos das trevas. Satans emprega todo artifcio possvel para impedir os 
homens de obter conhecimento da Bblia; pois os claros ensinos desta pem a 
descoberto os seus enganos. Em todo avivamento da obra de Deus o prncipe do 
mal est desperto para atividade mais intensa; aplica atualmente todos os seus 
esforos em preparar-se para a luta final contra Cristo e Seus seguidores. O ltimo 
grande engano deve logo patentear-se diante de ns. O anticristo vai operar suas 
obras maravilhosas  nossa vista. To meticulosamente a contrafao se parecer 
com o verdadeiro, que ser impossvel distinguir entre ambos sem o auxlio das 
Escrituras Sagradas. Pelo testemunho destas toda declarao e todo prodgio 
devero ser provados.
Os que se esforam por obedecer a todos os mandamentos de Deus defrontaro 
oposio e escrnio. Apenas em Deus ser-lhes- possvel subsistir. A fim de 
suportarem a prova que diante deles est, devem compreender a vontade de Deus 
como se acha revelada em Sua Palavra; podero honr-Lo, unicamente, tendo 
uma concepo correta de Seu carter, governo e propsitos, e agindo de acordo 
com estes. Pessoa alguma, a no ser os que fortaleceram o esprito com as 
verdades da Escritura, poder resistir no ltimo grande conflito. A toda alma
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Pg. 594
vir a inquiridora prova: Obedecerei a Deus de preferncia aos homens? A hora 
decisiva est mesmo agora s portas. Esto nossos ps firmados na rocha da 
imutvel Palavra divina? Estamos preparados para permanecer firmes em defesa 
dos mandamentos de Deus e da f de Jesus?
Antes de Sua crucifixo o Salvador explicou a Seus discpulos que Ele deveria ser 
morto, e do tmulo ressuscitar; anjos estavam presentes para gravar-lhes Suas 
palavras na mente e no corao. Mas os discpulos aguardavam livramento 
temporal do jugo romano, e no podiam tolerar a idia de que Aquele em quem se 
centralizavam todas as suas esperanas devesse sofrer uma morte ignominiosa. 
As palavras de que necessitavam lembrar-se, fugiram-lhes do esprito; e, ao 
chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A morte de Cristo 
destruiu-lhes to completamente as esperanas, como se Ele no os houvesse 
advertido previamente. Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de ns 
to claramente como se revelou aos discpulos pelas palavras de Cristo. Os 
acontecimentos ligados ao final do tempo da graa e obra de preparo para o 
perodo de angstia, acham-se claramente apresentados. Multides, porm, no 
possuem maior compreenso destas importantes verdades do que teriam se nunca 
houvessem sido reveladas. Satans vigia para impedir toda impresso que os faria 
sbios para a salvao, e o tempo de angstia os encontrar sem o devido 
preparo.
Quando Deus envia aos homens advertncias to importantes que so 
representadas como proclamadas por santos anjos a voar pelo meio do cu, Ele 
requer que toda pessoa dotada de faculdade de raciocnio atenda  mensagem. Os 
terrveis juzos pronunciados contra o culto  besta e sua imagem (Apoc. 14:9-11), 
deveriam levar todos a diligente estudo das profecias para aprenderem o que  o 
sinal da besta, e como devem evitar receb-lo. As massas populares, porm, 
cerram os ouvidos  verdade, volvendo s fbulas. Olhando para os ltimos dias, 
declarou o apstolo Paulo: Vir tempo em que no
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Pg. 595
sofrero a s doutrina. II Tim. 4:3. Chegamos, j, a esse tempo. As multides 
rejeitam a verdade das Escrituras, por ser ela contrria aos desejos do corao 
pecaminoso e amante do mundo; e Satans lhes proporciona os enganos que 
amam.
Mas Deus ter sobre a Terra um povo que mantenha a Bblia, e a Bblia s, como 
norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas. As opinies de homens 
ilustrados, as dedues da cincia, os credos ou decises dos conclios 
eclesisticos, to numerosos e discordantes como so as igrejas que representam, 
a voz da maioria  nenhuma destas coisas, nem todas em conjunto, deveriam 
considerar-se como prova em favor ou contra qualquer ponto de f religiosa. Antes 
de aceitar qualquer doutrina ou preceito, devemos pedir em seu apoio um claro  
Assim diz o Senhor.
Satans se esfora constantemente por atrair a ateno para o homem, em lugar 
de Deus. Induz o povo a olhar para os bispos, pastores, professores de teologia, 
como seus guias, em vez de examinarem as Escrituras a fim de, por si mesmos, 
aprenderem seu dever. Ento, dominando o esprito desses dirigentes, pode 
influenciar as multides de acordo com sua vontade.
Quando Cristo veio para falar as palavras de vida, o povo comum O ouvia 
alegremente; e muitos, mesmo dos sacerdotes e prncipes, creram nEle. Mas os 
principais do sacerdcio e os primeiros homens da nao estavam decididos a 
condenar e repudiar-Lhe os ensinos. Fossem embora frustrados todos os seus 
esforos para encontrar acusaes contra Ele, e sem mesmo poder fugir  
influncia do poder e sabedoria divinos, que acompanhavam Suas palavras, 
encerraram-se, todavia, no preconceito; rejeitaram a mais clara evidncia de Seu 
carter messinico, receosos de que fossem constrangidos a se tornarem Seus 
discpulos. Estes oponentes de Jesus eram homens que o povo desde a infncia 
fora ensinado a reverenciar, a cuja autoridade se havia acostumado implicitamente 
a curvar-se. Como , perguntavam, que nossos prncipes e doutos escribas no 
crem em Jesus? No O receberiam estes homens
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Pg. 596
pios se Ele fosse o Cristo? Foi a influncia desses ensinadores que levou a nao 
judaica a rejeitar seu Redentor.
O esprito que atuava naqueles sacerdotes e prncipes,  ainda manifesto por 
muitos que fazem alta profisso de piedade. Recusam-se a examinar o 
testemunho das Escrituras concernente s verdades especiais para este tempo. 
Apontam para o seu nmero, riqueza e popularidade, e olham com desdm os 
defensores da verdade, sendo estes poucos, pobres e impopulares, tendo uma f 
que os separa do mundo.
Cristo previu que o fato de acatar da autoridade a que se entregavam os fariseus e 
escribas no cessaria com a disperso dos judeus. Com o olhar proftico viu a obra 
de exaltao da autoridade humana, com o fim de reger a conscincia, a qual tem 
sido para a igreja uma to terrvel maldio, em todos os tempos. E Suas 
tremendas acusaes aos escribas e fariseus, bem como as advertncias ao povo 
para que no seguisse aqueles guias cegos, foram registradas como aviso s 
geraes futuras.
A Igreja Romana reserva ao clero o direito de interpretar as Escrituras. Sob o 
fundamento de que unicamente os eclesisticos so competentes para explicar a 
Palavra de Deus,  esta vedada ao povo comum. Conquanto a Reforma fizesse 
acessvel a todos as Escrituras, o mesmssimo esprito que Roma manteve impede 
tambm as multides nas igrejas protestantes de examinarem a Bblia por si 
mesmas. So instrudas a aceitar os seus ensinos conforme so interpretados pela 
igreja; e h milhares que no ousam receber coisa alguma contrria ao seu credo, 
ou ao ensino adotado por sua igreja, por mais claro que esteja revelada nas 
Escrituras.
Apesar de achar-se a Bblia cheia de advertncias contra os falsos ensinadores, 
muitos h que esto prontos a confiar ao clero a guarda de sua alma. Existem hoje 
milhares de pessoas que professam ser religiosas, e no entanto no podem dar 
outra razo para os pontos de sua f, a no ser o haverem sido assim instrudas 
por seus dirigentes espirituais. Passam pelos ensinos do Salvador, quase sem os 
notar, e depositam implcita
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Pg. 597
confiana nas palavras dos ministros. So, porm, infalveis os ministros? Como 
poderemos confiar nossa alma  sua guia, a menos que saibamos pela Palavra de 
Deus que so portadores de luz? A falta de coragem moral para sair da trilha 
batida do mundo, leva muitos a seguirem as pegadas de homens ilustrados; e, 
pela relutncia em examinarem por si mesmos, esto-se tornando 
desesperanadamente presos nas cadeias do erro. Vem que a verdade para este 
tempo  claramente apresentada na Bblia, e sentem o poder do Esprito Santo 
acompanhando sua proclamao; permitem, todavia, que a oposio do clero os 
desvie da luz. Embora a razo e a conscincia estejam convencidas, estas almas 
iludidas no ousam pensar diferentemente do ministro; e seu discernimento 
individual, os interesses eternos, so sacrificados  incredulidade, ao orgulho e 
preconceito de outrem.
Muitos so os meios por que Satans opera pela influncia humana a fim de 
enlaar os seus cativos. Atrai a si multides, ligando-as pelos laos da afeio aos 
que so inimigos da cruz de Cristo. Seja qual for esta ligao, paternal, filial, 
conjugal ou social, o efeito  o mesmo; os inimigos da verdade exercem sua fora 
no sentido de reger a conscincia, e as almas postas sob seu domnio no tm 
coragem ou independncia suficientes para obedecer s suas prprias convices 
do dever.
A verdade e a glria de Deus so inseparveis; -nos impossvel, com a Bblia ao 
nosso alcance, honrar a Deus com opinies errneas. Muitos alegam que no 
importa o que algum creia, se to-somente sua vida for correta. Mas a vida  
moldada pela f. Se a luz e a verdade esto ao nosso alcance, e negligenciamos 
aproveitar o privilgio de ouvir e v-las, virtualmente as rejeitamos; estamos a 
escolher as trevas em vez da luz.
H caminho, que parece direito ao homem, mas o seu fim so os caminhos da 
morte. Prov. 16:25. A ignorncia no  desculpa para o erro ou pecado, quando 
h toda a
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oportunidade de conhecer a vontade de Deus. Um homem est a viajar, e chega a 
um lugar em que h vrias estradas, e uma tabuleta indicando aonde cada uma 
delas leva. Se desatende  indicao da tabuleta, tomando qualquer caminho que 
lhe parea direito, poder ser muito sincero, mas encontrar-se- com toda a 
probabilidade no caminho errado.
Deus nos deu Sua Palavra para que pudssemos familiarizar-nos com os seus 
ensinos e saber, por ns mesmos, o que Ele de ns requer. Quando o doutor veio 
a Jesus com a pergunta: Que farei para herdar a vida eterna? o Salvador lhe fez 
referncia s Escrituras, dizendo: Que est escrito na lei? como ls? A ignorncia 
no desculpar jovens ou velhos, nem os livrar do castigo devido pela 
transgresso da lei de Deus, pois tm ao alcance uma exposio fiel daquela lei, 
de seus princpios e requisitos. No basta termos boas intenes; no basta 
fazermos o que se julga ser direito, ou o que o ministro diz ser correto. A salvao 
de nossa alma est em jogo, e devemos examinar as Escrituras por ns mesmos. 
Por mais fortes que possam ser nossas convices, por maior confiana que 
tenhamos de que o ministro sabe o que  a verdade, no seja este o nosso 
fundamento. Temos um mapa dando todas as indicaes do caminho, na jornada 
em direo ao Cu, e no devemos estar a conjeturar a respeito de coisa alguma.
O primeiro e mais elevado dever de todo ser racional  aprender das Escrituras o 
que  a verdade, e ento andar na luz, animando outros a lhe seguirem o 
exemplo. Devemos dia aps dia estudar a Bblia, diligentemente, ponderando todo 
pensamento e comparando passagem com passagem. Com o auxlio divino 
devemos formar nossas opinies por ns mesmos, visto termos de responder por 
ns mesmos perante Deus.
As verdades mais claramente reveladas na Escritura Sagrada tm sido envoltas 
em dvida e trevas pelos homens doutos que, com pretenso de grande sabedoria, 
ensinam que as Escrituras tm um sentido mstico, secreto, espiritual, que no 
transparece na linguagem empregada. Estes homens so falsos ensinadores. Foi a 
essa classe que Jesus declarou: Errais
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vs em razo de no saberdes as Escrituras nem o poder de Deus. Mar. 12:24. A 
linguagem da Bblia deve ser explicada de acordo com o seu bvio sentido, a 
menos que seja empregado um smbolo ou figura. Cristo fez a promessa: Se 
algum quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecer se ela  de 
Deus. Joo 7:17. Se os homens to-somente tomassem a Bblia como , e no 
houvesse falsos ensinadores para transviar e confundir-lhes o esprito, realizar-se-
ia uma obra que alegraria os anjos, e que traria para o redil de Cristo milhares de 
milhares que ora se acham a vaguear no erro.
Cumpre-nos exercer todas as faculdades do esprito no estudo das Escrituras, e 
aplicar o intelecto em compreender as profundas coisas de Deus, tanto quanto 
possam fazer os mortais; no devemos, contudo, nos esquecer de que a docilidade 
e submisso da criana  o verdadeiro esprito do aprendiz. As dificuldades 
encontradas nas Escrituras jamais podem ser dominadas pelos mesmos mtodos 
que se empregam em se tratando de problemas filosficos. No nos devemos 
empenhar no estudo da Bblia com aquela confiana em ns mesmos com que 
tantos penetram nos domnios da cincia, mas sim com devota dependncia de 
Deus, e sincero desejo de saber a Sua vontade. Cheguemo-nos com esprito 
humilde e dcil para obter conhecimento do grande Eu Sou. De outro modo, anjos 
maus cegar-nos-o o esprito, endurecendo-nos o corao para que no sejamos 
impressionados pela verdade.
Muitas pores das Escrituras que homens doutos declaram ser mistrio, ou que 
no consideram como tendo importncia, esto repletas de conforto e instruo 
para aquele que aprender na escola de Cristo. Um dos motivos por que muitos 
telogos no tm compreenso mais clara da Palavra de Deus  o cerrarem os 
olhos s verdades que no desejam praticar. O compreender a verdade bblica no 
depende tanto do vigor do intelecto posto  pesquisa como da singeleza de 
propsito, do fervoroso anelo pela justia.
Nunca se deve estudar a Bblia sem orao. Somente o Esprito Santo nos pode 
fazer compreender a importncia das
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coisas fceis de se perceberem, ou impedir-nos de torcer verdades difceis de 
serem entendidas.  o mister dos anjos celestiais preparar o corao para de tal 
maneira compreender a Palavra de Deus que fiquemos encantados com sua 
beleza, admoestados por suas advertncias, ou animados e fortalecidos por suas 
promessas. Faamos nossa a petio do salmista: Desvenda os meus olhos para 
que veja as maravilhas da Tua lei. Sal. 119:18. As tentaes muitas vezes 
parecem irresistveis porque, pela negligncia da orao e estudo da Bblia, o que 
 tentado no pode facilmente lembrar-se das promessas de Deus e enfrentar 
Satans com as armas das Escrituras. Anjos, porm, acham-se em redor dos que 
esto desejosos de serem ensinados nas coisas divinas; e no tempo de grande 
necessidade lhes traro  lembrana as mesmas verdades de que necessitam. 
Assim, vindo o inimigo como uma corrente de guas, o Esprito do Senhor 
arvorar contra ele a sua bandeira. Isa. 59:19.
Jesus prometeu a Seus discpulos: Aquele Consolador, o Esprito Santo, que o Pai 
enviar em Meu nome, Esse vos ensinar todas as coisas, e vos far lembrar de 
tudo quanto vos tenho dito. Joo 14:26. Mas os ensinos de Cristo devem 
previamente ser armazenados na memria, a fim de que o Esprito de Deus no-los 
traga  lembrana no tempo de perigo. Escondi a Tua Palavra no meu corao, 
para eu no pecar contra Ti, disse Davi. Sal. 119:11.
Todos os que do valor a seus interesses eternos devem estar de sobreaviso 
contra as incurses do ceticismo. Os prprios fundamentos da verdade sero 
assaltados.  impossvel conservarmo-nos fora do alcance dos sarcasmos e 
sofismas, dos ensinos insidiosos e pestferos da incredulidade moderna. Satans 
adapta suas tentaes a todas as classes. Assalta o analfabeto com o motejo ou 
zombaria, enquanto enfrenta o que  educado com objees cientficas e raciocnio 
filosfico, igualmente calculados a suscitar desconfiana nas Escrituras ou desdm 
por elas. Mesmo jovens de pouca experincia tm a presuno de insinuar dvidas 
relativas aos princpios fundamentais
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do cristianismo. E esta juvenil incredulidade, trivial como , tem sua influncia. 
Muitos so assim levados a zombar da f de seus pais, e a fazer agravo ao Esprito 
da graa (Heb. 10:29). Muita vida que prometia ser uma honra a Deus e uma 
bno ao mundo foi crestada pelo detestvel bafejo da incredulidade. Todos os 
que confiam nas jactanciosas decises da razo humana, imaginando poder 
explicar os mistrios divinos e chegar  verdade desajudados pela sabedoria 
divina, acham-se enredados na cilada de Satans.
Estamos vivendo no perodo mais solene da histria deste mundo. O destino das 
imensas multides da Terra est prestes a decidir-se. Nosso prprio bem-estar 
futuro, e tambm a salvao de outras almas, dependem do caminho que ora 
seguimos. Necessitamos ser guiados pelo Esprito da verdade. Todo seguidor de 
Cristo deve fervorosamente indagar: Senhor, que queres que eu faa? 
Necessitamos humilhar-nos perante o Senhor, com jejum e orao, e meditar 
muito em Sua Palavra, especialmente nas cenas do juzo. Cumpre-nos buscar 
agora uma experincia profunda e viva nas coisas de Deus. No temos um 
momento a perder. Acontecimentos de importncia vital esto a ocorrer em redor 
de ns; estamos no terreno encantado de Satans. No durmais, sentinelas de 
Deus; o adversrio est perto, de emboscada, pronto para a qualquer momento, 
caso vos torneis negligentes e sonolentos, saltar sobre vs e fazer-vos presa sua.
Muitos esto enganados quanto  sua verdadeira condio perante Deus. 
Congratulam-se pelos maus atos que no cometem, e esquecem-se de enumerar 
as boas e nobres aes que Deus exige deles, mas negligenciaram cumprir. No 
basta que sejam rvores no jardim de Deus. Devem corresponder a Sua 
expectativa, produzindo frutos. Ele os responsabiliza pela sua falta em cumprir 
todo o bem que poderiam fazer, mediante Sua graa que os fortalece. Nos livros 
do Cu, acham-se eles registrados como estando a ocupar em vo o terreno. 
Contudo, mesmo o caso desta classe no  inteiramente desesperador. Em prol 
daqueles que tm tomado em pouca considerao a misericrdia de Deus, 
desprezando Sua graa, o corao do
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longnimo Amor ainda pleiteia. Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-
te dentre os mortos, e Cristo te esclarecer. Portanto, vede prudentemente como 
andais,  remindo o tempo; porquanto os dias so maus. Efs. 5:14-16.
Quando o tempo de prova vier, revelar-se-o os que fizeram da PaIavra de Deus 
sua regra de vida. No vero, nenhuma diferena se nota entre os ciprestes e as 
outras rvores; mas, ao soprarem as rajadas hibernais, aqueles permanecem 
inalterveis, enquanto estas perdem a folhagem. Assim aquele que com corao 
falso professa a religio, pode agora no se diferenar do cristo verdadeiro; est, 
porm, justamente diante de ns o tempo em que a diferena aparecer. Levante-
se a oposio, de novo exeram domnio o fanatismo e a intolerncia, acenda-se a 
perseguio, e os insinceros e hipcritas vacilaro, renunciando a f; mas o 
verdadeiro crente permanecer firme como um rocha, tornando-se mais forte a 
sua f, sua esperana mais viva do que nos dias da prosperidade.
Diz o salmista: Medito nos Teus testemunhos. Pelos Teus mandamentos 
alcancei entendimento; pelo que aborreo todo o falso caminho. Sal. 119:99 e 
104.
Bem-aventurado  o homem que acha sabedoria. Ser como a rvore plantada 
junto s guas, que estende suas razes para o ribeiro, e no receia quando vem o 
calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequido no se afadiga, nem deixa 
de dar fruto. Prov. 3:13; Jer. 17:8.
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38
O ltimo Convite Divino
Pg. 603
Vi descer do cu outro anjo que tinha grande poder, e a Terra foi iluminada com a 
sua glria. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande 
Babilnia, e se tornou morada de demnios, e coito de todo o esprito imundo, e 
coito de toda a ave imunda, e aborrecvel. E ouvi outra voz do cu, que dizia: Sai 
dela, povo Meu, para que no sejas participante dos seus pecados, e para que no 
incorras nas suas pragas. Apoc. 18:1, 2 e 4.
Esta passagem indica um tempo em que o anncio da queda de Babilnia, 
conforme foi feito pelo segundo anjo do captulo 14 do Apocalipse, deve repetir-se 
com a meno adicional das corrupes que tm estado a se introduzir nas vrias 
organizaes que constituem Babilnia, desde que esta mensagem foi pela 
primeira vez proclamada, no vero de 1844. Descreve-se aqui uma terrvel 
condio do mundo religioso. A cada rejeio da verdade o esprito do povo se 
tornar mais entenebrecido, mais obstinado o corao, at que fique 
entrincheirado em audaciosa incredulidade. Em desafio s advertncias que Deus 
deu, continuaro a calcar a ps um dos preceitos do declogo, at que sejam 
levados a perseguir os que o tm como sagrado. Cristo  desprezado com o 
desdm que se lana  Sua Palavra e a Seu povo. Sendo os ensinos do
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Pg. 604
espiritismo aceitos pelas igrejas, removem-se as restries impostas ao corao 
carnal, e o professar religio se tornar um manto para ocultar a mais vil 
iniqidade. A crena nas manifestaes espiritualistas abre a porta aos espritos 
enganadores e doutrinas de demnios, e assim a influncia dos anjos maus ser 
sentida nas igrejas.
A respeito de Babilnia, no tempo referido nesta profecia, declara-se: Os seus 
pecados se acumularam at ao cu, e Deus Se lembrou das iniqidades dela. 
Apoc. 18:5. Encheu a medida de sua culpa, e a destruio est a ponto de cair 
sobre ela. Mas Deus ainda tem um povo em Babilnia; e, antes de sobrevirem 
Seus juzos, esses fiis devem ser chamados a sair, para que no sejam 
participantes dos seus pecados e no incorram nas suas pragas. Esta a razo de 
ser o movimento simbolizado pelo anjo descendo do Cu, iluminando a Terra com 
sua glria, e clamando fortemente com grande voz, anunciando os pecados de 
Babilnia. Em relao com a sua mensagem ouve-se a chamada: Sai dela, povo 
Meu. Estes anncios, unindo-se  mensagem do terceiro anjo, constituem a 
advertncia final a ser dada aos habitantes da Terra.
Terrvel  a crise para a qual caminha o mundo. Os poderes da Terra, unindo-se 
para combater os mandamentos de Deus, decretaro que todos, pequenos e 
grandes, ricos e pobres, livres e servos (Apoc. 13:16), se conformem aos 
costumes da igreja, pela observncia do falso sbado. Todos os que se recusarem 
a conformar-se sero castigados pelas leis civis, e declarar-se- finalmente serem 
merecedores de morte. Por outro lado, a lei de Deus que ordena o dia de descanso 
do Criador, exige obedincia, e ameaa com a ira divina todos os que transgridem 
os seus preceitos.
Esclarecido assim o assunto, quem quer que pise a lei de Deus para obedecer a 
uma ordenana humana, recebe o sinal da besta; aceita o sinal de submisso ao 
poder a que prefere obedecer em vez de Deus. A advertncia do Cu : Se 
algum adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua
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Pg. 605
testa, ou na sua mo, tambm o tal beber do vinho da ira de Deus, que se 
deitou, no misturado, no clice da Sua ira. Apoc. 14:9 e 10.
Mas ningum dever sofrer a ira de Deus antes que a verdade se lhe tenha 
apresentado ao esprito e conscincia, e haja sido rejeitada. H muitos que nunca 
tiveram oportunidade de ouvir as verdades especiais para este tempo. A 
obrigatoriedade do quarto mandamento nunca lhes foi apresentada em sua 
verdadeira luz. Aquele que l todos os coraes e prova todos os intuitos, no 
deixar que pessoa alguma que deseje o conhecimento da verdade seja enganada 
quanto ao desfecho da controvrsia. O decreto no ser imposto ao povo 
cegamente. Cada qual receber esclarecimento bastante para fazer 
inteligentemente a sua deciso.
O sbado ser a pedra de toque da lealdade; pois  o ponto da verdade 
especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, traar-
se- a linha divisria entre os que servem a Deus e os que no O servem. Ao 
passo que a observncia do sbado esprio em conformidade com a lei do Estado, 
contrria ao quarto mandamento, ser uma declarao de fidelidade ao poder que 
se acha em oposio a Deus,  a guarda do verdadeiro sbado, em obedincia  lei 
divina, uma prova de lealdade para com o Criador. Ao passo que uma classe, 
aceitando o sinal de submisso aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a 
outra, preferindo o sinal da obedincia  autoridade divina, recebe o selo de Deus.
At aqui, os que apresentavam as verdades da mensagem do terceiro anjo foram 
muitas vezes considerados como simples alarmistas. Suas predies de que a 
intolerncia religiosa alcanaria predomnio nos Estados Unidos, de que a Igreja e 
o Estado se uniriam para perseguir os que guardam os mandamentos de Deus, 
foram declaradas sem fundamento e absurdas. Afirmou-se confiantemente que 
esse pas jamais se poderia tornar outro que no o que tem sido: defensor da 
liberdade
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Pg. 606
religiosa. Mas, ao ser a questo da obrigatoriedade da observncia do domingo 
amplamente agitada, v-se aproximar o fato h tanto tempo duvidado e descrido, 
e a terceira mensagem produzir um efeito que antes no seria possvel produzir.
Em todas as geraes Deus tem enviado Seus servos para repreender o pecado, 
tanto no mundo como na igreja. Mas o povo deseja que se lhes falem coisas 
agradveis, e a verdade clara e pura no  aceita. Muitos reformadores, ao 
iniciarem seu trabalho, decidiram-se a exercer grande prudncia ao atacar os 
pecados da igreja e da nao. Esperavam, pelo exemplo de uma vida crist pura, 
fazer voltar o povo s doutrinas da Bblia. Mas o Esprito de Deus veio sobre eles, 
assim como viera sobre Elias, impelindo-o a repreender os pecados de um rei 
mpio e de um povo apstata; no podiam conter-se de pregar as claras 
afirmaes da Escritura Sagrada  doutrinas que tinham sido relutantes em 
apresentar. Sentiam-se forados a declarar zelosamente a verdade e o perigo que 
ameaava as almas. As palavras que o Senhor lhes dava, eles as falavam, sem 
temer as conseqncias, e o povo era constrangido a ouvir a advertncia.
Assim ser proclamada a mensagem do terceiro anjo. Ao chegar o tempo para que 
ela seja dada com o mximo poder, o Senhor operar por meio de humildes 
instrumentos, dirigindo a mente dos que se consagram ao Seu servio. Os obreiros 
sero antes qualificados pela uno de Seu Esprito do que pelo preparo das 
instituies de ensino. Homens de f e orao sero constrangidos a sair com zelo 
santo, declarando as palavras que Deus lhes d. Os pecados de Babilnia sero 
revelados. Os terrveis resultados da imposio das observncias da igreja pela 
autoridade civil, as incurses do espiritismo, os furtivos mas rpidos progressos do 
poder papal  tudo ser desmascarado. Por meio destes solenes avisos o povo ser 
comovido. Milhares de milhares que nunca ouviram palavras como essas, escut-
las-o. Com espanto ouviro o testemunho de
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Pg. 607
que Babilnia  a igreja, cada por causa de seus erros e pecados, por causa de 
sua rejeio da verdade, enviada do Cu a ela. Ao ir o povo a seus antigos 
ensinadores, com a vida pergunta  So estas coisas assim?  os ministros 
apresentam fbulas, profetizam coisas agradveis, para acalmar-lhes os temores, 
e silenciar a conscincia despertada. Mas, visto que muitos se recusaro a 
satisfazer-se com a mera autoridade dos homens, pedindo um claro  Assim diz o 
Senhor  o ministrio popular, semelhante aos fariseus da antiguidade, cheio de 
ira por ser posta em dvida a sua autoridade, denunciar a mensagem como 
sendo de Satans, e agitar as multides amantes do pecado para ultrajar e 
perseguir os que a proclamam.
Estendendo-se a controvrsia a novos campos, e sendo a ateno do povo 
chamada para a lei de Deus calcada a ps, Satans entrar em ao. O poder que 
acompanha a mensagem apenas enfurecer os que a ela se opem. O clero 
empregar esforos quase sobre-humanos para excluir a luz, receoso de que 
ilumine seus rebanhos. Por todos os meios ao seu alcance esforar-se- por evitar 
todo estudo destes assuntos vitais. A igreja apelar para o brao forte do poder 
civil, e nesta obra unir-se-o romanistas e protestantes. Ao tornar-se o movimento 
em prol da imposio do domingo mais audaz e decidido, invocar-se- a lei contra 
os observadores dos mandamentos. Sero ameaados com multas e priso, e a 
alguns se oferecero posies de influncia e outras recompensas e vantagens, 
como engodo para renunciarem a sua f. Mas sua perseverante resposta ser: 
Mostrai-nos pela Palavra de Deus o nosso erro  a mesma que foi apresentada 
por Lutero sob idnticas circunstncias. Os que forem citados perante os tribunais, 
defendero corajosamente a verdade, e alguns que os ouvirem sero levados a 
decidir-se a guardar todos os mandamentos de Deus. Assim a luz chegar a 
milhares que de outra maneira nada saberiam destas verdades.
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Pg. 608
A conscienciosa obedincia  Palavra de Deus ser considerada rebeldia. Cegado 
por Satans, o pai exercer aspereza e severidade para com o filho crente; o 
patro ou patroa oprimir o empregado que observe os mandamentos. A afeio 
ser alienada; filhos sero deserdados e expulsos do lar. Cumprir-se-o 
literalmente as palavras de Paulo: Todos os que piamente quiserem viver em 
Cristo Jesus padecero perseguies. II Tim. 3:12. Como os defensores da 
verdade se recusem a honrar o descanso dominical, alguns deles sero lanados 
na priso, exilados, e outros tratados como escravos. Para a sabedoria humana, 
tudo isto parece agora impossvel: mas, ao ser retirado dos homens o Esprito de 
Deus, o qual tem o poder de reprimi-los, e ao ficarem eles sob o governo de 
Satans, que odeia os preceitos divinos, ho de acontecer coisas estranhas. 
Quando o temor e o amor de Deus so removidos, o corao pode tornar-se muito 
cruel.
Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado f na 
mensagem do terceiro anjo, mas no tem sido santificada pela obedincia  
verdade, abandona sua posio, passando para as fileiras do adversrio. Unindo-se 
ao mundo e participando de seu esprito, chegaram a ver as coisas quase sob a 
mesma luz; e, em vindo a prova, esto prontos a escolher o lado fcil, popular. 
Homens de talento e maneiras agradveis, que se haviam j regozijado na 
verdade, empregam sua capacidade em enganar e transviar as almas. Tornam-se 
os piores inimigos de seus antigos irmos. Quando os observadores do sbado 
forem levados perante os tribunais para responder por sua f, estes apstatas 
sero os mais ativos agentes de Satans para represent-los falsamente e os 
acusar e, por meio de falsos boatos e insinuaes, incitar os governantes contra 
eles.
Neste tempo de perseguio provar-se- a f dos servos do Senhor. Deram 
fielmente a advertncia, seguindo to-somente a Deus e Sua Palavra. O Esprito 
divino, atuando em seu corao, constrangeu-os a falar. Estimulados por um santo 
zelo e
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Pg. 609
forte impulso divino, cumprem seu dever, sem deter-se para calcular as 
conseqncias de falar ao povo a Palavra que o Senhor lhes dera. No consultaram 
seus interesses temporais, tampouco procuraram defender sua reputao ou vida. 
Todavia, quando a tempestade da oposio e vituprio irromper sobre eles, alguns, 
vencidos pela consternao, estaro prontos para exclamar: Se tivssemos 
previsto as conseqncias de nossas palavras, teramos guardado silncio. 
Acham-se cercados de dificuldades. Satans os assalta com cruis tentaes. A 
obra que empreenderam parece muito alm de sua habilidade para levarem a 
termo. Esto quase a sucumbir. Foi-se o entusiasmo que os animava; contudo, 
no podem voltar. Ento, sentindo o seu completo desamparo, se refugiam 
nAquele que  poderoso, em busca de auxlio. Lembram-se de que as palavras que 
falaram no eram suas, mas dAquele que os mandou dar a advertncia. Deus lhes 
ps a verdade no corao, e no poderiam eximir-se de proclam-la.
As mesmas provaes foram experimentadas por homens de Deus nos sculos 
passados. Wycliffe, Huss, Lutero, Tyndale, Baxter, Wesley, insistiam em que todas 
as doutrinas fossem submetidas  prova da Bblia, declarando que renunciariam a 
tudo que esta condenasse. Contra esses homens desencadeou-se a perseguio 
com fria implacvel; no cessaram todavia de declarar a verdade. Cada um dos 
diferentes perodos da histria da igreja se tem distinguido pelo desenvolvimento 
de alguma verdade especial, adaptada s necessidades do povo de Deus naquele 
tempo. Toda nova verdade teve de enfrentar o dio e a oposio; os que foram 
beneficiados por sua luz, sofreram tentaes e provaes. O Senhor d ao povo 
uma verdade especial quando este se encontra em situao difcil. Quem ousa 
recusar-se a public-la? Ele ordena a Seus servos que apresentem o ltimo 
convite de misericrdia ao mundo. Eles no podem permanecer silenciosos; a no 
ser com perigo de sua alma. Os embaixadores de Cristo nada tm que ver com as
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Pg. 610
conseqncias. Devem cumprir seu dever e deixar os resultados com Deus.
Assumindo a oposio carter mais violento, os servos de Deus de novo ficam 
perplexos; pois lhes parece que eles motivaram a crise. Mas a conscincia e a 
Palavra de Deus lhes asseguram que sua conduta  correta; e, conquanto 
continuem as provaes, so fortalecidos para suport-las. A luta se torna mais 
renhida e acirrada, mas a sua f e coragem aumentam com o perigo. Seu 
testemunho : No ousamos tentar alteraes na Palavra de Deus, dividindo a 
Sua santa lei, dizendo ser essencial uma parte, e outra no, com o fito de alcanar 
o favor do mundo. O Senhor a quem servimos  capaz de nos livrar. Cristo venceu 
os poderes da Terra: arrecear-nos-emos de um mundo j vencido?
A perseguio em suas vrias modalidades  o desenvolvimento de um princpio 
que subsistir enquanto existir Satans e tiver o cristianismo poder vital. Ningum 
poder servir a Deus sem atrair contra si a oposio das hostes das trevas. Anjos 
maus o assaltaro, alarmados de que a sua influncia lhes esteja arrebatando a 
presa. Homens maus, reprovados pelo seu exemplo, unir-se-o queles, 
procurando separar de Deus tal pessoa, por meio de sedutoras tentaes. Quando 
estas no surtem o efeito esperado, recorre-se ao poder compulsrio para forar a 
conscincia.
Mas, enquanto Jesus permanece como intercessor do homem no santurio 
celestial, a influncia repressora do Esprito Santo  sentida pelos governantes e 
pelo povo. Essa influncia governa, ainda, at certo ponto, as leis do pas. No 
fossem estas, e a condio do mundo seria muito pior do que ora . Conquanto 
muitos de nossos legisladores sejam ativos agentes de Satans, Deus tambm 
tem os Seus instrumentos entre os principais homens da nao. O inimigo incita 
seus servos a que proponham medidas que estorvariam grandemente a obra de 
Deus; mas estadistas que temem o Senhor so influenciados por santos anjos para 
que se oponham a essas propostas, com argumentos irretorquveis. Assim, um 
pequeno grupo de homens
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Pg. 611
sustar poderosa corrente de males. A oposio dos inimigos da verdade ser 
restringida a fim de que a mensagem do terceiro anjo possa efetuar a sua obra. 
Quando for dada a advertncia final, prender a ateno das pessoas influentes 
por meio de quem o Senhor est agora a operar, e algumas delas a aceitaro, e 
manter-se-o com o povo de Deus durante o tempo de angstia.
O anjo que se une na proclamao da mensagem do terceiro anjo, deve iluminar a 
Terra toda com a sua glria. Prediz-se com isto uma obra de extenso mundial e 
de extraordinrio poder. O movimento adventista de 1840 a 1844 foi uma 
manifestao gloriosa do poder de Deus; a mensagem do primeiro anjo foi levada 
a todos os postos missionrios do mundo, e nalguns pases houve o maior 
interesse religioso que se tem testemunhado em qualquer nao desde a Reforma 
do sculo XVI; mas isto deve ser superado pelo poderoso movimento sob a ltima 
advertncia do terceiro anjo.
Esta obra ser semelhante  do dia de Pentecoste. Assim como a chuva tempor 
foi dada, no derramamento do Esprito Santo no incio do evangelho, para efetuar 
a germinao da preciosa semente, a chuva serdia ser dada em seu final para 
o amadurecimento da seara. Conheamos e prossigamos em conhecer o Senhor; 
como a alva ser a Sua sada; e Ele a ns vir como a chuva, como a chuva 
serdia que rega a terra. Os. 6:3. E vs, filhos de Sio, regozijai-vos e alegrai-
vos no Senhor vosso Deus, porque Ele vos dar ensinador de justia, e far descer 
a chuva, a tempor e a serdia. Joel 2:23. E nos ltimos dias acontecer, diz 
Deus, que do Meu Esprito derramarei sobre toda a carne. E acontecer que todo 
aquele que invocar o nome do Senhor ser salvo.  Atos 2:17 e 21.
A grande obra do evangelho no dever encerrar-se com menor manifestao do 
poder de Deus do que a que assinalou o seu incio. As profecias que se cumpriram 
no derramamento
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Pg. 612
da chuva tempor no incio do evangelho, devem novamente cumprir-se na chuva 
serdia, no final do mesmo. Eis a os tempos do refrigrio que o apstolo Pedro 
esperava quando disse: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam 
apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigrio pela 
presena do Senhor, e envie Ele a Jesus Cristo. Atos 3:19 e 20.
Servos de Deus, com o rosto iluminado e a resplandecer de santa consagrao, 
apressar-se-o de um lugar para outro para proclamar a mensagem do Cu. Por 
milhares de vozes em toda a extenso da Terra, ser dada a advertncia. Operar-
se-o prodgios, os doentes sero curados, e sinais e maravilhas seguiro aos 
crentes. Satans tambm opera com prodgios de mentira, fazendo mesmo descer 
fogo do cu,  vista dos homens (Apoc. 13:13). Assim os habitantes da Terra 
sero levados a decidir-se.
A mensagem h de ser levada no tanto por argumentos como pela convico 
profunda do Esprito de Deus. Os argumentos foram apresentados. A semente foi 
semeada e agora brotar e frutificar. As publicaes distribudas pelos 
missionrios tm exercido sua influncia; todavia, muitos que ficaram 
impressionados, foram impedidos de compreender completamente a verdade, ou 
de lhe prestar obedincia. Agora os raios de luz penetram por toda parte, a 
verdade  vista em sua clareza, e os leais filhos de Deus cortam os liames que os 
tm retido. Laos de famlia, relaes na igreja, so impotentes para os deter 
agora. A verdade  mais preciosa do que tudo mais. Apesar das foras 
arregimentadas contra a verdade, grande nmero se coloca ao lado do Senhor.
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39
Aproxima-se o Tempo
de Angstia
Pg. 613
Naquele tempo Se levantar Miguel, o grande prncipe, que Se levanta pelos 
filhos do teu povo, e haver um tempo de angstia, qual nunca houve, desde que 
houve nao at aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se- o teu povo, todo 
aquele que se achar escrito no livro. Dan. 12:1.
Quando se encerrar a mensagem do terceiro anjo, a misericrdia no mais 
pleitear em favor dos culpados habitantes da Terra. O povo de Deus ter 
cumprido a sua obra. Recebeu a chuva serdia, o refrigrio pela presena do 
Senhor, e acha-se preparado para a hora probante que diante dele est. No Cu, 
anjos apressam-se de um lado para o outro. Um anjo que volta da Terra anuncia 
que a sua obra est feita; o mundo foi submetido  prova final, e todos os que se 
mostraram fiis aos preceitos divinos receberam o selo do Deus vivo. Cessa ento 
Jesus de interceder no santurio celestial. Levanta as mos e com grande voz diz: 
Est feito; e toda a hoste anglica depe suas coroas, ao fazer Ele o solene aviso. 
Quem  injusto, faa injustia ainda; e quem est sujo, suje-se ainda; e quem  
justo, faa justia ainda; e quem  santo, seja santificado ainda. Apoc. 22:11. 
Todos os casos foram decididos para vida ou para morte. Cristo fez expiao por 
Seu povo, e
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Pg. 614
apagou os seus pecados. O nmero de Seus sditos completou-se; e o reino, e o 
domnio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o cu, esto prestes a ser 
entregues aos herdeiros da salvao, e Jesus deve reinar como Rei dos reis e 
Senhor dos senhores.
Deixando Ele o santurio, as trevas cobrem os habitantes da Terra. Naquele tempo 
terrvel os justos devem viver  vista de um Deus santo, sem intercessor. 
Removeu-se a restrio que estivera sobre os mpios, e Satans tem domnio 
completo sobre os que finalmente se encontram impenitentes. Terminou a 
longanimidade de Deus: O mundo rejeitou a Sua misericrdia, desprezou-Lhe o 
amor, pisando Sua lei. Os mpios passaram os limites de seu tempo de graa; o 
Esprito de Deus, persistentemente resistido, foi, por fim, retirado. Desabrigados 
da graa divina, no tm proteo contra o maligno. Satans mergulhar ento os 
habitantes da Terra em uma grande angstia final. Ao cessarem os anjos de Deus 
de conter os ventos impetuosos das paixes humanas, ficaro s soltas todos os 
elementos de contenda. O mundo inteiro se envolver em runa mais terrvel do 
que a que sobreveio a Jerusalm na antiguidade.
Um nico anjo destruiu todos os primognitos dos egpcios, enchendo a Terra de 
pranto. Quando Davi ofendeu a Deus, por contar o povo, um anjo fez aquela 
terrvel destruio pela qual seu pecado foi punido. O mesmo poder destruidor 
exercido pelos santos anjos quando Deus ordena, ser exercido pelos maus 
quando Ele o permitir. H agora foras preparadas, e que aguardam apenas o 
consentimento divino para espalharem a desolao por toda parte.
Os que honram a lei de Deus tm sido acusados de acarretar juzos sobre o 
mundo, e sero considerados como a causa das terrveis convulses da Natureza, 
da contenda e carnificina entre os homens, coisas que esto enchendo a Terra de 
pavor. O poder que acompanha a ltima advertncia enraiveceu os mpios; sua 
clera acende-se contra todos os que receberam
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Pg. 615
a mensagem, e Satans incitar a maior intensidade ainda o esprito de dio e 
perseguio.
Quando a presena de Deus se retirou, por fim, da nao judaica, sacerdotes e 
povo no o sabiam. Posto que sob o domnio de Satans, e governados pelas 
paixes mais horrveis e perniciosas, consideravam-se ainda como os escolhidos 
de Deus. Continuou o ministrio no templo; ofereciam-se sacrifcios sobre os 
altares poludos, e diariamente a bno divina era invocada sobre um povo 
culpado do sangue do querido Filho de Deus, e empenhado em matar Seus 
ministros e apstolos. Assim, quando a deciso irrevogvel do santurio houver 
sido pronunciada, e para sempre tiver sido fixado o destino do mundo, os 
habitantes da Terra no o sabero. As formas da religio continuaro a ser 
mantidas por um povo do qual finalmente o Esprito de Deus Se ter retirado; e o 
zelo satnico com que o prncipe do mal os inspirar para o cumprimento de seus 
maldosos desgnios, ter a semelhana do zelo para com Deus.
Como o sbado se tornou o ponto especial de controvrsia por toda a cristandade, 
e as autoridades religiosas e seculares se combinaram para impor a observncia 
do domingo, a recusa persistente de uma pequena minoria em ceder  exigncia 
popular, far com que esta minoria seja objeto de dio universal. Insistir-se- em 
que os poucos que permanecem em oposio a uma instituio da igreja e lei do 
Estado, no devem ser tolerados; que  melhor que eles sofram do que naes 
inteiras sejam lanadas em confuso e ilegalidade. O mesmo argumento, h mil e 
oitocentos anos, foi aduzido contra Cristo pelos prncipes do povo. Convm, 
disse o astucioso Caifs, que um homem morra pelo povo, e que no perea toda 
a nao. Joo 11:50. Este argumento parecer conclusivo; e expedir-se-, por 
fim, um decreto contra os que santificam o sbado do quarto mandamento, 
denunciando-os como merecedores do mais severo castigo, e dando ao povo 
liberdade para, depois de certo tempo, mat-los. O romanismo no Velho Mundo, e
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Pg. 616
o protestantismo apstata no Novo, adotaro uma conduta idntica para com 
aqueles que honram todos os preceitos divinos.
O povo de Deus ser ento imerso naquelas cenas de aflio e angstia descritas 
pelo profeta como o tempo de angstia de Jac. Assim diz o Senhor: Ouvimos 
uma voz de tremor, de temor mas no de paz.  Por que se tm tornado 
macilentos todos os rostos? Ah! porque aquele dia  to grande, que no houve 
outro semelhante! e  tempo de angstia para Jac; ele porm ser livrado dela. 
Jer. 30:5-7.
A noite de angstia de Jac, quando lutou em orao para obter livramento da 
mo de Esa (Gn. 32:24-30), representa a experincia do povo de Deus no 
tempo de tribulao. Por causa do engano praticado a fim de conseguir a bno 
de seu pai, destinada a Esa, havia Jac fugido para salvar a vida, alarmado pelas 
ameaas de morte feitas por seu irmo. Depois de ficar muitos anos como exilado, 
ps-se a caminho, por ordem de Deus, para voltar com suas mulheres e filhos, 
rebanhos e gado, ao pas natal. Chegando s fronteiras da terra, encheu-se de 
terror com as notcias da aproximao de Esa  frente de um bando de 
guerreiros, indubitavelmente determinado  vingana. A multido de Jac, 
desarmada e indefesa, parecia prestes a cair desamparadamente como vtima da 
violncia e morticnio. E ao fardo de ansiedade e temor acrescentou-se o peso 
esmagador da reprovao de si prprio; pois que era o seu pecado que acarretara 
este perigo. Sua nica esperana estava na misericrdia de Deus; sua defesa 
nica deveria ser a orao. Todavia, nada deixa de sua parte por fazer a fim de 
expiar a falta para com seu irmo, e desviar o perigo que o ameaava. Assim, ao 
aproximarem-se do tempo de angstia, devem os seguidores de Cristo esforar-se 
por se colocar em uma luz conveniente perante o povo, a fim de desarmar o 
preconceito e remover o perigo que ameaa a liberdade de conscincia.
Tendo feito afastar a sua famlia, para que no lhe testemunhasse a angstia, Jac 
ficou s para interceder junto a Deus.
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Pg. 617
Confessa o seu pecado, e com gratido reconhece a misericrdia de Deus para 
com ele, ao mesmo tempo em que com profunda humilhao pleiteia o concerto 
estabelecido com seus pais, e as promessas a ele mesmo feitas na viso noturna 
de Betel, e na terra de seu exlio. Chegara o momento crtico em sua vida; tudo 
est em jogo. Nas trevas e solido continua ele a orar e a humilhar-se perante 
Deus. Subitamente percebe uma mo sobre o ombro. Julga ser um inimigo que 
procura tirar-lhe a vida, e com toda a energia do desespero luta com o seu 
assaltante. Quando comea a raiar o dia, o estranho emprega a sua fora 
sobrenatural: ao seu toque o vigoroso homem parece atacado de paralisia e, 
desajudado, cai a chorar, suplicante, sobre o pescoo de seu misterioso 
antagonista. Jac sabe agora que era o Anjo do Concerto, com quem estivera a 
lutar. Posto que extenuado e sofrendo a mais aguda dor, no abandona o seu 
propsito. Havia muito tempo que ele suportava a perplexidade, o remorso e a 
angstia pelo seu pecado; agora deveria ter a segurana de que fora perdoado. O 
Visitante divino parece a ponto de partir; Jac, porm, apega-se a Ele, rogando 
uma bno. O Anjo insiste: Deixa-Me ir, porque j a alva subiu; mas o patriarca 
exclama: No Te deixarei ir, se me no abenoares. Que confiana, que firmeza 
e perseverana so aqui reveladas! Fosse isto uma exigncia jactanciosa, 
presumida, e Jac teria sido destrudo instantaneamente; mas dele era a 
segurana de quem confessa a sua fraqueza e indignidade e, no obstante, confia 
na misericrdia de um Deus que guarda Seu concerto.
Lutou com o Anjo, e prevaleceu. Os. 12:4. Pela humilhao, arrependimento e 
submisso, aquele mortal pecador, falvel, prevaleceu sobre a Majestade do Cu. 
Firmara as mos trementes nas promessas de Deus, e o corao do Amor infinito 
no poderia afastar a defesa do pecador. Como prova de seu triunfo e animao a 
outros para lhe imitarem o exemplo, seu nome foi mudado de um nome que lhe 
recordava o pecado para outro que comemorava sua vitria. E o fato de haver Jac
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Pg. 618
prevalecido com Deus constitua uma segurana de que prevaleceria com os 
homens. No mais teve receio de enfrentar a ira do irmo: pois o Senhor era a sua 
defesa.
Satans tinha acusado Jac perante os anjos de Deus, pretendendo o direito de 
destru-lo por causa de seu pecado; havia incitado Esa para marchar contra ele; 
e, durante a longa noite de luta do patriarca, Satans esforou-se por incutir nele 
uma intuio de culpa, a fim de o desanimar e romper sua ligao com Deus. Jac 
foi quase arrastado ao desespero; mas sabia que sem o auxlio do Cu teria de 
perecer. Tinha-se arrependido sinceramente de seu grande pecado, e apelou para 
a misericrdia de Deus. No se demoveria de seu propsito, antes segurou firme o 
Anjo, insistindo em seu pedido com ardentes e angustiosos brados, at prevalecer.
Assim como Satans influenciou Esa a marchar contra Jac, instigar os mpios a 
destrurem o povo de Deus no tempo de angstia. E assim como acusou a Jac, 
acusar o povo de Deus. Conta com as multides do mundo como seus sditos; 
mas o pequeno grupo que guarda os mandamentos de Deus, est resistindo a sua 
supremacia. Se ele os pudesse eliminar da Terra, seu triunfo seria completo. Ele 
v que santos anjos os esto guardando, e deduz que seus pecados foram 
perdoados; mas no sabe que seus casos foram decididos no santurio celestial. 
Tem um conhecimento preciso dos pecados que os tentou a cometer, e apresenta 
esses pecados diante de Deus sob a mais exagerada luz, representando a este 
povo como sendo precisamente to merecedor como ele mesmo da excluso do 
favor de Deus. Declara que com justia o Senhor no pode perdoar-lhes os 
pecados, e, no entanto, destruir a ele e seus anjos. Reclama-os como sua presa, e 
pede que sejam entregues em suas mos para os destruir.
Acusando Satans o povo de Deus por causa de seus pecados, o Senhor lhe 
permite que os prove at o ltimo ponto. Sua confiana em Deus, sua f e 
firmeza, sero severamente postas  prova. Ao reverem o passado, suas 
esperanas
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Pg. 619
desfalecem; pois que em sua vida inteira pouco bem podem ver. Esto 
perfeitamente cnscios de sua fraqueza e indignidade. Satans se esfora por 
aterroriz-los com o pensamento de que seus casos no do margem a esperana, 
que a mancha de seu aviltamento jamais ser lavada. Espera destruir-lhes a f, de 
tal maneira que cedam s suas tentaes, desviando-se de sua fidelidade para 
com Deus.
Embora o povo de Deus esteja rodeado de inimigos que se esforam por destru-lo, 
a angstia que sofrem no , todavia, o medo da perseguio por causa da 
verdade; receiam no se terem arrependido de todo pecado, e que, devido a 
alguma falta, no se cumpra a promessa do Salvador: Eu te guardarei da hora da 
tentao que h de vir sobre todo o mundo. Apoc. 3:10. Se pudessem ter a 
segurana de seu perdo, no recuariam da tortura ou da morte; mas, se se 
mostrassem indignos, e perdessem a vida por causa dos seus defeitos de carter, 
o santo nome de Deus seria ento vituperado.
De todos os lados ouvem as tramas da traio, e vem alastrar-se ativamente a 
revolta; e desperta-se neles um intenso desejo, fervoroso anseio dalma, para que 
esta grande apostasia termine e a impiedade dos mpios chegue a termo. Mas, 
enquanto rogam a Deus que detenha a obra da rebelio,  com um vivo senso de 
reprovao prpria que no mais tm eles poder para resistir  poderosa onda do 
mal e for-la a retroceder. Sentem que se houvessem sempre empregado toda a 
sua habilidade no servio de Cristo, indo avante de poder em poder, as foras de 
Satans teriam menos capacidade para prevalecer contra eles.
Afligem a alma perante Deus, indicando o anterior arrependimento de seus muitos 
pecados, e reclamando a promessa do Salvador: Que se apodere de Minha fora e 
faa paz comigo; sim, que faa paz comigo. Isa. 27:5. Sua f no desfalece por 
no serem suas oraes de pronto atendidas. Sofrendo
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Pg. 620
embora a mais profunda ansiedade, terror e angstia, no cessam as suas 
intercesses. Apoderam-se da fora de Deus como Jac se apoderara do Anjo; e a 
linguagem de sua alma : No Te deixarei ir, se me no abenoares.
Se Jac no se houvesse primeiro arrependido de seu pecado de obter pela fraude 
o direito de primogenitura, Deus no lhe teria ouvido a orao, preservando-lhe 
misericordiosamente a vida. Semelhantemente, no tempo de angstia, se o povo 
de Deus tivesse pecados no confessados que surgissem diante deles enquanto 
torturados pelo temor e angstia, seriam vencidos; o desespero suprimir-lhes-ia a 
f, e no poderiam ter confiana para suplicar de Deus o livramento. Mas, ao 
mesmo tempo em que tm uma profunda intuio de sua indignidade, no 
possuem falta oculta para revelar. Seus pecados foram examinados e extinguidos 
no juzo; no os podem trazer  lembrana.
Satans leva muitos a crer que Deus no toma em considerao sua infidelidade 
nas pequenas coisas da vida; mas o Senhor mostra, em seu trato com Jac, que 
de maneira nenhuma sancionar ou tolerar o mal. Todos os que se esforam por 
desculpar ou esconder seus pecados, permitindo que permaneam nos livros do 
Cu, sem serem confessados e perdoados, sero vencidos por Satans. Quanto 
mais exaltada for a sua profisso, e mais honrada a posio que ocupam, mais 
ofensiva  a sua conduta  vista de Deus, e mais certa  a vitria de seu grande 
adversrio. Os que se retardam no preparo para o dia de Deus, no o podero 
obter no tempo de angstia, ou em qualquer ocasio subseqente. O caso de 
todos estes  sem esperanas.
Os professos cristos que vm ao ltimo e terrvel conflito, sem se acharem 
preparados, confessaro em seu desespero os seus pecados com palavras de 
angstia consumidora enquanto os mpios exultam de sua agonia. Estas confisses 
so do mesmo carter que a de Esa ou de Judas. Os que as fazem, lamentam o 
resultado da transgresso, mas no a culpa da mesma.
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Pg. 621
No sentem verdadeira contrio, nem averso ao mal. Reconhecem seu pecado 
pelo medo do castigo; mas, semelhantes a Fara na antiguidade, voltariam ao seu 
desafio ao Cu, caso fossem removidos os juzos.
A histria de Jac  tambm uma segurana de que Deus no rejeitar os que 
forem enganados, tentados e arrastados ao pecado, mas voltaram a Ele com 
verdadeiro arrependimento. Enquanto Satans procura destruir esta classe, Deus 
enviar Seus anjos para a animar e proteger, no tempo de perigo. Os assaltos de 
Satans so cruis e decididos, seus enganos, terrveis; mas os olhos do Senhor 
esto sobre o Seu povo, e Seu ouvido escuta-lhes os clamores. Sua aflio  
grande, as chamas da fornalha parecem prestes a consumi-los; mas Aquele que os 
refina e purifica, os apresentar como ouro provado no fogo. O amor de Deus para 
com os Seus filhos durante o perodo de sua mais intensa prova,  to forte e 
terno como nos dias de sua mais radiante prosperidade; mas  necessrio 
passarem pela fornalha de fogo; sua natureza terrena deve ser consumida para 
que a imagem de Cristo possa refletir-se perfeitamente.
O tempo de agonia e angstia que diante de ns est, exigir uma f que possa 
suportar o cansao, a demora e a fome  f que no desfalea ainda que 
severamente provada. O tempo de graa  concedido a todos, a fim de se 
prepararem para aquela ocasio. Jac prevaleceu porque era perseverante e 
decidido. Sua vitria  uma prova do poder da orao importuna. Todos os que 
lanarem mo das promessas de Deus, como ele o fez, e como ele forem 
fervorosos e perseverantes, sero bem-sucedidos como ele o foi. Os que no esto 
dispostos a negar o eu, a sentir verdadeira agonia perante a face de Deus, a orar 
longa e fervorosamente rogando-Lhe a bno, no a obtero. Lutar com Deus  
quo poucos sabem o que isto significa! Quo poucos tm buscado a Deus com 
contrio de alma, com intenso anelo, at que toda faculdade se encontre em sua 
mxima tenso! Quando ondas de desespero que linguagem alguma pode exprimir 
assoberbam os que fazem suas splicas, quo poucos se apegam com f 
inquebrantvel s promessas de Deus!
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Pg. 622
Os que agora exercem pouca f, correm maior perigo de cair sob o poder dos 
enganos de Satans, e do decreto que violentar a conscincia. E mesmo 
resistindo  prova, sero, imersos em uma agonia e aflio mais profundas no 
tempo de angstia, porque nunca adquiriram o hbito de confiar em Deus. As 
lies da f as quais negligenciaram, sero obrigados a aprender sob a presso 
terrvel do desnimo.
Devemos familiarizar-nos agora com Deus, provando as Suas promessas. Os anjos 
registram toda orao fervorosa e sincera. Devemos de preferncia dispensar as 
satisfaes egostas a negligenciar a comunho com Deus. A maior pobreza, a 
mxima abnegao, tendo Sua aprovao,  melhor do que as riquezas, honras, 
comodidades e amizade, sem Ele. Devemos tomar tempo para orar. Se 
consentirmos que a mente se absorva com os interesses mundanos, o Senhor 
talvez nos d esse tempo removendo nossos dolos, sejam estes o ouro, sejam 
casas ou terras frteis.
Os jovens no seriam seduzidos pelo pecado se se recusassem a entrar por 
qualquer caminho, a no ser que pudessem rogar a bno de Deus sobre o 
mesmo. Se os mensageiros que levam a ltima e solene advertncia ao mundo 
orassem rogando a bno de Deus, no de maneira fria, descuidada, ociosa, mas 
fervorosamente e com f, como fez Jac, encontrariam muitos lugares onde 
poderiam dizer: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. Gn. 
32:30. Seriam tidos pelo Cu na conta de prncipes, com poder para prevalecer 
com Deus e com os homens.
O tempo de angstia como nunca houve est prestes a manifestar-se sobre ns; 
e necessitaremos de uma experincia que agora no possumos, e que muitos so 
demasiado indolentes para obter. D-se muitas vezes o caso de se supor maior a 
angstia do que em realidade o ; no se d isso, porm, com relao  crise 
diante de ns. A mais vvida descrio no pode atingir a grandeza daquela prova. 
Naquele tempo de provaes, toda alma dever por si mesma estar em p perante 
Deus. Ainda que No, Daniel e J estivessem na Terra, vivo Eu, diz o
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Pg. 623
Senhor Jeov, que nem filho nem filha eles livrariam, mas s livrariam as suas 
prprias almas pela sua justia. Ezeq. 14:20.
Agora, enquanto nosso grande Sumo Sacerdote est a fazer expiao por ns, 
devemos procurar tornar-nos perfeitos em Cristo. Nem mesmo por um 
pensamento poderia nosso Salvador ser levado a ceder ao poder da tentao. 
Satans encontra nos coraes humanos algum ponto em que pode obter apoio; 
algum desejo pecaminoso  acariciado, por meio do qual suas tentaes 
asseguram a sua fora. Mas Cristo declarou de Si mesmo: Aproxima-se o prncipe 
deste mundo, e nada tem em Mim. Joo 14:30. Satans nada pde achar no Filho 
de Deus que o habilitasse a alcanar a vitria. Tinha guardado os mandamentos de 
Seu Pai, e no havia nEle pecado que Satans pudesse usar para a sua vantagem. 
Esta  a condio em que devem encontrar-se os que subsistiro no tempo de 
angstia.
 nesta vida que devemos afastar de ns o pecado, pela f no sangue expiatrio 
de Cristo. Nosso precioso Salvador nos convida a unir-nos a Ele, a ligar nossa 
fraqueza  Sua fora, nossa ignorncia  Sua sabedoria, aos Seus mritos nossa 
indignidade. A providncia de Deus  a escola na qual devemos aprender a 
mansido e humildade de Jesus. O Senhor est sempre a colocar diante de ns, 
no o caminho que preferiramos, o qual nos parece mais fcil e agradvel, mas os 
verdadeiros objetivos da vida. Toca a ns cooperar com os meios que o Cu 
emprega na obra de conformar nosso carter ao modelo divino. Ningum poder 
negligenciar ou adiar esta obra sem grave perigo para a sua alma.
O apstolo Joo ouviu em viso uma grande voz no Cu, exclamando: Ai dos que 
habitam na Terra e no mar; porque o diabo desceu a vs, e tem grande ira, 
sabendo que j tem pouco tempo. Apoc. 12:12. Terrveis so as cenas que 
provocam esta exclamao da voz celestial. A ira de Satans aumenta  medida 
em que o tempo se abrevia, e sua obra de engano e destruio atingir o auge no 
tempo de angstia.
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Pg. 624
Terrveis cenas de carter sobrenatural logo se manifestaro nos cus, como 
indcio do poder dos demnios, operadores de prodgios. Os espritos diablicos 
sairo aos reis da Terra e ao mundo inteiro, para segur-los no engano, e for-los 
a se unirem a Satans em sua ltima luta contra o governo do Cu. Mediante 
estes agentes, sero enganados tanto governantes como sditos. Levantar-se-o 
pessoas pretendendo ser o prprio Cristo e reclamando o ttulo e culto que 
pertencem ao Redentor do mundo. Efetuaro maravilhosos prodgios de cura, 
afirmando terem recebido do Cu revelaes que contradizem o testemunho das 
Escrituras.
Como ato culminante no grande drama do engano, o prprio Satans personificar 
Cristo. A igreja tem h muito tempo professado considerar o advento do Salvador 
como a realizao de suas esperanas. Assim, o grande enganador far parecer 
que Cristo veio. Em vrias partes da Terra, Satans se manifestar entre os 
homens como um ser majestoso, com brilho deslumbrante, assemelhando-se  
descrio do Filho de Deus dada por Joo no Apocalipse (cap. 1:13-15). A glria 
que o cerca no  excedida por coisa alguma que os olhos mortais j tenham 
contemplado. Ressoa nos ares a aclamao de triunfo: Cristo veio! Cristo veio! O 
povo se prostra em adorao diante dele, enquanto este ergue as mos e sobre 
eles pronuncia uma bno, assim como Cristo abenoava Seus discpulos quando 
aqui na Terra esteve. Sua voz  meiga e branda, cheia de melodia. Em tom manso 
e compassivo apresenta algumas das mesmas verdades celestiais e cheias de 
graa que o Salvador proferia; cura as molstias do povo, e ento, em seu 
pretenso carter de Cristo, alega ter mudado o sbado para o domingo, ordenando 
a todos que santifiquem o dia que ele abenoou. Declara que aqueles que 
persistem em santificar o stimo dia esto blasfemando de Seu nome, pela recusa 
de ouvirem Seus anjos  eles enviados com a luz e a verdade.  este o poderoso 
engano, quase invencvel. Semelhantes aos samaritanos
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Pg. 625
que foram enganados por Simo Mago, as multides, desde o menor at o maior, 
do crdito a esses enganos, dizendo: Esta  a grande virtude de Deus. Atos 
8:10.
Mas o povo de Deus no ser desencaminhado. Os ensinos deste falso cristo no 
esto de acordo com as Escrituras. Sua bno  pronunciada sobre os adoradores 
da besta e de sua imagem, a mesma classe sobre a qual a Bblia declara que a ira 
de Deus, sem mistura, ser derramada.
E, demais, no ser permitido a Satans imitar a maneira do advento de Cristo. O 
Salvador advertiu Seu povo contra o engano neste ponto, e predisse claramente o 
modo de Sua segunda vinda. Surgiro falsos cristos e falsos profetas, e faro to 
grandes sinais e prodgios que, se possvel fora, enganariam at os escolhidos.  
Portanto se vos disserem: Eis que Ele est no deserto, no saiais; eis que Ele est 
no interior da casa, no acrediteis. Porque, assim como o relmpago sai do Oriente 
e se mostra at ao Ocidente, assim ser tambm a vinda do Filho do homem. 
Mat. 24:24-27. No h possibilidade de ser imitada esta vinda. Ser conhecida 
universalmente, testemunhada pelo mundo inteiro.
Apenas os que forem diligentes estudantes das Escrituras, e receberem o amor da 
verdade, estaro ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo. Pelo 
testemunho da Bblia estes surpreendero o enganador em seu disfarce. Para 
todos vir o tempo de prova. Pela cirandagem da tentao, revelar-se-o os 
verdadeiros crentes. Acha-se hoje o povo de Deus to firmemente estabelecido em 
Sua Palavra que no venha a ceder  evidncia de seus sentidos? Apegar-se- 
nesta crise  Bblia, e a Bblia s? Sendo possvel, Satans os impedir de obter o 
preparo para estar em p naquele dia. Dispor as coisas de tal maneira a lhes 
obstruir o caminho; embara-los- com os tesouros terrestres; f-los- levar um 
fardo pesado, cansativo, a fim de que seu corao se sobrecarregue com os
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Pg. 626
cuidados desta vida, e o dia de prova venha sobre eles como um ladro.
Quando o decreto promulgado pelos vrios governantes da cristandade contra os 
observadores dos mandamentos lhes retirar a proteo do governo, abandonando-
os aos que lhes desejam a destruio, o povo de Deus fugir das cidades e vilas e 
reunir-se- em grupos, habitando nos lugares mais desertos e solitrios. Muitos 
encontraro refgio na fortaleza das montanhas. Semelhantes aos cristos dos 
vales do Piemonte, dos lugares altos da Terra faro santurios, agradecendo a 
Deus pelas fortalezas das rochas. Isa. 33:16. Muitos, porm, de todas as naes, 
e de todas as classes, elevadas e humildes, ricos e pobres, negros e brancos, 
sero arrojados na escravido mais injusta e cruel. Os amados de Deus passaro 
dias penosos, presos em correntes, retidos pelas barras da priso, sentenciados  
morte, deixados alguns aparentemente para morrer  fome nos escuros e 
nauseabundos calabouos. Nenhum ouvido humano lhes escutar os gemidos; 
mo humana alguma estar pronta para prestar-lhes auxlio.
Esquecer-Se- o Senhor de Seu povo nesta hora de provao? Esqueceu-Se Ele de 
Seu fiel No quando caram os juzos sobre o mundo antediluviano? Esqueceu-Se 
Ele de L, quando desceu fogo do cu para consumir as cidades da plancie? 
Esqueceu-Se de Jos, rodeado de idlatras, no Egito? Esqueceu-Se de Elias, 
quando o juramento de Jezabel o ameaou com a sorte dos profetas de Baal? 
Esqueceu-Se de Jeremias no escuro e horrendo fosso de sua priso? Esqueceu-Se 
dos trs heris na fornalha ardente? ou de Daniel na cova dos lees?
Mas Sio diz: J me desamparou o Senhor, e o Senhor Se esqueceu de mim. Pode 
uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se no compadea dele, 
do filho do seu ventre? mas ainda que esta se esquecesse, Eu, todavia, Me no 
esquecerei de ti. Eis que nas palmas das Minhas mos te tenho gravado. Isa. 
49:14-16. O Senhor dos exrcitos disse: Aquele que tocar em vs toca na menina 
do Seu olho. Zac. 2:8.
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Pg. 627
Ainda que os inimigos os lancem nas prises, as paredes do calabouo no podem 
interceptar a comunicao entre sua alma e Cristo. Aquele que v todas as suas 
fraquezas, e sabe de toda provao, est acima de todo o poder terrestre; e anjos 
viro a eles nas celas solitrias, trazendo luz e paz do Cu. A priso ser como um 
palcio; pois os ricos na f moraro ali, e as paredes sombrias sero iluminadas 
com a luz celestial, como quando Paulo e Silas,  meia-noite, oraram e cantaram 
louvores na masmorra de Filipos.
Os juzos de Deus cairo sobre os que procuram oprimir e destruir Seu povo. Sua 
grande longanimidade para com os mpios, torna audazes os homens na 
transgresso, mas seu castigo, embora muito retardado, no  menos certo e 
terrvel. O Senhor Se levantar como no monte de Perazim, e Se irar, como no 
vale de Gibeom, para fazer a Sua obra, a Sua estranha obra, e para executar o 
Seu ato, o Seu estranho ato. Isa. 28:21. Para o nosso misericordioso Deus, o 
infligir castigo  ato estranho. Vivo Eu, diz o Senhor Jeov, que no tenho prazer 
na morte do mpio. Ezeq. 33:11. O Senhor  misericordioso e piedoso, tardio em 
iras e grande em beneficncia e verdade; que perdoa a iniqidade, e a 
transgresso e o pecado. Todavia, ao culpado no tem por inocente. O Senhor  
tardio em irar-Se, mas grande em fora, e ao culpado no tem por inocente. xo. 
34:6 e 7; Naum 1:3. Reivindicar com terrveis manifestaes a dignidade de Sua 
lei espezinhada. A severidade da retribuio que aguarda o transgressor pode ser 
julgada pela relutncia do Senhor em executar justia. A nao que por tanto 
tempo Ele suporta, e que no ferir antes de haver ela enchido a medida de sua 
iniqidade, segundo os clculos divinos, beber, por fim, a taa da ira sem mistura 
de misericrdia.
Quando Cristo cessar de interceder no santurio, ser derramada a ira que, sem 
mistura, se ameaara fazer cair sobre os que adoram a besta e sua imagem, e 
recebem o seu sinal (Apoc. 14:9 e 10). As pragas que sobrevieram ao Egito 
quando Deus estava prestes a libertar Israel, eram de carter
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Pg. 628
semelhante aos juzos mais terrveis e extensos que devem cair sobre o mundo 
precisamente antes do libertamento final do povo de Deus. Diz o autor do 
Apocalipse, descrevendo esses tremendos flagelos: Fez-se uma chaga m e 
maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem. 
O mar se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma 
vivente. E os rios e fontes das guas se tornaram em sangue. Terrveis como 
so estes castigos, a justia de Deus  plenamente reivindicada. Declara o anjo de 
Deus: Justo s Tu,  Senhor,  porque julgaste estas coisas. Visto como 
derramaram o sangue dos santos e dos profetas, tambm Tu lhes deste o sangue 
a beber; porque disto so merecedores. Apoc. 16:2-6. Condenando o povo de 
Deus  morte, so to culpados do crime do derramamento de seu sangue como 
se este tivesse sido derramado por suas prprias mos. De modo semelhante 
declarou Cristo serem os judeus de Seu tempo culpados de todo o sangue dos 
homens santos que havia sido derramado desde os dias de Abel; pois possuam o 
mesmo esprito, e estavam procurando fazer a mesma obra daqueles assassinos 
dos profetas.
Na praga que se segue,  dado poder ao Sol para que abrasasse os homens com 
fogo. E os homens foram abrasados com grandes calores. Versos 8 e 9. Os 
profetas assim descrevem a condio da Terra naquele tempo terrvel: E a Terra 
[est] triste;  porque a colheita do campo pereceu. Todas as rvores do campo 
se secaram, e a alegria se secou entre os filhos dos homens. A semente 
apodreceu debaixo dos seus torres, os celeiros foram assolados. Como geme o 
gado! as manadas de vacas esto confusas, porque no tm pasto:  os rios se 
secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto. Os cnticos do templo sero 
gritos de dor naquele dia, diz o Senhor Jeov; muitos sero os cadveres; em 
todos os lugares sero lanados fora em silncio. Joel 1:10-12, 17-20; Ams 8:3.
Estas pragas no so universais, ao contrrio os habitantes da Terra seriam 
inteiramente exterminados. Contudo sero os
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mais terrveis flagelos que j foram conhecidos por mortais. Todos os juzos sobre 
os homens, antes do final do tempo da graa, foram misturados com misericrdia. 
O sangue propiciatrio de Cristo tem livrado o pecador de os receber na medida 
completa de sua culpa; mas no juzo final a ira  derramada sem mistura de 
misericrdia.
Naquele dia, multides desejaro o abrigo da misericrdia de Deus, abrigo que 
durante tanto tempo desprezaram. Eis que vm dias, diz o Senhor Jeov, em que 
enviarei fome sobre a Terra, no fome de po, nem sede de gua, mas de ouvir as 
palavras do Senhor. E iro vagabundos de um mar at outro mar e do Norte at ao 
Oriente; correro por toda a parte, buscando a Palavra do Senhor, e no a 
acharo. Ams 8:11 e 12.
O povo de Deus no estar livre de sofrimento; mas conquanto perseguidos e 
angustiados, conquanto suportem privaes, e sofram pela falta de alimento, no 
sero abandonados a perecer. O Deus que cuidou de Elias, no desamparar 
nenhum de Seus abnegados filhos. Aquele que conta os cabelos de sua cabea, 
deles cuidar; e no tempo de fome sero alimentados. Enquanto os mpios esto a 
morrer de fome e pestilncias, os anjos protegero os justos, suprindo-lhes as 
necessidades. Para aquele que anda em justia  esta promessa: O seu po lhe 
ser dado, as suas guas sero certas. Os aflitos e necessitados buscam guas, e 
no as h, e a sua lngua se seca de sede; mas Eu, o Senhor os ouvirei, Eu o Deus 
de Israel, os no desampararei. Isa. 33:16; 41:17.
Ainda que a figueira no floresa, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira 
minta, e os campos no produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam 
arrebatadas, e nos currais no haja vacas, os que O temem, contudo, se 
alegraro no Senhor e exultaro no Deus de sua salvao (Hab. 3:17 e 18).
O Senhor  quem te guarda; o Senhor  a tua sombra  tua direita. O Sol no te 
molestar de dia, nem a Lua de noite. O Senhor te guardar de todo o mal; Ele 
guardar a tua alma.
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Ele te livrar do lao do passarinheiro, e da peste perniciosa. Ele te cobrir com 
as Suas penas, e debaixo de Suas asas estars seguro; a Sua verdade  escudo e 
broquel. No temers espanto noturno, nem seta que voe de dia, nem peste que 
ande na escurido, nem mortandade que assole ao meio-dia. Mil cairo ao teu 
lado, e dez mil  tua direita, mas tu no sers atingido. Somente com os teus 
olhos olhars, e vers a recompensa dos mpios. Porque Tu,  Senhor, s o meu 
refgio! O Altssimo  a tua habitao. Nenhum mal te suceder, nem praga 
alguma chegar  tua tenda. Sal. 121:5-7; 91:3-10.
Aos olhos humanos parecer, todavia, que o povo de Deus logo dever selar seu 
testemunho com seu sangue, assim como fizeram os mrtires antes deles. Eles 
mesmos comeam a recear que o Senhor os abandonou para sucumbirem s mos 
de seus inimigos.  um tempo de terrvel agonia. Dia e noite clamam a Deus 
rogando livramento. Os mpios exultam, e ouvem-se o grito de zombaria: Onde 
est agora a vossa f? Por que Deus vos no livra de nossas mos, se sois 
verdadeiramente Seu povo? Mas os expectantes lembram-se de Jesus morrendo 
sobre a cruz do Calvrio, e os principais dos sacerdotes e prncipes bradando com 
escrnio: Salvou os outros, e a Si mesmo no pode salvar-Se. Se  o Rei de 
Israel, desa agora da cruz, e creremos nEle. Mat. 27:42. Semelhantes a Jac, 
todos esto a lutar com Deus. Seu semblante exprime sua luta ntima. A palidez 
repousa em cada rosto. No cessam, porm, de orar fervorosamente.
Pudessem os homens ver com viso celestial e contemplariam grupos de anjos 
magnficos em poder, estacionados em redor daqueles que guardaram a palavra 
da pacincia de Cristo. Com ternura compassiva, os anjos tm testemunhado sua 
angstia e ouvido suas oraes. Esto  espera da ordem de seu Comandante para 
os arrancar do perigo. Mas devem ainda esperar um pouco mais. O povo de Deus 
deve beber o clice e
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ser batizado com o batismo. A prpria demora, para eles to penosa,  a melhor 
resposta s suas peties. Esforando-se por esperar confiantemente que o Senhor 
opere, so levados a exercitar a f, esperana e pacincia, que muito pouco foram 
exercitadas durante sua experincia religiosa. Contudo, por amor dos escolhidos, o 
tempo de angstia ser abreviado. E Deus no far justia a Seus escolhidos, que 
clamam a Ele de dia e de noite? Digo-vos que depressa lhes far justia. Luc. 
18:7 e 8. O fim vir mais rapidamente do que os homens esperam. O trigo ser 
colhido e atado em molhos para o celeiro de Deus; o joio ser atado em feixes 
para os fogos da destruio.
As sentinelas celestiais, fiis ao seu encargo, continuam com sua vigilncia. Posto 
que um decreto geral haja fixado um tempo em que os observadores dos 
mandamentos podero ser mortos, seus inimigos nalguns casos se antecipam ao 
decreto e, antes do tempo especificado, se esforam por tirar-lhes a vida. Mas 
ningum pode passar atravs dos poderosos guardas estacionados em redor de 
toda alma fiel. Alguns so assaltados ao fugirem das cidades e vilas; mas as 
espadas contra eles levantadas se quebram e caem to impotentes como a palha. 
Outros so defendidos por anjos sob a forma de guerreiros.
Em todos os tempos Deus tem usado os santos anjos para socorrer e livrar Seu 
povo. Seres celestiais tm tomado parte ativa nos negcios humanos. Tm 
aparecido trajando vestes que resplandeciam como o relmpago; tm vindo como 
homens, no aspecto de viajantes. Anjos tm aparecido sob a forma de homens de 
Deus. Tm repousado, como se estivessem cansados, sob os carvalhos ao meio-
dia. Tm aceitado a hospitalidade dos lares humanos. Agiram como guias aos 
viajantes surpreendidos pela noite. Acenderam com suas prprias mos os fogos 
do altar. Abriram as portas do crcere, libertando os servos do Senhor. Revestidos 
da armadura do Cu, vieram para remover a pedra do tmulo do Salvador.
Sob a forma humana, muitas vezes se acham anjos nas assemblias dos justos, e 
visitam as dos mpios, assim como
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foram a Sodoma a fim de fazerem um relato de suas aes, para determinar se 
haviam passado os limites da longanimidade de Deus. O Senhor Se deleita na 
misericrdia; e, por amor dos poucos que realmente O servem, restringe as 
calamidades, prolongando a tranqilidade das multides. Mal compreendem os que 
pecam contra Deus que devem sua prpria vida aos poucos fiis a quem se 
deleitam em ridicularizar e oprimir.
Ainda que os governadores deste mundo no o saibam, os anjos tm sido, muita 
vez, oradores em seus conclios. Olhos humanos os tm visto; humanos ouvidos 
escutaram-lhes os apelos; lbios humanos se opuseram a suas sugestes e 
ridicularizaram-lhes os conselhos; humanas mos os defrontaram com insultos e 
agresso. Nos recintos dos conclios e nas cortes de justia, estes mensageiros 
celestiais tm revelado um conhecimento particularizado da histria humana; 
demonstraram-se ser mais capazes para defender a causa dos opressos do que os 
advogados mais hbeis e eloqentes. Frustraram propsitos e impediram males 
que teriam grandemente retardado a obra de Deus, ocasionando grande 
sofrimento a Seu povo. Na hora de perigo e angstia, o anjo do Senhor acampa-
se ao redor dos que O temem, e os livra. Sal. 34:7.
Com ardente anseio, o povo de Deus aguarda os sinais de seu Rei vindouro. Ao 
serem consultadas as sentinelas: Guarda, que houve de noite?  dada sem 
vacilao a resposta: Vem a manh, e tambm a noite. Isa. 21:11 e 12. Brilha a 
luz nas nuvens, sobre o cume das montanhas. Revelar-se- em breve a Sua glria. 
O Sol da justia est prestes a raiar. A manh e a noite esto ambas s portas  o 
iniciar de um dia intrmino para os justos, e o baixar de eterna noite para os 
mpios.
Ao insistir o povo militante de Deus com suas splicas perante o Senhor, o vu 
que os separa do invisvel parece quase a retirar-se. Os cus incendem com o raiar 
do dia eterno e, qual melodia de cnticos angelicais, soam ao ouvido as palavras:
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Pg. 633
Permanecei firmes em vossa fidelidade. O auxlio vem. Cristo, o todo-poderoso 
Vencedor, oferece a Seus soldados cansados inaltervel coroa de glria; e vem a 
Sua voz, das portas entreabertas: Eis que Eu estou convosco. No temais. 
Conheo todas as vossas angstias; suportei vossos pesares. No estais a lutar 
contra inimigos que ainda no foram provados. Pelejei o combate em vosso favor, 
e em Meu nome sois mais do que vencedores.
O precioso Salvador enviar auxlio exatamente quando dele necessitarmos. O 
caminho para o Cu acha-se consagrado pelas Suas pegadas. Cada espinho que 
fere nossos ps, feriu os Seus. A cruz que somos chamados a carregar, Ele a levou 
antes de ns. O Senhor permite que venham os conflitos, a fim de prepararem a 
alma para a paz. O tempo de angstia  uma prova terrvel para o povo de Deus; 
, porm, a ocasio de todo verdadeiro crente olhar para cima, e pela f ver o 
arco da promessa circundando-o.
Voltaro os resgatados do Senhor, e viro a Sio com jbilo, e perptua alegria 
haver sobre as suas cabeas; gozo e alegria alcanaro, a tristeza e o gemido 
fugiro. Eu, Eu sou Aquele que vos consola; quem pois s tu, para que temas o 
homem, que  mortal, ou o filho do homem que se tornar em feno? E te esqueces 
do Senhor, que te criou,  e temes continuamente todo o dia o furor do 
angustiador, quando se prepara para destruir? Onde est o furor do que te 
atribulava? O exilado cativo depressa ser solto, e no morrer na caverna, e o 
seu po lhe no faltar. Porque Eu sou o Senhor teu Deus, que fende o mar, e 
bramem as suas ondas. O Senhor dos exrcitos  o Seu nome. E ponho as Minhas 
palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da Minha mo. Isa. 51:11-16.
Pelo que agora ouve isto,  opressa, e embriagada, mas no de vinho. Assim diz o 
teu Senhor, Jeov, e teu Deus, que pleitear a causa de Seu povo: Eis que Eu 
tomo da tua mo o clice da vacilao, as fezes do clice do Meu furor; nunca 
mais dele bebers. Mas p-lo-ei nas mos dos que te entristeceram,
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que dizem  tua alma: Abaixa-te, para que passemos sobre ti; e tu puseste as 
tuas costas como cho e como caminho, aos viajantes. Isa. 51:21-23.
Os olhos de Deus, vendo atravs dos sculos, fixaram-se na crise que Seu povo 
deve enfrentar quando os poderes terrestres contra ele se dispuserem. Como o 
exilado cativo, estaro receosos da morte pela fome, ou pela violncia. Mas o 
Santo, que diante de Israel dividiu o Mar Vermelho, manifestar Seu grande 
poder, libertando-o do cativeiro. Eles sero Meus, diz o Senhor dos exrcitos, 
naquele dia que farei sero para Mim particular tesouro; poup-los-ei como um 
homem poupa a seu filho, que o serve. Mal. 3:17. Se o sangue das fiis 
testemunhas de Cristo fosse derramado nessa ocasio, no seria como o sangue 
dos mrtires, qual semente lanada a fim de produzir uma colheita para Deus. Sua 
fidelidade no seria testemunho para convencer outros da verdade; pois que o 
corao endurecido rebateu as ondas de misericrdia at no mais voltarem. Se os 
justos fossem agora abandonados para carem como presa de seus inimigos, seria 
um triunfo para o prncipe das trevas. Diz o salmista: No dia da adversidade me 
esconder no Seu pavilho; no oculto do seu tabernculo me esconder. Sal. 
27:5. Cristo falou: Vai, pois, povo Meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas 
portas sobre ti; esconde-te s por um momento, at que passe a ira. Porque eis 
que o Senhor sair do Seu lugar, para castigar os moradores da Terra, por causa 
da sua iniqidade. Isa. 26:20 e 21. Glorioso ser o livramento dos que 
pacientemente esperaram pela Sua vinda, e cujos nomes esto escritos no livro da 
vida.
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40
O Livramento dos Justos
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Quando a proteo das leis humanas for retirada dos que honram a lei de Deus, 
haver, nos diferentes pases, um movimento simultneo com o fim de destru-los. 
Aproximando-se o tempo indicado no decreto, o povo conspirar para desarraigar 
a odiada seita. Resolver-se- dar em uma noite um golpe decisivo, que faa 
silenciar por completo a voz de dissentimento e reprovao.
O povo de Deus  alguns nas celas das prises, outros escondidos nos retiros 
solitrios das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteo divina, enquanto por 
toda parte grupos de homens armados, instigados pelas hostes de anjos maus, se 
esto preparando para a obra de morte.  ento, na hora de maior aperto, que o 
Deus de Israel intervir para o livramento de Seus escolhidos. Diz o Senhor: Um 
cntico haver entre vs, como na noite em que se celebra uma festa; e alegria de 
corao, como daquele que sai tocando pfano, para vir ao monte do Senhor,  
Rocha de Israel. E o Senhor far ouvir a glria da Sua voz, e far ver o 
abaixamento do Seu brao, com indignao de ira, e a labareda do Seu fogo 
consumidor, e raios e dilvio e pedras de saraiva. Isa. 30:29 e 30.
Com brados de triunfo, zombaria e imprecao, multides de homens maus esto 
prestes a cair sobre a presa, quando,
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Pg. 636
eis, um denso negror, mais intenso do que as trevas da noite, cai sobre a Terra. 
Ento o arco-ris, resplandecendo com a glria do trono de Deus, atravessa os 
cus, e parece cercar cada um dos grupos em orao. As multides iradas 
subitamente se detm. Silenciam seus gritos de zombaria.  esquecido o objeto de 
sua ira sanguinria. Com terrveis pressentimentos contemplam o smbolo da 
aliana de Deus, anelando pr-se ao amparo de seu fulgor insupervel.
 ouvida pelo povo de Deus uma voz clara e melodiosa, dizendo: Olhai para 
cima; e, levantando os olhos para o cu, contemplam o arco da promessa. As 
nuvens negras, ameaadoras, que cobriam o firmamento se fendem e, como 
Estvo, olham fixamente para o cu, e vem a glria de Deus, e o Filho do 
homem sentado sobre o Seu trono. Divisam em Sua forma divina os sinais de Sua 
humilhao; e de Seus lbios ouvem o pedido, apresentado ante Seu Pai e os 
santos anjos: Aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, tambm eles 
estejam comigo. Joo 17:24. Novamente se ouve uma voz, melodiosa e 
triunfante, dizendo: Eles vm! eles vm! santos, inocentes e incontaminados. 
Guardaram a palavra da Minha pacincia; andaro entre os anjos; e os plidos, 
trmulos lbios dos que mantiveram firme a f, proferem um brado de vitria.
  meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo. O 
Sol aparece resplandecendo em sua fora. Sinais e maravilhas se seguem em 
rpida sucesso. Os mpios contemplam a cena com terror e espanto, enquanto os 
justos vem com solene alegria os sinais de seu livramento. Tudo na Natureza 
parece desviado de seu curso. As correntes de gua deixam de fluir. Nuvens 
negras e pesadas sobem e chocam-se umas nas outras. Em meio dos cus 
agitados, acha-se um espao claro de glria indescritvel, donde vem a voz de 
Deus como o som de muitas guas, dizendo: Est feito. Apoc. 16:17.
Essa voz abala os cus e a Terra. H um grande terremoto
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Pg. 637
como nunca tinha havido desde que h homens sobre a Terra; tal foi este to 
grande terremoto. Apoc. 16:18. O firmamento parece abrir-se e fechar-se. A 
glria do trono de Deus dir-se-ia atravessar a atmosfera. As montanhas agitam-se 
como a cana ao vento, e anfractuosas rochas so espalhadas por todos os lados. 
H um estrondo como de uma tempestade a sobrevir. O mar  aoitado com fria. 
Ouve-se o sibilar do furaco, semelhante  voz de demnios na misso de 
destruir. A Terra inteira se levanta, dilatando-se como as ondas do mar. Sua 
superfcie est a quebrar-se. Seu prprio fundamento parece ceder. Cadeias de 
montanhas esto a revolver-se. Desaparecem ilhas habitadas. Os portos martimos 
que, pela iniqidade, se tornaram como Sodoma, so tragados pelas guas 
enfurecidas. A grande Babilnia veio em lembrana perante Deus, para lhe dar o 
clice do vinho da indignao da Sua ira. Apoc. 16:19 e 21. Grandes pedras de 
saraiva, cada uma do peso de um talento, esto a fazer sua obra de destruio. 
As mais orgulhosas cidades da Terra so derribadas. Os suntuosos palcios em 
que os grandes homens do mundo dissiparam suas riquezas com a glorificao 
prpria, desmoronam-se diante de seus olhos. As paredes das prises fendem-se, 
e o povo de Deus, que estivera retido em cativeiro por causa de sua f,  
libertado.
Abrem-se sepulturas, e muitos dos que dormem no p da terra ressuscitaro, uns 
para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Dan. 12:2. Todos 
os que morreram na f da mensagem do terceiro anjo saem do tmulo glorificados 
para ouvirem o concerto de paz, estabelecido por Deus com os que guardaram a 
Sua lei. Os mesmos que O traspassaram (Apoc. 1:7), os que zombaram e 
escarneceram da agonia de Cristo, e os mais acrrimos inimigos de Sua verdade e 
povo, ressuscitam para contempl-Lo em Sua glria, e ver a honra conferida aos 
fiis e obedientes.
Densas nuvens ainda cobrem o cu; contudo o Sol de quando em quando irrompe, 
aparecendo como o olhar vingador de
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Jeov. Relmpagos terrveis estalam dos cus, envolvendo a Terra num lenol de 
chamas. Por sobre o estrondo medonho do trovo, vozes misteriosas e terrveis 
declaram a sorte dos mpios. As palavras proferidas no so compreendidas por 
todos; entendem-nas, porm, distintamente os falsos ensinadores. Os que pouco 
antes eram to descuidados, to jactanciosos e desafiadores, to exultantes em 
sua crueldade para com o povo de Deus, observador dos mandamentos, acham-se 
agora vencidos pela consternao, e a estremecer de medo. Ouve-se o seu pranto 
acima do som dos elementos. Demnios reconhecem a divindade de Cristo, e 
tremem diante de Seu poder, enquanto homens esto suplicando misericrdia e 
rastejando em abjeto terror.
Disseram os profetas da antiguidade, ao contemplar em santa viso o dia de Deus: 
Uivai, porque o dia do Senhor est perto; vem do Todo-poderoso como 
assolao. Isaas 13:6. Entra nas rochas e esconde-te no p, da presena 
espantosa do Senhor e da glria da Sua majestade. Os olhos altivos dos homens 
sero abatidos, e a altivez dos vares ser humilhada; e s o Senhor ser exaltado 
naquele dia. Porque o dia do Senhor dos exrcitos ser contra todo o soberbo e 
altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido. Naquele dia o 
homem lanar s toupeiras e aos morcegos os seus dolos de prata, e os dolos de 
ouro, que fizeram para ante eles se prostrarem, e meter-se- pelas fendas das 
rochas, pelas cavernas das penhas, por causa da presena espantosa do Senhor, e 
por causa da glria da Sua majestade, quando Ele Se levantar para assombrar a 
Terra. Isa. 2:10, 20 e 21.
Por uma fenda nas nuvens, fulgura uma estrela cujo brilho aumenta 
quadruplicadamente em contraste com as trevas. Fala de esperana e alegria aos 
fiis, mas de severidade e ira aos transgressores da lei de Deus. Os que tudo 
sacrificaram por Cristo esto agora em segurana, como que escondidos no lugar 
secreto do pavilho do Senhor. Foram provados, e perante o mundo e os 
desprezadores da verdade, evidenciaram sua
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fidelidade quele que por eles morreu. Uma mudana maravilhosa sobreveio aos 
que mantiveram firme integridade em face mesmo da morte. Foram subitamente 
libertos da negra e terrvel tirania de homens transformados em demnios. Seu 
rosto, pouco antes to plido, ansioso e descomposto, resplandece agora de 
admirao, f e amor. Sua voz ergue-se em cntico triunfal: Deus  o nosso 
refgio e fortaleza, socorro bem presente na angstia. Pelo que no temeremos, 
ainda que a Terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio 
dos mares. Ainda que as guas rujam e se perturbem, ainda que os montes se 
abalem pela sua braveza. Sal. 46:1-3.
Enquanto estas palavras de santa confiana ascendem a Deus, as nuvens recuam, 
e se vem os constelados cus, indescritivelmente gloriosos em contraste com o 
firmamento negro e carregado de cada lado. A glria da cidade celestial emana de 
suas portas entreabertas. Aparece ento de encontro ao cu uma mo segurando 
duas tbuas de pedra dobradas uma sobre a outra. Diz o profeta: Os cus 
anunciaro a Sua justia; pois Deus mesmo  o juiz. Salmo 50:6. Aquela santa 
lei, a justia de Deus, que por entre troves e chamas foi do Sinai proclamada 
como guia da vida, revela-se agora aos homens como a regra do juzo. A mo abre 
as tbuas, e vem-se os preceitos do declogo, como que traados com pena de 
fogo. As palavras so to claras que todos as podem ler. Desperta-se a memria, 
varrem-se de todas as mentes as trevas da superstio e heresia, e os dez 
preceitos divinos, breves, compreensivos e autorizados, apresentam-se  vista de 
todos os habitantes da Terra.
 impossvel descrever o horror e desespero dos que pisaram os santos 
mandamentos de Deus. O Senhor lhes deu Sua lei; eles poderiam haver aferido 
seu carter por ela, e conhecido seus defeitos enquanto ainda havia oportunidade 
para arrependimento e correo; mas, a fim de conseguir o favor do mundo, 
puseram de parte seus preceitos e ensinaram outros a transgredir. Esforaram-se 
por compelir o povo de Deus a
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profanar o Seu sbado. Agora so condenados por aquela lei que desprezaram. 
Com terrvel clareza vem que se acham sem desculpas. Escolheram a quem 
servir e adorar. Ento vereis outra vez a diferena entre o justo e o mpio; entre o 
que serve a Deus, e o que O no serve. Mal. 3:18.
Os inimigos da lei de Deus, desde o ministro at ao menor dentre eles, tm nova 
concepo da verdade e do dever. Demasiado tarde vem que o sbado do quarto 
mandamento  o selo do Deus vivo. Tarde demais vem a verdadeira natureza de 
seu sbado esprio, e o fundamento arenoso sobre o qual estiveram a construir. 
Acham que estiveram a combater contra Deus. Ensinadores religiosos conduziram 
almas  perdio, ao mesmo tempo que professavam gui-las s portas do 
Paraso. Antes do dia do ajuste final de contas, no se conhecer quo grande  a 
responsabilidade dos homens no mister sagrado, e quo terrveis so os resultados 
de sua infidelidade. Somente na eternidade poderemos com acerto avaliar a perda 
de uma nica alma. Terrvel ser a condenao daquele a quem Deus disser: 
Retira-te, mau servo.
A voz de Deus  ouvida no Cu, declarando o dia e a hora da vinda de Jesus e 
estabelecendo concerto eterno com Seu povo. Semelhantes a estrondos do mais 
forte trovo, Suas palavras ecoam pela Terra inteira. O Israel de Deus fica a ouvir, 
com o olhar fixo no alto. Tm o semblante iluminado com a Sua glria, brilhante 
como o rosto de Moiss quando desceu do Sinai. Os mpios no podem olhar para 
eles. E, quando se pronuncia a bno sobre os que honraram a Deus, santificando 
o Seu sbado, h uma grande aclamao de vitria.
Surge logo no Oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade 
do tamanho da mo de um homem.  a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a 
distncia, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do 
Filho do homem. Em solene silncio fitam-na enquanto se aproxima
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da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, at se tornar grande nuvem branca, 
mostrando na base uma glria semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo 
arco-ris do concerto. Jesus, na nuvem, avana como poderoso vencedor. Agora, 
no como Homem de dores, para sorver o amargo clice da ignomnia e misria, 
vem Ele vitorioso no Cu e na Terra para julgar os vivos e os mortos. Fiel e 
verdadeiro, Ele julga e peleja em justia. E seguiram-nO os exrcitos no Cu. 
Apoc. 19:11 e 14. Com antfonas de melodia celestial, os santos anjos, em vasta e 
inumervel multido, acompanham-nO em Seu avano. O firmamento parece 
repleto de formas radiantes  milhares de milhares, milhes de milhes. Nenhuma 
pena humana pode descrever esta cena, mente alguma mortal  apta para 
conceber seu esplendor. A Sua glria cobriu os cus e a Terra encheu-se do Seu 
louvor. E o Seu resplendor era como a luz. Hab. 3:3 e 4. Aproximando-se ainda 
mais a nuvem viva, todos os olhos contemplam o Prncipe da vida. Nenhuma coroa 
de espinhos agora desfigura a sagrada cabea, mas um diadema de glria repousa 
sobre a santa fronte. O semblante divino irradia o fulgor deslumbrante do Sol 
meridiano. E no vestido e na Sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e 
Senhor dos senhores. Apoc. 19:16.
 Sua presena se tm tornado macilentos todos os rostos; sobre os que 
rejeitaram a misericrdia de Deus cai o terror do desespero eterno. Derrete-se o 
corao, e tremem os joelhos, e os rostos de todos eles empalidecem. Jer. 
30:6; Naum 2:10. Os justos clamam, a tremer: Quem poder subsistir? Silencia 
o cntico dos anjos, e h um tempo de terrvel silncio. Ouve-se, ento, a voz de 
Jesus, dizendo: A Minha graa te basta. Ilumina-se a face dos justos, e a alegria 
enche todos os coraes. E os anjos entoam uma melodia mais forte, e de novo 
cantam ao aproximar-se ainda mais da Terra.
O Rei dos reis desce sobre a nuvem, envolto em fogo chamejante. Os cus 
enrolam-se como um pergaminho, e a Terra treme diante dEle, e todas as 
montanhas e ilhas se movem de
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seu lugar. Vir o nosso Deus, e no Se calar; adiante dEle um fogo ir 
consumindo, e haver grande tormenta ao redor dEle. Chamar os cus, do alto, e 
a Terra para julgar o Seu povo. Sal. 50:3 e 4.
E os reis da Terra e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o 
servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e 
diziam aos montes e aos rochedos: Ca sobre ns, e escondei-nos do rosto dAquele 
que est assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque  vindo o grande 
dia da Sua ira; e quem poder subsistir? Apoc. 6:15-17.
Cessaram os gracejos escarnecedores. Cerraram-se os lbios mentirosos. O 
choque das armas, o tumulto da batalha com rudo, e os vestidos que rolavam no 
sangue (Isa. 9:5), silenciaram. Nada se ouve agora seno a voz de oraes e o 
som do choro e lamentao. Dos lbios que to recentemente zombavam irrompe 
o clamor:  vindo o grande dia da Sua ira; e quem poder subsistir? Os mpios 
suplicam para que sejam sepultados sob as rochas das montanhas, em vez de ver 
o rosto dAquele que desprezaram e rejeitaram.
Aquela voz que penetra no ouvido dos mortos, eles a conhecem. Quantas vezes 
seus ternos e suplicantes acentos os chamaram ao arrependimento! Quantas 
vezes foi ela ouvida nos rogos tocantes de um amigo, um irmo, um Redentor! 
Para os que rejeitaram Sua graa, nenhuma outra voz poderia ser to cheia de 
censura, to carregada de denncias, como aquela que durante tanto tempo assim 
pleiteou: Convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razo 
morrereis? Ezeq. 33:11. Quem dera para eles fosse a voz de um estranho! Diz 
Jesus: Clamei, e vs recusastes; porque estendi a Minha mo, e no houve quem 
desse ateno; antes rejeitastes todo o Meu conselho, e no quisestes a Minha 
repreenso. Prov. 1:24 e 25. Aquela voz desperta memrias que eles desejariam 
ardentemente se desvanecessem  advertncias desprezadas, convites recusados, 
privilgios tidos em pouca conta.
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Pg. 643
Ali esto os que zombaram de Cristo  Sua humilhao. Com uma fora 
penetrante lhes ocorrem as palavras do Sofredor, quando, conjurado pelo sumo 
sacerdote, declarou solenemente: Vereis em breve o Filho do homem assentado  
direita do poder, e vindo sobre as nuvens do cu. Mat. 26:64. Agora O 
contemplam em Sua glria, e ainda O devem ver assentado  direita do poder.
Os que escarneceram de Sua declarao de ser Ele o Filho de Deus, esto agora 
mudos. Ali est o altivo Herodes, que zombou de Seu ttulo real, mandando os 
soldados zombadores coro-Lo rei. Esto ali os mesmos homens que com mos 
mpias Lhe colocaram sobre o corpo o manto de prpura, e sobre a fronte sagrada 
a coroa de espinhos, e na mo, que no opunha resistncia, um simulacro de 
cetro, e diante dEle se curvavam em zombaria blasfema. Os homens que bateram 
e cuspiram no Prncipe da vida, agora se desviam de Seu penetrante olhar, 
procurando fugir da subjugante glria de Sua presena. Aqueles que introduziram 
os cravos atravs de Suas mos e ps, o soldado que Lhe feriu o lado, contemplam 
esses sinais com terror e remorso.
Com terrvel preciso sacerdotes e prncipes recordam-se dos acontecimentos do 
Calvrio. Estremecendo de horror, lembram-se de como, movendo a cabea em 
satnica alegria, exclamaram: Salvou os outros e a Si mesmo no pode salvar-
Se. Se  o Rei de Israel, desa agora da cruz, e creremos nEle; confiou em Deus; 
livre-O agora, se O ama. Mat. 27:42 e 43.
Vividamente relembram a parbola dos lavradores que se recusaram a entregar a 
seu senhor o fruto da vinha, maltrataram seus servos, e lhe mataram o filho. 
Lembram-se tambm da sentena que eles prprios pronunciaram: O senhor da 
vinha dar afrontosa morte aos maus. No pecado e castigo daqueles homens 
infiis, vem os sacerdotes e ancios seu prprio procedimento e sua prpria justa 
condenao. E, agora, ergue-se um clamor de agonia mortal. Mais alto do que o 
grito  Crucifica-O, crucifica-O, que repercutiu pelas ruas de Jerusalm, reboa o 
pranto terrvel, desesperado: Ele  o Filho
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Pg. 644
de Deus! Ele  o verdadeiro Messias! Procuram fugir da presena do Rei dos reis. 
Nas profundas cavernas da Terra, fendida pela luta dos elementos, tentam em vo 
esconder-se.
Na vida de todos os que rejeitam a verdade, h momentos em que a conscincia 
desperta, em que a memria apresenta a recordao torturante de uma vida de 
hipocrisia, e a alma  acossada de vos pesares. Mas que  isto ao ser comparado 
com o remorso daquele dia em que o temor vem como assolao, em que a 
perdio vem como tormenta! (Prov. 1:27.) Os que desejariam destruir a Cristo e 
Seu povo fiel, testemunham agora a glria que sobre eles repousa. No meio de seu 
terror, ouvem a voz dos santos em alegres acordes, exclamando: Eis que este  o 
nosso Deus, a quem aguardvamos, e Ele nos salvar. Isa. 25:9.
Por entre as vacilaes da Terra, o claro do relmpago e o ribombo do trovo, a 
voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele olha para a sepultura dos 
justos e, levantando as mos para o cu, brada: Despertai, despertai, despertai, 
vs que dormis no p, e surgi! Por todo o comprimento e largura da Terra, os 
mortos ouviro aquela voz, e os que ouvirem vivero. E a Terra inteira ressoar 
com o passar do exrcito extraordinariamente grande de toda nao, tribo, lngua 
e povo. Do crcere da morte vm eles, revestidos de glria imortal, clamando: 
Onde est,  morte, o teu aguilho? Onde est,  inferno, a tua vitria? I Cor. 
15:55. E os vivos justos e os santos ressuscitados unem as vozes em prolongada e 
jubilosa aclamao de vitria. 
Todos saem do tmulo com a mesma estatura que tinham quando ali entraram. 
Ado, que est em p entre a multido dos ressuscitados,  de grande altura e 
formas majestosas, de estatura pouco menor que o Filho de Deus. Apresenta 
assinalado contraste com o povo das geraes posteriores; sob este nico ponto 
de vista se revela a grande degenerao da raa. Todos, porm, surgem com a 
louania e vigor de eterna mocidade. No princpio o homem foi criado  
semelhana de Deus,
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Pg. 645
no somente no carter, mas na forma e aspecto. O pecado desfigurou e quase 
obliterou a imagem divina; mas Cristo veio para restaurar aquilo que se havia 
perdido. Ele mudar nosso corpo vil, modelando-o conforme Seu corpo glorioso. As 
formas mortais, corruptveis, destitudas de garbo, poludas pelo pecado, tornam-
se perfeitas, belas e imortais. Todos os defeitos e deformidades so deixados no 
tmulo. Restabelecidos  rvore da vida, no den h tanto tempo perdido, os 
remidos crescero at  estatura completa da raa em sua glria primitiva. Os 
ltimos traos da maldio do pecado sero removidos, e os fiis de Cristo 
aparecero na beleza do Senhor nosso Deus, refletindo no esprito, alma e corpo, 
a imagem perfeita de seu Senhor. Oh! maravilhosa redeno! H tanto tempo 
objeto das cogitaes, h tanto tempo esperada, contemplada com vida 
expectativa, mas nunca entendida completamente!
Os justos vivos so transformados num momento, num abrir e fechar de olhos.  
voz de Deus foram eles glorificados; agora tornam-se imortais, e com os santos 
ressuscitados, so arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. Os anjos 
ajuntaro os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma  outra 
extremidade dos cus. Criancinhas so levadas pelos santos anjos aos braos de 
suas mes. Amigos h muito separados pela morte, renem-se, para nunca mais 
se separarem, e com cnticos de alegria ascendem juntamente para a cidade de 
Deus.
De cada lado do carro de nuvens existem asas, e debaixo dele se acham rodas 
vivas; e, ao volver o carro para cima, as rodas clamam: Santo, e as asas, 
movendo-se, clamam: Santo, e o cortejo de anjos clama: Santo, santo, santo, 
Senhor Deus todo-poderoso. E os remidos bradam: Aleluia!  enquanto o carro 
prossegue em direo  Nova Jerusalm.
Antes de entrar na cidade de Deus, o Salvador concede a Seus seguidores os 
emblemas da vitria, conferindo-lhes as insgnias de sua condio real. As fileiras 
esplendentes so dispostas em forma de um quadrado aberto ao centro, em redor 
de seu Rei, que Se ergue majestosamente muito acima dos santos e anjos e de 
cujo rosto irradia benigno amor a todos.
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Por toda a hoste inumervel dos resgatados, todos os olhares se acham fixos nEle, 
todos os olhos contemplam a glria dAquele cujo parecer estava to desfigurado, 
mais do que o de outro qualquer, e a Sua figura mais do que a dos filhos dos 
homens. Sobre a cabea dos vencedores, Jesus com Sua prpria destra pe a 
coroa de glria. Para cada um h uma coroa que traz o seu novo nome (Apoc. 
2:17), e a inscrio: Santidade ao Senhor. Em cada mo so colocadas a palma 
do vencedor e a harpa resplandecente. Ento, ao desferirem as notas os anjos 
dirigentes, todas as mos deslizam com maestria sobre as cordas da harpa, 
tirando-lhes suave msica em ricos e melodiosos acordes. Indizvel arrebatamento 
faz fremir todo corao, e toda voz se ergue em grato louvor: quele que nos 
ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes 
para Deus e Seu Pai; a Ele glria e poder para todo o sempre. Apoc. 1:5 e 6.
Diante da multido de resgatados est a santa cidade. Jesus abre amplamente as 
portas de prolas, e as naes que observaram a verdade, entram. Ali contemplam 
o Paraso de Deus, o lar de Ado em sua inocncia. Ento aquela voz, mais 
harmoniosa do que qualquer msica que tenha soado j aos ouvidos mortais,  
ouvida a dizer: Vosso conflito est terminado. Vinde, benditos de Meu Pai, 
possu por herana o reino que vos est preparado desde a fundao do mundo. 
Cumpre-se ento a orao do Salvador por Seus discpulos:
Aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, tambm eles estejam comigo. 
Irrepreensveis, com alegria, perante a Sua glria (Jud. 24), Cristo os apresenta 
a Seu Pai como a aquisio de Seu sangue, declarando: Eis-Me aqui, com os 
fiIhos que Me deste. Guardei aqueles que Me deste. Oh! maravilhas do amor 
que redime! transportes daquela hora em que o infinito Pai, olhando para os 
resgatados, contemplar Sua imagem, banida a discrdia do pecado, removida sua 
maldio, e o humano de novo em harmonia com o divino!
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Pg. 647
Com indizvel amor Jesus d as boas-vindas a Seus fiis, para o gozo do teu 
Senhor. O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glria, as almas que 
foram salvas por Sua agonia e humilhao. E os remidos sero participantes de 
Sua alegria, vendo eles, entre os bem-aventurados, os que foram ganhos para 
Cristo por meio de suas oraes, trabalhos e sacrifcios de amor. Reunindo-se eles 
em redor do grande trono branco, indizvel jbilo lhes encher o corao ao 
contemplarem os que ganharam para Cristo, e verem que um ganhou a outros, e 
estes ainda outros, todos trazidos para o porto de descanso, para ali deporem sua 
coroa aos ps de Jesus e louv-Lo pelos sculos intrminos da eternidade.
Ao serem os resgatados recebidos na cidade de Deus, ecoa nos ares um exultante 
clamor de adorao. Os dois Ades esto prestes a encontrar-se. O Filho de Deus 
Se acha em p, com os braos estendidos para receber o pai de nossa raa  o ser 
que Ele criou e que pecou contra o seu Criador, e por cujo pecado os sinais da 
crucifixo aparecem no corpo do Salvador. Ao divisar Ado os sinais dos cruis 
cravos, ele no cai ao peito de seu Senhor, mas lana-se em humilhao a Seus 
ps, exclamando: Digno, digno  o Cordeiro que foi morto! Com ternura o 
Salvador o levanta, convidando-o a contemplar de novo o lar ednico do qual, 
havia tanto, fora exilado.
Depois de sua expulso do den, a vida de Ado na Terra foi cheia de tristeza. 
Cada folha a murchar, cada vtima do sacrifcio, cada mancha na bela face da 
Natureza, cada mcula na pureza do homem, era uma nova lembrana de seu 
pecado. Terrvel foi a aflio do remorso, ao contemplar a iniqidade que 
abundava, e, em resposta s suas advertncias, deparar com a exprobrao que 
lhe faziam como causa do pecado. Com paciente humildade, suportou durante 
quase mil anos a pena da transgresso. Sinceramente se arrependeu de seu 
pecado, confiando nos mritos do Salvador prometido, e morreu na esperana de 
uma ressurreio. O Filho de Deus redimiu a falta e a
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queda do homem; e agora, pela obra da expiao, Ado  reintegrado em seu 
primeiro domnio.
Em arrebatamento de alegria, contempla as rvores que j foram o seu deleite  
as mesmas rvores cujo fruto ele prprio colhera nos dias de sua inocncia e 
alegria. V as videiras que sua prpria mo tratara, as mesmas flores que com 
tanto prazer cuidara. Seu esprito apreende a realidade daquela cena; ele 
compreende que isso  na verdade o den restaurado, mais lindo agora do que 
quando fora dele banido. O Salvador o leva  rvore da vida, apanha o fruto 
glorioso e manda-o comer. Olha em redor de si e contempla uma multido de sua 
famlia resgatada, no Paraso de Deus. Lana ento sua brilhante coroa aos ps de 
Jesus e, caindo a Seu peito, abraa o Redentor. Dedilha a harpa de ouro, e pelas 
abbadas do cu ecoa o cntico triunfante: Digno, digno, digno,  o Cordeiro que 
foi morto, e reviveu! A famlia de Ado associa-se ao cntico e lana as suas 
coroas aos ps do Salvador, inclinando-se perante Ele em adorao.
Esta reunio  testemunhada pelos anjos que choraram quando da queda de Ado 
e rejubilaram ao ascender Jesus ao Cu, depois de ressurgido, tendo aberto a 
sepultura a todos os que cressem em Seu nome. Contemplam agora a obra da 
redeno completa e unem as vozes no cntico de louvor.
No mar cristalino diante do trono, naquele mar como que de vidro misturado com 
fogo  to resplendente  ele pela glria de Deus  est reunida a multido dos 
que saram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do nmero do 
seu nome. Apoc. 15:2. Com o Cordeiro, sobre o Monte Sio, tendo harpas de 
Deus, esto os cento e quarenta e quatro mil que foram remidos dentre os 
homens; e ouve-se, como o som de muitas guas, e de grande trovo, uma voz 
de harpistas, que tocavam com as suas harpas. E cantavam um cntico novo 
diante do trono  cntico que ningum podia
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aprender seno os cento e quarenta e quatro mil.  o hino de Moiss e do Cordeiro 
 hino de livramento. Ningum, a no ser os cento e quarenta e quatro mil, pode 
aprender aquele canto, pois  o de sua experincia  e nunca ningum teve 
experincia semelhante. Estes so os que seguem o Cordeiro para onde quer que 
vai. Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, so tidos como as 
primcias para Deus e para o Cordeiro. Apoc. 14:1-5; 15:3. Estes so os que 
vieram de grande tribulao (Apoc. 7:14); passaram pelo tempo de angstia tal 
como nunca houve desde que houve nao; suportaram a aflio do tempo da 
angstia de Jac; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final 
dos juzos de Deus. Mas foram livres, pois lavaram os seus vestidos, e os 
branquearam no sangue do Cordeiro. Na sua boca no se achou engano; porque 
so irrepreensveis diante de Deus. Por isso esto diante do trono de Deus, e O 
servem de dia e de noite no Seu templo; e Aquele que est assentado sobre o 
trono os cobrir com a Sua sombra. Apoc. 7:15. Viram a Terra devastada pela 
fome e pestilncia, o Sol com poder para abrasar os homens com grandes calores, 
e eles prprios suportaram o sofrimento, a fome e a sede. Mas nunca mais tero 
fome, nunca mais tero sede; nem Sol nem calma alguma cair sobre eles. Porque 
o Cordeiro que est no meio do trono os apascentar, e lhes servir de guia para 
as fontes das guas da vida; e Deus limpar de seus olhos toda a lgrima. Apoc. 
7:16 e 17.
Em todos os tempos os escolhidos do Salvador foram educados e disciplinados na 
escola da provao. Seguiram na Terra por veredas estreitas; foram purificados na 
fornalha da aflio. Por amor de Jesus suportaram a oposio, o dio, a calnia. 
Acompanharam-nO atravs de dolorosos conflitos; suportaram a negao prpria  
e experimentaram amargas
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Pg. 650
decepes. Pela sua prpria experincia dolorosa compreenderam a malignidade 
do pecado, seu poder, sua culpa, suas desgraas; e para ele olham com averso. 
Uma intuio do sacrifcio infinito feito para reabilit-los, humilha-os  sua prpria 
vista, enchendo-lhes o corao de gratido e louvor, que os que nunca decaram 
no podero apreciar. Muito amam, porque muito foram perdoados. Havendo 
participado dos sofrimentos de Cristo, esto aptos para serem co-participantes de 
Sua glria.
Os herdeiros de Deus vieram das guas-furtadas, das choas, dos calabouos, dos 
cadafalsos, das montanhas, dos desertos, das covas da Terra, das cavernas do 
mar. Na Terra eram desamparados, aflitos e maltratados. Milhes desceram ao 
tmulo carregados de infmia, porque firmemente se recusavam a render-se s 
enganosas pretenses de Satans. Pelos tribunais humanos foram julgados como 
os mais vis dos criminosos. Mas agora Deus mesmo  o Juiz. Sal. 50:6. 
Revogam-se agora as decises da Terra. Tirar o oprbrio do Seu povo. Isa. 
25:8. Chamar-lhes-o: Povo santo, remidos do Senhor. Ele determinou que se 
lhes d ornamento por cinza, leo de gozo por tristeza, vestido de louvor por 
esprito angustiado. Isa. 62:12; 61:3. No mais so fracos, aflitos, dispersos e 
opressos. Doravante devem estar sempre com o Senhor. Acham-se diante do 
trono com vestes mais ricas do que j usaram os mais honrados da Terra. Esto 
coroados com diademas mais gloriosos do que os que j foram colocados na fronte 
dos monarcas terrestres. Os dias de dores e prantos acabaram-se para sempre. O 
Rei da glria enxugou as lgrimas de todos os rostos; removeu-se toda a causa de 
pesar. Por entre o agitar dos ramos de palmeiras, derramam um cntico de louvor, 
claro, suave e melodioso; todas as vozes apreendem a harmonia at que reboa 
pelas abbadas do cu a antfona: Salvao ao nosso Deus que est assentado no 
trono, e ao Cordeiro. E todos os habitantes do Cu assim respondem: Amm. 
Louvor, e glria, e sabedoria, e ao de graas, e
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Pg. 651
honra, e poder, e fora ao nosso Deus, para todo o sempre. Apoc. 7:10 e 12.
Nesta vida podemos apenas comear a compreender o maravilhoso tema da 
redeno. Com nossa compreenso finita podemos considerar muito 
encarecidamente a ignomnia e a glria, a vida e a morte, a justia e a 
misericrdia, que se encontraram na cruz; todavia, com o mximo esforo de 
nossa faculdade mental, deixamos de apreender seu completo significado. O 
comprimento e a largura, a profundidade e a altura do amor que redime no so 
seno palidamente compreendidos. O plano da redeno no ser amplamente 
penetrado, mesmo quando os resgatados virem assim como eles so vistos, e 
conhecerem como so conhecidos; antes, atravs das eras eternas, novas 
verdades desdobrar-se-o de contnuo  mente cheia de admirao e deleite. 
Posto que os pesares, dores e tentaes da Terra estejam terminados, e removidas 
suas causas, sempre ter o povo de Deus um conhecimento distinto, inteligente, 
do que custou a sua salvao.
A cruz de Cristo ser a cincia e cntico dos remidos por toda a eternidade. No 
Cristo glorificado eles contemplaro o Cristo crucificado. Jamais se olvidar que 
Aquele cujo poder criou e manteve os inumerveis mundos atravs dos vastos 
domnios do espao, o Amado de Deus, a Majestade do Cu, Aquele a quem 
querubins e resplendentes serafins se deleitavam em adorar  humilhou-Se para 
levantar o homem decado; que Ele arrostou a culpa e a ignomnia do pecado e a 
ocultao da face de Seu Pai, at que as misrias de um mundo perdido Lhe 
quebrantaram o corao e aniquilaram a vida na cruz do Calvrio. O fato de o 
Criador de todos os mundos, o rbitro de todos os destinos, deixar Sua glria e 
humilhar-Se por amor do homem, despertar eternamente a admirao e a 
adorao do Universo. Ao olharem as naes dos salvos para o seu Redentor e 
contemplarem a glria eterna do Pai resplandecendo em Seu semblante; ao verem 
o Seu trono que  de eternidade em eternidade, e saberem que Seu reino no ter 
fim, irrompem num hino arrebatador: Digno, digno  o Cordeiro que foi morto, e 
nos remiu para Deus com Seu mui precioso sangue!
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Pg. 652
O mistrio da cruz explica todos os outros mistrios.  luz que emana do Calvrio, 
os atributos de Deus que nos encheram de temor e pavor, aparecem belos e 
atraentes. Misericrdia, ternura e amor paternal so vistos a confundir-se com 
santidade, justia e poder. Enquanto contemplamos a majestade de Seu trono, 
alto e sublime, vemos Seu carter em suas manifestaes de misericrdia, e 
compreendemos, como nunca dantes, a significao daquele ttulo enternecedor: 
Pai nosso.
Ver-se- que Aquele que  infinito em sabedoria no poderia idear plano algum 
para nos redimir, a no ser o sacrifcio de Seu Filho. A compensao desse 
sacrifcio  a alegria de povoar a Terra com seres resgatados, santos, felizes e 
imortais. O resultado do conflito do Salvador com os poderes das trevas,  alegria 
para os remidos, redundando para a glria de Deus por toda a eternidade. E tal  o 
valor de cada alma que o Pai est satisfeito com o preo pago; e o prprio Cristo, 
contemplando os frutos de Seu grande sacrifcio, exulta, tambm.
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41
Ser Desolada a Terra
Pg. 653
Os seus pecados se acumularam at ao cu, e Deus Se lembrou das iniqidades 
dela. No clice em que vos deu de beber dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se 
glorificou, e em delcias esteve, dai-lhe outro tanto em tormento e pranto; porque 
diz em seu corao: Estou assentada como rainha, e no sou viva, e no verei o 
pranto. Portanto, num dia viro as pragas, a morte, e o pranto e a fome; e ser 
queimada no fogo; porque  forte o Senhor Deus que a julga. E os reis da Terra, 
que se prostituram com ela, e viveram em delicias, a choraro, e sobre ela 
prantearo,  dizendo: Ai! ai daquela grande Babilnia, aquela forte cidade! pois 
numa hora veio o seu juzo. Apoc. 18:5-10.
Os mercadores da Terra que se enriqueceram com a abundncia de suas 
delcias, estaro de longe, pelo temor do seu tormento, chorando, e lamentando, 
e dizendo: Ai, ai, daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de 
prpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e prolas! Porque 
numa hora foram assoladas tantas riquezas. Apoc. 18:3, 15 e 16.
Tais so os juzos que caem sobre Babilnia, no dia da ira de Deus. Ela encheu a 
medida de sua iniqidade; veio o seu tempo; est madura para a destruio.
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Pg. 654
Quando a voz de Deus pe fim ao cativeiro de Seu povo, h um terrvel despertar 
daqueles que tudo perderam no grande conflito da vida. Enquanto perdurou o 
tempo da graa, estiveram cegos pelos enganos de Satans, e desculpavam sua 
conduta de pecado. Os ricos se orgulhavam de sua superioridade sobre aqueles 
que eram menos favorecidos; mas obtiveram suas riquezas violando a lei de Deus. 
Negligenciaram alimentar o faminto, vestir o nu, tratar com justia e amar a 
misericrdia. Procuraram exaltar-se, e obter a homenagem de seus semelhantes. 
Agora esto despojados de tudo que os fazia grandes, e se encontram 
desamparados e indefesos. Olham com terror para a destruio dos dolos que 
antepuseram ao seu Criador. Venderam a alma em troca das riquezas e gozos 
terrestres, e no procuraram enriquecer para com Deus. O resultado  que sua 
vida foi um fracasso; seus prazeres agora se transformaram em amargura, seus 
tesouros em corrupo. Os .ganhos de uma vida inteira foram em um momento 
varridos. Os ricos lastimam a destruio de suas soberbas casas, a disperso de 
seu ouro e prata. Mas suas lamentaes silenciam pelo temor de que eles prprios 
devem perecer, juntamente com seus dolos.
Os mpios esto cheios de pesar, no por causa de sua pecaminosa negligncia 
para com Deus e seus semelhantes, mas porque Deus venceu. Lamentam que o 
resultado seja o que ; mas no se arrependem de sua impiedade. Se pudessem, 
no deixariam de experimentar todo e qualquer meio para vencer.
O mundo v aqueles dos quais zombaram e escarneceram, e que desejaram 
exterminar, passarem ilesos atravs das pestilncias, tempestades e terremotos. 
Aquele que  para os transgressores de Sua lei um fogo devorador,  para o Seu 
povo um seguro pavilho.
O ministro que sacrificara a verdade a fim de alcanar o favor dos homens, 
percebe agora o carter e influncia de seus ensinos.  evidente que os olhos 
oniscientes o estiveram acompanhando enquanto se achava ao plpito, enquanto 
andava pelas ruas, enquanto se confundia com os homens nas vrias
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Pg. 655
cenas da vida. Toda emoo da alma, toda linha escrita, cada palavra pronunciada, 
todo ato que levava os homens a descansar em um refgio de falsidade, esteve a 
espalhar sementes; e agora, nas infelizes e perdidas almas em redor dele, 
contempla a colheita.
Diz o Senhor: Curam a ferida da filha de Meu povo levianamente, dizendo: Paz, 
paz, quando no h paz. Entristecestes o corao do justo com falsidade, no o 
havendo Eu entristecido, e esforastes as mos do mpio, para que no se 
desviasse do seu mau caminho, e vivesse. Jer. 8:11; Ezeq. 13:22.
Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do Meu pasto.  Eis que 
visitarei sobre vs a maldade de vossas aes. Uivai, pastores, e clamai, e 
rebolai-vos na cinza, principais do rebanho, porque j se cumpriram os vossos dias 
para serdes mortos  E no haver fugida para os pastores, nem salvamento para 
os principais do rebanho. Jer. 23:1 e 2; 25:34 e 35.
Ministros e povo vem que no mantiveram a devida relao para com Deus. 
Vem que se rebelaram contra o Autor de toda lei reta e justa. A rejeio dos 
preceitos divinos deu origem a milhares de fontes para males, discrdias, dio, 
iniqidade, at que a Terra se tornou um vasto campo de contenda, um poo de 
corrupo. Este  o quadro que ora se apresenta aos que rejeitaram a verdade e 
preferiram acalentar o erro. Nenhuma linguagem pode exprimir o anelo que o 
desobediente, o desleal experimenta por aquilo que para sempre perdeu: a vida 
eterna. Homens que o mundo adorou pelos talentos e eloqncia vem agora 
estas coisas sob a sua verdadeira luz. Compenetram-se do que perderam pela 
transgresso, e caem aos ps daqueles de cuja fidelidade zombaram, com 
menosprezo, confessando que Deus os amou.
O povo v que foi iludido. Um acusa ao outro de o ter levado  destruio; todos, 
porm, se unem em acumular suas mais amargas condenaes contra os 
ministros. Pastores infiis profetizaram coisas agradveis, levaram os ouvintes a
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anular a lei de Deus e a perseguir os que a queriam santificar. Agora, em seu 
desespero, esses ensinadores confessam perante o mundo sua obra de engano. As 
multides esto cheias de furor. Estamos perdidos! exclamam; e vs sois a 
causa de nossa runa; e voltam-se contra os falsos pastores. Aqueles mesmos 
que mais os admiravam, pronunciaro as mais terrveis maldies sobre eles. As 
mesmas mos que os coroavam de lauris, levantar-se-o para destru-los. As 
espadas que deveriam matar o povo de Deus, so agora empregadas para 
exterminar os seus inimigos. Por toda parte h contenda e morticnio.
Chegar o estrondo at  extremidade da Terra, porque o Senhor tem contenda 
com as naes, entrar em juzo com toda a carne; os mpios entregar  espada. 
Jer. 25:31. Seis mil anos esteve em andamento o grande conflito; o Filho de Deus 
e Seus mensageiros celestiais estavam em conflito com o poder do maligno, a fim 
de advertir, esclarecer e salvar os filhos dos homens. Agora todos fizeram sua 
deciso; os mpios uniram-se completamente a Satans em sua luta contra Deus. 
Chegado  o tempo para Deus reivindicar a autoridade de Sua lei que fora 
desprezada. Agora a controvrsia no  somente com Satans, mas tambm com 
os homens. O Senhor tem contenda com as naes; os mpios entregar  
espada.
O sinal de livramento foi posto sobre aqueles que suspiram e que gemem por 
causa de todas as abominaes que se cometem. Agora sai o anjo da morte, 
representado na viso de Ezequiel pelos homens com as armas destruidoras, aos 
quais  dada a ordem: Matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e 
mulheres, at extermin-los; mas a todo homem que tiver o sinal no vos 
chegueis; e comeai pelo Meu santurio. Diz o profeta: E comearam pelos 
homens mais velhos que estavam diante da casa. Ezeq. 9:1-6. A obra de 
destruio se inicia entre os que professaram ser os guardas espirituais do povo. 
Os falsos vigias so os primeiros a cair. Ningum h de quem se compadecer ou a 
quem poupar. Homens, mulheres, donzelas e criancinhas perecem juntamente.
O Senhor sair do Seu lugar, para castigar os moradores
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da Terra, por causa da sua iniqidade, e a Terra descobrir o seu sangue, e no 
encobrir mais aqueles que foram mortos. Isa. 26:21. E esta ser a praga com 
que o Senhor ferir a todos os povos que guerrearem contra Jerusalm: a sua 
carne ser consumida, estando eles de p, e lhes apodrecero os olhos nas suas 
rbitas, e lhes apodrecer a lngua na sua boca. Naquele dia tambm acontecer 
que haver uma grande perturbao do Senhor entre eles; porque pegar cada um 
na mo do seu companheiro, e alar-se- a mo de cada um contra a mo de seu 
companheiro. Zac. 14:12 e 13. Na desvairada contenda de suas prprias e 
violentas paixes, e pelo derramamento terrvel da ira de Deus sem mistura, 
sucumbem os mpios habitantes da Terra  sacerdotes, governadores e povo, ricos 
e pobres, elevados e baixos. E sero os mortos do Senhor, naquele dia, desde 
uma extremidade da Terra at  outra extremidade da Terra; no sero 
pranteados nem recolhidos, nem sepultados. Jer. 25:33.
Por ocasio da vinda de Cristo os mpios so eliminados da face de toda a Terra: 
consumidos pelo esprito de Sua boca, e destrudos pelo resplendor de Sua glria. 
Cristo leva o Seu povo para a cidade de Deus, e a Terra  esvaziada de seus 
moradores. Eis que o Senhor esvazia a Terra, e a desola, e transtorna a sua 
superfcie, e dispersa os seus moradores. De todo se esvaziar a Terra, e de todo 
ser saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra. Porquanto transgridem 
as leis, mudam os estatutos, e quebram a aliana eterna. Por isso a maldio 
consome a Terra, e os que habitam nela sero desolados; por isso sero 
queimados os moradores da Terra. Isa. 24:1, 3, 4 e 6.
A Terra inteira se parece com um deserto assolado. As runas das cidades e vilas 
destrudas pelo terremoto, rvores desarraigadas, pedras escabrosas arrojadas 
pelo mar ou arrancadas da prpria Terra, espalham-se pela sua superfcie, 
enquanto vastas cavernas assinalam o lugar em que as montanhas foram 
separadas da sua base.
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Pg. 658
Ocorre agora o acontecimento prefigurado na ltima e solene cerimnia do dia da 
expiao. Quando se completava o ministrio no lugar santssimo, e os pecados de 
Israel eram removidos do santurio em virtude do sangue da oferta pelo pecado, o 
bode emissrio era ento apresentado vivo perante o Senhor; e na presena da 
congregao o sumo sacerdote confessava sobre ele todas as iniqidades dos 
filhos de Israel, e todas as suas transgresses, segundo todos os seus pecados, 
pondo-os sobre a cabea do bode. Lev. 16:21. Semelhantemente, ao completar-se 
a obra de expiao no santurio celestial, na presena de Deus e dos anjos do Cu 
e do exrcito dos remidos, sero ento postos sobre Satans os pecados do povo 
de Deus; declarar-se- ser ele o culpado de todo o mal que os fez cometer. E 
assim como o bode emissrio era enviado para uma terra no habitada, Satans 
ser banido para a Terra desolada, que se encontrar como um deserto 
despovoado e horrendo.
O escritor do Apocalipse prediz o banimento de Satans, e a condio de caos e 
desolao a que a Terra deve ser reduzida; e declara que tal condio existir 
durante mil anos. Depois de apresentar as cenas da segunda vinda do Senhor e da 
destruio dos mpios, continua a profecia: Vi descer do cu um anjo que tinha a 
chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mo. Ele prendeu o drago, a 
antiga serpente, que  o diabo e Satans, e amarrou-o por mil anos. E lanou-o no 
abismo, e ali o encerrou, e ps selo sobre ele, para que no mais engane as 
naes, at que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um 
pouco de tempo. Apoc. 20:1-3.
Que a expresso abismo representa a Terra em estado de confuso e trevas,  
evidente de outras passagens. Relativamente  condio da Terra no princpio, o 
relato bblico diz que era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do 
abismo. Gn. 1:2. A profecia ensina que ela voltar, em
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Pg. 659
parte ao menos, a esta condio. Olhando ao futuro para o grande dia de Deus, 
declara o profeta Jeremias: Observei a Terra, e eis que estava assolada e vazia; e 
os cus, e no tinham a sua luz. Observei os montes, e eis que estavam 
tremendo; e todos os outeiros estremeciam. Observei e vi que homem nenhum 
havia e que todas as aves do cu tinham fugido. Vi tambm que a terra frtil era 
um deserto, e que todas as suas cidades estavam derribadas. Jer. 4:23-26.
Aqui dever ser a morada de Satans com seus anjos maus durante mil anos. 
Restrito  Terra, no ter acesso a outros mundos, para tentar e molestar os que 
jamais caram.  neste sentido que ele est amarrado: ningum ficou de resto, 
sobre quem ele possa exercer seu poder. Est inteiramente separado da obra de 
engano e runa que durante tantos sculos foi seu nico deleite.
O profeta Isaas, vendo antecipadamente o tempo da queda de Satans, exclama: 
Como caste do Cu,  estrela da manh, filha da alva! como foste lanado por 
terra, tu que debilitavas as naes! E tu dizias no teu corao: Eu subirei ao Cu, 
acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono.  Serei semelhante ao 
Altssimo. E contudo levado sers ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que 
te virem te contemplaro, considerar-te-o, e diro:  este o varo que fazia 
estremecer a Terra, e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como um 
deserto, e assolava as suas cidades? que a seus cativos no deixava ir soltos para 
suas casas? Isa. 14:12-17.
Durante seis mil anos a obra de rebelio de Satans tem feito estremecer a 
Terra. Ele tornou o mundo como um deserto, e destruiu as suas cidades. E a 
seus cativos no deixava ir soltos. Durante seis mil anos o seu crcere (o 
sepulcro) recebeu o povo de Deus, e ele os queria conservar cativos para sempre; 
mas Cristo quebrou os seus laos, pondo em liberdade os prisioneiros.
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Pg. 660
Mesmo os mpios agora se acham colocados fora do poder de Satans, e sozinho, 
com seus anjos maus, permanecer ele a compenetrar-se dos efeitos da maldio 
que o pecado acarretou. Todos os reis das naes, todos eles jazem com honra 
cada um na sua casa [sepultura]. Mas tu s lanado da tua sepultura, como um 
renovo abominvel.  Com eles no te reunirs na sepultura; porque destruste a 
tua terra e mataste o teu povo. Isa. 14:18-20.
Durante mil anos Satans vaguear de um lugar para outro na Terra desolada, 
para contemplar os resultados de sua rebelio contra a lei de Deus. Durante este 
tempo os seus sofrimentos sero intensos. Desde a sua queda, a sua vida de 
incessante atividade baniu a reflexo; agora, porm, est ele despojado de seu 
poder e entregue a si mesmo para contemplar a parte que desempenhou desde 
que a princpio se rebelou contra o governo do Cu, e para aguardar, com temor e 
tremor, o futuro terrvel em que dever sofrer por todo o mal que praticou, e ser 
punido pelos pecados que fez com que fossem cometidos.
Ao povo de Deus o cativeiro de Satans trar alegria e jbilo. Diz o profeta: 
Acontecer que no dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, e do 
teu tremor, e da dura servido com que te fizeram servir, ento proferirs este 
dito contra o rei de Babilnia [representando aqui Satans], e dirs: Como cessou 
o opressor!  J quebrantou o Senhor o basto dos mpios e o cetro dos 
dominadores. Aquele que feria os povos com furor, com praga incessante, o que 
com ira dominava as naes, agora  perseguido, sem que algum o possa 
impedir. Isa. 14:3-6.
Durante os mil anos entre a primeira e a segunda ressurreies, ocorre o 
julgamento dos mpios. O apstolo Paulo indica este juzo como um acontecimento 
a seguir-se ao segundo advento. Nada julgueis antes de tempo, at que o Senhor 
venha, o qual tambm trar  luz as coisas ocultas das trevas, e manifestar os 
desgnios dos coraes. I Cor. 4:5. Daniel
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Pg. 661
declara que quando veio o Ancio de Dias, foi dado o juzo aos santos do 
Altssimo. Dan. 7:22. Nesse tempo os justos reinam como reis e sacerdotes de 
Deus. Joo, no Apocalipse, diz: Vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes 
dado o poder de julgar. Sero sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinaro com Ele 
mil anos. Apoc. 20:4 e 6.  nesse tempo que, conforme foi predito por Paulo, os 
santos ho de julgar o mundo. I Cor. 6:2. Em unio com Cristo julgam os mpios, 
comparando seus atos com o cdigo  a Escritura Sagrada, e decidindo cada caso 
segundo as aes praticadas no corpo. Ento  determinada a parte que os mpios 
devem sofrer, segundo suas obras; e registrada em frente ao seu nome, no livro 
da morte.
Igualmente Satans e os anjos maus so julgados por Cristo e Seu povo. Diz 
Paulo: No sabeis vs que havemos de julgar os anjos? I Cor. 6:3. E Judas 
declara que aos anjos que no guardaram o seu principado, mas deixaram a sua 
prpria habitao, reservou na escurido, e em prises eternas at ao juzo 
daquele grande dia. Jud. 6.
Ao fim dos mil anos ocorrer a segunda ressurreio. Ento os mpios 
ressuscitaro dos mortos, comparecendo perante Deus para a execuo do juzo 
escrito. Assim, o escritor do Apocalipse, depois de descrever o ressurgir dos 
justos, diz: Mas os outros mortos no reviveram, at que os mil anos se 
acabaram. Apoc. 20:5. A respeito dos mpios Isaas declara: Sero amontoados 
como presos numa masmorra, e sero encerrados num crcere, e sero visitados 
depois de muitos dias. Isa. 24:22.
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42
O Final e Glorioso Triunfo
Pg. 662
Ao fim dos mil anos, Cristo volta novamente  Terra.  acompanhado pelo exrcito 
dos remidos, e seguido por um cortejo de anjos. Descendo com grande majestade, 
ordena aos mpios mortos que ressuscitem para receber a condenao. Surgem 
estes como um grande exrcito, inumervel como a areia do mar. Que contraste 
com aqueles que ressurgiram na primeira ressurreio! Os justos estavam 
revestidos de imortal juventude e beleza. Os mpios trazem os traos da doena e 
da morte.
Todos os olhares daquela vasta multido se voltam para contemplar a glria do 
Filho de Deus. A uma voz, as hostes dos mpios exclamam: Bendito o que vem 
em nome do Senhor! No  o amor para com Jesus que inspira esta declarao.  
a fora da verdade que faz brotar involuntariamente essas palavras de seus lbios. 
Os mpios saem da sepultura tais quais a ela baixaram, com a mesma inimizade 
contra Cristo, e com o mesmo esprito de rebelio. No tero um novo tempo de 
graa no qual remediar os defeitos da vida passada. Para nada aproveitaria isso. 
Uma vida inteira de pecado no lhes abrandou o corao. Um segundo tempo de 
graa, se lhes fosse concedido, seria ocupado, como foi o primeiro, em se 
esquivarem aos preceitos de Deus e contra Ele incitarem rebelio.
Cristo desce sobre o Monte das Oliveiras, donde, depois de Sua ressurreio, 
ascendeu, e onde anjos repetiram a promessa de Sua volta. Diz o profeta: Vir o 
Senhor meu Deus, e
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Pg. 663
todos os santos contigo. E naquele dia estaro os Seus ps sobre o Monte das 
Oliveiras, que est defronte de Jerusalm para o oriente; e o Monte das Oliveiras 
ser fendido pelo meio,  e haver um vale muito grande. O Senhor ser Rei 
sobre toda a Terra; naquele dia um ser o Senhor, e um ser o Seu nome. Zac. 
14:5, 4 e 9. Descendo do Cu a Nova Jerusalm em seu deslumbrante resplandor, 
repousa sobre o lugar purificado e preparado para receb-la, e Cristo, com Seu 
povo e os anjos, entram na santa cidade.
Agora Satans se prepara para a ltima e grande luta pela supremacia. Enquanto 
despojado de seu poder e separado de sua obra de engano, o prncipe do mal se 
achava infeliz e abatido; mas, sendo ressuscitados os mpios mortos, e vendo ele 
as vastas multides a seu lado, revivem-lhe as esperanas, e decide-se a no 
render-se no grande conflito. Arregimentar sob sua bandeira todos os exrcitos 
dos perdidos, e por meio deles se esforar por executar seus planos. Os mpios 
so cativos de Satans. Rejeitando a Cristo, aceitaram o governo do chefe rebelde. 
Esto prontos para receber suas sugestes e executar-lhe as ordens. Contudo, fiel 
 sua astcia original, ele no se reconhece como Satans. Pretende ser o prncipe 
que  o legtimo dono do mundo, e cuja herana foi dele ilicitamente extorquida. 
Representa-se a si mesmo, ante seus sditos iludidos, como um redentor, 
assegurando-lhes que seu poder os tirou da sepultura, e que ele est prestes a 
resgat-los da mais cruel tirania. Havendo sido removida a presena de Cristo, 
Satans opera maravilhas para apoiar suas pretenses. Faz do fraco forte, e a 
todos inspira com seu prprio esprito e energia. Prope-se gui-los contra o 
acampamento dos santos e tomar posse da cidade de Deus. Com diablica 
exultao aponta para os incontveis milhes que ressuscitaram dos mortos, e 
declara que como seu guia  muito capaz de tomar a cidade, reavendo seu trono e 
reino.
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Pg. 664
Naquela vasta multido h muitos que pertenceram  raa de grande longevidade 
que existiu antes do dilvio; homens de estatura elevada e gigantesco intelecto, 
os quais, entregando-se ao domnio dos anjos cados, dedicaram toda a sua 
habilidade e saber  exaltao prpria; homens cujas maravilhosas obras de arte 
levaram o mundo a lhe idolatrar o gnio, mas cuja crueldade e invenes ms, 
contaminando a Terra e desfigurando a imagem de Deus, fizeram-nO extermin-
los da face de Sua criao. H reis e generais que venceram naes, homens 
valentes que nunca perderam batalha, guerreiros orgulhosos, ambiciosos, cuja 
aproximao fazia tremer os reinos. Na morte no experimentaram mudana 
alguma. Ao subirem da sepultura, retomam o fio de seus pensamentos 
exatamente onde ele cessou. So movidos pelo mesmo desejo de vencer, que os 
governava quando tombaram.
Satans consulta seus anjos, e depois esses reis, vencedores e guerreiros 
poderosos. Olham para a fora e nmero ao seu lado, e declaram que o exrcito 
dentro da cidade  pequeno em comparao com o seu, podendo ser vencido. 
Formulam seus planos para tomar posse das riquezas e glria da Nova Jerusalm. 
Todos imediatamente comeam a preparar-se para a batalha. Hbeis artfices 
constroem petrechos de guerra. Chefes militares, famosos por seus xitos, 
arregimentam em companhias e seces as multides de homens aguerridos.
Finalmente  dada a ordem de avanar, e o inumervel exrcito se pe em 
movimento  exrcito tal como nunca foi constitudo por conquistadores 
terrestres, tal como jamais poderiam igualar as foras combinadas de todas as 
eras, desde que a guerra existe sobre a Terra. Satans, o mais forte dos 
guerreiros, toma a dianteira, e seus anjos unem as foras para esta luta final. Reis 
e guerreiros esto em seu squito, e as multides seguem em vastas companhias, 
cada qual sob as ordens de seu designado chefe. Com preciso militar as fileiras 
cerradas avanam pela superfcie da Terra, quebrada e desigual, em direo  
cidade de Deus. Por ordem de Jesus so fechadas as portas da Nova Jerusalm, e 
os exrcitos de Satans rodeiam a cidade, preparando-se para o assalto.
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Pg. 665
Agora Cristo de novo aparece  vista de Seus inimigos. Muito acima da cidade, 
sobre um fundamento de ouro polido, est um trono, alto e sublime. Sobre este 
trono assenta-Se o Filho de Deus, e em redor dEle esto os sditos de Seu reino. 
O poder e majestade de Cristo nenhuma lngua os pode descrever, nem pena 
alguma retratar. A glria do Pai eterno envolve Seu Filho. O resplandor de Sua 
presena enche a cidade de Deus e estende-se para alm das portas, inundando a 
Terra inteira com seu fulgor.
Mais prximo do trono esto os que j foram zelosos na causa de Satans, mas 
que, arrancados como ties do fogo, seguiram seu Salvador com devoo 
profunda, intensa. Em seguida esto os que aperfeioaram um carter cristo em 
meio de falsidade e incredulidade, os que honraram a lei de Deus quando o mundo 
cristo a declarava nula, e os milhes de todos os sculos que se tornaram 
mrtires pela sua f. E alm est a multido, a qual ningum podia contar, de 
todas as naes, e tribos, e povos, e lnguas,  trajando vestidos brancos e com 
palmas nas suas mos. Apoc. 7:9. Terminou a sua luta, a vitria est ganha. 
Correram no estdio e alcanaram o prmio. O ramo de palmas em suas mos  
um smbolo de seu triunfo, as vestes brancas, um emblema da imaculada justia 
de Cristo, a qual agora possuem.
Os resgatados entoam um cntico de louvor que ecoa repetidas vezes pelas 
abbadas do Cu: Salvao ao nosso Deus que est assentado no trono, e ao 
Cordeiro. E anjos e serafins unem sua voz em adorao. Tendo os remidos 
contemplado o poder e malignidade de Satans, viram, como nunca dantes, que 
poder algum, a no ser o de Cristo, poderia t-los feito vencedores. Em toda 
aquela resplendente multido ningum h que atribua a salvao a si mesmo, 
como se houvesse prevalecido pelo prprio poder e bondade. Nada se diz do que 
fizeram ou sofreram; antes, o motivo de cada cntico, a nota fundamental de toda 
antfona,   Salvao ao nosso Deus, e ao Cordeiro.
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Pg. 666
Na presena dos habitantes da Terra e do Cu, reunidos,  efetuada a coroao 
final do Filho de Deus. E agora, investido de majestade e poder supremos, o Rei 
dos reis pronuncia a sentena sobre os rebeldes contra Seu governo, e executa 
justia sobre aqueles que transgrediram Sua lei e oprimiram Seu povo. Diz o 
profeta de Deus: Vi um grande trono branco, e O que estava assentado sobre ele, 
de cuja presena fugiu a Terra e o cu; e no se achou lugar para eles. E vi os 
mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; 
e abriu-se outro livro, que  o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas 
que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. Apoc. 20:11 e 12.
Logo que se abrem os livros de registro e o olhar de Jesus incide sobre os mpios, 
eles se tornam cnscios de todo pecado cometido. Vem exatamente onde seus 
ps se desviaram do caminho da pureza e santidade, precisamente at onde o 
orgulho e rebelio os levaram na violao da lei de Deus. As sedutoras tentaes 
que incentivaram na condescendncia com o pecado, as bnos pervertidas, os 
mensageiros de Deus desprezados, as advertncias rejeitadas, as ondas de 
misericrdia rebatidas pelo corao obstinado, impenitente  tudo aparece como 
que escrito com letras de fogo.
Por sobre o trono se revela a cruz; e semelhante a uma vista panormica 
aparecem as cenas da tentao e queda de Ado, e os passos sucessivos no 
grande plano para redimir os homens. O humilde nascimento do Salvador; Sua 
infncia de simplicidade e obedincia; Seu batismo no Jordo; o jejum e tentao 
no deserto; Seu ministrio pblico, desvendando aos homens as mais preciosas 
bnos do Cu; os dias repletos de atos de amor e misericrdia, Suas noites de 
orao e viglia na solido das montanhas; as tramas de inveja, dio e maldade, 
com que eram retribudos os Seus benefcios; a agonia terrvel e misteriosa no 
Getsmani, sob o peso esmagador dos pecados do mundo inteiro; Sua traio nas 
mos da turba assassina; os
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Pg. 667
tremendos acontecimentos daquela noite de horror  o Prisioneiro que no opunha 
resistncia, abandonado por Seus discpulos mais amados, rudemente empurrado 
pelas ruas de Jerusalm; o Filho de Deus exultantemente exibido perante Ans, 
citado ao palcio do sumo sacerdote, ao tribunal de Pilatos, perante o covarde e 
cruel Herodes, escarnecido, insultado, torturado e condenado  morte  tudo  
vividamente esboado.
E agora, perante a multido agitada, revelam-se as cenas finais  o paciente 
Sofredor trilhando o caminho do Calvrio, o Prncipe do Cu suspenso na cruz; os 
altivos sacerdotes e a plebe zombeteira a escarnecer de Sua agonia mortal, as 
trevas sobrenaturais; a Terra a palpitar, as pedras despedaadas, as sepulturas 
abertas, assinalando o momento em que o Redentor do mundo rendeu a vida.
O terrvel espetculo aparece exatamente como foi. Satans, seus anjos e sditos 
no tm poder para se desviarem do quadro que  a sua prpria obra. Cada ator 
relembra a parte que desempenhou. Herodes, matando as inocentes crianas de 
Belm, a fim de que pudesse destruir o Rei de Israel; a vil Herodias, sobre cuja 
alma criminosa repousa o sangue de Joo Batista; o fraco Pilatos, subserviente s 
circunstncias; os soldados zombadores; os sacerdotes e prncipes, e a multido 
furiosa que clamou: O Seu sangue caia sobre ns e sobre nossos filhos!  todos 
contemplam a enormidade de seu crime. Em vo procuram ocultar-se da 
majestade divina de Seu rosto, mais resplandecente que o Sol, enquanto os 
remidos lanam suas coroas aos ps do Salvador, exclamando: Ele morreu por 
mim!
Entre a multido resgatada acham-se os apstolos de Cristo, o herico Paulo, o 
ardoroso Pedro, o amado e amante Joo, e seus fiis irmos, e com estes o vasto 
exrcito dos mrtires, ao passo que, fora dos muros, com tudo o que  vil e 
abominvel, esto aqueles pelos quais foram perseguidos, presos e mortos. Ali 
est Nero, aquele monstro de crueldade e vcio, contemplando a alegria e 
exaltao daqueles que torturara, e em cujas aflies extremas encontrara deleite 
satnico. Sua
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Pg. 668
me ali est para testemunhar o resultado de sua prpria obra; para ver como os 
maus traos de carter transmitidos a seu filho, as paixes incentivadas e 
desenvolvidas por sua influncia e exemplo, produziram frutos nos crimes que 
fizeram o mundo estremecer.
Ali esto sacerdotes e prelados romanistas, que pretendiam ser embaixadores de 
Cristo e, no entanto, empregaram a tortura, a masmorra, a fogueira para dominar 
a conscincia de Seu povo. Ali esto os orgulhosos pontfices que se exaltaram 
acima de Deus e pretenderam mudar a lei do Altssimo. Aqueles pretensos pais da 
igreja tm uma conta a prestar a Deus, da qual muito desejariam livrar-se. 
Demasiado tarde chegam a ver que o Onisciente  zeloso de Sua lei, e que de 
nenhuma maneira ter por inocente o culpado. Aprendem agora que Cristo 
identifica Seu interesse com o de Seu povo sofredor; e sentem a fora de Suas 
palavras: Quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmos, a Mim o 
fizestes. Mat. 25:40.
O mundo mpio todo acha-se em julgamento perante o tribunal de Deus, acusado 
de alta traio contra o governo do Cu. Ningum h para pleitear sua causa; 
esto sem desculpa; e a sentena de morte eterna  pronunciada contra eles.
 agora evidente a todos que o salrio do pecado no  nobre independncia e 
vida eterna, mas escravido, runa e morte. Os mpios vem o que perderam em 
virtude de sua vida de rebeldia. O peso eterno de glria mui excelente foi 
desprezado quando lhes foi oferecido; mas quo desejvel agora se mostra! Tudo 
isto, exclama a alma perdida, eu poderia ter tido; mas preferi conservar estas 
coisas longe de mim. Oh! estranha presuno! Troquei a paz, a felicidade e a 
honra pela misria, infmia e desespero. Todos vem que sua excluso do Cu  
justa. Por sua vida declararam: No queremos que este Jesus reine sobre ns.
Como que extasiados, os mpios contemplam a coroao do Filho de Deus. Vem 
em Suas mos as tbuas da lei divina, os estatutos que desprezaram e 
transgrediram. Testemunham
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Pg. 669
o irromper de admirao, transportes e adorao por parte dos salvos, e, ao 
propagar-se a onda de melodia sobre as multides fora da cidade, todos, a uma, 
exclamam: Grandes e maravilhosas so as Tuas obras, Senhor Deus todo-
poderoso! Justos e verdadeiros so os Teus caminhos,  Rei dos santos (Apoc. 
15:3); e, prostrando-se, adoram o Prncipe da vida.
Satans parece paralisado ao contemplar a glria e majestade de Cristo. Aquele 
que fora um querubim cobridor lembra-se donde caiu. Ele, um serafim 
resplandecente, filho da alva quo mudado, quo degradado! Do conselho onde 
tantas honras recebera, est para sempre excludo. V que agora um outro se 
encontra perto do Pai, velando Sua glria. Viu ser colocada a coroa sobre a cabea 
de Cristo por um anjo de elevada estatura e presena majestosa, e sabe que a 
exaltada posio deste anjo poderia ter sido sua.
A memria recorda o lar de sua inocncia e pureza, a paz e contentamento que 
eram seus at haver condescendido em murmurar contra Deus e ter inveja de 
Cristo. Suas acusaes, sua rebelio, seus enganos para ganhar a simpatia e apoio 
dos anjos, sua obstinada persistncia em no fazer esforos a fim de reabilitar-se 
quando Deus lhe teria concedido o perdo  tudo se lhe apresenta ao vivo. Rev 
sua obra entre os homens e seus resultados  a inimizade do homem para com 
seu semelhante, a terrvel destruio de vidas, o surgimento e queda de reinos, a 
runa de tronos, a longa sucesso de tumultos, conflitos e revolues. Recorda-se 
de seus constantes esforos para se opor  obra de Cristo, e para rebaixar cada 
vez mais o homem. V que suas tramas infernais foram impotentes para destruir 
os que depositaram confiana em Jesus. Olhando Satans para o seu reino, o fruto 
de sua luta, v apenas fracasso e runa. Levara as multides a crer que a cidade 
de Deus seria fcil presa; mas sabe que isto  falso. Reiteradas vezes, no 
transcurso do grande conflito, foi ele derrotado e obrigado a capitular. Conhece 
muito bem o poder e majestade do Eterno.
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Pg. 670
O objetivo do grande rebelde foi sempre justificar-se, e provar ser o governo 
divino responsvel pela rebelio. A esse fim aplicou todo o poder de seu pujante 
intelecto. Trabalhou deliberada e sistematicamente, e com maravilhoso xito, 
levando vastas multides a aceitar seu modo de ver quanto ao grande conflito que 
h tanto tempo se vem desenvolvendo. Durante milhares de anos esse chefe 
conspirador tem apresentado a falsidade em lugar da verdade. Mas agora chegado 
 o tempo em que a rebelio deve ser finalmente derrotada, e descobertos a 
histria e carter de Satans. Em seu ltimo e grande esforo para destronar a 
Cristo, destruir Seu povo e tomar posse da cidade de Deus, o arquienganador foi 
completamente desmascarado. Os que a ele se uniram, vem o fracasso completo 
de sua causa. Os seguidores de Cristo e os anjos leais contemplam a extenso 
total de suas maquinaes contra o governo de Deus.  ele objeto de averso 
universal.
Satans v que sua rebelio voluntria o inabilitou para o Cu. Adestrou suas 
faculdades para guerrear contra Deus; a pureza, paz e harmonia do Cu ser-lhe-
iam suprema tortura. Suas acusaes contra a misericrdia e justia de Deus 
silenciaram agora. A exprobrao que se esforou por lanar sobre Jeov repousa 
inteiramente sobre ele. E agora Satans se curva e confessa a justia de sua 
sentena.
Quem Te no temer,  Senhor, e no magnificar o Teu nome? Porque s Tu s 
santo; por isso todas as naes viro, e se prostraro diante de Ti, porque os Teus 
juzos so manifestos. Apoc. 15:4. Todas as questes sobre a verdade e o erro no 
prolongado conflito foram agora esclarecidas. Os resultados da rebelio, os frutos 
de se porem de parte os estatutos divinos, foram patenteados  vista de todos os 
seres criados. Os resultados do governo de Satans em contraste com o de Deus, 
foram apresentados a todo o Universo. As prprias obras de Satans o 
condenaram. A sabedoria de Deus, Sua justia e bondade, acham-se plenamente 
reivindicadas. V-se que toda a Sua ao no grande conflito foi orientada com 
respeito
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ao bem eterno de Seu povo, e ao bem de todos os mundos que criou. Todas as 
Tuas obras Te louvaro,  Senhor, e os Teus santos Te bendiro. Sal. 145:10. A 
histria do pecado permanecer por toda a eternidade como testemunha de que  
existncia da lei de Deus se acha ligada a felicidade de todos os seres por Ele 
criados.  vista de todos os fatos do grande conflito, o Universo inteiro, tanto os 
que so fiis como os rebeldes, de comum acordo declara: Justos e verdadeiros 
so os Teus caminhos,  Rei dos santos.
Perante o Universo foi apresentado claramente o grande sacrifcio feito pelo Pai e o 
Filho em prol do homem.  chegada a hora em que Cristo ocupa a Sua devida 
posio, sendo glorificado acima dos principados e potestades, e sobre todo o 
nome que se nomeia. Foi pela alegria que Lhe estava proposta  a fim de poder 
trazer muitos filhos  glria  que Ele suportou a cruz e desprezou a ignomnia. E 
por inconcebivelmente grande que tivessem sido a tristeza e a ignomnia, todavia 
maiores so a alegria e a glria. Ele olha para os remidos, renovados em Sua 
prpria imagem, trazendo cada corao a impresso perfeita do divino, refletindo 
cada rosto a semelhana de seu Rei. Contempla neles o resultado das fadigas de 
Sua alma, e fica satisfeito. Ento, com voz que atinge as multides congregadas 
dos justos e mpios, declara: Eis a aquisio de Meu sangue! Por estes sofri, por 
estes morri, a fim de que pudessem morar em Minha presena pelas eras 
eternas. E sobe o cntico de louvor dos que esto vestidos de branco em redor do 
trono: Digno  o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e 
sabedoria, e fora, e honra, e glria, e aes de graas. Apoc. 5:12.
Apesar de ter sido Satans constrangido a reconhecer a justia de Deus e a 
curvar-se  supremacia de Cristo, seu carter permanece sem mudana. O esprito 
de rebelio, qual poderosa torrente, explode de novo. Cheio de frenesi, decide-se a 
no capitular no grande conflito. Chegado  o tempo para uma ltima e 
desesperada luta conta o Rei do Cu. Arremessa-se
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para o meio de seus sditos e esfora-se por inspir-los com sua fria, incitando-
os a uma batalha imediata. Mas dentre todos os incontveis milhes que seduziu  
rebelio, ningum h agora que lhe reconhea a supremacia. Seu poder chegou ao 
fim. Os mpios esto cheios do mesmo dio a Deus, o qual inspira Satans; mas 
vem que seu caso  sem esperana, que no podem prevalecer contra Jeov. Sua 
ira se acende contra Satans e os que foram seus agentes no engano, e com furor 
de demnios voltam-se contra eles.
Diz o Senhor: Pois que estimas o teu corao, como se fora o corao de Deus, 
eis que Eu trarei sobre ti estranhos, os mais formidveis dentre as naes, os 
quais desembainharo as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e 
mancharo o teu resplandor.  cova te faro descer. E te farei perecer,  
querubim protetor, entre pedras afogueadas.  Por terra te lancei, diante dos reis 
te pus, para que olhem para ti.  E te tornei em cinza sobre a Terra, aos olhos de 
todos os que te vem.  Em grande espanto te tornaste, e nunca mais sers para 
sempre. Ezeq. 28:6-8, 16-19.
Toda a armadura daqueles que pelejam com rudo, e os vestidos que rolavam no 
sangue sero queimados, serviro de pasto ao fogo. A indignao do Senhor est 
sobre todas as naes, e o Seu furor sobre todo o exrcito delas: Ele as destruiu 
totalmente, entregou-as  matana. Sobre os mpios far chover laos, fogo, 
enxofre, e vento tempestuoso; eis a poro do seu copo. Isa. 9:5; 34:2; Sal. 
11:6. De Deus desce fogo do cu. A terra se fende. So retiradas as armas 
escondidas em suas profundezas. Chamas devoradoras irrompem de cada abismo 
hiante. As prprias rochas esto ardendo. Vindo  o dia que arder como um 
forno. Os elementos fundem-se pelo vivo calor, e tambm a Terra e as obras que 
nela h so queimadas (Mal. 4:1; II Ped. 3:10). A superfcie da Terra parece uma 
massa fundida  um vasto e fervente
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lago de fogo.  o tempo do juzo e perdio dos homens maus  dia da vingana 
do Senhor, ano de retribuies pela luta de Sio. Isa. 34:8.
Os mpios recebem sua recompensa na Terra (Prov. 11:31). Sero como a palha; 
e o dia que est para vir os abrasar, diz o Senhor dos exrcitos. Mal. 4:1. Alguns 
so destrudos em um momento, enquanto outros sofrem muitos dias. Todos so 
punidos segundo as suas aes. Tendo sido os pecados dos justos transferidos 
para Satans, tem ele de sofrer no somente pela sua prpria rebelio, mas por 
todos os pecados que fez o povo de Deus cometer. Seu castigo deve ser muito 
maior do que o daqueles a quem enganou. Depois que perecerem os que pelos 
seus enganos caram, deve ele ainda viver e sofrer. Nas chamas purificadoras os 
mpios so finalmente destrudos, raiz e ramos  Satans a raiz, seus seguidores 
os ramos. A penalidade completa da lei foi aplicada; satisfeitas as exigncias da 
justia; e o Cu e a Terra, contemplando-o, declaram a justia de Jeov.
Est para sempre terminada a obra de runa de Satans. Durante seis mil anos 
efetuou a sua vontade, enchendo a Terra de misria e causando pesar por todo o 
Universo. A criao inteira tem igualmente gemido e estado em dores de parto. 
Agora as criaturas de Deus esto para sempre livres de sua presena e tentaes. 
J descansa, j est sossegada toda a Terra! exclamam [os justos] com jbilo. 
Isa. 14:7. E uma aclamao de louvor e triunfo sobe de todo o Universo fiel. A 
voz de uma grande multido, como a voz de muitas guas, e a voz de fortes 
troves,  ouvida, dizendo: Aleluia! pois o Senhor Deus onipotente reina. Apoc. 
19:6.
Enquanto a Terra est envolta nos fogos da destruio, os justos habitam em 
segurana na Santa Cidade. Sobre os que tiveram parte na primeira ressurreio, 
a segunda morte no tem poder. Ao mesmo tempo em que Deus  para os mpios 
um fogo consumidor,  para o Seu povo tanto Sol como Escudo (Apoc. 20:6; Sal. 
84:11).
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Vi um novo cu, e uma nova Terra. Porque j o primeiro cu e a primeira Terra 
passaram. Apoc. 21:1. O fogo que consome os mpios, purifica a Terra. Todo 
vestgio de maldio  removido. Nenhum inferno a arder eternamente conservar 
perante os resgatados as terrveis conseqncias do pecado.
Apenas uma lembrana permanece: nosso Redentor sempre levar os sinais de 
Sua crucifixo. Em Sua fronte ferida, em Seu lado, em Suas mos e ps, esto os 
nicos vestgios da obra cruel que o pecado efetuou. Diz o profeta, contemplando 
Cristo em Sua glria: Raios brilhantes saam da Sua mo, e ali estava o 
esconderijo da Sua fora. Hab. 3:4. Suas mos, Seu lado ferido donde fluiu a 
corrente carmesim, que reconciliou o homem com Deus  ali est a glria do 
Salvador, ali est o esconderijo da Sua fora. Poderoso para salvar mediante o 
sacrifcio da redeno, foi Ele, portanto, forte para executar justia sobre aqueles 
que desprezaram a misericrdia de Deus. E os sinais de Sua humilhao so a Sua 
mais elevada honra; atravs das eras intrminas os ferimentos do Calvrio Lhe 
proclamaro o louvor e declararo o poder.
E a ti,  torre do rebanho, monte da filha de Sio, a ti vir; sim, a ti vir o 
primeiro domnio. Miq. 4:8. Chegado  o tempo, para o qual santos homens tm 
olhado com anseio desde que a espada inflamada vedou o den ao primeiro par  
tempo para a redeno da possesso de Deus. Efs. 1:14. A Terra, dada 
originariamente ao homem como seu reino, trada por ele s mos de Satans, e 
tanto tempo retida pelo poderoso adversrio, foi recuperada pelo grande plano da 
redeno. Tudo que se perdera pelo pecado foi restaurado. Assim diz o Senhor  
que formou a Terra, e a fez; Ele a estabeleceu, no a criou vazia, mas a formou 
para que fosse habitada. Isa. 45:18. O propsito original de Deus na criao da 
Terra cumpre-se, ao fazer-se ela a eterna morada dos remidos. Os justos 
herdaro a Terra e habitaro nela para sempre. Sal. 37:29.
Um receio de fazer com que a herana futura parea demasiado
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material tem levado muitos a espiritualizar as mesmas verdades que nos levam a 
consider-la nosso lar. Cristo afirmou a Seus discpulos haver ido preparar 
moradas para eles na casa de Seu Pai. Os que aceitam os ensinos da Palavra de 
Deus no sero totalmente ignorantes com respeito  morada celestial. E, 
contudo, as coisas que o olho no viu, e o ouvido no ouviu, e no subiram ao 
corao do homem, so as que Deus preparou para os que O amam. I Cor. 2:9. A 
linguagem humana no  adequada para descrever a recompensa dos justos. Ser 
conhecida apenas dos que a contemplarem. Nenhum esprito finito pode 
compreender a glria do Paraso de Deus.
Na Bblia a herana dos salvos  chamada um pas (Heb. 11:14-16). Ali o Pastor 
celestial conduz Seu rebanho s fontes de guas vivas. A rvore da vida produz 
seu fruto de ms em ms, e as folhas da rvore so para a sade das naes. 
Existem torrentes sempre a fluir, claras como cristal, e ao lado delas, rvores 
ondeantes projetam sua sombra sobre as veredas preparadas para os resgatados 
do Senhor. Ali as extensas plancies avultam em colinas de beleza, e as 
montanhas de Deus erguem seus altivos pncaros. Nessas pacficas plancies, ao 
lado daquelas correntes vivas, o povo de Deus, durante tanto tempo peregrino e 
errante, encontrar um lar.
O meu povo habitar em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em 
lugares quietos de descanso. Nunca mais se ouvir de violncia na tua Terra, de 
desolao ou destruio nos teus termos; mas aos teus muros chamars salvao, 
e s tuas portas louvor. Edificaro casas, e as habitaro; e plantaro vinhas, e 
comero o seu fruto. No edificaro para que outros habitem; no plantaro para 
que outros comam;  os Meus eleitos gozaro das obras das suas mos. Isa. 
32:18; 60:18; 65:21 e 22.
Ali, o deserto e os lugares secos se alegraro disto; e o ermo exultar e florescer 
como a rosa. Em lugar do espinheiro crescer a faia, e em lugar da sara 
crescer a murta. Isa. 35:1; 55:13. E morar o lobo com o cordeiro, e o
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leopardo com o cabrito se deitar,  e um menino pequeno os guiar. No se 
far mal nem dano algum em todo o monte da Minha santidade, diz o Senhor. 
Isa. 11:6 e 9.
A dor no pode existir na atmosfera do Cu. Ali no mais haver lgrimas, cortejos 
fnebres, manifestaes de pesar. No haver mais morte, nem pranto, nem 
clamor,  porque j as primeiras coisas so passadas. Apoc. 21:4. E morador 
nenhum dir: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela ser absorvido da 
sua iniqidade. Isa. 33:24.
Ali est a Nova Jerusalm, a metrpole da nova Terra glorificada, como uma 
coroa de glria na mo do Senhor e um diadema real na mo de teu Deus. Isa. 
62:3. Sua luz era semelhante a uma pedra preciosssima, como a pedra de jaspe, 
como cristal resplandecente. As naes andaro  sua luz; e os reis da Terra 
traro para ela a sua glria e honra. Apoc. 21:11 e 24. Diz o Senhor: Folgarei 
em Jerusalm, e exultarei no Meu povo. Isa. 65:19. Eis aqui o tabernculo de 
Deus com os homens, pois com eles habitar, e eles sero o Seu povo, e o mesmo 
Deus estar com eles e ser o seu Deus. Apoc. 21:3.
Na cidade de Deus no haver noite. Ningum necessitar ou desejar repouso. 
No haver cansao em fazer a vontade de Deus e oferecer louvor a Seu nome. 
Sempre sentiremos a frescura da manh, e sempre estaremos longe de seu termo. 
No necessitaro de lmpada nem de luz do Sol, porque o Senhor Deus os 
alumia. Apoc. 22:5. A luz do Sol ser sobrepujada por um brilho que no  
ofuscante e, contudo, suplanta incomensuravelmente o fulgor de nosso Sol ao 
meio-dia. A glria de Deus e do Cordeiro inunda a santa cidade, com luz 
imperecvel. Os remidos andam na glria de um dia perptuo, independentemente 
do Sol.
Nela no vi templo, porque o seu templo  o Senhor Deus todo-poderoso, e o 
Cordeiro. Apoc. 21:22. O povo de Deus tem o privilgio de entreter franca 
comunho com o Pai e o Filho. Agora vemos por espelho em enigma. I Cor.
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13:12. Contemplamos a imagem de Deus refletida como que em espelho, nas 
obras da Natureza e em Seu trato com os homens; mas ento O conheceremos 
face a face, sem um vu obscurecedor de permeio. Estaremos em Sua presena, e 
contemplaremos a glria de Seu rosto.
Ali os remidos conhecero como so conhecidos. O amor e simpatias que o prprio 
Deus plantou na alma, encontraro ali o mais verdadeiro e suave exerccio. A 
comunho pura com os seres santos, a vida social harmoniosa com os bem-
aventurados anjos e com os fiis de todos os tempos, que lavaram suas vestes e 
as branquearam no sangue do Cordeiro, os sagrados laos que renem toda a 
famlia nos Cus e na Terra (Efs. 3:15)  tudo isto concorre para constituir a 
felicidade dos remidos.
Ali, mentes imortais contemplaro, com deleite que jamais se fatigar, as 
maravilhas do poder criador, os mistrios do amor que redime. Ali no haver 
nenhum adversrio cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. 
Todas as faculdades se desenvolvero, ampliar-se-o todas as capacidades. A 
aquisio de conhecimentos no cansar o esprito nem esgotar as energias. Ali 
os mais grandiosos empreendimentos podero ser levados avante, alcanadas as 
mais elevadas aspiraes, as mais altas ambies realizadas; e surgiro ainda 
novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a 
compreender, novos objetivos a aguar as faculdades do esprito, da alma e do 
corpo.
Todos os tesouros do Universo estaro abertos ao estudo dos remidos de Deus. 
Livres da mortalidade, alaro vo incansvel para os mundos distantes  mundos 
que fremiram de tristeza ante o espetculo da desgraa humana, e ressoaram com 
cnticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizvel deleite 
os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres no-cados. 
Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante sculos e 
sculos, na contemplao da obra de Deus. Com viso desanuviada olham para a 
glria da criao, achando-se sis, estrelas e sistemas planetrios, todos na sua 
indicada ordem, a circular
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em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mnima at  maior, 
est escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu 
poder.
E ao transcorrerem os anos da eternidade, traro mais e mais abundantes e 
gloriosas revelaes de Deus e de Cristo. Assim como o conhecimento  
progressivo, tambm o amor, a reverncia e a felicidade aumentaro. Quanto mais 
aprendem os homens acerca de Deus, mais Lhe admiram o carter. Ao revelar-
lhes Jesus as riquezas da redeno e os estupendos feitos do grande conflito com 
Satans, a alma dos resgatados fremir com mais fervorosa devoo, e com mais 
arrebatadora alegria dedilharo as harpas de ouro; e milhares de milhares, e 
milhes de milhes de vozes se unem para avolumar o potente coro de louvor.
E ouvi a toda a criatura que est no Cu, e na Terra, e debaixo da terra, e que 
est no mar, e a todas as coisas que neles h, dizer: Ao que est assentado sobre 
o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas aes de graas, e honra, e glria, e poder 
para todo o sempre. Apoc. 5:13.
O grande conflito terminou. Pecado e pecadores no mais existem. O Universo 
inteiro est purificado. Uma nica palpitao de harmonioso jbilo vibra por toda a 
vasta criao. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os 
domnios do espao infinito. Desde o minsculo tomo at ao maior dos mundos, 
todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, 
declaram que Deus  amor.
